Duzentos anos de uma republica em uma monarquia.

Chegamos a março de 2017 e a Revolução Pernambucana tornar-se-á bicentenária. Necessário se faz promover a rememoração daqueles eventos tão importantes na história dos pernambucanos e dos brasileiros. Foi uma revolta contra aumentos de impostos definidos pela Corte do Reino do Brasil, sediada no Rio de Janeiro, quase todo aproveitado para melhoria da capital, em prejuízo para as províncias, especialmente as do Norte. Pernambuco em 1817 não se levantou contra o Império Colonial Português, uma vez que, desde 16 de dezembro de 1816 o Estado do Brasil foi, por decreto do príncipe regente, Dom João, posto na condição de Reino, em igual situação à Portugal e Algarves. O Brasil tornava-se Reino sob o comando de Dom João, e centro da Monarquia luso-brasileira.
Erram em muito os manuais e livros de História do Brasil em considerar o movimento iniciado em 6 de março de 1817 como sendo uma “rebelião colonial” igualando-o aos justos movimentos ocorridos em Minas Gerais (1789) e Bahia (1798). A conjuntura local e europeia havia mudado substancialmente desde os eventos franceses da Assembleia dos Estados Gerais, que se transmudou em Assembleia Constituinte que veio a pôr um final ao absolutismo dos Bourbon.
Doutra feita, a Revolução fez aparecer o general Napoleão Bonaparte que se fez Imperador dos Franceses e, com sua política de anexação dos Estados, forçou a transferência da monarquia portuguesa para sua colônia na América. O Império napoleônico não durou tanto e, o processo de Restauração das Monarquias europeias abriu possibilidades para que o Regente Dom João pusesse fim ao período colonial, tornando o Brasil um Reino que foi acolhido como tal na sociedade das nações. As celebrações comemorativas da Revolução de 1817 devem enfatizar os aspecto acima explicitado e, ao mesmo tempo, aproximar tal orientação aos brasileiros em geral e especialmente aos pernambucanos.
Este Projeto justifica-se quando propõe que futuros historiadores e professores de história debrucem-se sobre aqueles acontecimentos e, ultrapassando os limites do tempo da luta e da repressão, vejam, estudem e analisem qual foi e qual tem sido a percussão e manutenção dos ideais daquele movimento e dos seus autores, observando as maneiras de como a sociedade olindense os guardou, conservou, viveu e os vive atualmente. É para alcançar os objetivos acima mencionados que as ações desse projeto serão realizadas no seio de algumas comunidades que formam a cidade de Olinda. A realização deste projeto carece da ação da Universidade, pois ao realiza-lo estaremos em contato com a mais antiga tradição da Universidade Federal de Pernambuco, a Escola de Estudos Jurídicos de Olinda. E, nos esforçaremos a pensar como Olinda, sede do Seminário de onde brotou a liderança da Revolução que agora completa duas centúrias e mostrou, com o sangue dos Patriotas, o caminho da Independência.

Nesta Segunda feira daremos início a uma série de palestras enfatizando a permanência, ou não permanência, da Revolução de 1817 nos espaços de Olinda, ao mesmo tempo, veremos como cresceu Olinda e como reagimos à memória de tão memomrável REvolução.

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