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Aula do dia 20 de novembro: Iluminismo e o dia da Consciência Negra:

terça-feira, novembro 21st, 2017

O assunto da aula foi Iluminismo, então tomei alguns verbetes do Dicionário Filosófico – Igualdade, liberdade, Preconceito; juntei a bandeira da Revolução de 1817 e nos deleitamos a conversar. Que relação tem isso com a nossa vida e o que o Iluminismo importa para nós, foi o que rolou.
Quando faço esse tipo de aula noto que são poucos os alunos que expressam seus pensamentos. A sala lhes oprime, ou talvez seja eu. Mas o diálogo saiu e à medida que a aula fluía várias lembranças vieram-me, especialmente quando eu disse que esses temas estavam ligados ao que comemoramos, ou devemos refletir em um dia como o de hoje. E então veio a pergunta: que dia é hoje, saído de maneira tão verdadeira, em uma turma que está vencendo 50% do Curso de Licenciatura em História. Olhei para a turma e esperei a resposta que veio tímida e envergonhada: Dia da Consciência Negra.

Aprendi e repito sempre nas aulas que um historiador, aquele que deseja ser historiador deve ler, diariamente o jornal do dia, pois eles nos dizem os problemas do presente, o que justifica a pesquisa no passado para entender como o presente que vivemos foi construído. A pergunta da aluna me fez indagar, internamente: está a terminar o curso de história, já fez todas as disciplinas de História do Brasil; fez o ensino médio e como não sabem o que o dia da Consciência Negra! Porque foi criado tal dia e qual o seu objetivo, tudo isso estava fora da preocupação e conhecimento daqueles estudantes. Parece que certos momentos e temas são coisas de militantes, não de cidadãos. Mas também não sabiam que ontem, dia 19 de novembro foi o Dia da Bandeira Nacional.

Então lembrei que em 1988, quando a professora Edla Soares estava Secretária de Educação do Recife e eu Diretor de Projetos Especiais da mesma secretaria, fizemos ocorrer uma passeata dos estudantes da rede municipal, no dia 13 de maio, para discutir a questão dos negros no Brasil. Naquele ano, Plínio Victor e eu pensamos na possibilidade de criar um memorial Zumbi dos Palmares na Praça do Carmo. Não tem o memorial, mas lá está o busto representativo d Zumbi dos Palmares. E então era a época que começava a nascer e fortalecer o movimento negro em busca da afirmação, o que passava até pela relativização do ato da Princesa Izabel, não da desqualificação. A União dos Dirigentes de Educação Municipal promoveu debate envolvendo professores de 14 redes municipais do Estado – dois dias de estudos no Seminário Cristo Rei, em Camaragibe. E isso muito antes da lei que regulamenta a discussão da cultura afro-brasileira na escola. E meus alunos na universidade, em 2017, ficam surpresos que exista esse dia da Consciência Negra.

Agora reflito que esse desconhecimento é sinal que devemos vez por outra tocar nesse assunto, inclusive para lembrar que somos mestiços, de negros, brancos e ameríndios. Devemos nos esforçar um pouco mais para nos conhecermos, pois se não nos encararmos de verdade, jamais seremos algo além da sombra de um povo que poderia ter sido. Não somos apenas a herança europeia, como não somos apenas a herança africana. Somos as duas, sendo que as tradições europeias tornaram-se fortes, quase única, à medida que procurou impedir a continuidade das tradições africanas e, também destruíram, no puderam, a tradição dos povos que aqui encontraram. O dia 20 de Novembro é para repensar todas essas particularidades que, parece, nossos currículos – os visíveis e os invisíveis – parecem desejar esconder.

Como nos lembrou o professor Marcus Carvalho, na conversa realizada no Projeto Olinda 1817 – 2017, parece que anda estamos longe de realizarmos o projeto dos iluministas dos séculos XVII e XVIII.

O mundo não acabou: nem o de Plínio Victor, o de Murilo Mellins, nem o meu.

domingo, novembro 19th, 2017

O domingo acordou alegre com um sol quente convidando a uma praia que, passou pela cabeça, mas passou tão rápido quanto essa brisa que vem da orla olindense, 3 quilômetros à minha frente. Começo a imaginar e planejar o meu dia, sem o camarão e a ostra que irão à praia sem mim. Outros glutões dominicais terão essa recompensa. Abro o computador e vou verificar se há algum recado, o que pensam alguns amigos e o que alguns disseram do que eu pensei e publiquei antes de hoje. Então tenho uma surpresa: Plínio Victor informa que, alguma instituição informa que o fim do mundo teria sido transferido para o dia 19 de novembro de 2017, que é hoje. É preocupante, pois isso vai estragar todo o planejamento, inclusive os planos de aula que estou pensando para o próximo semestre, e pior ainda, é que eu havia prometido ir à Praça do Carmo para que Isaac possa experimentar a bicicleta que comprei para ele. Como agora já passa das quatorze horas, parece que vão fazer um novo comunicado, nos informando o adiamento e as razões para mais esta frustração. Espero que Plínio, historiador e arqueólgo, garimpe também essa informação para que nos tranquilizemos e possammos continuar a educar nossos filhos e nos educarmos um pouco mais. Especialmente nos quesitos de ser honestos com as coisas públicas e mantermos as amizades, pois sem elas é o fim do mundo.

Enquanto o mundo não acaba, entre uma atividade e outra folheei um belo livro que Claudfranlklin enviou-me desde Lagarto, uma continuação de uma conversa que mantive, copo de uísque na mão, com Murilo Melins. Primeiro contato na Academia Sergipana de Letras. Nossa conversa foi sobre nossas memórias e a dos outros. Murilo escreveu o livro ARACAU PITORESCO E LENDÁRIO, publicado pela empresa Gráfica da Bahia, no ano de 2015. Resultado de coisas que ele viu, coisas que ouviu e coisas que leu nos jornais aracaujenses desde o inpicio do século XX até “os dias que valem a pena serem lembrados”. Uma delícia para os sergipanos e uma apresentação para quem, como eu, vai esporadicamente a Sergipe. Murilo Melins nos põe em contato com a boemia e com a seriedade, com a juventude pretérita, tão irreverente como a de hoje, com o decoro que o tempo permitia. Transcrevo a página 193.

“As mulheres, ou melhor, as esposas julgam também de seu direito de julgar: assim é que, nas mais diversas modalidades do seu vier, ellas consideram os maridos como as diversas coisas com que lidam:
A negociante julga o seu marido a uma factura paga;
A caixeira – uma caixa vazia;
A médica – um doente desenganado;
A Dentista – um dente obturado;
A bacharela – uma execução de sentença in fine;
A agricultura – um terreno que já produziu;
A operária – um salário pago;
A costureira – um vestido que não suporta mais remonte;
A professora – um Quincas;
A telegraphista – um telegrama retido;
A jornalista – um original archivado.

Bem, se vocês lerem essas brincadeiras dos anos 1930, saibam que o mundo não acabou e que aquela era um sociedade machista e sem a doutrina do politicamente correto nas redações.
E citando D. Côrtes, Murilo vem vem com esses versinhos:

Menina da saia curta – Olhe a Atalaia
Saltadeira de riacho – Olhe a atalia
Trepe naquele coqueiro
E bote dois cocos a baixo.

Obrigado Murilo Melins, pela sua memória, por sua pesquisa que mantém Aracaju viva, como Mario Sette fez com Recife de antigamente.