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Avaliação em final de semestre

domingo, dezembro 2nd, 2018

Estou triste neste fim de tarde, apesar do dia produtivo e alegre com meu trabalho e família. Mas como imaginar o país melhor com a capacidade de nossos principais juízes demonstrarem tanto sabe e pouco cuidado com o povo que lhes pagou a educação e, recentemente vinha sendo achincalhado por pagar auxílio moradia de seis salários mínimos a quem já recebe trinta salários mínimos. Fico triste por ser impotente diante do cinismo do ministro que, durante dois anos fingiu que não tinha tempo para rever tão estúpido “direito”, mas que prontamente definiu que era errado receber tal prebenda, após o presidente da República ceder (de bom grado, parece) à chantagem e lhes conceder um aumento um aumento maior que o ‘benefício’ que lhe foi tirado. Cinismo maior ao pedir vista a um processo para dar a impressão de que está ao lado da população e não contra os que fraudaram contas públicas, desviaram dinheiro público, sabendo que nada vai mudar o que pensam seus colegas, que é o mesmo que ele pensa. Não creio que pretenda punir bandidos, quem faz chantagem com interesses da população.

A tristeza só faz aumentar ao saber que auxiliar da Procuradora Geral da República pediu para deixar o cargo pois perdeu o “auxílio moradia”, embora venha a ser beneficiado com um aumento em seu salário, na cascata que beneficia a todos os promotores. Ah! Esses promotores deveriam promover ações em defesa do direito comum! E poderia continuar o tom de lamento, continuar dessa maneira me levaria desistir dos meus sonhos, aqueles que foram sendo desvelados à medida que conhecia pessoas, que lia livros, que os debatia, que construía a vida como profissional. Todas essas ações estavam, ainda estão, envoltas nesse desejo da humanidade.

Este ano que termina completa 70 anos da proclamação que reconhece a todos os homens direitos inalienáveis, direitos que não lhes podem ser retirados, pois se assim se fizer, deixa-se de reconhecer a sua humanidade, mas, principalmente assume-se assumir a negação da humanidade. Até pormos em papel a relação de Direitos muita água e muito sangue correram. Sabemos que historicamente eles foram construídos com muito sangue derramado, sangue tomado dos que se opunham à modificações que beneficiassem a todos, mas também sangue que, por maldades, alguns líderes fizeram derramar para seu prazer, enquanto mentiam que o faziam em benefício da humanidade. Foi fácil para gente doente usar o desejo de liberdade para destruir possibilidades de liberdade; foi fácil para gente doente, utilizar a ânsia de felicidade que todos os humanos carregamos, no intuito de cultivar a sua maldade, seu desejo de poder. E, como essas pessoas receberam apoio de tantos, doentes e sadios, para a realização de seus projetos de poder! Talvez essa seja a razão da melancolia que trago e que vejo e sinto em tantos colegas de geração. Talvez nós sintamos que fomos utilizados por alguns, e nos deixamos enganar. Mas esse talvez seja um risco que todas as gerações correm na caminhada humana para construir um mundo mais feliz.

Terminei uma das minhas aulas esta semana alegre e perplexo com alguns desses jovens que acompanhei neste semestre. Alegre porque os vi com desejos de mudar o mundo, de fazê-lo mais justo, mas perplexos pois não vi o mesmo entusiasmo em fazê-lo mais feliz. Foi bem mais fácil para eles expressarem o que entendiam por “justiça” que explicitar alguma ideia do que viesse a ser felicidade, para si e para outrem. Até se dispunham a matar e morrer para que a justiça viesse a ser realizada (o Período do Terror não os amedronta), mas foram reticente em saber dizer se eram ou não felizes. Talvez, no nosso ensino da história, sejam mais alimentador dos desejos do heroísmo sangrento e explicito que das vitórias mais fugazes que fazem parte do cotidiano.

Refletindo sobre eventos ocorridos nos séculos XVII e XVIII, esses jovens puderam debater e solidarizar-se com os esforços que pareciam encaminhar para a construção de uma “sociedade justa”, mas não perceberam que havia, também a busca da felicidade e, penso, parece que esta perspectiva é a mesma na qual estão traçando a sua caminhada: a luta pela justiça e, secundariamente, alguma felicidade. Mas, como é “difícil definir o que seja felicidade”, deixa-se essa reflexão para depois. Mas felicidade é algo excessivamente indefinido, algo que nem mesmo os dicionaristas são capazes de afirmar. E, contudo, “todos os homens têm direito à felicidade”.

Um dos livros que mais chamou a sua atenção neste semestre, dizem os seus comentários, não que os explicitassem, foi sobre o Medo, de Dulemeau, não lhes chamou atenção seu livro sobre a busca da felicidade. Talvez mais tarde, quando a justiça houver vencido o medo, haja tempo para esta reflexão.

Os juízes estão mais preocupados em serem justos, defendem como direito de justiça os seus privilégios que eles chamam de direitos, que com o cotidiano do homem comum, como o seu direito a ser feliz, comendo algum pedaço de alimento mais forte que as pipocas vendidas e consumidas nos transportes coletivos usados pelos mais pobres, e os semáforos, para alguns que acumularam algo.

Em busca da democracia

quinta-feira, novembro 8th, 2018

Pessoas desacostumados ao exercício democrático estão sempre a cultivar o terror, seja à direita seja à esquerda. Dia 6 de novembro, um manifesto acusa alguns professores de serem “doutrinadores “e os ameaça”. Também ameaça alunos, e diz que irão expulsá-los da universidade. O manifesto ou panfleto não traz assinaturas, é anônimo.

No mesmo dia outro grupo publica nas paredes do CFCH retrato de um professor o acusando de “golpista”. Ameaça expulsá-lo da universidade. Este grupo publica até um telefone para contato.

Um professor agredido é uma agressão ao livre exercício da docência. É insuportável esse comportamento.
É lamentável que estejamos neste nível de incivilidade. Apoio aos prefessores nominados neste horrível documento. Sem medo enfraqueceremos o ódio.

A Universidade publica uma nota repudiando o documento sem assinatura. Nâo menciona o outro documento. Deveria ser mais isonômica

A Pátria, a Nação em construção

sexta-feira, setembro 7th, 2018

A Semana da Pátria, período que deveria ser dedicado a reflexão sobre a nação, este ano traz novas razões para debruçar-me sobre ela. Nas nuvens da memória, lembro que havia uma pequena poesia no livro Infância Brasileira, que eu usei ainda nas primeiras séries; não lembro dos versos, mas do sentimento que eles comunicavam, que eram de louvor ao ato ocorrido no distante riacho Ipiranga e ao autor do gesto. Creio que o tive decorado até quando alcancei o Primeiro Ano Ginasial, hoje a famosa Quinta Série. Esse sentimento romântico vem até agora, mesmo depois de todos os encaminhamentos dados pela razão, pelos estudo históricos que tenho realizado, acompanhado por mestres e alunos. E tendo aprendido que o príncipe não era tão perfeito e bonito moralmente, não diminuiu o meu sentimento por aquele gesto simples, mas que foi tornado brilhante e permanente na tela de Pedro Américo. Hoje sei que havia uma mulher, dona Leopoldina que, desde o segundo dia de setembro de 1822, havia decidido a superação dos ligamentos a Portugal e tomado a decisão de que o Brasil passaria a ser dono de seu presente e futuro. Aprendi que na construção do Brasil, o príncipe que assumiu a decisão de Dona Leopoldina, cometeu alguns senões aqui em Pernambuco, não reconhecendo que havia se excedido em dissolver a Assembleia Constituinte. E, entretanto a nação foi sendo juntada, ajustada, com revoltas, traições, mortes e acordos. Nem sempre, talvez quase nunca, esses acordos levaram em consideração todos os habitantes do Brasil. A escravidão, como nos ensinou Joaquim Nabuco, foi prejudicial para os senhores de escravos e para os escravos. Aos primeiros ensinou a não ouvir além de suas vozes e, aos segundos criou impedimentos às palavras, aos gestos, aos movimentos. E, quando teve início a construção da República, esses maus hábitos permaneceram e mantiveram as distâncias entre os brasileiros, o que levou a maioria entender que o Brasil não é deles.

Na Semana da Pátria deste ano de 2018, são muitos os acontecimentos que me auxiliam a pensar no que fizemos, estamos fazendo e iremos fazer com a nossa nação. A semana começou com o incêndio do Museu Nacional, local da guarda de substancial parte material de nossa história nacional, mas também de importante volume de informações sobre a trajetória da humanidade, como demonstravam as múmias egípcias compradas pelo príncipe que confirmou o decreto de Dona Leopoldina, e outros artefatos que estavam guardados no palácio que foi construído por um comerciante de escravos (parte dolorosa de nossa história que deve ser aceita e não negada, mas aceita para nos fazer livres)e que veio a ser moradia dos Imperadores, mas que, após o saque ocorrido nos primeiros dias da República, foi tornado Museu. O incêndio do Museu Nacional tornou público, mais uma vez, o descaso com o nosso passado, com a nossa história. O mais triste é que estava sob a guarda da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sabemos o quanto os historiadores, antropólogos, biólogos, físicos, e tantos outros estudiosos amavam e amam esse local, mas vimos que, quando alguns professores tornam-se, por oferecimento ou por escolha, burocratas responsáveis por esses equipamentos culturais, ficam insensíveis e não cuidam devidamente do que lhes foi confiado pela Nação, nem acham que devem explicações aos demais brasileiros. Como se não interessasse aos brasileiros o que ocorre com o seu patrimônio, ou, porque esses administradores não sentem que ali está a vida de sua nação. Talvez não se sintam parte dessa nação, talvez tenham outras fidelidades nacionais ou ideológicas. Embora a ação desses péssimos gerentes tenha afetado negativamente nossa Nação e Pátria, podemos aproveitar a oportunidade para ter mais atenção na transmissão dos valores cívicos.

A Semana da Pátria deste ano de 2018, assistiu a tentativa de assassinato de um candidato à presidente da República, em uma rua da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Esse acontecimento mostra o quanto nossa sociedade está sendo movida por sentimentos pouco sociáveis, de pouco apreço às leis e aos costumes sancionados, a incerteza da aplicação das leis e a quase certeza da impunidade. Alguns até chegam a solicitar intervenção de instituições externas para garantir direitos individuais, sem considerar que o portador de direitos é, também portador de deveres para com a nação, a pátria e aos seus compatriotas.

Uma nação é construída a cada dia, pois deve ser diária a aceitação de ser parte de uma nação, de um país. Quando esse país aceita a democracia representativa para sua organização e governo, todos que dele fazem parte escolhem quem ficará à frente da caminhada por algum tempo. É para isso que são realizadas periodicamente as eleições. Mas um país é formado por pessoas que pensam de modo semelhante, mas não por igual. Por isso é que são criados partidos que agregam pessoas que pensam de maneira semelhante para apresentar sua proposta à sociedade. É por isso que há tantos partidos, embora no nosso caso parece estar havendo um excedente que pode ser percebido pela ausência de projetos na maior parte desses partidos que, parece terem surgidos com o objetivo de utilizar o espaço democrático para seu enriquecimento pessoal. Alguns não conseguem esconder esse defeito que é da sociedade. Esta Semana da Pátria que, ao lado das cerimônias oficiais, temos que lembrar os que têm sido permanentemente excluídos das conquistas sociais e culturais. Este ano, mais que em outros, devemos nos perguntar quem escolheremos para orientar os passos da nação nos próximos anos, mas devemos levar em consideração que esses quatro anos serão novo início da nossa construção, mas desejamos que haja continuidade e não apenas ruptura.

Relatório Projeto OLINDA 1817 2017

sábado, abril 28th, 2018

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILSOSFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

RELATÓRIO DO PROJETO DE EXTENSÃO OLINDA 1817 2017

Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

O projeto OLINDA 1817 – 2017 foi apresentado e aprovado pelo Pleno do Departamento de História da UFPE na reunião em novembro de 2016, com os seguintes objetivos:
• Acompanhar alguns aspectos do processo urbano-sócio-cultural do burgo olindense desde o ano de 1817 até 2017, como parte da rememoração de acontecimentos relacionados à chamada Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como a Revolução dos Padres, no dizer de Manuel de Oliveira Lima;
• Promover o intercâmbio de informações entre os estudantes do curso de História da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e partes da população da cidade de Olinda;
• Promover encontros de estudos e troca de experiências entre os alunos do curso de História da UFPE com setores da cidade de Olinda, em reuniões de estudos em diferentes locais de socialização, tais como, instituições culturais, instituições religiosas, clubes sociais, agremiações carnavalescas, etc.;
• Promover ações conjuntas de alunos do curso de História da UFPE e o Arquivo Histórico de Olinda, para localização, organização e seleção de material gráfico – fotos, mapas, plantas, etc. – da cidade de Olinda;
• Confecção de material didático – banners, diapositivos – a serem utilizados nas ações que formarão a realização efetiva do projeto;

O Projeto OLINDA 1817 – 2017 foi realizado em parceria com diversas instituições da cidade de Olinda, citadas a seguir: Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco; Prefeitura Municipal de Olinda; Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda; Instituto Histórico de Olinda; Confraria de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Olinda. Convento de São Francisco de Olinda; Sociedade de Defesa da Cidade Alta – SODECA; Associação Carnavalesca Cariri; Mosteiro de São Bento; Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães – APMAG; Museu Regional de Olinda; Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.

1. Preparação:
a) Convidamos alunos do curso de História para participar do projeto e recebemos a adesão de oito, e fizemos três reuniões, fomos visitar o Arquivo de Olinda, mas a impossibilidade de conseguirmos bolsas arrefeceu o entusiasmo;
b) Entretanto fizemos uma página no Facebook, https://www.facebook.com/olinda1817/ e nelas nos comunicamos e trocamos algumas informações em torno do tema. A página foi utilizada para informar os eventos realizados.
c) Inicialmente entramos em contato com as entidades para saber de suas disponibilidades e aceitação do projeto, o que ocorreu nos meses de novembro e dezembro de 2016;
d) Discutimos com a equipe do Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães sobre os temas e quais os professores convidaríamos para as palestras;
e) Entramos em contato com a Secretaria de Educação de Olinda para que viesse a se tornar uma parceira, mas não conseguimos ser recebidos pelo secretário de educação e fomos enviados para conversar com a Diretoria de Ensino que nos fez muitas exigências, como fazer várias capacitações para os professores em troca de liberar os alunos para as palestras. Não conseguimos firmar essa parceria;
f) Simultaneamente apresentamos o projeto a professores e especialistas e convidamos professores e especialistas para, graciosamente, palestrassem nos eventos.
2. A abertura do Projeto foi realizada no auditório da Prefeitura Municipal de Olinda, tendo sido proferidas palestras: de Aneide Santana, do Arquivo Municipal Antonino Guimarães; Luiz Beltrão, presidente do Instituto Histórico de Olinda, o Secretário de Patrimônio e Cultura da Prefeitura de Olinda e o professor Severino Vicente da Silva.
3. As palestras foram realizadas mensalmente nos espaços viabilizados por nossos parceiros na seguinte ordem:
MARÇO: OS ACONTECIMENTOS DA REVOLUÇÃO (Solenidade de abertura) Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, UFPE. (Departamento de História) Realizada no Auditório da Prefeitura Municipal de Olinda.
ABRIL: O SIGNIFICADO DOS ESTUDOS JURÍDICOS, EM OLINDA SÉC. XIX. Prof. Ms. Luiz Delgado, UFPE. (Curso Jurídico) Local: Colégio de São Bento. Realizada no Auditório do Colégio São Bento.
MAIO: RELAÇÕES COM OS SERTÕES – Olinda e os Cariri: Sertões, seminaristas, comércio e carnaval. Prof. Ms. Plínio Victor (Secretaria de Cultura de Olinda) Local: Associação Carnavalesca Cariri.
JUNHO: O SEMINÁRIO E SUA HERANÇA CULTURAL – Pensamento de Liberdade em Pernambuco desde 1817. Prof. Dr. Caesar sobreira, UFRPE. Local: Instituto Histórico de Olinda
JULHO: AS ARTES EM OLINDA. Prof. Dr. Fernando Guerra, UFPE. (Departamento de Arqueologia). Local: Instituto Histórico de Olinda.
AGOSTO: O COTIDIANO E A TRADIÇÃO – O Cotidiano em Olinda no século XIX. Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, UFPE. (Departamento de História). Local: Igreja de São João dos Militares
SETEMBRO: A CONVENÇÃO DE BEBERIBE. Mestre Plinio Victor, (secretaria de Cultura de Olinda), Mestre Aneide Santana (Arquivo Municipal Antonino Guimarães), Prof. Dr. Severino Vicente da Silva (UFPE). Local: Auditória da Prefeitura Municipal de Olinda.
Outubro: EVOLUÇÃO URBANA DA CIDADE. Mestre Alexandre Alves Dias (Arquivo Municipal Antonino Guimarães) e Prof. Flávio Dionísio (Museu Regional de Olinda) Local: Museu Regional de Olinda.
Novembro: A REVOLUÇÃO DA LIBERDADE E OS ESCRAVOS – Escravidão e Liberdade em 1817. Prof. Dr. Marcus Carvalho, UFPE (Departamento de História) Local: Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
4. Para cada um desses encontros foi produzido Powerpoint referente aos temas das palestras, os quais foram expostos com equipamento cedido pelo Arquivo Público Antonino Guimarães.
5. As palestras foram gravadas, e foram decupadas pelo aluno Márcio Nascimento da Silva. As transcrições foram entregues aos palestrantes para que eles reorganizem e as disponham para uma possível publicação.
6. O Projeto foi encerrado com a palestra na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
7. Devemos mencionar que alguns problemas, como viagem de palestrantes, e incompatibilidade de horários, fizeram com que as palestras tivessem ocorridas em horários diferentes, o que impediu a formação de um público permanente; por isso tivemos uma audiência flutuante numericamente, mas pudemos notar que, quando os encontros ocorriam em lugares mais próximos do comum, distante dos ambientes mais tradicionais, a frequência do público foi maior. Assim, as palestras ocorridas em ambientes mais populares, como clubes de carnaval e igrejas, foram as mais concorridas.
8. Chamou atenção o fato de que o comprometimento que ocorre na rede social não se converte em presença física efetiva, o que pode ser explicado pelo fato de muitos que acompanham pela internet estão, fisicamente distantes e impossibilitados de comparecer.
9. A página continua sendo visitada após o término do ciclo de palestras.
10. Foram realizadas fotografias que estão publicadas na página https://www.facebook.com/olinda1817/

Prof. Dr. Severino Vicente da Silva
Olinda, 11 de abril de 2018.

Nova encruzilhada: Nada será como antes

domingo, janeiro 28th, 2018

Costumamos sempre comparar a atual situação do Brasil com a de outros países, seja para nos glorificarmos seja para nos humilhar. Mas a questão mais importante é: o que eles fizeram e nós não fizemos; parece que partimos da premissa que foi apenas porque eles nos exploraram. Talvez não. Talvez eles tenham decidido sofrer um pouco para atingir algo. Talvez eles vieram a construir um ideal comum, ultrapassaram algumas divergências entre si. Nós precisamos confiar mais em nós; devemos ensinar exemplarmente como se deve agir, não em busca de vingança, mas com ações de renovação. Claro que temos uma elite política horrenda no Congresso. Segundo alguns analistas é um dos piores congressos que já tivemos. Mas ele é um retrato nosso, ele não é uma invenção externa, mas foi construída nos últimos trinta anos. Alguns membros deste congresso estão lá desde então. Claro há sempre a questão do passado escravocrata que marca a todos: a uns porque só sabem mandar, e por isso não sabem; a outros que só sabe obedecer, e por isso não sabem o que é obediência. É que os que mandam também não sabem a direção do mando; como não têm sonhos ou projeto para o futuro da nação, cuidam de evitar que haja mudança, pois não saberiam o que fazer se houvesse mudança, pois mandam como mandavam seus antepassados – os mais antigos e os ainda vivos. Os que obedecem apenas fazem o que lhe mandado, pouco interessa em saber o porquê lhe mandam: repetem sempre: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, frases construídas nas experiências dos engenhos, fazendas, escolas (uma vez um professor me disse após ler um artigo meu: guarde-o ou queime-o, pois embora esteja certo o que diz, há pessoas que não gostarão e você será prejudicado), oficinas, igrejas, sindicatos, partidos. etc. Enveredamos pouco na direção de uma educação, tanto nas escolas quanto nas famílias, igrejas, sindicatos, etc.

Momento inquietante em sala de aula, seja nos ensino médio, seja no superior – minhas principais experiências, embora tenha tido duas anos de prática docente nas quinta e sétima séries -, é quando, professor, faço uma pergunta e, a responda é um silêncio. Necessários vários minutos para que algum aluno balbucie, de modo quase inaudível, uma resposta. Há três pavores nesses silêncios: o de cometer um erro e desagradar o professor, além de ser alvo de zombaria pelos colegas. Este é outra face do comportamento do aluno que, ao receber uma tarefa, uma prova a ser realizada, pergunta ao professor: Como o senhor que se responda. Após essas quase cinco décadas de ensino, verifico que o medo é o principal currículo de nossas escolas: o medo de perguntar por temer passar por tolo; o medo de perguntar por temor de que o professor ache sua pergunta uma bobagem; o temor de ser chacota dos colegas; tudo isso leva ao medo de pensar. Assim as palavras não fluem do pensamento, as palavras calam, o cérebro fica paralisado, nada intenta, desmonta-se pela sedutora ideia de que fazendo o que o “senhor” ou a “tradição” mandar, tudo estará resolvido. Ora, dessa forma aprende-se a escravidão, a servidão. E uma nação não é construída por servos, ela é construída por pessoas que se estimam, que se orgulham dos acertos e das vezes em que o acerto foi buscado. Quando saímos da ditadura cantamos a superação daqueles dias, e nossas ações voltaram-se para o passado (interessante a quantidade de líderes pré 64 que vieram nos salvar do presente de 1985) e não olharam como o futuro deveria ser construído, mas usufruído. Nossa Constituição nos aponta direitos e quase nenhum dever, nos aponta a prazer, como se 1988 no Brasil fosse ainda maio de 1968 na França.

Estamos em mais uma encruzilhada e, mais uma vez podemos fazer a aposta pelo passado acreditando que ele nos aponta o futuro. 2018 não 2002. “Nada será como antes, amanhã,” cantava Milton Nascimento em 1976. A frase continua a valer para os dias atuais Temos que acreditar e agir nessa crença..

Uma tentativa de compreensão

quinta-feira, julho 6th, 2017

Não sei se estou pensando bem, mas vou tentar dizer o que me vem à cabeça após ouvir o lamento de que o governo cortou verba para a Polícia Federal. Na verdade, por receio de um retorno dos militares,os governos desde 1988 diminuíram sensivelmente as verbas para as forças de segurança, externa e interna. Não temos aviação militar séria para garantir a soberania do espaço aéreo, nem navios para proteger as fronteiras oceânicas ou fluviais, como também não temos exército para garantir as fronteiras secas. Prova isso a crescente transformação do Brasil como rota de fornecimento internacional de drogas. Vez por outra toneladas de drogas são encontradas em helicópteros ou outro suporte de transporte.
As forças de segurança interna também estão defasadas,não há policiais – civis ou militares – para garantir a tranquilidade de um passeio familiar. Há áreas em cidades que os serviços públicos estão proibidos aos cidadãos, pois os criminosos dominam geograficamente o pedaço. Mesmo os espaços políticos foram tomados pela bandidagem que pode financiar estudos de leis a alguns que hoje atuam nas portas de cadeia. Nossos líderes, aqueles que elegemos para cuidar da nação enquanto nós produzimos a riqueza, dedicaram-se mais em fortalecer suas casas legislativas, criando privilégios para si e para o pode judiciário. Talvez gastemos mais com essas instituições do que com o cuidado com a saúde, a educação e a segurança. Esse egoísmo corporativo impede a formação de um sentimento de nação.
Nas universidades, assistimos pedagogos sempre dispostos a inovar (copiar as novidades que saem dos crânios de outras nações) não permitindo que nenhuma experiência complete seu círculo para podermos fazer uma avaliação coerente. Nosso ensino tem caído de qualidade em relação aos outros países, ainda que tenha melhorado quando se compara como passado, mas esse é um crescimento vegetativo.
Sim, não temos policiais em número suficiente para atender a demanda da segurança pública; não temos escolas e professores suficientes em número e boa qualidade para darmos os alto necessário para o futuro; não temos hospitais em número para atender o povo, além de que continuamos a promover a concentração deles em alguma localidades, impedindo o acesso aos atendimento, além de que formamos médicos sem consciência ética e social. O sistema prisional transformou-se em uma Escola Superior do Crime porque não foram investidos em programas de reeducação, como prevê a filosofia do Código de Direito Penal.
Entretanto temos o Parlamento, o judiciário e o ministério público mais bem pagos do mundo, cheios de privilégios. e a cada anos eles inventam mais um. Tivéssemos menos privilégios (aliás não deveria haver nenhum) o que se gasta com esse penduricalho poderia ser aplicado onde realmente a nação precisa. Mas Preferimos criar bolsas para quem lutou armado contra a ditadura, bolsa para quem não tem salário decente, bolsa para quem não tem emprego, bolsa para quem não teve escola decente, bolsa para quem está na prisão, etc. etc. etc. E essas bolsas serviram para adormecer o sentimento de desejo de melhoria e verdadeira mudança social. Muitos dos que dizem ter lutado pela democracia foram alçados aos parlamentos pois pareciam que amavam o país e seu povo.
Assistimos o desvelamento dessa mentira com a publicização dos roubos que praticaram desde que chegaram ao poder, eles e seus mentores mais antigos na arte de roubar o povo,oferecendo-lhes migalhas para sedar sua possível revolta. Amam Lula, Dirceu como amaram Ademar de Barros, Agamenon Magalhães, e tantos outros que foram sendo criados nas fazendas de gado, nas plantações de café, nos campos da borracha, na beira dos portos, nas plantações de cana e em tantos outros lugares de onde se formaram para criar a ilusão das superficialidades das aulas de história das escolas de samba e outras maneiras encontradas e apropriadas pelos criminosos para lavar seus crimes.
Agora, quando uma parte mais jovem desse aparato agiu para descortinar tantos crimes, vêm os criminosos, transformando ideias mater de nossa sociedade em jargões para diminuir mais ainda quem garante os serviços básicos (segurança, ensino, serviço médico) enquanto protegem os criminosos que enganaram duplamente o Brasil. Pena que os jovens estejam velhos pois aprenderam explicações sem terem conhecido o caminho da pesquisa para encontrar as causas. As pílulas de conhecimento ofertadas nos cursos preparatórios para concursos agora estão dando os seus resultados. Como diziam antigamente, cabeça vazia é oficina para o diabo, que as enche com o que ele deseja.