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Relatório Projeto OLINDA 1817 2017

sábado, abril 28th, 2018

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILSOSFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

RELATÓRIO DO PROJETO DE EXTENSÃO OLINDA 1817 2017

Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

O projeto OLINDA 1817 – 2017 foi apresentado e aprovado pelo Pleno do Departamento de História da UFPE na reunião em novembro de 2016, com os seguintes objetivos:
• Acompanhar alguns aspectos do processo urbano-sócio-cultural do burgo olindense desde o ano de 1817 até 2017, como parte da rememoração de acontecimentos relacionados à chamada Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como a Revolução dos Padres, no dizer de Manuel de Oliveira Lima;
• Promover o intercâmbio de informações entre os estudantes do curso de História da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e partes da população da cidade de Olinda;
• Promover encontros de estudos e troca de experiências entre os alunos do curso de História da UFPE com setores da cidade de Olinda, em reuniões de estudos em diferentes locais de socialização, tais como, instituições culturais, instituições religiosas, clubes sociais, agremiações carnavalescas, etc.;
• Promover ações conjuntas de alunos do curso de História da UFPE e o Arquivo Histórico de Olinda, para localização, organização e seleção de material gráfico – fotos, mapas, plantas, etc. – da cidade de Olinda;
• Confecção de material didático – banners, diapositivos – a serem utilizados nas ações que formarão a realização efetiva do projeto;

O Projeto OLINDA 1817 – 2017 foi realizado em parceria com diversas instituições da cidade de Olinda, citadas a seguir: Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco; Prefeitura Municipal de Olinda; Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda; Instituto Histórico de Olinda; Confraria de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Olinda. Convento de São Francisco de Olinda; Sociedade de Defesa da Cidade Alta – SODECA; Associação Carnavalesca Cariri; Mosteiro de São Bento; Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães – APMAG; Museu Regional de Olinda; Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.

1. Preparação:
a) Convidamos alunos do curso de História para participar do projeto e recebemos a adesão de oito, e fizemos três reuniões, fomos visitar o Arquivo de Olinda, mas a impossibilidade de conseguirmos bolsas arrefeceu o entusiasmo;
b) Entretanto fizemos uma página no Facebook, https://www.facebook.com/olinda1817/ e nelas nos comunicamos e trocamos algumas informações em torno do tema. A página foi utilizada para informar os eventos realizados.
c) Inicialmente entramos em contato com as entidades para saber de suas disponibilidades e aceitação do projeto, o que ocorreu nos meses de novembro e dezembro de 2016;
d) Discutimos com a equipe do Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães sobre os temas e quais os professores convidaríamos para as palestras;
e) Entramos em contato com a Secretaria de Educação de Olinda para que viesse a se tornar uma parceira, mas não conseguimos ser recebidos pelo secretário de educação e fomos enviados para conversar com a Diretoria de Ensino que nos fez muitas exigências, como fazer várias capacitações para os professores em troca de liberar os alunos para as palestras. Não conseguimos firmar essa parceria;
f) Simultaneamente apresentamos o projeto a professores e especialistas e convidamos professores e especialistas para, graciosamente, palestrassem nos eventos.
2. A abertura do Projeto foi realizada no auditório da Prefeitura Municipal de Olinda, tendo sido proferidas palestras: de Aneide Santana, do Arquivo Municipal Antonino Guimarães; Luiz Beltrão, presidente do Instituto Histórico de Olinda, o Secretário de Patrimônio e Cultura da Prefeitura de Olinda e o professor Severino Vicente da Silva.
3. As palestras foram realizadas mensalmente nos espaços viabilizados por nossos parceiros na seguinte ordem:
MARÇO: OS ACONTECIMENTOS DA REVOLUÇÃO (Solenidade de abertura) Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, UFPE. (Departamento de História) Realizada no Auditório da Prefeitura Municipal de Olinda.
ABRIL: O SIGNIFICADO DOS ESTUDOS JURÍDICOS, EM OLINDA SÉC. XIX. Prof. Ms. Luiz Delgado, UFPE. (Curso Jurídico) Local: Colégio de São Bento. Realizada no Auditório do Colégio São Bento.
MAIO: RELAÇÕES COM OS SERTÕES – Olinda e os Cariri: Sertões, seminaristas, comércio e carnaval. Prof. Ms. Plínio Victor (Secretaria de Cultura de Olinda) Local: Associação Carnavalesca Cariri.
JUNHO: O SEMINÁRIO E SUA HERANÇA CULTURAL – Pensamento de Liberdade em Pernambuco desde 1817. Prof. Dr. Caesar sobreira, UFRPE. Local: Instituto Histórico de Olinda
JULHO: AS ARTES EM OLINDA. Prof. Dr. Fernando Guerra, UFPE. (Departamento de Arqueologia). Local: Instituto Histórico de Olinda.
AGOSTO: O COTIDIANO E A TRADIÇÃO – O Cotidiano em Olinda no século XIX. Prof. Dr. Severino Vicente da Silva, UFPE. (Departamento de História). Local: Igreja de São João dos Militares
SETEMBRO: A CONVENÇÃO DE BEBERIBE. Mestre Plinio Victor, (secretaria de Cultura de Olinda), Mestre Aneide Santana (Arquivo Municipal Antonino Guimarães), Prof. Dr. Severino Vicente da Silva (UFPE). Local: Auditória da Prefeitura Municipal de Olinda.
Outubro: EVOLUÇÃO URBANA DA CIDADE. Mestre Alexandre Alves Dias (Arquivo Municipal Antonino Guimarães) e Prof. Flávio Dionísio (Museu Regional de Olinda) Local: Museu Regional de Olinda.
Novembro: A REVOLUÇÃO DA LIBERDADE E OS ESCRAVOS – Escravidão e Liberdade em 1817. Prof. Dr. Marcus Carvalho, UFPE (Departamento de História) Local: Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
4. Para cada um desses encontros foi produzido Powerpoint referente aos temas das palestras, os quais foram expostos com equipamento cedido pelo Arquivo Público Antonino Guimarães.
5. As palestras foram gravadas, e foram decupadas pelo aluno Márcio Nascimento da Silva. As transcrições foram entregues aos palestrantes para que eles reorganizem e as disponham para uma possível publicação.
6. O Projeto foi encerrado com a palestra na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
7. Devemos mencionar que alguns problemas, como viagem de palestrantes, e incompatibilidade de horários, fizeram com que as palestras tivessem ocorridas em horários diferentes, o que impediu a formação de um público permanente; por isso tivemos uma audiência flutuante numericamente, mas pudemos notar que, quando os encontros ocorriam em lugares mais próximos do comum, distante dos ambientes mais tradicionais, a frequência do público foi maior. Assim, as palestras ocorridas em ambientes mais populares, como clubes de carnaval e igrejas, foram as mais concorridas.
8. Chamou atenção o fato de que o comprometimento que ocorre na rede social não se converte em presença física efetiva, o que pode ser explicado pelo fato de muitos que acompanham pela internet estão, fisicamente distantes e impossibilitados de comparecer.
9. A página continua sendo visitada após o término do ciclo de palestras.
10. Foram realizadas fotografias que estão publicadas na página https://www.facebook.com/olinda1817/

Prof. Dr. Severino Vicente da Silva
Olinda, 11 de abril de 2018.

Sobre o início de março

sábado, março 11th, 2017

Março, para uma bela parcela dos brasileiros, é o mês que inicia o ano real uma vez que o carnaval foi finalmente vencido e, as aulas começaram, bem como a atividade de enganar o eleitorado, peça fundamental na vida dos políticos, passa a ser o comum nos parlamentos. As notícias da Lava-jato já não lavam a alma nem parece que mudarão o Brasil, como aparentava quando começou o processo de investigações. As prospecções dos resíduos do crime exigem investigações longas, e a atuação dos advogados dão mostra do quanto a população entrega-se ao jogo do faz de conta. Tudo vai sendo esquecido, como nas sociedades passadas. O que não é esquecido é reprimido profundamente, pois a vingança sangrenta já não se apresenta como solução e os pobres de hoje são mais impotentes que os pobres de antigamente. Eles tinham mais acesso aos mais ricos, dizendo de outra maneira: a distância física entre o súdito e o rei era bem menor do que a do cidadão e seu representante. Os governantes atuais são inacessíveis, só os encontramos nas redes sociais, essas redes de pessoas que nunca se encontram, se dizem amigas e brigam e ofendem pessoas que não conhecem. E também são processadas por estranhos que um dia solicitaram sua amizade. As redes sociais servem para nos lembrar daquilo que esquecemos tão logo lembramos. A máquina a que nos entregamos pensando que iríamos nos integrar, nos isola.

Neste começo de março, depois das águas que me lembraram que os ventos tiram as telhas do lugar, tivemos a notícia de que a televisão e a câmera do aparelho telefônico que carregamos no bolso e uso para conversar com a “minha sociedade”, conta tudo de mim, a quem? não sei. E também soube que uma equipe de uma universidade norte americana fez uma pesquisa que durou cinco anos para chegar à conclusão que, o dia seguinte à uma noite de intercurso sexual é mais produtivo porque as pessoas acordam mais alegres e dispostas, independente de terem alcançado as estrelas ou não. Todos os boêmios do mundo, todos os cornos, todas as cornas de todo mundo já sabiam disso. Mas ainda bem que existem sociólogos ociosos e companhias ricas que se completam na tarefa de produzir conhecimento tão necessário e fundamental para a sobrevivência de uma sociedade que pensa que é gasto inútil de tempo, o tempo que se toma para tocar e ser tocado, como um animal para se humanizar.

Nesta semana, dia 9, mesma data do nascimento de meu pai, fiz uma palestra, apresentando algumas “Reflexões sobre a Revolução de 1817 e sua presença nesses dois séculos”, tendo como referência a cidade de Olinda e seus arrabaldes. (se Paris assim pensa, por que não nós?). É o início de um projeto educacional que se alongará até dezembro, procurando envolver a sociedade olindense. Talvez se um grupo musical participasse, e houvesse uma mesa com biscoitos, não teríamos visto tantas cadeiras vazias, ouvindo sobre a Revolução da primeira independência, a que desejava uma república com liberdade de imprensa, opinião e outras prebendas que o absolutismo negava e nega. A reflexão do mês de Abril será A SIGNIFICAÇÃO DOS CURSOS JURÍDICOS DE OLINDA PARA A EDUCAÇÃO DA LIBERDADE NO BRASIL.

Duzentos anos de uma republica em uma monarquia.

quarta-feira, março 1st, 2017

Chegamos a março de 2017 e a Revolução Pernambucana tornar-se-á bicentenária. Necessário se faz promover a rememoração daqueles eventos tão importantes na história dos pernambucanos e dos brasileiros. Foi uma revolta contra aumentos de impostos definidos pela Corte do Reino do Brasil, sediada no Rio de Janeiro, quase todo aproveitado para melhoria da capital, em prejuízo para as províncias, especialmente as do Norte. Pernambuco em 1817 não se levantou contra o Império Colonial Português, uma vez que, desde 16 de dezembro de 1816 o Estado do Brasil foi, por decreto do príncipe regente, Dom João, posto na condição de Reino, em igual situação à Portugal e Algarves. O Brasil tornava-se Reino sob o comando de Dom João, e centro da Monarquia luso-brasileira.
Erram em muito os manuais e livros de História do Brasil em considerar o movimento iniciado em 6 de março de 1817 como sendo uma “rebelião colonial” igualando-o aos justos movimentos ocorridos em Minas Gerais (1789) e Bahia (1798). A conjuntura local e europeia havia mudado substancialmente desde os eventos franceses da Assembleia dos Estados Gerais, que se transmudou em Assembleia Constituinte que veio a pôr um final ao absolutismo dos Bourbon.
Doutra feita, a Revolução fez aparecer o general Napoleão Bonaparte que se fez Imperador dos Franceses e, com sua política de anexação dos Estados, forçou a transferência da monarquia portuguesa para sua colônia na América. O Império napoleônico não durou tanto e, o processo de Restauração das Monarquias europeias abriu possibilidades para que o Regente Dom João pusesse fim ao período colonial, tornando o Brasil um Reino que foi acolhido como tal na sociedade das nações. As celebrações comemorativas da Revolução de 1817 devem enfatizar os aspecto acima explicitado e, ao mesmo tempo, aproximar tal orientação aos brasileiros em geral e especialmente aos pernambucanos.
Este Projeto justifica-se quando propõe que futuros historiadores e professores de história debrucem-se sobre aqueles acontecimentos e, ultrapassando os limites do tempo da luta e da repressão, vejam, estudem e analisem qual foi e qual tem sido a percussão e manutenção dos ideais daquele movimento e dos seus autores, observando as maneiras de como a sociedade olindense os guardou, conservou, viveu e os vive atualmente. É para alcançar os objetivos acima mencionados que as ações desse projeto serão realizadas no seio de algumas comunidades que formam a cidade de Olinda. A realização deste projeto carece da ação da Universidade, pois ao realiza-lo estaremos em contato com a mais antiga tradição da Universidade Federal de Pernambuco, a Escola de Estudos Jurídicos de Olinda. E, nos esforçaremos a pensar como Olinda, sede do Seminário de onde brotou a liderança da Revolução que agora completa duas centúrias e mostrou, com o sangue dos Patriotas, o caminho da Independência.

Nesta Segunda feira daremos início a uma série de palestras enfatizando a permanência, ou não permanência, da Revolução de 1817 nos espaços de Olinda, ao mesmo tempo, veremos como cresceu Olinda e como reagimos à memória de tão memomrável REvolução.