Archive for the ‘UFPE’ Category

Prof. Jarbas Maciel.

quinta-feira, setembro 5th, 2019

Enquanto dirigia-me à UFPE, pensava sobre a tarefa que iria realizar com alguns alunos, orientando-os para o seu Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC. Depois encontrei-me com Antônio Paulo Rezende e trocamos ideias sobre nosso trabalho vocacionado. Mas a conversa com o professor Antônio Paulo Rezende sobre as dificuldades que enfrentamos no momento atual foi sendo encaminhada para algumas figuras que marcaram nossas vidas aqui na UFPE. Então veio a surpresa: Jarbas Maciel havia morrido no final da semana que passou. Eu não sabia até o momento, apesar de ler diariamente o boletim da UFPE, que eventualmente nos informa da morte de colegas que conhecíamos ou que, ainda que desconhecidos, travaram o bom combate pela boa educação para este país. E veio-me à memória as aulas sobre Cultura Brasileira que dele recebi. Hoje busco, em minhas aulas mostrar a sensibilidade que ele cultivava sobre o povo brasileiro.

Em suas aulas, no curso de Mestrado em História, Jarbas Maciel falava de um “Brasil Profundo”, para o qual devíamos estar atentos. Numa dessas aulas sobre o sentimento e a vida que se constrói no país, veio uma pergunta: “Biu, você compreende a música de Brahams? Eu tenho tentado e escuto sempre, pois ele tem algo a dizer sobre a compreensão do homem, mesmo do homem brasileiro.”

Abobei-me. Penso sempre em Jarbas Maciel e, vez por outra ponho aquele compositor na radiola e busco terminar aquela aula. E aquele professor era matemático, auxiliou a criar o curso de matemática na UFPE,iniciou o núcleo de informática da nossa universidade, esteve, parece que na coordenação, do processo de informatização do BANORTE, primeiro banco informatizado do Brasil. Vocês não imaginam a surpresa que tiveram os funcionários do BAMERINDUS, que ainda usavam caneta e máquina de datilografia, quando, por interesses dos sudestinos, compraram um banco que estava anos à frente no uso da tecnologia.

O professor Jarbas Maciel era músico, clássico e armorial. Além de ser professor na Pós Graduação de História, lecionava no curso de Filosofia. A Revista Clio, do Departamento de História, tem o que parece ter sido uma das últimas, senão a última publicação acadêmica de Jarbas Maciel, e foi a respeito do movimento Armorial ( “Sertões: Espaços, Tempos e Movimentos”. 01. ed. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 2009. v. 01. 190p .) Poucas pessoas, creio, produziram tanto conhecimento, e em tão variadas direções, quanto o professor Jarbas Maciel.

Ainda neste mês de agosto, tendo encontrado o professor Caio Maciel, colega que atua no Departamento de Geografia, conversei sobre seu pai, disse que o havia citado em minha aula naquela semana e pedia que lhe desse um abraço, com a pretensão de estaria em sua memória. Mas ele é que estará sempre comigo, nas minhas aulas sobre o Brasil, Pernambuco, sobre a minha cultura, na esperança de que todos nós possamos entender a universalidade e a unidade múltipla da humanidade.

Quero, nesta página, honrar o professor Jarbas Maciel.

A CULTURA DA MATA NORTE O LABORATÓRIO DE HISTÓRIA ORAL E IMAGEM – LAHOI

quinta-feira, agosto 29th, 2019

A CULTURA DA MATA NORTE O LABORATÓRIO DE HISTÓRIA ORAL E IMAGEM – LAHOI
Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

Boa tarde a todos que estão aqui, que escolheram estar com o Laboratório de História Oral e da Imagem, do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco. Nesta tarde estamos iniciando o que desejamos ser um projeto permanente deste Laboratório, a escuta de personalidades que estão contribuindo com a formação de nossa sociedade, preservando, inovando a cultura que elas herdaram e que nós herdamos de nossos antepassados.
Um Laboratório de Memória em um Departamento de História é fundamental, tanto para a escrita da história contemporânea, quanto daquela que já não vivenciamos, exceto pela lembrança, pelo que ficou guardado nos registros cerebrais. Comumente a história é escrita a partir de documentos que foram selecionados e guardados em algum arquivo de alguma instituição que para tal fim foi criada, mas o que foi escolhido é apenas parte do que algumas pessoas, algum grupo, decidiu que era importante guardar. Mas sabemos que foram muitas, são muitas as memórias que não foram guardadas por não terem sido escritas, e muitas das escritas terminaram por serem descartadas, ora pela ação do tempo, ora pela ação das intempéries, ora pela ação intencional de um grupo que não desejava a sua manutenção. Neste último caso, estão as memórias dos pobres, a memória dos que gastam sua vida na luta pela sobrevivência, mas que pela vida. Em todas as sociedades, a memória que fica registrada em arquivo e livros é a memória dos poder, e mesmo quando, por alguma sorte, guarda-se a memória dos que não estão no poder, tal memória vem a ser explicada de acordo com as normas estabelecidas pelo poder.
A mais antiga das universidades (Bolonha) surgiu de um consórcio de pessoas que desejavam estudar e, para tal contrataram professores que tinham a memória, o que fora construído no passado e era a base para o seu presente. Mais tarde, o poder passou a controlar o consórcio que era dos estudantes. Então as universidades passaram a ensinar o que era definido pelo poder. O saber e o poder são partes de um mesmo corpo de um ser siamês. O poder sem o saber, sem a memória coletiva, tende a se extinguir por si, leva tempo, provoca sofrimento, mas esse poder que repudia o saber será superado. O saber, o conhecimento, sempre será base de um poder.
A Universidade Federal de Pernambuco, através do Departamento de História, e ele criando e mantendo o Laboratório de História Oral e Imagem, fundado e organizado que foi pelo Professor Dr. Antônio Montenegro, neste momento coordenado pela Professora Drª Isabel Guillen, tem cumprido seu papel de coletor e guardador de algumas memórias e imagens de parte da sociedade que mais sofre que exerce o poder. E, entretanto, são elas sustentáculos da sociedade. Pesquisas realizadas por estudantes junto a grupos e movimentos sociais estão hoje disponíveis para o conhecimento, o estudo daqueles que se tenham interesse em entender alguns dos processos de criação da alma, da cultura, da vida da sociedade. E todos nós deveríamos ter este interesse, e cada um dos cursos da universidade deve ser para satisfazer os interesses que temos sobre os homens e as sociedades que criam. Esta é a razão para guardarmos e incentivarmos pesquisas e reflexões sobre como nos formamos e como somos.
É nesta perspectiva que estamos aqui com Manoelzinho Salustiano, orgulhoso de carregar o nome do pai, Mestre Salustiano, mestre da cultura popular que, em 1965 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal de Pernambuco . Mas hoje estamos aqui para ouvir o depoimento de Manoel Salustiano da Silva, que foi folgazão do Maracatu Piaba de Ouro, é artesão de gola de caboclo e Bandeira de Maracatu, produtor cultural e gestor de projetos e oficianas de formação.

Conselho Universitário da UFPE manifesta-se contrariamente ao programa Future-se por meio de nota pública

segunda-feira, agosto 26th, 2019

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

26.03.2019

Conselho Universitário da UFPE manifesta-se contrariamente ao programa Future-se por meio de nota pública

A decisão foi tomada, por unanimidade, pelo Conselho Universitário, reunido hoje (26), no Auditório João Alfredo

A Universidade Federal de Pernambuco, por seu Conselho Universitário, reunido em sessão extraordinária no dia 26 de agosto de 2019, vem a público manifestar-se contrariamente à atual versão do Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras – Future-se, apresentado pelo Ministério da Educação e materializado em projeto de lei a ser remetido ao Congresso Nacional, considerando os princípios constitucionais que regem esta Ifes, comprometidos com os interesses democráticos do Brasil, dentre os quais se destacam os da autonomia universitária, do caráter público, gratuito e de qualidade do ensino superior, da admissão por concurso público, da diversidade do conhecimento e da pluralidade de ideias.

Inicialmente há de se consignar o caráter lacônico do projeto, que não explicita, de modo claro e transparente, as atividades de gestão a serem transferidas para a organização social contratada, a composição do comitê gestor, as diretrizes da política de internacionalização, os critérios de escolha dos fundos de investimento, entre outras questões relevantes para que se possa compreender adequadamente o funcionamento do modelo proposto. A UFPE já possui experiência de boas práticas de governança, empreendedorismo, inovação e internacionalização, aliada às várias formas de parcerias com todos os setores da sociedade, sempre norteada pelo interesse público e o debate plural de ideias.

Entende a Universidade que, ao remeter pontos relevantes para posterior regulamentação do Ministério da Educação, o projeto enfraquece o debate público sobre o tema e desconsidera a competência privativa do Congresso Nacional de aprovar as diretrizes da educação nacional, conduzindo a um modelo de excessiva centralização de poderes no âmbito do Ministério.

Por outro lado, é nítido que o programa pretende transferir a gestão dos recursos financeiros das Universidades e Institutos a uma organização social, escolhida pelo Ministério da Educação, permitindo-se entrever que essa entidade atuará, ainda, na gestão de pessoas, bens e serviços das instituições de ensino. Essa organização social, inclusive, poderá ser escolhida sem prévia chamada pública, prevendo-se a contratação de entidade que já desenvolva projetos junto ao Ministério da Educação.

Conquanto a Universidade Federal de Pernambuco nunca tenha se furtado ao diálogo interinstitucional, acerca de sua participação em projetos de interesse público e no debate sobre os meios de se aumentar a sua eficiência administrativa, suas decisões permanecem pautadas pelos estritos termos da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. A UFPE analisará, à luz dos seus princípios, a versão que será enviada ao Congresso Nacional.

O art. 207 da Carta Magna é explícito ao assegurar às Universidades “autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial”. Esta prerrogativa não é um fim em si mesmo, mas um meio de se preservar a pluralidade de ideias, o livre pensar, o desenvolvimento científico e tecnológico, sem as amarras que lhes foram impostas no passado recente, nos anos da ditadura.

A autonomia universitária é uma garantia estabelecida em prol de toda a sociedade brasileira e não algo de que as Universidades possam livremente dispor.

Por tais motivos, a Universidade Federal de Pernambuco entende que não lhe cabe, em hipótese alguma, renunciar à sua autonomia, repassando a sua gestão administrativa e orçamentária a uma entidade alheia à comunidade acadêmica.

Repudia a Universidade, inclusive, a possibilidade de escolha de organizações sociais sem prévia chamada pública, além da possibilidade de pagamento de remuneração aos diretores dessas organizações. Essas mudanças seguem na contramão do decidido pelo Supremo Tribunal Federal e desnaturam a própria razão de ser dessas entidades sociais, pensadas como reunião de pessoas que desejam, voluntariamente, trabalhar em prol do interesse da coletividade. Caso aprovadas as alterações, recursos públicos poderão ser destinados ao pagamento desses diretores, escolhidos diretamente pelo Ministério da Educação, sem concurso público, sem prévia licitação, sem qualquer procedimento capaz de preservar a moralidade e a impessoalidade administrativas.

Embora textualmente se diga que a assinatura do contrato de gestão dependerá da anuência da universidade ou instituto, a Universidade Federal de Pernambuco alerta a comunidade, com ênfase aos seus representantes no Congresso Nacional, acerca dos riscos advindos desse projeto. A experiência brasileira demonstra o risco concreto de, caso aprovado o programa, em seguida proceder-se ao tratamento desigual entre as instituições aderentes e não aderentes, inclusive mediante o contingenciamento de seus recursos orçamentários. A proposta de projeto de lei, como está apresentada, contraria os princípios da autonomia universitária e o compromisso de democratização do ensino superior.

A Universidade também se opõe à securitização do seu patrimônio imobiliário, vez que subordiná-lo à lógica e aos riscos do mercado financeiro não condiz com as finalidades constitucionais das instituições de Ensino Superior. Expressa, por fim, a sua perplexidade com a proposta de se permitir aos hospitais universitários a celebração de convênios com operadoras de planos privados de saúde. Esse modelo, adotado no passado, marcou-se pelo tratamento diferenciado concedido aos pacientes dos planos de saúde, em detrimento da população mais necessitada, razão pela qual foi proscrito pelo Sistema Único de Saúde. A aprovação do projeto, neste item, representaria um evidente retrocesso nas políticas de atenção à saúde no país.

Em síntese, a Universidade Federal de Pernambuco permanece aberta ao diálogo, sobretudo no que tange a iniciativas que permitam ampliar o aporte financeiro e aperfeiçoar a gestão administrativa, no âmbito das instituições de ensino superior, e esclarece as razões pelas quais se opõe à atual versão do Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras – Future-se.

Em busca da democracia

quinta-feira, novembro 8th, 2018

Pessoas desacostumados ao exercício democrático estão sempre a cultivar o terror, seja à direita seja à esquerda. Dia 6 de novembro, um manifesto acusa alguns professores de serem “doutrinadores “e os ameaça”. Também ameaça alunos, e diz que irão expulsá-los da universidade. O manifesto ou panfleto não traz assinaturas, é anônimo.

No mesmo dia outro grupo publica nas paredes do CFCH retrato de um professor o acusando de “golpista”. Ameaça expulsá-lo da universidade. Este grupo publica até um telefone para contato.

Um professor agredido é uma agressão ao livre exercício da docência. É insuportável esse comportamento.
É lamentável que estejamos neste nível de incivilidade. Apoio aos prefessores nominados neste horrível documento. Sem medo enfraqueceremos o ódio.

A Universidade publica uma nota repudiando o documento sem assinatura. Nâo menciona o outro documento. Deveria ser mais isonômica

Nota do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco pela democracia

quinta-feira, outubro 18th, 2018

Nota do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco pela democracia.

18/10/2018 10:33 Departamento de História
Reunidos no dia 17 de outubro de 2018, os professores do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco, após uma análise da conjuntura política do país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais do corrente ano, vem manifestar preocupação quanto aos destinos da democracia no país, e quanto à manutenção dos direitos fundamentais das pessoas inscritos no artigo 5 da Constituição Brasileira de 1988.

Ouve-se neste momento político de eleições que definem os destinos do país, narrativas e proposições de incitação à violência, ao ódio e à discriminação racial e de gênero, de caráter ao mesmo tempo homofóbico, misógino e racista e que anunciam o fim da liberdade de expressão.

Defende-se a tortura, a licença de matar, as armas na mão. É apresentado como aceitável expulsar opositores políticos do solo brasileiro pela ameaça de fuzilamento. A palavra de quem prega fuzilamento de adversários políticos, extermínio de criminosos e cidadania desigual é uma ameaça à democracia e configura-se como invocação de um autoritarismo, ou pior, um fascismo.

Os ‘frutos’ de tais discursos já evidenciam que a violência desmedida descortina-se de norte a sul do país: pichações com suásticas em banheiros de locais públicos, tais como no Centro de Cultura e Artes desta Universidade, assassinatos de lideranças comunitárias, como a do mestre de capoeira ocorrido recentemente na cidade de Salvador por motivos torpes de carácter político partidário, dentre outros. Os noticiários nos diversos meios de comunicação dão conta que ‘o pior do passado pode estar por vir’

Diante do acima exposto, os professores do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco, vem por meio deste repudiar os autores e seguidores dos que propagam este projeto de sociedade de caráter nazifascista e antidemocrático.

PELA DEMOCRACIA! PELA EQUIDADE! CONTRA O FASCISMO!

Encruzilhada nas pesquisas e na vida

domingo, maio 7th, 2017

Leio, ouço e vejo vários professores universitários, alguns, como eu, já próximos da aposentadoria, continuando a trabalhar apesar de terem cumprido todos os protocolos para a jubilação de sua vida laboral, e estão quase desiludidos com alguns aspectos vividos na instituição que trabalham e amam tanto após anos de dedicação. É um sentimento nascido no confronto de algumas ideias, de ideologias. Talvez essa situação seja mais sentida na área das ditas Ciências Humanas. Essas ciências quase sempre surgiram para explicar e compreender o comportamento dos homens e mulheres. Houve um tempo de maior dedicação ao conhecimento, à análise do acontecimento social. Foi um tempo dedicado ao trabalho descritivo do mundo histórico cultural. Entretanto, no final da primeira metade do século XIX, surgiu a concepção de que, mais que conhecer a realidade, como vinham fazendo os filósofos, deve-se transformá-la. Desde então a questão que se põe é: transformá-la em qual direção, em qual sociedade, em quais tipos de relações.

À medida que se formavam e cresciam, as ciências ditas humanas e sociais passaram a agir separadamente da filosofia, passaram a dedicar-se ao método. Os homens e o que lhes aconteceriam de fato foram se tornando algo dispensável. Como disse Sartre, é uma Questão de Método. E foram tentados muitos, alguns criados em laboratórios mentais por alguns que associaram os projetos autoritários de Humanistas renascentistas com as ideias de mudanças abruptas, postas em prática pelos seguidores da Criança Terrível dos iluministas. Criou-se um clima indesejável de guerra permanente entre dois grupos que disputam todos os espaços: administração, bancas de concurso, bancas de seleção, gerências de Departamentos, Centros, Reitorias, etc. Mais recentemente essa disputa começou a atingir a sala de aula, os corredores; e então, o engajamento na luta pelo poder e sua democratização levou a uma união, quase total, com o movimento estudantil, pondo em risco a possibilidade de crítica. Quase submissão a La Chinoise. A autocrítica supõe autonomia. Não é à toa que nas recentes invasões, ou ocupações, de unidades da universidade, os professores que foram agredidos foram dispensados de qualquer solidariedade por parte de seus colegas ou colegiado da universidade. E se alguns manifestaram solidariedade, o fizeram de maneira pessoal, informal e privada. Parece ter havido um temor que soubessem desse seu pequeno deslize.

Sem possibilidade de uma crítica, como criar um conhecimento minimamente livre e científico. Ou só será científico aquele que se pareça com a experiência de Lysenko?

É necessário que, lendo o livro dos outros escrevamos os nossos, não copiemos o que lemos. As reflexões sociais que temos a partir das experiências europeias têm nos auxiliado, mas devemos tentar superar a prática de ficarmos apenas na realização de cursos de atualização de conhecimentos; já é tempo de voltarmo-nos para nossa história e procurar nos entender como fomos, somos e queremos ser. Nos divertimos ou nos envergonhamos conosco por sermos um povo mestiço (há algum que não seja?), mas é tempo de nos aprofundarmos nessa nossa mestiçagem que nos faz universais e para além da dicotomia entre Apolo e Dionísio. Para isso, é necessário dedicar mais horas de pesquisa e reflexão sobre o Brasil, esse desconhecido nas universidades.