Nosso lugar na ONU

O mundo continua a girar, e eis que, como de costume o representante do Brasil faz o discurso de abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU. Tem sido assim desde a primeira reunião. Não há novidade, exceto que quem preside o Brasil atualmente é uma mulher, por isso, pela primeira vez uma mulher, por ser presidente do Brasil, faz o discurso inicial da Assembléia. Apressados áulicos chegaram a dizer que era a primeira vez que uma mulher discursava na ONU, “esquecendo” outras presidentes de muitas nações que já discursaram na ONU. Vimos nossa presidente defendendo novos espaços para nações emergentes nos Conselho Permanente. O Brasil já devia ter assento lá, e essa é um debate que já vem ocorrendo a quase duas décadas. É que os donos do poder não costumam gostar da idéia de dividi-lo.
Continuaremos lutar pela ampliação desse espaço, pelo reconhecimento da Palestina – mas esse novo Estado deve reconhecer explicitamente o direito de Israel existir. Como se sabe, os árabes se recusaram a dividir a palestina nos anos quarenta, e naquele período aceitaram dividir a Índia, criando o Paquistão. Mas como diz Obama, palestinos e israelenses devem chegar a um acordo.

O mais interessante nesta estada de nossa presidente na ONU foi a assinatura de um compromisso em acabar com a corrupção no Brasil. Foi um compromisso assinado com o presidente dos Estados Unidos da América, lugar onde corrupto pode recorrer, mas na prisão, após a segunda condenação. Que a presidente volte ao Brasil com esse ânimo para dizer à filha de Miguel Arraes e mãe do governador de Pernambuco que conselheiros do Tribunal de Contas da União não devem pensar em diminuir a pressão sobre os que cometem mal feitos. Quem pensa desse jeito é o ex-presidente Lula, que foi o grande eleitor de dona Ana Arraes. Aliás, esse negócio de escolher juiz do Tribunal de Contas da União por questão de apoio político cheira a promessa de corrupção. Mas não foi por isso que a mãe do governador de Pernambuco, grande aliado de Lula e primeiro apoio da atual presidente, foi eleita.

No Recife vai acontecer a Bienal do Livro, e este é uma boa coisa. Ajuda a animar a alma quando a gente ler o que escreveu um jornalista espanhol: há um país que promove marcha gay com milhões de pessoas, faz passeatas por religiosas com milhares de pessoas, tem blocos carnavalesco com quase dois milhões de pessoas e não consegue mobilizar três mil pessoas em um comício contra a corrupção. Nesse mesmo dia foi anunciada a ampliação do programa Bolsa Família – agora vai atender famílias de até cinco filhos, e também as que recentemente engravidaram. Assim continuaremos a transferir a renda e diminuiremos a distância entre os miseráveis e os ricos, enquanto nossos ricos pagam proporcionalmente menos impostos que os que ganham um pouco mais que dois mil reais por mês. E por falar em salários, os juízes querem um aumento de salário pois os vinte e seis mil mensais não são o suficiente para que eles possam gozar plenamente os três meses de férias que têm direito.

Nesse diapasão, todos parece estarem felizes por nossas escolas serem incapazes de gerar leitores e escritores. Mas isso é necessário para que não se note que por não podermos construir os espaços de mobilidade na Copa de Futebol da FIFA, iremos decretar feriado. Isso, sim, é sabedoria. No mais, iremos à Bienal do Livro para conversar sobre o Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança e a sua Biblioteca Mestre Batista e, no V Encontro História e Memória, promovido pela Pós-Graduação em História da UFPE, faremos o lançamento do Livro UMA NAÇÃO AFRICANA NA JUREMA DA MATA NORTE –PRETINHAS DO CONGO DE GOIANA.

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