Governabilidade

Creio não ter sido o único a ficar surpreendido com a capacidade de decisão que possui a atual gerente do Brasil, a presidente Dilma. Durante mais de vinte e quatro horas ele meditou se devia ou não devia demitir um dos ministros que ele escolheu para auxiliá-la na tarefa de governar o Brasil. Ficou evidente que a sua decisão foi a mesma que tomou em relação à saída do ministro Paloci: ela não demitiu. Dilma é uma gerente que não demite. No caso desse turista ocasional que ocupava o Ministério do Turismo a pedido de Sarney, estava claro que ele era um desses personagens que só continuam na vida pública por conta de nossa maneira de resolver a questão do patrimonialismo: decidimos não resolver essa questão; historicamente nós decidimos que essa não é uma tarefa que interessa aos que estão nos governando. Sempre votamos neles, pouco importando o que eles já fizeram em prejuízo da nação. Afinal, a Constituição Cidadã deixou claro que nossos deputados têm direito a fórum especial e não podem ser processados como os demais cidadãos. Assim eles podem colocar as mais estranhas figuras na presidência das comissões de éticas. Para completar os ministros da Tribunal Superior completaram o ato proibindo que se ponha algemas em criminoso de família que possa pagar advogados.
Bom, mas o importante é que o ministro ali posto por Sarney foi substituído por outro indicado por Sarney. E nós assistimos a exibição de paciência da presidente Dilma a esperar, tanto a explicação do inexplicável ministro ou decisão de Sarney e seus liderados, entre eles o vice-presidente Michel Temer que, temeroso levou o intimorato ministro à presença da presidente para que fosse entregue o pedido de demissão. Assim, de acordo com todos, Dilma aceitou o pedido de demissão, mas se recusou, mais uma vez a demitir um corrupto que pagou suas esbórnias, sua empregada doméstica, o motorista de sua esposa com dinheiro público. Dilma mostrou o quanto pode ser brava na sua luta contra a corrupção e os corruptos, desde que não afete os planos do presidente Sarney. Ficou faltando os elogios que ela costuma oferecer àqueles que pedem demissão. Como dirão alguns conhecidos meus: esse é o preço da governabilidade!!!!
Então está tudo calmo com o Brasil sendo governado desta maneira afável, desse acordo de amigos em torno da piscina. Continuamos pagando impostos, e a ministra da casa civil está em campanha para que sejam criados jeitinhos que facilitem a vida daqueles que estão responsáveis pela construção das obras que serão feitas para a copa do mundo por exigência da FIFA. Uma pena que a FIFA não exija a melhoria real na educação brasileira. Note-se que as obras deverão ser feitas para agradar à FIFA e aos turistas que virão, talvez, para os jogos. Essas obras não serão feitas em função das necessidades do povo brasileiro, esse detalhe.
Agora, vamos esperar pelo próximo escândalo , a mesma ladainha dos alinhados aos corruptos a dizer que falta racionalidade e que nunca antes neste país tudo está tão bem.

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