História da “base” e histórias da base da sociedade

Semanas e os dias passam, cultivamos sempre a esperança e nos alegramos com as conquistas diárias com as quais construímos nossas vidas. O esforço diário é que nos permite termos o que temos, nada vem do céu, gratuitamente, não existe essa mão invisível que concede benefícios, embora minha avó e minha mãe tenham me ensinado que “Deus ajuda quem cedo madruga”, ou seja, que trabalha. Nada vem dessa mão invisível que certo programa marqueteiro vem apresentando na televisão nesses últimos dias. Invisíveis são as bases formadas por deputados que se escondem no manto do voto secreto para absolver uma deputada flagrada, filmada, recebendo dinheiro. Essa base que vota de maneira invisível, deixa visível a ausência de moralidade na política brasileira, espaço que, nos anos recentes, tem tornado a corrupção uma profissão. Tudo parece ser permitido, desde que seja garantida a governabilidade, a base da imoralidade, da corrupção. Cupira, Curupira ou Sucupira são, hoje, a mesma cidade que recebe a mão que embala o berço, que fortalece o forte e enfraquece o fraco.

No dia 5 de setembro estaremos fazendo o lançamento do livro PRETINHAS DO CONGO, UMA NAÇÃO AFRICANA NA JUREMA DA MATA NORTE, às 18:30 horas, na Livraria da Jaqueira. Neste livro contamos a história quem entendemos ter sido feita pela população mais pobre da cidade Goiana, PE, entre os anos de 1930 e 2010. Uma história de criatividade e força republicana em uma sociedade que insiste em ver-se aristocrática, acima do bem do mal, debalde os esforços da República. Neste mês de agosto, as chuvas, mais uma vez superaram a pequena calha que deixaram para o Rio Capibaribe Mirim e a sede da Pretinha de Congo do Baldo Rio foi mais uma vez atingida e se perderam os atabaques e o guarda roupa recentemente comprado com o projeto que permitiu a construção da narrativa da história dessa parte da sociedade goianense. Afrontando mais essa adversidade, no dia 6 de setembro, no Cine Polytheama, às 20 horas entregaremos à sociedade de Goiana, especialmente aos que formam as Pretinhas do Congo a história que eles nos contaram de si mesmos.

Nesses mesmos dias, locais e horários, a mestre Tamisa Vicente também estará entregando o resultado de suas pesquisas em livro editado conjuntamente pela Editora Universitária da UFPE e da Associação Reviva. O Título é sugestivo: VAMOS CIRANDAR, e é uma reflexão sobre as políticas aplicadas a essa manifestação da cultura nascida nos anseios de vida dos moradores dos engenhos e dos que viviam à beira do mar, sob a proteção de seu Deus, mas com a ação de suas próprias mãos e corpos dilacerados por trabalhos extenuantes.

Todos estão convidados.

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