A Pretinha do Congo, a Ciranda e a educação na Mata Norte

Como alguns já vinham dizendo à boca pequena, esse modelo, que tanto tem feito a alegria dos produtores e consumidores, começa a apresentar claramente seus rachões. Foi comunicado que uma empresa que exige conhecimentos maiores que apertar parafusos decidiu não se estabelecer em Goiana acusando a ausência de mão de obra especializada. E empresa está lembrando que sem uma política educacional séria não há como integrar-se moderno universo econômico. Construções apressadas de escolas técnicas não são soluções, apontam que vieram com atraso e, se forem bem pensadas, pode ser que sirvam para o futuro. Caso não cultivem a criatividade e o aperfeiçoamento do pensamento, a região pode continuar a especialidade de exportar o que exige principalmente a força física, uma tradição cultivada por quem não se permite alternativa que não a de colono cuidador das colônias de outrem.

A Zona da Mata Norte está a caminho de uma nova integração à Pernambuco, cujos governos nas décadas mais recentes,
incentivaram com muito mais entusiasmo investimentos na Mata mais úmida, mas também tradicionalmente voltada para a criação de riqueza que exige principalmente força física. Há que se pensar em sair da miséria, não apenas para consumir frangos e refrigerantes, mas consumir livros, conhecimentos construtores de conhecimentos. Para isso é necessário que tenhamos escolas e bairros diferentes daqueles que foram descritos por Victor Hugo, F. Engles, João Bosco e outros, no século XIX. Precisamos lembrar que Goiana já foi, no início do século XX candidata a pólo industrial e, por não ter optado por uma educação contemporânea ficou parecida com uma cidade testemunha, que testemunha um passado.
Um pouco dessa história estou contando no livro PRETINHAS DO CONGO, UMA NAÇÃO AFRICANA NA MATA NORTE, publicado pela Editora Reviva, com apoio do FUNCULTURA-PE. Essa manifestação da criatividade da classe operária nascente e abortada em Goiana tem outras companhias, como o Cavalo Marinho, o Côco, o Maracatu Rural e a Ciranda. A Ciranda é o tema do livro VAMOS CIRANDAR, escrito por Tâmisa Vicente; publicado pela Editora Reviva e pela Editora Universitária da UFPE.

O lançamento desses livros será na Livraria Jaqueira, no dia 05 de setembro, às 18:30h. no dia seguinte os dois livros serão lançados em Goiana, próximo da sede da Pretinhas do Congo de Goiana. Todos estão convidados aos lançamentos e a comprar esse dois clássicos que discorrem sobre a criatividade do povo da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

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