04 de novembro Raquel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras

 

 

04 de novembro de 1977 

Raquel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras

Severino Vicente da Silva

 

Nascida no ano de 1910, em uma família de intelectuais, aos 16 anos Raquel de Queiroz já escrevia, com o pseudônimo de Rita de Queluz, crônicas para jornais de Fortaleza. Então já era professora formada desde 1925. Aqui pára a sua formação acadêmica. Contudo, antes de completar 20 anos de idade publicou O QUINZE, romance ficção que narra a saga de retirantes da seca de 1915, a mesma que dá título a obra.  Como ela mesma nos informa: “nunca tinha visto uma seca, porque a seca de 15, que se retrata no livro, tinha quatro anos de idade. Já a seca de 19, nós estávamos morando no Pará. Mas o cenário do sertão, tão parecido com os tempos de seca, a tradição moral lá é tão grande, a tradição da seca, as conversas aqui e ali sobre a seca… tudo aquilo me veio com toda a naturalidade, que com este tema escrevi o meu primeiro romance” 

O livro foi editado com um empréstimo concedido pelos seus pais, e recebido sem entusiasmo pelos críticos cearenses, tendo enviado cópia do livro para o Rio de Janeiro, recebeu elogios de Mario de Andrade e Frederico Augusto Schmidt. Então recebe o prêmio da Fundação Graça Aranha, instituição mantida por Cícero Dias e Murilo Mendes. Mulher criada para a liberdade, Raquel viaja sozinha para receber o prêmio. Assim, desde o primeiro romance, ela se torna uma referência na literatura, embora tenha dito  “Eu não acho a literatura essencial na minha vida. Nunca pus a literatura à frente dos outros problemas da minha vida. A literatura, para mim, é vocação e profissão. É o que sei fazer, o que tenho mais jeito para fazer e disso vivo. Não é mais que isso. Eu não sublimo a literatura no meu ideal de vida. Eu passaria muito bem sem fazer literatura. Eu gosto da vida, gosto das pessoas, gosto do pensamento ds pessoas. Sou apaixonada pelo ser humano”

O gosto pela liberdade a leva a se tornar militante do Partido Comunista, mas quando este diz que não ela não pode publicar o livro João Miguel, pois nele um operário mata outro operário, ela sai do Partido pois não reconhece sua autoridade para censurar a sua obra. Essa liberdade de agir segundo sua consciência e firmeza de caráter, deixa claro para o movimento feminista, quando de sua eleição para  a Academia: Eu não entrei para a ABL por ser mulher. Entrei, porque, independentemente disso, tenho uma obra. Tenho amigos queridos aqui dentro. Quase todos os meus amigos são homens, eu não confio muito nas mulheres.”  

Morta em dezembro de 2003, Raquel de Queiroz viu sua obra traduzida para outras linguagens como o cinema, e a televisão. Durante a ditadura do Estado Novo teve seus livros queimados em praça pública.

Todos os que viram “Memorial de Maria Moura” estão convidados a ler essa obra dessa autora, considerada, por muitos, como a maior escritora de língua portuguesa.

 Date Posted: 04 nov 2009 @ 04 01 PM
Last Modified: 04 nov 2009 @ 04 01 PM
Posted By: Biu Vicente
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