07 de abril de 1831 – Dom Pedro I é obrigado a abdicar

 

HOJE NA HISTÓRIA:

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07 de abril de 1831:

D. Pedro I é obrigado a abdicar do trono brasileiro.

 

                                                                                                      Aline De Biase

                                                                                    aluna do 5º período de História, bolsista ProExt.

Severino Vicente da Silva

 

Quando o Brasil se emancipou de Portugal, em 1822, as elites, ansiosas por um comércio sem as amarras do sistema colonial, influenciadas pela ideologia constitucionalista – herança das cortes portuguesas na Revolução do Porto de 1820 – planejavam, para o Império Brasileiro, um governo, onde o imperador se submetesse ao Legislativo. Entretanto, D. Pedro I, não aceitou essa submissão e suspendendo a Assembléia Geral e a Constituição de 1823, o imperador outorgou uma nova Constituição onde, através do Poder Moderador, ele exerceria total domínio sobre as decisões de Estado.

 A Constituição outorgada parecia ter criado um clima de tranqüilidade na realidade do Império que foi contestado pela Confederação do Equador, liderada pela Província de Pernambuco, derrotada com o apoio das províncias do sudeste e da Bahia. D. Pedro I iniciou uma política de repressão à liberdade de imprensa e aos movimentos populares, que se fundiam com a dinâmica do conflito político entre a Câmara dos Deputados e o Imperador.

Em 1926, a Assembléia Geral, que era a reunião da Câmara dos Deputados e o Senado, discutiu  os problemas financeiros pelos quais o Império estava passando em decorrência da Guerra Cisplatina. Nessa guerra na qual o imperador se envolveu pessoalmente, o Império Brasileiro perdeu a Província Cisplatina. Após a derrota na guerra e as dificuldades econômicas, outros fatores contribuíram para abalar o prestígio do imperador. Além disso, o envolvimento do imperador Pedro I na questão sucessória do trono português, com a morte de D. João VI, fez com que os brasileiros percebessem que D. Pedro tinha a intenção de unir as duas nações, Portugal e Brasil, unidas sob seu poder. O assassinato do jornalista Líbero Badaró, um dos grandes opositores de D. Pedro I, ocorrido em 20 de novembro de 1830, contribuiu para diminuir o prestígio do Imperador, uma vez que ele foi considerado como o mandante do crime.

            A crescente crítica ao governo imperial tornou o clima político no Rio de Janeiro insuportável para D. Pedro I que resolveu viajar a Minas Gerais, em fevereiro de 1831, esperando melhor acolhida. Entretanto, o Imperador encontrou em Minas Gerais uma população que o hostilizou.

 Ao retornar ao Rio de Janeiro, no dia 11 de março de 1831, o imperador voltou a encontrar oposição. As insatisfações culminaram em conflito, quando os portugueses  residentes no Rio de janeiro organizaram uma festa para recepcionar D. Pedro I. Revoltados, os brasileiros atacaram com pedras e garrafas. Esse evento, conhecido como a Noite das Garrafadas, demonstrou que Dom Pedro I era mais reconhecido pelos portugueses que pelos brasileiros.

As críticas e insatisfações aumentaram, no dia 5 de abril de 1831, quando D. Pedro demitiu o ministério composto por brasileiros e em seu lugar colocou o chamado “Ministério dos Marqueses”, constituído por seus auxiliares mais próximos, que eram portugueses e possuíam títulos de nobreza. Em 6 de abril, quando a notícia se espalhou, houve a organização de uma manifestação popular – mais de 3 mil pessoas saíram às ruas exigindo o antigo ministério. Os chefes militares apoiaram a manifestação popular contra o imperador. Em 7 de abril, após não ter mais como se manter no poder, D. Pedro I entregou uma carta de abdicação, onde escreveu: “Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho o Senhor D. Pedro de Alcântara”.

Assim, D. Pedro I, o último português a governar o Brasil, entregou o poder a um menino de 5 anos de idade, e voltou a Portugal. Completava-se o ciclo da independência, começava a construção do estado brasileiro. Nas ruas o povo exultava ao som da música que mais tarde recebeu a seguinte poesia:

MAS SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,

VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,
NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE. 

TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU, BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!

 Texto escrito para o programa QUE HISTÓRIA É ESSA, Rádio Universitária AM 820. UFPE. Lido no dia 7 de abril de 2010.

 

 Date Posted: 06 abr 2010 @ 08 18 PM
Last Modified: 06 abr 2010 @ 08 21 PM
Posted By: Biu Vicente
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02 de dezembro de 1870



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