Rio Grande do Norte, novembro de 1935: A ojeriza de Vargas

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

Centro de Filosofia e Ciências Humanas – CFCH

Departamento de História

Tópicos Especiais da História do Nordeste

Társis Eduardo da Cruz Ferreira

Docente: Severino Vicente da Silva

Rio Grande do Norte, novembro de 1935: A ojeriza de Vargas

Recife, PE.

Sumário

RESUMO: 3

Introdução.. 4

PCB no Rio Grande do Norte 1926 – 1935. 5

A Aliança Nacional Libertadora (ANL) e A Ação Integralista Brasileira (AIB) no Rio Grande do Norte. 7

A Insurreição de Novembro de 1935 no Rio Grande do Norte. 9

Momentos Finais. 15

Uma justificativa para o Estado Novo.. 17

Considerações finais. 18

Referências Bibliográficas. 18

Rio Grande do Norte, novembro de 1935: A ojeriza de Vargas

Társis Eduardo da Cruz Ferreira

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

tarsiseduardo26@gmail.com

RESUMO: De fato ocorreu uma ameaça comunista no Brasil na década de 1930? Ou será que tudo não passou de invenções de Getúlio Vergas para se perpetuar no poder? Bem, o objetivo desse artigo é explorar um governo inteiramente comunistas que realmente ocorreu em 1935 no Rio Grande do Norte. Por mais que tenha durado apenas 4 dias, não se pode negar que o Brasil teve sim um regime comunista. Aqui irei observar aspectos importantes, contextualizando partidos, pessoas e instituições que foram primordiais para implantação do regime comunista em Natal e outros municípios do Rio Grande do Norte. Na segunda parte falarei da insurreição do dia 23 de novembro de 1935 e finalizar falando sobre a importância que teve para a criação do Estado Novo.

Abstract: Did a communist threat actually occur in Brazil in the 1930s? Or was it all the invention of Getúlio Vergas to perpetuate himself in power? Well, the purpose of this article is to explore an entirely communist government that actually took place in 1935 in Rio Grande do Norte. As long as it only lasted four days, it cannot be denied that Brazil did have a communist regime. Here I will observe important aspects, contextualizing parties, people and institutions that were primordial for the establishment of the communist regime in Natal and other municipalities of Rio Grande do Norte. In the second part I will talk about the insurrection of November 23, 1935 and conclude by talking about the importance it had for the creation of the Estado Novo.
                                                                                   

Palavras-Chaves: PCB, ANL, AIB, Rio Grande do Norte, Insurreição comunista, Estado Novo

Keywords: PCB, ANL, AIB, Rio Grande do Norte, Communist uprising, Estado Novo

Introdução

        Quando os portugueses chegaram na américa, no território hoje conhecido como Brasil, a região que efetuaram seu primeiro contato foi o Nordeste. Após mais de 500 anos de história, vivemos em uma sociedade que reconhece o berço da nossa nação apenas como um local de cultura estática e homogenia, desprezando as diversas regiões, suas especificidades e histórias.

       Até mesmo antes do Brasil ser conhecido como Brasil, o nordeste desenvolveu importantíssimo papel para o crescimento da colônia. Tivemos uma das capitanias hereditárias que mais prosperaram, a capitania de Pernambuco, na qual a maioria dos colonos se dirigiam para resolver suas burocracias. Durante o período Imperial, tivemos a localização da capital do território por muito tempo em Salvado, Bahia. Definitivamente o nordeste é o berço do Brasil e poucos fora dele sabem ou procuram saber suas influências no curso da história nacional. Querendo, ou não, o nordeste é visto pelas outras regiões – e por pessoas dele próprio – como local conflituoso. Houveram sim inúmeras revoltas, desde a colônia até a República, como por exemplo a guerra de canudos, que através dela foi perpetuada uma visão de nordeste criada pelo jornalista Euclides da Cunha, em seu livro Os Sertões, mas ele é muito mais do que apenas isso.

       O objetivo desse artigo é mostrar que o Nordeste teve importância em acontecimentos privilegiados pela historiografia tradicional do Brasil. Como por exemplo na década final da República velha, período conhecido pela política do café com leite, onde governantes de São Paulo e Minas Gerais reversavam-se na presidência do Brasil, é formada a Coluna Prestes, movimento político-militar ligado ao tenentismo que tinha como principal motivo para sua criação a insatisfação com o governo de Arthur Bernardes e o regime oligárquico citado acima. Movimento liderado por Luís Carlos Prestes, trouxe para o Brasil as primeiras marcas da ameaça comunistas que tanto assustava os políticos e ditadores de direita. Em 1931, Prestes ruma para a União Soviética e dedica-se a estudos marxistas, no ano de 1934 retorna para o Brasil como filiado do Partido comunista Brasileiro (PCB). A Aliança Nacional Libertadora (ANL), é fundada tendo como seu presidente de honra o Luís Carlos Prestes, que procurava a tomada do poder do Brasil. Em 1935 divulgou um manifesto exigindo “todo o poder” a ANL e a derrubada do governo Vargas. Em novembro do mesmo ano eclodem insurreições em Pernambuco, Rio de Janeiro e Natal, que é o foco do nosso artigo. Vamos buscar entender aqui essa insurreição comunista de Natal, no dia 23 de novembro de 1935, procurando curiosidades, o que a população achou e contextualizar a atuação do PCB e a ANL no Estado do Rio Grande do Norte e como esse movimente influenciou a formação do Estado Novo de Vargas em 1937.

PCB no Rio Grande do Norte 1926 – 1935

       Não há facilmente registros documentais ou referências na historiografia do Rio Grande do Norte sobre menções ao PCB no estado. Irei trazer um registro com base no livro do Homero de Oliveira Costa[1], que fala sobre a intentona comunista de Natal, em que no mesmo, ele consegue formular uma reconstituição da história do PCB no Rio Grande do Norte, apoiando-se em entrevistas com antigos militares e informações contidas nos autos dos processos do Tribunal de Segurança Nacional, necessitando de uma verdadeira dedicação e muita paciência para analisar os vários processos.

       A primeira organização do partido em Natal é formada pelo José Praxedes e alguns sapateiros. Em depoimento, ele vai dizer que o partido começa a se organizar em 1926. Entre esse ano e a Primeira Conferencia Estadual realizada em abril de 1935, as informações sobre Natal são escassas. Sabe-se que o José Praxedes, a chamado da direção nacional, vai para o Rio de Janeiro em 1932 e só retorna a Natal no dia 14 de janeiro de 1935 (COSTA, 2015, p. 74)[2]. O partido ajuda na formação da União Geral dos Trabalhadores (1932) e de sindicatos, como dos estivadores, dos motoristas e funcionários públicos. Na segunda cidade mais importante do estado, Mossoró, o partido possui uma atuação considerada mais expressiva, organiza diversos sindicatos, entre eles o de salineiros, que representava a categoria de um dos maiores contingentes de operários.

       Na I Conferência Estadual foi eleita uma nova direção do partido no estado, que é formada por José Praxedes, Lauro Lago, Francisco Moreira e Raimundo Reginaldo. Nessa conferência, além da reorganização do partido, é discutido a organização da Aliança Nacional Libertadora (ANL) no estado, que era orientação nacional do Partido Comunista (COSTA, 2015, p. 75)[3].

       O PCB discutia a preparação de um levante nos quartéis em nível nacional e em agosto de 1935, vai a Natal o Silo Meireles, Capitão do 29° BC, sediado em Recife. Ele organiza uma reunião com o PCB de Natal e durante ela, comunica a entrada de militares do 21° BC no partido, que desde abril havia pequenos núcleos da ANL dentro do quartel. Entre esses militares estavam os sargentos Quintino Clementino de Barros, Eliziel Henrique Diniz e os cabos Gilberto de Oliveira e Giocondo Dias, que segundo depoimento, já era membro do partido há um ano e meio (DIAS, 1983, p. 142)[4]. Lembrem bem dos nomes desses militares, eles irão surgir mais afrente na nossa história e serão importantes personagens. Ademais, o levante estava sendo preparado, não só em Natal, como Recife e Rio de Janeiro; o PCB nacional queria derrubar Vargas e a inserção de militares no partido era de exímia importância.

       Reuniões eram realizadas discretamente para organizar as estratégias do levante. O comitê regional se reunia na casa de João Galvão Filho, que trabalhava como secretário do colégio Estadual Atheneu. Além de sua casa, as reuniões ocorriam debaixo de postes de iluminação pública, com pequenos grupos de até três pessoas. As decisões tomadas nas reuniões do comitê eram passadas para os “grupos dos postes”, que transmitiam para as outras partes envolvidas. Também haviam reuniões na padaria pertencente a João Fagundes, na Rua Frei Miguelinho, realizadas sempre altas horas da noite, no sótão da padaria, com as luzes apagadas para não chamar a atenção, na qual aparecia com frequência o José Praxedes de Andrade. A casa do motorista Epifânio Guilhermino era outro local que ocorriam as reuniões, realizadas de 8 em 8 dias para ficarem por dentro das correspondências vindas do Rio de Janeiro. No relatório do procurador da República, direcionado ao Tribunal de Segurança Nacional “foram nesses lugares onde a trama revolucionária foi tramada”.[5]

       O chefe de polícia, João Medeiros Filho, vai dizer que durante essa época o Rio Grande do Norte era conhecido como o paraíso dos comunistas e que Natal, Mossoró e Areia Branca eram vistos como verdadeiros quartéis generais dos agentes de Moscou (MEDEIROS FILHO, 1937, p. 45)[6]. E ele vai atribuir essa expansão do comunismo no estado ao governador, naquela época do governo de Vargas chamado de Interventor, Mário Câmara. É verdade que o PCB e os que compactuavam com a ideologia comunistas atuavam bastante no estado, mas o Rio Grande do Norte não era exatamente o “paraíso dos comunistas” e que o partido não tinha o estimulo de Mário Câmara, que além de ser filho de uma tradicional família dos estado, era um conservador. Suas intrigas com as oligarquias e particularmente com o Partido Popular eram por causa da maneira que se deu a briga pelo poder político local e não por afinidades com a classe trabalhadora e seus setores mais organizados, que eram contra essa política vigente, como é o caso dos comunistas.

       Um aspecto importante para entender a Insurreição em Natal foi a organização de pequenos núcleos da ANL, entre abril e julho de 1935, dentro do quartel do 21° BC, pois lá terá o ponta pé inicial do movimento sob a liderança de militares comunistas, excepcionalmente cabos e sargentos.

A Aliança Nacional Libertadora (ANL) e A Ação Integralista Brasileira (AIB) no Rio Grande do Norte

       O autor Levine fez uma pesquisa sobre a ANL em Natal e seu livro O Regime de Vargas: 1934-1938 – os anos críticos (LEVINE, 1980) traz esses resultados. O autor afirma que que a ANL no estado não conseguiu reunir mais do que “poucas pessoas”

“Imprimiam e distribuíam panfletos e tinham uma sede minúscula por cima de uma loja no centro comercial de Natal. Os grupos de fachada, antifascistas, cuja existência promoveu, tiveram vida breve. Estabeleceram-se bases no interior rural do estado, onde agentes do PCB fizeram agitações em favor da reforma agrária” (LEVINE, 1980, p. 163)[7].

       Não obtendo o mesmo resultado observado em outras capitais, foi criada formalmente em abril de 1935, em Natal, havendo uma sede em um prédio pequeno no centro da cidade. Militantes comunistas que compunham a direção estadual da ANL pensaram em promover uma manifestação antifascistas, como ocorreu em São Paulo e Rio de Janeiro, mas com medo de um grande fracasso desistiram da ideia. Fundada durante a campanha eleitoral, a ANL atacava as duas organizações em luta (a Aliança Social e o Partido Popular).

       Com a criação da Lei de Segurança Nacional em abril de 1935 – que dava poder ao governo de punir criminosos políticos que efetuassem ações consideradas um atentado a segurança pública e reprimir atividades políticas consideradas subversivas – a ANL é colocada na ilegalidade quatro meses após a sua criação. Dessa forma, os poucos núcleos que funcionavam no estado, incluindo os de dentro do 21° BC, formalmente deixam de existir. De julho até novembro de 1935, mês da insurreição do 21° Batalhão de Caçadores, o que pode ser considerados seus núcleos operativos existentes após a decretação de sua ilegalidade, são militantes do Partido Comunista. Pois é em nome da ANL que dizem agir quando tomaram o poder, pouco mais de quatro meses que colocada na ilegalidade.

       A Ação Integralista Brasileira foi funda no estado em 24 de julho de 1933 por um pequeno grupo de intelectuais como por exemplo Luís Câmara Cascudo, Oto de Brito Guerra, Américo de Oliveira Costas e Miguel Seabra. Para a divulgação de notícias positivas sobre a atuação da AIB no Rio Grande do Norte e no país, foi criado o jornal A Ordem. Levine vai afirmar que os Integralistas serão o principal grupo radical mais influente do estado. Até um dos seus fundadores será secretario do Interventor Mário Câmara. Segundo Levine a maior parte das pessoas registradas aos integralistas serão homens de negócios, funcionários públicos e estudantes (LEVINI, 1980, p. 162).[8]

       Sobre o jornal A Ordem, os integralistas divulgavam suas ações no estado por meio de artigos e outros textos. Artigos de Plínio Salgado[9] e Gustavo Barroso passam a ser frequentemente publicados no Jornal e artigos contra a Aliança Nacional Libertadora, Vinculando-a ao PCB.  Não há registros da imprensa local sobre conflitos entre integralistas e comunistas no estado até o ano de 1935. A primeira notícia vem ser datada no dia 7 de outubro de 1935, quando é informado que a casa do dirigente da Ação Integralista de Ceará-Mirim (RN) fora arrombada e foi colocada uma dinamite em seu telhado. Embora os autores não tenham sido identificados pela investigação policial, os integralistas acusaram os “elementos extremistas”.

       Em 11 de outubro de 1935 a sede da Ação Integralista de Natal foi invadida por volta das 22 horas. Cadeiras foram quebradas, livros e bandeiras rasgados e todos os quadros do local pichados e as paredes também com vivas ao comunismo, a ANL e a Luís Carlos Prestes, ainda deixaram uma galinha pintada de verde morta no local, em referência ao apelido atribuído a eles, pois os antifascistas chamavam os integralistas de “galinhas verdes”.

       Outro momento interessante foi no dia 16 de outubro, quando uma caravana integralista foi de trem de Natal para a cidade de Ceará-mirim. Segundo Homero Costa o objetivo era “participar de uma solenidade que contaria com a presença de novos aderentes e teria um comício em praça pública” (COSTA, 2015, p. 82)[10]. Ao chegarem no destino foram recebidos por membros do partido local, mas também tinham os anti-integralistas que estavam dispostos a acabar com o evento. Mas ocorreu todos os atos programados tranquilamente, possível, apenas, pela presença em peso da polícia. Mas uma caso interessante acontece na volta, Homero costa vai dizer:

“Ás 17 horas, a caravana de Natal regressa, mas, ao chegarem em Extremoz, o trem foi parado por João Ricardo, um operário que, cansado, contou que vinha correndo desde o km 9 na direção de Natal, para avisar que os trilhos haviam sido propositalmente arrancados e, portanto, a continuidade da viagem poderia acabar em tragédia” (COSTA, Op. Cit, p. 82)[11]

As investigações policiais não irão identificar os responsáveis e o processo vai ser arquivado. Alguns dias depois os integralistas realizaram uma sessão solene em agradecimento a João Ricardo. Até a data do levante, em 23 de novembro de 1935, não foram encontrados registros de outros conflitos.

A Insurreição de Novembro de 1935 no Rio Grande do Norte

       Natal, com seus aproximados 45 mil habitantes, no dia 23 de Novembro de 1935 amanhecia tranquila, sem muitas notícias alarmantes circulando pelos jornais. Era um calmo dia quente de final de primavera, as pessoas se arrumavam para ir a seus trabalhos, crianças se dirigiam para as escolas, o bondinho da cidade fazia seu percurso programado enquanto alguns passageiros conversavam reclamando acerca do preço das passagens e outros liam o jornal do dia. Um desses jornais, chamado de A República, trazia uma pequena nota convidando a população para a formatura dos alunos do Colégio Santo Antônio da turma de contabilidade, no Teatro Carlos Gomes, evento que contaria com a presença do Governador Rafael Fernandes e algumas outras figuras importantes, como o capitão de corveta Hector Meixueiro e outros comandantes da esquadrilha mexicana que chegaram a Natal no dia 17 de novembro. Evento que prometia uma programação gigantesca (COSTAS, 2015, p. 89-90).[12]

       Era um dia tranquilo e rotineiro como todos os outros no quartel militar do 21° Batalhão de Caçadores. Como aparentemente havia uma calma pairando pelo local, com soldados transitando pacientemente pelo quartel sem muitos afazeres a cumprir, foi decidido, então, que após o rancho do meio-dia, a maioria dos soldados seriam dispensados, tendo apenas como obrigação comparecer no quartel de novo de 21 horas para realização da revista rotineira de recolher. Porém, quando menos se espera, um documento oficial vindo da 7° Região Militar, em Recife, em nome do General Manuel Rabello, direcionado ao comandante do 21° BC com a seguinte autorização: “o licenciamento de praças com tempo vencido e de alguns envolvidos em incidentes poucos dias antes” (COSTAS, 2015, p. 90).[13] Esse documento precipitou um movimento que estava sendo organizado há muito tempo entre as lideranças militares, sindicatos locais e membros do PCB. O objetivo era apoiar a Revolução nacional que estava sendo organizada pela a ANL no Rio de Janeiro, prevista apenas para 1936.

       A maioria dos militares vão para suas casas, ficando no quartel apenas dois oficiais. Por volta das 19h30 um grupo de homens armados liderados pelo sargento Quintino Clementino de Barros, o cabo Giocondo Alves Dias e o soldado Raimundo Francisco de Lima – que já foram comentados anteriormente como membros do PCB – entram no quartel do 21° BC e rendem os oficiais apontando armas para suas cabeças, enquanto Giocondo diz: “Os senhores estão presos em nome do capitão Luís Carlos Prestes” e nenhuma resistência foi oferecida. Toques de recolher são emitidos, soldados que se divertiam em bares e transitavam pelas praças da região próxima ao quartel, correm rapidamente para lá, pegando armas e uniformizando-se dominam pontos estratégicos do quartel. Civis que passavam por perto – pelo fato do quartel ser no centro da cidade – também entram no local e se vestem com roupas militares e se armam, civis esses mulheres e membros do sindicato dos estivadores, liderados pelo João Francisco Gregório; todos eram instruídos a darem vivas a Prestes e a ANL. Da torre do quartel, tiros são disparados para cima; o toque de recolher e os tiros para o alto anunciavam por definitivo o início da revolta.

       Giocondo Alves Dias, que se destaca no início da revolta, acaba ferindo-se quando se deslocava com um grupo de soldados, após o domínio do quartel, para prender o governador e as outras autoridades presentes no Teatro Carlos Gomes. No caminho, ele diz em depoimento, foi surpreendido por um tiroteio, iniciado por um dos recrutas que estava com o cabo. Esse recruta atirou em um dos soldados da polícia, na Delegacia da Rua São Tomé. No tiroteio o cabo Giocondo acabou levando 3 tiros, sendo imediatamente levado ao hospital e ficando impossibilitado de participar da continuidade da revolução (DIAS, 1983, p. 152).[14] Logo, quem se destaca como cabeças do movimentos são os oficiais Quintino Clementino e Eliziel Diniz. Eles organizam o deslocamento das tropas para pontos estratégicos da cidade, como o palácio do governo, a Vila Cincinato – residência oficial do governador -, a central elétrica, a estação ferroviária e as centrais telefônica e telegráfica.

       No Teatro Carlos Gomes onde estava ocorrendo todo aquele evento anunciado nos jornais, o governador Rafael Fernandes e todas as pessoas presentes escutam os tiros e o evento é interrompido. Como não se tem noção da origem dos disparos, a programação volta a ter continuidade. Mas eram tiros que estavam sendo disparados e as pessoas, normalmente, tem pavor se não souberem da origem dos mesmos, então, muitos dos que estavam assistindo as atrações no teatro começam a retirar-se. Como os tiros não paravam, a retirada do teatro virou um tumulto desorganizado. O governador, que de início tinha pedido para as pessoas presentes se acalmarem, logo viu que a situação estava incontrolável e, junto com o seu secretário, se retirou acompanhado das demais autoridades que estavam com eles. Fugindo com medo de ser alvos dos tiros, o governador e seu secretário tomam abrigo na casa de Xavier de Miranda, amigos de ambos. La eles passam a noite sem saber o que estava acontecendo na cidade. No outro dia pela manhã, são informados sobre o que tinha ocorrido no 21° BC e “vão até a casa do Guilherme Letiere, cônsul honorário da Itália, que morava próximo, onde ficam até o final do movimento” (COSTA, 2015, p. 93-94).[15]

       João Medeiros, chefe de polícia e o delegado auxiliar, major Genésio Lopes, percebem que os tiros estavam vindo do 21° BC e logo se dirigem para o quartel da Polícia Militar e recomendam prontidão lá. Dirigindo-se para a inspetoria de polícia, o carro que estavam é atingido por uma bala, provavelmente perdida, e logo recomendam prontidão na inspetoria. Logo em seguida vai para o teatro que ocorria a solenidade e chegando lá conversam com o governador – antes dele se retirar do local – que também não sabe o que está acontecendo. Do teatro o chefe de polícia tenta ligar para o 21° BC, mas não consegue. Ainda no teatro, o chefe da polícia é informado que o major Jacinto Tavares, amigo dele, tinha sido avistado no centro da cidade. Se dirigindo para lá junto com outros dois civis, encontram com o sargento Amaro Pereira afrente de um grupo de homens armados. Pergunta o que estava acontecendo e o sargento lhe sugere que vá até p 21° BC para se informar melhor, então eles seguem para lá e ao chegarem são reconhecidos e presos (COSTA, 2015, p. 94).[16]

       Várias resistências aos insurretos são travadas. A mais forte e que durou mais tempo foi a resistência do quartel da Polícia Militar, que organizando força por conta do aviso do chefe de polícia e o auxiliar do delegado, observando homens do 21° BC se aproximando abrem fogo contra eles. Alguns oficiais vindos da casa do governador, também dominada por insurretos, conseguem entrar no quartel da polícia para se proteger e ajudar seus companheiros na resistência. Mas as 21h o quartel já se encontrava cercado pela frente e pelos lados – na parte de trás havia uma mata e o Rio Potengi – e por conta do intensivo tiroteio as munições começam a se esgotar no quartel. As 14 horas do dia seguinte é que finalmente irão acabar as munições, mas não se rendem, eles rumam em fuga mas quase todos são capturados e presos.

       No dia 24 de novembro, a cidade amanhece assustada, as pessoas não sabiam o que estava acontecendo, o levante foi tão inesperado que nem houve tempo de avisar a ANL do Rio de Janeiro. É paralisada a estação radiotelegráfica, são suspensas também as operações de cargas e descargas de todos os navios. A tarde, após a resistência do quarte da Polícia Militar chegar ao fim, a cidade estava definitivamente nas mãos dos revoltosos.

       Ainda durante a tarde do dia 24 de novembro, os chefes do movimentos, Quintino Clementino e Eliziel Diniz, fazem uma reunião com a direção do PCB e decidem pela constituição de uma junta formada por membros da direção do partido. Proclamam o Governo Popular Revolucionário. José Praxedes ficou responsável pela proclamação do novo governo. Em entrevista 50 anos depois, José Praxedes afirma o seguinte:

“[…] fomos para a praça do mercado, em frente ao quartel do 21° BC e ali mesmo, na porte do quartel, eu subi na murada e li a proclamação do Governo Popular Revolucionário. O povo estava todo na praça e depois da proclamação saudou o novo governo com gritos de ‘viva a revolução’, ‘viva o Governo Revolucionário’, ‘viva prestes’. Foi uma verdadeira festa” (OLIVEIRA FILHO, 1985, p. 63)[17]

       Foi constituída a junta, chamada de Comitê Popular Revolucionário, instalando-se na Vila Cincinato, situada na Praça Pedro velho no prédio que servia como residência do governador (COSTA, 2015, p. 105).[18] Patrulhas foram instituídas para fazerem rondas nas ruas de Natal, o que levou muitas pessoas a serem presas e guiadas para a prisão improvisada na Vila Cincinato.

       No dia 25 de novembro a junta decreta seu primeiro documento, que possui poucas páginas e é assinado no nome do “Comitê Revolucionário”. Esse decreto dissolve a Assembleia Legislativa “por não consultar mais os interesses povo e do Estado” e destituem do governo o Rafael Fernandes “em virtude de não ter sido encontrado em parte alguma deste estado fica o mesmo destituído do seu cargo, que não pode mais exercer” (COSTA, 2015, p. 107).[19]

       Algumas outras medidas foram tomadas com a intenção de causar um certo impacto populacional. O serviço dos bondes foram imediatamente intimados a serem restabelecidos e o preço do mesmo chegou a ser diminuído a quase nada. José Praxedes assina um boletim que é distribuído aos comerciantes, no qual solicita a reabertura dos seus estabelecimentos e que as negociações sejam efetuadas normalmente, sem estocarem alimentos para os preços ficarem elevados. Porem nem os bancos e nem os comércios abriram no dia seguinte, 25 de novembro. Então José Macedo, Secretário de Finanças, vai pessoalmente a casa do gerente do Banco do Brasil, acompanhado de alguns soldados e exigem a entrega das chaves do banco. O gerente fala que não está com as chaves, pois elas estão com o contador; dirigindo-se a casa do contador não o encontram, decidem ir ao banco assim mesmo, arrombam suas portas facilmente, mas não conseguem o mesmo com os cofres. É sugerida a utilização de um especialista. Já a noite é levado o especialista ao banco e conseguem abrir os cofres, confiscando uma boa quantia de dinheiro. Já durante a madrugada, o Mecânico Manoel Severino, junto com José Canela, Carlos Linder e o tenente da Polícia Militar Moises Costa Pereira, se dirigem para a Recebedoria de Rendas e retiram de lá a quantia de 93:873$797 e levam todo esse dinheiro coletado para a Vila Cincinato. A soma desses valores eram muito altas, a maioria desse dinheiro ficou entre os cabeças da revolução, mas uma quantia foi distribuída entre a população, que mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo, pois os jornais não transitavam, fazem festa e celebram o ocorrido.

      Das ações que estavam sendo feitas, os revoltosos ousaram mais quando pegaram um avião no dia 26 de novembro e começaram soltar na cidade boletins que foram impressos sobre a junta, já que os jornais da cidade não estavam circulando. Porém, ainda necessitavam de um jornal transitando pela cidade para se comunicar com a população, então decidem na circulação de um jornal com nome de A Liberdade. Eles ocupam a redação do jornal A República para iniciarem o projeto, mas logo percebem que ninguém entre eles sabia usar as maquinas gráficas do jornal, dessa forma soldados armados da junta vão à casa dos funcionários dos jornais que sabem usar as maquinas e levam eles até a redação, para montarem e imprimirem os jornas, que já tinham suas manchetes prontas pelos revolucionários. Mais de mil exemplares foram feitos e deveriam ser distribuídos entre a população no dia seguinte, mas, para infelicidade dos revolucionários, o movimento foi destruído antes que eles pudessem distribuir os jornais.

Momentos Finais

       Rumores de que Natal seria bombardeada por aviões e atacada por tropas terrestres vindo da Paraíba, Ceará e Pernambuco começaram a surgir na noite do dia 26 de novembro. A junta, com seus homens assustados e imaginando o pior, se reúnem para discutir o que fazer agora. De Recife, vem a notícia do fracasso do levante do 29° BC, da Paraíba – tema para outro artigo – ao contrário do que imaginavam quando escrevem no jornal A Liberdade, lá falam que a Paraíba estava sob poder revolucionário. Sabem também que o Batalhão de Caçadores da Paraíba está se deslocando em tropas na direção de Natal. Isso mostrava que a adesão de outras Unidades Militares do País não ocorreram. Logo chegam a um consenso que nessa altura do campeonato, não possuem forças para organizar uma resistência. Por mais que quisessem lutar, chegam a conclusão que o movimento estava derrotado e a alternativa mais fácil seria a fuga, cada um contando com sua própria sorte. O José Praxedes vai dizer mais tarde em depoimento o seguinte:

“ás 11 horas da noite do dia 26 […] nós estávamos todos no palácio quando chega um emissário de Quintino com um telegrama que havia sido enviado pelo comandante das forças legalistas do Recife. O telegrama dizia o seguinte: ‘a fim de não derramar precioso sangue dos nossos irmãos, deponham armas. Já consolidados posições em Recife. Amotinados foram presos. Estamos vitoriosos’” (OLIVEIRA FILHO, 1985, p. 76-77).[20]

       Lauro lago, que estava presente na reunião, vai dizer em depoimento[21] que Praxedes queria fuzilar os presos antes de fugirem, mas não fizeram por não ter apoio nessa decisão. Eles então decidem mandar os presos para o navio Mexicano que estava atracado no porto desde do início da revolução e já dava abrigo a algumas figuras importantes de Natal. Após isso, sem ter mais o que fazer, a junta recebe ordem de debanda, cada um seguindo um rumo diferente.

       O dinheiro que haviam arrecadado nos arrombamentos é dividido entre os que haviam participado mais efetivamente nas atividades do curto governo revolucionário e que estavam presentes ali naquele momento. Quinto Clementino e Eliziel Diniz seguiram de carro em direção do Município Baixada Verde, mas depois seguem para Pedra Preta e lá são presos as 18 horas do dia 27 de novembro por tropas da Polícia da Paraíba. Seguindo em direção de Recife, Lauro Lagos, João Galvão, José Macedo e o motorista Manoel Justino são presos no caminho por tropas comandadas pelo major Elias Fernandes da Polícia Militar da Paraíba. José Praxedes e Giocondo Dias, fugindo sozinhos em rumos diferentes e conseguem fugir. Sendo o primeiro reaparecendo com sua verdadeira identidade apenas em 1984. E Giocondo sendo preso em 1936 quando é ferido e levado ao hospital, após uma briga com seu amigo Paulo Teixeira, na fazenda em que estava escondido.

       Os estivadores, que estavam dando guarda do cais do porto e no bairro das Rocas, efetuam o último ato, as suas entregas para a polícia logo depois de tomarem conhecimento da fuga da junta. Os comandantes do 21° BC e da Polícia Militar organizam patrulhas que se descocariam da capital até as cidades do interior do estado, capturando os revoltosos. A revolução chega a seu fim.

       Um aspecto importante que vale a pena comentar antes de finalizar essa parte do artigo, foi a expansão do movimento para várias outras cidades do interior do Estado. Na noite do dia 25 de novembro vários caminhões lotados de militares e civis aderentes do movimento se deslocam para as cidades interioranas. Três colunas foram formadas, uma que foi em direção de Mossoró, outras seguiu a estrada de ferro até a cidade de Nova Cruz e uma terceira que seguiu até a cidade de Goianinha, a caminho de João Pessoa.

       Na Baixada Verde chegam diversos caminhões, mas são surpreendidos a bala, por homens voluntários do prefeitos, em formação militar seguindo a tática das trincheiras, que foram cavadas na frente da cidade e “mesmo pegando os caminhões de surpresa, não atingem ninguém” (COSTA, 2015, p. 118).[22] A resistência dura pouco, o prefeito é destituído do cargo e os revoltosos formam uma “junta proletária”. No fim do movimento, acreditasse que essas tropas dominadoras das cidades do interior, ao saberem que o estado estava sendo cercado e que o movimento na capital estava em debanda, também fogem de forma desorganizada, vão para outros estados, alguns conseguem se esconder, outros são capturados e presos. Um breve governo comunistas, que causou profunda repressão e serviu de desculpa para a perpetuação de um autoritário na Presidência da República.

Uma justificativa para o Estado Novo

       A insurreição comunista no Rio Grande do Norte foi só um dos vários movimentos comunistas que ocorreram no país, o grande diferencial foi que ela conseguiu, mesmo que poucos dias, tomar o poder da capital Natal e de outras cidades do estado. Entretanto, essa revolta não estava planejada para ocorrer no ano de 1935 e sim apenas em 1936, como apoio ao movimento orquestrado por Luís Carlos Prestes, líder do PCB e da ANL, que tinha por objetivo pôr fim ao governo de Vargas. Com a precipitação de Natal, os outros estados também tiveram que agir e o movimento foi rapidamente abafado pelas tropas militares de Vargas.

       O governo de Vargas estava se encaminhando para seu fim, as eleições de 1938 não poderia mais contar com a participação do atual Presidente, mas em setembro de 1937 um novo “plano comunista” para derrubar Getúlio Vargas do poder foi descoberto, o que foi aceito pela população como verídico, por causa da recente experiência comunista de 1935. Maria Celina de D’Araújo vai dizer que o “perigo comunista” não foi inventado, ele existia de forma organizada, em especial dentro de alguns quarteis e rapidamente foi acionado e aceito como o perigo número 1 da Pátria (D’Araújo, 2000, p. 18).[23] Logo manteve as forças armadas reunidas, mantendo um sentimento mutuo anticomunista.

       O que consolidou o golpe foi a famosa carta comunista chamada de Plano Cohen, descoberta anos mais tarde como uma carta falsa, elaborada pelo serviço secreto da AIB, para servir como peça de manipulação, efervescendo um sentimento de ódio e medo a respeito dos comunistas do Brasil (D’Araújo, Op.cit, p. 18)[24]. Na carta tida como feita pelos comunistas, haviam planos que orientavam sequestros de figuras políticas importantes, eliminação de chefes militares, liberdade de presos políticos e o incêndio de casas e prédios, saques e depredação. Todo esse aparato, junto com a lembrança recente dos acontecimentos comunistas de 1935, tocou o terror na população do país e legitimou a implantação – quase que do dia para a noite após a divulgação da carte – do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Considerações finais

        O movimento ocorrido no Rio Grande do Norte contou com a participação de um operário no poder, José Praxedes entrou para a história por esse feito. Esses quatro dias de domínio comunista serviram para assustar a população Brasileira, não por eles serem carrascos maldosos e impiedosos, mas por serem vistos como carrascos maldosos e impiedosos pelo imaginário transmitido por parte dos políticos e simpatizantes da direita.

       Mas o importante de ser observado é o fato de no Brasil ter ocorrido um poder comunistas, que, considerando todas as variantes, só não foi implantado a nível nacional por causa da precipitação do Rio Grande do Norte, pois era um movimento ideológico nacional, que deveria ocorrer originalmente do Rio de Janeiro com a liderança de Luís Carlos Prestes e os demais estados apoiariam o movimento, dominando suas regiões. Porém, como ocorreu em questão de horas em Natal, ficou difícil avisar a ANL no Rio de Janeiro, o que levou a organizada instituição comunista a agir por impulso e serem ofuscados rapidamente e anos mais tarde usada, juntamente com discursos mentirosos, para justificar a implantação de um governo autoritário, com ideologias fascistas. Esse artigo conta a história de apenas um dos movimentos que ocorreram em 1935, ele pode servir como um capitulo de estudos sobre a intentona comunista, que tiveram ações ainda no Recife e no Rio de janeiro.

Referências Bibliográficas

COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015.

D’ARAUJO, Maria Celina. O Estado Novo: Descobrindo o Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2000, p. 18

DIAS, Giocondo Alves. Os objetivos dos comunistas. São Paulo: Novos Rumos, 1983

LEVINE, Robert. O Regime de Vargas: 1934-1938 – os anos críticos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980

MEDEIROS FILHO, João. Meu Depoimento (Sobre a revolução comunista e outros assuntos). Natal: Imprensa Oficial, 1937

OLIVEIRA FILHO, Moacir. Praxedes, um operário no poder (A Insurreição Comunista de 1935 vista por dentro). São Paulo: Alfa Ômega, 1985


[1]COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 75

[2] Idem, p. 74

[3] Idem, p. 75

[4] DIAS, Giocondo Alves. Os objetivos dos comunistas. São Paulo: Novos Rumos, 1983, p. 142.

[5] Relatório do procurador da Justiça do Rio Grande do Norte ao presidente do Tribunal e Segurança Nacional (Tribunal de Segurança Nacional. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro).

[6] MEDEIROS FILHO, João. Meu Depoimento (Sobre a revolução comunista e outros assuntos). Natal: Imprensa Oficial, 1937, p. 45.

[7] LEVINE, Robert. O Regime de Vargas: 1934-1938 – os anos críticos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 163.

[8] LEVINE, Robert. O Regime de Vargas: 1934-1938 – os anos críticos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 163.

[9] Fundador da Ação Integralista Brasileira em nível nacional

[10] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 82

[11] Idem, p. 82

[12] COSTA, H. D. O. Op. Cit, p. 89-90

[13] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 90

[14] DIAS, Giocondo Alves. Os objetivos dos comunistas. São Paulo: Novos Rumos, 1983, p. 152

[15] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 93-94

[16] COSTA, H. D. O. Op. cit, p. 94

[17] OLIVEIRA FILHO, Moacir. Praxedes, um operário no poder (A Insurreição Comunista de 1935 vista por dentro). São Paulo: Alfa Ômega, 1985. p. 63

[18] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 105

[19] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 107

[20] OLIVEIRA FILHO, Moacir. Praxedes, um operário no poder (A Insurreição Comunista de 1935 vista por dentro). São Paulo: Alfa Ômega, 1985. p. 76-77

[21] Depoimento prestado em 23 de dezembro de 1937. Processo n° 2, v. I (Auto dos processos do Tribunal de Segurança Nacional, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro).

[22] COSTA, H. D. O. A Insurreição comunista de 1935. 1. ed. RN: Kamyla Álvares, 2015, p. 118

[23] D’ARAUJO, Maria Celina. O Estado Novo: Descobrindo o Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2000, p. 18

[24] Idem.