07 jul 2018 @ 11:36 AM 
 

RELAÇÃO DO CPOR/R E A BATALHA DA CASA FORTE

 

RELAÇÃO DO CPOR/R E A BATALHA DA CASA FORTE[1]

JORGE VIANA DA SILVA[2]

RESUMO

O centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife, localizado na Avenida 17 de agosto, 1020, Casa Forte, organização militar tem em seu brado, proferido durante as cerimônias de formatura, o slogan “Nós somos os verdadeiros heróis da batalha de Casa Forte”. Este trabalho visa uma investigação buscando elos entre a organização militar e a batalha, ocorrida na região onde se encontra o CPOR do Recife.

DESENVOLVIMENTO

O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife, localizado na rua 17 de agosto, 1020, Casa Forte, organização militar do Exército que forma Oficiais Temporário, externa durante as formaturas o orgulho de serem os representantes daqueles que lutaram contra os invasores holandeses quando proferem um brado afirmando: “ Nós somos os legítimos herdeiros dos heróis de Casa Forte”, o brado foi criado por um Ex-Comandante do Centro, General Ester, o  comandante ao perguntar a tropa perfilada “Quem Somos”, a mesma parafraseia.

Nós somos os legítimos herdeiros dos heróis de Casa Forte. Em nosso quartel, aprendemos no hoje, a defender a pátria, a conduzir homens, e a ser a voz civil do Exército na sociedade do amanhã!Gen. Ex. R/1 Antônio Gabriel Esper

O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife – CPOR/R foi criado pela Portaria Ministerial de 13 de novembro de 1933, ficando ao lado do antigo QG da 7ª RM na Rua do Hospício,  a quem estava diretamente subordinado, onde iniciou suas atividades letivas. Seis anos após a sua inauguração, em 26 de outubro de 1939, o CPOR do Recife foi transferido para o Forte das Cinco Pontas, no bairro de Santo Antônio, onde permaneceu por apenas seis meses, até 17 de maio de 1940, ocasião em que retornara provisoriamente para suas antigas instalações na Rua do Hospício. Após alguns meses transferiu-se para a Rua Benfica nº 1150, no atual prédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, conhecido também como Museu da Abolição,  até que, em 13 de junho de 1949, por ordem do Exmo. Sr. Cmt da 7ª Região Militar, General Braziliano Americano Freire, ocupou suas atuais instalações na avenida 17 de agosto nº 1020, no bairro de Casa Forte, Recife-PE, há quase 69 anos, região palco de um dos mais importantes episódios da expulsão dos invasores holandeses no século XVII: o combate de 17 de agosto de 1645, que ficou conhecido como a Batalha de Casa Forte, uma das mais notáveis vitórias pernambucanas na guerra contra o domínio holandês.

Nas proximidades de onde hoje se encontra instalado o CPOR/R, encontram-se locais que foram palco, no passado, de acontecimentos históricos de vulto como o Célebre Arraial do Bom Jesus (cerca de 1,4 Km), símbolo mais significativo do espírito de resistência ao longo da guerra contra os holandeses em 1635 e a Batalha de Casa Forte (cerca de 750m) que marca juntamente com a batalha dos montes das Tabocas, o início da derrota dos holandeses em nosso território em  1645, culminando na Batalha dos Guararapes em 1648. Depois de anos de luta e sacrifícios, homens como HENRIQUE DIAS, FELIPE CAMARÃO, VIDAL DE NEGREIROS E ANTÔNIO DIAS CARDOSO souberam demonstrar o espírito patriótico e o desejo de liberdade de um povo, restaurando a Pátria para os nativos.

O combate de 17 de agosto de 1645, que ficou conhecido como a Batalha de Casa Forte, em alusão ao local onde foi travado, foi uma das mais notáveis vitórias pernambucanas na guerra contra o domínio holandês.          Após a derrota imposta ao exército holandês pelos pernambucanos na Batalha das Tabocas no dia 3 de agosto de 1645, em Vitória de Santo Antão, ANTÔNIO DIAS CARDOSO, integrante do Exército Patriota, perseguiu o inimigo que retraia para  Recife, acampando no engenho de Casa Forte pertencente  Anna Paes. O deslocamento foi realizado num percusso de pouco mais de 50 km, sendo que seguiam no encalço dos invasores as tropas luso-brasileiras.

No dia 16 de agosto as tropas holandesas chegaram ao Engenho Anna Paes, onde na atualidade localiza-se a Igreja Matriz de Casa Forte, logo pela manhã. Na sequência, como forma de fragilizar e intimidar as tropas luso-brasileiras o Coronel Henrique Van Hous, comandante Holandês, ordena que separe seus melhores militares e desloquem-se para os Engenhos do Meio e da Várzea com o objetivo de aprisionar esposas, filhas e mães dos líderes da insurreição pernambucana.

As tropas luso-brasileiras chegam momentos depois do aprisionamento no Engenho do Meio e ficam sabendo do ocorrido. Os líderes reorganizam as tropas e deslocam-se ainda do dia 16 de agosto para as imediações do Engenho de Anna Paes. Na manhã de 17 de Agosto, pegos de surpresa pela fúria dos pernambucanos, os holandeses se refugiaram na casa-grande colocando as mulheres nas janelas. No entendimento dos líderes luso-brasileiros esse seria um sinal de rendição e ordenaram que um militar fosse à frente para realizar o primeiro contato e fazer acertos da suposta rendição, quando de forma inesperada e covarde, o militar foi alvejado por vários disparos.

Diante de tal covardia, a tropa luso-brasileira abandona suas posições e ateia fogo na Casa Grande, cabendo a ANTÔNIO DIAS CARDOSO a concepção e o dispositivo de ataque ao Engenho de Anna Paes. Como resultado da ação toda tropa holandesa foi aprisionada. Houve algumas mortes e feridos por parte do efetivo Holandês e as mulheres aprisionadas foram libertas e encaminhadas para suas residências.

A derrota custou aos holandeses 37 mortos, muitos feridos e mais de 300 prisioneiros, além de grande quantidade de armamento, cavalos e víveres. A perda na tropa pernambucana foi pequena. Os prisioneiros holandeses foram enviados para a Bahia. O coronel Henrique Hous partiu da Bahia para Portugal no dia 6 de fevereiro de 1646, chegando a Ilha Terceira onde foi encarcerado no castelo de São João até a sua ida para Lisboa. Tendo se recusado a servir a Portugal, foi enviado para a Holanda. Regressou depois a Pernambuco e foi morto na primeira Batalha dos Guararapes, em abril de 1648.

A “Casa Grande” do Engenho de Anna Paes, exato local onde se travou  e foi  palco a Batalha de Casa Forte, continua viva na memória dos pernambucanos que a preserva com inusitado zelo memorialístico. A “Casa” que foi transformada em fortaleza pelas tropas holandesas, após a derrota no Monte das Tabocas, continua bem cuidada, onde hoje funciona o “Colégio Sagrada Família” na praça do antigo Engenho Casa Forte, atualmente “Praça de Casa Forte” venerável sítio histórico da Batalha de 17 de Agosto de 1645, a  Av 17 de Agosto e Bairro de Casa Forte. A data homenageia, através do nome da sua principal avenida, a  vitória das tropas patriotas contra o holandês invasor, dia este em que o Exército Patriota chegou para atacar  a “Casa Forte”, assim como o nome do Bairro.

CONCLUSÃO

Segundo Darcy Ribeiro[3] a fantasia de que a nossa trajetória para a formação da identidade brasileira tem sido fundamentalmente pacífica, marcada pelo relacionamento cordial entre agrupamentos étnicos e entre classes sociais, não resiste ao menor escrutínio histórico. Na verdade, a história da violência nos trópicos brasílicos começa já com os conflitos sangrentos entre aldeias indígenas. Com a chegada dos europeus, as guerras se intensificaram, inclusive com alianças entre franceses e tupiniquins, combatidas por alianças entre lusos e tupinambás. E o fato é que a história do Brasil apresenta inúmeros (e sérios) casos de confrontos armados. Os negros foram o inimigo número um do sistema escravista, ao contrário do que se costuma pensar. Promoveram um rosário de revoltas rurais e insurreições urbanas, através dos séculos de regime escravo. Palmares e as rebeliões dos malês são pontos incandescentes desse espírito de recusa do cativeiro. Mas tivemos também outros gêneros de movimentações armadas, como a Guerra dos Cabanos e a de Canudos, com os seguidores de Antônio Conselheiro enfrentando o exército brasileiro. O programa Invenção do Brasil vai se concentrar, exatamente, nesta dimensão bélica de nossa história, sendo assim, a Batalha de Casa Forte contribui para a criação da identidade na nacionalidade brasileiro, em especial a ideia de pertencimento local, onde os militares pernambucanos se vem, historicamente como herdeiros da tradição da Batalha de Casa Forte.

REFERÊNCIAS:

COSTA, Francisco Augusto Pereira da, and José Antônio Gonsalves de Mello. Arredores do Recife. Vol. 117. Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2001.

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. 2. ed. Recife: Fundarpe, 1983. v. 3. p. 230-233. (Coleção pernambucana, 2a. fase).

DE MELLO, José Antônio Gonsalves. Tempo dos flamengos: influência da ocupação holandesa na vida e na cultura do norte do Brasil. Vol. 50. Instituto Nacional do Livro, Fundação Nacional Pró-Memória, 1987.

GUERRA, Flávio. Casa Forte. Revista do Conselho Estadual de Cultura, Recife, p. 77-80, [2000]. Edição especial.

VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes.Recife: Edição do Autor, 2004. 208 p., Telma. Dona Anna Paes.


[1] Este trabalho tem como objetivo fazer uma investigação a respeito da ligação do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife (CPOR/R) com a batalha de Casa Forte, ocorrida em 17 de agosto 1645, identificando sua importância na preservação da História Pernambucana. Apresentado na disciplina História de Pernambuco, em 2018, ao Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

[2] Graduando em História na UFPE

[3] Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Global Editora e Distribuidora Ltda, 2015.

Tags Categories: Cultura brasileira Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 07 jul 2018 @ 11 37 AM

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