14 dez 2017 @ 11:55 PM 
 

RECIFE, CIDADE LENDÁRIA. Um Recife visto no dia a dia de forma poética

 

RECIFE, CIDADE LENDÁRIA. Um Recife visto no dia a dia de forma poética.

Análise histórica da música de Capiba:

Wanderson Henrique Barros da Silva(UFPE)

Resumo:

Este trabalho procura mostrar uma análise da música Recife, cidade lendária do compositor Capiba, o contexto da cidade em sua época de criação e de onde pode o autor ter buscado inspiração para sua composição. O trabalho de Capiba é inspiração de vários outros compositores e suas músicas ultrapassam o tempo, Recife, cidade lendária é valorizada até hoje e consegue com palavras desenhar as mudanças que aconteceram no Recife até a década de 50.

Palavras chaves: Recife; Capiba; Música; Desenvolvimento urbano; Cultura.

Abstract:

This work seeks an analysis of the music Recife, legendary city of the composer Capiba, the context of the city in its time of creation and from where can the author sought inspiration for its composition. The work of Inspiration Capture of several other composers and their songs surpasses the time, Recife, city helpful and valued until today and achieves with words drawn like changes that happened not Recife until a decade of 50.

Key words: Recife; Capiba; Music; Urban Development; Culture.
Introdução

O Recife da década de 50 passava por várias modificações, urbanas, culturais, sua população crescia, o processo de redemocratização estava acontecendo depois da segunda guerra mundial e a saída de Getúlio Vargas influenciou na mudança de governo, não só em nível de país, os estados estavam em mudança, Pernambuco também passava por modificações, sua população rural se deslocava para o sul e também para a capital. Estavam aumentando a quantidade de cinemas de rua, o teatro e as manifestações de rua também cresciam. É dentro deste conjunto que foi escrita a música, Capiba que também fez parte desse grande aumento cultural, estava familiarizado com as mudanças que ocorriam na cidade do Recife.

Recife, cidade lendária é uma música escrita por Capiba e interpretada inicialmente por Paulo Molin e depois por vários outros grandes nomes da música brasileira, foi feita com primor descrevendo vários aspectos da cidade e suas transformações.

A música perpassa várias épocas e mostra como se construiu a cidade, muitas das influencias necessárias para formação do Recife moderno, desde sua população, modo de vida, as noites boemias, diversidade cultural e tudo isto mostra a grandiosidade de que com alguns versos consegue-se mostrar uma amplitude de percepção.

Capiba

O senhor Lourenço Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba, nasceu em Surubim e desde sua infância sempre esteve em contato com a música, seu pai, Severino Atanásio era orquestrador e professor de música[1].

Com os 10 anos ele já compunha, seus irmãos também eram ligados à música que aprendiam diretamente com o seu pai. Nessa época sua família já estava indo morar em Taperoá na Paraíba e que apenas alguns anos depois seu pai conseguiu um trabalho de músico na banda de Campina grande deslocando mais uma vez a família de Capiba.

Conseguiu trabalho como pianista mesmo que seu esforço tenha sido para decorar 11 valsas, ainda não tinha aprendido de fato o instrumento[2], porém seu desempenho era esplendido e foi chamado para participar do Jazz Campinense como pianista.

Desde muito jovem era entusiasta do futebol e participou de times de futebol e continuou com essa paixão durante sua vida já que quando mais velho ainda jogava no time do Banco do Brasil do Recife que posteriormente seria o seu trabalho.

Em 1924, Capiba foi mandado para o Liceu Pernambucano em João Pessoa para estudar e lá teve a noticia da morte da mãe naquele mesmo ano em Recife, fez uma música junto ao seu irmão Antonio chamada “Lágrimas de mãe” em homenagem[3].

Continuou em João Pessoa durante um tempo e agora estava trabalhando como músico com a permissão do pai que o havia proibido quando o mandou estudar no Liceu. Durante esses trabalhos com música conheceu Oliver Von Sohsten, que financiava orquestras para o carnaval, pois gostava de brincar o carnaval[4].

Na década de 20 ele começou orquestrar bandas carnaval e com o financiamento de seu novo amigo várias músicas que fizeram sucesso surgiram nessa época.

Capiba ganhou alguns prêmios com essas músicas que estava fazendo e uma que tem uma história interessante foi feita por ele e seu parceiro João dos Santos Coelho, porém como usaram pseudônimos de Pé-de-pato e Joca da Beleza tiveram alguns problemas para conseguir se apresentar como os vencedores desse concurso no Rio já que outra pessoa estava tentando usurpar o feito dos dois[5].

Em 1930 começou a trabalhar no Banco do Brasil, onde ficou durante 31 anos. Foi selecionado para trabalhar no Recife e formou uma orquestra composta por estudantes.

Valsa verde, um de seus maiores sucessos foi feito um ano depois, música escrita por Ferreyra dos Santos e que fez muito sucesso no Recife da época, qualquer casa com piano tocava a música de Capiba e Ferreyra[6].

Passou na prova da faculdade de direito do Recife e agora estava começando seu nível acadêmico, já que fazia parte de uma orquestra de acadêmicos, com essa orquestra fez uma turnê pelo Nordeste para arrecadar fundos para a Casa do estudante pobre e dessa forma divulgou ainda mais seu talento por outros estados.

“É de amargar” é outra composição do Capiba que foi feita após uma tragédia em sua família, seu irmão mais velho tinha falecido.

Este frevo é considerado um dos que mais tocou na história pernambucana, teve grande aclamação popular e se tornou até título de uma revista da atriz Alda Garrido[7].

Várias outras músicas foram compostas  por Capiba, a  rádio Tupi  que em 1937 fez uma programa carnavalesco para  tocar apenas músicas pernambucanas também foi uma das formas de divulgação dele e de outros compositores,  algumas músicas novas de Capiba eram tão bem vistas, tanto pelo trabalho e esforço do compositor como pela qualidade, Maria Betânia  foi  uma dessas músicas que nascida por encomenda serviu até de inspiração para o nome para uma das cantoras da MPB, por sugestão de seu irmão Caetano Veloso.

Em 1950, Capiba fez sua música Recife, cidade lendária, interpretada por Paulo Molin fez bastante sucesso, esta música que será tratada neste trabalho é fruto de toda essa história de genialidade do compositor pernambucano, ela mostra o quanto intelectual e observador era o seu compositor.

Continuou na música e cresceu ainda mais, tendo outras experiências, angariando mais amizades com o passar dos anos, inclusive o grande Ariano Suassuna.

Em 1985 publicou seu livro autobiográfico “Livro de ocorrências” e morreu em 1997 aos 93 anos de idade.

Essa trajetória de composições e desenvolvimento exibe o crescimento de um dos maiores compositores de sua época e de Pernambuco. Algumas de suas empreitadas não foram fáceis, algumas músicas foram compostas com inspirações de acontecimentos tristes e trágicos, mas Capiba faz jus a sua fama, extraindo tudo que há de belo e musicando sua vida e a de seu povo.

A música Recife, cidade Lendária

Eu ando pelo Recife, noites sem fim

Percorro bairros distantes sempre a escutara

Luanda, Luanda, onde está?

É alma de preto a penar

Recife, cidade lendária

De pretas de engenho cheirando a banguê

Recife de velhos sobrados, compridos,

Escuros

Faz gosto se ver

Recife teus lindos jardins

Recebem a brisa que vem do alto mar

Recife teu céu tão bonito

Tem noites de lua pra gente cantar

Recife de cantadores

Vivendo da glória, em pleno terreiro

Recife dos maracatus

Dos temposs distantes de Pedro primeiro

Responde ao que eu vou perguntar:

Que é feito dos teus lampiões?

Onde outrora os boêmios cantavam

Suas lindas canções

O Recife ao ritmo de Capiba, de forma nostálgica o grande compositor mostra pontos essenciais para a formação e desenvolvimento do Recife moderno.

A música Recife, cidade lendária tem sua composição mostrando grandes traços do desenvolvimento da cidade e de sua transformação para a modernidade, desde tempos remotos do Brasil império até o tempo do lançamento da música em meados do século XX.

Cada verso da música pode ser explorado para se conhecer as características que a cidade herdou durante sua formação moderna e crescimento, mas para se chegar a ter uma visualização da beleza desses pontos abordados é necessário conhecer a cidade e parte de sua história.

O Recife tinha uma formação em tentáculos[8] que se desenvolvia a partir do centro comercial que era composto pelo bairro do Recife, Santo Antonio e São José, este cenário foi se modificando com a modernização da cidade.

As áreas que estavam entre esses tentáculos começaram a ser ocupadas no inicio do século XX e continuou em ritmo crescente fazendo várias mudanças na paisagem e cada vez mais a cidade parecia estar entrando nos moldes que o mundo moderno modelava.

Os trechos deixaram de ser tentáculos e começava a se preencher, um aumento de comercio e uma nova vida começava a se formar nesse novo Recife, mesmos que essas áreas tenham crescido ao redor de “satélites”, áreas que  seriam mais fácil de ocupação e sobrevivência como as fabricas que davam oportunidade de trabalho ou  áreas perto  de  rios que garantiam a sobrevivência pela pesca, deixando assim também em parte uma população ribeirinha que com o desenvolvimento  da cidade depois seria prejudicada com as mudanças que ocorreriam algumas décadas depois, principalmente no Governo de Agamenon.

Mas de onde vinham as pessoas que estavam aumentando a população dos centros urbanos? Devemos lembrar que isto aconteceu poucos anos após a abolição da escravidão, um movimento populacional e uma mudança na dinâmica do país eram inevitáveis, muitos dos escravos que conseguiam se aventurar para procurar novos horizontes, tentaram os centros urbanos para uma mudança no modo de vida, outros ficaram no campo devido ao medo.

A partir desta premissa devemos pensar nos primeiros versos da música de Capiba que demonstra a representatividade da população negra no Recife. Foi com deslocamento dos pobres e negros que começou o crescimento populacional e também o desenvolvimento do centro. Essas pessoas eram empregadas nas fabricas que agora estavam espalhadas pela cidade ou tentavam seu sustento a partir dos rios e comercialização de peixes.

Essas mudanças trouxeram um desequilíbrio ecológico como explica Vírginia(2001,p09):

Os lugares foram modificados: as áreas de mangues e alagados tornaram-se terra seca; os locais onde havia terras desabitadas e vazias tornaram-se terrenos ocupados e edificados; os espaços em que se localizavam edificações dispersas passaram a abrigar concentrações. Os lugares da cidade transformaram-se, multiplicaram-se, expandiram-se, e esses eram movimentos de conflitos entre o ambiente natural e o ambiente construído, provocando a “perda do equilíbrio ecológico”.

Essas mudanças que trouxeram ao Recife um aspecto mais urbano, antes uma terra de mangues e agora se tornava uma cidade urbanizada mesmo que mal organizada.

A música Recife, cidade lendária também fala sobre os antigos sobrados que agora estavam escuros, feitos nos centros para a população rica do estado, normalmente famílias dos donos de usinas e esses sobrados estavam sempre localizados na parte central da cidade, longe da periferia e dos mocambos construídos pelos pobres. Logo, esses sobrados faziam parte de uma tradição que continuava a separar os membros da elite de todo o resto da sociedade.

Durante o Estado Novo tivemos outra grande mudança na paisagem do Recife, levando em consideração o grande apoio da igreja católica na consolidação do poder de Getulio Vargas e as características conservadoras do seu interventor Agamenon Magalhães[9], houve grandes perseguições à população negra e seus cultos.

O projeto de Agamenon era o Liga Social Contra o Mocambo, este era pensado para mudar a aparência da cidade, tentando encobrir a pobreza da cidade afastando os pobres e negros de seus locais de moradia com a promessa de construção de uma nova habitação, porém as construções das novas moradias não acompanhavam as demolições muito menos eram feitas para todas as famílias desocupadas. Com isto começou a ocupação dos morros na cidade, um deslocamento forçado para “limpar” o centro urbano do Recife[10].

O maracatu também é um dos pontos principais na música de Capiba, pois fez parte também da tradição da cidade do Recife, desde os tempos do império, mostrando a força da cultura negra na formação cultural de Pernambuco e do Recife. Mesmo assim o Maracatu e o carnaval foram perseguidos na época de Agamenon, as manifestações populares e de rua precisavam ser controladas no ponto de vista do interventor para que não houvesse confusões e violência[11].

Essas descriminações percorrem toda a história brasileira que tem em seu processo de formação a grande influencia da escravidão e a disparidade social que foi causada por ela até os dias de hoje. A influência da igreja também aumentou esse preconceito com todos os cultos e festividades criadas pelos negros, mas mesmo com todas essas dificuldades essas tradições conseguiram passar durante o tempo e foram prestigiadas na música de Capiba e de muitos outros autores.

Os jardins Recifenses que estão decorando as grandes praças, também são situados na música, sendo construídos sempre que a cidade crescia, tornaram-se pontos turísticos bastante importantes e também parte da riqueza cultural da cidade.

Essa tendência de arborizar com jardins as cidades era uma característica europeia, grandes cidades brasileiras sempre estavam seguindo as tendências europeias para tentar mostrar o desenvolvimento através da aparência. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi remodelado para se parecer com Paris. Recife também seguia essa tendência e este também foi um dos argumentos usados para as campanhas de Agamenon para tornar a cidade “mais bonita”.

A configuração visual das cidades estavam mudando, Recife e outras capitais tinham se remodelado durante todo o século XX, muitas dessas praças foram revitalizadas depois da década de 50 e ainda nos dias atuais estão embelezando as cidades de concreto com um pouco de natureza.

Por fim temos a referencia as noites do Recife, sendo lembradas em vários trechos da música de Capiba, tem força e história para angariar tal fama.

Desde sempre o Recife foi um centro comercial, por ser um porto, sempre esteve muito presente o comercio de escravos.

Com a independência, começou um processo de expansão urbana e aumento comercial[12] e este aumento também trouxe um aumento populacional da cidade já no século XIX e a diversão noturna no bairro do Recife também aumentou consideravelmente, este processo vem acompanhando o desenvolvimento da cidade e as noites do Recife começaram a ter grande destaque como atração da cidade, tanto a ponto de serem lembradas com nostalgia como fez Capiba na década de 50 do século XX.

Mas mesmo que essas noites tenham se iniciado há bastante tempo, uma urbanização mais acentuada, a dar características de cidade moderna ao Recife só aconteceu no início do século XX como dito anteriormente. A cidade já tinha caráter boêmio antes de ter um desenvolvimento moderno propriamente dito.

Durante o Brasil império as bebidas faziam parte do cotidiano do povo, com diferenças no tipo de bebida para cada camada social[13]. Na Republica essas diferenças permanecem, os grandes clubes eram apenas para a diversão dos ricos, este foi um dos motivos do crescimento do carnaval, diversão de rua para quem era pobre e que foi durante bastante tempo sobrepujado para que não acarretassem em revoltas populares.

Na segunda década do século XX, já se projetava uma cidade moderna aos moldes do que já era visto na Europa como mostra Couceiro(s.d, p.01):

Na segunda década do século XX, a cidade despontava como um dos mais importantes centros políticos e econômicos do país, em função do seu peso na balança nacional de exportações de açúcar. No auge da influência cultural europeia, com os ventos da modernidade soprando de Paris, a capital pernambucana foi beneficiada por projetos de melhoras urbanísticas à semelhança do que ocorria no Rio de Janeiro. Reformas no porto e em bairros inteiros, demolições, calçamento de ruas, implantação de um sistema de saneamento, embelezamento de praças e construção de mercados públicos mudavam as feições do antigo Recife.

Os cafés na década de 20 já traziam grande desordem, brigas e drogas eram comuns nestes ambientes, reclamações sobre estes ambientes eram constantes[14].

A diversão trazia bastante violência, havia muitos casos de crimes envolvendo disputas pelo sexo feminino, a embriaguez era um combustível para esses confrontos, prostitutas também eram mal vistas, não só por conta do seu trabalho, mas por serem consideradas portas de entrada para o mundo da devassidão[15].

Como costume na década de 20 também tinham ambientes para as diferentes classes sociais como aponta Couceiro(2007, p.03):

No Recife dos anos 1920, havia cafés para todos os gostos e bolsos. Se existiam aqueles endereçados a um público mais seleto, como o Café Continental, mais conhecido como Esquina da Lafayette, ou o Café Brasil, frequentados por políticos, intelectuais, funcionários públicos, comerciantes, estudantes e profissionais liberais, havia também os estabelecimentos que se dirigiam aos trabalhadores e grupos populares.

O café continental era um dos mais famosos, também conhecido como esquina do Lafayette, era lá onde se encontravam os intelectuais, políticos, comerciantes, estudantes, e outros tipos de influenciadores da época e discutiam sobre a literatura, política, escreviam poemas e músicas[16].

Capiba falava de botequins conhecidos pelas histórias e músicas feitos a luz dos lampiões, esse encerramento nostálgico também tem base em acontecimentos históricos, existiam cafés cantantes e cafés concertos[17], estes lugares eram normalmente frequentados pela população mais pobre, mas também igualmente a esquina do Lafayette eram discutidos os problemas do povo e criado versos e canções populares a luz de lampiões, pois até a década 20 não havia luz elétrica em quase nenhum lugar de Pernambuco.

Isto aconteceu porque havia uma disputa política entre Delmiro Gouveia e Rosa e Silva[18], Delmiro era um empresário de grande visão, tinha grandes planos para o futuro de Pernambuco, mas foi impedido e a modernidade demorou um pouco mais para se instalar no Recife, alguns lugares até já tinham luz elétrica, mas eram poucos, dando um ar de atraso para a capital Pernambucana.

A política sempre influenciou no desenvolvimento de qualquer lugar, mas até a década de 20, Pernambuco ainda se encontrava com uma política de colônia, essa dominação de grandes proprietários liderados por Rosa e Silva, impedia uma mudança ideológica na administração do estado, então todas as decisões acabam sendo a favor do estabelecimento da política conservadora.

Então a noite do Recife também foi afetada pela dominação de Rosa e Silva, mas mesmo assim não perdeu sua beleza.

Sem contar que essas características boemias do Recife começaram bastante cedo, e mesmo que tenha gerado também violência e desconforto social a noite para uma parte da população, ainda assim também foi fonte de grandes encontros.

Grandes intelectuais adoravam a noite Recifense, Gilberto Freyre é um de grande destaque, mas não só ele fez parte desta tradição de diversões à noite e isso teve em toda a dinâmica da cidade, trazendo até a lembrança de compositores sobre as noites memoráveis do Recife.

Considerações finais

Lourenço Fonseca Barbosa (Capiba) foi um músico que nasceu em Surubim 1904 e faleceu no Recife 1997, passou sua infância na Paraíba e só voltou ao Recife depois de ser nomeado no Banco do Brasil para trabalhar na capital pernambucana[19]. Durante seu tempo na Paraíba teve já contato com a música e quando chegou a Recife continuou com o trabalho em orquestras.

Sendo um intelectual, passava isso em suas músicas, belas e com base em sua observação do dia a dia, Capiba impressionou e ganhou prêmios com seu talento.

Em Recife, cidade lendária ele mostra de forma impressionante sua capacidade de observação e também seu domínio sobre o passado da cidade, mesmo que alguns argumentos sejam ditos de forma superficial. Como a música não é feita com um objetivo historiográfico, ela cumpre com o seu papel, mostrando grandes características da capital e de seu histórico.

O autor é sempre feliz em suas observações, mas como dito não sendo o objetivo da música uma fonte histórica, muitas das informações são soltas sem o aparato do momento de que foram tirados.

Esta música ainda tem grande potencial e por isso foi interpretada por vários grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque e João Gilberto.

A trajetória imaginada por Capiba com esta música é difícil de responder, pois muitas das características que compõem a música fizeram parte de muitas fases do Recife, mas se imagina que há de tudo um pouco, pelo menos o essencial, para se ter uma visão de como é a população, seus costumes, sua diversidade, de arquitetura temos também casos antigos e novos todos sendo abordados em apenas alguns versos.

A música como fonte histórica só pode ser usada com bases de outras fontes, porém mostra como as pessoas tinham esse sentimento nostálgico na década 50, isso sempre acontece, porém a insegurança causada pós-segunda guerra mundial e todas as mudanças políticas-estruturais que estavam acontecendo no país pode ter sido um dos motivos para essa necessidade de reaproximação com a origem e também criar um sentimento de pertencimento.

Capiba conseguia fazer isso com sua música, estabelecer o que tinha de melhor e se posicionar a favor das tradições, mostrar o Recife como uma cidade lendária.

Refencias bibliográficas

CORREIA, Telma de Barros. DELMIRO GOUVEIA: A TRAJETÓRIA DE UM INDUSTRIAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX. Disponível em: https://www.usp.br/pioneiros/n/arqs/tCorreia_dGouveia.doc. Acesso em [03/11/2017].

COUCEIRO, S. C. A sedução da noite nos cafés do Recife dos anos 1920: entre prazeres e transgressões. In: XXIV Simpósio Nacional de História. História e multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos, 2007, São Leopoldo/RS. História e multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos, 2007.

COUCEIRO, Sylvia Costa. Recife brilha à noite. Artigos, Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

PONTUAL, Vírgina. Tempos do Recife: representações culturais e configurações urbanas. Recife:UFPE, 2001.

SANTOS, L. R. N. Das festas aos botequins: organização e controle dos divertimentos no recife (1822-1850). 2011. 144 f. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2011.

SANTOS, Rosana Maria dos. A federação carnavalesca de pernambuco e a perseguição aos maracatus rurais: o caso do maracatu indiano. In: Anais Eletrônicos do V Colóquio de História “Perspectivas Históricas: historiografia, pesquisa e patrimônio”. Luiz C. L. Marques (Org.). Recife, 16 a 18 de novembro de 2011. p. 579-592. ISSN: 2176-9060. Disponível em: http://www.unicap.br/coloquiodehistoria/wp-content/uploads/2013/11/5Col-p.579-592.pdf. Acesso em [03/11/2017].

Site: http://www.onordeste.com/portal/capiba/. Acesso em [16/11/2017].


[1] Disponível em http://www.onordeste.com/portal/capiba/.

[2] Ibid.

[3] Ibid.

[4] Disponível em http://www.onordeste.com/portal/capiba/.

[5] Ibid.

[6] Ibid.

[7] Ibid.

[8] PONTUAL, Vírgina. Tempos do Recife: representações culturais e configurações urbanas. Recife:UFPE, 2001.p.07

[9] SANTOS, Rosana Maria dos. A federação carnavalesca de pernambuco e a perseguição aos maracatus rurais: o caso do maracatu indiano. In: Anais Eletrônicos do V Colóquio de História “Perspectivas Históricas: historiografia, pesquisa e patrimônio”. Luiz C. L. Marques (Org.). Recife, 16 a 18 de novembro de 2011. p. 581.

[10] SANTOS, Rosana Maria dos. A federação carnavalesca de pernambuco e a perseguição aos maracatus rurais: o caso do maracatu indiano. In: Anais Eletrônicos do V Colóquio de História “Perspectivas Históricas: historiografia, pesquisa e patrimônio”. Luiz C. L. Marques (Org.). Recife, 16 a 18 de novembro de 2011. p. 581.

[11] Ibid. p.582-583.

[12] SANTOS, L. R. N. Das festas aos botequins: organização e controle dos divertimentos no recife (1822-1850). 2011. 144 f. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2011.p.10

[13] SANTOS, L. R. N. Das festas aos botequins: organização e controle dos divertimentos no recife (1822-1850). 2011. 144 f. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2011.p. 104

[14] COUCEIRO, Sylvia Costa. Recife brilha à noiteArtigos, Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. p.02

[15] Ibid. p.02

[16] COUCEIRO, S. C. A sedução da noite nos cafés do Recife dos anos 1920: entre prazeres e transgressões. In: XXIV Simpósio Nacional de História. História e multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos, 2007, São Leopoldo/RS. História e multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos, 2007. P.03

[17] Ibid. P.03

[18] CORREIA, Telma de Barros. DELMIRO GOUVEIA: A TRAJETÓRIA DE UM INDUSTRIAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX. P. 01

[19] Disponível em: http://www.onordeste.com/portal/capiba/. Acesso em [16/11/2017].

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Categories: Capiba, Cultura brasileira, Pernambuco século XX
Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 14 dez 2017 @ 11 55 PM

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02 de dezembro de 1870



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