13 out 2012 @ 7:53 AM 
 

Norbert Elias em: A sociedade dos indivíduos

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CURSO DE HISTÓRIA

Deíllio Moreira da Silva Souza

Norbert Elias em: A sociedade dos indivíduos

Prof. : Severino Vicente da Silva.

Disciplina: Idade Moderna e o Processo Civilizador.

Recife, 2012.

Norbert Elias em: A sociedade dos indivíduos[1]

Deíllio Moreira da Silva Souza[2]

Resumo

No texto Sociedade dos Indivíduos, Norbert Elias se propõe a resolver uma questão que começou a ser pensada durante a escrita de O Processo Civilizador. Trata-se da definição de indivíduo e de sociedade, de como se procede a relação entre os dois e, principalmente, do fato que um não pode existir sem o outro. Do ser individual procede a sociedade que por sua vez molda o indivíduo por meio das diversas regras de comportamento mediadas pela vergonha e pelo constrangimento. Para Elias, portanto, individuo e sociedade não podem ser compreendidos como simples opostos e “libertar o pensamento da compulsão de compreender os dois termos dessa maneira é um dos objetivos deste livro.”

Abstract

In the text Society of Individuals, Norbert Elias proposes to solve an issue that began to be thought of during the writing of The Civilizing Process. This is the definition of individual and society, as is done the relationship between the two, and especially the fact that one can not exist without the other. Individual shall be the society which in turn shapes the individual through the various rules of behavior mediated by shame and embarrassment. For Elias, therefore, individual and society can not be understood as mere opposites and “free thought compulsion to understand the two terms in this way is one of the goals of this book.”

Publicado originalmente sob o titulo Die esellschaft der Individuen na Alemanha no ano de 1987, o livro A Sociedade dos Indivíduos na verdade é uma compilação de três ensaios escritos por Norbert Elias em diferentes épocas de sua vida. Contudo, aqui, irá nos interessar o primeiro deles, cujo título é emprestado à obra acima citada, com o intuito de analisarmos as teorias apresentadas por Norbert Elias a respeito dos aspectos que envolvem a conceituação de indivíduo e sociedade. Inicialmente é bastante comum a compreensão de que, de uma forma geral, todo indivíduo que vive em sociedade é capaz de conceituar estes termos. Contudo, qual o significado real de sociedade? Como ela se estrutura? E de onde surgiu? Ou ainda, como as pessoas a percebem em seu viver diário e o qual quais as implicações para a vida cotidiana? Neste pequeno ensaio, Elias pretende clarear nossa compreensão a respeito das diversas respostas a estas perguntas, apontando soluções às contradições decorrentes da tentativa frustrada do homem em explicar o mundo à sua volta como se não fosse parte do mesmo. Ademais, o texto em questão foi escrito em 1939 e teria sido fruto das reflexões geradas durante a escrita de O Processo Civilizador, no qual, o autor intencionava inserir a discussão sobre a problemática conceitual a respeito da construção de individuo e sociedade, no entanto, e nas palavras do autor: “O livro sobre a civilização, de qualquer modo, já estava bastante longo. Assim, tratei de concluí-lo, retirando dele as partes em que tentava esclarecer a relação entre sociedade e indivíduo”.

Genericamente, pode-se conceber a sociedade como a junção de um grupo de indivíduos que, de certa forma, se relacionam entre si. Contudo, a priori, Norbert Elias nos aponta para o fato irrefutável de que as sociedades, assim como os indivíduos se diferem entre si no tempo e no espaço. Em outras palavras, as sociedades e os indivíduos orientais são sobremodo diferentes dos ocidentais, por exemplo, nas suas mais variadas formas e em todas as épocas nas quais existiram. A exemplo disso ainda poderíamos dizer que o Brasil atual é sobremaneira diferente do Brasil imperial ou mesmo do período inicial da república. Essa diferença, sobretudo temporal, acontece porque as sociedades e, principalmente, os indivíduos tem uma característica peculiar, que os distingue dos demais grupos animais, trata-se da maleabilidade, da capacidade de adaptação às várias mudanças de seu habitat provocadas pelos mais diversos fatores. E ainda, no que diz respeito à diferenciação dos indivíduos humanos dos outros grupos animais, o fato de que nos primeiros esta mobilidade é psicológica; é consciente e voluntária, externada no modo como o indivíduo humano é capaz de, ele próprio, controlar seus instintos pelo anseio do bem viver social.

A partir da perspectiva exposta acima, é possível ampliar um pouco mais a nossa compreensão a sobre a problemática proposta. Começa-se a constatar um entrelaçamento entre os termos que, de uma forma inexoravelmente cíclica, como num anel infinito, sociedade e indivíduo partem um do outro por meio de uma reciprocidade em que ambos se afetam. Já é possível apontar a concepção de sociedade como sendo o resultado das decisões de indivíduos – do autocontrole, por exemplo – cujo objetivo é o pertencimento social. Isto se deve ao fato de que para Norbert Elias a sociedade é uma sociedade de indivíduos, contudo estes mesmos indivíduos são fortemente modelados por esta mesma sociedade. Surge aqui uma questão nevrálgica à concepção de Elias, trata-se da indissociação entre indivíduo e sociedade na formação social, admitindo que não existe um abismo entre o entre os dois, como se propõem algumas teorias. “Ninguém duvida de que os indivíduos formam a sociedade ou de que toda sociedade é uma sociedade de indivíduos”. Aqui, há uma forte crítica a uma tendência da psicologia da época de estudar o ser humano de forma isolada e não coalescente ao todo social. É possível que essa crítica seja direcionada, mesmo que indiretamente, ao beheviorismo, que se propunha a estudar o comportamento humano levando em conta apenas o quantificável, ignorando assim a subjetividade do pensamento humano e principalmente as redes de relações a que este indivíduo estava submetido, este ultimo deveras importante na concepção de Elias. Sobre esta crítica à psicologia ainda nos fala Philippe Salvadori[3]:

Partindo de casos individuais e remetendo a supostas invariantes psíquicas, a psicanálise não propunha modelo diretamente operatório para pensar a longa duração e as agregações sociais. Ao contrário, Elias oferecia de imediato um laço dinâmico entre o processo histórico e configurações sociais que de passagem pretendia explicar a formação psicológica dos indivíduos. (SALES, 2011)

O lado oposto a esta ação de individualização do humano, e não menos criticado por Elias, configura-se numa psicologia social na qual a sociedade é vista não mais que uma somatória de indivíduos e portando deve ser pensada como um todo e não em suas individualidades, “a sociedade se afigura, nesse caso, simplesmente como uma acumulação aditiva de muitos indivíduos”.

A despeito destas teorias, para Elias é preciso romper com essa forma compartimentada de se pensar; e ter em mente que só é possível compreender indivíduo e sociedade com um olhar no todo social. Neste ponto a teoria da Gestalt é louvada por Elias por nos ensinar, primeiramente, “que o todo é diferente da soma de suas partes, que ele incorpora leis de um tipo especial, as quais não podem ser elucidadas pelo exame de seus elementos isolados”. A ideia central da teoria consta que “a estrutura organizadora do todo não se reduz (mas transcende) à coleção ou soma das partes desse todo”. (MAMEDE-NEVES, )  Ainda mais importante que isso, na teoria gestáltica “as partes componentes do todo são definidas pelas relações que mantêm com o sistema a que pertencem”. (IDEM) Eis aqui uma palavra definidora nas reflexões de Norbert Elias: RELAÇÕES. A sociedade no olhar de Elias é o resultado da soma não do quantitativo dos indivíduos, mas das relações que eles mantém entre si. E são estas relações que provocam as mudanças temporais e espaciais na sociedade. Para o autor o que nos falta na realidade são exemplos práticos para a compreensão dessa relação. Elias então evoca uma alegoria de Aristóteles sobre a construção da casa:

Na tentativa de superar uma dificuldade análoga, Aristóteles certa vez apontou um exemplo singelo: a relação entre as pedras e a casa. Esta realmente nos proporciona um modelo simples para mostrar como a junção de muitos elementos individuais forma uma unidade cuja estrutura não pode ser inferida de seus componentes isolados. É que certamente não se pode compreender a estrutura da casa inteira pela contemplação isolada de cada uma das pedras que a compõem. Tampouco se pode compreendê-la pensando na casa como uma unidade somatória, uma acumulação de pedras; (ELIAS, 1994)

Por esta concepção, é importante salientar que as transformações sociais não são fruto da vontade de uma pessoa e muito menos de um grupo delas, por mais articulada que seja. Esta compreensão se faz importante visto que há os que na busca de uma explicação plausível à constituição de suas sociedades, tendem a pensar de forma concreta, a buscar formulas sistematizadas de construção social. E nesta concepção há sempre a busca do responsável, do criador de todas as coisas, do princípio ou base fundante – do Estado, das corporações, das relações, por exemplo. Para Elias, as pessoas que pensam assim “ao serem confrontadas com fenômenos sociais que obviamente não podem ser explicados por esse modelo,… seu pensamento estanca. Param de formular perguntas”.

Outra alternativa para compreensão do problema, consta de um movimento oposto ao anterior, mas não menos contraditório, que exclui a atuação humana da construção social. Por esta razão seu olhar ao problema aproxima-se em muitas das vezes das ciências – sobretudo biológicas, para Elias – e das religiões. Esse modelo aproxima-se da teoria spengleriana, na qual as civilizações passam por ciclos de vida cujo fim é a decadência. A sociedade seria então “concebida, por exemplo, como uma entidade orgânica supra-individual que avança inelutavelmente para a morte, atravessando etapas de juventude, maturidade e velhice”.

Ainda no bojo das respostas generalizadas há ainda os que acreditam que a sociedade na verdade somente existe para promover o bem-estar do indivíduo. Dessa maneira todas as suas instituições sejam elas publicas ou particulares tornam as práticas sociais num meio para aquele fim. Contrapondo-se a isto estão os que pensam que o bem-estar dos indivíduos é menos importante que a manutenção da sociedade na qual o mesmo se insere. Elias nos apresenta uma resposta a esta antinomia que, ao que observa, é teoricamente simples mas aparentemente impraticável:

Ao pensarmos calmamente no assunto, logo se evidencia que as duas coisas só são possíveis juntas: só pode haver uma vida comunitária mais livre de perturbações e tensões se todos os indivíduos dentro dela gozarem de satisfação suficiente; e só pode haver uma existência individual mais satisfatória se a estrutura social pertinente for mais livre de tensão, perturbação e conflito. A dificuldade parece estar em que, nas ordens sociais que se nos apresentam, uma das duas coisas sempre leva a pior. (ELIAS, 1994)

Norbert Elias nos convoca então a uma reflexão imprescindível para responder as questões iniciais deste trabalho. E isto se faz por meio de uma pergunta digna de uma leitura ipses-literis:

Como é possível – esta passa a ser a pergunta – que a existência simultânea de muitas pessoas, sua vida em comum, seus atos recíprocos, a totalidade de suas relações mútuas deem origem a algo que nenhum dos indivíduos, considerado isoladamente, tencionou ou promoveu, algo de que ele faz parte, querendo ou não, uma estrutura de indivíduos interdependentes, uma sociedade? (ELIAS, 1994)

Indubitavelmente, a resposta a esta proposição passa pelas relações sociais isto por que, “uma sociedade não é uma realidade espiritual ou natural, nem uma simples agregação de indivíduos e o resultado de suas ações privadas; ela é essencialmente, o conjunto incessantemente renovável da interdependência entre os indivíduos”. (ANSART, 2005) Entretanto cabe aqui salientar que esta interdependência é, sobretudo, invisível mas perceptível. Evocando aqui a teoria da Gestalt, compreendendo percepção como “a estrutura básica do ato de aprender, entendendo perceber como conhecer para, com base nos dados recolhidos, promover‐se a coordenação da conduta”. (MAMEDE-NEVES,) Assim sendo, o indivíduo é capaz de perceber todas as relações que o cerca, ainda que involuntariamente e mesmo que de forma oculta, sendo provocado a se adaptar a ela como forma de sobrevivência e reconhecimento no meio social. Surge mais uma vez o componente exclusivamente humano de sobrevivência, o autocontrole. Que pode ser pensado como a capacidade do indivíduo de, voluntariamente, recriminar suas pulsões, o que, inevitavelmente, provoca alguns tipos de tensões dentro das relações sociais fruto das “contradições entre os desejos do indivíduo parcialmente controlados pelo inconsciente e as exigências sociais representadas por seu superego”. Dessa forma afigura-se uma concepção a qual não podemos perder de vista, a de que a sociedade “é essencialmente, o conjunto incessantemente renovável da interdependência entre os indivíduos, relações que não cessam de se modificar e evoluir, e que são atravessados por tensões e conflitos que conduzem a desequilíbrios e a formas provisórias de integração”. (ANSART, 2005)

A vida social, portanto, não se constitui num convívio harmonioso entre os seres que a compõem. Pelo contrário, ela é na verdade “repleta de contradições, tensões e explosões. O declínio alterna-se com a ascensão, a guerra com a paz, as crises com os surtos de crescimento. A vida dos seres humanos em comunidade certamente não é harmoniosa”. E no centro dessa desarmonia encontram-se os desejos, sejam eles naturais – como comer, ou se proteger do frio -, sejam não naturais. No que toca aos não naturais estes figuram-se no lócus invisível ao qual cada indivíduo se coloca, como as “pedras da casa” de Aristóteles. Este local de pertencimento nos é apresentado por Norbert Elias a partir do papel, ou função, social pelo qual cada sujeito humano participa e promove as diversas relações dentro da dita sociedade. Elias a então nos apresenta um conceito que ela julga capaz de sustentar exemplarmente o exposto, para o autor as pessoas ligam-se umas às outras num tipo de “fenômeno reticular”, uma rede de relações à qual, inexoravelmente, não consegue fugir. De uma forma particular, no entanto, na concepção de Elias, no que se relaciona aos indivíduos humanos, estas relações são marcadas por sua capacidade única de mobilidade, de criar teias em outras extremidades do sistema por meio ta transição do indivíduo nesta rede social, formando uma trama de outras redes. Sobre isso vale transcrever aqui o que nos diz Marcos Leandro Mondardo:

Norbert Elias considera que a sociedade é formada por indivíduos que são singulares em cada tempo e em cada espaço. Contudo, é através dessas diferenças que, em cada tempo e em cada espaço, se formam e/ou são construídas diferentes sociedades. Sociedades, portanto, “projetadas” por tramas de relações sociais, de funções, de cadeias de atos (ações) que Norbert Elias chama de “fenômenos reticulares”, e que são produzidos no interior de uma rede móvel humana de relações de interdependência composta por estruturas, por cadeias, por limites e por possibilidades. (MONDARDO, 2009)

Na base desses mecanismos sociais encontram-se novamente as tensões, e estas começam a surgir quando algumas pessoas conquistam o monopólio de setores dessa rede social ou quando elas ameaçam o equilíbrio de redes às quais não pertence. Este ultimo se deve ao fato de que, para Elias, os fatores naturais não são responsáveis pelas funções sociais dos indivíduos. Estes na verdade, nascem com uma espécie de pretensão a determinada função por estar desde criança em contato com um universo de situações, objetos e conceitos apresentados pela rede social à qual pertence e por ser preparado para isso, diretamente por meio da família e indiretamente na juventude por meio da escola. Como bem pontua  Pierre Ansart: “cada ser humano recebe uma longa educação, que faz dele depositário de uma cultura, onde ele adquire um habitus próprio de seu grupo do qual ele é resultante e que lhe permite agir nos seio das relações de interdependência” (ANSART, 20050) E na tentativa de evitar este tipo de tensão surge a busca pelo controle das decisões nas redes sociais a que Elias denomina de monopólio. Este pode assumir essencialmente duas formas, a primeira no que se relaciona ao controle dos bens essenciais à sobrevivência e a segunda no que se refere ao controle dos meios de repressão, o monopólio da força:

Todo monopólio “econômico”, seja qual for a sua natureza, direta ou indiretamente se liga a outro, sem o qual não consegue existir: a um monopólio da força física e de seus instrumentos. Este pode assumir, como no período feudal, a forma de um monopólio das armas, não organizado e descentralizado, exercido por grande número de pessoas, ou ainda, como na época do absolutismo, a de um monopólio da violência física controlado por um indivíduo. (ELIAS, 1994)

O que se segue então, como consequência do que foi exposto acima é a luta por uma colocação social, ou mesmo por um bem, que dá origem ao que, segundo Elias, nenhum dos interessados se pretendeu. Trata-se aqui da tão aclamada – pelo menos nas sociedades capitalistas – concorrência. Na verdade, concorre-se não mais não menos do que pelos interesses particulares dentro da teia social. Aqui evoca-se o primeiro conceito descrito neste texto, o de que a sociedade nada mais é do que o resultado das decisões de indivíduos cujo objetivo é o pertencimento social. Traz-se novamente à baila esta concepção com vistas a compreender que as mudanças sociais se fazem por meio das decisões que os indivíduos fazem dentro do “sistema reticular”, mas também, e principalmente, para atentar para o fato de que por mais que estas decisões sejam conscientes, suas consequências nunca poderão ser controladas. Esta asserção vem firmar a concepção de Elias de que não há como se pensar no indivíduo o isolando da sociedade assim como não se pode conceber sociedade sem indivíduos. Posto que é esse descontrole das consequências de seus atos que provoca o indivíduo a moldar suas ações de maneira a se adaptar à nova trama que então se configura.

Importa também aqui tornar a afirmação de que nenhuma pessoa seria capaz de, por sua própria vontade, ordenar sistematicamente esse dito “fenômeno reticular”. O que ocorre, na verdade é que, a depender da posição à qual o indivíduo se insere, ele se vê dotado de maior ou menor prestígio dentro de sua rede, o que lhe afere maior capacidade de decisão frente ao grupo. Decidir, portanto, é uma ação inerente a todas as pessoas em todas as esferas sociais, contudo, a decisão de alguns se incorpora de maior aceitação do que a de outros.

Toda sociedade grande e complexa tem, na verdade, as duas qualidades: é muito firme e muito elástica. Em seu interior, constantemente se abre um espaço para as decisões individuais. Apresentam-se oportunidades que podem ser aproveitadas ou perdidas. Aparecem encruzilhadas em que as pessoas têm de fazer escolhas, e de suas escolhas, conforme sua posição social, pode depender seu destino pessoal imediato, ou o de uma família inteira, ou ainda, em certas situações, de nações inteira, ou de grupos dentro delas. Pode depender de suas escolhas que a resolução completa das tensões existentes ocorra na geração atual ou somente na seguinte. (ELIAS, 1994)

De todo o exposto acima, apreende-se a fundamental importância de se mudar a maneira de olhar para o conjunto social. De certo que nos acostumamos a observar o meio em que estamos inseridos como que algo externo a nós e por isso mesmo é que romper as barreiras a dualidade de significados às quais forjamos os conceitos de sociedade e indivíduo configura-se sobremodo difícil. Essa dificuldade se dá, na concepção de Norbert Elias, “pelo menos em parte, dos tipos de modelo de pensamento usados para refletirmos sobre essas relações”. Por fazermos parte desta teia imensurável de relações muitas das vezes não nos apercebemos das entremeadas redes de relações de força e de poder às quais estamos submersos. Importa então um novo olhar, uma nova compreensão deste “fenômeno reticular”, mesmo alertado pelo próprio autor de que “o esforço de reorientação necessário para romper com esses modelos não é menor, com certeza, do que o que se fez necessário quando os físicos começaram a raciocinar em termos das relações entre os corpos, em vez de partirem de corpos isolados, como o sol ou a lua”. Conceituar, portanto, indivíduo e sociedade, na visão de Norbert Elias é ter evidente que não é possível compreender um isolado do outro.

BIBLIOGRAFIA:

Ansart, Pierre. Tradução domestica: Sonia Bahia. Norbert Elias – uma síntese de pensamento, Abril de 2005. Disponível em: http://www.psicologiasocial.com.br/Norbert%20Elias.pdf – Acessado em 27 de setembro de 2012.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1994.

MAMEDE‐NEVES, Maria Aparecida. A Teoria de Campo Gestalt. Curso de especialização em Tecnologias em educação. Disponível em: http://josecicero.wikispaces.com/file/view/CA_UNID4_TEORIA_CAMPO_GESTALT.pdf – Acessado em 29 de setembro de 2012.

MONDARDO, Marcos Leandro. Globalização e Sociedade dos Indivíduos: Redes Sociais, Interdependência e Autocontrole. Biblioteca online de Ciências da Comunicação, 2009. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=1616 – acessado em 26 de setembro de 2012.

SALES, Veronique (org.) Os historiadores. São Paulo, Editora da UNESP, 2011.


[1] Texto escrito com o objetivo de avaliação da matéria eletiva “A idade moderna e o processo civilizatório”.

[2] Graduando em História pela Universidade Federal de Pernambuco.

[3] In SALES, Veronique (org.) Os historiadores. São Paulo, Editora da UNESP, 2011.

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Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 13 out 2012 @ 07 53 AM

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02 de dezembro de 1870



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