12 out 2012 @ 2:46 PM 
 

ENTRANDO EM CAMPO: O PROCESSO DE ESPORTIVIZAÇÃO NA INGLATERRA E NO BRASIL E AS FIGURAÇÕES SOCIAIS DO FUTEBOL BRASILEIRO

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CURSO DE HISTÓRIA

Diógenes Mendes Calado

ENTRANDO EM CAMPO: O PROCESSO DE ESPORTIVIZAÇÃO NA INGLATERRA E NO BRASIL E AS FIGURAÇÕES SOCIAIS DO FUTEBOL BRASILEIRO. – Diógenes Mendes Calado

Prof. : Severino Vicente.

Disciplina: Idade Moderna e o Processo Civilizador.

Recife, 2012.

ENTRANDO EM CAMPO: O PROCESSO DE ESPORTIVIZAÇÃO NA INGLATERRA E NO BRASIL E AS FIGURAÇÕES SOCIAIS DO FUTEBOL BRASILEIRO.

Diógenes Mendes Calado

Nem sempre o esporte – e os corpos que por ele se expressam – foram considerados objetos da história ou dignos de interesse do historiador. Até bem pouco tempo atrás seria muito difícil escrever um texto científico em história sobre esportes, processos de esportivização ou institucionalização de práticas corporais. Não que faltassem fontes, o que não havia era concepção, hoje já bem mais fortalecida, de que o esporte ultrapassa o mero jogo das atividades físicas e pode, assim como as artes plásticas, a literatura, o teatro, o cinema etc, contribuir para uma melhor compreensão cultural e histórica das sociedades.

(BRANDÃO, 2010)

O PROCESSO DE ESPORTIVIZAÇÃO E O INÍCIO DA HISTÓRIA DO FUTEBOL NA INGLATERRA.

Segundo Nobert Elias os esportes são atividades que se iniciam nos séculos XVII e XIX na Inglaterra, implicando numa mudança do padrão de comportamento dos indivíduos em sociedade, nesse caso como se trata de jogos e passatempos chamamos de processo de esportivização. (LESSA, 2010)

Nesse tempo um dos primeiros passatempos ingleses era a caça à raposa, e se transformou ganhando características ligadas ao que denominamos esportes. Esses primeiros passatempos se configura, portanto no primeiro estágio do processo de esportivização, que conforme o contexto citado emerge sob a perspectiva de uma experiência de excitação agradável onde não se arriscava à violência ou à desordem.

Um dado relevante a se observar nesse primeiro estágio do processo de esportivização segundo a socióloga Joana Lessa é que ele ocorre numa Inglaterra pré-industrial, pois com o desenvolvimento dos transportes e das comunicações, um fato que possibilitou a realização de jogos entre cidades mais distantes; surge um novo estágio desse processo, ora antes e principalmente a nobreza usava para seu lazer, mas agora ocorre uma mudança no equilíbrio de poder e o que acontece é que os praticantes vão em busca de resultados, ou seja eles se arriscam para o alcance da vitória.

Conforme Elias e Dunning esse novo sentido é considerado como uma tendência dos esportes à seriedade. (LESSA, 2010). De fato com o advento da industrialização e essa nova conjuntura social inglesa teremos um desenvolvimento que torna aquele amadorismo presente pela excitação agradável numa perspectiva ideológica num discurso que vai combater a crescente profissionalização dos novos esportes, como o rúgbi e o futebol. Afirma J. Lessa que um processo importante para essa ideologização é a popularização dos esportes.

Contudo com essa popularização do futebol um fato novo começa a implicar, a burguesia industrial, pois como se sabe o futebol não tinha regras e sua prática era muita das vezes de forma violenta, então o que acontecia com isso, devido as lesões e o cansaço interferiam na produtividade industrial prejudicando assim o lucro dos grandes patrões.

Era preciso neste momento regulamentar esses jogos para que ficassem menos violentos, com isso trazia a prática para dentro da esfera do estado. E não foi diferente, a classe burguesia industrial triunfou, e suas regulamentações esportivas se massificaram, tornando o futebol em um esporte de massa e, além disso, os burgueses descobriam o futebol como meio de despolitização dos trabalhadores na década de 1860. O objetivo era bem claro conforme diz Marco A. de Lima:

Eles precisavam manter os operários à margem da atividade política dentro de suas organizações de classe. Podemos perceber que a regulamentação das regras do futebol, e outros jogos, veio em um momento histórico onde o operariado começa a reinvidicar os seus direitos e começavam a se tornar uma classe política. Nada melhor para a burguesia industrial do que controlar, a partir da criação de regras, um jogo em que a maioria proletária praticava. (DE LIMA, 2002)

Surge então uma nova etapa desse processo de esportivização: a difusão e popularização global. Portanto ao ser esportivizado, o futebol se disseminou pelo mundo, porque as regras uniformes e organização própria se divulgaram facilmente por suas praticantes. Tem enorme contribuição os estudos de Elias e Dunning, pois eles nos dizem que independente das estruturas dos países a serem contaminados com essa nova forma de lazer e logo depois a constituírem suas federações foram os europeus, um marco importante para a compreensão da sociogênese do esporte moderno.

O PROCESSO DE ESPORTIVIZAÇÃO E A HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL.

Com o desenvolvimento do expansionismo do futebol que é justamente nessa fase do terceiro estágio do processo de esportivização do futebol na Inglaterra, marca a chegada dos primeiros esportes britânicos ao Brasil.

O futebol chega ao Brasil num contexto sócio-histórico marcado pela industrialização e urbanização, bem como num momento em que é abolida a escravidão e vai ocorrendo um processo de revolução burguesa tardia, não se pode esquecer também o fato que a nação se construía conforme as inovações europeias: esportes como o próprio futebol além de corridas de cavalo e o remo; linguagens culturais como o cinema e o teatro e mudanças estruturais como a luz elétrica, bonde elétrico, automóvel entre outros. Tais inovações influenciaram muito nos costumes do brasileiro.

Mais tarde o futebol reunirá milhares de pessoas em torno de sua prática, o ápice será em 1950 onde aconteceu, no Brasil, a primeira copa do mundo após a segunda guerra mundial, e oito anos mais tarde, em 1958, a primeira de nossas cinco conquistas em copas do mundo.

Semelhante ao que ocorreu na Inglaterra, o primeiro estágio do processo de esportivização do futebol brasileiro foi de forma de divertimento e praticado pela elite, seja representada pelos jovens que retornavam de seus estudos em universidades europeias, seja por dirigentes das fábricas ou dos professores das escolas (estas existiam apenas para esta camada social).

É necessário compreender que nesse momento histórico e conforme os padrões de civilização na época, era comum aquelas famílias que tinham condições financeiras favoráveis mandarem seus filhos para estudar na Europa, para que eles pudessem ter uma educação de qualidade e um melhor status social. (BOSCHILA, 2007. Pág 7)

Segundo Nicolau Sevcenko o futebol se popularizou por dois caminhos: um foi dos trabalhadores das estradas de ferro, que deram origem às várzeas, o outro foi através dos clubes ingleses que introduziram o esporte dentre os grupos de elite.

A partir dessa popularização teremos a formação de clubes populares que consistiam naqueles formados por trabalhadores, comerciantes, entre outros indivíduos que não atendessem aos critérios da elite aristocrática do país. Sobre isso afirma Joana Lessa:

Essas instituições formadas, oficiais e suburbanas, vão ser espaços de disputa do campo futebolístico: de um lado, os dominantes, os clubes tradicionais, legítimos representantes do esporte europeu, os verdadeiros sportmen defensores da prática amadora orientada para o divertimento; de outro, os recém-chegados, que buscam conquistas espaço no campo através da vitória em campo, utilizando para isso estratégias que vão de encontro aos valores amadores.

Aos poucos o que a autora afirmou vai acontecer a chamada crise do amadorismo do futebol brasileiro entre os anos 1920 e 1930. Decorrente dessa popularização do futebol surge então a uma mais nova mudança no processo de esportivização, aquele estágio inicial de divertimento (amadorismo) passa a ganhar agora um status de profissionalismo.

O marco do profissionalismo no Brasil é a inclusão dos futebolistas na legislação trabalhista no governo de Getúlio Vargas. Enfim se consolida um novo sentido que anos antes o futebol adquiriu na Inglaterra e na Europa de forma geral, essa passagem do amadorismo para o profissionalismo (LESSA, 2010).

AS FIGURAÇÕES SOCIAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

Decorrente da crescente profissionalização do futebol brasileiro, ou seja dessa mudança do amadorismo para o profissionalismo, processo este que aconteceu por volta da década de 20 e 30 na chamada crise do amadorismo, levou a formação de diferentes figurações sociais da prática futebolística.

Através dessas diversidades de práticas do futebol admiti-se, portanto a existência de “futebóis”. Oriundo dessa diversidade de maneiras de praticar o futebol se desenvolve a ideia de matrizes, na qual se aponta a existência de quatro tipos principais de futebol: escolar, bricolada, espetacularizada ou profissional e comunitária.

A MATRIZ ESCOLAR

O futebol praticado nas escolas, integrado aos conteúdos da educação física. Mas atenção o futebol jogado no recreio, ou antes, do início das aulas; no pátio das escolas, pratica-se quase sempre, o modelo bricolado, pois o pátio é, em relação às salas de aula, um espaço menor institucionalizado.

Um exemplo marcante da matriz escolar é o futebol praticado nas “escolinhas”, bem como o futebol praticado por universitários.

A MATRIZ BRICOLADA

Por futebol bricolado são compreendidas as configurações nas quais se admite as mais diversas variações a partir da unidade futebolística. Não há agências para controlá-lo, não há limites para a invenção, com essas características poder-ser-ia denominá-lo de futebol de improviso ou informal.

Um jogo bricolado pode ser jogado por três jogadores em cada equipe, onde eles podem estar calçados ou não, o tempo da partida é conforme eles decidirem ou seja, são os próprios atores que fazem suas regras.

Esta matriz contempla a diversidade de práticas do dia-a-dia, os exemplos são inúmeros: futebol de rua, a famosa pelada enfim os jogos abertos, onde cada grupo define seu horário, local, códigos de conduta conforme o conhecimento que existe sobre o futebol.

Diversas pesquisas foram realizadas sobre essa matriz, referindo-se a forma de prática do futebol em algum local específico.

Recentemente a rede globo nordeste através do programa globo esporte se direcionava com sua equipe de repórteres a algum bairro conforme era feito o pedido e mostravam a organização da sua “pelada” daquela determinada comunidade.

A MATRIZ ESPETACULARIZADA OU PROFISSIONAL

É a matriz da organização monopolista, globalizada e centralizada através da FIFA e seus grandes cartolas, da divisão social do trabalho e a excelência performática exigida dos participantes.

Afirma Joana Lessa:

Do ponto de vista de quem pratica, a matriz espetacularizada é caracterizada pela ação de atletas profissionais, que estabelecem relações institucionalizadas de trabalho com instituições específicas (os clubes), sendo reguladas pela legislação esportiva. Esta é uma característica específica importante a ser destacada e que subsidia a denominação de “profissional” para esta matriz e de “amador” para as demais. (LESSA, 2010)

A MATRIZ COMUNITÁRIA

É a matriz que esta entre a espetacularizada e a bricolada. Corresponde ao tempo de lazer dos seus praticantes, realizada em espaços mais padronizados do que a bricolagem, mas sem a ortodoxia dos campos oficiais.

Em boa parte do Brasil é o chamado “futebol de várzea” daí então remetemos aos primeiros tempos do futebol no país, aquele praticado pelos trabalhadores das ferrovias.

CONCLUSÃO SOBRE ESSAS MATRIZES:

Se repararmos bem muitos jogadores profissionais pode figurar seu estilo de jogo com essas matrizes, um exemplo: Messi pode muito bem querer jogar uma bricolada em campo numa partida decisiva de um campeonato espanhol, onde deveria ser extremamente profissional esta ai presente uma marca que o atleta ganha com essas matrizes de poder circular entre elas e escolher qual melhor figuração aceita para o momento.

BIBLIOGRAFIA

BOSHILIA, Bruno. Jr, Wanderley Marchi. Esportivização, formaçãodas regras e desenvolvimento do futebol: possibilidades de leitura a partir de Elias e Veblen. Disponível em: http://www.uel.br/grupo-estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais10/Artigos_PDF/Bruno_Boschilia.pdf. Acessado em: 03/06/2012.

BRANDÃO, Leonardo. O esporte e a escrita da história: novos desafios. Disponível em: http://web2.cesjf.br/sites/cesjf/revistas/cesrevista/edicoes/2010/13_HISTORIA_esporte.pdf. Acessado em: 03/06/2012.

DAMO, Arlei Sander. Do dom à profissão. Uma etnografia do futebol espetáculo a partir de jogadores no Brasil e na França. Disponível em: http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/175525_Damo%20(D)%20-%20Do%20dom%20a%20profissao.pdf. Acessado em: 15/06/2012.

ELIAS, Norbert. O processo civilizador, vol1 uma história dos costumess. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1994.

LESSA, Joanna. Entre amadorismo e profissionalismo – o exemplo do processo de esportivização brasileiro a partir do futebol. Disponível em: http://www.uel.br/grupo-estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais12/artigos/pdfs/comunicacoes/C_Silva2.pdf. Acessado em: 28/04/2012.

_________________. Futebol: Amadorismo em tempos de profissionalismo. Disponível em: http://www.rcs.ufc.br/edicoes/v42n1/rcs_v42n1a4.pdf. Acessado em: 12/08/2012.

_________________. “Futebóis”: Uma análise das figurações construídas no processo de esportivização no Brasil. In: SOUZA, Edilson Fernandes de. Escritos a partir de Norbert Elias. Vol. 2. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2010.

LIMA, Marcos Antunes de. As Origens do Futebol na Inglaterra e no Brasil. Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra14/futebol.html. Acessado em: 03/08/2012.

REIS, Heloisa helena Baldy dos. ESCHER, Thiago Aragão. A relação entre futebol e sociedade: Uma análise histórico-social a partir da teoria do processo civilizador. Disponívelem:http://www.uel.br/grupoestudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais9/artigos/mesa_debates/art15.pdf. Acessado em: 29/08/2012.

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Posted By: Biu Vicente
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02 de dezembro de 1870



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