13 dez 2010 @ 4:11 PM 
 

A Devoção a Nossa Senhora do Carmo, Recife, PE

 

 

A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DO CARMO EM RECIFE/PE

 Trabalho apresentado por João Paulo Andrade Rodrigues do Ó.

na Disciplina Problemas da História do Nordeste,

ministrada pelo Prof; Severino Vicente da Silva,

segundo semestre de 2010.

1 ORIGEM DOS CARMELITAS E DA ORDEM

            Os primeiros carmelitas surgem no século XII no Monte Carmelo, do hebraico “jardim”, uma montanha situada junto do Mar Mediterrâneo e da Baía de Haifa.

Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o retrata como uma torrente – a fonte de Elias – e uma vinha muito fértil. O Monte Carmelo é rico em cavernas, bosques, dunas, arbustos e plantas aromáticas, elementos que contribruem para a beleza da paisagem e que serviram de inspiração ao Rei Salomão para expressar a beleza da esposa no Cântico dos Cânticos: “A tua cabeça sobre ti é tão linda quanto o Carmelo e teus cabelos como a púrpura” (Ct 7,5)   

O Monte Carmelo é considerado sempre em sua referência no mundo bíblico como sinal de graça e de bênção. (BOAGA, 1989, p. 23)

             Foi no Monte Carmelo onde segundo a tradição bíblica viveram os dois grandes profetas de Israel: Elias e Eliseu.

Segundo Sciadini (1997, p. 16) Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, seu nome significa “Javé é Deus”.

O profeta Elias aparece na Sagrada Escritura como o homem que caminha sempre na presença de Deus e combate, inflamado de zelo, pelo culto do único e verdadeiro Deus. Reivindica os direitos divinos no desafio feito aos profetas de Baal, goza no Horeb da íntima experiência do Deus vivo.

Segundo São Gregório Magno[1]:

O Horeb representa um exercício habitual das virtudes num espírito de graça. A caverna é o mistério da sabedoria escondida na alma, e seu santuário. Quem nela penetra terá a intuição profunda e mística do saber “que supera toda ciência” e na qual se manifesta a presença de Deus. Pois se alguém, como o grande profeta Elias, busca verdadeiramente a Deus, deve não somente “subir ao Horeb” (e é evidente que quem se consagrou à ação deve também aplicar-se à virtude), como também “penetrar no interior da caverna” situada sobre o Horeb, isto é, estar completamente dedicado à contemplação, na obscuridade e no mistério mais profundo da sabedoria, fundada sobre uma prática habitual da virtude.

Segundo a tradição bíblica eremitas passaram a habitar o Monte Carmelo, esses cristãos viviam na simplicidade, buscando a solidão e a oração, vivendo em obséquio de Jesus Cristo, isto é, no seu seguimento e a seu serviço. Construíram uma capela e a dedicaram a Virgem Maria, com o passar do tempo, começaram a ser chamados de Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo ou Carmelitas.

Os carmelitas têm por característica essenciais a origem eliana e a dedicação a Maria. 

Por força da instabilidade política da Palestina e pelas dificuldades provenientes dos sarracenos que iam ganhando espaço, no ano de 1238, os carmelitas migram para a Europa. (BOAGA, 1989, p. 38).

 Os primeiros carmelitas sentiram a necessidade de se organizar e de criar uma regra para sua convivência, regra esta elaborada por Alberto, Patriarca de Jerusalém e aprovada pelo Papa Inocêncio IV em 1241.

Surgem assim rapidamente vários conventos carmelitas na Europa, que ao exemplo dos Agostinianos, Dominicanos e Franciscanos passam a vivenciar os valores evangélicos de maneira mais radical.

Segundo Boaga (1989, p. 25) “a vida apostólica está interpretada como vida comum em pobreza coletiva e em pregação itinerante e mendicante, esta vida apostólica é a resposta às exigências do ideal da pobreza evangélica”.

Assim, nasceu no Carmelo um modo de “vida mista”: a vida ativa se exerce como fruto e consequência da contemplação que continua sendo fundamento e princípio da vocação carmelitana.

 

2 OS CARMELITAS EM PERNAMBUCO

No final do século XVI, durante o período do padroado, a Coroa Portuguesa com o objetivo de povoar as terras brasileiras, desenvolveu estratégias de ocupação. Para isso, contou com a ajuda da Igreja, trazendo para a colônia religiosos de diversas ordens religiosas, entre as quais, os carmelitas.

A Igreja Católica influenciou e participou do processo de formação da nossa sociedade, principalmente nos três primeiros séculos de colonização, era quase impossível viver na colônia sem seguir ou respeitar a religião católica. (HOONAERT, 1978, p.13)

Foi em Pernambuco onde desembarcaram os primeiros carmelitas e se estabeleceram no Brasil, vindos de Portugal, no ano de 1580. Aportados em Olinda, receberam de doação uma ermida dedicada a Santo Antônio. Construíram com ajuda dos olindenses e do Reino, a primitiva Igreja e convento do Carmo de Olinda. É nesse momento que é implantada a semente da devoção a Nossa Senhora do Carmo em Pernambuco.

No século XVII, as ordens religiosas que possuíam conventos em Olinda, passam também a desejar fundar conventos em Recife, e os carmelitas não ficaram de fora. Receberam no final do século XVII como doação o Palácio da Boa Vista, pertencente a Maurício de Nassau. (MEDEIROS, 2003, p. 168)

Em 1665, o Capitão Diogo Cavalcanti Vasconcelos deu início às obras de construção da Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Recife, mandando executar, com os seus próprios recursos, a capela-mor.

Concluída em 1767, a Igreja do Carmo, apresenta características arquitetônicas que apontam para a fase de transição do barroco, passando do seiscentismo para o setecentismo. Ricamente ornamentada, possui a Igreja uma beleza rara e uma singular importância para a história da arte barroca em Pernambuco.

A atividade pastoral e intelectual propiciou o bom conceito da comunidade carmelita do Recife perante a população, o que resultou em uma devoção ainda maior à Virgem do Carmo.

Na segunda metade do século XVIII, a rainha Dona Maria I, em sinal de reconhecimento pelos trabalhos desenvolvidos pelos carmelitas, doa para a Ordem, uma belíssima imagem de Nossa Senhora do Carmo, feita de cedro maciço, no estilo barroco rococó, medindo 2 metros e meio de altura e ornada de luxuosas jóias.

Os frutos da atividade intelectual e missionária vão surgir no começo do século XIX, quando inúmeras personalidades ligadas ao Carmelo vão se destacar nas mais variadas áreas do conhecimento, tais como: Botânica e Ciências Naturais, Gramática, Retórica, Geometria, Filosofia Política, História e Geografia.

Segundo Américo Jacobina Lacombe (1993, p.75):

… coube afinal à Igreja, na formação da nacionalidade, o aspecto mais nobre da colonização. Quase tudo que se fez em matéria de educação, de cultura, de catequese e de assistência social, correu por conta de sua hierarquia, de seu cleto, de seus religiosos.

 

 

3 A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DO CARMO

A partir de 1828, tem-se notícias das Solenidades em honra a Nossa Senhora do Carmo, apesar de não ser ainda a padroeira do Recife, mas sim Santo Antonio.

Segundo Severino Vicente (2007):

”no século XIX cresce a importância dos frades carmelitas na sociedade recifense, em uma época de mudanças, tanto na vida urbana quanto na religião católica que estava inicianado uma reforma interna, e essa reforma afetou as práticas de expressão externa na religiosidade dos católicos.

 

 Em 1850, o governo imperial proibe às ordens religiosas receber novos noviços, o que significa uma ameaça a continuidade das ordens em território brasileiro em um curto espaço de tempo, sem falar nas constantes investidas dos Bispos para incorporarem à Mitra Diocesana o patrimônio dos religiosos. (MEDEIROS, 2003, p. 170). 

O reerguimento da Ordem do Carmo em Pernambuco começa no final do século XIX, com a chegada dos frades carmelitas espanhóis, oriundos das províncias de Aragão, Valência e Catalunha.

A festa e a devoção à Virgem do Carmelo começa a ganhar força e notabilidade a partir da chegada dos espanhóis, isso porque os hispanos incentivam a devoção de forma lúdica, ao mesmo tempo que educam para a preparação aos sacramentos e a participação na procissão e na missa solene, em geral, presidida pelo bispo diocesano.

Na sua tradição, sobretudo a partir do século XVI, o Carmelo manifestou a proximidade amorosa de Maria ao povo mediante a devoção do Escapulário[2]: sinal de consagração a ela, meio de agregação dos fiéis à Ordem Carmelita e forma popular de evangelização.

Segundo o Papa Pio XII[3] (1950):

“entre todas as devoções a Maria, deve-se colocar, em primeiro lugar, a do Escapulário dos Carmelitas, a qual, pela sua simplicidade ao alcance de todos e pelos abundantes frutos de santificação que tem produzido, se acha extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”.

 

 Acontece que o culto a Nossa Senhora do Carmo vai ganhando cada vez mais espaço na cidade, enquanto que o padroeiro, Santo Antônio, vai caindo em importância, pois os franciscanos alemães que chegaram para restaurar a Ordem Franciscana, não tiveram a mesma sensibilidade para com as devoções populares.

Aproveitando a “queda de popularidade” do antigo patrono, os frades carmelitas de grande respaldo na sociedade pernambucana empreendem a campanha da Senhora do Carmo como Padroeira do Recife. A população adere a ideia, e em 1909, Nossa Senhora do Carmo é proclamada oficialmente Padroeira do Recife.

Os frades carmelitas ajudados por leigos influentes, conseguem que o dia 16 de julho seja feriado municipal. Encabeçam uma grande campanha pela coroação canônica, cuja aprovação é dada pelo Papa Bento XV. Em 21 de setembro de 1919, a imagem doada por Maria I sai da Igreja do Carmo, desfila pelo centro do Recife até o Parque 13 de Maio, onde é coroada solenemente, com a presença de 34 bispos brasileiros. Diante do êxito da coroação, os frades lançam, três anos depois, a campanha para a Igreja do Carmo receber o título de Basílica, o que acontece em 1921. Em 1922, é celebrada a cerimônia solene de Sagração da Basílica, presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Miguel de Lima Valverde. (MEDEIROS, 2003, p. 171-172).

As festividades dos 700 anos do Escapulário, foi sem dúvida nenhuma, a maior obra missionária já realizada pelo Carmelo brasileiro. Houve, portanto, pela primeira vez, uma ação conjunta entre os frades Calçados[4] e os Descalços[5]. A peregrinação da Imagem de Nossa Senhora do Carmo percorreu todas as capitais e cidades mais importantes do Brasil, entre o período de 31 de agosto de 1950 e 14 de julho de 1951. Além da visita da imagem, houve pregação dos frades, confissões, distribuição de milhares de escapulários, culminando no Congresso Nacional do Escapulário, com a participação de inúmeros estudiosos nacionais e internacionais sobre os mais variados temas ligados ao Carmelo.

Um dos elementos fundamentais que atraía, e atrai até hoje, a população para a novena do Carmo é a música. Desde a chegada dos espanhóis, alguns deles músicos,  o uso da música foi incetivado. Trouxeram uma novena própria, para coral e orquestra, bem como o Ofício solene das Vésperas, cantado na noite do dia 15 de julho. Além da beleza dos cantos, que variam em latim e português, estes cantos são exclusivos e escutados apenas durante as festividades de Nossa Senhora do Carmo.

Desde os anos 1980, a procissão não termina dentro da Basílica, em virtude do grande número de fiéis que a acompanha. Arma-se um palanque na frente do templo, e o Arcebispo fala e dá a bênção final da parte religiosa da festa.

Assim como algumas devoções marianas são celebradas nos terreiros[6] afrobrasileiros, Nossa Senhora do Carmo também é celebrada no Recife, no Xangô e na Umbanda. É sincretizada com o orixá feminino que é a divindade das águas doces e do ouro, chamada Oxúm. É representada pela cor amarela, é comum encontrar pessoas vestidas dessa cor durante as festividades do Carmo, o que pode-se concluir trata-se de pessoas praticantes desses cultos ou simpatizantes. (MEDEIROS, 2003, p. 174) 

 

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Maria das Graças Aires. A influência da Ordem Carmelita no processo de formação da sociedade pernambucana. In: II Encontro Internacional de História Colonial. Natal, 2008.

BOAGA, Emanuele. Como pedras vivas: para ler a história e a vida do Carmelo. Roma, 1989

______. A Senhora do Lugar: Maria na história e na vida do Carmelo. Paranavaí, 1994.

HOONAERT, Eduardo. Formação do catolicismo brasileiro: 1550-1800. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1978

LACOMBE, Américo J. Ensaios Históricos. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1993.

MEDEIROS, Batolomeu Tito F. Nossa Senhora do Carmo do Recife: a brilhante Senhora dos muitos rostos e sua festa. 1987. Dissertação (Mestrado) – Curso de Antropologia, UFPE, Recife, 1987.

______. “… me chamarão Bem-aventurada”: Textos de Mariologia Carmelitano. Recife: Gráfica Dom Bosco, 2003.

PROVÍNCIA CARMELITANA PERNAMBUCANA. Basílica do Carmo: História, Cultura e Fé. Recife: Gráfica Dom Bosco, 2002.

______. Em oração com Maria, Mãe do Carmelo. Recife: Gráfica Dom Bosco, 2005.

PROVÍNCIA CARMELITANA DE SANTO ELIAS. Carmelita: um estilo de vida. Belo Horizonte, 1980.

MESTERS, Carlos. A caminhada do profeta Elias. Curitiba: Gráfica Damasco, 1991.

SCIADINI, Patrício. O Carmelo: história e espiritualidade. São Paulo: Loyola, 1997.

SILVA, Severino Vicente. Padroeiros e Padroeiras do Recife. Recife: UFPE, 2007. Disponível em: <http://www.biuvicente.com/blog/?p=175>. Acesso em: 01 dez. 2010.

www.festadocarmo.com.br acesso em 01/12/2010

http://ocarm.org/es/content/ocarm/origen  acesso em 01/12/2010

www.pcp.org.br acesso em 01/12/2010

http://www.carmelitas.org.br/default.asp?pag=p000032 acesso em 01/12/2010

http://iconacional.blogspot.com/2008/07/hegemonia-do-culto-do-carmo-no-recife.html acesso em 01/12/2010

http://www.carmelitasmensageiras.com.br/carmelo.htm acesso em 01/12/2010

 

 


[1] Monge beneditino, governou a Igreja durante 14 anos (590-604). Foi o responsável pela divulgação e expansão da música sacra, principalmente a que conhecemos como Canto Gregoriano.

[2] O Escapulário do Carmo está ligado a uma tradição carmelita, na qual, Nossa Senhora do Carmo teria aparecido a São Simão Stock, em 1251, trazendo o escapulário na mão e dizendo: “aquele que fizesse parte da Ordem (recebesse e usasse o escapulário como sinal dessa pertença) seria salvo definitivamente. Portanto, o Escapulário é um sinal externo da devoção a Maria. O escapulário recorda aos seus utilizadores o compromisso da Ordem Carmelita e o seu modo de vida e a dimensão mariana do carisma carmelita

[3] Governou a Igreja durante 19 anos (1939-1958), a sua ação durante a II Guerra Mundial tem sido alvo de debates e polêmicas.

[4] Frades da Antiga Observância

[5] Frades reformados por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz em 1593.

[6] Nome mais comum que se dá aos templos das tradições afrobrasileiras, entre elas o Xangô e a Umbanda.

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Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 13 dez 2010 @ 04 13 PM

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02 de dezembro de 1870



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