Cultura e cultura do povo brasileiro

 

Universidade Federal de Pernambuco

Atividade apresentada ao professor Severino Vicente

da disciplina História da Cultura

do Primeiro período do curso de turismo.

 Tatiana Patrícia de Lima Silva

Victor Webster Barbosa Araújo

Recife-Pe

Maio-2010

 

 

 

 

A definição de cultura é de suma importância para realização de qualquer comentário sobre nosso estudo da História da Cultura. Segundo Peter Burke, cultura é um sistema de significados, atitudes e valores partilhados e as formas simbólicas (apresentações, objetos artesanais) em que eles são expressos ou encarnados. Logo, conclui-se que cultura é tudo o que fazemos, aprendemos, transmitimos e transformamos. Nós homens, seres humanos, somos os únicos seres capazes de produzir cultura, pois, apesar de sermos incompletos e não termos nenhuma especialização (nadadeira para nadar, asas para voar, membros inferiores resistentes para correr, etc.), possuímos algumas características, como cintura escapular que favorece a postura ereta do corpo e visão estereoscópica, e outras que nos dão condições de produzir cultura.

Outro conceito de cultura é o de cultura popular, a cultura do povo, da não-elite, segundo Peter Burke escreveu em seu livro “Cultura Popular na Idade Moderna”. Burke coloca a necessidade de se pensar nos artesãos e camponeses dos inícios da Europa Moderna a partir de um mundo totalmente diferente do atual, sem conceitos e valores contemporâneos; conselho esse, aliás, relacionado ao tratamento da sociedade colonial. É evidente que ele apresenta sua hipótese, a de que a cultura popular, nos inícios do período moderno, não era estranha à minoria culta da ocidentalidade européia, essa a tinha como uma espécie de segunda tradição. Em outras palavras, tanto a maioria da população quanto sua pequena parcela erudita compartilhava de uma cultura comum. Percebe-se por essa leitura que até pelo menos a primeira metade do século XVII, as elites participavam das festas de rua e carnaval, juntamente com os grupos menos favorecidos. Isto significa dizer que ao longo dos tempos modernos, a Renascença, as Reformas Religiosas, a Revolução Científica e a Ilustração fizeram com que a cultura erudita se transformasse, ao passo que entre pequenas e grandes tradições, uma imensa distância foi estabelecida.

João e Maria, cultura alemã em porcelana alemã João e Maria, cultura alemã em porcelana alemã

No século XIX, a cultura tradicional se transforma em folclore. Na realidade, as elites intelectuais redescobrem a cultura popular no século XIX, a partir da perspectiva do folclore. Como causa, ou conseqüência de tais transformações, Burke afirma que a reforma Tridentina, assim como as reformas protestantes de um modo geral, reformularam a religiosidade popular na Europa a partir do século XVI, visando mudar suas extravagâncias carnavalescas e exterioridades.

Em relação a isso, Burke entende que o significado do conceito está em função da hierarquia das classes sociais, entre a classe da elite e a classe da não-elite. Assim, a cultura popular seria como uma cultura não oficial, como a cultura da não-elite, das classes subalternas; do outro lado, a cultura oficial pertenceria à elite. Então, para o autor, tal definição chamaria a necessidade de analisar a sociedade, decompondo-a em classes, para, então, entender quem é o “povo comum” detentor da cultura popular.

E não podemos falar de cultura e não falar da nossa cultura, a cultura

Darcy Ribeiro com fardão da Academia Brasileira de Letras Darcy Ribeiro com fardão da Academia Brasileira de Letras

 brasileira, rica, mestiça e única. E que segundo Darcy Ribeiro a nossa cultura é sustentada por pilares: as matrizes que compuseram o nosso povo, as proporções que essa mistura tomou em nosso país, as condições ambientais em que ela ocorreu, e os objetivos de vida e produção assumidos por cada uma dessas matrizes. Darcy Ribeiro nos faz refletir sobre nossa formação e nos envia às nossas origens, à história que como brasileiros fomos construindo. A realidade com a qual nos deparamos traz reflexões e pontos de vista oriundos de outros contextos que, para a nossa formação histórica, não são suficientes para nos explicar como povo. Retomando nossa história, Darcy começa a descrever como foi acontecendo a gestação do Brasil e dos brasileiros como povo. Nessa reconstituição ele enfatiza a confluência, ou seja, fala da união ocorrida entre portugueses, índios e negros, matrizes étnicas do brasileiro. Um povo novo que, no dizer de Darcy, se enfrenta e se funde, fazendo surgir, “num novo modelo de estruturação societária”. Para ele, essa mestiçagem fez nascer um novo gênero humano. Nova gente, mestiça na carne e no espírito.

Ao contrário do que se podia imaginar, um conjunto tão variado de matrizes formadoras não resultou num conjunto multiétnico. Diz:

… apesar de sobreviverem na fisionomia somática e no espírito dos brasileiros os signos de sua múltipla ancestralidade, não se diferenciaram em antagônicas minorias raciais, culturais ou regionais, vinculadas a lealdades étnicas próprias e disputantes de autonomia frente à nação.

Com pequena exceção a grupos que sobrevivem de maneira isolada, que mantendo seus costumes, mas que, segundo Darcy, não podem afetar a macro-etnia em que se encontram. Dessa unidade étnica básica, ele não quer propor uma uniformidade entre os brasileiros, ele esclarece está questão distinguindo três forças diversificadoras: a ecológica, a econômica e a imigração. Estas formam os fatores que tornaram presente os diferentes modos de ser dos brasileiros, espalhados nas diversas regiões do território brasileiro.

Propõe assim que, apesar das diferentes matrizes racionais nas quais se formaram os brasileiros, também por questões culturais e por situações regionais, “os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia”. Formamos uma etnia nacional única, um só “povo incorporado”.

Para Darcy formamos a maior presença neolatina no mundo. Somos uma “nova Roma”. Segundo ele, melhor, porque racialmente lavada em sangue índio, em sangue negro. Esta nossa singularidade nos condena a nos inventarmos a nós mesmos e desafiados a construir uma sociedade inspirada na propensão indígena para o convívio cordial e para a reciprocidade e a alegria saudável do negro, extremamente alternativa.

 

 

 

Bibliografia

 

Burke, Peter. Cultura Popular na Idade Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Documentário O Povo Brasileiro, baseado na obra de Darcy Ribeiro.

Sites:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070521123958AA1eFMY

http://pt.shvoong.com/social-sciences/1625257-povo-brasileiro/

http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/o-povo-brasileiro-de-darcy-ribeiro.html

http://www.pedromundim.net/PovoBras.htm

http://www.midiaindependente.org/pt/red/2007/08/389559.shtml

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