Pretas de Honra: trabalho, cotidiano e representações de vendeiras e criadas no Recife do século XIX (1840-1870).

SILVA, Maciel Henrique Carneiro da: Pretas de Honra: trabalho, cotidiano e representações de vendeiras e criadas no Recife do século XIX (1840-1870).  Dissertação (Mestrado em História) UFPE: Recife, 2004. 295p.

 

Resenhado por Carlos Antônio Pereira Gonçalves Filho*

 

           

            Escrever sobre o Recife e sua história tem sido uma atividade permanente de muitos pesquisadores que vêem destacado diversos aspectos da vida cultural, social e política da capital pernambucana ao longo de várias épocas. Uma parte consideravelmente importante desse conhecimento histórico já produzido sobre a cidade do Recife, encontra-se na universidade sob a forma de teses e dissertações, trabalhos estes que resultaram de uma extensa e exaustiva pesquisa em nossos arquivos públicos e que revelam muitas facetas desconhecidas de nossa história urbana.

            Assim é, por exemplo, o caso da dissertação de Maciel Henrique Carneiro da Silva, um trabalho que vem descortinar o mundo das vendeiras e criadas que circulavam pelo Recife no século XIX. A obra aborda o cotidiano das escravas e libertas que vendiam gêneros diversos pelas ruas da cidade ou que atuavam nos serviços domésticos como mucamas, lavadeiras, engomadeiras e costureiras. Seguindo os caminhos percorridos por estas personagens, o autor nos apresenta um cenário urbano complexo, delineado pelas práticas de sobrevivência dessas mulheres que precisavam, a todo instante, marcar seu espaço, seja através da desobediência deliberada às posturas repressoras do poder público, seja pela apropriação e manipulação de idéias e preconceitos de uma sociedade escravista e patriarcal.

            Utilizando um amplo leque de fontes que vai de jornais a processos da justiça, o trabalho de Maciel Henrique, permite ao leitor ter não só uma visão de como era a cidade fisicamente na época, mas também perceber como se davam determinadas relações sociais que marcavam o cotidiano das cativas e libertas no espaço público e privado do Recife oitocentista. Vale destacar, ainda, que o autor empreende uma importante discussão a cerca das representações que a sociedade da época tinha dessas trabalhadoras e de como tais representações influíam na contratação de serviços e eram percebidas pelas próprias vendeiras e criadas.

            Trabalhos como o de Maciel Henrique demonstram que a história e, sobretudo, a História do Recife permanece sendo continuadamente escrita. A todo o momento novas pesquisas são produzidas sobre o nosso passado, sobre nossa cidade. Mas este não é um movimento que visa um saber meramente acadêmico. Não. Ele é mais amplo. Está interligado a um outro movimento, o da cidadania. Conhecer o nosso passado, a história de nossa cidade, é conhecer um pouco sobre nós mesmos e sobre os outros. É saber que as coisas não se apresentam simplesmente porque o são, mas que têm um passado, um começo, uma história.  

 

 

*Mestrando em História pela UFPE.

Resenha lida no programa QUE HISTÓRIA É ESSA, da Rádio Universitária 820AM, UFPE, no dia 29 de outubro de 2008

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