Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Filosofia e Ciências Humanas

Departamento de História

Tópicos Especiais da História de Pernambuco

Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

MESTRE CALÚ E A ARTE DO MAMULENGO NA ZONA DA MATA NORTE DE PERNAMBUCO

Lucas Melo da Silva

Resumo

Este artigo trata sobre o Mamulengo, teatro popular de bonecos que é característica cultural da Zona da Mata Norte de Pernambuco. O artigo pretende mostrar o resultado de uma analise sobre como era o Mamulengo durante a segunda metade do século XX, o que ele representava para as pessoas daquela época e quais as mudanças e permanências no modo de fazer essa arte atualmente, tomando como base a figura do Mestre Calú, um dos mais antigos Mamulengueiros da Mata Norte de Pernambuco.

Palavras-chave: Mamulengo, Mestre Calú, Zona da Mata Norte, Pernambuco.

Abstract

This article discusses the Mamulengo, popular puppet theater that is cultural characteristic of the North Forest Zone of Pernambuco. The article shows the result of an analysis on how was the Mamulengo during the second half of the twentieth century, which he represented to the people of that time and what changes and continuities in the way of doing this now art, based on the figure Master Calú, one of the oldest Mamulengueiros da North Forest of Pernambuco.

Keywords: Mamulengo, Calú Master, North Forest Zone, Pernambuco.

O teatro de bonecos é uma arte que surgiu ainda na Antiguidade em territórios como China, Egito e Índia. Essa habilidade de manipular e contar histórias com fantoches, ou bonecos, chegou à Europa através dos contatos comerciais entre os povos orientais e ocidentais. Já durante a Idade Média o teatro de bonecos era usado para o ensino religioso do Cristianismo, que eram os presépios usados para encenar o nascimento de Jesus Cristo, e no Brasil essa arte chegou durante o período de colonização justamente pela intenção dos padres jesuítas de catequizar os gentios por meio dos bonecos. Com o passar das décadas, os povos brasileiros foram incorporando essa arte e atribuindo-lhe características específicas da cultura de cada localidade.

A arte de manipular bonecos é universal, porém alguns detalhes dessa expressão artística podem variar de acordo com as condições econômicas, sociais e materiais do lugar onde ela é praticada. Esse possivelmente foi um dos fatores que contribuiu para que o Mamulengo da Zona da Mata Norte de Pernambuco pudesse adquirir as características que tem atualmente.

O Mamulengo é um de teatro de bonecos típico do nordeste brasileiro. Para o historiador, advogado e antropólogo Luís de Câmara Cascudo o Mamulengo é o mesmo que o Guinhol1 francês, pois em ambos existem uns panos à frente, atrás dos quais se escondem um ou mais manipuladores que dão voz e movimento aos bonecos.

A apresentação de um Mamulengo ocorre no Toldo, que é uma espécie de barraca montada antes das apresentações e toda revestida de panos. Por trás do Toldo ficam os Mamulengueiros, pessoas que manipulam e dão voz aos bonecos durante a apresentação de um Mamulengo, estes são responsáveis pela manipulação e dramatização dos personagens representados pelos bonecos, além do canto dos cocos e toadas, que por sua vez, antecedem à entrada dos bonecos nas histórias contadas em um Mamulengo. Em frente ao Toldo fica a batucada, que é um conjunto de músicos responsáveis por interpretar as toadas, cocos e loas, constantes e importantíssimas durante a apresentação de um Mamulengo.

As histórias que são interpretadas na apresentação de um Mamulengo envolvem assuntos típicos da vida das pessoas da zona rural, certas críticas da sociedade e alguns contos religiosos, porém essas histórias não estão escritas em lugar nenhum, o que dá espaço para os Figueiros2 improvisarem ou estenderem certas partes do conto dependendo da participação do público, contudo, as histórias têm inicio e fim já pré-estabelecidos.

Não se sabe exatamente as origens da palavra Mamulengo, mas, segundo Hemilio Borba Filho (1987), citado por Azevedo (2011, p. 21), esse termo pode ser uma união da expressão “Mão Molenga”, que caracteriza bem o indivíduo que maneja os bonecos.

A figura central deste artigo se chama Antônio Joaquim de Santana, conhecido como Mestre Calú, nascido em 12 de Agosto de 1945 no Engenho Independência que fica na cidade de Vicência localizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Mestre Calú é filho de Zé Calú, de quem herdou o nome e com quem aprendeu a arte de manipular e dar vida aos bonecos. Zé Calú foi um Mamulengueiro da região durante 36 anos e Mestre Calú acompanhou seu pai nas apresentações até os seus 10 anos de idade, pouco antes de Zé Calú resolver parar com a brincadeira devido a pouca rentabilidade dessa atividade artística, e vender seu Mamulengo.

Zé Calú brincou por 36 anos com seu Mamulengo que nem nome tinha já que naquele tempo não havia preocupação em dar nome aos mesmos, o objetivo era brincar pelas fazendas a fora e arrumar um dinheirinho a mais. Já nesse tempo havia uma queda no número de brincantes do Mamulengo na região, pois foi nesse período dos anos 1930-1950 que as usinas começaram a surgir e tomar o mercado dos engenhos, que foram parando, resultando na saída de pessoas da zona rural e consequente enfraquecimento dessa expressão artística por conta da falta de brincantes e público para as brincadeiras3.

Em 1964, Mestre Calú, mesmo sem o apoio de seu pai, resolveu comprar um presépio4 à família do falecido “Til Pueira”, um Mamulengueiro que residia em Turiaçu5, porém Mestre Calú não sabia toda a arte do Mamulengo e devido a isso convidou seu pai, Zé Calú, a participar da brincadeira junto com ele. Zé Calú resolveu aceitar, e como já era um Mamulengueiro conhecido na região facilitou na hora de arrumar contratos para levar a brincadeira aos engenhos e fazendas daquela área.

Os Mamulengos eram contratados por donos de fazendas, sítios ou até simples trabalhadores rurais para se apresentarem num determinado lugar, em certo dia, por certo tempo e para receber certa quantia em dinheiro. Na quase totalidade das vezes esses contratos eram firmados de maneira informal, eram os “contratos de boca” nos quais toda a negociação se dava de forma verbal entre contratante e contratado não sendo necessário nem um tipo de documento que oficializasse o acordo.

É interessante notar que o Mamulengo também tinha um caráter lucrativo, pois essa arte não tinha como finalidade apenas o divertimento de quem a brincava ou a prestigiava, mas também proporcionava lucro tanto para os Mamulengueiros como para quem os contratava. Enquanto os Mamulengueiros faziam sua arte entretendo o povo da zona rural, os contratantes, que os chamavam para seus terreiros6, montavam barracas para vender bebidas e outros produtos ao público que ali estava para ver os Mamulengos.

Mestre Calú acompanhou seu pai durante cerca de seis anos para ir aprendendo a arte do Mamulengo. Neste tempo, o mestre foi desenvolvendo a habilidade do improviso, característico dos indivíduos que trabalham com tal arte, e ouvindo os cocos que eram contados durante a apresentação para aprendê-los e poder continuar com a arte depois que seu pai não pudesse acompanha-lo mais.

O Mamulengo não consiste em apenas manipular bonecos e improvisar histórias para estes, mas também é necessário que o Mamulengueiro conheça e cante determinados cocos e toadas, pois durante a apresentação de um Mamulengo os personagens aparecem e desaparecem para dar a vez a outros, e cada vez que um personagem sobe para a chã7 uma toada ou coco deve ser cantada para que o boneco apareça ao público, e o Mamulengueiro deve saber esse canto, caso contrário, sua apresentação fica totalmente comprometida. Vale ressaltar que as toadas e cocos não são acréscimo à apresentação, mas sim parte fundamental dela.

Zé Calú não foi só responsável pela instrução do Mestre Calú, mas também foi quem deu nome ao presépio adquirido por seu filho em 1964, o qual foi chamado de Presépio Mamulengo Desde o Princípio do Mundo.

No início, o público do Mestre Calú achava que seu presépio era fraco, devido à pequena quantidade de bonecos, o que fez com que o mesmo fosse à Carpina8 comprar mais bonecos e agrega-los ao seu presépio. Mas após algum tempo, um Mamulengueiro famoso da região veio a falecer, foi o Velho João Cosme que morava no Engenho Suruagi9, e Mestre Calú tratou logo de comprar o Mamulengo deste falecido para acrescentar ao seu e o aumentar número de seus bonecos.

Quando um Mamulengueiro fazia bem seu trabalho em algum lugar, as pessoas tratavam de sempre estar acertando a sua vinda, de modo que outros Mamulengueiros dificilmente se apresentavam nestes locais, ou regiões, pois o povo havia se tornado freguês daquele Mamulengo, porém, após a morte de algum Mamulengueiro, os outros que permaneciam em atividade em outras localidades iam fazer suas apresentações nos lugares em que o falecido artista brincava. E foi isso que aconteceu com o Mestre Calú, pois o Velho João Cosme se apresentava em Vicência10, Angélicas11, Borracha11 e outros lugares que começaram a ser palco de Mestre Calú e sua batucada.

Quando se observa a questão da freguesia dos Mamulengueiros fica notável outro aspecto do caráter lucrativo do Mamulengo. O contratante não podia chamar um Mamulengueiro ruim ou desconhecido para sua casa, pois assim correria o risco do povo não gostar do Mamulengo e passar a não mais frequentar aquele lugar, o que despontava em prejuízo, visto que o dono da casa não venderia os produtos que se destinavam ao consumo por parte do público que viria para ver o Mamulengo.

A morte de um Mamulengueiro tinha duas consequências no contexto artístico do Mamulengo, pois tanto representava uma perda no processo de luta para a não extinção dessa expressão cultural, visto que eram poucas as pessoas que estavam dispostas a aprender e dar continuidade a essa arte, como também proporcionava a abertura de espaços para que outros Mamulengueiros fizessem suas apresentações.

A falta de disposição das pessoas em se envolverem com o Mamulengo pode ter sido resultado do contexto econômico e social da Zona da Mata Norte de Pernambuco, pois já durante a década de 40 eram poucos os Mamulengueiros na região por conta da dispersão da população para a as grandes cidades em busca de trabalho, já que os engenhos estavam em processo de quebra.

Toldo é o nome da estrutura onde os Mamulengueiros se apresentam. Esse Toldo parece com uma barraca feita de madeira ou outros materiais e coberta por panos para cobrirem e esconderem os artistas que ficam por trás destes manipulando os bonecos. O pano usado na confecção do Toldo atual de Mestre Calú é a Chita, um tipo de tecido colorido, estampado geralmente com flores e bem conhecido por ter o preço bem mais acessível em relação aos outros tecidos como o linho, por exemplo. O preço baixo da Chita provavelmente pode ter influenciado diretamente na escolha deste tipo de material para a confecção do Toldo, pois é preciso ter em vista que os brincantes do Mamulengo não dispunham de recursos financeiros suficientes para usar de materiais mais sofisticados e caros por consequência.

A questão da utilização de materiais mais simples é importante para ressaltar o caráter regional que as artes adquirem, pois o teatro de boneco Europeu que influenciou no aparecimento do Mamulengo certamente tinha elementos mais sofisticados, porém, devido à escassez de recursos financeiros do povo nordestino o Mamulengo adquiriu formas mais simples e populares de montagem e apresentação.

É interessante destacar que no início da caminhada de Mestre Calú com seu Mamulengo, ele não tinha um Toldo fixo, ou seja, ele não tinha uma estrutura de madeira para montar sua brincadeira. Acontecia que o Mestre Calú só levava os panos para o local de apresentação e lá é que ele ia cortar a madeira para montar seu Toldo.

O presépio de Mestre Calú não continuou sempre com o mesmo nome, mas mudou de Presépio Mamulengo Desde o Princípio do Mundo para Presépio Mamulengo Nova Geração, pois como não havia registro do nome do presépio, como existe atualmente, o dono da brincadeira podia mudar o nome desta facilmente. A cerca 20 anos o Mestre Calú mudou mais uma vez o nome de seu Mamulengo para Presépio Mamulengo Flor de Jasmim, que é o nome atual. O Mamulengo de seu Calú ainda enfrentou algumas dificuldades, pois passou alguns anos sem ser contratado pela prefeitura de Vicência para se apresentar nas festas de fim de ano, o que causou a sua parada por um tempo, porém ele voltou às atividades e hoje faz apresentações por todo o Brasil.

A batucada é uma parte importantíssima do Mamulengo e os instrumentos que a compõem são geralmente a Sanfona, a Rabeca, o Triangulo, o Pandeiro e a Zabumba, porém o Presépio Mamulengo Flor do Jasmim conta com um Cavaco ao invés da tradicional Safona e da Rabeca.

O motivo da presença do Cavaco no Memulengo do Mestre Calú se dá por conta de certo problema para encontrar pessoas disponíveis para tocar nas brincadeiras, pois dos muitos músicos que tocaram no banco12 do presépio de Seu Calú alguns não estão mais com condições de tocar, outros mudaram de cidade devido ao trabalho e outros ainda são falecidos.

Todo e qualquer tipo de expressão artística exige certo investimento econômico para que esta possa ser praticada, e o Mamulengo não está fora desta realidade, portanto, é preciso ter e gastar dinheiro para fabricar os bonecos, construir a empanada13 e pagar os músicos. Para arcar com os gastos inerentes à arte do Mamulengo, além do valor que pago pelo contratante, passava-se o prato14 para recolher o que o público quisesse dar aos artistas de acordo com o seu nível de satisfação.

Uma das estratégias que os artistas usavam no passado para despertar afeto no público e assim conseguirem a contribuição dos que assistiam a apresentação, era a de falar o nome de algumas pessoas que ali estavam para que estas, se sentido lisonjeadas com o ato do Mamulengueiro, pudessem dar uns trocados para os mesmos. Outra forma de conseguir dinheiro do público era provocar brigas entre os bonecos fazendo com que o povo empolgado com a trama pudesse oferecer dinheiro para que certos bonecos apanhassem ou batessem mais.

Mestre Calú relata que antes, quando se passava o prato durante as apresentações nos engenhos, os trabalhadores rurais, que geralmente eram o público do Mamulengo, davam boas ofertas aos brincantes, porém atualmente poucas pessoas ou quase nenhuma estão dispostas a contribuir com os artistas.

Com o passar dos tempos o costume de passar o prato foi sendo deixado de lado, e atualmente é uma raridade que esse fato aconteça numa apresentação de Mamulengo. O Mestre Calú prefere não pedir a contribuição do público. O motivo para a recusa em dar dinheiro aos artistas se dá devido ao fato de que a grande maioria dos contratos para apresentações de um Mamulengo atualmente é feito com as prefeituras municipais, e por isso, o povo que assiste a brincadeira não está disposta a dar o apoio financeiro aos artistas.

A arte do Mamulengo surgiu em meio a um ambiente de trabalho árduo e pesado nos engenhos do Nordeste Brasileiro, e os artistas que a brincavam não estavam dispensados dos trabalhos no campo, pois a arte, apesar de oferecer certo lucro aos brincantes, não supria as necessidades financeiras dos artistas.

As histórias interpretadas pelos Mamulengueiros não são totalmente pré-estabelecidas e fechadas a alterações, muito pelo contrário, são modificáveis de acordo com a animação e interação do público, portanto, o povo pode interagir com os brincantes por meio das emoções expressadas das mais variadas formas ou por oferta de dinheiro. Como se trata de uma arte em que o artista se apresenta bem próximo ao público, isso de certa forma que permite ao artista sensível, perceber as reações do público e prolongar ou diminuir a duração de certas cenas ou ainda dar ênfase em cenas de brigas entre os bonecos, que animam e divertem o povo.

O nordestino é tido como um homem bruto, bravo e que resolve todos os problemas com agressividade e no Mamulengo isso aparece várias vezes. As cenas de brigas entre os bonecos são comuns nas apresentações de Mamulengos, já que geralmente as confusões e intrigas entre dois bonecos são resolvidas com brigas que agitam o público, mostrando assim que o povo se identifica com as ações daqueles personagens. O povo por vezes se empolga tanto com as brigas que até oferecem aos gritos certas quantias em dinheiro para que os brincantes continuem com as cenas de violência que provocam o riso e não a violência ou a ira nas pessoas.

As histórias contadas nos Mamulengos podem ser vistas como reflexos da vida dos brincantes e do público, ou o que estes têm como ideal de vida em seu imaginário. Os preconceitos, ideais, vontades do povo nordestino estão contidas e representadas nas vidas dos personagens de um Mamulengo.

A vida nos engenhos não se restringia apenas ao trabalho para a produção de açúcar ou derivados da cana, mas cada morador do engenho recebia uma terra para cultiva-la e é por isso que o trabalho estava tão presente na vida das pessoas que viveram esse tempo, logo o trabalho também teria que estar presente na arte que esse povo inventou, e no próprio Mamulengo muitos personagens são representados como trabalhadores, até em plena atividade. Um personagem que faz alusão à vida de trabalho dos nordestinos é Adão, um boneco que traz consigo uma enxada em suas mãos e que na toada que antecede sua subida para a chã versa o seguinte:

Trabalha Adão trabalha tem prazer tem alegria

Mas o homem que trabalha não é preso a da ninguém

Mas o homem que trabalha não é preso a da ninguém

Adão está cavando e Eva “aplantando”

Quando for com noventa dias tem mamilo pra comer

Quando for com noventa dias tem mamilo pra comer

Nesse trecho da toada de Adão percebe-se a relação de conformidade que o homem nordestino mantem com o trabalho, pois existe um busca por alegria, prazer e honra no labor.

Com o êxodo rural, que desde a década de 50 vem atingindo as cidades da Zona da Mata Norte de Pernambuco, as pessoas vão deixando as fazendas e levando consigo para as cidades, além da força de trabalho, a sua cultura. O Mamulengo é prova disso, pois atualmente ele deixou de ser apresentado nos sítios para ser apresentado nas cidades.

Mestre Calú atualmente faz apresentações em Escolas, Faculdades, pontos de cultura pela região e em festejos nas cidades, mas com apresentações contratadas pelas prefeituras já que as “brincadeiras de pé de pau”15, que foram os primeiros palcos para o Mamulengo, não ocorrem mais como outrora. Mestre Calú ainda se apresenta em engenhos, porém é uma raridade que esse tipo de apresentação se realize.

O Mamulengo é uma arte que não fazia, nem faz distinção de público, pois agradava a todos que buscavam se divertir durantes as noites e madrugadas nos engenhos, porém as pessoas que mais frequentemente estavam nas brincadeiras eram os trabalhadores rurais.

O Mamulengo também é marcado pela cultura da região em que surge, pois existem figuras como as dos Caboclos de Lança, Pastoril e Cavalo Marinho, representados como bonecos participantes das histórias contadas nas apresentações.

Quando o Mamulengo ainda era uma brincadeira da zona rural, as apresentações começavam nas noites de sábado e só terminavam no início das manhãs de Domingo, porém hoje em dia é praticamente impossível que uma apresentação dessa duração ocorra, pois atualmente os Mamulengos são contratados pelas prefeituras municipais ou por projetos de incentivo à cultura para fazerem apresentações por certo valor e durante determinado tempo, mas antes os brincantes eram contratados não por hora e sim para se apresentarem durante a noite e a madrugada toda. Outra questão para a redução do tempo das apresentações dos Mamulengos é que o seu público já não são aquelas pessoas pobres da zona rural que não possuíam televisão para assistirem aos programas de sábado à noite, por exemplo, e que só tinham o Mamulengo para se distraírem, mas o Mamulengo perdeu o público para os shows, programas televisivos e outras coisas do mundo atual.  Além de arte e comércio, o Mamulengo era uma forma de entretenimento das pessoas da zona rural do século passado, mas com o avanço da tecnologia, certos “coisas do passado” foram sendo esquecidas, e o Mamulengo também foi uma vítima desse esquecimento provocado pelas mudanças da sociedade.

Mestre Calú comprava os bonecos do seu Mamulengo nas cidades de Carpina, Glória do Goitá16 ou Lagoa do Carro16, porém ele se interessou por confeccionar os seus bonecos e estes ganharam uma nova caracterização, pois Seu Calú usa garrafas PET ao invés da tradicional madeira como matéria prima para fazer os bonecos. Mestre Calú confecciona seus bonecos usando garrafas PET, canos, jornais, o que confere uma diferenciação dos tradicionais bonecos de madeira.

O Mamulengo passou por mudanças no decorrer dos tempos e isso é bem notável ao analisar as diferenças no modo como essa arte era produzida e praticada anteriormente e como é agora, porém a essência dessa brincadeira, que é promover o riso no povo, ainda continua viva nos brincantes dessa expressão cultural.

Vários são os problemas enfrentados pelos Mamulengueiros para continuar com sua arte, mas o Mamulengo continua resistindo às dificuldades impostas pelo novo tipo de viver da sociedade atual. É bom notar que o governo tem se atentado para garantir a permanência dessa arte por meio de reconhecimentos, como o gesto do IPHAN que reconheceu o Mamulengo como patrimônio cultural do Brasil no dia 5 de Maio deste ano, e com projetos de apoio a cultura, que garantem contratos para os Mamulengueiros se apresentarem além de promoverem palestras nas quais esses artistas ensinam a arte do Mamulengo a outras pessoas.

Referências:

NETO, Antônio Joaquim de S. e OLIVEIRA, Deyvson Barbosa de, MESTRE CALÚ: Um dos pilares da cultura pernambucana. Monografia: (Bacharelado em Turismo) – FSH, Pernambuco, 2012. Disponível em: http://www.artigonal.com/arte-artigos/mestre-calu-um-dos-pilares-da-cultura-pernambucana-6735375.html Acessado em: 04/06/2015 às 14:16

AZEVEDO, Débora S.,  Nas redes dos donos da brincadeira: um estudo do Mamulengo da Zona da Mata pernambucana. Dissertação: (Mestrado em Ciências) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, agricultura e sociedade, UFRJ, Rio de Janeiro, 2011.  Disponível em: http://r1.ufrrj.br/cpda/wp-content/uploads/2011/11/disserta%C3%A7%C3%A3o_debora_azevedo_2011.pdf Acessado em: 16/06/2015 às 12:23

SANTANA, Antônio Joaquim de. Vicência. 5 Jun. 2015. Entrevista concedida a Lucas Melo da Silva.

http://mamulengoflordejasmim.blogspot.com.br/2009/06/45-anos-de-historia_30.html Acessado em: 12/05/2015 às 23: 53

http://mamulengoflordejasmim.blogspot.com.br/2009/06/mestre-calu.html Acessado em: 12/05/2015 às 23:59

http://www.revistas.ufg.brindex.phpartcearticleview3477118316 Acessado em: 04/06/2015 às 12:09

http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2015-03/iphan-reconhece-teatro-de-bonecos-do-nordeste-como-patrimonio-cultural-do Acessado em: 04/06/2015 às 12:29

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=715:mamulengo&catid=48:letra-m&Itemid=192 Acessado em: 04/06/2015 às 12:26

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/artes-cenicas/noticia/2015/03/07/mamulengo-e-patrimonio-imaterial-do-brasil-171195.php Acessado em: 04/06/2015 às 12:30

http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/mamulengo-o-teatro-de-bonecos-popular-no-brasil Acessado em: 13/05/2015 às 00:00

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mamulengo Acessado em: 13/05/2015 às 00.04

http://biuvicente.com/historiaecanavial/?p=15 Acessado em: 12/05/2015 às 23:56

http://www.infoescola.com/artes/teatro-de-bonecos/ Acessado em: 04/06/2015 às 12:32

Notas:

1 Guinhol é o nome de um marionete, personagem do teatro de fantoches, criado no século XIX em Lião.

2 Pessoa que manipula os bonecos de um Mamulengo.

3 Nome usado para designar a apresentação ou a arte do Mamulengo.

4 Consiste no conjunto de bonecos mais a estrutura para apresentações do Mamulengo.

5 Comunidade localizada na zona rural de Vicência.

6 Terreiro no sentido de terraço ou quintal da casa.

7 Nome usado por Mestre Calú para se referir à parte do Toldo onde os bonecos ficam à vista do público e onde são encenadas as histórias dos personagens.

8 Cidade da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

9 Engenho localizado em Vicência.

10 Refiro-me não a todo o território do município, mas só à zona urbana.

11 Distritos de Vicência.

12 Os músicos que tocam as toadas, cocos e loas para o Mamulengo do Mestre Calú ficam sentados em um banco na frente do presépio durante as apresentações.

13 A cobertura dos Toldos dos Mamulengos é feita de panos, por isso o nome empanada.

14 Passar o prato é o ato de cobrança onde os artistas passavam um prato em meio ao público para recolher o que estes quisessem lhes ofertar.

15 Termo utilizado por Mestre Calú para denominar as apresentações realizadas nos engenhos e fazendas.

16 Cidades da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

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Categories: Cultura brasileira, História do Brasil
Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 03 ago 2015 @ 11 16 AM

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 03 ago 2015 @ 10:50 AM 

Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Filosofia e Ciências Humanas

Departamento de História

Cultura Popular de Pernambuco

Docente: Severino Vicente da Silva

Estudante: Rafaella Fernanda Villa Nova

Recife, 1º de julho de 2015.

UM BREVE PASSEIO POR PERNAMBUCO

Resumo: O presente trabalho se propõe a expor alguns dos temas apresentados e discutidos em sala de aula, assim como também em atividade externa (viagem do dia 20 de maio de 2015) os quais contribuíram para o desenvolvimento de conhecimentos sobre a Cultura Popular em nosso estado. Tais conteúdos compuseram a disciplina eletiva no primeiro semestre de 2015. Contempla também outros aspectos relevantes a respeito da cultura e da sociedade pernambucana. No princípio da disciplina conhecemos as divisões do estado Pernambuco, sendo destacadas as macrorregiões; são elas: litoral, zona da mata, agreste e sertão. Cada uma destas apresentando características distintas entre si em sua vegetação e em seu clima. Urge dizer que as populações presentes em tais espaços geográficos desenvolveram maneiras próprias de se relacionar social e politicamente. Desta maneira, pode-se falar sobre uma gama de culturas populares desenvolvidas dentro do mesmo território, chamado Pernambuco.

Palavras chave: Pernambuco, Geografia, Política, Economia, Sociedade, Cultura.

Características Geográficas, Sociais e Econômicas do Estado de Pernambuco

Pernambuco localiza-se na região Nordeste do Brasil, fazendo fronteira com cinco estados da mesma região e, a leste, tendo o Oceano Atlântico por limite. A área do território estadual é composta por 98.311,616 km². Seu Clima é tropical atlântico no litoral e semiárido no interior, em parte graças ao Planalto da Borborema, que impede que nuvens mais baixas sejam levadas pelos ventos adentrando no interior do território. Desta maneira, uma grande massa do interior é seca, havendo problemas sociais atrelados à escassez de água nos sertões. Contudo, neste mesmo sertão está o Rio São Francisco, tradicionalmente conhecido por “Velho Chico”, responsável por banhar a parte sudeste do estado. O Rio Ipojuca é outro que recebe destaque na hidrografia pernambucana. É conhecido especialmente por sua poluição que já há muito alcançou níveis avançados.

Na região Agreste, está presente importantes polos têxteis, que infelizmente continuam a derramar as águas das lavagens dos tecidos no Ipojuca, que, assim como outros rios do território pernambucano, noutros tempos fora local de lazer, local de banhos das sinhás e dos moleques, como assinalava Gilberto Freyre ainda no século passado. Eram indicados os banhos de rio como cuidado à saúde. Nos rios se transportava o açúcar de um canto a outro do estado. Além de ser fonte de renda para pescadores. Ainda neles, ocorre a formação de populações ribeirinhas, ou seja, que moram à beira do rio. Quando há enchentes, estas são as maiores vítimas. Necessitam deixar seus lares e ficam dependendo da ajuda dos governos.

Quando chove na capital do estado – o Recife – há vários tipos de transtornos urbanos. As ruas ficam alagadas de tal forma, que em certos trechos torna-se impossível transitar pelas vias de acesso. Árvores caem, prédios ficam sem energia elétrica, o trânsito de carros fica congestionado para além do comum e, não raro, ocorrem registros de tragédias relacionadas ao desabamento de barreiras. Porém, não só de turbulências é composto o Recife. Guardando ele muitas belezas, pode-se falar dos dias de sol, onde as pessoas aproveitam para ir às belas praias que compõe a costa do estado. Algumas em destaque são Maria Farinha, Boa Viagem (praia urbana), Gaibu e Porto de Galinhas. Todas estas importantes para o turismo e, consequentemente, para a economia local.

Outra importante característica da vegetação litorânea é o mangue, que serviu de inspiração para trabalhos de artistas e intelectuais. O mangue traz consigo uma grande importância ecológica. Carrega também fardos sociais, como apontados por Josué de Castro (1948):

O mangue abriga e alimenta uma fauna especial, formada principalmente por crustáceos, ostras, mariscos e caranguejos, numa impressionante abundância de seres que pululam entre suas raízes nodosas e suas folhas gordas, triturando materiais orgânicos, perfurando o lodaçal e umidificando o solo local. Muitos desses pequenos animais contribuem também com suas carapaças e seus esqueletos calcários, para a estruturação e consolidação do solo em formação. Desempenha também essa fauna especializada um importante papel no equilíbrio ecológico da região ocupada pelo homem, ao possibilitar recursos de subsistência para uma grande parte das populações anfíbias que povoam aqueles mangues, vivendo nas suas habitações típicas — os mocambos.

Este trecho extraído da obra “Fatores de localização da cidade do Recife: um ensaio de geografia urbana” mostra esclarecimento por parte do autor sobre as condições de vida daquele povo que habitava as regiões do mangue. Assim, percebemos que as denúncias da situação em que viviam os seres humanos no mangue já ocorriam nos anos 1940. Neste encalço, Manuel Bandeira escreve em sua poesia:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

A fome não era e não é ausente da história deste povo batalhador. O nordestino e suas vivências dolorosas, os dissabores que a vida lhes apresenta estão retratados também no poema Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto. Nele o retirante migra dos sertões pernambucanos em direção ao litoral, na esperança de uma vida melhor. Em seu caminho encontra sofrimento e morte. Quando já no Recife, o pernambucano, o homem sertanejo, já mergulhado em profunda desesperança, angustia-se sensivelmente com todos os infortúnios que percebe cercar-lhes a perene vereda pela vida, e é aí que toma a decisão trágica de acabar com sua própria vida. Porém, um choro de menino o faz mudar de ideia, despertando nele novamente a vontade de viver, anunciando a renovação da vida através da posteridade que se origina no novo ser que se anuncia. Eis uma representação do nosso povo, elaborada na forma de poema e ressignificada na forma de denúncia. É um retrato social que não está tão distante quanto talvez aparente para alguém menos atento às questões sociais que estão às vistas de quem quer ver, de quem é capaz de enxergar além de si mesmo; alguém que volte os olhos para o povo o percebe.

Ocupação da Terra de Pernambuco

Como em outras regiões do Brasil, a ocupação do território pernambucano se iniciou pela costa. No litoral, as terras foram apropriadas e designadas para desenvolvimento da agroindústria do açúcar. No início do empreendimento eram os indígenas e os africanos que serviam de mão de obra escrava nos engenhos e no trabalho das lavouras.

Além do açúcar, a economia era movimentada pelo gado, que, além de produto básico da alimentação, servia como meio de transporte, dando origem à primeira fase de expansão da pecuária que se transformaria rapidamente na forma mais generalizada de ocupação das terras do interior nordestino.

No litoral, a agricultura e a criação de gado mostraram-se desde cedo incompatíveis, e, em defesa das plantações, promoveu-se a retirada dos currais para o interior, distante dos engenhos, dos canaviais e dos mandiocais.

Nos fins do século XVIII, já eram vastas as extensões do médio São Francisco ocupadas por currais. Havia os tropeiros, que eram os homens que andavam em tropa com seus burros. Inclusive, esta nomenclatura foi utilizada para batizar um prático típico da região, que segundo exposição do professor Biu Vicente em sala de aula se deu pela necessidade do preparo rápido e prático do alimento. Os tropeiros coziam o feijão, acrescentavam a carne e os temperos de que dispusessem, misturavam farinha e estava dado o prato, eis a origem do feijão tropeiro.

Avançando um século, o XIX foi marcado por relevantes transformações nas esferas política e social. Desde seu início, o século XIX foi palco de importantes revoltas, sobretudo as de cunho separatista. Pernambucanos almejavam a independência. As ideias que circulavam eram liberais; desejava-se uma constituição republicana. Contudo, quando o governo alcançava a repressão, a condenação das lideranças costumava ser a de morte. Apesar disto, nota-se a bravura dos povos desta terra desde tão cedo. Os contatos estabelecidos com estrangeiros com experiências políticas deste tipo contribuiriam para influenciar os pernambucanos na formação de ideologias e no preparo para os combates. Tais contatos eram facilitados graças ao Atlântico e a posição estratégica do estado em relação ao continente europeu.

Tradição e Musicalidade

Maracatu Rural, também chamado de “Maracatu de Baque Solto”, é das mais importantes e conhecidas manifestações da cultural de Pernambuco. Neste brinquedo, se figuram os conhecidos “caboclos de lança“. Distingue-se do Maracatu Nação em organização, personagens e ritmo. Para os integrantes do Maracatu Rural, ele não é apenas uma brincadeira. Trata-se de uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração.  O cortejo do Maracatu Rural acontece no período de carnaval, festa em destaque no estado de Pernambuco.

Antes de receber o reconhecimento atual, o prestigiado maracatu passou por momentos menos felizes em sua trajetória. O maracatu nação tem sua origem nas festas de coroação dos Reis do Congo que aconteciam nos séculos XVII e XVII, portando atrelado à cultura africana, o que infelizmente acaba por relacionar-se a preconceitos de cunho racista.

Desde o início do século passado, o governo municipal da cidade do Recife insistia nas proibições aos batuques dos negros, mas após o I congresso Afro-Brasileiro as influências da cultura africana foram paulatinamente sendo incorporadas à cultura pernambucana. Hoje a figura do caboclo de lança é reconhecida em várias regiões do país e imediatamente associada à cultura e ao carnaval pernambucano.

A festa de carnaval, na concepção de Bakhtin, é o locus privilegiado da inversão, onde os marginalizados apropriam-se do centro simbólico, onde se privilegia o marginal, o periférico, o excludente. Terra de muita exploração, desde suas origens, Pernambuco perpetua-se sorrindo através de suas festas, de sua cultura. O povo explorado e trabalhador se fantasiam, vestem as máscaras e vivenciam o carnaval famoso por ser o melhor do mundo.   Para o mesmo autor “a máscara está longe de ser apenas um adorno de carnaval; ela desempenha uma espécie de função catártica ao libertar o povo, durante os dias de festividades, das rotinas cotidianas, da estagnação habitual”.

Mas a máscara que precisa cair é a do preconceito que vem em processo de desconstrução há tempos. Apesar deles ainda fazerem parte da sociedade como um todo, é reconhecida a importância das contribuições dos africanos e dos indígenas na formação da cultura popular de Pernambuco. Sem a influência destes grandes grupos étnicos a configuração cultural do nosso estado seria bem diferente da que é conhecida e apreciada por tantas pessoas. Gilberto Freyre reconhece estas contribuições:

Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós.

Outra apresentação ligada à constituição das comunidades negras em Pernambuco, e que detém forte influência indígena, é o Samba de Coco. Os quilombolas cantam enquanto praticam o ritual da quebra do coco para a retirada da “coconha” (amêndoa), essencial no preparo de alguns alimentos. No Samba, o tirador do coco, também chamado de coqueiro ou conquista, é quem puxa os versos que podem ser tradicionais ou improvisados, que são sempre respondidos pelo coro de participantes. A tradição possui inúmeras variantes: coco de umbigada, coco-de-embolada, coco-de-praia, coco de roda, entre outras.

Mas não é apenas na capital que as manifestações da cultura popular atuam. Na cidade de Pesqueira, agreste do estado, há o grupo Cambinda Velha, o grupo Cancão Piou e também o grupo dos Caiporas.

Reza a lenda, que tochas sobrenaturais apareciam em cima de árvores, assustando os caçadores do município de Pesqueira. As assombrações ficaram conhecidas como caiporas, que são seres que pregam peças em caçadores e cães. Para “acalmar” os caiporas, colocavam-se fumo e cachaça nos troncos das árvores. Para os moradores de Pesqueira, o caipora, figura do imaginário popular, é motivo de orgulho e alegria.

Trata-se, portanto, de uma cultura recheada de singularidades e histórias. Com muitos aspectos atrelados diretamente à geografia do território pernambucano. Nossa cultura é arraigada a valores de distintos povos, que no passado histórico sofreram explorações e muito trabalharam. Este povo mestiçou-se, e até hoje, faz-se referência aos amigos, como que num sinal de camaradagem, chamando-o de “caboclo”, ou de “caboclo véi”. Este caboclo é o pernambucano.

Referências Bibliográficas:

BANDEIRA, Manuel 1986 ‘O bicho’. Em Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar.

BAKHTIN, M. M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1999.

CASTRO, Josué de. Fatores de localização da cidade do Recifeum ensaio de geografia urbana. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional. 1948

FREYRE, Gilberto. Nordeste: aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil. 7ª edição. São Paulo: Global. 2004.

GUILLEN, Isabel Cristina. (organizadora) Tradições & traduções: a cultura imaterial em Pernambuco. Recife: Editora Universitária UFPE, 2008.

NETO, João Cabral de Melo. Morte e Vida Severina. Recife: Editora Tuca, 1968.

SILVA, Severino Vicente da. FREITAS, Walter. Encontros Culturais, Migração e Cultura em Pesqueira.

SILVA, Severino Vicente da. Da formação do Sertão ao Reinado do Baião. Texto produzido para a Escola de Samba Unidos da Tijuca.

http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Caiporas+do+Carnaval&ltr=C&id_perso=920, acessado em 29 de junho de 2015.

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Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 03 ago 2015 @ 11 28 AM

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02 de dezembro de 1870



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