UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE FILISOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

DISCIPLINA HISTÓRIA MODERNA II

PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA

EVOLUÇÕES TÁTICO-MILITARES NOS SÉCULOS XVII A XIX

GRUPO:

ELTON JOSÉ

KARLA GOMES

LARISSA SANTOS

MANUEL SILVESTRE

THIAGO SOARES

RECIFE-PE

2013

INTRODUÇÃO

Os avanços militares ocorridos no transcorrer da Idade Moderna possibilitaram que os Estados Absolutistas Europeus procurassem concretizar suas ambições territoriais e comerciais. Do século XVII ao início do século XIX aconteceram mudanças nas táticas e armamentos que ajudaram a consolidar a formação de um poderio militar, terrestre e naval, cada vez mais forte e maior. De Cromwell a Napoleão, essas mudanças no âmbito militar perpassaram os Estados Absolutistas que procuravam se firmar como poder hegemônico.

No século XVII e XVIII algumas mudanças foram significativas e de extrema importância para as táticas e a composição dos exércitos de cada nação. As mudanças nas armas utilizadas em batalhas chamam atenção para como essas mudanças afetaram e reorganizaram o exército no campo de batalha.

Alguns desenvolvimentos no âmbito militar foram significativos para a formação e a postura do exército, visando alcançar os novos objetivos que um Estado militarista, como o absolutista, demandava. Enquanto o desenvolvimento de armas possibilitava um aperfeiçoamento e um menor custo na produção, permitindo um maior emprego nos campos de batalha, retirando as características medievais nos exércitos levando a guerra a um novo patamar, o desenvolvimento das táticas permitia uma maior mobilidade das tropas alterando os formatos da guerra.

A evolução também chegou aos mares. Os navios, que antes serviam como meio de transporte para mercadorias, agora passaram a ser um instrumento de guerra dos Estados Absolutistas. O aperfeiçoamento desses navios começou pelos mastros e velas até chegar aos canhões neles implementados e na quantidade dos conveses. Essas mudanças serviram para a finalidade da execução das manobras. As novas táticas utilizadas em combate tinham a finalidade de melhorar a comunicação entre os navios, bem como aumentar o poderio de fogo contra o inimigo.

EVOLUÇÕES TÁTICO-MILITARES NOS SÉCULOS XVII A XIX

Um dos grandes revolucionários na área militar foi Mauricio de Nassau. Este fundou sua academia militar em 1618, e com seus manuais foram a maior expressão de uma racionalidade militar que prevaleceu a forma moderna de combater os inimigos, sendo considerado o primeiro sistema militar moderno.

Maurício trabalhou incansavelmente para a reforma do sistema militar, a fim de tirar vantagem da crescente disponibilidade e eficácia das armas de fogo. Essa nova formação incluía grandes exércitos de infantaria treinados para enfrentar cargas de cavalaria com armas de fogo usadas sincronicamente como também o cerca mentos de cidades e fortalezas com novas arquiteturas de defesa. Cada companhia holandesa, comandada por um capitão, possuía tenentes e alferes, juntamente com cinco sargentos. A proporção de oficiais em relação aos soldados era maior nessas formações, permitindo uma melhor disciplina e maior controle durante o combate. Nassau não se limitava a aplicar este sistema nos regimentos holandeses, mas exigia de seus aliados a mesma organização. As companhias estrangeiras e seus capitães, em serviço junto aos holandeses, após liberadas ao final das campanhas, levavam toda essa experiência de serviço militar para seus países de origem.

Gustavo Adolfo foi um dos que aprimoraram o conceito de exército criado por Nassau. Utilizou as formações mais compactas e atribuindo maior ênfase ao poder de fogo. O exército do rei sueco era bem maior, e os seus modernos recursos de guerra militares abrangiam também a indústria de guerra, como a metalurgia, com destaque para a artilharia, tornando o exército sueco um dos mais bem preparados do mundo, contando com atiradores bastantes ágeis e coordenados.

Os exércitos dos holandeses e suecos aprimoraram o desenvolvimento das armas de fogo, tornando a cavalaria menos eficaz. O uso de mosquetões, armamento de um tiro que precisavam ser recarregadas, tinham uma complexa coreografia de salvas de tiros feitas por fileiras de atiradores em pé, de cócoras e deitados, havendo revezamento com os que estavam atrás, criando um exército de infantaria forte, juntamente com a artilharia.

Com o avanço da técnica do cerco de cidades e fortalezas, aprimorou-se a arquitetura específica de fortificações, que diante dos fogos de canhões, adotou muralhas baixas e espessas em lugar dos altos muros dos castelos medievais. O sistema militar holandês também influenciou o Novo Exército inglês de Oliver Cromwell, na medida em que grande parte das tropas de Nassau eramde origem inglesa.

O Exército Novo, conhecido como New Model Army,foi um exército da Grã-Bretanha formado ao tempo da Guerra civil inglesa. O Exército Novo foi formado em 1645 por Oliver Cromwell para defender o parlamento inglês. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Este novo modelo de exército possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas existentes – dos Lordes ou dos Comuns – e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares ingleses da época.

Oliver Cromwell, após perder uma batalha contra as forças do Rei Carlos I, decidiu remodelar o exército inglês e treina os soldados para se tornaram mais capazes e experientes na guerra. Sob o comando de Cromwell, este novo exército venceu várias batalhas importantes, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pela meritocracia, substituindo o critério de nascimento que era usado antes. Esse novo modelo de atuação na guerra conseguiu vencer o exército do rei na Batalha de Naseby em 1645, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado na Inglaterra. A republica foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

O arcabuz era um instrumento pesado, e que requeria certo tempo para que pudesse novamente ser carregado, o que gerava uma fragilidade na defesa do exercito, dessa forma era importante a presença de piqueiros em batalha. Os Piqueiros eram soldados, que utilizavam lanças, com mais ou menos 3m, usadas como defesa contra a infantaria e principalmente cavalaria inimiga.  Assim a infantaria era formada de arcabuzeiros e piqueiros, que formavam linhas de batalha, que tinham mesma quantidade de homens em linha e profundidade.

Formando uma espécie de quadrado, essa tática pode ser bem exemplificada com o chamado “Terço Espanhol” ou “Quadrado Espanhol”. Era uma unidade militar que atuou entre os séculos XVI e XVII, que buscou inspiração inicial nas legiões romanas, para formar uma unidade que dividia as companhias em forma de quadrados ou retângulos, nos movimentos de manobra e alinhamento. Essa infantaria era formada por piqueiros, que constituía uma massa coesa e compacta, que se posicionavam no centro do esquadrão, em quantidade até maior em relação aos mosqueteiros, armas já aderida pelos exércitos. Tornou-se assim, um exército respeitado e temido em campos de batalhas, por suas ações vitoriosas.

No entanto, logo o Terço Espanhol seria ultrapassado pelos avanços táticos desenvolvidos por holandeses, franceses e suecos. E um dos principais motivos, seria que seu sistema tático de formação tornaria a manobra do exército muito lenta, uma vez que diante dos avanços das armas, haveria agora a necessidade de maior agilidade e rapidez nas manobras da infantaria. Uma demonstração de como os terços espanhóis, tinham dificuldade quanto a manobras, e que suas ações táticas começavam a ser ultrapassadas, foram batalhas como a Batalha de Niewpoort, em 1600, onde os terços espanhóis, entraram em confronto com os exércitos holandeses, comandados por Maurício de Nassau, e nessa batalha, tiveram de lidar com o território limitado, uma vez que a batalha ocorreu nas dunas e na praia, lidando ainda com o sol e o vento, outra desvantagem seria que sua artilharia, ficou atolada na areia. A Batalha que é tida como marco, e principal derrota que colaborou para o fim dos Terços Espanhóis, na qual foram derrotados e expulsos pelos franceses aquele ano, foi a Batalha de Rocroi, em 1643, que demonstrou a forma como esses países tinham uma nova concepção da batalha.

Nessa batalha, o Terço Espanhol, seguia sua linha de ação, com batalhões em forma de quadrado, protegidos pelas lanças dos piqueiros, que tentavam formar quase um escudo de defesa contra a cavalaria. Esses quadrados eram difíceis de manobrar, sendo complicado até que as ordens fossem ouvidas por todos os membros. Representava tanto o enfraquecimento Espanhol, como a principal derrota da principal e mais famosa tropa.

O exército francês conseguiu demonstrar uma mobilidade maior, atacando pontos específicos do terço, a cavalaria foi atacada, com o exército disperso, os espanhóis apesar de apresentar resistência, e não entregarem a batalha facilmente, fazendo jus à fama que tinham, foram superados.

No século XVII o desenvolvimento do mosquete de pederneira, foi um avanço importante, por que facilitava a atuação da infantaria, por sua forma de disparo e recarga relativamente mais rápida. Para essa arma foi desenvolvido o sistema, chamado de “Fecho de Pederneira”. O sistema simples, onde a pederneira teria a função básica de produzir faíscas para acender a pólvora que se encontra no cano da arma. O instrumento é basicamente composto por uma peça, denominada de “Cão” em forma de “S” onde se encontra a pederneira, que irá ser o suporte onde ficará a pedra, que no momento em que o mecanismo é ativado pelo disparo, através de uma mola no gatilho, se choca com a caçoleta, essa por sua vez é empurrada para frente abrindo assim o compartimento onde se encontra a pólvora, que será ativada, pelas faíscas que foram produzidas no choque entre a pederneira e a caçoleta.

Como o mosquete de pederneira ainda precisava ser recarregado manualmente com a pólvora e o projétil, os soldados agiam num revezamento onde, o primeiro da linha, após o disparo passava para o final da fila para que pudesse recarregar a arma, enquanto o próximo realizava o disparo e seguia o mesmo caminho que o primeiro. A pólvora era colocada no pequeno compartimento próximo a caçoleta, o “Cartucho”, e depois diretamente no cano da arma junto com o projétil, e esses eram empurrados, por uma espécie de lança fina, que ficava presa a arma.

Os piqueiros continuaram a ser uma peça importante na defesa contra a cavalaria inimiga. Eles só seriam substituídos, e essa função desapareceria do campo de batalha, com o surgimento da baioneta, que era carregada pelo soldado, e que era fixada na ponta do mosquete, funcionando como uma lança, em casos de contato direto com o inimigo.

Com o mosquete de pederneira então, o exército aumentava a sucessão de disparos, mesmo tendo ainda de carregar tanto o cartucho, quanto o cano da arma. As linhas foram aumentando em extensão e sua profundidade diminuindo, linhas de seis homens, para quatro, até formar linhas apenas com dois homens de profundidade. Os antigos piqueiros, uma vez que esse posto já não era necessário uma vez surgido a Baioneta, tornaram-se mosqueteiros, aumentando a quantidade de homens, portanto armas de fogo nos campos de batalha.

Com o aumento do numero de pessoas portando arma de fogo, as linhas ficavam agora mais extensas, e esse tipo de formação não beneficiava em casos de manobras rápidas, sendo eficiente apenas em batalhas em campos planos e sem obstáculos, como acabou se tornando característico das batalhas européias. Dessa forma, quando se tinha necessidade de realizar uma movimentação, era preciso seguir uma ordem que se tornava lenta, pela quantidade de homens lado a lado. A melhor forma era que houvesse uma divisão do esquadrão em três partes, o centro e as alas, abrindo um ponto vulnerável principalmente nos flancos, que poderia sofrer ataques da cavalaria inimiga.

Um bom exemplo de que a tática de combate de lutas em campo aberto, usada pelos europeus fora ultrapassada, foi a Guerra de Independência Norte-Americana. Que foi constituída por táticas de guerrilha, assim os americanos tiraram os ingleses da zona de conforto, e levaram a batalha para um campo acidentado, onde eles pudessem aproveitar essas irregularidades. Primeiramente dispersando o esquadrão. Os soldados norte-americanos fizeram com que o exército inimigo entrasse em bosques espessos, fazendo com que as colunas de marcha ficassem expostas ao ataque de atiradores dispersos. Fazendo com que esses atiradores agissem desempenhando papeis individuais, atuação permitida pelas armas de fogo. O desenvolvimento do mosquete de pederneira, e da baioneta, lhe dava essa liberdade de movimentação.

Assim como a infantaria, a Artilharia também sofreu mudanças e apresentou algumas linhas de desenvolvimento. A artilharia de campo era uma parte vulnerável do grupo, devido à dificuldade inicial que enfrentaram quanto à mobilidade das peças, sendo usados inicialmente em cercos. A Artilharia marchava a pé, carregando essas peças. Até ser implantada a Artilharia a Cavalo, onde foram fixadas reparos (um esquema com rodas para o transporte da peça) que facilitava a locomoção dos “canhões”.

A Artilharia a cavalo, ficaria agora incumbida de prestar auxilio de fogo a cavalaria, que tinha de lidar com o grande contingente das infantarias, sem que essa ajuda de alguma forma prejudicasse a velocidade e as manobras da cavalaria. Inicialmente esse grupo era um hibrido da infantaria que montava, até que se percebeu a vantagem de se ter uma artilharia móvel em batalha, mesmo que o tiro do “canhão” não tivesse muita precisão, mas poderia desmembrar ou dispersar o exército inimigo.

Durante o século XVIII, o maior destaque no campo do desenvolvimento tático militar se deu com Frederico II, Rei da Prússia, que soube levar seu estado a um nível de grandeza militar e econômica, conseguindo travar guerras contra estados mais poderosos que o seu e no final de seu reinado deixara a Prússia mais forte do que quando a herdou. Sua principal contribuição tática foi ter implantado no exército prussiano a tática de “Ordem Obliqua”, que consistia em, ao dispor suas tropas em um plano de Linha, concentrar em um dos flancos do exercito um maior numero de soldados, com mais experiência. Isso possibilitava que a força do exercito estivesse de fato concentrada e não dispersa pela linha, e que no momento do ataque esse flanco reforçado pudesse atacar com toda a força o flanco inimigo, vencendo-o, dispersando-o e quebrando a linha, enquanto o resto de suas tropas resistia ao avanço inimigo (Em condições de equivalência numérica no numero de soldados, ao desviar tropas para um dos flancos o centro e o outro flanco ficariam com menos soldados, enfraquecendo-os.). Quando a linha inimiga quebrasse, flanquear os remanescentes seria fácil consolidando a vitória. Tal tática levou as realizações de Frederico II aos mais altos patamares em genialidade militar, onde o próprio Napoleão, um dos maiores gênios militares de todas as épocas afirmou que se Frederico estivesse vivo no momento que ele invadia a Prússia, ele nunca conseguiria conquistá-la.

O grande avanço militar do século XVIII se deu de fato em suas ultimas décadas, enquanto acontecia um evento que mudaria a História da Europa e abalaria as seculares monarquias absolutistas: A revolução Francesa. Quando a monarquia francesa caiu e o Rei foi deposto pelos revolucionários, houve uma grande liga de países europeus que se uniram para derrubar esses revolucionários que queriam acabar com a Ordem vigente. Vários países participaram dessa Coalizão, incluindo a Áustria, a Prússia, e Inglaterra, a Espanha, cercando a França por quase todos os lados colocando o estado revolucionário em posição delicada. Os governantes franceses viram que para tentar conseguir mais sucessos militares deveriam utilizar um elemento de grande importância na França, sua grande população. Assim, os generais e chefes de estado convocaram os cidadãos aos exércitos para engrossarem suas fileiras e vencer os inimigos de França que tentavam invadir seu território. Esse ato vai levar, aos poucos, o aumento no numero de soldados dos exércitos nacionais da época; quando no começo do século havia guerras em que as duas nações não juntavam 80 mil soldados em exércitos. Até a Invasão da Rússia onde Napoleão mobilizou uma força de quase 600 mil soldados para tomar o território inimigo.

Além do incremento do número de soldados nos exércitos, a Revolução francesa ainda possibilitou o surgimento de dois novos tipos de unidade administrativa militar, a estrutura da Divisão de Combate e a do Corpo de Exercito. A ideia de uma Divisão de combate surge ainda mesmo antes da Revolução, com o Duque de De Broglie, durante a guerra dos Sete anos, mas é implementada parcialmente e por um pequeno espaço de tempo, apenas durante a Revolução é que é instituído em caráter permanente no Exército Revolucionário. Uma Divisão de Combate consistia em uma unidade hibrida, contendo duas brigadas de infantaria, um regimento de cavalaria e uma bateria de Artilharia, junção essa que daria certa autonomia de fogo ao comandante da Divisão além de facilitar o transporte dos soldados, pois as divisões poderiam marchar por vias diferentes, não sobrecarregando as estradas e as linhas de suprimento. Tal Divisão teria a capacidade de se engajar em um combate, mandar mensageiros atrás de outras divisões, e em pouco tempo juntar um exercito maior para lutar contra o inimigo. Esse conceito de Divisão foi adotado posteriormente pela Inglaterra, que se utilizou bem dele, pela Rússia, por volta de 1805, contudo, na Rússia, tal iniciativa não gerou muito sucesso, pois o Exercito do Tzar não tinha oficiais suficientes para atender a demanda; e a Áustria e a Prússia só vieram adotar as divisões de combate por volta de 1809.

Contudo, Napoleão, primeiro General, depois Cônsul e por fim Imperador dos franceses aprimorou a idéia de Divisão de combate e a expandiu, na forma do Corpo de Exercito. Um Corpo de Exército deveria ser composto por duas ou três divisões de Infantaria, uma de cavalaria e uma de Artilharia. Tal corpo contaria com a maior mobilidade provida pelo conceito de divisão e contaria com uma autonomia de fogo muito maior quanto à divisão, podendo iniciar combates, pois cada corpo de exercito contava de 20 a 30 mil soldados. Comumente esses corpos marchavam com pouca distancia um do outro, pois caso fosse necessário o auxilio a um dos corpos, os demais não se demorassem muito, impedindo que ocorresse uma derrota. Normalmente eram comandados por um Marechal do Exercito, que teria o poder e autonomia de tomar decisões independentes às do comandante em chefe. Tal sistema vigorou na França durante todas as guerras Napoleônicas, e, por exemplo, deu a vitória aos franceses na batalha de Eylau, onde o Imperador não dispunha de tropas suficientes para vencer o ataque e no ultimo momento chega um Corpo de Exercito comandado pelo Marechal Ney que dá novo animo às forças francesas que conseguem lançar novo ataque contra os russos forçando uma vitória tática por parte dos franceses.

Na questão de armamento, um dos principais avanços foi o chamado Canhão Howitzer, que era um hibrido de peça de campanha e obus, podendo disparar projeteis de chumbo, maciços, visando atingir uma formação inimiga, ou atirar projeteis explosivos, que ao serem lançados, detonam antes de atingir o solo, acertando um grande grupo de soldados, ferindo-os com gravidade e causando “terror” nos soldados a ser atingidos.

As evoluções das armas e das táticas militares não se restringiram somente aos exércitos de terra. No mar, ponto importantíssimo e decisivo nas batalhas, essa evolução também se fez presente. As brigas pelas rotas comerciais e por domínio de territórios marcaram presença entre os séculos XVII e XIX. O advento dos canhões a bordo, bem como do aumento dos números de conveses, mudança nas velas e quantidades de mastro, adicionado às táticas aplicadas no mar, modificaram totalmente as guerras que aconteceram nos mares.

Em paralelo com a expansão comercial holandesa veio a sua evolução naval. Esse expansionismo holandês, tanto comercial como militar, foi ajudado pela “filosofia” de Hugo de Grotius que escreveu o Mare Liberum, onde dizia que o mar era um bem que deveria ser compartilhado por todos e não de exclusividade de uma nação. Esses empreendimentos que a Holanda fez, tanto comercial como militar, foi através da criação das Índias ocidentais e Orientais.

A Holanda teve a ajuda de dois fatores no seu expansionismo: a vela e o canhão. As velas propulsoras foram sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo e juntamente com ela os canhões pesados fizeram a diferença nesse expansionismo holandês. A junção da vela aperfeiçoada e do canhão pesado foi uma revolução tecnológica que foi decisiva no século XVII. Vale lembrar que antes dos holandeses já existiam navios de velas, eram os Cogas, que eram pequenos navios de um único mastro, onde uma vela retangular era usada. As Cogas não levavam canhões a bordo.

Uma grande evolução veio com a questão da quantidade de mastros em um navio. O mastro único de vela retangular deu lugar a vários mastros. A evolução dos navios passou pelas carracas e pelos galeões. Os galeões por volta do século XVII se tornaram barcos legendários, pois serviam ao mesmo tempo de navios de guerra e de navios mercantes. Esse galeão foi aperfeiçoado pelos holandeses e recebeu o nome de Pinaça. O Pinaça era um pouco mais robusto que o seu antecedente e era usado para a escolta e comboios mercantes.

Nesse momento os navegantes holandeses já contavam com as técnicas de navegação que existiam naquele tempo, bússola, por exemplo, mas faltava uma coisa para garantir a aplicação militar nos mares, o canhão. Apesar de ser mais caro, o canhão de bronze era o preferido naquela época por alguns fatores: leve, de pouca corrosão e resistentes (os canhões de ferro fundido só começaram a ser produzidos em grande escala, mais ou menos, no meio do século XVII). Mesmo assim o peso sempre foi um fator que dificultou a colocação dos canhões nos navios.

Colocados os canhões nos navios, restaria mais uma preocupação: por onde sairia o projétil? É atribuído à Descharges, um construtor naval francês, a idealização da abertura na lateral dos navios para que os canhões pudessem ficar lá. Era o nascimento das portinholas, local onde a “boca” do canhão ficava. Com o surgimento das portinholas, pode-se avançar na questão dos converses do navio. Surgiram os navios com mais de um convés, onde eram instalados os canhões. Paul Hoster chegou a afirmar que o tamanho do navio, ou seja, sua maior capacidade de carregar canhões, contribuia mais do que ter vários navios de capacidade menor. A execução desses canhões era algo complicado, pois demandava muito trabalho e essa execução não era rápida.

Depois de toda essa modificação nos navios de guerra movidos à vela, surgiu na Inglaterra uma classificação para os vários tipos de navios. O parâmetro dessa classificação era em relação ao número de canhões a bordo e de conveses armados. Somente as três primeiras classes eram empregadas nas questões das linhas de combate. Os navios que tivessem mais de 60 canhões eram usados para a linha de combate, enquanto os outros, das outras três classes, com menos de 60 canhões, eram usados para reconhecimento, apoio e escolta. Na época da guerra com a Inglaterra, a Holanda levou para o combate um navio com 80 canhões a bordo e ele foi classificado com um navio de segunda classe.

Com o advento do canhão dentro dos navios, os parâmetros para as guerras nos mares foram modificados. Houve um aumento no poder de fogo. Antes, a tática usada era o de corpo a corpo, que foi sendo deixada de lado com a chegada dos canhões nos navios. O poder de fogo dos navios passou a ser os dos conveses, onde se tinha uma maior concentração desse poder de fogo. A linha de batalha teve início com o implemento desses canhões nos navios, onde agora a meta de ataque era o través, ou seja, a parte do lado do navio inimigo.

No começo do século XVII não se tinha, propriamente dito, uma estratégia traçada para a formação de guerra dos navios. As batalhas se davam pelos erros dos inimigos, através de incursões individuais ou em grupo. Com o passar do tempo e com a inclusão de vários navios em uma só batalha, formando as linhas de batalhas, foi necessário uma maior organização pelos almirantes, de forma que viessem a sanar as grandes dificuldades das batalhas. Já nas guerras anglo-holandesas se fez o uso da linha de combate, onde um artigo das Instruções de lutas Inglesa ordenava que os navios deveriam manter a ordem no alinhamento do seu líder. Com isso, cravou-se a linha de combate nas táticas navais. Essas linhas de combate deixavam os navios em posições paralelas.

Os ingleses deram o passo à frente quando dividiram essa linha de combate em três esquadrões. Esses três esquadrões ficariam dispostos da seguinte forma: um cuidava da vante, outro do meio e outro da ré. Em conjunto com a posição em paralelo com o inimigo na linha de combate, essa divisão por esquadrão fez parte do que foi chamado de Escola Tática Formalista, que surgiu no começo do século XVII. Essa escola defendia que os esquadrões deveriam sempre atacar o esquadrão de mesma posição do inimigo, ou seja, o da vante atacava o da vante, o do meio atacava o do meio e o da ré atacava o da ré.

Na segunda guerra anglo-holandesa, os holandeses utilizaram a tática de guerra dos ingleses, mas com uma modificação: ao invés de atender a rigidez dos Formalistas, os holandeses decidiram atacar de forma concentrada sobre uma parte da linha inimiga, tentando romper a barreira e até mesmo para atacar pelos dois bordos. Assim nascia a Escola Tática Meleista, onde os almirantes holandeses tinham uma maior flexibilidade na hora de atacar, visando um ponto fraco do inimigo. No final das guerras anglo-holandesas a Escola Formalista foi a que predominou.

Outro ponto importante na questão das táticas desenvolvidas no mar foi a dos ventos. Na busca por manobras que viessem a conferir uma posição de vantagem sobre o inimigo, os almirantes buscavam a melhor posição em relação ao vento: barlavento e sotavento. Há algumas vantagens em ambas as posições. Umas das vantagens de se encontrar em barlavento, ou seja, na posição onde o vento entra na vela do navio, é que esse navio pode controlar o posicionamento adequado de ataque e as fumaças produzidas pelos tiros dos canhões iriam para os adversários, ofuscando assim sua visão. A vantagem de que estava no sotavento, ou seja, por onde o vento sai, era de que ele poderia fugir do combate na hora em que ele quisesse. Os tiros disparados a barlavento tinham, normalmente, sua precisão melhor em relação ao alcance se comparado com os de sotavento. Sendo assim, a maioria dos almirantes buscava o barlavento.

No início do século XVIII começa-se a perceber as dificuldades que apresentavam os grandes navios de guerra que eram pertencentes as duas primeiras classes, devido a suas dimensões. Um navio de primeira classe tinha três conveses, caso contrário não seria possível instalar uma grande quantidade de canhões, que seriam a cima de 90 canhões. Tais dificuldades estavam, por exemplo, na questão da manobra, que se tornava difícil devido sua dimensão e estrutura como um todo. Durante boa parte do século XVIII então houve uma limitação no comprimento dos navios de guerra.

Apesar disto, houve progressos quanto à artilharia que compunha um navio, o que possibilitou o desenvolvimento do navio de dois conveses. Em 1715 muda-se a forma do tubo do canhão que passa a ser fundido em uma só peça para depois ser furado e polido. O emprego do carvão de coque na fundição também se insere nesses progressos, já que melhora a qualidade do material fundido, o que resulta em melhor desempenho do armamento, ou seja, aumenta seu poder de alcance e de penetração. É então quando se percebe que se poderia manter o mesmo poder de destruição com menos boca de fogo que se desenvolve o navio de dois conveses, que normalmente possuíam 74 canhões, mas eram mais fáceis de manobrar e possuíam melhores qualidades náuticas. Navios deste tipo passaram a se tornar mais utilizados para fins de batalha, pondo os navios de três conveses e 100 canhões de lado durante algum tempo.

Na frança, onde surge o projeto de navio de dois conveses, foram estabelecidas normas para os navios armados que teriam 64, 74 e 80 canhões. Os de 74 canhões, especificamente, tinham poder de fogo suficiente para enfrentar outros tipos de embarcações, inclusive maiores por estes serem mais difíceis de manobrar, por este motivo e por sua flexibilidade eram preferidos. Posteriormente esse tipo de navio foi adotado pelos ingleses.

Apesar de ter caído em desuso, o interesse pelos navios de três conveses ressurge quando se começa a buscar em navios deste tipo, que possibilitariam o uso de maior quantidade de canhões, os mesmos resultados que se tinham com os navios de dois conveses e 74 canhões. A primeira mudança estava na adoção das formas de carena dos navios de 74 canhões e nos novos estudos sobre cascos estilizados. A segunda mudança consistia na introdução da roda de leme que permitia melhor controle da direção do navio, em vez da cana do leme, sendo assim precisariam de menos homens para manejá-la e sendo instalada no convés de popa facilitaria ao timoneiro ver o porte das velas mantendo assim o rumo. A terceira mudança foi feita no velame, com a adoção de velas triangulares juntamente com as velas redondas, assim como a substituição da vela latina por uma carangueja no mastro principal. A partir de tais progressos a direção e o controle dos navios tornaram-se mais eficazes e rápidos e houve o retorno da construção de navios de três conveses de primeira e segunda classe.

Nas batalhas do século XVIII, era usado o navio da coluna como meio de concentrar o poder de fogo e a formatura em coluna era a melhor maneira de possibilitar esse poder de fogo. Este tipo de formatura era mais viável também porque os navios a vela costumavam a atirar pelo través. Além do que se poderia manobrar um grande número de navios, mesmo que com dificuldade, e se facilitaria a comunicação. O que determinava as manobras feitas eram a direção e a intensidade do vento, assim como a marcação e a distância do inimigo.

No ano de 1740, a marinha inglesa passa a ser submetida a instruções permanentes de combate, que substituem as antigas instruções do almirantado. Era-se usada como formatura uma Coluna Singela, combatendo de preferência a barlavento, mas esse tipo de formação, mesmo que trouxesse benefícios pela sua simplicidade, acaba sendo motivo de fracasso nas batalhas as quais a Inglaterra se envolvia.

Isso se explica devido a rigidez das novas instruções de combate, já que elas limitavam o poder de se criar novas manobras e táticas durante o combate. Era negado ao almirante, a partir de então, a concentração sobre a retaguarda do inimigo, o rompimento da coluna, ou a concentração do poder de fogo de dois navios contra um inimigo.

A opção francesa era por uma batalha não decisiva. Sua estratégia, por exemplo, com relação à Inglaterra era além de fazê-los desistir, enfraquecer sua coluna. Eles se concentravam na precisão do fogo (ao contrário dos ingleses que davam maior importância ao volume do fogo), com canhões de longo alcance, posição a sotavento e atirando alto na mastreação.

Na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), a Inglaterra resolve investir no treinamento de comandantes e da tripulação, além de uma maior produção de embarcações. Em 1770, no decorrer da guerra, os navios foram padronizados de acordo com as necessidades estratégicas inglesas. A partir de então criou-se um novo sistema de classificação para o comprimento, o número de cobertas e a capacidade de artilharia das embarcações.

Seguindo padrões estabelecidos pela Marinha Real, as embarcações da linha de batalha deveriam manter a mesma velocidade, a mesma capacidade de manobra e de poder de fogo que o adversário. Como as embarcações eram divididas em classes, as três primeiras estariam aptas para compor linha de batalha. Os outros navios, que seriam os cruzadores, fragatas e fragatas ligeiras, respectivamente os de quarta, quinta e sexta classe, como eram mais leves e ágeis ficariam encarregados do trabalho de reconhecimento, escolta e apoio.

A formação de Linha de Batalha foi escolhida para a Guerra dos Sete Anos. A primeira tática adotada para coordenar as embarcações foi a Tática Formalista, que já havia sido adotada na Guerra Anglo-Holandesa. A segunda tática adotada, para substituir a rigidez da tática Formalista, foi a Tática Meleista, que dava mais liberdade de movimento em certas ocasiões.

Já a Batalha de Trafalgar (21 de outubro de 1805), foi um marco do rompimento das rígidas regras impostas à marinha, se afastando consequentemente da formatura singela, graças a nova tática liderada pelo almirante Horatio Nelson. Foram 27 navios ingleses, contra 33 navios franceses e espanhóis. A esquadra franco-espanhola se organizou em linha, já os ingleses optaram pela formação em coluna, o que permitiria uma melhor comunicação, ao contrário da formação em linha. As colunas inglesas entrariam no meio da linha francesa, partindo o alinhamento em três, e assim enfraquecendo o inimigo, os atacando a barlavento. Desfazendo a linha francesa, se formariam combates singulares. Os ingleses não poderiam, porém, fazer esse tipo de manobra abrindo fogo, pois ficariam vulneráveis ao poder de fogo do adversário, já que seus navios não tinham poder de fogo para vante. Por fim virariam os navios para que ficassem emparelhados com os navios franco-espanhóis. Os navios ingleses usados nessa batalha tinham o propósito de provocar uma alta cadência de tiro a curta distância, como era de sua preferência.

Dentre as táticas adotadas por Horatio Nelson na Batalha de Trafalgar estão as de trabalhar em apoio mútuo, por coluna e navio da coluna; permitir a flexibilidade de execução dos movimentos, utilizando poucos sinais; manter uma posição a barlavento, mas se houvesse necessidade o contato poderia ser feito com a força a sotavento; a compreensão da relação entre os movimentos e a distância no mar, o que resultaria em uma surpresa tática e na concentração de força à vista do adversário.

CONCLUSÃO

Os avanços militares e tecnológicos decorridos entre os séculos XVII e XIX mudaram as formações dos exércitos e de suas formações táticas, bem como na evolução dos armamentos. Essas mudanças acarretaram em uma maior especialização na questão militar que passou a ocupar um espaço maior dentro dos Estados Absolutistas, com gastos cada vez maiores, passando de, no inicio do XVII, exércitos mercenários e frotas pouco armadas para um melhor investimento na criação de uma maquina militar nacional que pudesse suprir melhor as necessidades de guerra das nações europeias em terra e em mar.

Antigas hegemonias militares foram caindo perante as nações que primeiro aderiram essas novas tecnologias. A França, por exemplo, ao desenvolver suas tecnologias militares durante os séculos XVII e XVIII, conseguiu arrastar à Europa para sua hegemonia no começo do século XIX. Nos mares a Inglaterra já havia se tornado no século XVIII a maior potência naval, tendo a França como um inimigo forte já no início do século XIX. A busca por essa hegemonia no mar deu um tom mais moderno nas guerras que se desenvolveram no mar e ocasionou a evolução das armas e das táticas nesse âmbito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

História das Guerras/ Demetrio Magnoli, organizador. 4edição – São Paulo: Contexto, 2009

ROBERTS, Andrew, “A Batalha de Waterloo”, Rio de Janeiro, Ediouro, 2006

http://www.marxists.org/portugues/marx/ano/mes/infantaria.htm. Acessado em: 03 de Junho às 19:00

http://darozhistoriamilitar.blogspot.com.br/2009/12/as-divisoes-e-os-corpos-de-exercito-de.html. Acessado em: 03 de Junho às 19:09

http://www.revistanavigator.com.br/navig10/dossie/N10_dossie2.pdf. Acessado em: 03 de Junho às 19:37

https://www.egn.mar.mil.br/arquivos/cepe/FleetTactics.pdf. Acessado em: 03 de Junho às 19:43

http://www.revistanavigator.com.br/navig16/art/N16_art2.pdf. Acessado em: 03 de Junho às 19:41

http://ciencia.hsw.uol.com.br/armas-de-pederneira2.htm. Acessado em: 03 de Junho às 19:52

http://www.airpower.maxwell.af.mil/apjinternational/apj-p/1996/4tri96/bunker.html. Acessado em: 03 de Junho às 19:57

http://homepages.ihug.com.au/~dispater/handgonnes.htm. Acessado em: 03 de Junho às 20:05

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Categories: Histório Moderna II
Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 05 jul 2013 @ 04 54 PM

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02 de dezembro de 1870



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