24 jun 2008 @ 2:09 PM 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
PROBLEMAS DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
SEVERINO VICENTE DA SILVA

O Pântano e o Riacho

Aluna: Wanessa Teles

Recife, 20 de março de 2008.

Introdução

O presente trabalho se propõe a fazer uma discussão acerca do livro O Pântano e o Riacho do historiador Raimundo Arrais. Este livro foi fruto da tese de doutorado de tal estudioso, cuja personagem principal é a própria cidade do Recife.
A partir do recorte histórico que vai de 1840 a 1890 Arrais traça a trajetória da cidade que de burgo triste alcançará o posto de capital da província pernambucana em detrimento de Olinda, já no século XVII.
O período histórico enfocado, segundo o autor do livro, foi escolhido em virtude dele ser inaugurador do progresso, desencadeado na Europa e transplantado para a cidade, que não ficará imune às mudanças que serão implementadas pelas elites, tencionando projetá-la a condição de cidade “civilizada”, entretanto veremos no decorrer da discussão sobre a obra que o progresso irá acentuar muitas contradições de uma sociedade calcada, ainda, no trabalho escravo, e que embora a elite recifense almejasse dar uma ar de “civilidade” ao Recife cada segmento social se apropriará do espaço público de formas distintas.

Tomando como referencial histórico o século XIX, mais precisamente, os anos de 1840 a 1890, Raimundo Arrais resgata a História da cidade do Recife, cujo objeto de exame é a própria capital da província pernambucana. Utilizando-se de uma perspectiva histórico-social do urbano, o historiador supracitado reconstrói a História da cidade a partir das transformações urbanas implementadas pelas elites recifenses, que imbuídas por valores transplantados dos grandes centros urbanos europeus, timoneadas pelo fulgor do progresso, sendo este inaugurador da modernidade, irá imprimir na cidade um caráter pedagógico, dando-lhe um aspecto de “civilidade” que será concretizado na transfiguração de: Práticas, comportamentos, valores… A cidade aqui é palco das mudanças tanto de ordem material como também simbólica, carregando em sua “alma” a subjetividade das representações humanas.
Ao discorrer sobre a historiografia pernambucana Raimundo Arrais traz à tona uma discussão acerca de uma lacuna no que concerne ao estudo da História do Recife do século XIX. Alguns historiadores que estudaram tal período não atentaram para os fenômenos da produção material e simbólica da cidade, esta na concepção do autor durante muito tempo foi relegada em detrimento de eventos políticos, econômicos… Que movimentaram a História do Recife e de Pernambuco, observa-se, pois, um apego às tradições por parte dos intelectuais no que tange a reprodução do imaginário, do tradicionalismo e do status quo, perpetuando as tradições no pensamento da historiografia pernambucana.
Além desse desinteresse por parte de alguns historiadores de fixarem a cidade como objeto de problematização historiográfica, concretizado na escassez de estudos, a cidade quando vista por alguns escritores do século XX, mais especificamente, quando da intervenção urbanística implementada durante a vigência do Estado Novo. Este fato fará com que os mesmos remontem ao passado do Recife de forma nostálgica e melancólica, fixando seus olhares nas questões pitorescas da cidade, algumas fornecidas pelos diários de viajantes europeus que estiveram na capital no início do século XIX. Um exemplo fornecido por Arrais é Estevão Pinto, que embora tenha sido pioneiro na reconstituição do passado histórico da cidade, este irá absorver por demais os relatos de tais viajantes, sendo seus escritos desprovidos de um senso crítico, isto é, problematizador.

Vê-se, portanto, na obra O Pântano e o Riacho, uma inovação no diz respeito aos estudos acerca da História do Recife e um incentivo aos que futuramente quiserem seguir por esses meandros historiográficos, além do mais, essa produção acadêmica veio acrescentar ao preencher essa vacância nos estudos da História de nossa cidade.
A seguir, é relevante ressaltar a contribuição que os flamengos deram a cidade do Recife, visto que as intervenções urbanísticas implementadas pelos holandeses irão fomentar as atividades econômicas com as construções de pontes, propiciando uma interação entre a cidade e seus arrabaldes, dando uma maior dinamicidade a capital da província. Um outro aspecto interessante abordado pelo autor é no que concerne à conquista de territórios, através dos aterramentos, que apesar da historiografia dar ênfase a ampliação do espaço pelos flamengos, Raimundo Arrais nos fornece informações acerca da atuação da irmandade do santíssimo sacramento da Boa Vista, que embora fosse impelida a fazê-lo por questões relacionadas ao culto divino, estas não excluem o desejo de ocupar solos abertos a expansão urbana. Além da atuação do clero também houve a participação de particulares no aumento da área habitável. Essa observação feita pelo autor descentralizou um pouco o foco sobre a contribuição flamenga, mormente no que se refere à maximização do espaço da planície recifense sobre as áreas alagadiças, ampliando a visão do leitor ao trazer informações no que tange à participação de alguns setores da sociedade na conquista do solo da cidade.

Com a transformação do Recife em vila em detrimento de Olinda, e sendo aquela uma intermediária nos assuntos econômicos, já que era por intermédio de seu porto que se efetuavam as trocas comerciais, dando a cidade um incremento populacional como também prestígio administrativo, além se ser a terceira em importância no império. Uma crítica que faço ao autor é que o mesmo ao trabalhar com dados quantitativos sobre a população do Recife, ele não explica um decréscimo que houve entre os anos de 1872 a 1890, passando a população de 116.671 a 111.556, respectivamente, deixando o leitor sem uma noção exata dos fatores que influenciaram na baixa populacional, pois naquele momento a cidade passava por um momento de transformações, e é legítimo pensar numa atração populacional e não numa retração, no entanto mais adiante ele ao tratar da questão da salubridade pública, evidencia a questão das epidemias que assolaram a província durante o período enfocado.

Dando seqüência à obra há um destaque ao progresso, que era visualizado por intermédio dos empreendimentos urbanos implementados pelas elites recifenses, um fato muito curioso abordado por Arrais é a questão do emprego do ferro nas construções erigidas pela cidade, que era visto como um fator de desenvolvimento, isto é, progresso. Outro âmbito interessante em relação às construções é que as mesmas tentavam imprimir um caráter moralizador com o emprego de mão-de-obra livre nas edificações, além evocar uma espécie de culto ao trabalho, tudo isso com intenção de impressionar aos que aportavam no Recife, principalmente, os viajantes europeus.

A partir do contexto progressista vivenciado pela cidade, é muito interessante quando da abordagem pelo autor da questão no que diz respeito a concepção de teatro como escola dos bons costumes, meio de instrução e formação dos povos, é nessa perspectiva que o teatro de Santa Isabel será concebido, com toda sua pompa em estilo neoclássico, um reflexo da influência européia, mais precisamente italiana, visto que é na Europa que as autoridades irão buscar o exemplo de “civilidade”, forjando no indivíduo urbano um modelo de homem do século do progresso.

Outros sinais de progresso que eram vistos pela cidade eram as praças ajardinadas, espaços de sociabilidade e lazer, que irá excluir uma boa parte da população, visto que o populacho era sempre alvo de críticas nos jornais da cidade, pelo seu mau comportamento, destruindo os espaços naturais construídos pelas autoridades administrativas. É notório que com o advento do progresso fossem acentuados as diferenças no comportamento dos vários segmentos sociais, pois cada um irá se apropriar desses espaços de maneira distinta, vê-se portanto uma certa ingenuidade das elites recifenses em querer adaptar a realidade européia à realidade local, visto que por mais que tentassem dar ares civilizados a cidade por meio de suntuosas construções o cotidiano era,ainda, de uma sociedade baseada no trabalho escravo e com profundas disparidades sócio-econômicas.

Embora as elites Recifenses fossem buscar no continente europeu um referencial no tocante a civilidade, essa tentativa pareceu meio turvada, quando da contratação de uma companhia inglesa responsável pelo saneamento da cidade, que fora no período estudado alvo de inúmeras críticas por parte dos médicos salubristas, inclusive, o médico e vereador Lobo Moscoso responsável pela salubridade pública do Recife, já que além de não resolver os problemas que tanto atormentavam a população no que concerne a questão dos encanamentos por onde deveriam escoar os excrementos, quando solicitado seus serviços a mesma ao fazê-lo escolhia os momentos inadequados para desobstrução dos encanamentos, principalmente no verão, quando a disponibilidade de água era escassa, mostrando a estreiteza do atendimento por parte da companhia inglesa.

Levando em consideração o que fora supracitado, o autor poderia ter explorado essa ausência por parte da Recife Draynage de meios técnicos eficientes relacionados a problemas tão básicos que é a questão do saneamento, pois se as elites iam buscar na Europa, particularmente, na França e em Londres um paradigma de civilização, como é que uma companhia inglesa era tão incompetente ao ponto de não solucionar problemas de ordem pública, a princípio, básicos, embaraçando a vida dos moradores dos sobrados, muitos dos quais não possuíam sequer vasos sanitários, corroborando a fragilidade operacional de tal companhia.

Ao longo da obra, Arrais vai mostrando ao leitor as inúmeras dificuldades das elites, especialmente das autoridades administrativas em dar a cidade requintes de civilização, sendo as contradições acentuadas à medida que o progresso ia se instalando por meio das edificações e seus modelos arquitetônicos suntuosos. Essas contradições ficavam patentes na precariedade dos serviços prestados a população, tais como: Saneamento básico precário, dificuldade para fazer o censo populacional, precariedade no abastecimento de água para a população… Ou seja, serviços imprescindíveis a uma cidade que almejava fazer parte do universo progressista não conseguia resolver problemas básicos para um bom funcionamento da capital da província e até mesmo para o bem estar de sua população.

Além disso, por mais que as autoridades quisessem imprimir na população um comportamento dito civilizado, essa mesma população muitas vezes contrariava essa perspectiva. Um exemplo bem comum era o hábito dos moradores dos sobrados jogarem suas águas utilizadas para o asseio pessoal pelas janelas, batizando os transeuntes que tinham o infortúnio de passarem na hora em que a água era despejada, esse é só um exemplo do ideal de homem civilizado que as elites tentaram forjar, mostrando seu insucesso tendo em vista a permanência de tais práticas.
À medida que o progresso, mesmo que modestamente, ia se instalando pela cidade, um progresso luminoso surgia para registrar de um lado as obras arquitetônicas, os bondes, as maxabombas…Sinais de desenvolvimento como esses eram contrapostos aos hábitos não civilizados da população, a exemplo de indivíduos que urinavam nas ruas, deixando-as com um odor desagradável, além de constranger as damas que passavam nessas horas, essa imagem foi publicada pela América Illustrada, que denunciava a falta de moralidade pública dos moradores da cidade.

Outras cenas captadas pelas câmeras fotográficas eram as que diziam respeito ao cotidiano da população recifense, nas quais o elemento negro está muito presente nas representações das imagens. É muito comum negros carregando damas que passeavam em suas cadeirinhas de arruar, negros despejando os tigres com excrementos de seus senhores no mar, negros carregadores de água, negras vendedoras de doces… Todas essas cenas foram registradas por H. Lewis em 1848. Outros registros mostravam os hábitos avessos à questão da salubridade pública, tais como: Animais sendo lavados nos rios, enquanto mulheres lavavam suas roupas, cozinhavam, tomavam banho e em outro plano da mesma imagem um casal contemplando construções que atestavam o progresso vivenciado pela cidade.
Por conseguinte, no final do livro o autor não se propôs ir mais além de comentários simplórios acerca da introdução do elemento fotográfico, além de uma análise pouco aprofundada das fotografias, deixando de explorar com mais afinco as contradições registradas pelo recurso ótico entre as mudanças acarretadas pelo progresso e os hábitos da população, inclusive, o cotidiano escravo retratado em muitas das imagens, que insistia em permanecer.

Bibliografia:

ARRAIS, Raimundo. O Pântano e o Riacho: A formação do espaço público no Recife do século XIX. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2004.

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 20 jun 2008 @ 11:40 PM 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO – UFPE
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DISCIPLINA: PROBLEMAS DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA

O SERTÃO DO ARARIPE

IZABELLE FELICIANO, INGRID MOURA, ANDRÉ MENDES, MARCONE MENDONÇA,
LUANA JOELMA.

Recife, junho de 2008

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO………………………………………………………………………………………….01

1. Araripina…………………………………………………………………………………………………02

2. Santa Cruz………………………………………………………………………………………………04

3. Exu………………………………………………………………………………………………………..04

4. Santa Filomena………………………………………………………………………………………..05

5. Granito…………………………………………………………………………………………………..05

6. Ouricuri………………………………………………………………………………………………….06

7. Ipubi………………………………………………………………………………………………………06

8. Moreilândia……………………………………………………………………………………………..09

9. Trindade………………………………………………………………………………………………….10

10. Bibliografia……………………………………………………………………………………………14

11.Anexos…………………………………………………………………………………………………..15

INTRODUÇÃO

A Microregião de Araripina é formada por dez municípios, tem mais de 11% da área do Estado (11.792 km2). Seu clima é o semi-árido, e a vegetação é predominantemente de Xérofilas. Apenas na região da Chapada do Araripe o clima é diferenciado – ameno e com índices pluviométricos maiores. Na economia da microregião, tem grande destaque a produção de gesso – no pólo gesseiro de Araripina, Ipubi, Trindade, Bodocó e Ouricuri sai 95% do gesso consumido em todo o Brasil. A maioria do gesso retirado das jazidas do pólo gesseiro é tratado em Araripina, cidade mais desenvolvida, rica e importante da microregião. A segunda cidade em importância é Ouricuri, com posição estratégica na malha viária.
As Cidades que entegram a microregião são: Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade.

ARARIPINA

“Uma mina de progresso no coração do Nordeste”.

Araripina constituía um distrito de Ouricuri e tinha a denominação de São Gonçalo. O distrtito de São Gonçalo foi criado pela Lei Municipal de 01 de julho de 1893 contando na época com 8 ou 10 casas e a capelinha de Nossa Senhora da Conceição, primeira e única padroeira do lugar. A Lei Estadual no. 991, de 01 de julho de 1909, elevou o povoado à Vila como distrito de Ouricuri. Em 1922, o Bispo de Pesqueira, Dom José Lopes criou a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de São Gonçalo do Sauhem, que até 1933 ficou sob a responsabilidade do Vigário de Ouricuri. Em 14 de junho de 1923, chegou o primeiro Vigário residencial, iniciando a partir daí, uma nova era para São Gonçalo. Surgiu a primeira Escola Estadual em 21 de junho de 1950 e vieram vários melhoramentos.
Em 1928, começou a luta pela independência do distrito. O Município foi criado pela Lei Estadual no. 1.931, de 11 de setembro de 1928, que teve vigência a partir de 01 de janeiro de 1929, quando foi instalado. O Decreto – Lei Estadual no. 952, de 31 de dezembro de 1943, mudou a denominação do Município de São Gonçalo para Araripina, provavelmente, pelo fato de ser localizado nas imediações da Chapada do Araripe. Alguns historiadores defendem a tese de que o nome Araripina deriva etimologicamente do tupi: ara + iba, ou iriribá: coloração vermelha. Outra tese bastante aceita e divulgada diz que o topônimo Araripina origina-se do termo Arari(Pe), devido à localização no sopé da Chapada do Araripe, acrescido do sufixo “Iná”, vindo do nome do famoso missionário sertanejo Padre Ibiapina, que edificou a primeira capela da cidade. É, ainda, assunto de pesquisas e estudos. Outros nomes sugeridos à comissão encarregada de elaborar o Projeto de Reforma Administrativa do Estado de que resultou o Decreto-Lei no. 952, de 31 de dezembro de 1943, foram: Oestina, Cararama e Ibiçaroca (alusão ao grande valado ao pé da Serra do Cariri e que termina em Exu). Administrativamente, o Município compõe-se dos distritos: sede, Lagoa do Barro, Nascente, Bom Jardim do Araripe, Morais e pelo povoado de Gergelim, Feira Nova, Cavaco, Serrânia, Sipaúba e Lagoa de Dentro. Anualmente, no dia 11 de setembro, Araripina comemora a sua emancipação política.
Distando aproximadamente 690 km da capital Estadual, Recife, tendo como acesso rodoviário as BR’s 316 e 232, e a Rod. PE585. Suas coordenadas geogáficas são 7°,32’ e 45’’ de latitude Sul; 40°,34’, de longitude W. Gr. Com altitude de 622m. limitando-se ao Norte com o Município de Campos Sales-CE; a Oeste com os Municípios de Fronteiras, Marcolândia e Simões-PI; ao Sul com o Município de Ouricuri-PE e ao Leste com os Municípios de Trindade e Ipubi-PE.
Com uma área de 1.906km2, Araripina representa 1,7% da área total do Estado e se insere totalmente na Bacia Hidrográfica do Rio Brígida. Possui clima semi-árido quente com uma temperatura média anual de 24°C; precipitação pluviométrica média de 700mm/anuais, com solos adequados para cultivos temporários ou permanentes de vegetação típica de caatinga.

II – Canto às Origens

ARARIPINA

Araripina é Estrela do Araripe
Urbe que se alteia bonita
Nesse majestoso araxá do gesso

Araripina é topônimo erudito de Mário MeloVoz tupi, aglutinante de termos primários.- “ ‘RARI ” e “ PINA” – reunidos na forma daPalavra absoluta – ARARIPINA.
Sua origem remonta ao ancestral mongol Semitoasiático – tupiná – gênese de TupãQue fez a se mesmo – O PRIMEIRO PAI
São etinos orientais que nos faz lembrar,O Canto agreste d’arara, no cimo da chapada- “ Ará, ará” – sempre a cantarAs origens remotas de Araripina.
Araripe – é a grande serra, irmã gêmea de Ibiapina- Pátrio rincão tropicalOnde nasceu a doce IracemaSímbolo de – beleza – e bravura
D’ascendênte de Araribóia – O guerreiro cobraQue do País, fez sairO invasor “Mair da França Antártica”
- Meu Comandante Camarão, olha lá!Astro rei dos “ ‘RARI”É o sol, é o dia, é – Araripina Estrela – luzQue alumia a mente tupiná do meu Sertão. Esse poema faz parte do Livro do Professor e Naturalista, Vicente Alexandre Alves, intitulado As Origens e Riquezas Naturais de Araripina, como sede da região do Araripe, ainda aguardando publicação, podendo ser copiado sem restrições, desde que citada a fonte.

SANTA CRUZ

No ano de 1929, durante uma peregrinação pelo sertão, dois frades capuchinhos, tiveram que interromper a viagem devido a uma febre que acometeu um deles permanecendo no local por cerca de um mês. Abrigaram-se sob o pé de um juazeiro. Diversas famílias acorriam a eles para assistência espiritual e celebração dos sacramentos e missas. Despediram-se da região deixando uma grande cruz de madeira no local onde se abrigavam.
Esta cruz foi encontrada pelos vaqueiros do fazendeiro José Correia, senhor de muitas terras e escravos que habitava a região. José Correia pediu que trouxessem a cruz à fazenda, colocando-a na capela. A cruz passou a ser objeto de veneração da população local, que visitava a capela em busca de proteção divina. Ao seu redor começou a surgir a povoação. Aos poucos surgiu a festa da Venerada Santa Cruz, que ocorre de 1 a 3 de maio, que além dos rituais religiosos também conta com barraquinhas de comidas típicas e bebidas, bingos, danças, etc.
O distrito de Santa Cruz, subordinado ao município de Ouricuri foi criado em 23-01-1915. Foi elevado à categoria de município autônomo pela estadual nº 10623, de 10-01-1991, e instalado em 1993. O município é constituído pelo distrito sede, Varzinha, Poço D’Antas, Caçimba Nova, e Santa Helena.

EXU

Longe de ser oriundo do nome homônimo de um orixá, a cidade do aclamado Rei do Baião, Exu parece ter sugido da força da interação entre os fonemas LUSA e TUPI. A ele são atribuídas duas origens. A primeira como corruptela do nome de uma tribo local, Açu, ou ainda, do nome dado pelos indígenas da mesma tribo ao que seria o ferrão de espécies de abelhas comum à região, chamados “Enxu ou Inchu”.
A história desse município é mais um exemplo de um desenvolvimento independente e autônomo dos grandes centros urbanos. A implantação da economia açucareira na Zona da Mata e Litoral pernambucano pareceu direcionar a migração de portugueses apenas a essas áreas. Exu era uma área mais remota. Estava mais voltada para fora do Estado, para ser mais exato o oeste do Ceará, do que para dentro do próprio Estado.
A fixação em Exu remonta a exploração do Sertão do São Francisco. Ocorreu perante as graças do chefe da tribo Açu, o Cacique Araripe, cuja tribo aldeiada junto à fonte da Gameleira indicou aos primeiros portugueses onde se fixar, junto a uma área cujo terreno era da melhor qualidade para pecuária e agricultura. Era a encosta da Chapada do Araripe, sede de onde se formaria o primeiro foco de povoamento português, e que ficou conhecido posteriormente como Exu Velho.
A penetração desse território seguiu a expansão do nordeste. Seus principais fundadores, de sobrenomes Araripe, Alencar, Sampaio, entre outros, transpassa a história do município até os dias atuais. Contaram estes, como em outros casos que serão citados nesse trabalho, com a chegada de frades jesuítas, que logo cuidaram de erguer uma capela local, dedicada ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos. Pronto! Estavam mobilizados os ingredientes de uma receita, que continham como produtos principais uma elite local, assessorada por uma Igreja Católica de forte atuação.
O Padre João Batista de Holanda, vindo da Paraíba com a missão de catequizar, iniciou em outra área, a construção da Igreja Matriz, também dedicada a Bom Jesus dos Aflitos. Ao redor desta Igreja surgiram casas de comércio e residências, local da pedra fundamental da Cidade de Novo Exu, onde hoje seria a Praça Casimiro Ulisses.
O Município propriamente dito foi instalado apenas em 1846, pela lei provincial de Nº 150. Porém, Exu vai ficar sujeita a várias alterações administrativas que tornaram sua história política bem conturbada, ora restaurando sua autonomia, ora sendo anexado a outros povoados, como Ouricuri, Cabrobó, Granito. Exú só foi reconhecido como Comarca em 07 de junho de 1885, fato que não durou muito tempo, sendo suprimido enquanto município pela Lei Provincial de nº 608 de 03 de Abril de 1895.
Somente em 1907 é que ocorre a restauração administrativa definitiva da administração de Exu, marco que a 08 de setembro do mesmo ano, faz-se celebrar o aniversário da cidade.

SANTA FILOMENA

Quase não foram encontradas fontes de pesquisa sobre este município. As poucas linhas encontradas dizem que Santa Filomena foi desmembrada do território de Ouricuri, tendo uma história bastante recente, foi criado em 22 de setembro de 1997, com base na lei estadual complementar nº 15 de 1990, Santa Filomena possui base econômica na agricultura e pecuária, preservando diversos engenhos do período colonial. Nesta cidade também existem vestígios da atuação das missões jesuíticas, fato que pode ser facilmente verificado em um passeio pelas ruas da cidade que leva a visualização da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios.

GRANITO

O município de Granito leva esse nome devido à predominância dessa rocha na região. Esse município, que hoje se estima ter 6.492 habitantes, segundo dados IBGE, foi criado em 1859, às margens do Rio Brígida, na antiga fazenda Poço Dantas pelo vigário José Modesto Correia de Brito, que construiu uma capela na região com o nome de Nossa Senhora do Bom Conselho. Se observarmos bem, veremos que esse fato é muito comum nas áreas interioranas do território brasileiro, pois grande parte desses municípios do interior “nasceu” ao redor das capelas e igrejas que iam sendo construídas pelos vigários e padres.
Com a criação da capela de Nossa Senhora do Bom Conselho, começou-se a se edificar um povoado. Em 1863, esse povoado recebeu, através da lei provincial de 9 de abril nº548, a honra de Vila, cuja sede foi transferida do termo Exu para Granito, pelo próprio vigário José Modesto, fundador da capela que deu origem ao povoado. No ano seguinte ao da Proclamação da República, foi criada pelo Sr. Juiz de direito Alfredo Afonso Pereira a Comarca de Granito. A 5 de junho de 1893, Granito constituiu-se município autônomo. Em 1924, ainda na República do Café com Leite, Bodocó passa a ser sede do município de Granito. E em 1938 o município passa a se chamar Bodocó, sendo Granito rebaixado a condição de distrito. Só no ano que antecedeu o golpe civil-militar de 64 é que Granito foi desmembrado do município de Bodocó, e conseguiu novamente sua autonomia, sendo elevado à condição de Cidade.
Hoje, o município de Granito é composto pelo município sede e pelos povoados de Rancharia e Lagoa Nova. Sua emancipação política é comemorada no dia 20 de dezembro, tendo como padroeira da cidade Nossa Senhora do Bom Conselho, nome da primeira capela, erigida pelo vigário José Modesto Correia. Sua Área é de 521,86 km² representando 0,53 % do Estado, 0,03 % da Região e 0,01 % de todo o território brasileiro. A principal base econômica de Granito é a agropecuária, onde se destacam o cultivo de milho e feijão.

OURICURI

Ouricuri começa a ser povoado em 1841 quando o padre Francisco Pedro da Silva compra terras de D. Brígida Alencar e constrói uma capela em homenagem a São Sebastião. Nos arredores da capela, que está inserida na bacia hidrográfica do rio brígida, começa a se desenvolver atividades agro-pecuárias. O próprio padre fundador do povoado dá o nome de Ouricuri àquelas terras; Esse nome é oriundo de uma palmeira. Porém existe a versão que diz que a origem do nome do povoado vem de um casal Goulart do século XIX, que compra parte das terras da fazenda de gado de D.Brígida Alencar. Esse casal, que fixa residência no local, dá o nome de “Aricuri” (termo indígena), que significa “duas serras juntas”.
Em 1893 Ouricuri foi transformada em município autônomo e teve como seu primeiro prefeito o tenente-coronel Elias Gomes de Souza. Sua fundação, no entanto, acontece em 1939, quando Alexandre Bernardino, juiz de direito da Comarca da Boa Vista, chega à cidade fugindo de uma epidemia de febre, a qual foi denominada na época de “carneirada”. A festa comemorativa da emancipação da cidade ocorre no dia 14 de maio
Hoje, esse município é formado pelos distritos de Barra de São Pedro e Santa Filomena. Possui uma área de aproximadamente 2.423 km2 e uma população de 58.653 habitantes (censo de 2000. IBGE). Sua principal atividade econômica é a agricultura, onde temos como principais produtos o feijão, algodão, mandioca, milho, cebola, tomate; ainda temos a criação de bovinos e aves, além da mineração. É importante que se diga que 40% das reservas de gipsita do mundo estão localizadas na região do Araripe, onde Ouricuri faz parte. Essa região é conhecida como pólo gesseiro e detém 95% da produção nacional de gesso, que se caracterizou pela criação de um parque industrial na região, que gera cerca de 12.000 empregos diretos e 60.000 indiretos.

IPUBI

Ipubi localiza-se a uma latitude 07º39′07″ sul e a uma longitude 40º08′56″ oeste, estando a uma altitude de 535 metros. Sua população estimada em 2004 era de 23.971 habitantes. Possui uma área de 972,17 km² e é formado pelos distritos de: Ipubi (sede), Serra Branca e Serrolandia e pelo povoado da Mineradora São Severino. O município faz parte da Região de Desenvolvimento do Araripe. Essa região representa 18,8% do território estadual com 18.576,9 km² e abrange ainda, os municípios de Araripina, Bodocó, Cedro, Exu, Granito, Ouricuri, Moreilândia, Parnamirim, Salgueiro, Santa Cruz, Santa Filomena, Serrita, Trindade e Verdejante. Seu acesso se faz através da BR-232 e PE-630.
Em 1938, agricultores de várias regiões começaram a habitar a Fazenda Poço Verde, nome inspirado num poço que raramente secava, suas águas eram cristalinas, uma parte coberta por plantas aquáticas que exaltava a cor verde das águas. Esses habitantes foram atraídos a esta fazenda, por ela possuir um solo predominantemente argiloso úmido e de bastante fertilidade, isso devido a sua localização no sopé da chapada do Araripe. Com essas boas características logo se construiu um povoado. O Poço abastecia todos os moradores da região, ao lado havia três grandes árvores frondosas, o juazeiro, o tamboril e a baraúna, cujas sombras abrigavam as pessoas que ali passavam em busca do descanso.
Em meados de 1938, comboieiros de várias regiões circunvizinhas transitavam por veredas, vilarejos, povoados e cidades, transportando ao lombo de burros com malas de couros os produtos regionais: sal, abacaxis, peixes, salgados, farinhas e outros. A sombra das árvores foi o local principal onde se realizou a primeira feira em 1938, criada pela necessidade dos habitantes que pouco a pouco crescia e se estendia nas caatingas do alto sertão pernambucano.
De uma maneira simples e de estilo rústico dos seus habitantes, realizou-se a primeira feira, na ausência de barracas, apenas sobre sombra das árvores, onde foram expostos produtos artesanais e comidas típicas da região.
Neste mesmo ano ao som de búzios dos vaqueiros houve uma convocação de voluntários com objetivo de desmatar o terreno para construção da futura vila. Tendo em frente deste movimento os senhores: Joaquim Eugênio Silva, Antonio Tavares e Aureliano Damascena Rodrigues. O terreno foi comprado à senhora Pulcina Maria de Siqueira e Marcelino Correia, logo em seguida foi doado ao patrimônio de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Padroeira da cidade, cuja festa é comemorada na primeira quinzena do mês de agosto.
O Sr. Antônio Tavares da Silva auxiliou na demarcação. Juntamente com o Dr. Inácio Gonçalves Guimarães, fizeram requerimento de demarcação e divisão da Fazenda mencionada, que teve como Juiz de causa o Dr. Ladislau Rego Barros, como agrimensores Jorge Calisto de Alencar e Manoel Alves Parente, que fizeram a demarcação e divisão da Fazenda como ela foi vendida, por quadras, braças e posse.
Terminada a demarcação, foi contado o total de 36.000 tarefas de terras, sendo 12.000 hectares de terras aproveitáveis e cerca de 7.000 a 8.000 não aproveitáveis, porque eram ocupadas pelas cordilheiras das terras e serrotes pedregosos. Finalmente demarcada e dividida a terra, a Fazenda Poço Verde ficou situada da seguinte forma: Ao norte limita-se com a fazenda Serra Branca, ao Oeste com a Fazenda Espírito Santo, ao Sul com a Fazenda Boa Esperança e Manuino e ao Leste com a Fazenda Queimadas, fazendo assim o perímetro dessa fazenda, salientando que é a Fazenda mais rica do sertão, suas terras todas são produtivas, além do solo bom, há no subsolo a maior reserva de gipsita da América Latina, onde estão localizadas as seguintes Mineradoras: Sítio Barbosa – Matarazzo, Sítio Baixas – São Severino, Mário Ferraz, Itapessoca, Calmina, Gesso Serra Branca, Buracão, Escorrego e a São Jorge.
Vendo a valorização das terras depois de serem demarcadas, seus fundadores chegaram à conclusão de criar um povoado. O lugar escolhido foi às margens do cacimbão, onde eram situadas 03 árvores, um Juazeiro, uma Baraúna e um Tamboril. Quando feita a demarcação dessa fazenda, foi deixado um esquadro de 04 tarefas dessa área como servidão pública. Bem próxima das 03 árvores já existia uma casa de taipa onde funcionava uma mercearia que pertencia ao Sr. Felipe Mudo e Camilo Pereira, ali era um lugar ideal para se reunirem muitos vaqueiros, criadores, camboeiros e finalmente os passageiros que trafegavam por aqui.
Ainda em julho de 1938, foi marcado um domingo para 1ª Feira, que se realizou com grande entusiasmo daqueles que fizeram parte, direta ou indiretamente desta. Depois de mais ou menos dois meses da 1ª Feira, as pessoas foram surpreendidas pela polícia, onde os delegados eram regionais e sempre cumpridores dos comandos de chefes políticos. O Comandante de Ouricuri, nessa época era o Coronel Anísio Coelho, que autorizou ao Delegado Olímpio Ferraz, acabar com a feira local. Mas felizmente depois de vista a feira, o Delegado surpreendeu-se com a multidão encontrada, e logo desistiu.
Com a continuação da feira, os políticos de Ouricuri e Serra Branca foram perdendo o apoio da população, e Poço Verde segui em frente. Naquele tempo não havia casa, os armazéns eram a própria terra, fazia-se montanhas de mamonas, algodão, milho, feijão etc. O açougue era um pequeno jirau de madeira, o teto era formado dos couros bovinos, vendidos ali. Então seus fundadores, sentindo o prazer e satisfação de seus habitantes e visitantes, convocaram todos os feirantes e discutiram uma forma de melhorar a feira, compraram mais 9 tarefas de terras ao Sr. Marcelino Correia da Silva, onde hoje são situadas a Praça professor Agamenon Magalhães e a Igreja Matriz. Esta terra era coberta de mata.
Foi marcado o dia da broca do terreno em 13 de outubro de 1938. D. Bernardina Mudo e suas auxiliares fizeram uma grande festa em baixo de um umbuzeiro, onde hoje é localizada a casa do Sr. Osvino Apolinário (falecido). No espaço de duas horas foram desmatadas as nove tarefas. A madeira feita lenha foi posta fora, os aceiros foram varridos no dia 03 de novembro do mesmo ano. Em seguida foram tirados os esquadros da Praça Professor Agamenon e das ruas adjacentes.
Assim começou o povoado de Poço Verde, hoje cidade Ipubi. Cidade esta, segundo seu principal fundador, foi a gloriosa Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, que com a sua proteção cobriu de bênção e graças os habitantes que ali residiam, e deu-lhes coragem, inteligência e força para lutarem pela sua criação. Esta milagrosa padroeira teve sua imagem comprada no Rio de Janeiro, vinda de Avião até a cidade do Crato-CE., e seguida para uma fazenda na Serra do Araripe. Depois de alguns dias numa grande procissão trouxeram para o Sítio Virgínio, onde ficou por algum tempo, até que se concluísse o trabalho de sua Igreja, a qual teve início em Novembro de 1941. A primeira missa foi celebrada na referida Igreja no dia 22 de fevereiro de 1942, pelo Padre Luiz Gonzaga, onde também foi celebrado o casamento do Sr. Antonio Mudo com D. Maria Madalena Mudo.
Devido o seu progresso em 31 de Dezembro de 1943, o povoado foi elevado à categoria de Distrito, sendo então o seu nome mudado de Fazenda Poço Verde para Ipubi, nome indígena que significa “lugar úmido”. A Igreja não dispunha de recursos para ser terminada a sua construção, então o Padre Luiz Gonzaga com os demais moradores que , segundo registro do Sr. Antonio Mudo, não deixaram de lutar para ver a tão sonhada Ipubi, cidade livre, liberta, diante da falta de recursos para concluir a construção da Igreja local, convidou o Sr. José Cirilo Neto (Zé Milú). Fizeram uma festa com apresentação dos dois partidos (azul e vermelho) por eles representados, assim travou-se a batalha dos mesmos e no espaço de mais ou menos 4 meses, concluindo-se no dia 24 de junho de 1952, arrecadaram 82 Contos de Réis, que foi o custo da construção da torre da nossa Matriz, que teve como construtor o mestre Luiz.
Chegando ao fim da batalha de um povoado já com um pequeno matrimônio. Vale a pena salientar que os legítimos donos do Sítio Poço Verde, eram: D. Pulcina Siqueira de Vasconcelos e seus filhos, Miguel Francisco de Vasconcelos, outros irmãos de Marcelino Correia, a quem foi comprado o 1º patrimônio. O Sítio Poço Verde pertencia a D. Pulcina Siqueira de Vasconcelos, terra esta, que tinha sido comprada pelo seu falecido marido Manoel Davi de Vasconcelos na demarcação e divisão da Fazenda Poço Verde num total de 4.500 tarefas de terra, onde hoje é situada a cidade de Ipubi. Chegando ao fim da luta para criação do Povoado de Poço Verde, marcharam juntos com a padroeira Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro para criação do Distrito.
Desse período até março de 1962, a cidade de Ipubi pertenceu ao município de Ouricuri. Emancipou-se se tornando então independente em 02 de março de 1962, pela Lei nº. 3.340 publicada no dia 31 de Dezembro de 1958, que passou a vigorar quatro anos depois, em 02 de março de 1962.
Em Ipubi, a agricultura já foi a atividade econômica predominante, perdendo espaço atualmente para a exploração da gipsita. Ainda assim ainda são produzidos feijão, algodão, mandioca, mamona, milho, cebola e tomate. O rebanho de bovinos, e a criação de aves são outras fontes de renda do município. Ipubi é grande produtor de gipsita, razão da existência de várias empresas de calcinação de gesso instaladas no município. Empresas estas, grande parte provenientes de outras regiões do País, que além de serem responsáveis pelo beneficiamento da gipsita do município, proporcionam emprego, por conseguinte provocam o aquecimento da economia local.

MOREILÂNDIA

Durante a grande seca de 1877, vários agricultores do Ceará deixaram suas terras em busca de locais onde houvesse água para consumo humano e dessedentação animal. Foi o caso de Claudiano Alves Moreira, que veio de Iguatu, no Ceará, com sua família e rebanho. Dirigia-se provavelmente ao vale do Rio São Francisco. Entretanto, ao atravessar o sertão pernambucano, encontrou uma região desocupada, pertencente à paróquia de Granito, onde as terras eram férteis. Ao cruzar um riacho, observou poços d’água, o que o fez supor a existência de água subterrânea acessível, o que foi confirmado. Estabeleceram-se no local e foram seus primeiros habitantes. Cultivaram um sítio de frutíferas, que se desenvolveu bem. Logo o local passou a ser chamado Sítio dos Moreira.
A região se prestava a atividades agro-pecuárias e foi se desenvolvendo a partir desta atividade. A primeira igreja foi construída por José Alves Lopes, dedicada a Santa Terezinha e concluída em 1930. A primeira feira livre ocorreu em 1935.
O distrito foi criado em 10/05/1957, desmembrado do distrito de Carimirim, subordinado ao município de Serrita. Pela lei estadual nº 4.965, de 20 de dezembro de 1963, foi constituído em município autônomo e foi instalado em 19-05-1964.
Conforme a lei orgânica municipal foi realizado, em 31 de maio de 1991, um plebiscito visando a mudança do nome do município. A lei municipal nº 84/91, homologou a vontade popular mudando o nome de Sítio dos Moreiras para Moreilândia. Atualmente é constituído de 2 distritos: Moreilândia e Carimirim.
De acordo com o censo 2000 do IBGE, a população residente total é de 11.116 habitantes. Os habitantes do sexo masculino totalizam 5.586 (50,3%) enquanto que do feminino totalizam 5.530, (49,7%), resultando numa densidade demográfica de 18,00 hab/km2. A rede de saúde se compõe apenas de 02 ambulatórios e 01 hospital, com 27 Agentes de Saúde Comunitária. A taxa de mortalidade infantil, segundo dados da DATASUS é de 74,75 para cada mil crianças.
Na área de educação, o município possui 43 estabelecimentos de ensino fundamental com 3.444 alunos matriculados e 02 de ensino médio com 542 alunos matriculados. A rede de ensino totaliza 109 salas de aula, sendo 10 da rede estadual e 99 da municipal.
Dos 2.551 domicílios particulares permanentes, 1.076 (42,2%) são abastecidos pela rede geral de água, 466 (18,3%) são atendidos por poços ou fontes naturais e 1009 (39,6%) por outras formas de abastecimento. A coleta de lixo urbano atende 997 (39,1%) domicílios.
Os gastos sociais per capita são R$44,00 em educação e cultura, R$19,00 em habitação e urbanismo, R$21,00 em saúde e saneamento e R$15,00 em assistência e previdência social (1996). A economia formal do município se compõe basicamente do setor de serviços, do setor de comércio e do setor de Administração Pública, com 539 empregos.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal-IDH-M- é de 0,364. Este índice situa o município em 96 no ranking estadual e em 4.368o no nacional.
O Índice de Exclusão Social, que é construído por 07 (sete) indicadores (pobreza, emprego formal, desigualdade, alfabetização, anos de estudo, concentração de jovens e violência) é de 0,303 ocupando a 115a colocação no ranking estadual e a 4.664a no nacional.

TRINDADE

O município de Trindade recebeu três nomes. Entre os quais, o primeiro foi “Feira do Toco”, devido a um terreno brocado há não muito tempo e por isso, havia vários tocos, onde foi realizada a primeira feira do município em 1948. Devido à alegria demasiada de alguns, onde consequentemente houve muita bebedeira e com isso varias brigas a feira também foi chamada de, “Feira do Pau”, nesse período, essa parte da terra tinha apenas uma casa de taipa e algumas barracas cobertas de folhas. Como esta localidade se encontra nas proximidades de uma lagoa denominada Espírito Santo o município recebeu nome homônimo e o padroeiro escolhido foi: Divino Espírito Santo.
A emancipação política ocorreu em 1963 e pelo fato de existir uma lei que proibia uma cidade ter nome de Estado, houve a necessidade de mudar o nome da mesma. Com a independência política acontecendo em 20 de dezembro de 1963, o nome dado ao município foi Trindade, que significa: Pai, Filho e Espírito Santo.
Em meados do século XIX, mais especificamente em fins de 1830, na região do sertão do Araripe, onde hoje se localiza a cidade de Trindade, chegou o Capitão Manoel Felix Monteiro, senhor rico que veio do estado da Paraíba, na cidade de Monteiro e que depois de residir nas imediações do Pajeú, na cidade de Flores, deste mesmo estado, dirigiu-se à região, pois reconheceu naquelas terras, fertilidade propicia para pecuária e a agricultura. Desse modo, o mesmo comprou as terras conhecidas por Sítio Baixo e Sítio Patí aos senhores Desidório Ferreira, Manoel Pereira, Antônio Barbosa, Raimundo Pereira e Matias Pereira. O Sr. Eufrásio da Costa Araújo, oriundo de Catolé do Rocha localizada no Estado da Paraíba, comprou 1850 ao Capitão Monteiro por trezentos mil réis os sítios Baixos e Patí. Vale salientar que essa transação comercial efetuou-se através de uma procuração pública passada para o Sr. Pacífico Lopes de Siqueira.
Cinqüenta e dois anos depois o Sitio Baixo foi vendido a diversos condôminos pelo Sr. Eufrásio essas terras foram, com o tempo, sendo vendidas e deixadas como herança. Já em 1936, o município desagregou-se, por Lei Estadual, do município de Ouricuri, ao qual pertencia e se agregaram ao município de São Gonçalo, atual Araripina.
Em 1947, na gestão do então perfeito, Sr. Manoel Ramos de Barros tencionou-se implantar uma feira no sítio Baixo, e assim após um ano, em 29 de janeiro, houve um encontro com a comissão de organização e criação da feira, dentre os quais se encontrava o Pe. Luiz Gonzaga Kerhle, vigário da paróquia de São Gonçalo que rezou a 1º missa campal da futura cidade de Trindade. A primeira feira foi realizada na mesma data, com grande movimento em barracas cobertas de folhas. Posteriormente a esse episódio teve início um levantamento topográfico das ruas que partiriam da Avenida Central. Em pouco tempo foram edificados prédios suficientes para o nascimento de uma vila e depois de um povoado.
A emancipação política de Trindade ocorreu em 1963, na gestão do então governador Paulo Pessoa Guerra, tendo sido nomeado para Prefeito interino o Sr. João Lino Barbosa, que dirigiu o município durante um ano. E a partir do seguinte ano foram realizadas eleições periódicas por voto, para prefeitos e vereadores.
Na feira, que teve origem em janeiro de 1949, e até 1984 foi realizadas aos domingos, eram negociados, em barracas de folhas, produtos como feijão, milho, mamona, farinha, querosene, carnes e peles de animais. Grande parte dos comerciantes eram moradores do local e transportavam seus produtos em animais como: jumento, cavalos, burros e carros-de-boi. Além disso, a feira era visitada por moradores dos municípios vizinhos como Jutaí, Petrolina, Cabrobó, Mirandiba, Araripina, Ouricuri entre outros. Com a evolução do comércio foram surgindo às primeiras casas e pontos comerciais chamadas de bodegas, onde se vendia o básico para a alimentação. Já nos anos 60, contava com lojas onde eram vendidos tecidos, cobertas, chapéus além de outros produtos.
A cidade de Trindade teve assim como o Divino Espírito Santo, uma festa comemorada no mês de maio. Passou com a emancipação e conseqüente mudança do nome da cidade, a ter como Padroeiro a Sagrada Família, que significa Pai, Filho e Espírito Santo. A festa de padroeiro da Sagrada Família é celebrada de 19 a 29 de setembro. Onde de frente a Igreja Matriz ocorre no dia 19, o hasteamento da bandeira, ato religioso que simboliza uma mensagem de Amor e Paz, abrindo as portas para a celebração do novenário da padroeira. Vale Salientar que a primeira igreja evangélica do município de Trindade foi a Assembléia de Deus, fundada em 1964, um ano após a emancipação política, pelo Senhor Pedro Francisco Barbosa. Ao longo dos anos foram surgindo outras igrejas e Trindade hoje conta com aproximadamente 4% de habitantes evangélicos.
Entre as festas de maior destaque na cidade, existe o carnaval, que se restringiam, a princípio, a manifestações de foliões que usando máscaras e sujando-se com talco, saiam de bar em bar e de vilarejo em vilarejo tocando valsinhas em difusoras e vitrolas. Com o passar dos anos a festa ganhou um novo perfil.
Por volta de 1974, um grupo de moços da cidade se juntou à amigos de cidades vizinhas, e tiveram iniciativas de organizar fanfarras, batucadas que passaram a dar um novo estilo ao nosso carnaval, daí nasceu a primeira escola de samba, e como o forte da animação era a bebedeira dos seus componentes, a escola foi denominada de MOWYDAMÉ. Vale salientar que, na região do Araripe, somente o município de Trindade realiza em grande escala a festa carnavalesca, razão pela qual toda a região do Araripe, prestigia, com aproximadamente 40 mil presenças nos quatro dias de festa. Um dos momentos mais forte o desfile das escolas de samba que é esperado com grande expectativa pelos foliões. Nessa festa também se destaca os grupos carnavalescos, dentre os quais se destacam Os Papa Léguas, Os Fugitivos, Agora é que são elas: “Dez Cabaça”, Polêmicos, Bloco da Sorte, Amigos, As Kafajestes, Os Tampas, Os Bocas, Os Bacanas.
Outra festa bastante comemorada, e antiga, é o São João. A princípio as festas aconteciam na quadra da escola Governador Paulo Guerra e eram bastante animadas, contava com apresentações de quadrilhas de todas as escolas do município, barracas e bebidas típicas, também com apresentações de sanfoneiros da região. Com o desenvolvimento da cidade e consequentemente com o aumento da população, a festa passou a ser realizada na Praça de Eventos e nas ruas, com os concursos de quadrilhas, de ruas e apresentação de shows com bandas regionais e artistas da terra.
A historia da educação de Trindade tem sua origem antes mesmo da sua emancipação política, quando o ensino de difícil acesso era oferecido em salões e residências, de forma publica e privada por professores sem formação, a maioria deles eram apenas alfabetizados e poucos tinham o primário completo (ensino fundamental I). Nessa época, o ensino de 1ª a 4ª série se fundamentava somente no desenvolvimento da leitura e escrita. Essa forma de ensino perdurou por quase três décadas. Após a emancipação, havendo melhor acesso no aumento do número de escolas (com funcionamento em salões) e conseqüentemente o aumento de professores contratados para lecionarem em turmas seriadas e multisseriadas de escolas urbanas e rurais direcionadas pelo Departamento Municipal de Educação (atual Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desportos).
O primeiro prédio escolar erigido foi o Ginásio Municipal de Trindade (atual Escola Municipal Governador Paulo Guerra), construído no governo do primeiro prefeito eleito, Otacílio Leocádio da Silva, com autorização do funcionamento do 1º ciclo secundário a partir de 01/03/1968. No ano de 1981 a escola recebeu autorização de funcionamento do segundo grau (atual ensino médio) com habilidade profissional de magistério e teve o seu nome mudado para Escola Municipal Governador Paulo Guerra.
O primeiro prédio de escolarização estadual foi a da Escola Governador Muniz Falcão, construído no Governo Nilo Coelho e na gestão do prefeito Otacílio Leocádio da Silva. Um projeto do presidente dos EUA, John Kennedy, com um programa de ajuda econômica aos vizinhos de continente beneficiou o Sertão do Araripe. A cidade de Trindade recebeu a Escola Governador Muniz Falcão, Ouricuri, a Escola D. Hidílio e Araripina a Escola Independência, todas com a mesma estrutura. Com o passar do tempo foram sendo construídas outras escolas municipais e estaduais de nível fundamental e médio. Com a conclusão do 2º grau, os estudantes sentiram a necessidade de cursar o 3º grau (atual ensino superior). Daí algumas famílias enviaram seus filhos para estudarem nos grandes centros.
Hoje, a educação Trindadense conta com 38 escolas publicas municipais, 10 na zona urbana e 28 na zona rural, 03 escolas públicas estaduais e 02 privadas. Contando com 7.500 alunos matriculados na rede municipal, 2.637 na rede estadual e 614 na rede privada. No ano de 1999, foi oferecido pela primeira vez um curso de nível superior no município. A Faculdade de Formação de Professores de Petrolina – FFPP estendeu o curso de pedagogia à Trindade, com aulas presenciais e duração de dois anos.

Bibliografia

· Atlas Escolar de Pernambuco/ Coordenador Manuel Correia de Oliveira Andrade. –João Pessoa.

Sites consultados (Todos consultados entre os dias 04/04/2008 a 09/05/2008 nos horários da tarde e da noite):

· www.araripina.com.br

· www.portalipubi.com

· www.pt.wikipedia.org

· www.citybrasil.com.br

· www.interlegis.gov.br/comunidade/casaslegislativas/municipal/PE/

· http://www.portaltrindadepe.com.br/mural.htm

· http://www.brasilchannel.com.br/municipios/mostrar_municipio.asp?nome=Trindade&uf=PE

· http://www.reidobaiao.com.br/historia-de-exu

· http://www.pe-az.com.br/turismo/exu.htm

· http://www.ferias.tur.br/informacoes/5423/santa-filomena-pe.html

Anexos:
ESCUDO OFICIAL DO MUNICIPIO DE ARARIPINA – PERNAMBUCO
AUTORIA: Estudante Gildenilson Gomes Pereira
Escolhido através de Concurso promovido pela DERE – Sertão do Araripe, por competente COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL que se reuniu com esta finalidade no dia 31/05/1985, na sede do departamento Regional de Educação – Sertão do Araripe.
APROVADO pela Lei Municipal nº 1647 de 26 de Julho de 1985.
SANCIONADA em 30 de Julho de 1985 data a partir da qual foi oficializado.
CORES BASICAS: O dourado, o verde e o marrom.
COMPOSIÇÃO: No escudo com bordas douradas, figuram:
Na parte superior, uma engrenagem de três rodas dentadas, sendo que, ao centro da roda maior está característica ( representando as industrias );
Um pouco abaixo, na parte central do Escudo, no lado direito superior, nossos planaltos e montes, na cor marrom escura;
No lado esquerdo-inferior na parte central do escudo, de cor marrom-clara, o sertão e seu mais autêntico símbolo – o mandacaru, na cor verde;
Com o sol ao alto, na cor dourada, ambos representam os nossos dois tipos de solos comuns e nosso clima semi-árido;
Dividido Chapada e Sertão, uma faixa branca com cinco Estrelas douradas, com uma maior ao centro representando o Distrito.
O escudo pousa sobre uma coroa de ramos de feijão e milho, ambos na cor verde, ficando o ramo de feijão do lado direito e o milho do lado esquerdo do Escudo.
Os ramos surgem por trás das asas de uma Águia Dourada, que representa a nossa soberania.
Por fim, a Águia segura um listel azul, onde estão escritos : “ 1900 – Araripina – 1928” ( Datas de elevação à categoria de Vila e de Emancipação Política, respectivamente).
De conformidade com o Art. 4º da Lei Municipal nº 1647, a mesma entrou em vigor a partir de 11 de Setembro de 1985, data em que se comemora o Aniversario de Emancipação Política do Município.

Hino oficial de Araripina
Nos caminhos do Sertão andou teu povo
E, Pairando sobre ti, terra querida,
Pode ver então surgi um mundo novo
Que ganhou, com trabalho. Força e vida.
Não se esquece tua luta no passado,
Os teus filhos, com muita sapiência,
Defenderam o teu nome perante o Estado
Conseguindo conquistas a independência.
Salve, salve, salve, Araripina
Nossa história, nossa cultura!
Viva o seu verde, as suas minas.
E o teu povo, sua bravura.
És das flores do sertão a mais bonita,
Oásis do deserto brasileiro.
Tuas praças, teus jardins ninguém imita,
Teus o céu dos mais azuis o ano inteiro
Há muito mais beleza nos teus vales,
Na cidade e no olhar de tua gente,
Tu enfrentas, com coragem, muitos males.
E, por isso, o amor do teu filho é mais ardente.
Salve, salve…
Mais se um dia precisares de defesa,
De justiça, da paz e liberdade.
O filho teu fará tremer a natureza
Levantando a espada. Mestra da verdade
Se há tristeza é porque falta sorriso
Há saudades antes de despedir
A lembrança irá consigo ao infinito,
É um filho que acaba de partir.
Salve, salve…
Bandeira do Município

A Lei n°. 1.345, de 31 de julho de 1978, cria, compõe e oficializa a Bandeira do Município de Araripina. Criação de Francisco Alves de Souza. Cores básicas: Amarelo, Azul, Verde, Branco e Marrom. O círculo branco representa a paz, o trabalho com gesso e farinha de mandioca. Círculos sobrepostos representam os Distritos. O milho e a mandioca, as riquezas vegetais. As datas 1909 e 1928 representam as épocas das elevações de Vila e Cidade, respectivamente.

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Last Edit: 20 jun 2008 @ 11 40 PM

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 20 jun 2008 @ 5:31 PM 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DISCIPLINA: PROBLEMAS DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
PROF.: SEVERINO VICENTE DA SILVA

ALUNOS: MARILENE GALDINO
RUI OLIVEIRA BARBOSA

SEMINÁRIO: O SERTÃO DE SÃO FRANCISCO

Recife, 17 de junho de 2008.

SUMÁRIO:

1. Introdução………………………………………………………………………………….03
2. O Sertão do Estado……………………………………………………………………..03
3. Formas de Povoamento do Sertão…………………………………………………04
4. Bacia do São Francisco……………………………………………………………….05
5. A Transposição do Rio São Francisco…………………………………………..05
6. Belém do São Francisco – sua origem…………………………………………..06
6.1 Fazenda Canabrava……………………………………………………………………06
6.2 Fazenda Belém………………………………………………………………………….06
6.3 Cidade………………………………………………………………………………………07
7. Petrolina……………………………………………………………………………………..08
8. Dados relacionados à educação nos municípios da região……………………………………………………………………………………………..09
9. Barragem de Itaparica…………………………………………………………………..12
10. CESVASF: Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco – Breve Histórico……………………………………………………………………………….15
11. Referências Bibliográficas…………………………………………………………..16

1. INTRODUÇÃO

Nosso trabalho se propõe a apresentar questões a respeito da região do Submédio do São Francisco, contudo mais particularmente centramo-nos na região do Vale do São Francisco. Temos a consciência que não conseguimos abranger todas as cidades, e mesmo aquelas que foram citadas neste estudo, tiveram um enfoque bem rápido e pontual. Entretanto gostaríamos de informar que a nossa preocupação não estava num levantamento de dados a respeito dessas cidades, mas evidenciar temáticas que acabam se inserindo na maioria delas, como as formas de povoamento, informações sobre agricultura e pecuária, algumas implicações da construção da barragem de Itaparica, entre outras.

2. O SERTÃO DO ESTADO

Ocupando aproximadamente 70% do território de Pernambuco, o Sertão é a maior região do Estado, onde predomina a caatinga: vegetação seca formada principalmente de jurema, pereiro, xique-xique, marmeleiro, e mandacaru.
No Sertão predomina latifúndios nas áreas de criação de gado. Os minifúndios são encontrados em maior número nas áreas mais elevadas das serras e chapadas, onde aparecem os “olhos d’água” (nascentes de água) que permanecem favorecendo a agricultura.
A agricultura de subsistência tem grande visibilidade no Sertão, praticada em pequenas propriedades instaladas nas áreas úmidas no alto das serras e chapadas, favorecidos pelos olhos d’água perenes ou pelas jusantes de açudes, onde os canais de irrigação são comuns. A agricultura praticada nas áreas serranas é rudimentar e apresenta baixo rendimento. Os principais produtos agrícolas são o milho, o feijão e o algodão. A jusante dos açudes e barragens, anteriormente feita referência, favorece o aparecimento de uma agricultura mais bem planejada, com canais de irrigação e maior assistência técnica, com lavouras de banana, milho, hortaliças, arroz e feijão.
Por apresentar clima semi-árido, o investimento na atividade pecuária apresenta boa expressão, com centro econômico localizado em Petrolina, que ainda se destaca como maior produtor de uvas e vinhos do Nordeste. Esta cidade está localizada as margens do São Francisco.

3. FORMAS DE POVOAMENTO DO SERTÃO

No Sertão, foi a pecuária o elemento essencial de povoamento e desenvolvimento. Através dos caminhos do gado surgem os currais e as feiras. Com o transporte do gado era necessária a criação de locais apropriados para a recuperação do peso, e para o descanso de animais e homens. Assim, vão surgindo os currais e as fazendas, juntamente com pequenas parcelas de culturas de subsistência.
A formação de aldeamentos surgidos a partir das missões religiosas foram também formas de fixação de novos povoados;

“É natural vermos a construção da igrejinha anteceder a criação da freguesia, assim como a criação da freguesia preceder, em muitos anos, à organização política das povoações do Vale. E esses aldeamentos eram, na sua maior parte, quase sempre, resultados dos frades missionários”, (LEITE, pág. 26).

Havia, na região, muitos atritos entre os colonizadores da Casa da Torre de Garcia D’Ávila e os missionários; estes eram freqüentemente forçados a deixar a região, junto com os índios, por isso a presença indígena na região de Belém do São Francisco já era praticamente inexistente em fins do século XVIII.
Quando não era mais possível que as lavouras agrícolas e a pecuária convivessem lado a lado devido à necessidade de amplas pastagens e o desenvolvimento dos rebanhos; esta última ganha o Sertão, uma expansão que ocorre pelas margens de rio e riachos. Então além de alimentos, o gado passa a fornecer couro, matérias-primas para consumo interno e externo.

4. BACIA DO SÃO FRANCISCO

O rio São Francisco foi descoberto em 04 de outubro de 1647 pelo capitão Garcia D’Ávila II e o padre Antonio Pereira; esse rio recebeu seu nome em homenagem ao missionário da Paz, Francisco de Assis.
Sua bacia é formada pelo rio São Francisco e seus afluentes, abrangente cerca de 7,5% do território brasileiro. O rio São Francisco é de planalto, nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e atravessa os estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Possui grande potencial hidrelétrico, e ao longo do seu curso existem várias usinas: Três Marias (que, além de produzir energia elétrica, controla o nível das águas), Paulo Afonso, Sobradinho e Moxotó.
É navegável num longo trecho entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) e no seu baixo curso, situado na planície costeira. Recebe várias denominações: rio dos currais, devido ao seu papel na criação de gado, e rio da Unidade Nacional, porque une vários estados do Brasil. Possui um regime Tropical.

5. A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

A idéia de desviar parte das águas do Rio São Francisco para irrigar o Sertão, por meio de um canal que o comunicasse com o Rio Jaguaribe, no ceará, surgiu em 1858.
De ‘rio da Integração Nacional’, o São Francisco virou ‘Pomo da Discórdia’. O motivo em um projeto [...] de retirada de parte de suas águas para tornar permanentes os rios e açudes do semi-árido nordestino, beneficiando Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. Defendida pelo governo federal, a transposição enfrenta oposição por parte de especialistas e políticos de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Sergipe, que temem prejuízos para seus estados.
Ao longo dos anos 1980 e 1990, a transposição voltou ao debate, mas sempre esbarrando em questões técnicas, financeiras e políticas. Em 2004 um novo projeto foi elaborado e aprovado pelo governo federal, com um custo estimado de R$ 4,5 bilhões.
A transposição prevê a construção de espaços de bombeamento, aquedutos, túneis e outras obras para alimentar dois grandes eixos que atingirão os estados beneficiados. O objetivo é retirar do rio uma vazão contínua de 26 metros cúbicos de água por segundo, aumentando esse volume de acordo com a capacidade do reservatório de Sobradinho. Ao longo dos eixos, as águas alimentariam rios e açudes, impedindo-os de secar durante a estiagem. Apesar de as obras atravessam áreas de preservação e terras indígenas, os técnicos [do governo federal] afirmam que o projeto não terá impactos sobre elas. Para os críticos contrários, o projeto beneficia mais as grandes cidades e empresas do que a população dispersa no Sertão.

6. BELÉM DO SÃO FRANCISCO – SUA ORIGEM

6.1 Fazenda Canabrava

Por volta de 1793, o casal Manoel de Carvalho Alves (português) e dona Inácia da Conceição arrendaram terras da “Casa da Torre” de Garcia D’Ávila, na região ribeirinha do São Francisco. Acredita-se que na referida região existia uma planta silvestre e brava, espécie de cana, que dominava a paisagem. Daí o nome da Fazenda CANABRAVA.

6.2 Fazenda Belém

Na antiga aldeia da Ilha Araxá, hoje Ilha da missão, segundo informações, existia uma igrejinha dedicada à Nossa Senhora de Belém. Em 1792 numa grande enchente do rio São Francisco a igrejinha desabou, ficando apenas os escombros. Reza a tradição que batismo do nome de Belém à fazenda do Sr. Antonio de Sá Araújo teria sido em homenagem a Nossa Senhora de Belém.
Nessa fazenda foi construída a primeira igreja – Nossa Senhora do Patrocínio – em 1840, o que favoreceu o seu povoamento. Assim, em 12 de outubro de 1885, pela Lei Estadual nº 553, o povoado de Belém passou a Freguesia e, 17 anos depois, à vila.

6.3 Cidade
Em 07 de maio de 1903, a vila Belém foi elevada à categoria de cidade pela Lei Estadual nº 597 com o nome de Belém de Cabrobó, permanecendo com este nome até 1943, quando passa a ser denominada Jatinã. O nome Belém foi substituído por Jatinã por força de um decreto – lei na ditadura de Getúlio Vargas, quando ficou proibido haver no Brasil duas cidades com o mesmo nome. Como já existia Belém do Pará, foi enviada uma lista tríplice a Mário Melo, na época, diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco, e ele escolheu o nome Jatinã por sua preferência a nomes indígenas.
Em 1953, a cidade voltou a receber o nome “Belém” acrescido da expressão “do São Francisco”, que permanece até hoje: BELÉM DO SÃO FRANCISCO.
A partir da década de 70, em homenagem à emancipação política do município, o dia 07 de maio passou a ser comemorado festivamente, constando o evento de: missa solene, disputas esportivas, desfiles estudantis, bailes, congregando assim os belemitas para os festejos de ordem política, cívica, artística e religiosa.
Assim sendo, resumimos nestes quadros as seguintes informações sobre o município de Belém do São Francisco:
· Denominações Diversas;
1793
FAZENDA CANABRAVA
1830
FAZENDA BELÉM
1885
FREGUESIA BELÉM
1902
VILA BELÉM
1903
CIDADE – BELÉM DE CABROBÓ
1928
BELÉM
1943
JATINÃ
1953
BELÉM DO SÃO FRANCISCO

· Independência Política – 07 de maio de 1903;
· Em maio de 1971, o então prefeito Gerson Alves de Carvalho Pires oficializou o Hino do município de Belém do São Francisco.
· O Brasão, a bandeira e o Hino são os símbolos oficiais do município de Belém do São Francisco.

7. PETROLINA

O frei capuchinho italiano, Henrique, realizava missões pelo caminho das águas pelas povoações ribeirinhas; também em ilhas banhadas pelo rio São Francisco, e nos trechos que hoje correspondem aos municípios de Santa Maria da Boa vista e Petrolina. Em medos do século, o mesmo frei fez o pedido da construção de uma capela ao vigário de Coripós, o que hoje é Santa Maria da Boa Vista. A construção foi dada início em 1858 na pequena povoação de Passagem, localizada na margem esquerda do Rio São Francisco; no local havia uma área coberta de rocha, que posteriormente foi utilizada na construção da Igreja Catedral de Petrolina. Na área também conhecida por “Pedra Grande”, fica a atual praça do Centenário, considerada marco zero da cidade.
Recebeu o nome de Petrolina em homenagem ao Imperador Dom Pedro II.

Periodização Histórica – de povoação à cidade

1858
POVOAÇÃO “PASSAGEM DE JUAZEIRO”
1862
FREGUESIA “PASSAGEM DE JUAZEIRO”
1870
VILA DE PETROLINA
1879
COMARCA DE PETROLINA
1893
AUTONOMIA MUNICIPAL

8. DADOS RELACIONADOS À EDUCAÇÃO NOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO

CABROBÓ:
População: 28.851 hab. – Área da Unidade Territorial: 1.658 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Total Matrículas do Ensino Fundamental
6.623 estudantes
Matrículas na Escola Pública Estadual
2.069 estudantes
Matrículas Escola Pública Federal
0
Matrículas Escola Pública Municipal
4.114 estudantes
Matrículas na Escola Privada
440 estudantes
Total Matrículas do Ensino Médio
1.962 estudantes
Matrículas na Rede Pública Estadual
1.850 estudantes
Matrículas na Rede Privada
112 estudantes
Nº de Docentes no Ensino Fundamental
408 docentes
Nº de Docentes no Ensino Médio
93 docentes

ITACURUBA:
População: 4.097 hab. – Área da Unidade Territorial: 430 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Total Matrículas do Ensino Fundamental
1.353 estudantes
Matrículas na Escola Pública Estadual
0
Matrículas Escola Pública Federal
0
Matrículas Escola Pública Municipal
1.353 estudantes
Matrículas na Escola Privada
0
Total Matrículas do Ensino Médio
339 estudantes
Matrículas na Rede Pública Estadual
339 estudantes
Matrículas na Rede Privada
0
Nº de Docentes no Ensino Fundamental
54 docentes
Nº de Docentes no Ensino Médio
14 docentes

SALGUEIRO:
População: 53.167 hab. – Área da Unidade Territorial: 1.639 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Total Matrículas do Ensino Fundamental
11.571 estudantes
Matrículas na Escola Pública Estadual
5.934 estudantes
Matrículas Escola Pública Federal
0
Matrículas Escola Pública Municipal
4.106 estudantes
Matrículas na Escola Privada
1.531 estudantes
Total Matrículas do Ensino Médio
2.907 estudantes
Matrículas na Rede Pública Estadual
2.560 estudantes
Matrículas na Rede Privada
347 estudantes
Nº de Docentes no Ensino Fundamental
505 docentes
Nº de Docentes no Ensino Médio
138 docentes

FLORESTA:
População: 26.648 hab. – Área da Unidade Territorial: 3.644 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Total Matrículas do Ensino Fundamental
6.111 estudantes
Matrículas na Escola Pública Estadual
1.922 estudantes
Matrículas Escola Pública Federal
0
Matrículas Escola Pública Municipal
3.788 estudantes
Matrículas na Escola Privada
401 estudantes
Total Matrículas do Ensino Médio
1.901 estudantes
Matrículas na Rede Pública Estadual
1.823 estudantes
Matrículas na Rede Privada
78 estudantes
Nº de Docentes no Ensino Fundamental
347 docentes
Nº de Docentes no Ensino Médio
126 docentes

JATOBÁ:
População: 13.797 hab. – Área da Unidade Territorial: 278 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Matrículas no Ensino Fundamental
3.033 estudantes
Matrículas no Ensino Médio
1.094 estudantes
Nº de Docentes no Ens. Fundamental
150 docentes
Nº de Docentes no Ens. Médio
60 docentes

BELÉM DE SÃO FRANCISCO:
População: 20.545 hab. – Área da Unidade Territorial: 1.831 km².
Ensino – Matrículas, Docentes e Rede Escolar/ 2006.
Total Matrículas do Ensino Fundamental
4.382 estudantes
Matrículas na Escola Pública Estadual
772 estudantes
Matrículas Escola Pública Federal
0
Matrículas Escola Pública Municipal
3.365 estudantes
Matrículas na Escola Privada
245 estudantes
Total Matrículas do Ensino Médio
1.635 estudantes
Matrículas na Rede Pública Estadual
1.607 estudantes
Matrículas na Rede Privada
28 estudantes
Nº de Docentes no Ensino Fundamental
265 docentes
Nº de Docentes no Ensino Médio
74 docentes

9. BARRAGEM DE ITAPARICA
Com a construção da barragem de Itaparica (PE/BA – potencial hidrelétrico: 2.500 MW) cerca de 5.800 famílias de agricultores foram transferidas para agrovilas, em glebas na caatinga. Os projetos abaixo são de reassentamentos que a CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) foi obrigada a prover as condições necessárias à instalação de uma vida digna para estas famílias:

Santa Maria da Boa Vista
Projeto Caraíba
Orocó – PE
Projeto Brígida
Itacuruba – PE
Projeto Itacuruba
Petrolândia – PE
Projeto Apolônio Sales
Curaçá – BA
Projeto Pedra Branca
Glória – BA
Projeto Borda da Lagoa
Chorochos/Terachil
Piscigranjas
Glória – BA
Jusante
Rodelas – BA
Itacoatiara
Petrolândia – PE
Bloco 2

v Projetos como o Itacoatiara (Rodelas /BA), Jusante ( Glória BA), e BLOCO 2 (Petrolândia /PE); são os que tem apresentado maior demora na conclusão das obras de beneficiamento da região.

Até hoje representantes do Pólo Sindical dos Trabalhadores Rurais do Submédio do São Francisco lutam por melhorias na região, afetada pela construção da barragem de Itaparica e formação do seu lago. Esta construção foi uma ação promovida pela CODEVASF (Companhia de desenvolvimento do Vale do São Francisco) e iniciativas privadas.
Em reunião em setembro de 2005 com o presidente, à época, da CODEVASF, Francisco Guedes, foi reivindicada a devida assistência técnica aos projetos irrigados e a transferência de sua gestão para os reassentados. A luta dos trabalhadores do Pólo é histórica, começou em 1986 quando tiveram que se deslocar para agrovilas já que a área que ocupavam havia sido coberta com a inundação do lago de Itaparica. A partir daí, o Estado garantiu que as mesmas condições de vida que a população tinha antes seriam mantidas. E para tanto, na data de 06 de dezembro de 1986 foi garantido aos reassentados, a formação de um reassentamento irrigado para as cerca de 6.000 famílias de trabalhadores e trabalhadoras da Bahia e de Pernambuco, que estavam passando por todo este processo.
Foi o primeiro projeto financiado pelo Banco Mundial, em todo o mundo, que gerou ao invés de indenizações em dinheiro o reassentamento para as famílias. Infelizmente 20 anos após, esses projetos ainda se arrastam.
Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi criado o GERPI (Grupo Executivo para Conclusão do Projeto Itaparica) que instituiu o programa de compensação financeira. Na época o Pólo Sindical utilizou-se de estratégias para que trabalhadores e trabalhadoras não aderissem à proposta, mas um número acima de mil reassentados e reassentadas fez adesão. O que é indicado como um fator de miséria, desemprego e aumento da miséria na região, segundo o Pólo sindical, pois deste dinheiro pouco pode ser feito.
Porém segundo reportagem de 2006, o término para as obras estava previsto para abril/2007, entretanto até aquele momento apenas o que havia sido concluído era a abertura das licitações para compra do material elétrico e de irrigação (Boletim PTRD KOINONIA, 2006)[1].
Após pesquisas feitas em dois assentamentos (Brejinho de Fora – próximo a Petrolândia,PE, e Fazenda Canafístula – próxima a cidade Delmiro Gouveia, AL), pesquisadoras da FUNDAJ, concluíram que a renda família, no primeiro reassentamento, ficava em torno de dois salários mínimos na época. Sendo que aproximadamente metade da renda nos assentamentos provinha de aposentadorias e pensões. A produção agrícola era basicamente voltada ao consumo familiar; eram plantados basicamente milho, mandioca e feijão, mais algumas fruteiras como banana, melancia, coco. As vendas de verduras ou frutas nas feiras são feitas eventualmente. O criatório de animais também dá-se de forma bem resumida, numa média de menos de meia dúzia de animais por família.
A maioria dos serviços, saúde, educação, abastecimento da casa em utensílios e alimentos complementares são feitos na cidade de Petrolândia, no caso de Brejinho de Fora. A facilidade encontrada quanto a transporte na comunidade de Brejinho, não há em Fazenda Canafístula, as vezes é preciso ir a cidade mais próxima, de moto ou a cavalo, ou fretar, na localidade mais aproximada, um carro, esta é a medida mais apropriada se for o caso de haver um doente, ou alguém que um deseje ou não possa se aventurar em caminhadas, ou nos outros meios citados. A situação do ensino nesta comunidade também é precária; a escola construída durante o processo de reassentamento, como parte do compromisso da CHESF, atende apenas crianças do 1º grau menor, conta com 3 professoras, à época, e recebiam 1 salário mínimo. O abastecimento de água nas duas comunidades é ponto de crítica dos moradores devido a distribuição, as quebras freqüentes nas bombas, e o tratamento da água. “Segundo afirmam, há uma enorme diferença entre a qualidade da água que abastecia antes as moradias e a que, hoje, lhes é oferecida. Lá, elas possuíam “fontes” de abundantes e saudável”. (RAT, pág. 22).

10. CESVASF: CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO VALE DO SÃO FRANCISCO – BREVE HISTÓRICO

No ano 1971, o Sr. Alípio Lustosa de Carvalho juntou-se a alguns professores e autoridades de Belém do São Francisco para articularem a possibilidade de se fundar uma faculdade. Foi colocado à disposição o prédio da antiga Escola Normal N. Sra. do Patrocínio, em horário noturno, para funcionamento da instituição idealizada. Em novembro de 1975, através da Lei nº 04/75, publicada no D.O. de 13 de novembro de 1975, foi instituída a Autarquia Municipal Faculdade de Formação de Professores de Belém do São do São Francisco (FAFORBE).
Os cursos da FAFORBE foram reconhecidos em 04 de setembro de 1984, através de Portaria Ministerial nº 377, publicada no Diário oficial da União, em 13 de setembro de 1984. No mesmo ano, em dezembro a Autarquia passou a ser denominada de Autarquia Belemita de Cultura, Desportos e Educação – ABCDE, e a FAFORBE passou a ser denominada pelo nome que conhecemos até hoje, Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco – CESVASF. A plenificação de seus cursos se deu no ano seguinte, através da portaria ministerial 222, de 20 de março de 1985; e o que era o curso de Ciências Sociais foi desmembrado em História e Geografia; porém o reconhecimento destes só foi obtido em 1991. Em fevereiro de 1994, foi autorizado mais um curso, desta vez o de Ciências, com Habilitação em Matemática, reconhecido em 10 de maio de 2001.
Desde 2000, o CESVASF começou a oferecer cursos de Pós-Graduação “Latu Senso” nas áreas de História, Letras e Geografia, todos autorizados pelo Conselho Estadual de Pernambuco. Em 2003, os cursos de pós-graduação foram ampliados, coma criação dos cursos de Geografia do Turismo, História Contemporânea, Técnicas Educacionais, Educação Matemática e Educação Ambiental.
Em 2007 foram instituídos mais dois cursos de graduação, Biologia e Física e, na pós-graduação, as especializações em Ensino de Língua Inglesa e em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena. Hoje o CESVASF com 32 anos, vem assim, alargando seu campo de atuação e desenvolvendo um trabalho reconhecido pelos órgãos educacionais e pela comunidade da região, a qual é também diretamente beneficiada pelas atividades de extensão desenvolvidas por esta Instituição de Ensino Superior.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

· Boletim do Programa Trabalhadores Rurais e Direitos KOINONIA – Ano I – nº 0 / 2006.
· Especial Rio São Francisco (continuação 4) 26/10/2004. http://www.ana.gov.br/
· LEITE, Marlindo Pires. Belém: uma cidade no Vale do São Francisco / Marlindo Pires Leite, Maria Estelita Lustosa Roriz. Maria Auxiliadora Lustosa Coelho; prefácio de Edson Lustosa Cantarelli. – Recife: CEPE, 1993.
· LIMA, Ana Elisa V.; GALINDO, Magda Caldas. Projeto Itaparica: avaliação do reassentamento rural (4º Relatório de Acompanhamento Trimestral – RAT). FUNDAJ, 1995.
· SILVA, Severino Vicente da. Mergulhados na saudade das cidades mergulhadas nas águas do Lago de Itaparica. IN: www.ufpe.br/historia/artigo4rev1

[1] Associação sem fins lucrativos, formada por pessoas de igrejas cristãs e de outras expressões de fé, além de líderes do movimento social. Tem como princípio fundamental o compromisso com o ecumenismo e a democracia tendo em vista a luta em favor da cidadania, contra toda forma de exclusão humana.

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 20 jun 2008 @ 10:50 AM 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CURSO DE TURISMO
HISTÓRIA DA CULTURA
PROF. SEVERINO VICENTE DA SILVA

RAP E REPENTE

EQUIPE:

DANIELLE RODRIGUES MENDES FERREIRA
INÊS HEBRARD
MARIANA MELO DO NASCIMENTO
RENATA MAGALHÃES DE LIRA

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. …………p. 2

I. CONCEITOS-CHAVE……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ….. ….p. 3
a. Tradição e renovação
b. Improviso na fala, nas artes, na música

II. REPENTE ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……….p. 6
a. Definição de Repente
b. História
c. Métrica
d. Subdivisão do gênero: embolada, aboio e cantoria de viola
e. Principais repentistas
f. O Repente na atualidade

III. RAP……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. …………. …….p. 10
a. A cultura hip-hop
b. O Rap: definição e evolução
c. O Rap brasileiro

IV. RAP-REP……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ………….p. 13
a. Personagens
b. Eventos
c. Depoimentos e considerações finais

CONCLUSÃO ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. …………………… .p 16
BIBLIOGRAFIA……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………….. ……………………p. 17

INTRODUÇÃO

“Nada se perde, nada se cria, tudo se tranforma”, disse Lavoisier. Essa lúcida constatação adapta-se particularmente bem ao tema de nosso trabalho. Rap e repente são gêneros musicais que apareceram em épocas, lugares e ambientes completamente distintos, porém têm certos pontos em comum que explicam o seu recente encontro. Nos últimos meses, poetas repentistas e rappers tem começado a cruzar suas artes, num movimento que recebe o rítmico nome de rap-rep.
Vamos mergulhar na história e na evolução destes dois gêneros musicais, que ainda não foram consagrados nem nas pesquisas nem nos manuais. Seu encontro exemplifica uma das problemáticas inerentes à História da Cultura: a tradição lida com a modernidade, o contemporáneo se inspira no passado… A particular trajetória do repente e do rap, elementos que fazem parte da cultura musical brasileira, servem de ilustração ao conceito dinâmico de “Cultura”.
Depois de fazer esclarecimentos necessários à comprensão do tema, passaremos a apresentar separadamente cada um dos gêneros, o repente e o rap. Finalmente, falaremos da sua mistura.

I. CONCEITOS-CHAVE

a. Tradição e Renovação

O conflito entre tradição e renovação na cultura é um tema recorrente, no qual a teoria é mais fácil de impor do que a prática. A cultura é dinâmica e é importante preservar a tradição, contudo a renovação é essencial para se manter viva uma tradição, o problema é a dosagem. Quando as culturas alcançam a união entre tradição e renovação elas se fortalecem, mantendo os alicerces sobre os quais se erguem e acrescentando soluções criativas para os desafios da contemporaneidade e da globalização.
Encontros entre grupos de repentistas e rappers acontecem sem muita divulgação, por todo país, resultando numa surpreendente miscigenação cultural entre elementos aparentemente incomunicáveis: a cantoria de viola e o hip-hop. As resistências e dificuldades vão sendo quebradas e surgem interações que ainda é cedo para saber em que vão dar. A mistura entre o rap e o repente tem um lado mercadológico e um lado cultural. Em termos de mercado, não se compara à gigantesca máquina que existe por trás do hip-hop.
O rap da mesma forma que o repente é um estilo de cantar versos improvisados. Existem diferenças na sua base rítmica, do modo como rimam e como se organizam em estrofes. Entretanto, tudo que é improviso é repente, e as formas de improviso nordestina têm pontos de contato com improvisos da cultura hip-hop. O hip-hop e o repente têm raízes parecidas e na maioria das vezes têm a intenção de retratar a realidade em que estão inseridos. Rap significa ritmo e poesia e isso equivale ao que os emboladores fazem.
Atualmente os poetas (repentistas) estão sendo inseridos em um cenário urbano, em grandes festivais e congressos ou em meios como rádio e televisão. Além de cultuarem o universo mítico em que se originaram suas artes incorporam temas da atualidade em seus desafios, do mesmo modo que os folhetos de cordel sempre fizeram. Os rappers começaram a procurar os poetas na maioria das vezes em uma atitude reverencial, na qualidade de mestres da poesia. Essas notáveis iniciativas receberam as atenções do poder público que passou a incentivar o “diálogo entre as culturas”.
O repente nordestino e o hip-hop descendem da poesia oral africana. Esta descendência pode ser notada através de características como: a propensão lúdica ao jogo de palavras puro e simples; a vocação agonística, competitiva, dos grandes desafios; o sentido profundo de que dois poetas são porta-vozes de suas comunidades; e até mesmo recursos específicos como trava-língua, a enumeração, as perguntas e respostas.
A aproximação que existe entre o rap e o repente gera convivência entre manifestações artísticas de mesma origem e espírito semelhante, contudo são separadas pelo gigantismo financeiro que uma veio a atingir e pela desvalorização que sofre a outra, existente há 150 anos no Nordeste, e que sempre foi vista com desdém pela maioria dos nordestinos ricos e letrados.

b. Improviso na Fala, nas Artes, na Música

“Todos nós improvisamos o dia inteiro, – só que em prosa. Nenhum de nós prepara e decora o que vai dizer no dia-a-dia, e quando tenta fazê-lo (declaração de amor…entrevista de emprego…depoimento à polícia…) geralmente dá com os burros n’água. Somos todos improvisadores – mas em prosa”, diz Braulio Tavares. Mas certas pessoas falam com mais fluidez que outras, ou seja, certas pessoas têm uma maior capacidade para improvisar. O professor de oratória de executivos, artistas e políticos Reinaldo Polito é mestre em ciências da comunicação, e autor de 17 livros sobre o assunto. Segundo ele, “a capacidade de improvisar é uma das qualidades dos bons oradores”. E acrecenta que “improvisar não significa falar sobre o que não se conhece, e sim organizar os pensamentos e transformá-los em palavras diante de situações não esperadas.”
Segundo Nuno Matos Duarte, quando se trata de definir o improviso no relacionamento que este tem com a arte, os dicionários usam expressões tais como “é o discurso, poesia ou trecho musical proferido, feito ou executado sem preparação”. Mas essa falta de preparação é relativa. Com efeito, como diz Eugênio Mussak, “Só improvisa quem conhece o assunto sobre o qual deve improvisar”. Desta forma, nas artes o improviso pode desenvolver-se com certa preparação, não deixando de ser improvisação por esse motivo. Esta teoria pode ser verificada através de vários exemplos.
Assim, já nas origens do teatro, na famosa Comédia dell’Arte, ou Comédia dell’Improviso, os atores deviam ter uma grande capacidade de improvisação, sendo que não existiam os “scripts”. Na época era comum que um ator representasse a mesma personagem durante muitos anos seguidos, aumentando assim a sua capacidade de improvisação na pele desse personagem. Não podemos dizer que o ator saía em cena “sem preparação”, já que sua atuação era o resultado de uma experiência, de um trabalho prévio. Mas ele, certamente improvisava.
O mesmo acontece na música. A improvisação é usada em vários gêneros musicais, nacionais e internacionais, eruditos e populares. Na Europa ocidental, já na Idade Média, juglares eram capazes de improvisar poemas e cantorias. No Nordeste brasileiro, no maracatú rural, existia antigamente a “sambada de pé na parede”. Na Bahia, nas rodas de capoeira, ao som dos pandeiros e berimbaus, o coro às vezes improvisa cantorias. De forma geral, o gênero de música mais comunmente associado à improvisação é o jazz, mais particularmente o “be-bop”. Mas os improvisadores desta música possuim o que Nuno Matos Duarte chama de “uma espécie de léxico musical que, no fundo, não é mais do que uma extensa coleção de clichés, “vocábulos”, com o poder de tornar o discurso musical coerente, embora este, sendo improvisado, se vá tornando obra à medida que o músico o vai inventando em tempo real”.
E essa constatação, na verdade, é válida para todo tipo de improvisação: “Só improvisa quem conhece o assunto sobre o qual deve improvisar. Chefes de cozinha improvisam nas panelas, músicos improvisam com os instrumentos, professores improvisam na sala de aula, médicos improvisam no hospital de campanha, poetas improvisam ao ouvido de suas musas” (Eugênio Mussak). Assim, como aqueles jazzman possuem um “léxico musical”, rappers e repentistas possuem um repertório bem completo de palavras, versos e rimas que permitem inúmeras combinações, de forma que eles podem inovar – e, portanto, improvisar – constantemente. Eles são especialistas das palavras, por isso podem improvisar com elas. Com razão o rapper fancês MC Solaar fez famosa a sua declaração “meu livro de cabeceira é o dicionário”.

II. O REPENTE

a. Definição

O repente pode ser chamado de improviso, é a arte do instante, a arte de criar no momento da execução da obra, pois se considera o momento do improviso como o ponto mais alto alcançado pela arte do cantador nordestino. É nesse momento, com o verso feito na hora, metrificado, bem rimado, no calor do momento e diante da platéia, que se observa a maestria desse artista do povo, que é o repentista. Esse ritmo, que também pode ser chamado de desafio, é uma forma de criação artística ainda não consignada nos manuais. Tem presença marcante no Nordeste brasileiro, é mescla entre poesia e música na qual predomina o improviso – a criação de versos “de repente”. É uma arte transversal, que pode ocorrer em diferentes atividades. Define-se o repente genuíno, como aquele que é criado no calor do momento, sem que seja possível voltar atrás e consertar os detalhes, os pequenos defeitos, já que criação e exibição foram simultâneas para o público.
A palavra repente pode ser usada com dois significados principais, segundo uma discussão dos próprios poetas. Primeiro, querendo dizer improviso, coisa feita na hora, é o verso resultante da imaginação do próprio cantador. Por outro lado, a expressão O Repente também tem um significado mais amplo, sendo sinônimo de Cantoria de Viola, referindo-se a arte dos cantadores, juntamente com: os modelos poéticos, o jeito de cantar, os valores estéticos, os rituais.

b. História

O Repente é uma tradição folclórica brasileira, tendo sua origem relacionada com os trovadores medievais. No caso do Brasil, a tradição ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores, os chamados poetas populares, que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Estes versos aparecendo na forma de trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Diferente dos outros, o repente nordestino se caracteriza pelo improviso, em um desafio com outro cantador. Não se leva em consideração a beleza da voz ou a afinação, o que vale é o ritmo e a agilidade mental, fazendo com que o oponente fique encurralado apenas através da força do discurso.
O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias cantadas em abundantes versos, publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Ele foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para as grandes capitais: chegou a São Paulo por volta de 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio de Janeiro, instalou-se na Feira de São Cristovão.

c. Métrica

O repente possui diversos modelos de métrica e rima, tendo ainda uma variação na organização dos seus versos. O seu cantar normalmente é acompanhado de um instrumento musical, podendo ser o dedilhar de uma viola de sete ou dez cordas. Nas cantorias é preciso seguir as métricas delimitadas para modalidade. A rima deve ser feita de acordo com a estrutura das palavras e não pelo som. Existe ainda um rigor com as métricas da rima improvisada.

Estrutura de alguns estilos:
· Sextilha: Seis versos de sete sílabas cada.
· Brasil Caboclo: Estrofe da décima, com refrão nas 2 linhas finais: “Neste Brasil de caboclo, de Mãe Preta e Pai João”, e melodia própria.
· Quadrão mineiro: Oito versos de sete sílabas, com o refrão “Cantando quadrão mineiro” na última linha, e melodia própria.
· Martelo agalopado: 10 versos, com 10 sílabas cada. Os versos são acentuados nas sílabas três, seis e dez.
· Martelo alagoano
· Martelo miudinho
· Galope beira-mar
· Gabinete
· Quadrão de meia-quadra
· Toada alagoana
· Gemedeira
· Mourão de sete linhas
· Décima
· Dez pés a quadrão
· Mourão Voltado
· Dez de queixo caído
· Oito pés a quadrão
· Mourão você-cai

d. Subdivisões Do Gênero

Os improvisos cantados variam em função da parte instrumental. A partir disso acontece uma subdivisão desse gênero em embolada, aboio e cantoria de viola, que se baseia no fato de que os repentistas, de um modo geral, são poetas que fazem versos improvisados.
Ø EMBOLADA: pode ser chamada de coco ou coco de embolada. Arte surgida no Nordeste, diferenciada pelo uso de pandeiro ou ganzá, tem um estilo mais livre, mais solto. É feita com uma dupla de cantadores que usam versos rápidos e improvisados onde um tenta diminuir, desfazer, a imagem do outro, com versos ofensivos, famosos pelos palavrões e insultos utilizados. O cantador ofendido deve improvisar uma resposta rápida e ao mesmo tempo bem bolada, caso não consiga, o outro é coroado triunfante.

Ø ABOIO: é um canto utilizando apenas a voz. Foi se modificando e hoje é cantado em dupla, no norte de Minas Gerais e em versos no estado de Pernambuco.

Ø CANTORIA DE VIOLA: é uma atividade musical que se baseia em uma improvisação de versos por dois cantadores que se alternam, respeitando normas poéticas. A cantoria é uma arte que se iniciou no meio rural, especialmente no sertão, e aos poucos conquista o público das grandes e pequenas cidades. Apesar do pouco reconhecimento que a cantoria tem, ela continua até hoje encantando através dos violeiros.

e. Principais Repentistas

O Repente tradicional, composto pelos violeiros-cantadores em duelo, se manteve graças a alguns nomes importantes como: Oliveira das Panelas (vencedor do 1º Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas, realizado em 1997), Mocinha da Passira, Valdir Teles, Lourinaldo Vitorino, Sebastião da Silva, Azulão, Miguel Bezerra, Otacílio Batista, Ivanildo Vila Nova, Zé Cândido, Ismael Pereira e Natan Soares. Ivanildo Vila Nova venceu inumeráveis concursos de Repente, têm dezenas de CDs gravados, participou de muitas excursões tanto no exterior, como no Brasil, é considerado um divisor de águas na cantoria. Além deles merece destaque, a dupla de emboladores mais célebre do Brasil, Caju e Castanha. Viraram estrelas de cinema pelas telas de Walter Sales. Cantando no Mercado São José e também em outros pontos do Recife foi como eles começaram a ganhar a vida. Além de suas rimas próprias eles produziam os seus próprios pandeiros. A dupla já fez shows na França, em Londres e até mesmo no Rock in Rio. Em 2001, o Caju faleceu, e no seu lugar ficou Cajuzinho. Sendo assim, atualmente Castanha divide os desafios com o sobrinho Cajuzinho.

f. O Repente na Atualidade

O cantador moderno acompanha as mudanças que acontecem no perfil social da população nordestina. Atualmente o cantador, continua fazendo shows aonde ele é chamado, mas já acrescenta a sua atividade elementos da modernidade como, como celular, automóvel e avião. Os estilos próprios da cantoria se mantêm, mas os temas utilizados é que se modificam, já que a arte do cantador consiste em se apodera do presente, sem abrir mão do passado. Não se substitui a tradição, mas se acrescenta a ela novas técnicas, novos temas e novas motivações.

III. O RAP

a. A Cultura Hip Hop

O Hip-hop é geralmente definido como um movimento cultural urbano que surgiu a partir dos anos 60, entre a Jamaica e os Estados-Unidos. A “cultura hip-hop” se compõe, básicamente, de quatro tipos de manifestação artística: o canto, a instrumentação, a dança e a pintura (cf. tabela aqui embaixo).

MANIFESTAÇÃO

Instrumentação
NOME -Disc-Jockey
PESSOA – Disc Jockey e/ou MC (Mestre de Cerimônias)
DEFINIÇÃO – Música feita a partir do uso de dois discos de vinil, dos quais se usa :
- a parte instrumental da música, chamada de “Break”, com a qual se podem fazer “Scratchs” (atrito da agulha do toca-discos no disco de vinil).
- Os “Samples”, pedaços instrumentais ou vocais de outras músicas reutilizados para criar outra peça.
Dança
Break-Dance
Breaker
Movimentos rápidos e malabarismos corporais, com formas e equilibrismos herdados das artes marciais.
Pintura
Graffiti
Tagger
Pintura realizada em muros, geralmente em espaços públicos. É uma forma de “marcar o territorio”, usada por gangs ou rappers.
Canto
Rap
Rapper
Ver embaixo.

O Rap: definição e evolução

Rap (sigla inglesa para “Rythm and Poetry”, Ritmo e Poesia) é o que podemos chamar de “expressão musico-verbal” da cultura hip-hop. O rap tem uma batida rápida e acelerada e a letra vem em forma de discurso, com muita informação e pouca melodia. Segundo o texto de suapesquisa.com, “quando o rap possui uma melodia, ganha o nome de hip-hop”…
Não existem estudos empíricos sobre a origem deste tipo de música, mas as pesquisas apontam que sua origem estaria na década de 60 na Jamaica.
Nos anos 70 houve um forte movimento de imigração de jamaicanos para os Estados-Unidos, e começa a ser conecido em Nova Iorque um DJ jamaicano, Kool Herc. A ele se atribui a combinação do Sound-Stystem e o canto falado, assim como da técnica do “scratch”. Certas historiografias insistem em remontar as origens do rap até as músicas negro-americanas como o Funk e o Jazz, se bem parece mais exato falar de “influência” ou “uso” do funk pro surgimento do Rap. Com efeito, as primeiras gravações identificadas como Rap consistiam na declamação de um texto sob o ritmo das batidas de tambores africanos, sendo a negritude o tema principal.

Gangsta Rap
O Gangsta Rap (Rap Gângster) surgiu nos Estados Unidos no meio dos anos 80. Com letras duras e brutais o gangsta rap logo ganhou espaço na mídia mundial, e foi desde o começo alvo de muitas críticas. Entre os maiores gangsta rappers destacam-se Tupac, Eazy-e, Compton Most Wanted ,entre outros, que em suas rimas falavam das desigualdades e do racismo além do ódio que sentiam uns pelos outros e pela sociedade que os rejeitava. Este tipo de Rap apresenta, basicamente, letras baseadas no estilo de vida dos membros de gangues.

Free-style Rap
É o modo de cantar o rap de forma improvisada, colocando versos feitos na hora, no que se chama uma “batalha ou “desafio” de rappers. Os versos são, assim, baseados nos versos dos seus adversários. No Brasil existem cada vez mais rimadores que vem alcançando sucesso, como por exemplo Marechal, Max B.O., Kamal e Slimrimografia.
A princípio as batalhas de freestyle no Brasil tinham pouca força, mas passaram a ganhar mais espaço depois de serem organizadas por Mc’s do Rio de Janeiro como Dom Ngrone, Marechal, Aori, entre outros.

c. O Rap Brasileiro

Segundo o rapper Master Tee, o nascimento do Rap brasileiro aconteceu em São Paulo nos anos 80 (quase simultaneamente com os Estados-Unidos). Lá, um grupo de jovens começou a dançar breack, e logo depois alguns deles tornaram-se rappers, isto é começaram a criar e declamar versos ao som da batida.
A primeira música de RAP a surgir no Brasil foi “Kátia Flávia”, em 1987, de autoria de Fausto Fawcett e Laufer, gravada com os Robôs Efêmeros.
O registro inicial do rap brasileiro é a coletânea Hip Hop Cultura de Rua (1988, Eldorado). Ela trouxe faixas dos grupos Thaíde e DJ Hum (produzidas por Nasi e André Jung, do grupo de rock Ira!), MC Jack, Código 13, entre outros. No começo dos anos 90, Thaíde e DJ Hum e os Racionais eram reconhecidos como os mais sérios e importantes nomes do rap paulistano, sempre envolvidos com campanhas de conscientização da juventude e movimentos de divulgação, unificação e promoção do hip-hop no Brasil.
Naquela mesma época, surgiu no Rio de Janeiro uma nova figura no rap: o adolescente branco de classe média alta Gabriel Contino, vulgo Gabriel o Pensador, que estourou no final de 1992 nas rádios com a música Tô Feliz, Matei o Presidente, direcionada para Fernando Collor, que tinha acabado de renunciar, acusado por corrupção. Ele pode ser considerado o Eminem brasileiro, já que conseguiu inserir-se no mundo do rap, antes dominado exclusivamente pela população negra.
Quase desde seu início, o rap começou ser utilizado e misturado por outros gêneros musicais. O movimento manguebeat, por exemplo, presente na música de Chico Science & Nação Zumbi fez muito bem esta mistura. Em Recife, o Faces do Subúrbio apostava, por sua vez, na embolada-rap.

IV. RAP-REP

a. Personagens

No início da década de 90, surgiu no Alto Zé do Pinho a banda Faces do Subúrbio, formada por jovens da periferia, fortemente influenciada pelo movimento hip-hop americano. O líder do grupo Zé Brown, juntamente com os outros integrantes, incluiu em suas letras a temática da realidade ao seu redor assim como os outros rappers por toda a América Latina. Através do contato com a realidade local construíram uma ligação entre ritmos brasileiros como o repente, literatura de cordel, a embolada e as batidas do hip-hop. Conhecido como rapper de respeito, Zé Brown, percebeu algumas afinidades entre o rap e o repente, através de certas características que os dois ritmos têm em comum, principalmente versos livres, rimas repetidas e batidas rítmicas, desde então ele passou a compor letras de rap com batidas de embolada. Simultaneamente no eixo Rio-São Paulo, com a forte presença de nordestinos em comunidades pobres, houve uma influência dos emboladores no rap local.
Um dos destaques do rap paulistano, Thaíde, participou em 1994 de um vídeo com Raio de Luz, poeta repentista e embolador que se apresentava nas ruas do centro de São Paulo. Em 2000, o rapper teve um encontro no interior do Ceará com o lendário Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, o maior nome da poesia de cordel. Este encontro foi promovido pelo jornalista e escritor Bruno Zeni na Serra de Santana, junto à pequena Assaré, Ceará. O poeta e o rapper declamaram versos e conversaram entre outros temas sobre meninos de rua, Deus, Luiz Gonzaga e Lampião. O encontro foi gerador de razoável repercussão na mídia. Para Thaíde, “a juventude precisava de uma maneira mais direta para transmitir sua mensagem. O repente sempre teve o dom da palavra, e se juntou ao hip-hop de uma maneira muito natural.” Ele faz uma homenagem à Patativa, dizendo que é preciso “conhecer pra respeitar”. Também fala que: “o Brasil tem uma música muito rica em termos de matemática literária, em termos de produção musical, em termos históricos”.
Rappin Hood, outro rapper paulistano, gravou um disco com a famosa dupla Caju e Castanha, assim como fizera Zé Brown, que também teve a oportunidade de gravar com os emboladores e desde então mergulhou numa pesquisa no universo do coco de embolada que o fez conhecer vários mestres anônimos.

b. Eventos

Em 2005, na programação do Ano do Brasil na França, no Carreau du Temple e, depois, na Torre Eiffel, o mais consagrado dos cantadores nordestinos, Ivanildo Vila Nova, se apresentou com o Faces do Subúrbio. Ao que consta, com sucesso de público. A experiência foi repetida no Rio, desta vez entre Ivanildo e os rappers BNegão, Bernardo e Gabriel o Pensador.
Em outubro passado, entre os dias 26 e 28, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, foi realizado o I Encontro Nacional de Rappers e Repentistas no Spazzio, com entrada franca. O evento contou com a participação de artistas e profissionais de todos os cantos do país e apresentou um versátil leque rico de opções, como shows musicais, apresentações teatrais, mostra de dança, cinema e vídeo e exposições de xilogravura e cordel. Além de oficinas e seminários, que pretendiam abordar e discutir a diversidade da cultura brasileira. O evento foi promovido pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Governo da Paraíba, por meio da Subsecretaria de Cultura do Estado e com o apoio cultural da Petrobrás, por sugestão do próprio ministro da Cultura, Gilberto Gil. Estavam presentes nomes importantes como: Zé Brown, Gabriel o pensador, Caju e Castanha, “As Ceguinhas” de Campina e Nelso Triunfo. A idéia do I Rap & Rep foi mostrar que gêneros aparentemente tão distintos têm muito mais em comum do que se pensa. Assim a rima e a poesia, a dança de rua, a discotecagem e o graffiti coexistiram com a embolada, o cordel e o próprio repente.

c. Depoimentos e Considerações finais

Essa combinação de ritmos foi registrada pelo documentário “Poetas do Repente” produzido pela Fundação Joaquim Nabuco. O documentário é composto por quatro programas dentre eles, um que é intitulado Recriando o Repente, trata da interação entre essas diversas formas de expressão poética e mescla cenas de shows, conjuntos e depoimentos de rappers, poetas populares, produtores, jornalistas e teóricos. Pelos depoimentos, percebe-se a riqueza da situação e suas dificuldades. Afinal, não se faz por decreto a união de formas poéticas diversas no tempo, no espaço, nas classes sociais, nos objetivos e no posicionamento mercadológico. Recriando o Repente relaciona as modernas formas urbanas de improviso, como o rap, e procura ver suas possíveis ligações com a poesia popular nordestina.
O poeta (erudito e popular) paraibano Astier Basílio resume: “A cantoria vive dessa contradição de ser rígida e ao mesmo tempo possibilitar várias renovações. É um código que tem pilastras que não se alteram, mas ao mesmo tempo essas pilastras se renovam de forma diferente. Não é possível pensar a contemporaneidade como algo adversativo à tradição. (…) A possibilidade de diálogo teria de crescer muito mais. É muito mais possível ao rapper brincar com elementos formais da cantoria, introduzindo no seu desempenho, do que o cantador jogar a viola do lado, pegar um microfone e colocar uma base. Por que ele não pode fazer isso? Porque o código em que ele se insere não permite esse tipo de procedimento. Quando se estabelece essa relação de diálogo, ela é muito mais possível pela liberdade que o rapper faz com outras coisas – com o samba, com outros elementos musicais, pode fazer com a cantoria. (…) Essa renovação segue uma exigência do mercado. Não pode dissociar. Não é só uma fruição estética…A cantoria tem exigência de mercado, de aperfeiçoamento, de adaptação”. Ele também considera que a cantoria evolui pela necessidade de adeqüar-se a novos públicos e a novas condições técnicas, não é apenas por opção estética.
Ivanildo Vila Nova comenta a experiência da mistura do rap com o repente, afirmando que para que os dois grupos se entendam, um deles não precisa cantar igual ao outro: “Nem o pessoal do hip-hop pode cantar no tom do cantador, nem nós podemos cantar dançando e balançando, porque assim ia descaracterizar a cantoria”.
Bruno Zeni arremata: “O repente é um avô do hip-hop. O hip-hop tem muito a aprender com o repente. Acho que o repente pode aprender um pouco com o hip-hop também”.
Assim, nessa dialética entre tradição e renovação, a cantoria de viola, do alto dos seus quase 150 anos de prática, encara agora o diálogo com os jovens do hip-hop brasileiro, nascido em meados dos anos 80.

CONCLUSÃO

Uma frase popular diz que “Você não pode depender do improviso para viver, mas se não souber improvisar, estará perdido”. Poderiamos dizer que os repentistas fizeram dessa frase a regra de base de seu trabalho. O mesmo aconteceu com o genêro musical relativamente recente, o rap. Finalmente, a fusão de rap e repente aconteceu em boa hora. Talvez seja o golpe de ar fresco que ambos precisavam: o repente, pelo desgaste natural que sofrem as manifestações culturais que gostamos de chamar de “tradicionais”, o rap pela constante demanda de inovação.
“A criação improvisada, por ser “performativa”, parece aceitar erro e defeito, bem como o seu fim cronológico, fundando mesmo a sua estética no efémero, isto é, estabelece-se como processo criativo que respeita a sequência “nascimento – vida – morte”, diz Nuno Matos Duarte em seu artigo. Certamente, rap e repente aceitam essa idéia de efêmero para as suas criações, mas não para elas mesmas como artes. Com todas as aspas necessárias para o uso destas noções, podemos dizer que o encontro do rap e o repente é uma “renovação” da cultura popular “tradicional”. Com o rap-rep, presente e passado mostram-se juntos, desafiam-se e ao mesmo tempo misturam-se, transformando-se num exemplo perfeito do conceito dinâmico de “cultura”.

BIBLIOGRAFIA – WEBOGRAFIA

MASTER TEE, “Freestyle rap”, http://www.planetablack.com/arquivoshtm/materias/freestyle.html
“O Rap”, http://www.suapesquisa.com/rap/
“Rap Brasileiro”, http://www.mundosites.net/musica/rap.htm
MATOS DUARTE, Nuno, “Artes e improviso”, http://nuno-matos-duarte-textos.blogspot.com/2007/03/arte-e-improvisao-uma-questo-de.html
MUSSAK, Eugênio, “O improviso”, em http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/048/pensando_bem/conteudo_236906.shtml?pagina=1
TAVARES, Braulio, “O verso que cai do céu”, Continente, fevereiro de 2008, n° 86
ZENI, Bruno, Encontro de Patativa do Assaré com Thaíde, em http://www.memorial.sp.gov.br/memorial/revistaNossaAmerica/20/esp/musica-es.htm
Poetas do repente, Ed. Massangana, Recife, Fundação Joaquim Nabuco, 2008 (Livro e DVD)
“Cantoria de viola”, Tesauro de Folclore e cultura popular brasileira http://www.cnfcp.com.br/tesauro/00002148.htm
Site “Aboio” http://www.teia.art.br/sites/aboio/
“Embolada”, http://pt.wikipedia.org/wiki/Embolada
Site do evento Rap-rep, http://www.raprep.com.br/programacao.php

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Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Centro de Artes e Comunicação – CAC
Curso: Turismo
Disciplina: História da Cultura
Prof.Severino Vicente da Silva

MITOS E LENDAS DE PERNAMBUCO

Equipe: Thomás Galvão
Jeckson Andrade
Andreza Campos
Rhaissa Cezar
Caroline Carvalho

Recife, 11 de junho de 2008.
Sumário

Introdução…………………………………………………………………………………………………………. 1
Lendas e Mitos de Pernambuco…………………………………………………………………………… 2
A Lenda…………………………………………………………………………………………………………… 2
O Mito…………………………………………………………………………………………………………. 3
Lendas e Mitos de Pernambuco (por região)…………………………………………………………. 4
Zona da Mata……………………………………………………………………………………………………. 4
Litoral……………………………………………………………………………………………………………… 5
Sertão……………………………………………………………………………………………………………… 6
Região Metropolitana………………………………………………………………………………………….. 7
Todo o Estado…………………………………………………………………………………………………… 8
Estudiosos sobre Mitos e Lendas………………………………………………………………………. 10
Luís Câmara Cascudo……………………………………………………………………………………….. 10
Gilberto Freyre…………………………………………………………………………………………………. 11
Lendas do Recife: um novo modo de explorar o Turismo……………………………………… 13
Considerações Finais………………………………………………………………………………………… 14
Bibliografia………………………………………………………………………………………………………. 15

Introdução

“As formas mais interessantes da literatura oral são os contos, os mitos e as lendas. Eles exprimem a concepção do mundo compartilhada pelos membros de uma coletividade e servem para reforçar a solidariedade social e a coesão moral do grupo. Dizem que a imaginação do povo, com suas maneiras peculiares de expressão, é que espalha na terra os encantos, as ilusões e as virtudes.” (MEGALE, Nilza Botelho, 2001)

As lendas e mitos são manifestações da cultura de um povo e tem sua natureza na oralidade, já que é esse o principal meio de transmissão dos mesmos. Não há um consenso na definição dessas duas manifestações, o que amplia ainda mais a compreensão de seus significados, mas sabemos que estão inseridos num contexto sócio-cultural, e que podem estar associados a um local e a um determinado espaço de tempo. É válido ressaltar que o que é considerado mito em uma cultura, pode ser lenda, ou conto, ou caso em outras culturas. Porém no mito e na lenda há uma carga emocional muito forte do fator crença, algo que é fundamental para o processo de sobrevivência de ambos e é também uma das características que os destaca das demais formas narrativas.
São muito associados ao conceito de folclore e são, geralmente, alvos de análise da Sociologia, História e Filosofia, porém de uns anos pra cá, já tem aparecido em outros âmbitos científicos, como por exemplo, no universo da lingüística. Isso demonstra que a temática oferece um campo fértil para estudos e pesquisas.
Antigamente os mitos e as lendas não eram abordagens muito utilizadas, principalmente em sala de aula, ao contrário do que acontece hoje, onde é possível se ver um trabalho mais efetivo em cima dessa questão. Inclusive há projetos que utilizam esses aspectos culturais como forma de trabalhar outros assuntos, tais quais sustentabilidade, e educação ambiental.

Lendas e Mitos

A cultura popular tem como essência o imaginário, que configura uma riqueza imprescindível. É nesse campo fértil que o imaginário popular atua, revelando sentimentos que desabrocham em lendas, mitos, contos, crendices, superstições e em outras belezas que retratam a nossa cultura.

A Lenda
Há de se considerar, que as lendas são narrativas que enfeitam e caracterizam um lugar, acompanhadas de mistérios, assombrações e medo. Não se sabe ao certo como nasceram e criaram as lendas. Elas acompanham fatos e acontecimentos comuns, ilustrada por cenários exóticos e de curta extensão. Muitas vezes são fatos verídicos acrescentados de novos dados ou até mesmo recriados. Podendo ser muito confundida com os mitos. Para Paulo de Carvalho Neto: “Lenda – É uma narrativa imaginária que possui raízes na realidade objetiva. É sempre localizável, isto é, ligada ao lugar geográfico determinado.”
Afonso Arinos entende lenda como: “Lenda vem de ‘ler’, como ‘legenda’ vem do latim ‘legere’; é o que deve ser lido. Era de costume nos conventos e mosteiros, desde os primeiros tempos da era cristã, fazer cada dia, à hora das refeições em comum nos vastos refeitórios, a leitura da vida do santo que dava o nome ao dia. Daí a denominação ‘lenda’; o trecho a ser lido. A lenda era a biografia dos santos e bem aventurados. Como fossem diárias as leituras e pudessem faltar as biografias, foram sendo compostas ou acrescentadas com as ações que a fé ardente dos autores atribuía a seus heróis. Não podia haver lenda sem sinceridade e simpleza no coração. Em todos os casos, ainda quando reconhecida depois como fabulosa, a lenda foi sempre na sua origem a expressão naquilo que ele julga sinceramente a verdade.
Para Câmara Cascudo:
“As lendas são episódio heróico ou sentimental com elemento
maravilhoso ou sobre-humano, transmitido e conservado na tradição oral e
popular, localizável no espaço e no tempo. De origem letrada, lenda,
legenda, “legere” possui características de fixação geográfica e pequena
deformação e conserva-se as quatros características do conto popular:
antigüidade, persistência, anonimato e oralidade. É muito confundido com
o mito, dele se distância pela função e confronto.” (p.348) (1976)

O Mito
O Mito é uma narrativa tradicional, com caráter explicativo e/ou simbólico. Procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e do homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis (criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade. Ele tem natureza filosófica própria, pois procura através de argumentos, saber e explicar sua realidade, mesmo que, para nós, não sejam tão claras de serem compreendidas.
Comumente, associa-se erroneamente, o conceito de mito a mentira, ilusão, ídolo e lenda. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem a vive. A narração de determinada história mítica é a primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história segue uma linha de raciocínio mesmo que não tenha uma lógica. Fatos históricos podem transformar-se em mitos se adquirirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura.
Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito “maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração). Como exemplo, temos a história do Super-Homem. Ele representa um ídolo, pois é venerado. Porém sua história é mítica, devido ao fato de representar todos os momentos de fracassos do ser humano na pele de Clark Kent, e por outro lado, como Super-Homem assume a capacidade de ter sucesso pleno em todas as áreas. Assim, o Super-Homem é um ídolo, porém sua história é mítica, sendo a única forma de representar a incapacidade do pleno sucesso humano, sem frustrações; pois o único que conseguiria tal feito seria um super herói, e já que esse não existe, os seres humanos ficam mais conformados com suas limitações e “criam” o mito do Super-Homem para poderem “falsamente” confortar-se com sua realidade.
Segundo Luís da Câmara Cascudo “O mito pode ser um sistema de lendas, gravitando ao redor de um tema central com área geográfica mais ampla e sem exigências de fixação no tempo e no espaço…”. (1976)
A nossa forma de compreensão do mundo dessacraliza o pensamento e a ação mítica (isto é, retira dele o caráter de sobrenaturalidade), fazendo surgir a filosofia, a ciência e a religião. Como mito e razão habitam o mesmo mundo, o pensamento reflexivo pode rejeitar alguns mitos, principalmente os que vinculam valores destrutivos ou que levam à desumanização da sociedade.
Agora que já temos um conhecimento prévio sobre as definições e contextualizações de mitos e lendas, partiremos para a abordagem de alguns exemplos que são muito comuns no estado de Pernambuco. É válido ressaltar que os mesmos foram classificados por local de predominância, mas que podem ser encontrados em outros cantos do estado, inclusive do país. Vale salientar também que por serem transmitidos oralmente, possuem um caráter de flexibilidade muito grande, o que faz com que surjam variações de uma mesma história. Fizemos aqui então, um apanhado das principais informações que foram coletadas sobre alguns mitos e lendas.

Lendas e Mitos de Pernambuco

Zona da Mata

A Cumade Fulozinha
Um dos nomes do Caipora-fêmea na cultura lendária de Pernambuco. É conhecida na Paraíba como flor-do-mato. Tem a missão de proteger as matas e os animais que nelas vivem. Como protetora tem o controle de toda a mata. Em dias de caça só favorece aos caçadores, quando por sua vez se vê beneficiada em alguma coisa. Não o sendo, fica irada, e se vinga escondendo a caça, afugentando-a para longe, fazendo com que o homem se canse e nada consiga.
Detesta crianças malcriadas, e carrega consigo um chicote feito de talos de urtiga para dar uma “lição” nos garotos desobedientes, principalmente os que maltratam a natureza. Sua chegada é anunciada com um assovio que funciona da seguinte maneira: quando se escuta de perto, ela está longe, e quando o assovio é escutado ao longe, ela está perto.
Para fazê-la mansa é necessário levar consigo uma lembrança, que se bota num pé de pau e ela vai buscar. De preferência fumo e cachaça. Essa caipora se apresenta como se fora uma menina de doze anos, com os cabelos longos e estirados e de aparência simpática. É sempre vista pelos caçadores que em geral lhe votam grande admiração e respeito, pois sabem que para ter uma boa caça precisam de sua ajuda. As exceções constituem aqueles que se utilizam de pimenta. É coisa que aborrece a Cumade Fulozinha. Mas ela sabe vingar-se.

O Papa-Figo
Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho.
O Papa Figo é um homem muito feio de orelhas enormes que mata crianças para comer seu fígado. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas. Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como: distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.
Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.
Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.

Litoral

A Alamoa

Duende feminino que aparece principalmente na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, endoidecendo o enamorado que a seguiu. Aparece também como uma luz ofuscante, policolor, perseguindo quem foge dela. Sua residência é o Pico, elevação rochosa, de mil pés de altura, absolutamente inacessível.
“As sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã… A vítima entra na porta do Pico, crente de ter entrado para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana. Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.
(Olavo Dantas, Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938).

João Galafuz

Nome com que a superstição popular designa uma espécie de assombração, que diz aparecer em certas noites, emergindo das ondas ou surgindo dos cabeços de pedras submersas, como um facho luminoso e multicor, prenúncio de tempestade e naufrágios; crença essa dominante entre os pescadores e homens do mar do norte do Estado de Pernambuco, e principalmente de Itamaracá, dizendo-se que esse fantasma marinho é a alma penada de um caboclo, que morreu pagão, acaso conhecido por João Galafuz. A superstição tem curso também em outros Estados, como Sergipe, porém lá recebe o c nome de Jean de la Foice.

Sertão

O Gritador
Acredita-se que seja um fantasma que ronda o sertão do estado sendo mais comum no vale do São Francisco. O Gritador é também conhecido como “Zé-Capiongo”, e vive gritando dentro da noite. Contam que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a Sexta-Feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e a rês que campeava. Virou assombração. Hoje vive gritando no mato, aboiando uma boiada invisível como ele.
Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. Dizem que até ao meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos, assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além do seu aboio triste, são ouvidos o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar do seu cachorro.

Região Metropolitana do Recife

O Caralho-de-asas

Outra parte do corpo humano transformada em mito é o órgão genital masculino. Em uma versão de narrativa masculina, o “caralho-de-asas” é o responsável pela gravidez de paternidade não-identificada. Em uma narrativa em grupo feminino, a referência ao caralho-de-asas se dá como advertência às moças, para que não tomem banho de rio e de açude, bem como não durmam “desprevenidas”, isto é, sem roupas íntimas. O caralho-de-asas, que parece ser a permanência do mito grego de Leda e o Cisne. Júpiter metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, a qual veio a conceber os gêmeos Castor e Pólux – tem uma iconografia que foi documentada fotograficamente no Rio de Janeiro e na cidade do Recife. Há também a sua presença como personagem de história em quadrinhos de revistas de palavras cruzadas e enigmas destinados a público masculino, denominado de “passaralho”.

A perna-cabeluda

Os jornais e as emissoras de rádio do Recife divulgaram em varias matérias a aparição de uma perna humana destacada do corpo, cabeluda, que chutava pessoas em diversos subúrbios da região metropolitana. Tal entidade foi objeto de dois folhetos de poetas populares, o que atesta a sua incorporação à cultura folk. A criação desse mito tem sido atribuída ao radialista conhecido como Jota Ferreira. O mito foi objeto, também, da produção de um vídeo, cujo lançamento ocorreu no bar-boate sugestivamente denominado “Boato”.

Todo o estado
A Cabra Cabriola

A Cabra Cabriola, era uma espécie de Cabra, meio bicho, meio monstro. Sua lenda em Pernambuco, é do fim do século XIX e início do século XX. Era um Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando se aproximava:
Eu sou a Cabra Cabriola Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada…
As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto.
Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora era rezar o Pai Nosso e fazer o Sinal da Cruz.
É também conhecida como bicho-papão, cabriola ou papão de meninos. No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra. Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, existem versões deste mito nos estados do Ceará e Pará.

A Bruxa

Também conhecida como Feiticeira, Súcubo e Velha Bruxa esse mito tem origem européia, de muitos anos atrás, e os elementos que nos chegam vieram de Portugal. A Bruxa para as crianças é a figura clássica da mulher velha, alta e magra, corcunda, queixo fino, nariz pontudo, olhos pequenos e misteriosos, cheia de sinais nos cabelos, e manchas na pele.
O principal trabalho das Bruxas é carregar meninos que teimam em não dormir cedo, ou em alguns casos, mantendo os vestígios do mito de origem Européia, sugar seu sangue sem que ninguém a veja, já que é capaz de se tornar invisível. No Norte do país, ela é conhecida como Feiticeira.
Para evitar que a Bruxa entre numa casa, deve-se riscar nas portas os símbolos cabalísticos; o sinal de Salomão, que é uma estrela de seis pontas, feita com dois triângulos; a estrela de cinco pontas, que é o sagrado pentágono; ou as palhas secas do Domingo de Ramos postas em forma de cruz, ou fios da fibra de Caroá, planta usada para fazer barbantes, linhas de pesca e tecidos. A Bruxa então é obrigada a parar, e só entra na casa depois de contar fio por fio daquele feixe de fibras de Caroá, ou Gravatá. A tradição é a mesma na Europa. Em Portugal é um molho de fios. Na Itália mata-se um cachorro e a Bruxa é obrigada a contar os cabelos do animal.
Com uma foice molhada na água benta ou outra lâmina, como uma faca, de forma compassada, de meia-noite ao primeiro cantar do galo, deve-se ferir o ar em volta do berço onde dorme a criança que está sendo sugada pela Bruxa. Ao fazer isso, um golpe pode acertar a Bruxa e assim ela perde o encanto, isso quebra suas forças, e ela retoma sua forma humana e fraca.
Em outros estados, Minas Gerais, estado do Rio de Janeiro, Goiás, a Bruxa se transforma em borboleta noturna, uma espécie amarelada que aparece quando o sol se põe. Diz-se que a Bruxa é a sétima filha. Sempre aparece em torno do número Sete, que tem um forte apelo místico.
Na Europa, as Bruxas se reúnem nas noites de sexta-feira, sendo presididas pelo Diabo em pessoa. Estas Bruxas voam sentadas em cabos de vassouras. De acordo com a tradição Brasileira, ela algumas vezes se apresenta como uma velha carregando uma pequena trouxa de roupa, e quando vê uma criança, logo lança sobre ela mau olhado.
Quando uma Mulher já teve seis filhas, partos seqüenciais, antes de nascer uma sétima, para livrar-se da maldição de virar Bruxa, deve a mãe colocar nela nome masculino. Caso não faça isso, e se nasce menina, ao completar sete anos se transforma em borboleta, entra pelas fechaduras das portas para chupar o umbigo das crianças recém nascidas. E assim, logo a criança adoece de um mal chamado de “Mal de sete dias”, que é muito grave, mortal. Para livrar as crianças desse mal, a parteira deve colocar embaixo da cama da mulher que deu à luz, uma tesoura aberta, milenar símbolo de proteção.

Estudiosos sobre Mitos e Lendas

Luís da Câmara Cascudo

Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 30 de dezembro de 1898. Filho do Coronel Francisco Cascudo, o futuro historiador e folclorista estudou Humanidades no Ateneu Norte-Rio-Grandense, cursando posteriormente Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro até o 4° ano, quando desistiu da carreira, ingressando na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou em 1928. Essa iniciação científica na Medicina, entretanto, de alguma forma deve ter sido proveitosa e útil ao seu interesse pela etnografia e pelo próprio folclore, onde a intuição, por si só, não é suficiente para o estudo e análise de ambas as disciplinas, ainda que seja naturalmente indispensável.
Embora só se tenha formado em 1928, já aos 30 anos portanto, desde a mocidade Luís da Câmara Cascudo se dedicava ao jornalismo, tendo estreado nas colunas do jornal A Imprensa, aliás propriedade de seu pai, passando daí em diante a escrever em todos os jornais de Natal. Além do jornalismo, também o magistério foi uma constante em sua vida, inclusive pelo fato de que a fortuna paterna se havia perdido e as necessidades materiais se impunham duramente, em contraste com o início risonho e fácil à época da mocidade. Professor de História do Brasil no Ateneu Norte-Rio-Grandense, na Escola Normal e no Instituto de Música, Luís da Câmara Cascudo aposentou-se afinal, em 1966, como professor de Direito Internacional Público da Faculdade de Direito da UFRN. Foi ainda secretário do Tribunal de Justiça e consultor jurídico do Estado atividades todas, no entanto, que jamais prejudicaram ou fizeram arrefecer seu continuado labor de pesquisa e elaboração nos campos de sua indiscutível especialidade: a história, a etnografia e o folclore. Seu primeiro livro publicado data de 1921 – Alma Patrícia – crítica literária, iniciando uma vasta bibliografia que ultrapassa de muito a centena de obras, não se falando na colaboração jornalística, impossível de ser recenseada, e em prefácios, introduções, conferências, anotações, etc. Voluntariamente homem de província, encerrado entre seus livros numa casa também provinciana, Câmara Cascudo, entretanto, não é monge de clausura ou inimigo da geografia. Ao contrário, já fez quatro viagens de estudos à Europa, uma à África e outra ao Uruguai, não se falando no Brasil, que conhece bem, com exceção do norte amazônico.
Com um nome que hoje se projeta muito além das fronteiras culturais do Brasil, sua ascendência no campo dos estudos etnográficos não sofre contestações, e sua obra, como um todo, é profunda lição de apego às raízes tradicionais do Brasil, que ele expõe e analisa em função da história, dos costumes, dos mitos, das lendas, do pensar do povo sobre que se apóia a cultura erudita assimilada de outras fontes criadoras, como via de acesso à civilização material que nos conforma.
Distinguido por inúmeras condecorações nacionais e internacionais, além de várias medalhas culturais, Luís da Câmara Cascudo já mereceu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obra, e ainda conquistou o Prêmio Hening Albert Boilesen, por “sua contribuição ao aperfeiçoamento cultural do país”.
Não se sabe ao certo quantas foram as obras escritas por Câmara Cascudo, até o próprio autor desconhecia a exatidão desses números. De acordo com o acervo de Carlos Lyra, “o homem que fotografou Cascudo”, e que provavelmente tem a maior coleção de seus livros, e também segundo o livro de Zilda Mamede, Luís da Câmara Cascudo: cinqüenta anos de vida intelectual; 1918-1968; bibliografia anotada (1970), há cerca de 180 obras, entre traduções, correções, anotações e comentários. Entre elas estão: Alma Patrícia, critica literária (1921); Antologia do Folclore Brasileiro (1944); Geografia dos mitos brasileiros (1976); História da Cidade do Natal (1947); Anubis e outros ensaios (1983); Tradições populares da pecuária nordestina (1956); Flor dos romances trágicos (1982); História dos nossos gestos (1976); Breve História do Palácio da Esperança (1961) e; O mais antigo marco colonial do Brasil (1934).

Gilberto Freyre
Sociólogo, antropólogo e escritor, Gilberto Freyre nasceu no Recife, a 15/03/1900. Autor de dezenas de livros, entre os quais “Casa Grande e Senzala” (1933), seu mais importante trabalho, obra considerada fundamental para o entendimento da formação da sociedade brasileira. Escreveu seu primeiro poema aos 11 anos de idade e, em 1917, concluiu, no Recife, o curso colegial (Colégio Americano Gilbeath de Pernambuco), seguindo, no princípio de 1918, para os USA, onde fez seus estudos universitários: na Universidade de Baylor (bacharelado em Artes Liberais com especialização em Ciências políticas e Sociais) e na Universidade de Colúmbia (mestrado e doutorado em Ciências Políticas, jurídicas e Sociais) onde defendeu, em 1922, a tese “Vida Social no Brasil em Meados do Século XIX”. Viaja a países da Europa e retorna ao Brasil em 1923. Considerado pioneiro da Sociologia no Brasil, em 1926 foi um dos idealizadores do I Congresso Brasileiro de Regionalismo do qual resultou a publicação do Manifesto Regionalista – documento contrário à Semana de Arte Moderna de 1922 e que valorizava o regionalismo nordestino em confronto com as manifestações da “cultura européia”. Em 1936 e 1959, publica, respectivamente, os livros “Sobrados e Mocambos” e “Ordem e Progresso”, obras que, com “Casa Grande e Senzala”, formam uma trilogia sobre a história da sociedade patriarcal brasileira.
Foi pioneiro no Brasil ao abordar, em estudos sociológicos, temas como alimentação, moda, sexo etc. e causou polêmica ao defendera tese de que a riqueza cultural brasileira originou-se da mistura de raças (a miscigenação racial) propiciada pelo fato de o colonizador português não ter preconceitos raciais e isso teria facilitado o contacto com o colonizado cordato. Em 1946 foi eleito deputado federal constituinte (UDN-PE), sendo vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e representante do governo brasileiro na Assembléia geral das Nações Unidas em 1947.
Quando deputado, apresentou o projeto de criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (posteriormente transformado em fundação). De 1926 a 1930, foi secretário particular do então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra. Durante a ditadura Vargas foi preso três vezes. Apoiou o governo militar que se instalou no Brasil em 1964 e, posteriormente, defenderia uma reabertura. Foi, também, pintor. Como jornalista, dirigiu o jornal “A Província” (Recife) e o Diario de Pernambuco; escreveu para a revista O Cruzeiro e colaborou com várias revistas estrangeiras, entre as quais The American Scholar (USA), The Listener (Londres), Diogène (Paris), Kontinent (Viena) e outras. Era integrante do Conselho Federal de Cultura desde a sua criação; foi presidente do conselho-diretor da Fundação Joaquim Nabuco (Recife); detentor de vários prêmios literários e doutor Honoris Causa de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras. Da Rainha Elezibeth II recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico. Morreu no Recife, a 18/07/1987, de isquemia cerebral, depois de passar uma semana na UTI do Hospital Português.

Lendas do Recife: um novo modo de explorar o turismo

Fazendo parte do programa Recifense Praticante, o projeto Lendas do Recife realizado pela primeira vez em 13/01/2006, tem como objetivo percorrer trilhas onde, supostamente, teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que fazem parte do imaginário popular. Para dar um ar mais realista e promover uma maior interação com o público, a prefeitura contrata atores para se caracterizarem como fantasmas e assombrações e contar as lendas aos visitantes. Várias histórias são contadas no projeto que ocorre em datas esporádicas.
Em sintonia com a idéia do projeto Recifense Praticante o projeto Lendas do Recife tem suas atividades inicialmente voltadas para a população da cidade, elevando a auto-estima do recifense e despertando a cidadania dos que nela vivem. A proposta é, sobretudo, trabalhar o turismo como um agente de inclusão geográfica, cultural e social do Recife.
A idéia inicial da trilha “mal assombrada” nasceu de uma proposta apresentada por alunos do 2º período do curso de turismo da Faculdade Metropolitana da Grande Recife, na disciplina de fundamentos do turismo, e foi incorporada no projeto de sensibilização turística de recife coordenada pelo turismólogo Renato Barbosa de Souza e executada pelos estagiários do projeto. Os alunos puderam com a visita, participar de uma trilha urbana noturna observando a operacionalização prática do aprendizado em sala de aula, analisando os pontos positivos e negativos desta trilha que mostra além de lendas assustadoras toda riqueza histórica cultural e arquitetônica do bairro do recife.
Nas edições já realizadas, uma média de 200 pessoas percorre trilhas selecionadas onde supostamente teriam ocorrido fenômenos sobrenaturais e que, até hoje, povoam a crença popular. Episódios como o da “Emparedada” da Rua Nova, mortes no cemitério de escravos na Cruz do Patrão, personagens misteriosos que surgiam no Teatro de Santa Isabel e as assombrações do Rio Capibaribe, são algumas das muitas lendas que já foram abordadas pelo projeto.
Com a chegada do inverno, que dificulta a execução de qualquer evento de rua e por problemas burocráticos de repasse de dinheiro, o projeto se encontra parado, sem previsão de retorno, mas com a certeza de que um grande público espera a sua volta.

Considerações Finais

Com a influência estrangeira, o Brasil, hoje, um país riquíssimo, se tratando de mitos e lendas, abandona um pouco sua história e incorpora aspectos da cultura externa e isso se reflete na abordagem contida nessas narrativas. Por um lado isso enriquece ainda mais o universo mítico e lendário nacional, em contramão o país mostra que ainda está rendido às intervenções internacionais. Não que se deva haver um processo de protecionismo, mas deve se procurar um meio-termo para essa situação, de modo que, não deixe o país tão suscetível ao que vem de fora, nem que se torne uma nação impenetrável, sem possibilidade de comunicação.
Com as reflexões e dados apresentados neste trabalho queremos identificar um pouco da cultura brasileira através do estudo dessas duas formas de expressão cultural e mostrar que ambas nos dão subsídios para entendermos melhor nossa história. Espera-se, assim, que o mesmo possa colaborar com o processo de sensibilização e valorização da cultura nacional, mais especificamente a local, gerando uma conscientização no que diz respeito ao zelo pelo o que é nosso.

Bibliografia

Sites:
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/entesnd.html#topo

http://www.orecifeassombrado.com/Historias008.html

http://ich.unito.com.br/view/2926

http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/

http://sitededicas.uol.com.br/folk04.htm

http://sitededicas.uol.com.br/folk15.htm

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.metropolitana.edu.br/?pagina=lab_npt_vis_len

htpp://www.orecifeassombrado.com

htpp://www.recife.pe.gov.br/pr/secturismo/lendas.php

http://www.recifensepraticante.com.br/acoes/lendas_do_recife/39450%3B56776%3B0106%3B0%3B0.asp

http://pernambucocomamor.blogspot.com/2008/02/o-caralho-de-perna-cabeluda-os-jornais.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito#Tipos_de_mitos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda

Livros:

CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: J. Olímpio, 1976.
DANTAS, Olavo. Sob o céu dos trópicos. 28, Rio de Janeiro, 1938
FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Condé, 1955.
MEGALE, Nilza Botelho. Folclore Brasileiro. 4. ed. Vozes, 2001.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO/
NÚCLEO DE HOTELARIA E TURISMO
Turismo-Iº Período-Tarde
Prof.: Severino Vicente daSilva
Disciplina: História da Cultura

Maracatu

Priscila Galvão
Carla Miranda
Weruska Mandela
Leonardo Oliveira
Vitória
Vitor Campelo
Vítor Barros

RECIFE
Junho 2008

“Tropa de todos os baques existentes
De longe tremendo e rachando os batentes
Mutante até lá adiante
Pois a zoada se escuta distante
Levando o baque do trovão
Sempre certo na contramão
Carrego pr’onde eu vou
O peso do meu som
Lotando minha bagagem
Meu maracatu pesa uma tonelada de surdez
E pede passagem”
[Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada-Jorge du Peixe]

Resumo

O ritmo que surgiu há três centenas de anos nas senzalas ou em reuniões de escravos afro-descendentes se tornou um ícone importante e indispensável na cultura brasileira.
Instrumentos de percussão, como tambores, chocalhos e paus eram usados na execução do maracatu, que foi criado com o objetivo de cultuar suas entidades espirituais e ao mesmo tempo servia com um “escape” para o sofrimento que os escravos sofriam naquela época. Hoje o maracatu está presente em vários estados do Brasil, com destaque para a Bahia e Pernambuco, neste último surgiu o Maracatu Rural, ou baque solto, que foi criado por trabalhadores e moradores da Zona da Mata Norte. Atualmente, os instrumentos utilizados no maracatu são, essencialmente, os mesmos de antigamente, como a alfaia, o atabaque, baquetas, apitos e etc. Geralmente se usa roupas especiais e peculiares do ritmo, principalmente no maracatu rural. Os caboclos de lança dão um brilho especial com seus mantos coloridos, a lança de fios luxuosos e compridos e uma flor na boca alegram o baque solto. Apesar dos anos, a tradição religiosa do maracatu é mantida por muitos grupos, esses rituais estão ligados ao candomblé e umbanda.

MARACATU RURAL
Ao contrário do Maracatu Nação, mais presente na área urbana, o Maracatu Rural “nasceu da fusão de vários folguedos populares que existiam, sobretudo nos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte de Pernambuco, principalmente em Nazaré da Mata”.(Filho, 1998).
Personagem de grande destaque é o caboclo-de-lança ou lanceiro, suas ornamentadas vestimentas é uma das mais marcantes imagens deste folguedo: vestem o ceroulão -calção de chitão; a fofa -calça frouxa com franja por cima do ceroulão; camisa de mangas compridas de cores vivas; a gola colorida bordada com missangas, vidrilhos e lantejoulas; um surrão com 4 ou 5 chocalhos; na cabeça, um lenço e sobre este, um chapéu de palha ornado de fitas multicoloridas de papel crepom ou celofane(Farias, 1998).
A apresentação acontece num clima muito agitado, que cresce com as evoluções feitas pelos caboclos-de-lança. Temos, à primeira vista, a impressão de se tratar de uma dança guerreira: tensa e frenética. Estas apresentações acontecem durante o carnaval, percorrendo um roteiro de desfile que incluem sempre mais de 10 cidades.
MARACATU

Apesar de sua palavra ter procedência controversa, a hipótese mais concisa afirma que sua origem é africana, reforçada por “uma informação do Museu do Dundo, da Companhia de Diamantes de Angola. Conforme essa informação, o termo ‘ maracatu’ designa ainda hoje uma dança praticada pela tribo dos Bondos, os quais viviam na época da ocupação portuguesa, no território da foz do rio Dande, cerca de 500 km ao norte de Luanda”.( Guerra-Peixe apud, Lima 1980: 7).
Existem dois tipos de maracatu: o Maracatu Nação ou de Baque Virado e o Maracatu Rural ou de Baque Solto.
1.1 MARACATU NAÇÃO
O Maracatu Nação é o mais estudado e conhecido, ele teve origem no Recife baseado no costume chamado de Instituto do Rei Congo, que consistia na coroação de um rei negro (escravo liberto) que passaria a chefiar uma comarca, o rei e a rainha eram empossados no dia de Nossa Senhora do Rosário. Quando a Instituição se dissolveu, por volta do século XIX, restou apenas o Auto dos Congos, que era a representação de uma peça. O folguedo se originou do cortejo dessa tradição, conservando as relações de hierarquia entre os participantes.
Com o passar dos anos as coroações modificaram-se e levaram ao Maracatu Nação, que é composto pelos tradicionais destaques, o rei e a rainha e outros personagens, como o embaixador (porta-estandarte), as damas-do-paço (que carregam as calungas -bonecas de madeira que representam uma divindade), o príncipe e a princesa, o duque e a duquesa, o conde e a condessa, o conselheiro, o ministro, o guarda-coroa, os vassalos, as baianas, os lanceiros, os batuqueiros e os caboclos-de-pena, que são embalados pelas toadas e pelo ritmo da percussão. Esse folguedo possui um caráter misto religioso observado em suas toadas.
O Maracatu de baque Virado é marcante na capital, antigamente suas apresentações aconteciam em pátios de igrejas, hoje eles se configuram como peça importante do período momesco.
Dentre os Maracatus mais tradicionais estão: o Maracatu Nação Elefante (fundado em 1800, considerado o mais antigo), o Maracatu Nação Sol Nascente (sua data de fundação é desconhecida até hoje), o Maracatu Leão Coroado (1863), o Estrela Brilhante (1910), o Porto Rico do Oriente (1916), o Cambinda Estrela (1935), o Almirante do Forte (1935) e o Maracatu Indiano (1949).
MARACATU RURAL

“Na segunda metade do século XIX, foi grande a disputa pela posse de terra dos índios, especialmente no Nordeste. Aqueles que sobreviveram e foram viver na região Nordeste deixaram de falar suas línguas, para se preservarem, física e culturalmente. Começaram a se dizerem e se chamarem de caboclos [palavra surgida na colonização; dizia-se que não era índio, não era branco; não era livre, não era escravo; não era brasileiro, não era português.]. Estes caboclos já não falavam sua em público, e vinham se mesclando com outros grupos, também desclassificados socialmente, como os negros e os brancos pobres. Ocorreu o fenômeno da ‘caboclização’ das populações indígenas”. (Silva, 2005: 21- 22).
Originário da Mata Norte pernambucana, o Maracatu Rural ou de Baque Solto, também chamado de Maracatu de Orquestra, surgiu no início do século XX como uma brincadeira, os caboclos saíam solitários trajando roupas simples, ao som dos chocalhos em meio aos canaviais.Os índios foram renascendo dos canaviais que os haviam engolido, as lembranças foram tomando forma, o folguedo foi sendo formado como uma tribo, juntando um pouco do conhecimento a respeito das brincadeiras, misturou-se o Reisado, o Cavalo Marinho, o Bumba-meu-boi, o Caboclinho e os grupos de Cambinda, e virou “uma festa de celebração de um passado guerreiro”. (Silva, 2005: 22), até se transformar em Maracatu. Até chegar nesse ponto, o vestuário sofreu diversas modificações, antes os caboclos vestiam apenas roupas simples e estampadas, com o passar dos anos passaram a usar golas, que chegavam na altura do peito, e a bordá-las com vidrilhos, hoje as golas chegam na altura do joelho e são bordadas com lantejoulas, escolhido por ser um produto mais leve e possuir um brilho maior que o vidrilho. As roupas dos demais integrantes foram se modernizando de acordo com o aparecimento de tecidos diferentes. Ele migrou para Recife na década de 30 do século XX, como resultado de crise açucareira que chegou a ser a principal atividade econômica de Pernambuco, atividade essa que definiu a maioria das relações sociais presentes hoje.
“O mais antigo [maracatu rural] foi criado no Engenho Olho d’Água, em Nazaré da Mata, no dia 10 de dezembro de 1914, num sábado, como diz Ernesto Francisco do Nascimento, o mais antigo dos caboclos. Era o Cambidinha de Araçoiaba. Quatro anos depois, em 1918, no Engenho de Cumbe, Nazaré da Mata, nasceu o Cambinda Brasileiro”. (Silva, 2005:26).
HISTÓRIA DE ALGUNS DOS GRUPOS DE MARACATU NAÇÃO:

Grupos de Pernambuco:
Maracatu Nação Olinda:

– Criado em 2006;
– Finalidade: preservar a cultura negra em Pernambuco;
– Sede: bairro do Bonsucesso (Olinda).
Nação Leão Coroado:

– Fundado em 8 de dezembro de 1863;
– Sede: Rua José Dias de Moraes, Águas Compridas.
Maracatudo Camaleão (Olinda):

– Fundado em 8 de abril de 1990;
– Saiu pela primeira vez em 1992 em Olinda.
Maracatu Piaba de Ouro:

Foi fundado em 1977 e tem sede em cidade Tabajara, em Olinda. Mestre Salu, o seu fundador, é hoje uma referência internacional da cultura popular brasileira, além do Maracatu servir como parâmetro de referência para criação de outros ao redor do Estado, ele tenta manter vivas as tradições que regem tal folguedo.
Maracambuco:
Foi fundado em junho de 1993 com o intuito de preservar, divulgar e promover a cultura pernambucana, especialmente o maracatu. Desde então, desenvolve projetos sócio-culturais como oficinas de percussão e dança. Realiza também apresentações de palco e cortejos levando a cultura do maracatu nação de baque virado ao conhecimento de todos. Além disso, a instituição presta assistência para retirada de documentos, reforço escolar e acesso à Internet para as comunidades de Vila Popular, Peixinhos e Jardim Brasil.
Completou 15 anos dia 09 de junho de 2008.
Grupos do Brasil:
1. Nação Fortaleza (Fortaleza -CE)
– Fundado em 25 de março de 2004, como forma de marcar o Dia do Maracatu e as comemorações dos 120 anos da abolição da escravatura no Ceará;
-Idealizador: Cale Alencar;
– Cores padrão: vermelho, amarelo, azul e branco.
2. Nação Iracema (Fortaleza-CE)
– Fundado em 13 de maio de 2002;
– A caminhada do grupo vem desde 13 de agosto de 1982;
– Surge das reflexões e práticas da participação dos militantes do Pastoral da Paróquia de São Pedro e São Paulo e do Centro de Defesa e da Vida e Resgate da Cultura Negra no Ceará -Abogun Bolu e até de simpatizantes.
MARACATU RURAL
Nazaré da Mata é uma das três bases de atuação do maracatu em Pernambuco, ao lado de Recife e Cidade Tabajara (Olinda). A cidade, que é conhecida como o município de maior concentração de maracatus em toda a Zona da Mata, é um dos berços do Maracatu de Baque Solto. Uma das características do local é a intensa produção artesanal de adereços para o Carnaval, como as coloridas golas dos caboclos-de-lança.
Maracatu Piaba Dourada
Foi fundado em 1999, em Nazaré da Mata, Zona da Mata da Pernambuco, apesar do seu fundador ‘Boi Comendo’ (ele optou por usar o apelido pelo qual é conhecido sem revelar, assim, seu nome de batismo) brincar desde os 14 anos, o Maracatu não mantém as regras que eram antes impostas pala tradição do folguedo, se configurando, assim, como um maracatu mais contemporâneo, renovado.
Importante: O Maracatu de Baque Solto só existe em Pernambuco. Os outros grupos espalhados pelo Brasil são apenas de Baque Virado.

Instrumentos do Maracatu

Alfaia
Alfaia é um tambor ícone do ritmo brasileiro maracatu. Na terminologia alfaia significa necessidade, roupa, utensílio e enfeite. O instrumento é constituído de corpo, peles (membranas), aro, e cordas para a afinação.
A alfaia se percute com duas baquetas e o tocador se apresenta em pé, na maioria das vezes em procissão. Esse instrumento veio a ser conhecido ao público do centro-sul do Base, relativamente há pouco tempo através de grupos de música pop que introduziram a alfaia em seu instrumental e por percussionistas e pesquisadores que contribuíram ao aparecimento de grupos e oficinas de maracatu.
É classificada como membramofônica, já que o som é obtido através da membrana ou pele e instrumento de altura indeterminada.
Além dos diversos tipos de maracatu, a alfaia encontra-se também no côco e na ciranda.
Agogô
Agogô de duas”bocas” e uma baqueta: o mais convencional dos agogôs
Agogô de três “bocas” e uma baqueta
O agogô é um instrumento idiofônico, ou seja, a vibração do corpo do instrumento que reverbera o som. Existem agogôs de materiais orgânicos, como côcos, mas o mais encontrado é o de metal. É classificado como instrumento de altura indeterminada. Compõe-se de duas, três ou até quatro “bocas” ligados entre si pelas vértices.
Para se tirar som desse instrumento bate-se com uma baqueta, que pode ser de madeira, nas “bocas”, também chamadas de campânulas do instrumento. Outro recurso sonoro ou articulação é o choque entre as próprias “bocas”.
O agogô é encontrado no candomblé, na capoeira, no samba, no afoxé, no baião entre outros ritmos.
Apito
É um instrumento associado à autoridade, guardas de trânsito, pedido de socorro, árbitros de esportes e mestres de grupos de percussão.
Foto 1: Apito de Ukuki, feito com semente da árvore de Ukuki (Manaus)
São instrumentos de alta ressonância e produzem som de duas maneiras: apenas o ar através do corpo do instrumento (fotos 1 e 2) e a segunda através do choque da “bolinha” dentro do corpo do instrumento com o corpo (foto 3).
Foto 2: Apito usado em esportes, feito de plástico com uma bolinha dentro do corpo
AtabaqueAtabaque – Termo derivado do árabe “at-tabaq”, significando “tambor”, encontrado no século XVI como “atavaque” (´v´pronunciado com som de ´u`). Com influência árabe na África, os negros escravos adotavam esse nome para seus “tambores”, caracterizando-se pela construção rústica, feitos geralmente de peças de árvores escavadas e com uma pele (geralmente de bode) se sobrepondo.

Baquetas
A baqueta é um objeto em forma de pequeno bastão, geralmente, com uma das extremidades arredondadas, para percutir diversos instrumentos musicais. Pode ser feita de várias matérias, principalmente de tipos variados de madeiras, plásticos e/ou fibras.
As pontas podem ser arredondadas em formatos diferentes, esta variação é devida à peculiaridade exposta por cada ritmo, e elas podem ser de plástico, borracha, madeira, vidro e /ou outros materiais, fica ao gosto do músico, pois cada um extrai um som diferente.
Os diferentes tipos de matérias causam diferentes sons, assim como as diferentes peles dos instrumentos percutidos.
As baquetas têm vários tamanhos e densidades, que se adequam ao estilo musical e à sonoridade que o baterista queira produzir. Uma baqueta mais densa propicia um som mais forte, enquanto uma baqueta mais longa propicia um controle maior.
Existem vários tipos de baquetas, variando em seu tamanho, peso, espessura. Cada tipo geralmente é indicado a um determinado estilo musical. Mas os tipos de baquetas também podem ser escolhidos, levando em conta o gosto pessoal.
As baquetas modelo 5A são as mais utilizadas, não são nem pesadas nem leves. São muitos indicados para iniciantes, e a estilos musicais não muito pesados (pop, rock, country, samba, reggae, etc). Já o modelo 5B é um pouco mais pesado. É indicado para práticas de exercícios técnicos e a estilos de música um pouco mais pesada (hard-rock, heavy-metal, etc).
Caixa, tarola, caixa clara
Caixa, na designação original em inglês, snare drum é um tipo de tambor bimembranofone composto por um corpo cilíndrico de pequena seção, com duas peles fixadas através de aros metálicos, uma esteira de metal, constituída por pequenas molas de arame colocada em contato com a pele inferior, que vibrar através da ressonância produzida sempre que a pele superior é percutida, produzindo um som repicado, característico das marchas militares.
De uma maneira geral, e dependendo dos modelos, a esteira pode ser afastada da pele inferior através de uma alavanca, permitindo também a execução de ritmos sem a presença do som repicado.
Estilos musicais
A caixa teve a sua origem na Europa do século XV, onde a sua utilização básica surgiu com a marcação de ritmos em marchas militares.
Atualmente seu uso se estendeu a praticamente todos os estilos musicais ocidentais, sendo elemento essencial na bateria, onde é usada geralmente na marcação dos contratempos ou na execução de células rítmicas ou exercícios musicais mais complexos.
Seu uso é freqüente no rock, pop e no jazz, sendo também presença habitual nas seções de percussão das orquestras.
O instrumento é indispensável no carnaval carioca.
O uso da caixa em estilos afro-brasileiros tem suas raízes nos desfiles militares portugueses, desempenhando seu papel principal nas marchas, batucadas, e outros estilos do carnaval, apesar de ser também incluída em diversas outras formas de música.
A caixa faz parte integrante da escola de samba.

Execução
O percussionista executa a caixa munido de duas baquetas, geralmente de madeira ou com pequenas escovas, também designadas por vassourinhas.
Nas bandas de marchas ou desfiles, é hábito apoiar a caixa ao ombro ou à cintura do percussionista através de um talabarte (alça). Quando utilizada na bateria, é montada sobre um pedestal, geralmente, em forma de tripé.
Sons
Com esteira
O músico pode produzir vários tipos de sons. Com as esteiras encostadas à pele inferior o som é repicado e brilhante, como neste exemplo:
Sem esteira
Quando a esteira é solta através da alavanca, o som é brilhante (ressonante), mas sem a presença dos repiques:
Tocar no aro (rim shot)
O músico pode bater no aro metálico que fixa a pele, produzindo um som seco e metálico:
Abafando
É também possível utilizar um abafador que elimina totalmente a ressonância da pele inferior, tornando o som seco e curto.
Vassourinhas
O som produzido muda drasticamente quando a caixa é tocada com o auxílio de vassourinhas. Neste caso os sons são mais suaves e o músico pode também raspar a pele produzindo um som de fricção. Este tipo de execução é muito comum no jazz.

Conga
Congas – “Tambor” semelhante ao “atabaque” usado em par ou trio, sustentado em suportes para que o instrumentista toque em pé. O instrumento possui um casco cônico ovalado, quase como um barril (o que o diferencia do atabaque que tem casco cônico ou cilíndrico) e “pele” normalmente bem grossa, feita de um pedaço de lombo de burro (Equus asinus) ou boi (Bos linnaeus). A pele, ou membrana, tem entre 6″ e 12″ de diâmetro e “casco” entre 23″ e 35″ do comprimento. É tocado com as mãos e utilizado em diversos estilos de música popular da América Latina, notadamente na América Central. Marlos Nobre usa 3 instrumentos em ´Mosaicos´(1970). Foi introduzido no jazz pelo trompetista Dizzie Gillespie e o instrumentista é denominado “congueiro”. É chamado também de “tumbadora” e conhecido como conga drum [ingl.], conga trommel [alem.]
Ganzá
Foto 1: Ganzá de alumínio
Ganzá é um instrumento musical de percussão utilizado no samba e outros ritmos brasileiros. O ganzá é classificado como um idiofone executado por agitação. Muito utilizado no maracatu rural.

Vestimentas dos Personagens no Maracatu

O tipo de veste usada varia de acordo com cada personagem. São roupas coloridas, com bordados, fitas, paetês e até bonecos.

O Arreamar
Utiliza um chapéu de com uma pena,que é utilizada nos punhos e saiote(espécie de cinto). Há uam gola, também chamada de manta, que é colocada como um poncho. Tudo é cheio de bordados coloridos. E para completar os adornos do arreamar, ele possui uma machada.

O Caboclo de Lança
Leva nas mãos a “guiada”, assim é chamada a lança desse personagem, repleta de fitas coradas e cintilantes. O funil é um chapéu de palha com uma armação de arame, todo coberto com papa cimento, ou outro tipo de papel que seja grosso. Por cima do esqueleto do chapéu coloca-se a “tanga”, que é uma espécie de cabeleira feita de fitinhas brilhantes de todas as cores. O caboclo também utiliza uma gola, que é maior do que a do arreamar. O fundo dela costuma ser preto e todo bordado.
“Surrão” ou “Matinada” é um acessório sonoro que o caboclo carrega nas costas. É feito de madeira, espuma e chocalho, presos entre si por parafasos. Por fim, um cravo, geralmente branco, é levado na boca do personagem e representa um segredo que não pode ser revelado a ninguém.

O Rei
Bermudão, meião e casaca. Tudo confeccionado com muitos detalhes, em cores vivas. O Rei leva a coroa e uma espada.

Bandeirista
Usa basicamente a mesma roupa do rei, porém com muito menos pompa. Em vez da coroa, usa uma peruca que lembra a do Rei XVI.

Lampião
A roupa é parecida com a do bandeirista, pois não utiliza a peruca. Porta uma luva e um candeeiro.

Menino do Guarda Chuva
Veste-se como Lampião.

Mateu
É o caboclo mais pobre do cortejo. Leva um surrão pequeno, um chapéu e uma guiada pequena com apenas duas ou três fitas amarradas a ela.

Catita
Homem caracterizado de mulher, desfila com uma vestido, ou com uma saia e blusa. O rosto é pintado. Leva conssigo um jererê(objeto usado na pesca) e uma boneca.

Rainha
Possui uma saia de armação feita de um tecido barato( chitão ou algodãozinho). Já o vestido é de tecido de maior qualidade, como o cetim ou veludo brocado.
Baianas, Damas do Paço e personagens femeninas
Seguem o estilo da rainha. A diferença está no acabamento dado a elas, ao tecido utilizado, mas, basicamente, sehue a linha: Saia de armação e o vestido.

Burra
Balaio coberto de tecido(normalmente o chitão) e caracterizado com o esteriótipo de uma mula colorida. Lembra o Bumba-meu-boi.

Músicos
Calças e camisas coloridas.

Diretoria
Calça e camisa identificadora do nome do grupo de maracatu.

Onde estão os grupos de Maracatu?

Grupos em Pernambuco
Maracatu Nação Olinda(Bonsucesso-Olinda)
Maracatudo Camaleão(Olinda)
Nação Leão coroado(Águas Compridas-Olinda)
Nação estrela Brilhante(Recife)
Maracambuco(Peixinhos-Olinda)
Nação Porto rico
Nação elefante
Maracatu Badia
Ouro do Porto
Cambinda Estrela
Maracatu Piaba de Ouro
Nação do Engenho
Aurora Africana(jaboatão)
Várzea do Capibaribe
Batuque Estrelado
Encanto da Alegria
Leão Negro(Olinda)
Maracatu Chuva de Prata(Olinda)
Maracatu a Cabralada(Olinda)
Nação Pernambuco
Maracatu Vila Nova(Surubim)

Grupos Pelo Brasil

Minas Gerais
Nação Amaranto(Divinópolis)
Mucambo(São José del rei)
Baque do Vale(Itajubá)
Trovão das Minas(Belo horizonte)
Maracatu Lua Nova(Belo Horizonte)

Mato Grosso do Sul
Bojo Malê(Campo Grande)

Ceará
Nação Fortaleza(Fortaleza)
Nação Iracema(Fortaleza)
Vozes D’África(Fortaleza)
Reis de Paus(Fortaleza)

Bahia
Nação Acasa(Salvador)

Paraná
Maracaeté(Curitiba)
Estrela do Sul(Curitiba)
Boizinho Faceiro(Curitiba)
Voa-Voa Maracatu Brincante(Curitiba)

Santa Catarina
Trema Terra(Bombinhas)
Jaé(Itajaí)
Arrasta Ilha(Florianópolis)

São paulo
Ilê Aláfia(São Paulo)
Nobre real(São Paulo)
Bloco de pedra(São Paulo)
Caracaxá(São Paulo)
Nação tainã(Campinas)
Rochedo de Ouro(São Carlos)

Rio de Janeiro
Rio Maracatu(Rio de Janeiro)

Rio Grande do Sul
Maracatu truvão(Porto Alegre)

Referências Bibliográficas

http://www.olinda.pe.gov.br/portal/noticias.php?cod=2088 (acesso em 11 de junho de 2008).
http://www2.uol.com.br/JC/_2001/0312/tu2911_14.htm (acesso em: 12 de junho de 2008).
Monografia apresentada por Marilúcia Farias Bezerra. Orientador: Manoel Guedes. Maracatu rural: conteúdo simbólico x Imaginário popular. UFPE-CAC-Departamento de design.
SILVA, Severino Vicente da. Festa de Caboclo. Recife: Editora Reviva, 2005.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

PROBLEMAS DE HISTÓRIA DA PERNAMBUCO

TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA

PROFESSOR: SEVERINO VICENTE DA SILVA
ALUNOS: Eduardo Araripe P. de Souza
Flávio Santos
Cecília Tenório

TRABALHO DE PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DA MATA NORTE PERNAMBUCANA

1. INTRODUÇÃO:

Dentre as várias possibilidades de temas para o presente trabalho, optamos por apresentar de forma simples e objetiva, a importância histórica dos municípios da Zona da Mata Norte pernambucana, suprindo assim uma necessidade que não é apenas nossa (grupo de trabalho), mas que está arraigada na maior parte dos acadêmicos de História.
Desta forma, procuramos apresentar, além da importância e valor histórico que cada município possui para o Estado de Pernambuco, uma síntese dos aspectos sociais, econômicos e políticos, além das peculiaridades geográficas e da ligação entre os municípios, sintetizando desta forma a Região abordada.
Nossa atenção recairá sobre os municípios de VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, CHÃ DE ALEGRIA, PAUDALHO (pesquisados por Eduardo Araripe), TRACUNHAÉM, NAZARÉ DA MATA, ALIANÇA (por Cecília Tenório), ITAQUITINGA, GOIANA, CONDADO (por Flávio Santos), BUENOS AIRES, VICÊNCIA, MACAPARANA (por Patrícia). Os materiais utilizados como fonte de consulta são extremamente variados, desde periódicos, literaturas de cordel, livros de valor acadêmico, publicações independentes, história oral, entre outros, mostrando que a História é multifacetária e dinâmica, ilustrando e provando a riqueza cultural da Região.
Outrossim, não é objeto desta pesquisa esgotar todo o relato da história da Mata Norte pernambucana, porém, compartilhar as descobertas realizadas durante a elaboração do presente trabalho, bem como ingressar mais efetivamente no estudo do passado histórico de nosso Estado, tentando desta forma preencher um pouco da lacuna existente em nossa formação.

2. IDENTIFICAÇÃO DA REGIÃO NO ESTADO DE PERNAMBUCO:

3. APRESENTAÇÃO DOS MUNICÍPIOS:

I – PAUDALHO:

Paudalho é um dos municípios da Zona da Mata, de antigo povoamento, que conservam até hoje elementos que traduzem uma forma de ocupação humana muito comum aos municípios da área da cana-de-açúcar: as casas grandes de engenho, as estações ferroviárias, as igrejas, etc.
Além de seu valor histórico ligado às características arquitetônicas e culturais do seu povo, o município do Paudalho está diretamente ligado a passagens marcantes da História de Pernambuco, como a dominação holandesa, as revoluções de 1817 e a revolução praieira de 1848.

a) CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO:

Paudalho situa-se na Zona da Mata seca de Pernambuco, tendo aproximadamente 280 Km2 de extensão, limitando-se ao norte com o município de Tracunhaém, ao sul com São Lourenço da Mata e Chã de Alegria, a leste com Paulista e a oeste com Lagoa de Itaenga.
O município é cortado de Oeste para Leste pelo rio Capibaribe, apresentando ainda um clima quente e úmido, com chuvas de outono e inverno, e uma precipitação pluviométrica alta no período de maio a julho.
Segundo levantamentos do IBGE de 2006, o município tem uma população de 41.790 habitantes, possuindo uma densidade demográfica de 154,61 hab/km2.
A principal atividade econômica desenvolvida é o cultivo de cana de açúcar e a criação de galináceos, sendo a indústria modesta, representada pela fabricação de tijolos e cerâmica.
O município já agregou as atuais cidades de Carpina e Lagoa do Itaenga (até 1963).
O município tem uma forte predominância da religião católica, existindo atualmente cerca de 25 (vinte e cinco) igrejas locais. A igreja protestante conta com cerca de 10 (dez) denominações representadas com respectivos templos.

b) ORIGEM DO NOME PAUDALHO, E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO:

Segundo o historiador Pereira da Costa em seu trabalho “Annais Pernambucanos”, as atuais terras de Paudalho começaram a ser exploradas em fins do século XVI com o corte do pau Brasil em suas florestas.
O primeiro nome dado ao local foi o de Miritiba, quando era em 1591 um aldeamento indígena fundado pelos franciscanos, e posteriormente foi implantado um engenho de açúcar, em 1627, denominado Engenho Aldeia (hoje um campo de instrução do exército brasileiro).
Em 1630 já existia o engenho Mussurepe, na margem esquerda do rio Capibaribe, a 6 KM da atual cidade, levantado por João Lourenço Franco, pertencente ao mosteiro de São Bento de Olinda.
A existência do engenho é confirmada através do livro do tombo do referido mosteiro, publicado em comemoração ao duplo tricentenário das batalhas dos montes Guararapes.
Segundo a tradição local e alguns historiadores, em janeiro de 1711 chegou à margem esquerda do rio Capibaribe o colono Joaquim Domingos Telles, vindo de Itamaracá, com alguns parentes e muitos escravos africanos, onde se instalou para explorar novas terras apropriadas para o cultivo da cana de açúcar, construindo ali um engenho que, em decorrência da existência no local de árvores que tinham um cheiro semelhante ao alho, recebeu o nome de engenho Pau de alho ou Pau do alho.
Podemos ainda informar que, em sua obra “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, o escritor Severino Soares de Araújo, cita que, segundo Sebastião Galvão, baseado em tradições locais, os primeiros povoadores de Paudalho teriam sido os índios tabajaras, domesticados em 1680, porém, segundo Pereira da Costa, só existem registros históricos sobre a origem de Paudalho em 1714, durante o movimento de 1710, quando foi instalado um presídio no local, comandado pelo alferes Antônio Dias Barbosa.
Devido ao grande desenvolvimento do local, durante o século XVII, onde citam os historiadores que existiam cerca de 58 (cinqüenta e oito) engenhos, sendo o MUSSUREPE (1627) o primeiro, criou-se em 1789 o distrito de Pau d’alho, pertencente a Nazaré, circunscrição de Igarassu.
Em 1799 a povoação foi desmembrada de Igarassu, tornando-se município em 1811, e possuindo Comarca própria recebeu o predicado de cidade em 1879.
Em 21 de abril de 1974 foi oficialmente instalada no município a Academia de Polícia Militar do Paudalho, localizada a 3 KM da sede municipal, a qual é um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Norte-Nordeste do País.
A instalação da Academia possibilitou a instalação de agências bancárias, e o desenvolvimento de um centro comercial no município, estimulando o desenvolvimento econômico do local.

c)IMPORTÂNCIA DO MUNICÍPIO NA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO:

Além de registrarmos a importância do município na formação dos primeiros pólos de povoamento na Zona da Mata, o que foi citado na introdução deste trabalho, podemos registrar a relevância histórica do município do Paudalho em acontecimentos importantes para o Estado e o País.
Entre os momentos importantes, citamos a Revolução Republicana de 1817, e a Revolução Praieira de 1848:

Revolução de 1817: Segundo alguns historiadores, Sob o incentivo do Padre Pascoal Pires, as cidades de Glória do Goitá e Paudalho lutaram contra a “república” instaurada em Pernambuco.
O governo provisório enviou duas expedições armadas, uma contra Glória do Goitá e outra contra Paudalho, sendo esta última, comandada pelo Coronel José Mariano Cavalcanti.
A expedição foi recebida sob forte resistência dos moradores, recuando até a margem direita do rio Capibaribe, cerca de 200 metros do fundo da Igreja da Matriz, onde cem anos depois se achou um canhão utilizado pelas forças republicanas, que se encontra hoje no acervo do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.

Revolução Praieira de 1848: Quando em 1848 eclodiu a Revolução Praieira, que abalou a província de Pernambuco, Paudalho se fez presente, tendo em vista que o coronel Pereira de Morais era paudalhense. Ao ver seus amigos, coronel Barros e Silva do engenho Lavagem, e o Padre Vicente Férrer de Albuquerque, serem perseguidos, aconselhou-os a pegar em armas contra a situação conservadora dominante.
Tais fatos, segundo Severino Soares de Araújo na obra “Paudalho, terra dos engenhos”, página 87, encontram amparo histórico através do relatório do Dr Herculano Pena, Presidente da Província em exercício, que ao se referir aos lamentáveis acontecimentos que tantas vidas ceifaram cita:

“O primeiro indício apareceu na Vila de Paudalho, em fins de outubro, tentando o próprio comandante de um destacamento do corpo de polícia revolta-lo contra a legítima autoridade, para incorporar-se com ele a um ajuntamento sedicioso, que já começava a formar-se no engenho Lavagem”.

d) CURIOSIDADES HISTÓRICAS LIGADAS AO MUNICÍPIO:

· Segundo o Historiador Mário Melo, as cidades de Limoeiro, Vitória de Santo Antão, Cabo de Santo Agostinho e Paudalho, em face de um alvará datado de 27 de julho de 1811 ficaram autorizadas a erigir pelourinho.
O pelourinho de Paudalho teria sido levantado onde atualmente localiza-se a Praça Pedro Coutinho, no
Centro da cidade;
· Observamos no livro “PAUDALHO TERRA DOS ENGENHOS”, que durante o domínio holandês em Pernambuco, após ocuparem o Recife e tomar a Paraíba, em dezembro de 1634, obrigados pela falta de mantimentos, os invasores holandeses em número de 1800 (mil e oitocentos) homens, aproximadamente, e 60 (sessenta) cavalos, comandados pelo general Sigismundo Von Sckoppe, vieram por terra saqueando fazendas e engenhos, chegando em fins de janeiro de 1635 no engenho MUSSUREPE, apoderando deste, travando lutas contra os moradores do local;
· Segundo o historiador Teodoro Sampaio, no aldeamento MIRITIBA, (primeiro núcleo colonizador do atual Paudalho), teria nascido o conhecido índio Poty, o famoso Dom Felipe Camarão.


FOTO DO PREDIO DA PREFEITURA DO PAUDALHO

e) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO

Capela de Nossa Senhora da Luz Datada do século XVIII, localiza-se no antigo engenho Ramos, situada à 3 KM da sede municipal. É alvo de grande número de romeiros que anualmente visitam o referido templo, vindos de todo a Região Nordeste, para venerar a imagem de São Severino;

Ponte do Itaíba (1876): Localizada entre os atuais bairros do Itaíba e Santa Teresa, foi inaugurada pelo governador Machado Portela em 1876, estando atualmente imprópria ao tráfego de veículos, necessitando de recuperação.

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo – Localiza-se na parte central da cidade, sua presumida construção é datada de 1750.


Academia de Polícia Militar do Paudalho: Localizada as margens da BR 408, funciona como um dos mais importantes centros de formação de oficiais militares do Brasil, recebendo cadetes de toda Federação.

· Estação ferroviária municipal – Inaugurada em 1881, localiza-se nas proximidades do atual centro do município;
· Igreja de Santa Tereza – Próxima ao centro da cidade, e proveniente do antigo engenho Paudalho, datada de 1711;

f) CONCLUSÃO:

Dentro do que foi exposto, podemos observar que o município do Paudalho tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Mesmo que ao longo do último século tenha perdido importância no cenário estadual, no que se refere à economia e impacto no PIB do Estado, vendo vizinhos como os municípios de Carpina e Limoeiro lhe ultrapassarem nesse quesito, não há como desprezarmos a importância cultural e histórica dos monumentos e do povo paudalhense, sendo este município uma “aula viva” para aqueles que desejam conhecer a História de Pernambuco.

II – VITÓRIA DE SANTO ANTÃO

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 51 Km do Recife, o município de Vitória de Santo Antão abrange porções superiores de importantes bacias hidrográficas da Zona da Mata do estado de Pernambuco, como a bacia do Rio Tapacurá que corta o município e é um dos mais importantes afluentes do Capibaribe, (rio Natuba, Riacho ronda, Pacas, Mocotó), e as do Jaboatão que abastece a cidade de Moreno, Pirapama que nasce no município e pequena parte da bacia do rio Ipojuca servindo de limite com o município de Primavera.
A topografia da região é movimentada e irregular, principalmente em seu setor oeste, onde se fazem presentes os primeiros contra fortes da serra das russas.
A mata úmida perenifólia, que caracteriza o município de Vitória de Santo Antão, é exuberante de folhagem verde escuro, rica em cipós.
As indústrias que mais se destacam são a CIV, Indústria de vidros do grupo brennand, indústria JB e a PITÚ (aguardente), conhecida internacionalmente, principalmente na Europa.
O comércio de Vitória destaca-se também no ramo automobilístico, com vendas de peças de motos, carros e fabricação de trios elétricos para todo o país.
Diversificação agrícola: a feira livre de Vitória é uma das que possuem a maior diversificação de produtos da região, vindo pessoas inclusive de outros municípios circunvizinhos: Gloria do Goitá, Escada, Pombos, para comercializar seus produtos na feira.
Outro destaque na agricultura fica por conta do plantio de cana de açúcar e na fabricação de álcool e açúcar nas usinas do município.
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Data de 1626 o início do povoamento de Vitória de Santo Antão, quando o português Antonio Diogo de Braga, vindo da Ilha de Santo Antão do Cabo Verde (Portugal), fixou residência com seus parentes, à margem esquerda do Rio Tapacurá, e edificou uma capela em homenagem a Santo Antão da Mata e algumas casas. Todos os anos, no dia 17 de janeiro, oferecia um culto ao santo para que protegesse sua habitação do ateque de onças, cobras e outros animais da região, como também pela plantação de mandioca e outros vegetais.
Inicialmente chamada de Cidade de Braga, além de sua situação privilegiada em termos de cursos d’água, situava-se como ponto de passagem do caminho que destinava ao São Francisco através do Vale do Mocotó. O povoado, nessa condição, deve ter tido um relevante papel comercial, no qual se destaca o fato de que “em suas feiras semanais”, aos sábados, os tropeiros vindos do sertão das Minas Gerais compravam produtos artesanais e de subsistância. Além dissso, as feiras vendiam gado para o abastecimento de Olinda e Recife, além de rapaduras e mel (fabricados nas engenhocas da freguesia), pano de algodão, tecidos (em modestas oficinas domésticas) e etc.
Em 1774, a cidade de Braga foi chamada de Santo Antão da Mata, quando já tinha população estimada em 4866 habitantes.
Evoluindo sucessivamente da condição de povoação a freguesia, passando posteriormente à categoria de vila pelo alvará Régio de 27 de Julho de 1811, assinado pelo então Príncipe Regente D. João, a mesma foi oficialmente instalada em 28 de maio de 1812. Do seu território, fazia parte a freguesia de Bezerros, abrangendo uma grande extensão de terra, correspondendo, hoje, as áreas ocupadas pelos municípios de Vitória de Santo Antão, Pombos, Chã Grande, Gravatá, Bezerros, Caruaru, Bonito, São Caetano, Sairé, Camocim de São Félix, São Joaquim, Barra de Guabiraba, Riacho das Almas e Cortês“.
Contudo, num estudo feito pelo Pe. Theodoro Huckelmann, de nacionalidade alemã, publicado no Boletim Arquidiocesano, de 09.07.1976, quando era Bispo de Pernambuco Dom Manuel Álvares da Costa, foram criados entre os anos de 1710 e 1715, as freguezias de Nossa Senhora dos Prazeres, de Maranguape e da Vitória de Santo Antão.
O historiador Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, Vol. VI, pag 323, afirma, entre outras coisas, que um tal Pedro Pinheiro da Silva fora nomeado Capitão Mor das Ordenanças (?) da Freguesia de Santo Antão em 04.08.1698, … e “já então gozava a localidade de Santo Antão do Predicamento de Paróquia”.
Pela Lei Provincial nº113, de 06 de maio de 1843, sancionada pelo Barão da Boa Vista, então Presidente da Província de Pernambuco, foi elevada a Cidade, tendo seu nome mudado para Cidade da Vitória, em homenagem à batalha ganha pelos pernambucanos sobre os holandeses no Monte das Tabocas. Este nome porém, não permaneceu devido a existência de um decreto-Lei que proibia a existência de duplicatas na toponímia nacional.
Após muita discussão, foi definitivamente aceito e reconhecido o nome da Vitória de Santo Antão, em 31 de dezembro de 1943, pelo decreto-lei estadual nº 952, para município, comarca, termo e distrito.

c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
o Instituto Histórico e Geográfico é um verdadeiro cartão-postal da cidade da Vitória de Santo Antão, localizado a rua Imperial 187, no bairro da Matriz. O prédio serviu de hospedagem a família imperial Dom Pedro II e D. Teresa Cristina em 1859 em visita ao estado. Erguido em 1851, o prédio chama atenção por seu revestimento em azulejo decorado.Fundado em dia 19 de novembro de 1950 é uma sociedade civil, de caráter cívico e cultural, sem fins lucrativos.

o Monte das Tabocas é uma área de aproximadamente 11 hectares, onde em 3 de agosto de 1645 foi palco de celebre batalha entre os luso-brasileiros e os holandeses os luso-brasileiros escusaram os holandeses do local. Os primeiros liderados por Antonio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira entrincheirados nas partes altas e protegidos pelos tabocais, derrotaram os flamengos.

O anjo da vitória:Este monumento é comemorativo de vitória alcançada na batalha do Monte das Tabocas ocorrida em 3 de agosto de 1645. Foi construído por iniciativa de Dom Luis de Brito com o apoio de autoridades do município. Sua inauguração foi realizada em 27 de janeiro de 1905, aniversário da expulsão holandesa no Brasil. O monumento é constituído por uma coluna e uma estátua de ferro representando são Gabriel.

Construído como uma homenagem a José de Barros Lima, cognominado leão coroado, mártir da Revolução Republicana de 1817. Sua inauguração se deu em 1917, primeiro centenário dessa Revolução. Obra do escultor vitoriense Bibiano Silva, este monumento representa um vulto de grandes proporções subjulgando um leão raivoso e tendo na fronte uma coroa de louros.

Matriz de Santo Antão é um templo de porte majestoso e um dos mais belos e importantes do interior de Pernambuco. A capelinha simples e feita de taipa foi construída no início do século por Diogo de Braga em 1826, quando chegou a cidade de Braga. Em 1874 a capelinha foi incendiada e completamente destruída pelos holandeses, sendo reconstruída e substituída por um templo maior . Sendo reinaugurada pelo o então Vigário Cônego Marcolino Pacheco do Amaral e aberta ao público em 29 de junho de 1881.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fundada pela irmandade dos homens pretos da vitória em 1750, constitui um dos marcos da formação do município. A igreja sofreu sucessivas reformas, apresentando uma arquitetura externa neoclássica.

III – CHÃ DE ALEGRIA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.
Distante 57 km do recife, limita-se ao norte com Paudalho, ao sul com Vitória de Santo antão, a leste com São Lourenço da Mata e a oeste com Gloria do Goitá.
A economia é baseada, sobretudo, na produção da cana-de-açúcar, coco, mandioca, batata doce, banana e manga, e possui uma área de 114 km2, com uma população de 11. 165 hab;
b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O território que hoje se localiza Chã de Alegria, fazia parte das terras, que foram doadas a David Pereira do Rosário, por uma neta de Duarte Coelho Pereira, na segunda metade do século XVIII.
As primeiras casas de Chã de Alegria foram construídas por vota do ano de 1842. Os pretos corcovado, iniciaram a exploração do território, construindo diversas casas de taipa, uma pequena casa de oração, iniciando assim o povoamento de uma “chã” com poucas casas, porém muito alegre, vindo aí o nome adotado até hoje: Chã de Alegria, cujo gentílico de quem nasce lá é alegriense.
O Distrito foi criado por Lei Municipal de 08 de janeiro de 1909, e integrava o território do município de Glória do Goitá. A Lei Estadual nº 4.985, de 20 de dezembro de 1963, criou o município de Chã de Alegria e deu à sua sede foros de cidade.
O grande atrativo turístico do município é a festa de São Sebastião, padroeiro do município, que se realiza anualmente no dia 20 de dezembro;

IV – GOIANA

a) APRESENTAÇÃO DO MUNICÍPIO.

O município de Goiana, situado a 59 km do Recife, na Mata Norte do Estado de Pernambuco, é palco de importantes momentos de nossa história desde os primórdios da colonização. Cidade de grande destaque no Estado de Pernambuco, hoje se encontra, politicamente, em um patamar bem aquém do que já esteve, mas permanece com um esplendor único quando nos referimos ao seu valor histórico e cultural.

b) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O nome Goiana tem origens controversas. Para Adolf de Varnhagen, tal nome vem do tupi “gente estimada”. Para outros vem de Guaiana, “porto ou ancoradouro do vale”. Finalmente, alguns acreditam que a importância do rio homônimo para a povoação local acabou por nomeá-la. Empiricamente, podemos citar as formas em que o nome aparece nos documentos. Em 1605, em um catálogo da Companhia de Jesus, transcrito pelo Padre Serafim Leite, aparece como Aldeia de Gueena; em 1606, como Goyana, já era residência estável de dois padres, Diogo Nunes, Superior, e André de Soveral; em 1607, aparece finalmente com a grafia atual. O padre Cristóvão Valente nomeia o local de Residência de Santo André de Goiana.
Não existem datas oficias da fundação de Goiana. O território ficava nas terras da capitania de Itamaracá, que tinha como donatário Pero Lopes de Souza. O primeiro povoamento que se tem notícia foi a Aldeia do Capivarimirim. Observam-se em alguns documentos históricos referências a Goiana como Capibaribe, em conseqüência desse antigo povoamento. O território inicialmente habitado por caetés e potiguares atraía os colonizadores pela grande quantidade de pau-brasil em suas matas, além da segurança oferecida pelo rio Goiana, formado pela união dos Rios Tracunhaém e Capibaribe – Mirim, para o embarque das madeiras. Graças a tais recursos hídricos o povoado teve um rápido desenvolvimento. Em 1568 foi criado o distrito de Goiana.
A devastação das matas permitiu o início de lavouras, sobretudo a da cana-de-açúcar. Em 1570, 5 mil braças de terra são doadas por D. Jerônima de Albuquerque Souza a Diogo Dias, que constrói o Engenho Japomim. Com a ajuda de 600 pessoas que traz para povoar o local, sobretudo homens, fortifica sua fazenda e consegue defender-se das constantes incursões indígenas. Em 1575, seu filho Boaventura Dias se junta a Miguel de Barros e fundam um Engenho na margem norte do Capibaribe – mirim. Em 1600, a região já contava com 9 engenhos em atividade, chegando ao número de 12 por volta de 1630. Elevada à categoria de freguesia em 1598, o território de Goiana já contava com 26400 metros no sentido leste-oeste, acompanhando os leitos dos rios Goiana, Tracunhaém e Capibaribe – mirim.
Por se encontrar entre as Capitanias de Pernambuco e da Paraíba, Goiana passa a ser palco das operações militares no período da invasão holandesa. Jerônimo de Albuquerque, comandando gente de Goiana, correu em socorro à Pau Amarelo em 1631; em 1632, ocorreu o ataque à freguesia de Goiana, onde muitos foram presos. Mesmo assim, Lourenço Cavalcanti reuniu pessoal suficiente para marchar em defesa da Paraíba, em 1634. Finalmente, em 1635, o grande número de holandeses obriga a retirada dos moradores. Vejamos o que nos legou Adrien Van Der Dussen, em seu Relatório sobre as capitanias conquistadas no período holandês:

“As terras de Goiana, principalmente as várzeas de Araripe e Taquara, são muito férteis, não ficando atrás de nenhuma outra do Brasil. O rio Goiana tem uma pedra de arrecifes, chamada Pedra das Galeras, detrás da qual carregavam-se, antes caravelas de 250 caixas de açúcar. Há ancoradouros para pequenos navios, como o Canal Norte, chamado Catuama e Porto dos Franceses.”

O mais famoso confronto entre holandeses nas referidas terras ocorreu na freguesia de Tejucupapo. Em 1646, provavelmente nos dias finais do mês de abril, os holandeses resolveram atacar uma aldeia de pescadores num dia de domingo, justamente quando a maioria dos homens retira-se para o Recife a fim de vender seus produtos. A aldeia então só contava com a defesa de uns poucos homens adultos, mulheres e crianças. As mulheres destacaram-se no confronto, seja no combate direto com os flamengos, utilizando água quente e pimenta, ou indiretamente, apoiando moralmente e incentivando os demais defensores. Após a morte de centenas de pessoas envolvidas na batalha, as mulheres de Tejucupapo foram vitoriosas, contribuindo diretamente para o declínio do domínio holandês em terras nordestinas.
O progresso de Goiana torna-se evidente para toda a capitania, o que elevou a então freguesia à categoria de vila, em 1686. A Câmara e a Justiça da Capitania foram transferidas para a nova vila. A vila de Itamaracá não ficou satisfeita com a decisão, tendo então início a uma disputa pela supremacia na capitania: em 1709, Itamaracá volta a ser vila e recupera a Câmara e Justiça para o seu território; em 1711, a 7 de janeiro, novamente Goiana torna-se vila; João Guedes Alcoforado transferiu novamente a condição de vila a Itamaracá; Dr. Feliciano Pinto de Vasconcelos, em 1714, realiza audiências em Goiana sendo seguido por outros juízes e vereadores. Mas só em 1742 é que, definitivamente, Goiana voltou a ser vila e estabeleceu de vez sua hegemonia na capitania.
No século XIX, tornou-se Goiana uma cidade bastante próspera, economicamente e socialmente, devido em grande parte ao seu porto fluvial, que interligava as capitanias (províncias) do Norte com Recife. Além do intenso comércio característico da região já em períodos anteriores, desenvolveram-se na vila atividades manufatureiras como a tecelagem, a cerâmica e a vidraçaria. Era comum a presença de milhares de cabeças de gado trazidas do Piauí e Ceará, para serem vendidas em sua feira semanal. Os fazendeiros piauienses e cearenses retornavam aos seus lares carregados de mercadorias. As trocas comerciais também eram intensas como as vilas da Mata Norte e de parte do Agreste pernambucano. Vilas ao sul da Paraíba, como Alhandra, Taquara e Pedras de Fogo e algumas povoações dependiam não só economicamente, como política e socialmente da Vila de Goiana.
Tais atividades permitiram o florescimento de uma classe média numerosa e ativa, que vai participar diretamente das revoluções liberais em Pernambuco. Mesmo assim, ainda é grande o número de engenhos na região, essencialmente às margens férteis dos rios que banham a vila. A força dessa produção açucareira permitiu a permanência de uma forte aristocracia rural em Goiana, em contraste à crescente classe média, sobretudo no período em questão. Vejamos como o viajante inglês Henry Koster descreveu em Goiana, em sua passagem pela mesma em outubro de 1810:

“A vila de Goiana, uma das maiores e mais florescentes de Pernambuco, é situada sobre a margem do rio do mesmo nome, em uma grande curva nesse local, quase a rodeando. As casas, com uma ou duas exceções, têm apenas um andar. As ruas são largas, mas na são calçadas. Uma das principais é tão ampla que admitiu a construção de uma igreja, numa das extremidades, e a extensão da rua é considerável em ambos os lados dos edifícios. A vila possui o convento das carmelitas e várias outras casas destinadas ao culto. Os habitantes dão de quatro a cinco mil e esse número cresce diariamente. Há também lojas e o comércio com o interior é intenso. Nas ruas sempre são encontrados numerosos matutos, camponeses que vêm vender seus produtos e comprar objetos manufaturados de que têm necessidade. Nas imediações existem muitos e excelentes canaviais. Creio que as melhores terras da província estão nesses arredores.”

Tal crescimento de uma classe média permitiu o sucesso da difusão de idéias liberais trazidas da Europa. Como no Recife e em Olinda, cujas idéias foram fomentadas pela intelectualidade pulsante do seminário de Olinda, o clero goianense participou ativamente, tanto da difusão de idéias, quanto dos movimentos liberais propriamente ditos. Mas chama a atenção a intensa atividade dos irmãos Arruda Câmara. A estadia de ambos na Europa os colocou em contato com as idéias iluministas que ganharam terreno, sobretudo com a revolução francesa. Manuel de Arruda Câmara ficou conhecido como o principal ideólogo do liberalismo no período pré-revolução, sendo citado pela oposição como fomentador das idéias revolucionárias. Já o seu irmão, o conceituado médico Francisco de Arruda Câmara, foi um dos principais propagadores das idéias antes do movimento, tento também participado ativamente dos atos insurrecionais. Fazendo um comentário a respeito das idéias revolucionárias dos Arruda Câmara, diz uma testemunha a respeito:

“que o dito Arruda, que esteve na França no tempo da revolução, e seu irmão defunto Manuel Arruda, que, morou lá ambos antes da rebelião de Pernambuco, ambos apanharam os princípios revolucionários nessa terra, trabalhando para que o povo seguisse este Partido, e que o dito Manuel Arruda tomara para seu discípulo e para sua companhia o Padre João Ribeiro Pessoa de Melo, que foi do governo dos revolucionários, depois da morte de Manuel Arruda.”

Não apenas os irmãos Arruda Câmara, mas praticamente todo o clero regular e a maioria dos militares participaram ativamente dos movimentos liberais do século XIX. Goiana participou fortemente dos movimentos de 1817, 1821, 1824 e 1848, destacando-se sempre como um foco de resistência às forças realistas/conservadoras e ponto de ligação com as províncias do Norte.
Convém destacar a participação da vila na revolução constitucionalista de 1821. A união de tropas com as tropas oriundas de outras vilas, Paudalho, Nazaré, Tracunhaém e Limoeiro, resultou na formação do “Governo Constitucional Provisório da Província de Pernambuco” a 29 de agosto de 1821. A junta posteriormente, através de ofício, impõe ao governador Luiz do Rego Barreto que entregasse o poder à junta eleita e convocasse eleições legítimas. A escolha de uma Junta composta pelo então governador, composta por membros do antigo Conselho e afetos pessoais, é recusada pelos goianenses. A luta diplomática é substituída por embate militar, que culmina com a vitória de Goiana, após o cerco do Recife. Luiz do Rego assina o Termo de Capitulação a 05 de outubro, que ficou conhecido como Convenção de Beberibe. Tal processo estabeleceu um governo independente na província e resultou na expulsão do último governador português, antecipando a independência política da província.
Em 1833, após o período conturbado de revoluções na província de Pernambuco, ocorre a divisão do estado em nove comarcas. Goiana foi uma delas, ratificando a importância política da vila, e sua influência sobre a região em que se localiza.

“… a aprovação do Projeto de Lei de autoria de Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, que dividia a Província de Pernambuco em nove comarcas, cujas cabeças eram a “Cidade do Recife (abrangendo os termos de Recife, Cabo, Olinda, Igarassu e Itamaracá), a Villa de Goiana, a Villa de Nazareth, a Villa do Limoeiro, a Villa de Santo Antão, a Villa do Rio Fomoso, a Villa do Bonito, a Villa do Brejo e a Villa de Flores” (Sessão Ordinária do Conselho de Governo de 20 de maio de 1833)…”

Goiana teve participação ativa ao lado dos revoltosos no episódio conhecido como “O Ronco das Abelhas”, no final de 1851 e início de 1852, que surgiu como uma oposição aos decretos 797 e 798, de 18 de junho de 1851, que instituíam o Censo Geral do Império e o Registro Civil dos Nascimentos. A população temia que tais decretos se tratassem de um artifício para escravizar os recém-nascidos e batizados.
As lutas abolicionistas, assim como as republicanas, encontraram terreno em Goiana, como mais um sinal da importância política e econômica dos profissionais liberais e da classe média em geral. As redondezas da vila sempre foram ocupadas por quilombos, com destaque ao instalado na mata do Catucá, tornando delicadas as relações da população com a escravaria. Em 1884, quatro anos antes da assinatura da lei Áurea, é declarado em sessão memorável que em Goiana não existiam mais escravos. A estrutura social diferenciada da vila unida ao reduzido número de escravos e o declínio da economia açucareira permitiram tal acontecimento. Segundo o Quadro Geral da população da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em 1872, aproximadamente 57% da população negra era livre. Esse número sobe para 88% quando se faz referência a população de pardos.
Dois personagens de grande relevância política no Brasil Império são oriundos de Goiana. Correia Picanço, nascido a 10 de novembro de 1745 na vila de goiana, cirurgião-mor do imperador, destacou-se em seus estudos na Europa e veio junto com a família real para o Brasil, já como médico da realeza. Foi responsável pelo estabelecimento das escolas superiores de medicina no país, tanto em Salvador como no Rio de Janeiro. Foi nomeado Barão de Goiana por D. Pedro I aos 76 anos de idade, vindo a falecer aos 79. É hoje considerado patriarca da medicina brasileira. João Alfredo Corrêa de Oliveira destacou-se como presidente das províncias do Pará e de São Paulo. Ocupou os cargos de Ministro da Fazenda e da Agricultura no Império. Presidente do Conselho de Ministros. Como senador, trabalhou em prol da conciliação entre a Igreja e a Coroa na Questão Religiosa. Como presidente do Conselho de Ministros (1888), referendou a Lei Áurea, fato que mais marcou a sua trajetória política.
O início do século XX traz à tona o início do declínio do já município autônomo de Goiana. Pode-se dizer que um dos principais motivos reside na melhoria no setor de transportes do estado. As ferrovias da Great Western que seguiam do Recife à Paraíba não passava pelo município, seguindo por Timbaúba. Atribui-se tal escolha nos caminhos das ferrovias para facilitar o escoamento da produção algodoeira do Agreste, de interesse de grupos ingleses. A construção de estradas, principalmente na década de 50, com a rodovia BR-101, levou à “aposentadoria” das famosas barcaças que levavam as mercadorias de Goiana ao Recife. A importância de Goiana de elo entre a capital Pernambucana e cidades da Paraíba e outros estados do Nordeste reduziu-se drasticamente.
Em 1928, parte do território é passado para o novo município de Aliança e para o município de Nazaré, pela lei nº 1931, sancionada pelo governador Estácio de Albuquerque Coimbra. A lei nº 3340, de 31 de dezembro de 1958 desmembra o distrito de Condado, que passa a condição de município autônomo. O outrora distrito de Areias, renomeado Itaquitinga, emancipa-se de Goiana pela lei nº 4962, de 20 de dezembro de 1963. Goiana então fica constituída pelo distrito sede, e os distritos de Tejucupapo e Ponta de Pedras.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Essa Igreja apresenta características da arquitetura jesuítica, como, aliás, acontecia com as igrejas construídas no início da colonização. Não se tem definição da data exata de sua construção, mas existem indícios que remonta a meados do século XVI. Com segurança, sabe-se que, em 1630 ela já existia.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens PardosConstruída no século XVIII pela irmandade homônima, junto com o Rosário dos Brancos e o Rosário dos Pretos é prova do nível de segregação racial existente em Goiana na época de sua construção – cada cor tinha sua própria igreja. Possui frontispício barroco. Sua torre sineira nunca foi concluída por falta de recursos da irmandade. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 226). Localiza-se na praça da Bandeira, centro de Goiana.

Igreja de Nossa Senhora da MisericórdiaConstruída na primeira metade do século XVIII, juntamente com a Santa Casa de Misericórdia. Segundo inscrição existente no frontispício, teria sido concluída em 1733. A igreja, em estilo barroco, encontra-se em condições precárias, necessitando de obras urgentes de restauração. É monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 25/10/1938 (Livro de Belas Artes, vol.1, folha 39, nº de inscrição 225). Localiza-se no centro de Goiana, no largo da feira.

V – ALIANÇA

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.

O povoamento inicia-se no século XIX por 03 (três) irmãos muito unidos. A construção de uma capela junta muitas pessoas no local. Em 1862, o frei Capuchinho Caetano de Rossina se estabelece no local. Ele observa o espírito de solidariedade presente nas pessoas, que participam de atividades de ajuda mútua para a reforma da capela. Ele sugere o nome de Aliança para o local.
Pelo Decreto Estadual 142 de 30 de maio de 1891, o Distrito de Paz de Aliança se une aos de Angélica e Vicência e é elevado à categoria de Vila com esta denominação. A Lei Estadual 72 de 16 de maio de 1895 revoga o Decreto Estadual 142 e Aliança volta à condição de distrito.
O município é criado pela Lei Estadual 1931 de 11 de setembro de 1928, mas as suas atividades administrativas próprias se iniciam apenas em 01 de janeiro de 1929. Seu território foi desmembrado dos territórios de Nazaré da Mata e de Goiana, no Governo de Estácio de Albuquerque Coimbra.
Alguns dizem que o desmembramento de Aliança se deu por questões político-econômicas. A família Pessoa de Mello tinha a tradição de passar o poder econômico de pai para filho. O desmembramento seria uma questão de conservação para a própria família. A única usina existente no município era a Usina Aliança, e em Nazaré da Mata encontrava-se a Usina Matary. Havia interesse das famílias envolvidas para manter as usinas em municípios diferentes. Aí se encontra a origem de ser Walfredo Pessoa de Mello o primeiro prefeito de Aliança, um dos proprietários da Usina Aliança, que tinha interesse em fazer parte de outro município por conta de seu patrimônio.
Os Pessoa de Mello dominaram Aliança no período de 1928 a 1945. Todos os prefeitos deste período foram apoiados pelos usineiros, inclusive os interventores. Os Pessoa de Mello fizeram muitas benfeitorias no município: a prefeitura, a igreja, o cinema.
O desmembramento também se deu por conta do crescimento e do progresso de Aliança. Outros municípios também foram criados, como Vicência e Carpina. O desmembramento de Aliança foi uma forma da família Pessoa de Mello mostrar ampliar o seu poder político e estender o seu domínio econômico.

c) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Great Western (1883-1950)Rede Ferroviária do Nordeste (1950-1975); RFFSA (1975-1996).
Igreja Matriz de Aliança

VI – NAZARÉ DA MATA

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
Na divisão das capitanias hereditárias por D. João III, em 1534, foi dada a capitania de Itamaracá a Pero Lopes de Souza. Nazaré da Mata fazia parte desta capitania. Apenas a sede da capitania e Goiana têm algum se desenvolvem (principalmente Goiana por conta da cultura da cana-de-açúcar). A colonização é apenas na costa.
A Invasão Holandesa retarda o processo de ocupação territorial, pois os moradores concentram-se em expulsar o invasor.
Após a Restauração Pernambucana, Itamaracá é anexada a Pernambuco e Nazaré passa a fazer parte da Jurisdição de Pernambuco. A sua área inicialmente foi habitada por potiguares, que viviam em constantes lutas com os Caetés. Seus aldeamentos eram feitos em vales, por conta da fertilidade do solo e Dops cursos d’água. Os colonizadores utilizam a mesma lógica e fixam-se ao longo de rios e mananciais.
Entre fins do século XVIII e começo do XIX, às margens de uma lagoa, ergue-se um engenho, que teria sido originalmente de uma português, por doação sesmarial. A propriedade ficou conhecida como Lagoa Dantas (pois o seu proprietário era um dos 03 Irmãos Dantas que vieram para o Brasil), e às suas margens desenvolve-se um povoamento. O povoado cresce e a sua importância aumenta. EM 1812 havia uma feira semanal, que era conhecida, principalmente, pelas suas desordens (Henry Koster).
No atual território e com o nome de Laranjeiras, foi criada a freguesia que teve como Matriz a Capela dedicada a São Joaquim, n as terras da Fazenda de José Francisco Belém (Resolução de Consulta de 17 de Dezembro de 1821).
O povoado de Lagoa Dantas cresce e em 09 de outubro de 1833 é instalada a Câmara Municipal. Lagoa Dantas passa à condição de vila e desmembra-se de Igarassu. A transferência da sede da freguesia de São Joaquim para Nazaré se dá pela Lei Provincial n° 75, de 30 de abril de 1839.
Como a vila de Nazaré continua crescendo e sua feira era muito concorrida. E contava com mais de 50 estabelecimentos comerciais, em 18 de junho de 1850 é elevada à categoria de cidade (Lei Provincial nº 258).
Sua emancipação de concretiza apenas na promulgação da Lei Orgânica dos municípios, de nº 52, em 03 de agosto de 1892. É elevada a sede episcopal em 02 de agosto de 1918. O primeiro bispo é D. Ricardo de Castro Vilela.
Pelo Decreto-Lei n° 952, de 31 de dezembro de 1943, acrescenta o termo “Da Mata” ao nome da cidade. Em 17 de m aio comemora-se a sua emancipação política.
Nazaré da Mata era composta de outros distritos que foram se desmembrando: Tracunhaém, Buenos Aires, Vicência.
A cana é a principal lavoura e o dinamizador da economia local. É plantada em grandes propriedades. Foi introduzida na região no século XVI. Nas terras impróprias para o cultivo da cana, os chãs, planta-se tubérculos e frutas, principalmente a banana, a laranja e a manga. A indústria e o comércio são bastante ligados à cana.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
IGREJA MATRIZ – A capela da primitiva povoação, a Igreja Nova da recém elevada Vila, passa a ser Paróquia pertencente à Nova Freguesia de Nazaré, desmembrada de Laranjeiras (Lei Estadual número 75 de 30 de abril de 1839). E a pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição de Nazaré é canonicamente elevada a categoria de Matriz. Em breve, humilde Matriz torna-se insuficiente para atender às necessidades espirituais da Nova Cidade, daí em 1858 ser substituída por outro templo erguido no mesmo local pelo andarilho, o Capuchinho Fremi Caetano de Messina.
Maracatu rural – Engenho Cumbi.

VII – TRACUNHAÉM

a) ORIGEM DO NOME E DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO.
O termo Tracunhaém é de origem indígena e quer dizer “Panela de Formiga” ou “Formigueiro”.
As suas terras pertenciam a Nazaré e tiveram o seu povoamento iniciado na primeira metade do século XVIII, por exploradores de pau-brasil e criadores de gado.
Conhecida nacionalmente pelo seu artesanato em barro. É um dos pólos de cerâmica mais importantes do Estado. Metade da população sobrevive, direta ou indiretamente, da transformação do barro em artesanato e peças utilitárias. As imagens de santos se destacam. Alguns artesãos acabaram adotando o nome da cidade como sobrenome artístico. Os primeiros artesãos foram os índios Tupi, que modelavam cachimbos de barro.
A Lei Estadual n° 4951 cria o município de Tracunhaém, desmembrando-o de Nazaré da Mata.

b) MONUMENTOS HISTÓRICOS DO MUNICÍPIO:

MONUMENTO:
DESCRIÇÃO
Praça Central de Tracunhaem.
Capela do Engenho Penedo Velho, em Tracunhaém (PE). 1986

4. CONCLUSÃO

Dentro do que foi exposto, podemos observar que a Zona da Mata Norte pernambucana, através de seus municípios, tem presença marcante na história do nosso Estado, figurando como elemento importante no desenvolvimento de importantes Revoluções locais, bem como no processo de construção do nosso presente.
Acreditamos que o presente estudo, se não reproduz integralmente a relevante história da Região, ao menos aguçou nosso desejo por conhecer melhor as tradições, culturas, e relevâncias históricas dos municípios pernambucanos, pois cremos que a exemplo das cidades aqui enfocadas, temos muito por conhecer de nossa história local.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Maria Regina Davina Pinto. Coronelismo e Poder Local: O Caso do Município de Aliança – PE (1928-1945). Edição Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino – SOPECE. Recife, 2002.
Nazaré da Mata. Série Monografias Municipais. Governo de Pernambuco – Secretaria de Planejamento. Fundação de Informações para o Desenvolvimento de Pernambuco/ FIDEPE. Recife, 1983.
Goiana: Série Monografias municipais, Recife 1981.
MACHADO, Teobaldo. As insurreições liberais em Goiana, 1817-1824, Recife, FUNDARPE, 1990.
Promotores Públicos: o cotidiano da defesa da legalidade ; transcrição de documentos manuscritos (1832 – 1843) / Coordenação de Mônica Maria de Pádua Nepomuceno, Marcília Gama da Silva, Sindrônia Kátia Pereira ; prefácio do Promotor de Justiça Francisco Sales de Albuquerque; introdução de Vera Lúcia Costa Acioli .—Recife : Procuradoria Geral da Justiça ; Arquivo Público Estadual , 1999.
ARAÚJO, Severino Soares. Paudalho terra dos engenhos, Paudalho, 1990.
Sites:
Pernambuco A/Z – www.pe-az.com.br;

Tags Categories: Sem categoria Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 07 nov 2012 @ 09 58 PM

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Este é mais um exercício escrito por alunos do curso de História da UFPE

Universidade Federal de Pernambuco
CFCH- Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História
Disciplina: História Moderna II
Prof: Severino Vicente da Silva
Alunos: Jorge Ricardo e Victor Hugo L. Peres

“ O GRANDE SÉCULO XVIII DAS LUZES”
… e o Iluminismo numa perspectiva de construção.

Índice

Preâmbulo ………………………………………………………………………………………………… 03
“As Luzes de um cenário Barroco”. Por: Victor H. L. Peres
Os Precedentes ………………………………………………………………………………………… 06
O Grande Século das Luzes ……………………………………………………………………….. 12
Voltaire ……………………………………………………………………….. 21
Montesquieu ……………………………………………………………………….. 23
Rousseau ……………………………………………………………………….. 25
Da difusão e Importância da Enciclopédia …………………………………………….. 28
Por: Jorge Ricardo
Do Iluminismo e seu sentido (uma reflexão) ………………………………………….. 31
Bibliografia ………………………………………………………………………………………………… 35

“As Luzes” de um Cenário Barroco”

A Idade Moderna, como toda grande divisão temporal, converte-se sempre numa época de mudanças, com seus movimentos de continuidade e de transformação ou re-organização de práticas e hábitos, mais antigos. Nela desenvolvem-se processos e idéias que passam a modelar, compor e impulsionar as formas de ser e agir de todos os elementos que a compõem, em prol de um novo sentido. Como muitas vezes, já afirmado em sala e reforçadamente visto nos textos e artigos, há o caráter contraditório entre os ideais e as práticas, ao menos nos níveis individuais dos quais tratam a história das mentalidades e dos comportamentos; essas contradições nunca antes demonstraram-se tão alinhadas com as formas do sistema macro que regia o comportamento dos homens europeus no cenário mundial como no século XVIII.
As perpetuações e as transformações são sentidas e difundidas das mais diversas maneiras, tanto nas diversas regiões como nos diversos grupos sociais que as compõem. Na Europa onde surge nosso elemento de estudo o conjunto de idéias e concepções de ser e viver, do homem, da sociedade e do Estado: o Iluminismo não foge a regra e é fruto destes mesmos processos. Enquadra-se ele nesse contexto: de marca identificadora de uma época e de lastro para o início de outra que surge de seus anseios e de suas certezas. Ele é o fruto desta época “moderna”, nascido de permanências do fim do medievo; das estruturas dos estados monárquicos; das reformas religiosas; do pensamento renascentista e das práticas mercantis-capitalistas; com novos elementos característicos dessa nova fase e nela construídos (ou re-adotados, da Antigüidade) como: o comércio ultramarino; as idéias de racionalidade; abstração [e progresso[1]] e; das novas formas de concepção e percepção que se estabelecem entre o homem, a natureza, e a divindade.
O Iluminismo foi saído do pensamento humanista propagado e concretizado nos fins do período medieval e nos dois primeiros séculos da Idade Moderna. Este que preparava o caminho ao surgimento de comportamentos e ideologias que viriam a produzir um homem mecanicista, a exemplo de Descartes (1596-1650): um homem que já não mais se enclausurava no mundo teológico, mas preparava o seu claustro nos limites da realidade do mundo, do mundo concreto e de suas estruturas “racionais” de regência da vida tanto natural quanto social; do homem que saia das mãos de Deus para as mãos e os conhecimentos dos próprios homens.
No entanto este novo homem não logrou em sua totalidade na Europa ocidental senão um século depois. Tal entendimento como se perpetuou e floresceu, apenas, ocorreu para [e dentro], das camadas de intelectuais e das elites cobiçosa da manutenção de suas posições, no caso da aristocracia e da conquista de novas, no caso da burguesia crescente.
Nesse meio, os trabalhadores mais humildes, servos e camponeses, ainda submetidos às relações senhoriais, não completamente livres, viram-se englobar nestas novas estruturas ou se ratificar suas ações e movimentos. Como exemplo, apresentam-se as constantes e violentas repressões aos movimentos camponeses, e as tentativas de controle destas massas por parte dos governos que caracterizam a quase totalidade deste período, que vai do século XVI ao XVII. Tais situações ocorreram na Inglaterra, na França em reação às Frondas, ou mesmo na distante Rússia onde nesse período registrou-se o marco, principal do início da subjugação e do controle sobre as massas de população camponesa, em nome do Estado.
Se o discurso teórico intelectual foi de revelar as formas humanas, naturais e sociais, e de delas tratar sem nenhuma explicação teológica[2], serviu-nos tal para mostrar em toda sua potência, a carne e as convulsões humanas dentro deste sistema que se instalava e se desenvolvia com puras e claras tendência ao progresso, mas também, a dominação e a não “libertação” dos homens (em seu geral). E se alguma classe, dela se viria beneficiar, esta seria a que mais desenvolveu e prosperou, mesmo aqui, por um consenso divino[3], ao ordenamento e condução do mundo, as elites européias ocidentais burguesas. Detentoras e porta-vozes deste novo (antigo) conhecimento racional, e que por ele, eram designadas guias da direção [dominação e exploração] do Mundo.
Estas racionalidades retomadas das tradições clássicas, como nos mostram os discursos idílicos e ufanísticos[4] declamados por Rousseau, aquém da capacidade de qualquer tentativa de melhoramento real das condições de vida dos homens, e que de fato, serviram muito mais a defesa de certas manutenções retrogradas, agora com nova roupagem, do que a real liberdade utópica, já descartada pelos próprios sujeitos de tal movimento. Assim o poria Voltaire que,ao pôr, a explicitação da sua racionalidade e da sua concepção de liberdade, automaticamente descartava a inconseqüente liberdade do simples querer humano e punha em foco a liberdade de escolha dentro do que se lhe era possível nos constrangimentos sociais, como todo bom racionalista para os quais: “Nada vem do nada, tudo vem de alguma coisa que o precede” e que neste caso, o era, a própria dominação. Só sendo ela agora, esclarecida.
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Os Precedentes
O caminho para o florescimento do Iluminismo como movimento e para as Luzes européias do século XVIII, inicia-se e traça-se sobre os eventos e fatos que conduziram ao aumento do nível intelectual do homem europeu, pois que, deste desprendeu-se a construção do conhecimento e do saber racional e mecanicista que viria a iluminá-la e a conduzi-la. Dentre estes se pode citar a retomada do estudo da lógica aristotélica nas universidades por volta do século XIII[5], de onde, independentemente da forte subjugação teológica desprendeu-se o ensaísmo e a experimentação[6], tão caros aos homens do Renascimento, dos séculos seguintes; e a que, afastados das formas mais severas de controle dos dignitários da Igreja, puderam ser trabalhadas sobre a ótica da arte e da própria representação do homem nas cidades do Mediterrâneo.
De forma lenta e gradual, passaram a adquirir novos itens de saber e até mesmo de auto-conhecimento (ou reconhecimento), mas não haviam avanços coletivos e inter-relacionados; é somente nos séculos XV e XVI que tais registram-se de forma mais clara e mesmo nomeados, a exemplo: do Humanismo[7], como elemento de saber e representação; e como também, dos próprios homens que as trabalharam sobres estes “novos” (antigos) preceitos, da Antigüidade clássica.
Nomes como o de Leonardo da Vinci, Petrarca, Maquiavel, entre outros, é que acabaram por propagar os gritos abafados dos intelectuais universitários que haviam retomado os estudos e as discussões filosóficas das tradições lógicas e racionalistas no século anterior, mesmo estando estas ainda sob o véu da teologia cristã, as quais vinham ainda, a reforçar[8] nestes novos tempos que se anunciavam.
Contudo, passo fundamental havia sido dado e tal havia ficado marcado no solo humano, como em mil anos não se havia feito melhor, do que os dados pela própria Igreja. Pois que, não mais mil anos se precisariam percorrer para atingir-se o alcance que por ela havia sido conseguido. A partir daí, a passos médios, mas, de profundas transformações, reforçadas também por uma nova ordem econômica[9], tais ideologias e re-posicionamentos representativos dos homens e das coisas[10], sobre sua ação, viriam a se registrar com relativa rapidez.
É senão no século XV que, enquanto ainda nesta fase, tais conceitos racionalistas (lógicos) mesmo que de forma muito dispersa, em poucos lugares da Europa como as cidades italianas de Veneza e Florença e em partes dos Países Baixos – onde haviam relações mais precoces e fluidas, devido às atividades mercantis[11] – , e estivessem esses apenas na consciência de alguns poucos homens dentro de uma multidão de almas perdidas na ignorância da “Graça Religiosa” e nos campos senhoriais, que certas instituições destas novas percepções e entendimentos se fizeram aliar. Esta “consciência de si” que tais conhecimentos proporcionados pelo saber permitiam, davam-lhes agora, uma melhor margem de manobra dentro do cenário europeu de ocorrências e fatos, e aí se iniciava sua marca de força, que se alinhava com a formação dos Estados Monárquicos.
Fora, em parte, este novo saber liberto que dirigira e instigara a aliança entre a nobreza, o Rei e a nascente burguesia para a instituição destes novos corpos governativos, assim como o coloca Perry Anderson[12]: um acordo (consciente por parte da nobreza, mais instruída) para a manutenção do seu poder secular quanto classe, ameaçado pela crescente desintegração do estado comunal de servidão (também de inocência e ignorância das coisas), em função dos desdobramentos provocados por estes novos entendimentos.
A esta altura ,as novas formas de saber e entender já se colocavam a níveis mais consideráveis dentro das camadas mais altas da sociedade, através da via universitária, então mais humanizada que havia se propagado bastante pela Europa dos séculos XV e XVI[13], e que a impulsionava à adoção de novas posturas, as vezes contra e as vezes a favor, de acordo com os já compreensíveis interesses, de si e para si, despertos nestes homens de poder. Os acordos, invariavelmente, refletiam a procura pelos melhores posicionamentos a que se podiam optar (quanto grupo), em alguns cantos com uma postura mais inovadora e em outros com uma postura mais retrograda, mas sempre conservadoras para com sua posição e seu poder.
O posicionamento dentro deste contexto das Reformas religiosas deixa clara tal afirmação. Muito mais do que uma questão puramente espiritual e de fé, a tomada ou não destes rompimentos precedentes com a Igreja e com muito de sua doutrina por alguns dos Estados Nacionais, e mesmo por alguns homens portadores deste saber, refletiam o grau político (e mesmo econômico) da necessidade de afirmação de sua própria consciência e de libertação dos seus passos e mentes. As discussões muito mais se encontravam nestes âmbitos político-administrativo que nos da fé mística e transcendente, pura e simplesmente. A tal ponto que, com o rompimento com a Igreja Católica e a fundação das novas Igrejas Protestantes, em sua grande maioria, estes homens muito mais queriam romper com as tradições de cunho e influências, retardantes e estagnantes, no comportamento social, como: a leitura da Bíblia restrita ao latim, o desvios de capitais e de produção em indulgências e mesmo a proibição do lucro (usura), elemento fundamental a lógica comercial; do que com os reais paradigmas da fé cristã ou seu foco imagético[14]. Muito embora que, nesta primeva esfera, tais questionamentos também se colocassem, assim como, quanto a manutenção da ignorância e da dependência do homem em sua relação com Deus e com o caminho da salvação, como os eram promovidos pela Igreja.
Tal libertação promovida pela simples saída de apenas alguns poucos por cento da população do véu da ignorância do saber e, por conseqüência de suas próprias consciências, demonstravam a força, que o saber despertava nas pessoas e sua ação transformadora tanto nos campos científico-tecnológicos, como no político: que em três séculos[15] compeliria a transformações drásticas, as estruturas de toda uma tradição hexa-secular[16], e de uma subjugação da fé milenar aos propósitos dos próprios homens.
Durante o séculos XVI E XVII, com a continua ampliação territorial da qual se vê desbravadora a Europa, tanto em direção ao leste[17] como nos territórios americanos, africanos e mesmo asiáticos pelo mar, com uma profusão de nomes e homens a incrementar a mente e o saber científico, passa ela também, por um processo de curiosa repercussão futura, que é: o de uma continua estagnação estatística[18], frente a uma convulsão social profunda, dentro destas novas estruturas dos Estados Monárquicos com suas movimentações externas e internas; e que vinha estendendo-se desde os fins da Idade Media, como afirma Chaunu a partir de dados estatísticos, e mesmo Josep Fontana; sobre estes intensos acontecimentos, tão bem expostos por Eric Hobsbawn e outros, nos campos social, econômico e político europeus.
Se os séculos XIV e XV foram os da libertação e da expansão por que passaram as idéias na Europa, com o novo desenvolvimento das ciências, com a exploração do mundo e com a grande disseminação do saber pelo papel e pela imprensa; o XVI e XVII seriam o de incorporação profunda destas (idéias) nas estruturas de governo e de seu aprofundamento pelos intelectuais, agora até mesmo nas universidades onde anteriormente eram vistas com receio e controle. Pois delas passaram a sair os elementos que comporiam os quadros burocráticos desses novos Estados Monárquicos e, inclusive, porque agora, por advento das Reformas Religiosas e da Contra – Reforma outras instituições de ensino de caráter Protestantes, e mesmo católicas, passaram a configurar suas grades sobre estes novos preceitos e esta nova mentalidade, que facilitariam o avanço dessas idéias mais racionais e livres no corpo de ações sociais européias, e ao avanço da fé cristã nos novos domínios ultramarinos.
A formação intelectual, entretanto, como antes já referenciado, continuava ao alcance de apenas uma pequena parte da sociedade, geralmente, das camadas mais abastadas. Contudo, por advento da nova configuração social e econômica européia que se impunha à agricultura e ao senhorialismo, com o avanço da vida urbana e do incremento das atividades mercantis burguesas, um novo percentual de homens passou a integrar esta estreita faixa das camadas abastadas. Estes eram da burguesia que passava agora, principalmente nos países reformados, a ingressar seus filhos em universidades e academias, com vistas a uma elevação futura à classes mais elevadas na hierarquia social, pelo ingresso em postos do corpo burocrático estatal. A própria necessidade destes novos Estados de novas práticas e de novas ideologias que respondessem as demandas de um cenário barroco[19],social, político e econômico, como o que se apresentava. Instigava este novo tipo de formação, nas mais diversas áreas do conhecimento e de um constante afastamento ou, em alguns casos, a adaptação das convenções religiosas, para dar-lhe sustentação e razão às ações.
As crises internas e as instabilidades desbravadoras no mundo exigiam cada vez mais ações racionais sobre à política; as médias demográficas registravam avanços frente aos séculos negros que se passaram, mas estes mesmos, entretanto, eram agora gastos, com as séries de movimentos que por tais ações de conquista eram exigidas. A capacidade produtiva, porém, encontrava-se já mais evoluída com novas técnicas e instrumentos de trabalho que lhes agilizavam a colheita e permitiam-lhes uma melhor conservação das safras, mas não diferentemente do que com as safras humanas, encontravam-se estas em relativa estagnação frente as próprias dinâmicas internas: uma série de maus tempos eram conseqüentemente de más safras, assim como, por umas guerras aqui e outra ali, é que se consumiam as safras com que se alimentariam no porvir.
Tais necessidades crescentes, frente ao grande sistema econômico e colonial que se propunha a encarar o mundo europeu, pôs a Europa e seus Estados a se reavaliar e a empreenderem certas transformações institucionais que se registraram ao longo do século XVII e mesmo do XVIII e XIX (em regiões mais atrasadas), como: na Inglaterra em 1649, na França em 1789 e até mesmo na Espanha a partir de 1810. A corrida mercantilista punha a Europa numa situação de constantes provas a que tinha de responder. Por volta da segunda década de mil e seiscentos passam-se a se registrar os efeitos das lentas e constantes modificações que se vinham fazendo necessárias para o alcance de seu posto como cabeça de um sistema de economia-mundo (capitalista), como aponta Wallerstein[20]. A crescente necessidade de homens e de cabeças pensantes fazia-se urgente, e as transformações até então citadas, mostravam-se bastante profícuas.
Daí em diante a Europa clássica barroca, como coloca Chaunu, apareceria numa trajetória crescente sobre o prisma das Luzes, do pensamento mecanicista, racional e matematizado. Com vista a um futuro, de desenvolvimento progressivo e seguro, de conformação social e tecnológica. Mas que não impunemente seria posto em ação e não sem provas, em concretização.
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O Grande Século XVIII das Luzes[21]
O primeiro dos entendimentos que se deve ter sobre o que foi o século das Luzes, e o que representou o conjunto do “movimento” Iluminista, se assim o podemos chamar de verdade, é que tais luzes existiram muito mais como vivência do que como ideal para os seus sujeitos contemporâneos; o segundo é de que o Iluminismo, longe está, de representar por si só um movimento revolucionário, ele sozinho não encerra o conteúdo das Luzes; e terceiro é que este século não se restringem apenas nas barreiras do século XVIII e com a morte do último de seus ícones intelectuais. Assim, feito logo de início tais apontamentos, o percurso que temos por percorrer se torna mais claro e límpido, entretanto, não menos complexo e variável à interpretações, como de fato o é tal temática.
Então, como já afirmado anteriormente, o Iluminismo e as Luzes que encobriram o século XVIII na Europa, são frutos do aumento da capacidade intelectual do homem europeu, como tentei traçar no tópico anterior, e da multiplicação de cérebros[22], como coloca Pierre Chaunu, que nela se processou. Entretanto, tal processo desenvolvia-se lentamente desde o final do séculos XV e XVI em resposta “as baixas da peste”, chegando ao inicio do XVII, com medíocres resultados de recuperação do número populacional, anterior ao de tal período (o da peste); devido também, às intensas convulsões provocadas com os movimentos de conquista e expansão europeus tanto nos territórios do próprio continente, com as disputas internas de Estado contra Estado; como no Ultramar, nas colônias distantes da América, da África e da Ásia.
Os conhecimentos tinham avançado e até certo grau haviam se disseminado nos núcleos intelectuais, universitários e acadêmicos. Nas estruturas do Estado também se viam achegar novos sujeitos formados a esta nova cartilha humanista e clássica; entretanto, devido a tal estagnação demográfica e ao nicho restrito em que se podiam originar, além do consumo destes também, nas atividades de conquista, mantinham-se eles sempre em níveis ínfimos de representação, frente a população total da Europa. Esta ainda, permanecia em sua grande maioria populacional, sobre o véu da ignorância e subjugada pelos senhores e pelas Igrejas, nos campos.
Quanto às populações citadinas e burguesas, para tais a situação apresentava-se um pouco mais favorável, contudo não resolvida. Eram somente as camadas mais ricas destas que podiam vislumbrar a possibilidade de uma formação clássica, para os demais a formação restringia-se mesmo, ao “ver-fazer e ouvir-dizer”.
Porém, por volta de 1620-1650 no campo intelectual dá-se uma organização do pensamento e das idéias segundo preceitos matemáticos e racionais, chega-se a uma racionalidade já muito mais límpida, abstrata, e especializada que a legada pelos renascentistas. É este o período a que se denomina de “crise da consciência européia”, por nele se setorizar os diferentes âmbitos das ciências e da política, assim como, da religião, deixando-se de fora, ou mais afastado do que nunca até então, Deus e agora até o próprio homem. Nele se situam a primeira geração de filósofos mecanicistas, que preparariam os instrumentos e aportes aos futuros filósofos iluministas e a própria re-configuração, dos meios e das estruturas de produção, com avanços tecnológicos que impulsionariam os artesãos burgueses ao take off[23].
As pesquisas científicas e os avanços filosóficos fazem-se cada vez mais em âmbitos bastante reservados, a partir dos métodos de exploração natural, a exemplo: da Matemática, da Física, do Direito e até da Religião Natural e das discussões políticas, sobre bases predominantemente racionais. 1680 registra-se como marco desta fase de mutação das consciências[24]. O Deus que aí se põe para esta geração de pensadores, não deixa de ser um Deus criador, mas que não se interpõe nas relações humanas; este deus aparece como um expectador distante deste mundo natural que se apresenta ao homem racional, e que o deixa seguir nos caminhos de perscrutação da realidade natural.

Movimento das populações européias por Estados durante o séc.XVIII[25]

No âmbito demográfico deste período em diante, após o fim da Guerra dos 30 anos, principalmente, no último quartel, os índices de natalidade aumentam e o crescimento demográfico também, não só na Europa assim como na China; os melhoramentos técnicos na produção, passaram a permitir maior excedente, uma relativa paz e mesmo uma nova postura nas frentes de colonização, acrescidos ao aumento dos capitais nos países da Europa Meridional e Setentrional, permitem uma considerável elevação do poder aquisitivo nas diversas camadas da sociedade, principalmente na burguesa, que passam a produzir uma massa humana mais generosa, que chega a multiplicar-se por duas, em quatro gerações antes do fim do século XVIII, e que representa a “Vital Revolution”.
Esta camada privilegiada pelo cenário internacional do comércio ultramarino, que é a burguesia, passa a engrossar também, mais significativamente, a estreita camada dos cérebros intelectualmente educados. Estes passam a compor em muito maior número os corpos universitários e acadêmicos da Europa.
Origens sociais dos estudantes da universidade Glasgow no séc.XVIII[26].
Legenda: A, Administração; B, Exercito, Marinha; C, Igreja; D,Industria e Comércio; E, Lei; F, Medicina; G, Nobres e proprietários rurais; H, Professores; I, Pequenos exploradores(trabalhadores rurais); J, Cidadãos e K, Diversos.

Por isso, não deixam de imprimir novos anseios e experiências aos novos conhecimentos científicos; juntamente com suas contribuições científicas, passam a vir implícitos novos discursos e mudanças de perspectiva social; a estagnação e o tradicionalismo ignorante, passam ao alvo dos filósofos, que tentam propor novas posturas para a re-acomodação social, frente as constantes e contínuas interações que por este século, e por estas condições previamente fornecidas se impõem.
As duas fronteiras que ainda fortemente se impunham por volta do fim do séc. XVII, mas que ainda nele passaram a ser derrubadas e que viriam a contribuir fortemente com os desdobramentos futuros de avanço da sociedade européia, como a própria Revolução Industrial (o take off) e a Revolução francesas, foram as da linguagem. As linguagens dividiam os homens entre aqueles que sabiam ler latim, aqueles que sabiam ler os idiomas vernáculos e os nove décimos restantes que aprendiam apenas pelo “ver fazer e ouvir-falar”. As Luzes desde já se colocavam na movimentação de derrubada destas barreiras; as Luzes trataram da derrubada do latim como idioma científico e promoveram uma maior disseminação do saber ao publicarem, os trabalhos científicos, em idioma vulgar, o que pôs à multiplicar os cérebros por dez no espaço do continente europeu, ao que Chaunu tende a chamar de uma “alfabetização”: pelo rompimento de barreiras ao acesso ao material científico e à aquisição de um nível eficaz de leitura por parte considerável da população.

A Europa Educada[27] A alfabetização dos homens (de acordo com as assinaturas paroquiais) é seguida
aqui na França, na Inglaterra, Pais de Gales e Escócia.
É dentro desta grande disseminação do saber que nascem e crescem aqueles que viriam a compor o corpo de pensadores do panteão Iluminista. Os quais passariam, através da Enciclopédia, a plantar e disseminar ainda de forma mais ampla a transmissão dos conceitos, ideologias e termos, que davam, e dariam sentidos a estas transformações sociais que, um século à frente, levariam o mundo ao ribombar das vozes revolucionárias e das sinetas das fábricas.
Entretanto, dentro deste grande cenário barroco em que se propagam as idéias mecanicistas de progressos e racionalidade, tanto nas áreas científicas duras como nas recém instituídas de âmbito social; a desigualdade de propagação do saber, era grande e assim permaneceria até próximo a virada do século, e mesmo além em partes da Europa. Tais idéias e sujeitos esclarecidos, mesmo com a prática e discurso de uma difusão do saber para os homens, conviviam em seu mundo, seu espaço e seu tempo, com os não esclarecidos, a que no entanto, um anônimo, sobre isto disse: Esclarecidos e não esclarecidos, estavam em uma mesma época, no mesmo espaço, mas não os eram contemporâneos.
Os abismos que se abriam entre uns e outros, mesmo com toda a expansão da leitura e do saber, nunca viriam a sanar-se em uma mesma época: enquanto uns discutiam a razão e os espectros mais profundos de objetos epistemológicos, tais como os conceitos dos termos Direito, Liberdade e mesmo, Deus, os outros ainda faziam os primeiros avanços em uma parca alfabetização.
Os desníveis, intelectuais e sociais foram, durante todo o grande século XVIII, fatores de inquietação dentro de uma consciência geral dessa intelectualidade iluminista, preocupada com as questões de discurso social e político. Porém, é se não no último momento deste século que se vê nascer uma preocupação deveras significante para com os mais humildes, para com as massas populacionais. É frente às situações de insustentabilidade da manutenção dessa ignorância, não de forma gratuita, mas também dirigida pelas intensas transformações no cenário produtivo, causa e fruto desta previa libertação das mentes, que ações e posturas mais enfáticas são adotadas, a exemplo: as manifestações de Voltaire ao saber das justificativas dadas pelos padres franceses nos púlpitos a respeito do terremoto ocorrido em Lisboa (1755), a que justificavam como “castigo divino contra o povo português pelos seus pecados”; e da reação dele as perseguições clericais ao povo, neste caso na figura de Jean Calas, que fora torturado e morto por suspeitas infundadas incitadas por aqueles a que chamava de “fanáticos e patifes ignorantes”.
As produções da primeira metade deste longo século XVIII sob ação das Luzes, tinham referências e correlações bastante especificas e localizadas, dentro da esfericização do saber[28], promovido pelo mecanicismo naturalista, inclusive em âmbitos políticos e sociais. É nesta fase que tomam lugar entre 1680 e 1730, principalmente na Inglaterra, a produção dos esteios discursivos e especulativos que mais tarde seriam disseminados pelo mundo pelos propagandistas enciclopedistas.
Qual situação refletia o elemento barroco do grande cenário europeu. Na Inglaterra respirando-se ares mais livres, as Luzes, já no século XVII, pelas reformas internas do Estado e da própria mentalidade, chegara a produzir Milton, Hobbes, Locke e um Newton[29]; que adentraria o século XVIII, imbuído de tal espírito de disseminação e libertação. Na França, mesmo com os incentivos estatais ao desenvolvimento científico, e inclusive com a fundação da Academia Francesa por Luís XIV, seu desenvolvimento crítico via-se sobre as severas restrições morais e políticas estatais, bem como, clericais pelo poder das Ordens e do monarca nos centros de ensino. A produção em sua grande maioria restringia-se a uma literatura de obras frias, corretas e vazias, como afirma H.G.Wells. As grandes luzes francesas, no entanto, brilharam e brilhariam no exterior, muitas vezes em condições de exílio e mesmo de revolta. O próprio Descarte (1596-1650), libertador da ciência, vivera a maior parte de sua vida numa Holanda relativamente segura; Voltaire, sempre em fuga das prisões reais, hora encontrava-se na Inglaterra absorvendo o espírito daquela geração inglesa anterior, hora na Prússia sob a proteção do seu “príncipe ideal” ou ainda na Suíça em sua propriedade de refúgio; sem contar com J. J.Rousseau e a sua eterna pátria, Genebra.
Tais exemplos, contudo, bem demonstravam o palco convulsivo em que se apresentava a Europa continental: as mentes dos homens (de algum capital) estavam em movimento; as relações estavam em reforma; a economia estava à os incentivar e mesmo a fé, a exemplo da francesa vinha a transforma-se (neste caso esvaziar). Entretanto, as estruturas dos estados em seu auge de forma; as hierarquias sociais dele derivadas e a mão paralisante das estruturas clericais fortes, encerravam-nos como um poderoso invólucro em ebulição interna, que não tardaria a se deflagrar pela ação da fermentação de tais idéias na mente dos homens.
Mas antes, faz-se necessário expor as diretivas do movimento correlato as Luzes, o Iluminismo, aquele que em si sintetizaria o espírito da época, no interregno deste século, o XVIII; e que seria no seu fim, talvez, o maior responsável pelo rompimento, com a estrutura da Grande Monarquia, o Estado Absoluto, e com às últimas amarras religiosas para o desenvolvimento do homem (burguês) na Europa Continental[30].
Para isso tomemos três dos grandes idealizadores e sintetizadores destas idéias esclarecidas: Voltaire, Montesquieu e Rousseau, para que a partir de suas próprias idéias e formações, possamos fazer uma análise mais clara de seus discursos e efeitos, dentro do cenário das Luzes e do parco cordão que delineia o que chamamos de movimento Iluminista[31].

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Voltaire
Voltaire, com certeza configura-se como um dos homens mais influentes do século XVIII. Não havia monarca esclarecido, que não lhe conhece-se a reputação, sempre pediam-lhe conselhos. Seus escritos eram lidos e publicados em toda a Europa, e circulavam mesmo nos lugares onde este era perseguido; suas composições teatrais eram representadas nas mais diversas casas e rodas de espetáculos, nem sempre com grande aclamação, mas sempre com enorme repercussão. Muitas de suas idéias facilmente triunfaram, de tal modo, que acabaram por se tornar “lugares-comuns” e as vezes mesmo armadilhas para seu produtor.
François-Marie Arouet descendia de abastada família burguesa, que lhe proporcionou, sob muitos cuidados, uma educação acurada. Estudou ele com os jesuítas no Colégio Louis-le-Grand em Paris e como quase, todo intelectual de seu tempo freqüentou suas rodas boêmias, além também, de algumas sociedades anônimas como a Société du Temple, de livres-pensadores (e libertinos).
Entretanto, como já afirmado antes, Voltaire fora em 1726, obrigado a exilar-se na Inglaterra, viveu durante três anos nos quais absorveu o espírito liberto e especulativo, fortemente desenvolvido lá. É neste período, e no de seu retorno a França onde de fato, inicia-se a grande fase de Voltaire, como intelectual construtor de uma nova mentalidade em territórios francos e no mundo. Escreveu então um dos trabalhos, que mais o projetara: as Cartas filosóficas ou Cartas sobre os Ingleses de 1734, nas quais fazia claras comparações entre a mentalidade e liberdade inglesa e o atraso, conservador e retrogrado do Regime Absolutista francês, clerical e obsoleto, fazendo amplo convite a seguir-se o modelo inglês, pondo tudo em dúvida. Entretanto, o livro fora condenado pelas autoridades. Más, não tardaria para que ele volta a ser perseguido por seus pensamento e escritos.
Em 1753, depois de um conflito com o rei da Prússia, Frederico II em quem via o exemplo de “príncipe ideal” para um governo esclarecido, e para quem estava de serviço, teve ele de retirar-se para Genebra. Com uma mente bastante capitalista, desde a juventude: entrementes grandes negócios, especulações na bolsa e no tráfico negreiro; Voltaire aparecia como um homem de posses, a que em 1758 compraria um castelo, para nele instalar uma fábrica de relógios e outra de tecido, e que garantir-lhes-iam, ao morrer em 1778, uma renda anual de 350,000 libras.
Ao longo de todo terceiro quartel do século XVIII, ele produziria intelectualmente de forma intensa, e adentraria a cada novo trabalho em novas e delicadas questões que lhe garantiriam uma intensa migração pela Europa, pelos desconfortos por estes causados a sociedade. Novas empreitadas surgirriiam, como a de 1753, de escrever uma História universal, “o Ensaio sobre os costumes e o espírito das nações”, que seria sua primeira tentativa a partir do ponto de vista do liberalismo religioso e político.
Contudo, ainda assim Voltaire que detestava a “Igreja Católica” e todas as formas de intolerância, não era ateu. Era deísta, muito embora alegando o argumento pouco sincero de que Deus, “se não existisse, deveria ser inventado para refrear os maus instintos das massas”. Defendeu a burguesia, enquanto sua classe, contra a aristocracia feudal e antecipou a revolução francesa como revolução da burguesia.
Muito bem colocado durante toda a sua vida, do lado de uma burguesia abastada, freqüentava os grandes e famosos “salões” da época e que não dispensava a oportunidade de fazer-se presente nas cortes, ele não viria a opor-se ao geral da estrutura do Estado e de suas formas, excetuando-se a influência clerical e da hierarquização estagnante (para a burguesia), como o fazia Rousseau em seus ideais de retorno ao estado natural, e a que respondeu quando do lançamento de um livro do último:
“Acabei de receber seu último livro contra a espécie humana, e agradeço. Ninguém foi tão refinado quanto o Senhor na tentativa de reconverter-nos em brutos. A leitura de seu livro produz o desejo de voltar a ficar de quatro. Como, entretanto, faz uns sessenta anos que deixei de exercer tal prática, sinto que é impossível, para mim, voltar a ela”
Ao que, podemos dizer que ele, em suas posições e propostas político – sociais, não longe de um conservadorismo reformado, se colocava. E que suas proposições de um discurso burguês esclarecido, somente a estes se prestavam, “mas aos demais, não”.

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Montesquieu
Intelectual influente nas rodas de filosofia, história e de direito (constitucional), Montesquieu era também um dos maiores literatos de prosa da língua francesa. Sob sua influência, bem como da de Voltaire, os escritores franceses passaram a se tornar algo mais que bons literatos: passaram também a discutir questões de âmbito públicos e a influir nos rumos da política do país. Barão, membro de uma influente família da aristocracia provincial, fez sólidos estudos humanísticos e jurídicos, entretanto não abstêmio era dos círculos da boêmia literária parisiense.
Em 1714 adentrou nos quadros do Estado, no tribunal provincial de Bordéus, ao qual presidiu de 1716 a 1726. Fundamentalmente um aristocrata de província, da estirpe de seu conterrâneo Michel de Montaigne e, como ele, humanista e cético; Montesquieu ajuntou, porém, a essa herança espiritual o otimismo característico do século XVIII – adquirido em longas viagens pela Europa e pelo intercâmbio com outros intelectuais, inclusive ingleses -, e acreditou firmemente na possibilidade de resolver os problemas da vida pública da França.
Com a mente de um livre-pensador, sobretudo em matéria religiosa, e apreciador dos prazeres da vida, ele imprimiu tal espírito em seus escritos, a exemplo de Cartas Persas de 1721, Considerações sobre a causa da grandeza dos romanos e de sua decadência de 1734 e do O espírito das Leis de 1748. Nesses escritos procura determinar as causas da grandeza e da queda das nações e dos impérios, não gratuitamente frente as próprias convulsões e transformações internas de sua nação; e delinear o curso da história através de fatos naturais, econômicos e políticos, a exemplo do clima, da conformação geográfica, e da amplitude de seus domínios no e o que ele chamou de “gênio” das nações.
Sobre as bases e critérios das ciências naturais foi um dos fundadores da filosofia da história e primeiro a usar o termo “decadência”, a propósito de um Estado e de seu destino histórico. Tal que passaria em gerações subseqüentes, a tema permanente desta nova filosofia, que ganharia corpo durante os séculos XIX e XX. Entretanto, mesmo como homem do século XVIII, Montesquieu não se entregou ao pessimismo, em oposição a Voltaire e ao próprio Rousseau, e acreditava numa possível recuperação do Estado por meio de instituições políticas adequadas.
Ele elabora, em muito sobre o modelo inglês, o conceito das formas de governo e do exercício da autoridade política:
“…considera que cada uma das três formas possíveis de governo é animada por um princípio; a democracia baseia-se na virtude; a monarquia na honra e o despotismo no medo. Ao rejeitar este último e afirmar que a democracia só é viável em repúblicas de pequenas dimensões territoriais, decide-se em favor da monarquia constitucional. Elabora a teoria da separação dos poderes, em que a autoridade política é exercida pelos poderes executivo, legislativo e judiciário, cada um independente e fiscal dos outros dois. Sendo esta a melhor garantia da liberdade dos cidadãos e, ao mesmo tempo, da eficiência das instituições políticas”.

Tais idealizações de Montesquieu perpetuaram-se como modelo ideal de Estado no pós Revolução Francesa. Seus escritos levaram a discussões profundas sobre várias questões de ordem prática e mesmo teóricas dentro da conjunção paradoxal entre o novo e o tradicional, entre o antigo regime e o sue poder de moderação e os novos regimes e o liberalismo estrutural (burguês).
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Rousseau
Sobre Rousseau muito pouco posso acrescentar, que lhe seja mais relevante, que sua própria postura dentro deste cenário das Luzes e do que ele mesmo nos legou em sua autobiografia, “As Confissões”:
…nasci em Genebra, em 1712, de Isaac Rousseau, cidadão e Suzanne Bernard,cidadã. Uma herança bem medíocre, para ser dividida entre quinze filhos, havia reduzido a quase nada a parte que coube a meu pai, que não tinha outro meio de subsistência senão a profissão de relojoeiro, na qual era, na verdade muito hábil.
Entre todos os intelectuais dessa época, seria ele o mais afastado dos salões e das cortes, em muito por toda sua trajetória de cunho social tanto quanto por seu ideal pessoal de aversão a tais coisas; ainda que sua literatura dentro delas circulassem e a muitos agradassem, e que por isso, vez ou outra, fosse ele elevado a alvo de alguma polêmica e a estes tivesse que ir para prestar explicações. Chegando mesmo por isso, a contribuir com artigos para a Enciclopédia de Diderot, que desta forma passou a conhecê-lo.
Para se entender o seu trabalho e o mote principal de suas idéias, se deve compreender que ele esteve na contramão, ou melhor, levado à ela pela própria confusão e percalços de seu tempo e vida, como ocorre algumas vezes com pessoas em meio a uma turba. Fora conduzido à adoção de uma postura de negação a todos os impulsos construtores de sua época, assim como ele mesmo expôs, em sua resposta ao premio que lhe daria ingresso a Republica das Letras feito pela Academia de Dijon, que era: O restabelecimento das ciências e das artes teria contribuído para aprimorar os costumes? A que respondeu, negativamente: “Se nossas ciências são inúteis no jogo que se propõem, são ainda mais perigosas pelos efeitos que produzem”.
As profusões científicas e mesmo as ideologias político-sociais, de progresso e reestruturação do estado, que a um tempo visavam a elevação social e intelectual, da população – de camadas bem especificas da sociedade – mas que a outro, acabavam por aprofunda-las com uma corrida frenética a um desenvolvimento, a que nem todos poderiam chegar; era já, apontado por ele como problema e questão, à discussão em seus trabalhos. Como fica claro neste trecho:
“Se o progresso das ciências e das artes nada acrescentou à nossas felicidades, se corrompeu os costumes e se a corrupção dos costumes chegou a prejudicar a pureza do gosto, que pensamos dessa multidão de autores secundários… Que pensarmos desses compiladores de obras que indiscriminadamente forçaram a porta das ciências e introduziram em seu santuário uma população indigna de aproximar-se delas, enquanto seria de desejar-se que todos aqueles que não pudessem ir longe das letras fossem impedidos desde o início e encaminhados às artes úteis à sociedade?

A elas, estas desigualdades dentro do processo de formação de uma sociedade, ou melhor, desta nova sociedade “esclarecida” que se formava. Ele divisava como solução: a construção de um “ Contrato Social ” no qual após terem perdido (todos os homens) sua liberdade natural, ganhassem, em troca, diferentemente do que era exposto no “Discurso sobre a origem da desigualdade”, a “passagem para a servidão” sob um Estado esclarecido a moda de uma classe, sim, a passagem para a liberdade civil, assim como exposta, neste trecho:
“ …. quando bem compreendidas, reduzem-se a uma só: a alienação total de cada associado, como todos os seus direitos, à comunidade toda, porque, em primeiro lugar, cada um dando-se completamente, a condição é igual para todos, e sendo a condição igual para todos, ninguém se interessa por tornar onerosa para os demais”.

Desta forma, como apresentada por ele, seguem-se diversos passos a aplicação deste modelo nos diversos âmbitos da estrutura social, incluindo o funcionamento da máquina política, O Estado e de seus representantes, que também, deviam estar assim: “como um corpo submisso à autoridade soberana, expressa por este [povo, em sua coletividade toda, pelo] Contrato Social”. Entretanto, não esqueceu ele das inúmeras variáveis que da regulação das massas saem, deixando por isso uma série de recomendações para a manutenção deste estado de coisas, inclusive da ciência e da artes, tão nocivas ao estado idealizado do “sufrágio universal”.
Quando foi convidado a elaborar à constituição para Córsega e a redigir à reforma das leis polonesas, Rousseau foi bastante moderado e usaria sempre da máxima que havia dado por ocasião do Contrato social, como saída as próprias adaptações práticas de seu sistema, que era a de que: “…a primeira tarefa do legislador é conhecer muito bem o povo para o qual irá redigir as leis”.
Desta forma, ao fim do século, quando da Revolução Francesa, por esta fórmula, julgou-se a Coroa; por ela seria ele elevado a categoria, pelos propagandistas de 1789, como patrono e primeiro revolucionário, por haver assim colocado e proposto, esta passagem do exercício de poder, as mãos do povo, verdadeiros detentores do poder.

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Da Difusão e Importância da Enciclopédia
Se há um instrumento que mais que qualquer outro fora responsável pela disseminação do saber e pela propagação das idéias deste período, fora ele o livro. Entretanto, se há um entre todos eles a que se possa relegar a responsabilidade de uma maciça difusão das idéias, daquilo a que se viria chamar de Iluminismo, este fora à Enciclopédia. Organizada por D´Alambert e depois por Diderot, esta publicação constituía-se num resumo preciso da profusão de idéias e formas com que se apresentava a enorme produção científica da época.
Através dela propagava-se os ideais dessa geração de cientistas, filósofos e livres pensadores, que a passos largos propagavam profundas transformações, as modas e as estruturas da sociedade daquele grande século de vivacidade em que se alocava à Europa. Racionalidade, progresso, desenvolvimento e transformação, juntamente com um anti-clericalismo e anti-tradicionalismo, eram valores divulgados e apoiados por ela, através dos escritos de seus contribuintes.
Por isso, não livre de perseguições viu-se a Enciclopédia, ao longo de sua publicação. Muitas vezes perseguida, pelo clero e mesmo pelo rei, divisou-se em constantes manipulações e joguetes para lograr sair dos manuscritos. As invariáveis, alterações para gozar de uma edição publicada, acabaram por criar diversas inquietações e intrigas entre os pensadores da época, que a ela faziam contribuições.
Contudo, independente das perseguições e das reformulações a cada nova impressão, chegou ela a um grau de difusão e leitura, como poucos livros da época chegaram a ter. Das costas francesas voltadas para o canal da mancha às distantes paragens, da Rússia czarista, e mesmo as ultramarinas colônias americanas, viu-se ela alcançar[32]. Através, do cada vez mais movimentado, comércio internacional e das mãos dos mercadores livreiros do período, chegara ela mesma a representar um dos artigos mais lucrativos para este comércio de pequenos artigos. Era, ela mesmo, um objeto de ostentação e luxo: suas edições mais primorosas, chegavam a algo em terno de uma pequena fortuna e era um cobiçado elemento decorativo, as mais renomadas bibliotecas da época.
Sua forma, a esta movimentada disseminação, também respondia. A cada lugar e cada período, uma ou outra forma, era eleita a formatar a Enciclopédia. Na França, a edição in-quarto fora a preferida; na Polônia a assinatura chegara a ter trezentos assinantes, outras formas, como as in-folio, também vinham a atender as necessidades de consumo de regiões em específico, de acordo com as necessidades de seus consumidores aonde esta chegava. Outra variação por que tinha de se adaptar era a das traduções, a que se visavam uma mais ampla distribuição dela nas diversas partes do mundo onde tomava parada.
Assim como seu grau de transformação editorial demonstrava, esta aparecia como alvo do consumo de uma gama muito grande e variada de sujeitos, de acordo com o lugar e o seu nível intelectual. Desde os mais renomados nobres da França, passando pelos profissionais liberais dos Países Baixos, até as camadas crioulas e colonas da América, dela tomavam a leitura e a ela interpretavam e re-interpretavam, um significado. A diversidade de mentes a que agradava e a amplitude de âmbitos que com alguma contribuição respaldava; não de graça é que, se transformava em instrumento de disseminação ideológica e a que se veria copiada posteriormente, como instrumento em função de ideais, que não mais eram os seus.
Porém, não é por menos do que isso, a incrível capacidade de a tantos espíritos despertar o interesse, que ela fez-se a mais importante publicação de sua época, e a que viria a ser lembrada – mesmo que não o fosse de fato -, até os nossos dias, como a fonte das luzes Iluministas e dos raios do movimento revolucionário francês.
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Do Iluminismo e seu sentido, uma reflexão
Cabe então agora, após esta rápida visualização dos próprios gênios e suas ideias, e daquele que foi o seu mais eficaz transmissor de idéias; fazer-nos algumas perguntas e observações, a respeito de questões bastante relevantes, principalmente, quando tratamos daquilo que fora, o ensaio para a composição e conformação de todo o alicerce sobre o qual, nós mesmos nos colocamos agora. E que dele não tão poucas coisas assim, saíram, sem que marcassem a vida de milhões de homens.
A primeira delas coloca-se mesmo, sobre o Iluminismo, sobre como se pode chamar e colocar tão próximas, em um mesmo movimento, idéias tão divergentes quanto as que aqui já foram indicadas, como as de Voltaire e Rousseau? E a que, tal conjunto, se propunha para dentro desta perspectiva de futuro e de progresso ao mundo iluminado que construía?
À primeira, em parte já respondida no rodapé 31, deve se acrescentar que não gratuita e inofensivamente, fora ele armado, a conjugar em um ideal três projetos tão distintos. Uma entre várias das hipóteses dadas, e é aquela a que mais tendo a aceitar: é a de que tal fora uma composição estimulada pelo próprio sistema capitalista, representante das vontades de uma engrandecida burguesia, dentro de sua estrutura de uma economia-mundo[33] pautado no comércio e nas relações produtivas de mercado, nessa fase industrial; que necessitando de um novo suporte legalizante empreende a construção de um (novo) modelo de Estado e de sociedade, que o favorece-se, e o aponta-se como suporte, a uma burguesia que o representaria, como classe esclarecida, dominante e dirigente, para o mundo.
Exemplo o é, quando da conformação deste conjunto híbrido de idéias Iluministas, que extraiam das Luzes suas razões, e que assim se colocavam, no momento do rompimento com as antigas formas, a um de seus lados, o idílico pensamento rousseauniano, como o esperavam “os revolucionários que a tal (Revolução) foram levados pela propaganda” de uma ilusórias realidade liberta; mas que, como construída, no momento seguinte viria a desampara-los, frente aos seus reais projetos, apenas de: uma substituição das mãos de poder, por outras não menos ferozes e vorazes, quanto as antigas que lhes haviam precedido, na cobrança do “sangue” e do suor. E a que de sábias e esclarecidas, estas mais o sabiam de verdade que as primeiras, apenas as melhores formas de ludibriar e dominar, como as a que recorreram livremente, no agora real e limítrofe mundo dos homens, e seu.
Ao largo do jogo das Luzes, propulsoras de incríveis melhoramentos a todos os sentidos do desenvolvimento progressivo por elas desejados e vislumbrados no campo das experimentações racionais: de um constante superar-se, positivo as próprias representações de si e das coisas ao seu redor.
A cobiça, as armadilhas do vislumbre do alcance da completude sapiencial e dos melhoramentos, individuais e particulares, acabaram por pôr o pensamento iluminado num jogo de muitas contradições internas e externas, e de ações práticas de caráter duvidoso, que tendia a pôr, a humanidade, no covil e na “escravidão da procura do progresso”[34], no qual se divisava, apenas, como modelo possível e melhor, aquele forjado aos interesses do sistema.
Uma segunda coisa referencia-se mesmo a progressão desse movimento Iluminista à ruptura com as antigas estruturas de poder. Tal medida, contudo, somente adotada, de fato, após a morte de seus idealizadores conceptivos, não visava mais que a retirada de certos entraves à exploração, mais próxima e intensa, daquilo que lhe era imprescindível ao crescimento do sistema capitalista, os mercados e as pessoas. A agilidade na estruturação de tais artifícios, já no pós revolução, nos indica, uma prévia consciência e planejamento, mesmo que não consciente, tácito (para todos os sujeitos contemporâneos), daquilo que representaria os desejos coletivos desta classe burguesa frente aos já “despretensiosos” interesses das camadas aristocráticas e mesmo da inexistência, devido a falta de força político-representativo, das camadas mais baixas, a que viam-se cooptar com banais estratagemas. A semelhança deste, aqui já discutido, de apresentar o movimento revolucionário, como a realização das previsões e das idéias esclarecidas de forma a racionaliza-lhe, tal fenômeno; mesmo que estes “filósofos” nunca tivessem clamado por revolta e a que o objetivo não era o de subverter a ordem, mas sim, pelo contrário, protege-la contra os cataclismos, modernizando-a e reformando-a, como afirma Baczko.
Entretanto, como se verificou, foi muito mais a re-interpretação dos pensamentos de tais filósofos, por parte de uma camada burguesa previamente esclarecida, numa postura de condução das demais mentes em um estagio menor de compreensão do mundo e de seus parâmetros, que haviam conduzido a Revolução e à projeção híbrida, sobre a forma das propostas Iluministas, forjadas, em um Estado, que comportasse estes novos anseios: uma liberdade, igualdade e fraternidade, que de fato nunca existiriam, e que serviriam somente, à sua própria ascensão e institucionalização, como classe dominante no mundo, sobre o simples princípio de defesa da propriedade privada, que alimentava (e alimenta) o sistema capitalista.
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Bibliografia

British Enciclopaedia
Great Books of the Western World. Montesquieu and Rousseau.
VOLTAIRE. Dicionário Filosófico.
CHAUNU, Pierre. A Civilização da Europa das Luzes.v.1. Lisboa. Estampa,1985
BACZKO, Bronislaw. Iluminismo
Raymond Williams. O Campo e a Cidade: na história e na literatura. SP,Cia das Letras,1989.
WEFFORT, Francisco C. Os Clássicos da Política. SP, Ática,2006.
Voltaire, Vida e Pensamentos. SP, Martin Claret,2001
DABAT, Christine Rufino. Moradores de Engenho. Ed.Universitária, Recife, 2007.
GOMBRICH, E. H. The story of Art.
DARTON, Robert. O Iluminismo como Negócio.
[1] Este conceito, exclusivamente, construído na época moderna.
[2] Pois dentro da visão Deísta, mais comum a estes pensadores do século XVII E XVIII, no movimento da religião natural: Deus, já não mais interferia nas coisas de âmbito material, as quais havia criado, mas à que, guardava uma distância transcendente. Nelas este atuava como um distante mantenedor e nunca como mediador. Por isso estava ele fora das buscas de justificação das coisas coisas sociais e mesmo naturais, uma vez,que as havia criado com leis que as auto regiam.
[3] Neste caso principalmente a partir das concepções protestantes, a exemplo: do calvinismo.
[4] Ufanístico vem de ufania:S.f 1. qualidade do ufano. 2. Vaidade descabida, vanglória, jactância, soberba. 3. Motivo de orgulho, de honra, de glória, etc. Ufano: 1. Aquele que se orgulha de algo. 2. Que se vangloria e se arroga méritos extraordinários, arrogante, ostentoso, jactancioso, bizarro. 3 .Satisfeito consigo mesmo; vaidoso. Tal característica é a ele empregada, a partir de uma análise do seu discurso literário em As confissões, no qual deixa clara por sua posturas , a possibilidade de emprego deste adjetivo a se mesmo, e também á suas idealizações, pôr tal passagem em que demonstra o grau de sua vaidade e orgulho, frente aos demais de sua época: “Tomo uma resolução de que jamais ouve exemplo e que não terá imitador. Quero mostrar aos meus semelhantes um homem em toda a verdade de sua natureza, e esse homem serei eu. Somente eu. Conheço meu coração e conheço os homens. Não sou da mesma massa daqueles com quem lidei; ouso crer que não sou feito como os outros. Mesmo que não tenha maior mérito, pelo menos sou diferente. Se a natureza fez bem ou mal quando quebrou a forma em que me moldou, é o que poderão julgar depois que me tiverem lido”. Neste expressa ele a sua auto representação, seu EU poético, como expõe Maria de Lourdes D. Santos(UNESP), e ao mesmo tempo, os moldes com que idealizara uma nova sociedade, por esta o ter, o seu EU poético (natural), como padrão. O pensador e artista romântico em seus devaneios nivela-se a Deus e condena a sociedade, desvirtuadora do homem. É celebre a frase dele, na qual afirma que o Homem é bom, porém a sociedade, o corrompe. Entretanto, tal ideal por ele proposto, nada mais é que a representação desse mesmo EU que se põe como modelo, elevado a um nível de sociedade: com seus mesmos anseios e desejos , em certa medida puramente orgulhosos e mesmo egoístas, por pôr-se, e a ela (a tal sociedade natural) como verdadeiros moldes, a todas as demais coisas, tomadas por seu desprezo.
[5] Verifica-se, então nas universidade em desenvolvimento de Paris, Oxford e Bolonha, um crescente movimento de discussões filosóficas sobre parte dos ensinamentos de Aristóteles, e não sua massa inteira. Pois que , somente, mais tarde , através das traduções de Averroés, ficariam estes melhor conhecidos no mundo europeu. H.G.Wells
[6] No qual papel importante deve-se a Roger Bacon (1210-1293), que insistia sobre a necessidade de “experimentação” e de “classificação” do saber. H.G.Wells
[7] “Humanismo é a palavra inventada no século XIX para descrever o programa de estudos e seu condicionamento de pensamento e expressão, que era conhecido desde o final do século XV como a província do umanista, o professor dos STUDIA HUMANITATIS ou roteiro de estudos das artes liberais em escolas e universidades. Isso passou então a incluir o estudo do latim (e em muito menor medida o grego), textos que tratavam de gramática, retórica, história, poesia e filosofia moral. Tal programa era secular, preocupado com o homem, sua natureza e seus dons…” HALE,John R. Dicionário do renascimento Italiano. RJ.Zahar.1995.
[8] Tal fato devia-se, a reconstrução do catolicismo iniciada por Tomas de Aquino (1225-1274) sobre em um sistema mais sólido de raciocínio, também em cima de aportes aristotélicos, mas diretamente ligada a uma melhor sustentação da teologia cristã.
[9] O capitalismo.
[10] Entre eles o naturalismo, o realismo, o antropocentrismo, o individualismo e o hedonismo.
[11] Que os punha em contato com outras culturas, como a Islâmica e a Bizantina ainda com fortes aportes clássicos, no caso dos Italianos.
[12] Anderson, Perry. Linhagens do Estado Absolutista.
[13] Em muito devido aos próprios efeitos da Reforma Protestante, concebida sobre esse olhar humanista, e que agora criava seus próprios centros de produção e difusão de saber.
[14] Imagética: s.f. conjunto de imagens (símbolos, metáforas, etc)

[15] Conta-se aqui, a partir do século XIII, quando da retomada das idéias clássicas aristotélica nas universidades, e da penetração pela via comercial ítalo – bizantina e moura na Península Ibérica.
[16] A estrutura senhorial, que passa mais fortemente a se registrar a partir do ano 1000.
[17] “Os anos 80 do século XVII marcam a passagem decisiva de uma pequena para uma grande Europa,… É esta parte central da Europa é a que, no plano político, conheceu maiores mudanças. França alargou as suas fronteiras pelo antigo corredor lotaringiano-borguinhão. A Áustria absorveu a Europa danubiana arrancada aos Turcos. Um processo de reagrupamento em volta de alguns estados territoriais médios foi timidamente desencadeado no Império. Este processo de reagrupamento territorial sobrepõe-se ao processo profundo da recolonização a oeste, e da colonização do solo a leste”. Pierre Chaunu.
[18] Tal refere-se a média, tanto demográfica como produtiva (cerealífica), que aparece frente a uma comparação com outros recortes temporais semelhantes e que demonstram: que neste não houvera maiores avanços que nos anteriores.
[19] Por o ser de um intenso dinamismo e profusão em todos os âmbitos da sociedade e de suas ações, como já apontado, mas que entretanto revelava em se todas as contradições e antagonismos que podiam insurgi-se contra os tais primeiros avanços, compondo assim um cenário de características incrivelmente antagônicas, “absurdas ou grotescas”. GOMBRICH. E.H., The Story of art.
[20] Mostra ele que o capitalismo histórico nasceu na escala intercontinental entre 1450 e 1650. E que : “Em torno de 1650 as estruturas do capitalismo histórico enquanto sistema social viável estavam implantadas e já consolidadas”. DABAT, 2007 apud WALLERSTEIN 1990.
[21] Conceito proposto por Chaunu, de um grande século estendido, que se inicia por volta de 1650, 1680 com à atuação do espírito das Luzes, e que com suas conseqüências, atingiria mesmo o século XIX em regiões mais atrasadas, mas que via de regra se delimita em 1789, e o início da Revolução Francesa.
[22] Estes eram o resultado da conjunção: aumentos demográficos com aumento da acessibilidade ao saber, mesmo que de “ver-fazer e ouvir-dizer”.
[23] Termo empregado em economia para referenciar-se ao processo da Revolução Industrial, de arrancada e decolagem da produção, e da própria civilização capitalista industrial.
[24] Período de profusão dos debates e dos avanços científicos, principalmente, encarnados pelas produções da geração Inglesa. Ver nota 29.
[25] Retirado de “A Civilização da Europa das Luzes”, Pierre Chaunu
[26] Retirado de “A Civilização da Europa das Luzes”, Pierre Chaunu
[27] Retirado de “A Civilização da Europa das Luzes”, Pierre Chaunu
[28] Da separação das ciências e de suas transformações em setores autônomos, com desenvolvimentos próprios.
[29] Geração inglesa, pós Revolução Gloriosa.
[30] Do homem europeu setentrional. Pois os demais, só posteriormente, no século XIX e mesmo XX, viriam a conhecer tais frutos que dele se retiraram.
[31] Pois como exposto por Bonislaw Baczko, este era uma representação ideal, de construção posterior, criado com o objetivo diretivo de respaldar e dar um sentido de continuidade, do século e das idéias das Luzes, ao movimento da Revolução Francesa, como que estando esta numa relação de espelho com a anterior.
[32] Assim como, também, ao norte nas planícies protestantes holandesas e ao sul, nos Estados Ibéricos católicos e na Itália.
[33] “O conceito de “economia-mundo” configura um espaço único de ação social com a integração de múltiplos processos de produção e de divisão social do trabalho que, juntos, permitem uma incessante acumulação do capital. Daí a “economia-mundo” forjar suas próprias estruturas institucionais, políticas e jurídicas, estabelecendo limites para seus integrantes e criando suas próprias regras de legitimação, transformando o Estado numa conseqüência e não mais na causa do capitalismo; distribuída em algumas áreas em que suas elites empresariais promoveram uma integração ativa no mercado globalizado e em áreas com grande concentração de renda, mão-de-obra aviltada e conseqüente debilidade da economia, onde as forças empresariais e governos foram levados a uma integração passiva”.
[34] CHAUNU, Pierre. A Civilização da Europa das Luzes.v. I

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Last Edit: 16 jun 2008 @ 01 15 PM

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 16 jun 2008 @ 1:52 AM 

Mais um texto produzido por alunos do curso de História, da UFPE, na Disciplina – Problemas de História de Pernambuco

Antonio Cavalcante Tavares Neto
Carlos Diego Marinho
Mozart Silveira de Araújo Neto
Pedro Vinicius Simas Guedes
Renata Valéria de Lucena
Thiago Pereira de Oliveira Alcântara

SERTÃO DO PAJEÚ: UMA BREVE HISTÓRIA

Trabalho apresentado ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco, como parte da avaliação da disciplina Problemas da História de Pernambuco.

Orientador: Professor Doutor Severino Vicente da Silva.

Recife- 2008

SERTÃO DO PAJEÚ

O sertão do Pajeú está localizado no Sertão de Pernambuco, em área de 10.828 km2, que representam 8,78% do território estadual e com população de aproximadamente 300.000 pessoas. Dentre as atividades econômicas desenvolvidas nesta região, destacam-se a agropecuária, o setor de comércio e serviços e o turismo, sendo Serra Talhada constituída como a cidade mais importante do Sertão do Pajeú, que detém 31,4% do PIB (Produto Interno Bruto) da região.
Analisando o espaço em que determinada sociedade habita, certamente estaremos mais capacitados para compreendermos outros elementos relevantes para a sua formação e para o modo como se estabelecem as relações entre os vários indivíduos participantes. Não pretendemos defender o discurso da escola geográfica determinista, quando esta afirmava que o homem é produto do meio, mas sim de entrarmos em sintonia com um discurso mais atual, defendido tanto por ambientalistas quanto pelas ciências humanas que apontam para a necessidade de compreensão da interdependência e unicidade da relação natureza-sociedade-indivíduo como sendo aspectos indissociáveis. Por isso, para um melhor entendimento de algumas das características peculiares da micro-região do Pajeú, faz-se necessário apresentar alguns dos seus aspectos geográficos mais significativos.
A Bacia Hidrográfica do rio Pajeú está localizada, em sua totalidade, no Estado de Pernambuco, mais especificamente na região fisiográfica do Sertão pernambucano. Limita-se ao norte com os estados do Ceará e Paraíba; ao sul com o terceiro grupo de bacias de pequenos rios interiores e com a Bacia Hidrográfica do rio Moxotó; a leste com a Bacia Hidrográfica do rio Moxotó e com o estado da Paraíba e a oeste com a Bacia Hidrográfica do rio Terra Nova e o quarto grupo de pequenos rios interiores.
O rio Pajeú nasce na serra do Balanço a uma altitude de 800m nos limites entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Até 1963, esta nascente pertencia ao município de Itapetim (Brejinho antes pertencia ao município de Itapetim). Mas, a partir de 1964, Brejinho tornou-se município, e a serra do Balanço passou a fazer parte do seu território. O rio Pajeú possui um regime fluvial intermitente e percorre uma extensão de aproximadamente 353 km. O início do seu percurso é no sentido nordeste-sudeste até a localidade de Pajeú e em seguida, no seu curso inferior, tem direção norte-sul até desaguar no lago de Itaparica, formado pela barragem no rio São Francisco.
Seus afluentes principais pela margem direita são: riacho Cachoeirinha, riacho Tigre, riacho Conceição, riacho Pajeú-Mirim, riacho São João, riacho Boa Vista, riacho Abóbora, riacho Cachoeira, riacho Lagoinha, riacho Pedra Branca, riacho Queimada Redonda e riacho Capim Grosso. O rio São Cristóvão, que nasce na serra da Balança, limite com o Ceará e que drena a cidade de São José do Belmonte é o principal afluente desta margem. Pela margem esquerda destacam-se: riacho do Cedro, riacho Quixaba, riacho Taperim, riacho São Domingos e riacho Poço Negro. O riacho do Navio é afluente mais importante desta margem. Ele nasce a uma altitude aproximada de 750m na serra das Piabas e serve como limite entre os municípios de Betânia e Custódia.
A Bacia Hidrográfica do rio Pajeú é a maior do estado de Pernambuco, com uma área aproximada de 16.685,63km², correspondendo a 16,97% da área do estado.
A área de drenagem da bacia envolve 27 municípios dos quais 7 possuem suas sedes inseridas na bacia (Carnaíba, Carnaubeira da Penha, Floresta, Iguaraci, Itacuruba, Mirandiba e São José do Belmonte). Os municípios totalmente inseridos na bacia são: Afogados da Ingazeira, Betânia, Brejinho, Calumbi, Flores, Ingazeira, Itapetim, Quixaba, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Terezinha, São José do Egito, Serra Talhada, Solidão, Tabira, Triunfo e Tuparetama. Os municípios parcialmente inseridos na bacia são: Belém do São Francisco, Custódia, Ibimirim e Salgueiro. A sua população total está estimada em aproximadamente 373. 925 habitantes. A população rural corresponde a 45,36% deste total, e ela vai se concentrando à medida que cresce em importância a agricultura e decresce a da pecuária.
Predomina em quase toda a micro-região do Sertão do Pajeú o clima semi-árido, sendo a exceção a pequena área do clima sub-úmido, onde está situado, por exemplo, o município de Triunfo. Entretanto, em função das variações ambientais, a micro-região possui uma grande diversidade de solos, e isso é conseqüência da ação combinada dos seus fatores de formação, isto é, do clima, da geologia, dos seres vivos, do relevo e do tempo. Porém, o clima e a geologia assumem destaques importantes.
Na zona úmida costeira do estado pernambucano, nitidamente prevaleceu os efeitos do clima, revelados pelo avançado estágio de intemperismo dos solos mais dominantes. Nessa zona, os solos são formados principalmente através do intemperismo químico, ou seja, eles sofrem conseqüência direta da ação das chuvas e também de outros fatores sobre as rochas. Essa ação é a principal causa dos tipos de solos formadores da Zona da Mata serem mais permeáveis e profundos, e que por isso são bastante férteis e propícios para uma maior variação de culturas agrícolas. Por outro lado, do Agreste para o Sertão, o clima diminui gradativamente a sua influência e os solos passam a expor feições realçando a importância da geologia. Geralmente são formados através do intemperismo físico, ou seja, durante milhares de anos, as rochas sofreram com a ação direta do sol, fazendo com que durante o dia elas se dilatassem, e à noite com um ambiente mais ameno, fragmentarem-se, dando origem aos vários tipos de solos da região. Esse fato, aliado ao clima quente e seco da região, restringiu o desenvolvimento dos solos, bem como a lixiviação de bases. Em função desses fatores, predominam na área as caatingas mais secas (hiperxerófilas) e também os solos pouco profundos ou rasos, com presença marcante de pedregosidade e rochosidade, argilosos e com alta saturação por bases (solos eutróficos). Nessa região a grande variabilidade dos solos está relacionada com o material de origem (geologia). Isso explica porque esses solos são pouco propícios para um melhor aproveitamento econômico e estão mais voltados para culturas agrícolas de subsistência (como a mandioca) ou então para a prática da pecuária extensiva.
Mas a região da serra da Baixa Verde ou Brejo de Altitude, mais especificamente onde está localizada o município de Triunfo, é uma pequena exceção dentro deste ambiente semi-árido característico da micro-região. E isso se deve basicamente à modificação do seu regime térmico, em parte pela altitude (entre 500 a 1.100m), em parte pela própria condensação do vapor d’água presente no ar, o que provoca um aumento considerável da nebulosidade, de sorte a reduzir a insolação e, consequentemente, a temperatura, diminuindo a evotranspiração potencial, que traduz a demanda total de água pelas plantas. Em segundo lugar, o ambiente é beneficiado por um aumento substancial das precipitações pluviais. Com a pluviosidade aumentada, somada às demais influências diretas do relevo (variando entre plano, ondulado e montanhoso), repercute favoravelmente na formação dos solos, que, por influência de um regime pluviométrico menos irregular e mais abundante, são mais profundos. Essas melhorias climáticas repercutem no revestimento florístico, que por sua vez, também influencia os mesoclimas locais, interagindo para uma melhor aprazibilidade desses ambientes serranos espalhados em meio às vastidões secas das caatingas nordestinas e também nas suas lavouras, que passam a expor um maior desenvolvimento e uma maior diversificação de suas culturas, o que condiciona o surgimento de populações adensadas, com seus reflexos sobre a estrutura fundiária e sobre o tipo de organização sócio-econômica. Assim, plantações de canas-de-açúcar, milho e feijão ganham maior destaque nessas verdadeiras ilhas ecológicas. Desse modo, os brejos não são apenas áreas que se distinguem como um tipo de unidade geoecológica. São espaços, não raro microespaços que também se distinguem pelo tipo de economia e de sociedade que abrigam.

OCUPAÇÃO DO SERTÃO DO PAJEÚ PELO ESTRANGEIRO

A ocupação da área que atualmente compreende o Sertão do Pajeú, pelo colonizador europeu, teve inicio a partir de meados do século XVI, com as incursões da Casa da Torre (sob administração de Garcia D’ Ávila). O processo de interiorização destas extensas terras se deu tomando como ponto de partida Salvador. Assim, percebe-se um fator característico dos habitantes do Sertão do Pajeú: povoado por baianos e não por pernambucanos. Aproveitando as vantagens proporcionadas pela disposição hidrográfica existente, tais exploradores atingem o Rio São Francisco, primeiramente ocupando sua margem direita. Através de expedições de reconhecimento das terras e aprisionamento dos índios, a Casa da Torre paulatinamente se constituiu como principal representante de controle político local.
A Casa da Torre, Bahia – morgadio de Francisco Garcia D’ Ávila – compreendia na margem pernambucana, segundo Capistrano de Abreu, uma testada de aproximadamente 250 léguas de extensão. Nesta faixa de terra conhecida como Sertão de Rodelas, existiu mais de 800 currais, cuja maioria pertencia à Casa de Torre. Dentre essas propriedades tiveram destaques na região, hoje designada de Sertão do Pajeú, dois currais (curral do sopé da Serra do Cariri – Pajeú das Flores -, e o curral pertencente ao arrendatário Agostinho Nunes de Magalhães – Fazenda Serra Talhada) que deslindaram imbricadas trajetórias históricas.
Para facilitar ainda mais a expansão destes colonizadores, era comum que a Casa da Torre recebesse extensos lote de terras, doados em grande número pelas autoridades metropolitanas. Assim, estes espaços foram efetivamente ocupados, pois os territórios acima citados já estavam sob posse dos colonizadores portugueses, devido à expansão do gado e à busca de riquezas minerais. É através desta pujante economia que a área do Sertão do Pajeú manteve contato com outras regiões do Norte brasileiro (não só com Olinda e Recife, mas principalmente com áreas de intenso comércio na Paraíba e no Ceará, transformando-se em entrepostos de currais e encontro de mercadores). Percebe-se, portanto, que o interior do atual estado de Pernambuco somente construiu laços mais fortes com os centros do poder a partir do século XIX.
É preciso recordar que antes da chegada do colonizador europeu, povoavam nesta região várias populações autóctones. Destacam-se os tapuias-cariris, que habitavam largas porções do agreste e do sertão. Os confrontos com os invasores não deixaram de acontecer, tornando-se um grande problema a ser resolvido. Durante o período de dominação holandesa no Norte brasileiro, os grupos indígenas acima citados eram aliados dos interventores batavos. Assim, o processo de expulsão dos mesmos, em 1654, ocasionou na migração forçada destas populações para regiões mais afastadas, devido ao programa repressivo exercido pela Coroa portuguesa: no mesmo ano, Pernambuco tornou-se realengo, ou seja, os donatários perderam a autonomia política que detinham nos assuntos relacionados à capitania, ao mesmo tempo em que Pernambuco foi incorporado à Coroa, cabendo a este nomear os comandantes da dita capitania. Conseqüentemente, um processo vivenciado desde esse período na história do Sertão do Pajeú é a busca, por parte da autoridade central, em coibir a ação de grupos que pudessem interferir na política oficialmente adotada, porém não conseguida na prática. Exemplo disto é a consolidação do poder da Casa da Torre em Pernambuco, aproximadamente em 1670, que estabelece leis e costumes próprios, em detrimento das disposições jurídicas elaboradas por El – Rei.
Posteriormente, a autoridade metropolitana estimulou a povoação do Sertão, ao longo do rio Pajeú, através da concessão de sesmarias (em terras já ocupadas pela Casa da Torre), que ocasionaram em graves conflitos entre poderosas famílias, gerando pontos localizados de influência política. É comum encontrar na documentação da época relatos de abuso do poder pela Casa da Torre, praticado através do confronto com jesuítas (estes em missão catequizadora) e da dificuldade do cumprimento das normas jurídicas.
Neste contexto está inserida a criação dos primeiros núcleos populacionais do Sertão do Pajeú, dentre as quais se destaca Flores. O Sítio de Flores pertencia à Casa da Torre, na área compreendida como a do Sertão de Rodelas. A região do Sítio de Flores tem sua origem relacionada à cultura do gado e representa o primeiro núcleo de povoamento do homem branco. Posteriormente, com o desenvolvimento do local, esta povoação se transformou no Arraial de Flores, à margem do rio Pajeú. A constituição como freguesia se deu devido à migração de vigários da paróquia de Cabrobó, que neste momento estava assolada pela moléstia de nome carneiradas, que encontraram em Flores clima agradável para a ocupação destes religiosos. A fundação da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em 11/09/1783, representa um importante marco na história do Sertão do Pajeú. Porém, desde o fim do século XVII, já se encontravam indícios de ocupação branca, devido à formação de povoado indígena naquele Arraial, em 1696, que tinha como intuito promover a catequização das populações que ali habitavam (um exemplo é a Aldeia Santo Antônio do Pajeú).
Já no período de estabelecimento dos vigários advindos de Cabrobó, Flores era uma das localidades mais movimentadas do Pajeú: havia muitas fazendas de gado, terras férteis e vasta produção de culturas (frutas, legumes, café, arroz, entre outras), que faziam muita gente rica na região. Conseqüência do desenvolvimento do povoado foi a proposta de criação, pelas autoridades de Olinda e Recife, de vilas no Sertão, entre as quais a do povoado do Pajeú; este projeto não foi de interesse de Portugal, sendo somente aplicado no começo do século XIX. Em 1809/1810, através da ação de Caetano Pinto de Montenegro, Flores tornou-se centro da Comarca do Sertão de Pernambuco (para tal governante, Flores deveria ser oficializada com tal por causa de sua sólida e dinâmica economia). Tal fato estava relacionado à tentativa de solução dos conflitos existentes na área limítrofe entre Pernambuco e Bahia: como forma de facilitar a administração e a prática da justiça, a fundação de uma comarca em área de tamanha influência tinha como principal objetivo coibir as infrações cometidas por grupos que possuíam a primazia política na região e instalar representantes do poder central em áreas mais afastadas. Cria-se, assim, a Comarca do Sertão de Pernambuco, que traz consigo Flores com vila, com direito à pelourinho e Câmara de Vereadores e que se apresentava como centro de influência no Sertão do Pajeú.
Pajeú das Flores tornou-se importantíssima, para a região, devido ao fato de que foi declarada Comarca do Sertão Pernambucano. Assim como Serra Talhada, Pajeú das Flores está localizada às rotas que interligam o estado Pernambucano à Paraíba e ao Ceará, o que se torna imensuravelmente decisivo à manutenção da ordem – vigente – nos arredores dessa região, principalmente, quando o “tempo” que concebe esta historicidade se dá através de “ventos” convulsivos à política nacional, destarte local. Porém, Flores foi paulatinamente acometida de decadência político-administrativa, tendo como principal causa a migração do centro de poder para outras localidades, como Serra Talhada; tais mudanças ocorreram em meados do século XIX e se constituíram na predominância de Serra Talhada como principal cidade da região (fato visível atualmente).

SERRA TALHADA

Serra talhada apresenta sua história compreendida de diversos acontecimentos, de abrangências concomitantes aos processos de ordem nacional. As diversas incursões e manobras efetuadas por seus agentes históricos dão – à este Município – aspectos peculiares com relação à Formação histórica da Micro Região em que se encontra – Sertão do Pajéu.
Esta cidade teria sido formada geologicamente a partir de uma hecatombe cósmica – atingida por um asteróide chamado de “Pedra do Sino” -, o que acabou por ilustrar o calor sentido por muitos, quando presente nesta localidade. Fazenda Serra Talhada foi ponto de partida do “deslindar” histórico desta que é uma das maiores forças do Sertão. Tradicionalmente, segundo Luiz Lorena, a Fazenda Serra Talhada teve seu processo de povoamento iniciado a partir da chegada de Agostinho Nunes, em 1700. Historiadores afirmam, como o autor, objetiva reiterar, tendo seus estudos embasados em documentos tributários (arrecadação de impostos referentes aos arrendamentos das propriedades pertencentes à Casa da Torre), que o início da “regulamentação habitacional” desta região se deu na segunda metade do séc. XVIII, o que contesta – oficialmente – a data expressa na Bandeira do Município.
Luiz Lorena, revelará que o enceto ao desenvolvimento de Serra Talhada se deu a partir da edificação de uma capela dedicada à Nossa Senhora da Penha. Este fato propõe traços decisivos ao teor de religiosidade presente neste local, o tom de amálgama cultural e, sobretudo a concisa participação desta cidade (Serra Talhada) na política nacional.
As respostas para os “porquês” dessa devoção à Santa “ibérica” (N. Senhora da Penha), em pleno sertão estão ligadas diretamente ao processo de colonização encetado pelos Portugueses.
“(…) o culto de Nossa Senhora da Penha foi trazido por marujos portugueses e aqui tomou grande impulso, devido a devoção dos lusitanos emigrados que transpuseram para a nossa pátria os seus costumes e devoções.” (Nilza Botelho Megale, “Invocações à Virgem Maria no Brasil.”)
Nossa Senhora da Penha que foi vista por Antônio Pedro Simão, em meados do Séc. XVI – ao monte Penha de França, região dos Pirineus – e que libertou um devoto do veneno funesto de uma serpente, tornou-se símbolo à esperança do retorno de D. Sebastião – possivelmente morto na Batalha de “Alcácer Quibir” – que poria em vigência uma possível libertação dos laços de subjugo da Espanha. Alimentou diversas “cenas” quase míticas em solo colonial americano que vieram justificar as diversas edificações propunham como topônimo o nome da Santa.
A padroeira de Serra Talhada teve seu primeiro templo pernambucano construído no ano de 1656 em Recife – num terreno doado por Belchior Alves e sua esposa Joana Bezerra[1] à Capuchinhos vindos da França, no período flamengo, sob o governo de Maurício de Nassau. Em 1709, D. João V – após a expulsão dos monges franceses em 1701 – destina essa construção à monges capuchinhos italianos.
Em Serra Talhada a primeira capela erigida com o nome de Nossa Senhora da Penha se deu por iniciativa de Filadélfia Nunes de Magalhães – filha de Agostinho Nunes de Magalhães – em 1790. Construída por escravos, esta ermida era pertencente à paróquia de N. Senhora da Conceição – localizada em Flores.
Nota-se, através destas informações, a forte influência que não só Serra Talhada, mas também grande parte (restante) do sertão pernambucano sofreram quanto ao processo de colonização por parte dos europeus e o quão esses fatores podem ser apontados como sólidos constituintes da cultura sertaneja (exemplificando a presença de traços europeus no comportamento dos sertanejos do Pajéu – como afirma Raul Fernandes, em seu estudo que retrata as décadas de vinte e trinta do séc. XX, nesta região) para tais comportamentos.
“O catecismo editado na Maison de la Bonne Presse, de Paris traduzido em português pela Juventude Católica de Lisboa, era a Bíblia das famílias sertanejas.” (Raul Fernandes)

“O Incêndio no Sertão.”

Um fator decisivo para a “emancipação” de Serra Talhada foi a presença dos liberais praieiros – com finalidade de desarticular a base conservadora – no estado de Pernambuco. Segundo Pe. Pinto Campos, Pajeú das Flores – então comarca do sertão pernambucano – não oferecia segurança para a manutenção da estabilidade “conservadora” que garantia uma política concernente com o a praticada e defendida pelo Estado (Central), no sertão, o que possivelmente deslindaria a aquecida Revolução Praieira.
Em projeto proposto à Assembléia Provincial Pernambucana, em cinco de abril de 1851, tornava-se necessária a mudança da comarca da cabeça do sertão para a localidade de Baixa Verde. Posteriormente, em novo pronunciamento, Pinto de Campos, reitera a necessidade da transferência, porém sugere, diferentemente de sua primeira, proposta, que a sede da comarca seja transferida para a localidade de Serra Talhada – o que lhe valeu acusações de comportamento contraditório dúbio. Porém, muitos parlamentares reiteraram a proposta do padre, o que tornou-a votável.
“Flores está colocada em tal posição que não tem mais proporções para aumentar, nem progredir; desde que é vila, até hoje, não tem diferença alguma, e isto sucede não só porque o seu terreno é mau, é um cascalho, como porque não há proporções no lugar para ter aumento de prédios.” (Castro Leão)
“(…) Serra Talhada, apesar de não ser a comarca, tem aumentado em casas, e flores, apesar de ser a sede da comarca tem estado estacionária.” (Sr. Batista)
Em defesa da transferência da supracitada comarca para as terras de Serra Talhada, foram lançados vários discursos, e o que parecia ser um leque de argumentos embasados apenas em âmbitos político tornou-se ulterior, a sua essência. É fundamental ter uma liderança com capacidade de abarcar um acentuado crescimento econômico, sobretudo estando, sua população, em legalidade. Um lugar seguro, “uma comarca onde” não chegou “o incêndio da revolta” (adaptação de discurso do Pe. Pinto Campos) e que, por corolário, foi de grande contribuição para o projeto de manutenção dos conservadores.
Após intensos esclarecimentos e embates políticos, o presidente da Província de Pernambuco (José Idelfonso de Souza Ramos) sanciona em seis de maio de 1851 a Lei de número 280, que instituía:
“Art. 1 – a transferência da sede do município de Flores do Pajeú para a povoação de Serra Talhada, elevada à Vila com a denominação de Villa Bella”.
Art. 2 – Transferida para Villa Bella a sede da comarca do Pajeú das Flores.”
Com essas decisões – que retirava-se da mão de Flores o controle da comarca e a sua territorialidade oficial – houve um clima de derrota para a então principal localidade do Pajeú. Esses fatores acarretaram um emaranhado de articulações que proporcionaram atender aos dois centros, porém Villa Bella (antigo povoado de Serra Talhada) teve seu crescimento político em detrimento da importância de Pajeú das Flores, o que lhe rendeu ser a principal instância decisória desta região.
A reparação – que visava atender as elites da então (hoje) Flores – se deu em forma da lei nº 437 de 26 de maio de 1858. A sua vigência determinava à Freguesia de Flores do Pajeú ascender ao status de Município, o que significativamente determinou o findar da direta ligação histórico-territorial (imbricadamente) pertencente aos dois municípios.
Em 07 de maio de 1872 é sancionada a Lei 1057, determinando que Villa Bella deixasse de ser a comarca de Flores, passado assim – através deste desligamento – à situação de comarca do próprio Município. Neste mesmo momento de reconfiguração político-territorial da região, Baixa Verde passou ao termo de Triunfo.
Em nova divisão territorial, promovida em 1939, Villa Bella tem no topônimo Serra Talhada – com que surgiu o curral dos grandes senhores da Casa da Torre, do outro lado do São Francisco – a sua última Nomeação como Município, estando até hoje designada dessa forma.
Serra Talhada, hoje, é o centro comercial do Pajeú, localizado à uma região em franca ascensão econômica. O estudo da história deste Município torna-se necessário para quem pretende compreender melhor não apenas o processo de colonização do Brasil (a interiorização no nordeste), o caráter de religiosidade presente nesta região; mas também como se refletiu – gradualmente – políticas nacionais, estaduais e locais que visavam manter a ordem e ou estruturar novos projetos. Serra Talhada é, indubitavelmente, um campo aberto para aqueles – historiadores – que tem como desiderato um rico acervo de possibilidades.

AFOGADOS DA INGAZEIRA

A partir de Flores, outras cidades adquirem progressiva independência, dentre as quais destacamos um pouco da história de Afogados da Ingazeira, Itapetim, Tabira e São José do Egito, que possuem proeminência até os dias atuais.
A região era ocupada por índios da tribo Cariri que falavam o tupi. Por volta do século XVII, colonizadores vindos, principalmente, da Bahia penetraram no sertão pelos rios São Francisco, Moxotó e Pajeú e tiveram os primeiros contatos com esses índios, que foram posteriormente foram escravizados, mortos e evangelizados por Carmelitas Franceses. Assim se deu a chegada européia na região.
O Município de Afogados da Ingazeira teve sua origem numa fazenda, denominada “Barra da Passagem”. O proprietário da fazenda, Manoel Francisco da Silva, construiu em 1836, uma capela para Bom Jesus dos Remédios. A fazenda prosperou e cresceu: as pessoas que trabalhavam nela passaram a morar ao redor, transformando-se numa comunidade,
Muito tempo atrás um jovem casal, tentando atravessar o rio Pajeú que na ocasião se encontrava numa enchente, muito caudaloso, foram arrastados pela forte corrente e desapareceram, só foram encontrados dias depois, os corpos deles, muito abaixo do local do acidente onde foram afogados. Daí então o local ficou conhecido pelo nome de Passagem dos Afogados, depois esse nome Passagem foi abandonado e passaram a chamar somente Afogados.
A Lei provincial de 5 de maio de 1852 criou o município de Ingazeira. Desmembrado de Flores. Ingazeira tinha um distrito chamado de Afogados.
A sede municipal ficava em Ingazeira e em 1879, a sede foi transferida para Afogados junto com a sede paroquial, em 1883 voltou para Ingazeira, e em 1884 voltou para Afogados, nessa ocasião ela retornou para Afogados porque nem o vigário nem o povo retornaram para Ingazeira. Em 1892 o distrito foi transformado em Vila através de uma Lei Municipal, e finalmente em 1909 a Vila foi elevada à cidade, passando a ser chamado de Afogados da Ingazeira. Não ficou se chamando somente Afogados porque em Recife já existia uma freguesia chamada de Afogados e porque a população já estava acostumada a chamar Afogados da Ingazeira.
Vale ressaltar que essa mudança administrativa entre Afogados e Ingazeira foi devido à influência política que Ingazeira possuía na região, entretanto Afogados possuía uma melhor qualidade da terra, propício à plantação e acabou por conseguir a administração.

ITAPETIM

O município de Itapetim, localizado a 423 Km da capital do estado, na região do sertão do Pajeú, recebe a denominação de cabeça do Pajeú, que intitula o livro de Marcos Roberto Nunes Costa. Este apelido se deve ao fato de Itapetim estar localizada na nascente do rio Pajeú. Antigamente se falava que o rio nascia em São José do Egito, visto que até 1953, Itapetim pertencia a este município, porém hoje, pode-se dizer que o rio Pajeú nasce em Itapetim, na serra do Teixeira, sendo que do lado pernambucano.
O significado do nome Itapetim também é interessante. “Ita” significa pedra e “Petim”, solta, ou seja, “pedra solta”, devido a grande quantidade de pedras soltas na região montanhosa de Itapetim. Este nome foi sugerido por Mário Melo, o qual atribui-se a característica de gostar de mudar os nomes das localidades pernambucanas, apoiado por Agamenon Magalhães.
O primeiro nome de Itapetim foi Umburanas. Faz-se necessário a explicação deste nome, que está ligado a história da origem de Itapetim.
No contexto da penetração do interior de Pernambuco pelos exploradores surge a grande sesmaria dos “Sertões de Rodelas”, pertencente a Francisco Dias D’Avila, sediada em Cabrobó, que foi desmembrada da “Capitania do São Francisco”, ou “Casa da Torre”. Posteriormente em 1695, depois de apresentar certa prosperidade, a sesmaria dos “Sertões de Rodelas” dá origem a uma nova sesmaria, a do Aimbó, ou Sertões do Pajeú.
Devido a uma lei provincial que passa a vigorar em 1758, o sistema de distribuição de terras nos sertões muda, sendo com isso, fragmentadas as terras do sertão do Pajeú em pequenas propriedades, devendo haver uma faixa de uma légua entre estas terras, a fim de usa-las para utilidade pública. Destas faixas de terras devolutas, nascia no ano de 1788, o patrimônio de São Pedro das Lages (Itapetim).
A partir dos grandes caminhos e pequenas veredas que surgiram no sertão para o escoamento da produção sertaneja de extração de minérios, para a condução do gado para o mercado dos grandes centros litorâneos e para exportação, surge no século XVI, o tráfego dos primeiros comboios pela região da nascente do Pajeú.
Já no século XVII, andavam pela região da “cabeça do Pajeú”, os tropeiros ou Almocreves, profissionais que se especializaram no transporte de mercadorias pelas longas veredas do sertão. A região onde atualmente se localiza Itapetim era ponto de referência entre viajantes e tropeiros devido às boas características naturais que lá se apresentavam, como a planície de vegetação rasteira e dispersa, a agradável sombra proporcionada pelas umburanas, árvore típica da região, além de estarem numa área às margens do rio Pajeú, ou seja, água todo o tempo para repor as energias dos tropeiros, bem como de seus animais.
Enfim, pelo fato de naquela região se encontrar muitas árvores umburanas, a região da atual Itapetim ficou inicialmente conhecida como Umburanas.
Em 31 de março de 1938, pelo Decreto-lei n° 92, o município passou a chamar-se São Pedro das Lages. Posteriormente chama-se Itapetininga, porém, devido ao fato de já existir no estado de São Paulo, um município com este mesmo nome, o mesmo foi alterado para Itapetim através do Decreto-lei n° 952, de 31 de dezembro de 1943. Itapetim foi desmembrada de São José do Egito, já como Vila, elevando-se a categoria de cidade somente em 29 de dezembro de 1953 pela Lei n° 1818.

SÃO JOSÉ DO EGITO E TABIRA

Por decorrer do ano de 1830 alguns fazendeiros da cabeceira do Rio Pajeú – na antiga região de Queimadas – resolveram estabelecer sua residência. Em seguida iniciaram a edificação de uma Capelinha bastante simplória, feita com madeira e palha – para a adoração de São José, visto que eles eram devotos do santo de mesmo nome. Este fato determinou a formação de uma povoação no sítio, que ficou conhecida como Queimadas, devido a práticas da coivara.
Há três léguas na antiga fazenda de São Pedro, já havia outra antiga capela de devoção a São Pedro, que também dera origem ao referido povoado. Os habitantes desse povoado não viram com bons olhos a prospera capelinha de São José, diziam que está poderia trazer a decadência daquela. Com ciúmes, as pessoas de São Paulo foram e derrubaram a capelinha de São José, porém, sem muito êxito, visto que por três vezes consecutivas, esta foi reconstruída. Depois do ocorrido, um dos fazendeiros resolveu edificar uma capela com materiais mais sólidos, que não fossem tal fácil de derrubar, e assim, foi feito.
Em 1838, Inácio do Nascimento de Souza, que era um proprietário local fez doação de um terreno que permitisse a construção de uma Igreja que comportasse um número maior de fiéis. Em 1839 chegou a região um missionário capuchinho que auxiliou economicamente a construção, edificando um igreja bem maior que o esperado. Este templo só ficou pronto em 1865.
Nesse mesmo ano a povoação de Queimadas passou a ser chamada de São José das Queimadas, devido a existência da referida Igreja. Em 1872 ascendeu ao status de Vila, mudando seu nome para São José da Ingazeira, já que aquela passou a pertencer a cidade de Afogados da Ingazeira.
Em 1886 esta vila alcança sua independência e muda seu nome para São José do Egito.
Em relação à Tabira, esta se localiza próxima ao Rio Pajeú, que habitou, em tempos remotos, a tribo Tabajara que tinha por líder o guerreiro Tabira, ele viveu no século XVI. Na época da conquista do interior do Nordeste, Tabira se aliou aos portugueses contra os Potiguar e franceses. No fim a sua existência ele se converteu ao catolicismo.
Nesse mesmo local, em 1865, surgiu uma fazenda de propriedade do senhor Gonçalo Gomes. Este teve a iniciativa de formar uma feirinha que beneficiaria sua fazenda e seu povo, já que estes não precisariam se deslocar em buscas de alimentos. Ao redor dessa feira foi se estabelecendo um povoado, denominado de Madeira, devido a existência de um tronco que se localizavam no centro da feira, cuja utilidade era o corta da carne para a venda. Esta feira passou a ser conhecida como o Toco do Gonçalo Gomes.
Em 1911 o povoado para o ser considerado uma vila, mudando o seu nome de Tabira para Espírito Santo, que pertencia a cidade de Afogados da Ingazeira. Só em 1948 que a referida vila é desmembrada da cidade de Ingazeira, ganhado sua independência e o retorno a origem, visto que voltou a ser chamada de Tabira, devido a existência da tribo Tabajara nos primórdios de sua história.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. Geografia: conceitos e temas. 10. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007
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[1] Descendente de uma rica família detentora de grandes terras no nordeste. Foi homenageada com o topônimo de uma ilha que tripartia o Recife (Ilha de Joana Bezerra), segundo dados lançados por Virgínia Barbosa, da Fundação Joaquim Nabuco

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 13 jun 2008 @ 10:21 AM 
Mais um relatório de pesquisa realizada por aluno da disciplina PROBLEMAS DA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
UFPE – UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CFCH – CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

Problemas da História de Pernambuco – Profº Severino Vicente da Silva

AGRESTE SETENTRIONAL

Aluno: Swandi Ramos Paes de Andrade

Recife, 12 de junho de 2008

AGRESTE SETENTRIONAL

Aspectos Geográficos:

A mesorrorregião “Agreste Setentrional” está localizada no Semi-Árido do Estado, compreendendo uma faixa de terras entre a Mata Norte e o sul da Paraíba. Tem uma área de 3.544,5 Km2, sendo constituída por 19 municípios, com uma população de mais de 430 mil habitantes, o que representa 5,8 % da população do Estado. Sua área é drenada pela bacia do Rio Capibaribe.

Os municípios de Casinhas, Frei Miguelinho, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, Surubim, Taquaritinga do Norte, Toritama, Vertentes, Vertente do Lério formam a microrregião Alto Capibaribe, enquanto que os municípios de Bom Jardim, Cumaru, Feira Nova, João Alfredo, Limoeiro, Machados, Orobó, Passira, Salgadinho e São Vicente Ferrer formam a microrregião Médio Capibaribe.

Seus Limites são: estado da Paraíba (Norte), Agreste Central (Sul), Mata Norte (Leste), estado da Paraíba (Oeste).

Possui um clima semi-árido, com temperatura média em torno de 25º C e solos com textura do tipo argilosa. A vegetação característica da região é a arbóreo-arbustiva, com algumas formações xerófitas.

O IDH da mesorregião é de 0,636, ficando inferior a média do estado (0,705). Os municípios mais populosos são o de Santa Cruz do Capibaribe, com 59.048 habitantes e Limoeiro com 56.322, sendo esses dois municípios, também os responsáveis pelos maiores índices de IDH registrados na mesorregião ( 0,698 e 0,688, respectivamente). Sobre esses dois municípios, estenderemos nossos estudos mais a frente nesse trabalho.
História e Povoamento:

O processo de ocupação do agreste pernambucano, particularmente a região setentrional, desenvolveu-se de forma bastante lenta em relação às demais regiões do estado. Esse retardamento pode ser explicado, entre outros fatores, pelas próprias condições morfo-climáticas das terras agrestinas que, ao mesmo tempo em que não satisfaziam as exigências da cultura canavieira, também não propiciavam grandes vantagens a fixação de currais.

Com a expansão das plantações de cana no litoral e zona da mata, os sitiantes e criadores de rebanhos acabaram “expulsos” dessas áreas, e partiram em busca de novos espaços no interior, em terras até então devolutas ou ocupadas por índios. Nesse momento, o sertão apresentava maiores possibilidades de criação de rebanhos, dispondo de suas imensas áreas de pastagens naturais propícias para o desenvolvimento da bovinocultura extensiva. Em pouco tempo, o sertão tornou-se responsável pelo fornecimento de proteínas para todo o litoral e zona da mata (totalmente voltados para a lavoura açucareira).

Enquanto isso, a criação de gado e a agricultura de gêneros de subsistência avançavam de forma ainda muito lenta na região agrestina, de forma que, no século XVIII, o sertão apresentava uma concentração bem maior de colonos em relação ao agreste, mesmo este se situando mais próximo dos maiores centros habitacionais do litoral.

De qualquer forma, o êxito obtido pela atividade pecuária no sertão exigia o desenvolvimento de rotas que escoassem sua produção em direção ao seu mercado consumidor – a mata e o litoral – e foi assim que os espaços do agreste passaram a ser aproveitados de forma mais efetiva. É nessa fase que um elemento exerceu importância fundamental para a ocupação e desenvolvimento do agreste setentrional: o rio Capibaribe.

O rio Capibaribe serviu de roteiro de penetração, ligando o litoral até seu nascedouro (em Poções, No do agreste), e daí pelo rio Pajeú, adentrando o sertão em busca do rio São Francisco. Importante ressaltar que o Rio Capibaribe e sua bacia cortam todo o agreste setentrional.

Com a abertura dessas rotas que ligavam as áreas do gado com as dos canaviais, foram se formando em seu caminho fazendas, pousadas, entrepostos para atender a necessidade dos viajantes e comerciantes que por ali passavam. Dessa forma foram surgindo pequenos núcleos de colonização, que passavam a utilizar a policultura em pequenas e médias propriedades, que serviam de subsistência e também abasteciam esse comércio na transição sertão-mata.

Outro fator que veio a colaborar com a aceleração do povoamento do agreste foi a destruição dos quilombos e os riscos que eles representavam aos que desejassem ocupar as áreas em que existiam. No entanto, vale dizer que os quilombos foram responsáveis por estabelecerem certos níveis de trocas comerciais com as cidades mais próximas a eles, embora representassem temor a novos senhores que desejassem montar fazendas em suas adjacências.

Porém, com sua erradicação, passaram a ser feitas muitas doações de sesmarias pelo governo, principalmente nos vales dos rios Capibaribe, Una e Ipojuca. Essas terras eram doadas a senhores de engenhos da zona da mata e do litoral (que necessitavam de novas áreas para criarem seus rebanhos), a padres (que iam realizar missões para colonizarem as aldeias indígenas ainda existentes nessas terras), oficiais do governo, etc.

A pecuária extensiva passou a ocupar as terras do agreste setentrional, também desempenhando a função de fornecedora de animais de trabalho para a zona açucareira. Esse conjunto de pecuária extensiva, policultura de alimentos e rota comercial representou, então, a primeira fase do povoamento do agreste setentrional, com uma população ainda bastante rarefeita em números. No início do século XVIII, um novo elemento agregou-se ao desenvolvimento da mesorregião: o algodão.

O algodão impulsionou a economia e a ocupação do agreste, ao mesmo tempo em que outras atividades foram somadas a lavoura da região, como o café e o fumo. Depois da segunda metade do século XVIII, o desenvolvimento da lavoura agrestina, capitaneada pela cultura do algodão, modificou a estrutura econômica da região, propiciando o surgimento de vários centros urbanos, que vieram a se tornar cidades mais tarde.

Após o fim da escravidão, as zonas canavieiras passaram a recrutar trabalhadores temporários, nas épocas da colheita. Coube ao agreste fornecer números para esse contingente, através de camponeses e sitiantes pobres que largavam suas roças nos períodos de safra da cana.

A partir do século XX, novas alterações na estrutura econômica vão ocorrer no setentrional, com a queda da produção algodoeira e eliminação de outras culturas como a do café. Esses espaços passaram então a abrigar a expansão da pecuária, que passou a concentrar terras destinadas agora a pastagens.

Com o declínio da disponibilidade de terras para a pequena lavoura e a pouca dinamicidade da economia local, houve o aumento do número de pessoas sem terras e o fluxo cada vez maior de famílias camponesas para as demais cidades da região e para a capital, o que tem constituído um dos maiores problemas enfrentados pela mesorregião na atualidade.

LIMOEIRO

Aspectos Geográficos:

O município de Limoeiro localiza-se na microrregião Médio Capibaribe, distante 77 km do Recife. Sua área territorial é de 204 km2, pertencentes a bacia hidrográfica do Capibaribe.
Possui relevo levemente ondulado, com solos de culturas diversas, temperatura média de 24º C, clima semi-árido, precipitações pluviométricas anuais de 1248 milímetros e vegetação de florestas caducifoliadas.

Tem como limites: os municípios de Bom Jardim e Buenos Aires (Norte), os municípios de Passira, Feira Nova, e Glória do Goitá (Sul), os municípios de Carpina e Lagoa do Itaenga (Leste) e os municípios de Salgadinho e João Alfredo (Oeste).

História e Povoamento:

A história de Limoeiro e seu processo de ocupação, assim como as demais cidades de sua mesorregião, estão ligados a expansão da pecuária e a implantação de culturas de subsistência, como milho, feijão, arroz e mandioca, uma vez que suas características morfo-climáticas afastavam de suas terras a cultura canavieira.
Quando o Governo de Pernambuco iniciou o processo de doação de sesmarias na região do Agreste, mais precisamente no Vale do Capibaribe – século XVII – é que vai haver o primeiro registro oficial, ainda existente, da ocupação de Limoeiro. Trata-se da Carta de Doação de Sesmaria passada ao Padre Ponciano Coelho, em 1751.
O nome Limoeiro remonta aos tempos dos holandeses em Pernambuco, que já se referiam as aldeias daquelas terras com a alcunha de Limoeiro. Nelas havia a presença de várias tribos Tapuias. Além da presença em abundância de limoeiros nessas terras, existe também a lenda que conta que em certa ocasião, o Padre Ponciano Coelho teria feito a imagem de Nossa Senhora da Apresentação desaparecer de sua capela, em Poço-do-Pau, para um limoeiro do aldeamento, onde se ergueu a torre da futura igreja matriz.
Outras referências anteriores a ocupação de suas terras pelo Padre Ponciano Coelho são feitas, ainda que de forma pouco precisa e as vezes contraditórias, e nos trazem informações sobre aldeamentos realizados por diversos missionários , entre eles, religiosos da Congregação de São Felipe Nery.
Nos tempos dos aldeamentos, os limites de Limoeiro não existiam oficialmente, cabendo aos seus capitães-mor a penetração e alargamento de suas terras, até serem fixadas anos mais tarde, com seu território medindo 4,500km2, extensão essa alterada ao longo do tempo até os atuais 204 km2, área oficial do município.
Administrativamente, Limoeiro tornou-se sede distrital em 16 de junho de 1786, desmembrando-se do município de Igaraçu, por Carta Régia. Passou a categoria de Vila em 23 de Maio de 1812, recebendo os distritos de Pedra Tapada e Malhadinha.
Limoeiro vai tornar-se cidade em 1893, em 6 de abril, de acordo com a Constituição Estadual e a Lei Orgânica dos Municípios, nº 52, de 1892. Os distritos de Pedra Tapada e Malhadinha vão tornar-se Passira e Cumaru, que serão elevadas a categoria de cidades autônomas em 1964.
Consta das autoridades civis que ocuparam o cargo de diretor civil do aldeamento de Limoeiro, de 1794 a 1796, a figura de João Barros de Lima, conhecido por Leão Coroado, um dos heróis da Revolução de 1917, revolução essa que teve a adesão de Limoeiro ao movimento, quando esse era liderado por Manuel de Carvalho Paes de Andrade.
A partir da metade do século XIX, foram intensificadas as ligações terrestres entre Limoeiro e Recife, principalmente pela construção do ramal ferroviário em 1874, cuja concessão para a exploração foi cedida a Great Western of Brasil Railway.
No início do século XX, Limoeiro vai se destacar por sua intensa atividade comercial, principalmente através da cultura do algodão. Até meados do século XX, Limoeiro exercia papel de destaque em todo agreste, estendendo sua influencia até mesmo em partes do sertão, impulsionada pelo já referido algodão, mas também por seu comercio de couro e peles, objetos de cerâmica e artefatos de palha.
Essa “hegemonia” vai sofrer uma forte queda a partir de 1930, com o decréscimo da produção e processamento do algodão e da decadência de seu comercio e economia, causados entre outros fatores, pelas facilitadas novas rotas de ligação entre o litoral e o agreste/sertão. Com isso, Limoeiro deu passagem a cidades como Caruaru, que passou a exercer influencia nas áreas até então por ela polarizadas.
Em relação a cultura, fazem parte dos elementos culturais característicos da cidade de Limoeiro, o artesanato – com destaque para o bordado divulgado pela Cooperativa de Produção Artesanal e Industrial de Limoeiro Ltda – a ciranda, o bumba-meu-boi e o pastoril, além da literatura oral dos mamulengueiros e dos cantadores de viola.

SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE

Aspectos Geográficos:

O município de Santa Cruz do Capibaribe localiza-se na microrregião Alto Capibaribe, distante 192 km do Recife. Sua área territorial é de 430 km2, pertencentes a bacia hidrográfica do Capibaribe.
Possui relevo bastante degradado pela erosão, solo pobre e pedregoso, temperaturas elevadas com médias superiores a 26 graus, clima semi-árido (seco), precipitações pluviométricas anuais de 242 milímetros e vegetação de caatinga hipoxerófila. Tem como limites: o estado da Paraíba (Norte), o município de Brejo da Madre de Deus (Sul), os municípios de Taquaritinga do Norte e Toritama (Leste) e o estado da Paraíba e o município de Brejo da Madre de Deus (Oeste e Sudeste)

História e Povoamento:

As terras onde se situa o atual município de Santa Cruz do Capibaribe, ainda que encravadas no vale do rio que lhe empresta o nome, viram passar mais de dois séculos de colonização até serem desbravadas e ocupadas por colonizadores.
Situada no alto curso do Capibaribe, bem afastada da faixa litorânea, o território onde se desenvolveu a cidade de Santa Cruz teve que esperar a saturação da indústria açucareira – que privilegiava a colonização do litoral e mata pernambucanos – e a dizimação dos quilombos e a conseqüente erradicação da “Republica Negra” para que o ritmo do crescimento e ocupação alcançasse suas terras
Registros oficiais sobre a história e povoamento de Santa Cruz são raros e esparsos, sendo grande parte do que conhecemos sobre seu território, oriundos da tradição oral da região.
Fala-se que, em 1750, o português Antonio Burgos, convalescendo de uma grave doença, teria partido do Recife por recomendações médicas, em busca de um local de clima seco e salubre, que lhe amenizasse os sintomas da mazela. Subindo o rio Capibaribe através de rotas de boiadas, ele teria chegado nas terras onde hoje se localiza a cidade.
Acompanhado de seus escravos, ele fez construir uma capela de taipa, dedicada ao Senhor Bom Jesus da Via Sacra, onde colocou imagens e um crucifixo que levava consigo (esse crucifixo é existente até hoje na matriz da igreja local). O nome da localidade teria surgido a partir do cruzeiro de madeira que foi colocado em frente, na entrada da capela.
O povoado, que crescia de forma bastante lenta aos redores da capela, viu seu território tornar-se vila somente no final do século XIX, em 18 de abril de 1892, ainda como distrito do município de Taquaritinga do Norte.
Tornou-se freguesia em setembro de 1918, sob a égide do Padre José Apolinário. Foi quando no mesmo local da antiga capela, ergueu-se a igreja matriz da futura cidade. Devido sua distancia das principais vias de acesso ao sertão/litoral, a cidade só conseguiu sua emancipação em 1953, quando o distrito elevou-se a categoria de município autônomo, desmembrando-se de Taquaritinga do Norte, por decreto de lei estadual. Sua instalação oficial, porém, data de 9 de maio de 1954.
Para se ter uma idéia do lento processo de povoamento de seu território, em meados do século XX, nos primeiros levantamentos populacionais, o município de Santa Cruz do Capibaribe não possuía mais que 3.000 habitantes.
Sem possuir grandes atividades industriais que gerem dinamicidade a sua estrutura, a cidade tem como fontes econômicas a criação de bovinos, sem grande especialização, entre outras atividades esparsas, como fabrico de tijolos e uma rarefeita produção artesanal.
Porém, o que mais chama a atenção na economia local é a existência de pequenas e medias unidades empresariais que trabalham na confecção de roupas e comercio de tecidos em geral, constituindo a chamada “Industria da Sulanca”. Santa Cruz do Capibaribe, ao lado do município de Toritama, são responsáveis por quase todo os 73% da produção de todo o estado ( o equivalente a 850 milhões de peças ao ano).
Esse termo “Sulanca”, aliás, tem sua origem e significado nas “helancas do Sul”, haja vista que essas atividades comerciais surgiram a partir das compras de sacos e retalhos de tecidos (helancas) de São Paulo, que eram transformados posteriormente em cobertas e roupas a serem comercializadas na cidade.
A Feira da Sulanca é a principal responsável pela atração de turistas, que aquecem e movimentam o insípido mercado econômico da cidade, limitado quase que exclusivamente a esse segmento têxtil.

BIBLIOGRAFIA

ANDRADE, Manuel Correia de. O processo de ocupação do espaço regional do Nordeste. 2ª ed. Recife: Sudene, 1979.

FUNDAÇÃO DE INFORMAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO – FIDEPE, Limoeiro. Recife, 1981

FUNDAÇÃO DE INFORMAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO – FIDEPE, Santa Cruz do Capibaribe. Recife, 1982

LIMA, M. de Oliveira. Pernambuco, Seu desenvolvimento histórico. 2ª ed. Recife, 1975

Bibliografia Digital:

Agencia Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco – CONDEPE/FIDEM, Governo do Estado de Pernambuco. Região de Desenvolvimento Agreste Setentrional, disponível para consulta em:
http://www.condepefidem.pe.gov.br/regiao_desenvolvimento/agreste_setentrional/perfil.asp

ANDRADE, Manuel Correia de. Artigo: A terra e o homem no nordeste, hoje, Recife, 2003 disponível para consulta em:
http://www.sei.ba.gov.br/publicacoes/publicacoes_sei/bahia_analise/sep/pdf/sep_67/manuel_correia_andrade.pdf

DUARTE, Renato; FUSCO, Wilson. Migração e emprego precário na atividade de confecções em dois contextos distintos: São Paulo e Toritama, disponível para consulta em :
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/outros/5EncNacSobreMigracao/comunic_sec_1_mig_emp_pre.pdf

Nordeste e suas sub-regiões, disponível para consulta em:
http://www.ficharionline.com/ExibeForum.php5?idcategoria=5&idforum=24&idtopico=1078

Tags Categories: Sem categoria Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 13 jun 2008 @ 10 21 AM

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02 de dezembro de 1870



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