Que História é essa

Hoje na História

 

16 de junho de 1950:

Inaugurado no Rio de Janeiro o estádio do Maracanã

Aline De Biase

Aluna do 5º período de História

Bolsista da Pró-Ext

 

Estádio do Maracanã - Estádio Mário Filho

Estádio do Maracanã - Estádio Mário Filho

  Na década de 1940, em virtude da Segunda Grande Guerra, não houve a realização das Copas do Mundo de 1942 e 1946. Com o fim da guerra em 1945, a Europa estava abalada e em reconstrução, e por isso, a Federação Internacional de Futebol Associado – FIFA – interessada em fazer ressurgir o campeonato, estava em dificuldades em encontrar um país para sediar o evento. No Congresso da FIFA de 1946, o Brasil apresentou o seu projeto de sediar uma Copa em 1950, mudando o ano do evento que estava previsto para 1949, salvou o torneio que talvez nem fosse mais ocorrer, pelo desinteresse da comunidade internacional.

  Proposta aceita, com a decisão do presidente Eurico Gaspar Dutra iniciou-se a 2 de agosto de 1948, a  construção de um estádio de futebol gigante para ser a sede da 4ª Copa Mundial de Futebol, na capital federal. Inúmeras críticas foram feitas aos gastos dirigidos para a construção desse estádio, por desviar os investimentos que poderiam ser aplicados na melhoria das estruturas sociais brasileiras. Na contra mão dessas opiniões, estava no jornalista esportivo Mário Rodrigues Filho, que pelo seu incentivo à construção, foi homenageado, dando seu nome ao estádio.

 Assim, em 16 de junho de 1950, o Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã foi inaugurado como o maior estádio de futebol do mundo. O nome Maracanã, de origem tupi-guarani, significa “semelhante a um chocalho”, uma menção ao fato de que no local onde o estádio foi construído existia uma grande quantidade de aves, chamadas Maracanã-guaçu, que emitiam sons semelhantes ao de um chocalho.

 A partida de futebol que inaugurou o estádio ocorreu no dia 17 de junho de 1950 entre as seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo, partida vencida pelos paulistas por 3 a 1. O autor do primeiro gol no estádio foi o meio-campista Didi, da equipe carioca, e depois bi-campeão mundial de 1958 e 1962, pela seleção brasileira.

Didi, o Mestre da Folha Seca

Didi, o Mestre da Folha Seca

  A aguardada Copa do Mundo de 1950 foi iniciada em 24 de junho, com a partida entre Brasil e México, em que a seleção brasileira venceu por 4 a 0. Entretanto, ao contrário da preferência e dos rumores de vitória esperados, a seleção brasileira não ganhou a Copa. Na partida final, o Uruguai venceu o Brasil, por 2 a 0, no que é considerado um dos maiores reveses da história do futebol e esta partida ficou conhecida pelo termo espanhol “Maracanazo”.

 No Maracanã, os grandes jogadores da história do futebol brasileiro iniciaram ou consagraram suas carreiras:  a primeira vez que Pelé jogou pela seleção brasileira foi nesse estádio, em 1957 e Zico é artilheiro do estádio com 333 gols em 435 partidas.

  Em 2000, no aniversário de 50 anos do Maracanã, foi inaugurada a Calçada da Fama, nela os maiores craques da história do estádio deixaram a marca dos pés. Em 2007, o estádio – que é utilizado para diversos eventos, como espetáculos musicais com artistas consagrados -  foi palco das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro.

  Por muito tempo, o Maracanã, que atualmente tem a capacidade de abrigar 94 751 pessoas, foi o maior estádio do mundo. Entretanto, perdeu o título para o estádio Rungrado May Day, inaugurado em 1º de maio de 1989, na Coréia do Norte e que tem capacidade para 150 mil pessoas.

 

Texto produzido para o programa QUE HISTÓRIA É ESSA, e lido no dia 16 de junho de 2010.

Tags Categories: Brasil, Histório da Cultura, Que História é essa? Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 16 jun 2010 @ 11 52 AM

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NASCIMENTO, Alcileide Cabral do: A Sorte dos Enjeitados: o combate ao infanticídio e a institucionalização da assistência às crianças abandonadas no Recife (1789-1832). Tese. DOUTORADO EM HISTÓRIA. Recife: UFPE, 2006.     304 fls.

 

Carlos Antônio Pereira Gonçalves Filho*

 

 

            É interessante notar como o acervo documental depositado nos mais variados arquivos de uma cidade pode ser revelador das práticas e sentimentos de seus moradores. Os (as) historiadores (as) sabem muito bem disso e, por vezes, os resultados de suas pesquisas podem surpreender a quem imagina viver num mundo onde as relações e os sentimentos das pessoas são como pontos fixos, confortavelmente instalados no plano cartesiano da vida cotidiana. Um bom exemplo disso é o trabalho de Alcileide Cabral do Nascimento, A Sorte dos Enjeitados. A pesquisa se concentra num período compreendido entre os últimos anos do século XVIII e as três primeiras décadas do século XIX tendo, como cenário, a Cidade do Recife.

            A leitura da tese de Alcileide nos transporta para um tempo e uma cidade onde se podiam encontrar muitas coisas pelas ruas, tais como lixo, água suja, lama, buracos, excrementos, animais e bebês. Sim, bebês. Havia uma prática, há muito arraigada na população recifense de então, de se abandonar os filhos enjeitados nas ruas onde morriam de inanição, doenças ou eram devorados pelos animais que perambulavam pela cidade. Segundo a autora, em fins do século XVIII, este costume passou a ser combatido pelo Estado através da criação de uma instituição destinada a receber as crianças que fossem renegadas por suas mães ou que tivessem sido tiradas destas por algum motivo. Nascia, assim, a Casa dos Expostos. Para Alcileide, não havia uma preocupação moral com a prática de expor bebês, ou seja, de abandoná-los. Não se questionava o ato em si, mas o local onde o mesmo era feito: as ruas. A palavra de ordem era disciplinar o costume, evitando a exposição pública desses recém-nascidos, considerada agora indecente, incivilizada e não adequada ao “século das luzes”. Tentava-se promover uma “nova sensibilidade” na população para com o espaço urbano, evitando assim, o espetáculo bárbaro de crianças mortas nos becos, vielas e transversais da capital pernambucana. Era mais civilizado esconder da vista de todos o fruto indesejado, renegado ou proibido.

            A partir disso, Alcileide vai perseguindo os caminhos e as histórias de vida dessas crianças enjeitadas. Investiga quem e quantas eram, e de como se deu o processo de sua inserção na sociedade da época, mostrando os instrumentos utilizados pelo Estado para definir-lhes um papel social de acordo com a cor da pele e com o sexo de cada uma delas.

            A Sorte dos Enjeitados trata, portanto, de uma época e de um lugar; aborda idéias e sentimentos próprios de personagens que viveram num passado que também é nosso. Talvez, por isto mesmo, sua leitura seja recomendada para entendermos melhor certas reações e atitudes do nosso presente com relação à sorte de uma infância tantas vezes abandonada, violentada, escondida, silenciada…

 

 

*Mestrando em História pela UFPE.

Resenha lida no programa QUE HISTÓRIA É ESSAm Rádio Universitária 820AM. do dia 1º de outubro de 2008.

Tags Categories: História do Brasil, Que História é essa? Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 10 fev 2010 @ 10 22 PM

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