05 jun 2010 @ 10:48 AM 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE HOTELARIA E  TURISMO

BACHARELADO EM TURISMO

PRIMEIRO PERÍODO

 

História da Cultura

Professor: Severino Vicente

 

 

 

 

Alunas:

Rafaella Fonseca de Albuquerque

                                                        Maria Cecília Novaes Ferraz

 

 

 

 

 

No livro “Cultura Popular na Idade Moderna” de Peter Burke, é mostrada toda a concepção do que chamamos de  “cultura popular”, o que ele define a partir de Gramsci, primeiramente como sendo aquela não oficial, a da “não-elite”, a das classes menos favorecidas. Burke fala da necessidade de ver os artesãos e camponeses do início da Europa Moderna a partir de um mundo totalmente livre de conceitos e valores contemporâneos. Ele expõe sua idéia de que a cultura popular no início dos tempos modernos não era diferente à minoria culta da Europa Ocidental. A maioria da população e sua pequena parcela erudita compartilhavam de uma cultura popular comum. Essa visão de compartilhamento da cultura também é vista do filme “O Povo Brasileiro” baseado na obra de Darcy Ribeiro, que mostra que os índios não fazem monopólio de bens e de conhecimento, ao contrário do que se percebe na elite européia. Percebe-se que até a metade do século XVII as elites iam às festas de rua junto com os grupos menos favorecidos. Isto mostra que ao longo dos tempos modernos a renascença, as reformas religiosas, a revolução científica e a ilustração fizeram com que a cultura erudita fosse se modificando, ao ponto que entre pequenas e grandes tradições foi estabelecida uma grande distancia.

P. Burke.

P. Burke.

A tradicional cultura popular foi vista pela minoria letrada como algo muito diferente, a ponto de ser extraordinário, sendo assim tornou-se interessante. A partir do século XIX essa cultura tradicional começa a ser chamada de folclore.  Como  conseqüência destas transformações, Burke fala que a reforma Tridentina, assim como as reformas protestantes no geral exerceram um esforço de reorganização da religiosidade popular na Europa a partir do século XVI, tendo como objetivo diminuir suas extravagâncias carnavalescas e exterioridades.

Quanto a isso Burke explica que o significado deste conceito está em função da hierarquização da sociedade em classes, entre a classe da elite e a classe da não-elite. Assim, a cultura popular se mostrava como uma cultura não oficial, como a cultura da não-elite, das classes subordinadas; do outro lado, a cultura oficial pertenceria à elite. Logo, para o autor esta definição traria a necessidade de analisar melhor a sociedade, dividindo-a em classes para entender quem é o “povo comum” possuidor da cultura popular. Apesar de demonstrar que é indeterminada a fronteira entre o que se chama de cultura de elite e de cultura popular, e que as duas culturas permaneceriam em interação, Burke deixa subentendido que enxerga a cultura fundamentalmente separada em blocos: o bloco da cultura da elite e o bloco da cultura do povo. Dessa maneira, o autor entende a cultura como produto de uma situação de classe, de forma que a divisão da cultura entre elite e povo seria um espelho da hierarquia social. Indo de encontro com o que ele mesmo denominou de “concepção aristocrática de cultura”.

Curupira

Curupira

Essa visão sobre a cultura popular, segundo Burke, foi aceita rapidamente  e os setores cultos da sociedade começaram a se interessar por coleções de poesia popular, contos populares e música popular. Esse movimento foi denominado pelo historiador inglês como “a descoberta do povo” e ele via uma série de fatores para que isso estivesse acontecendo naquele momento. Eram eles: razões estéticas, que mostravam uma insubordinação contra o artificial na arte culta e assim a valorização das formas simples; razões intelectuais, que se relacionavam com uma postura hostil para com o iluminismo, enquanto pensamento valorizador da razão em detrimento do sentimento e das emoções. Existia também com relação ao aspecto intelectual um certo desprezo com as regras clássicas da dramaturgia, herdadas do pensamento aristotélico.

O povo brasileiro

O povo brasileiro

No filme “O Povo Brasileiro” é mostrada a idéia de que “somos símbolos da utopia”, ou seja, de algo idealizado, que no imaginário dos europeus seria o paraíso, sem doenças, cobranças e guerras. A cultura popular pôde servir de elemento básico para a formação de uma unidade nacional, dando a esta uma memória a ser compartilhada e símbolos capazes de produzir um eficiente nível de coerência social. Por outro ela também pôde ser um impedimento, no sentido de que a constituição do estado – o povo se formou sem dar importância às unidades culturais já existentes tentando impor sua cultura, homogeneizando-as, modificando-as em parte dessa nova estrutura nacional. Nesse sentido podemos perceber que a cultura popular serviu, contraditoriamente, como resistência cultural ao processo de unificação nacional.

 

Bibliografia

 

BURKE, Peter. Cultura Popular na Idade Moderna. 2ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 49p.

 Documentário O Povo Brasileiro, baseado na obra de Darcy Ribeiro.

             

Tags Categories: Brasil, Documentário, Histório da Cultura Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 05 jun 2010 @ 10 48 AM

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 03 jun 2010 @ 6:37 AM 

 Curso de bacharelado em turismo

História da Cultura

Prof. Severino Vicente da Silva

Aluna: Natália Saldanha Sobreira Valois

 

 Comentando dois textos

 

 

 O documentário O Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro, é evidentemente baseado na obra do autor, com o mesmo nome do filme, publicada em 1995. Com a narração de Matheus Nachtergaele, o filme conta a participação de inúmeros músicos e intelectuais brasileiros, como Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab’Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Eduardo Gianetti e diversos outros.

O povo brasileiro

O povo brasileiro

Com entrevistas do próprio autor, citações de poemas e outras obras e vídeos históricos, o documentário enfatiza o orgulho cultural do povo, de nossas raízes e dessa mistura particular que vem acontecendo no Brasil desde antes da colonização européia através dos índios. Um Brasil formado por índios, europeus, negros, crioulos, sertanejos, sulistas, caipiras, caboclos, da mistura de todas as raças, tentando buscar e trazer toda a virtude de toda a história da humanidade num povo só.

No filme basicamente o autor comenta que os indígenas foram os primeiros agentes de estruturação da nossa sociedade. Cita que antes da colonização, a população do território brasileiro era constituída por dois a cinco milhões de indígenas, pertencentes a varias nações ou etnias. As mais numerosas, e que ocupavam as maiores extensões territoriais, eram a etnia de e a Tupi Guarani.
A partir de 1500, as etnias nativas passaram a sofrer genocídio – extermínio físico; ou etnocídio – destruição da própria cultura, passando a falar outra língua, a seguir uma nova religião, alterando o modo de se vestir e de alimentação, integrando-se à sociedade dos colonizadores. Desta forma criando uma discussão sobre formação dos brasileiros, sua origem mestiça e a mistura cultural que ela resultou.

Já o livro Cultura Popular na Idade Moderna de Peter Burke fala sobre o início da Europa moderna com muita atualidade. Cita com importância os problemas conceituais, o contexto político e as dificuldades metodológicas de qualquer estudo deste gênero, que tem a ausência de testemunhos diretos com abordagens oblíquas.

Com sabedoria, exemplifica também um lado que deixa claro os valores e atitudes de artesãos e camponeses, revela seu conteúdo contestatório e os esforços doutrinadores da elite, que, paradoxalmente, resultaram na separação das culturas, dentro de uma mesma sociedade.

O autor analisa alguns dos  sentidos atribuídos ao termo “cultura popular” e enfatiza um modelo no qual há uma oposição entre pequena tradição e grande tradição – sendo que a pequena tradição é um sinônimo para cultura popular, referindo-se à cultura da maioria inculta, iletrada, que é transmitida informalmente; e a  grande  tradição é  definida como a  cultura da elite, da  minoria culta, que é transmitida formalmente nas escolas, universidades. Segundo o autor, a minoria culta teria competência nas duas tradições e a maioria iletrada apenas em uma.

Podendo-se dizer que o livro basicamente resume um quadro da cultura popular na Europa pré-industrial.

Analisando esse dois gêneros, tanto o vídeo quanto o livro, podemos relacionar os dois como uma análise da cultura de povos com o passar dos anos.

Tags Categories: Cultura brasileira, Documentário Posted By: Biu Vicente
Last Edit: 03 jun 2010 @ 06 37 AM

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02 de dezembro de 1870



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