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Século XXI.a

sexta-feira, janeiro 1st, 2021

E vai terminando no ano de 2020, pondo fim à segunda década do século XXI que, parafraseando Hobsbawm, pode-se dizer que agora é que começou o século XXI, o terceiro milênio, após a experiência da pandemia do Novo Covirus, apresentado ao mundo no final do de 2019, daí ser vulgarmente conhecido como covirus19. Assim teríamos um século intermediário, esse que se põe entre o final da experiência dos Soviets, popularizado pelas imagens da quebra e queda do Muro de Berlim, construído no final dos anos cinquenta. A construção do Muro foi uma explicitação física da separação ideológica entre duas partes da cultura ocidental. A queda do Muro, para alguns teria sido a vitória da ortodoxia capitalista, a derrota da heresia marxista/leninista/Stalinista que buscava um ocidente alternativo, sem o dogma da Propriedade Privada. Falou-se, e foram gastos rios de tinta publicando o fim da história, o fim dos conflitos, no pensamento de historiador do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os anos seguintes ao término do curto século XX, seriam os do século XXI, de acordo com o historiador inglês mais popular no Brasil.

Um novo mundo teria começado, após a liquefação do Muro da Vergonha, como o apelidou, o mais jovem presidente do Estados Unidos da América. E com esse encurtamento do século XX, podemos imaginar que tivemos um século XXI.a que poderia correr até o final de 2020, quando foram anunciadas a conclusão de pesquisas que criaram as vacinas  para derrotar a peste que ocorreu no ano da conjunção dos planetas, graciosamente chamada de Estrela de Belém. E agora começaria o século XXI, a famosa Era de Aquarius. Será?       

Essa nova Era de Aquarius seria, dizem os estudiosos esotéricos, marcada pelo ilimitado e pela ascensão dos Direitos Humanos e das maiorias; estaríamos entrando em um Marco Zero, na possibilidade de tudo iniciar uma nova chance para a humanidade. O que isso quer dizer? Nada. Pois se o ano fiscal terminou, se o ano meteorológico  terminou, a pandemia não terminou, e o hábito de se ver como o único centro do mundo, manteve-se firme entre os que, no Brasil, pensam que são ricos, que julgam contar com a proteção especial de uma divindade que os teria escolhido para sobreviver e dominar o mundo. Claro que há ricos no Brasil, mas esses não são tão numerosos a ponto de formarem essas multidões que vemos nas festas não autorizadas em casas alugadas aos ricos, para que esses abençoados pela força da natureza não percebam que o “seu capitão’ os está conduzindo para a construção de uma sociedade que busca atender apenas os instintos e pulsões de morte.

Não podemos dizer que esse século tampão tenha terminado com o início da terceira década. A primeira e famosa era de Aquário, nos anos sessenta, veio acompanhada com jovens dançando pelo fim da Guerra no Vietnã, com os Hari Krisna e seus sinos ocupando as ruas, com os ritos da morte comandado por Jin Jones. Essa pandemia atual vem se mantendo com a competente ajuda dos Mileniais (geração Y) e pela Geração Z, os que gostam de fazer experiências individuais coletivamente e os que são consumidores de verdade. Talvez estejam levando ao extremo a liquidez da sociedade, enquanto criam novos valores e, portanto uma nova sociedade.

Os que pesquisam esses grupos para entender como o mercado deve comportar-se com eles nos dizem que sua filosofia é o YOLO (You Only Live Once – Você Vive Só Uma Vez). O que isso pode significar em termos de compreensão de responsabilidade social, é que veremos quando superarmos esse minúsculo século XXIa.