Posts Tagged ‘Páscoa’

FELIZ PÁSCOA

sábado, abril 3rd, 2021

Conta a tradição histórica que houve um tempo no qual os descendentes de Jacó passaram alguns anos no Egito, depois que um dos seus filhos foi vendido pelos irmãos; mas ele veio a tornar-se administrador das riquezas do Egito e, num gesto inesperado, convidou seus irmãos, que passavam grave crise na região onde moravam, a viver no Egito. Foram bem acolhidos, pois José era querido do faraó e sua corte.  Mas o tempo passa, e é bastante comum que as gerações tendem a esquecer o que ocorreu no passado, especialmente o bem que seus antigos receberam de estranhos. Teria ocorrido assim às margens do rio Nilo, e os descendentes de José e seus irmãos perderam o prestígio e passaram a ser tratados como escravos. A tradição conta que foram muitas gerações, até que recomeçou a saga em busca da felicidade sob a liderança de Moisés. Diálogos e confrontos culminaram a saída/expulsão, e foram na direção do deserto acreditando que ali encontrariam uma terra onde havia rios de leite e mel. ´Foi uma Páscoa.

Conta uma histórica tradição que um dos descendentes de Judá, um dos irmãos de José, após vários séculos, nascido em Belém e crescido em Nazaré falava de uma nova páscoa, a que trazia o evangelho para os pobres, a alegria para os corações tristes, a liberdade aos cativos, a restauração da visão aos cegos, libertar os oprimidos. Anunciava que começava a Páscoa. (Lc. 4:15-30) A leitura que ele começou na sinagoga de Nazaré pareceu ter terminado no “Tudo está Consumado” (Jo. 19:30).

Mas a Páscoa não é um momento, ainda que pareça ser o momento final da vida de uma pessoa. A Páscoa é a aceitação de que cada momento é uma entrega, uma vitória sobre o egoísmo, o egocentrismo, a Páscoa é o compromisso de continuar a realização da leitura feita em Nazaré, ainda que se saiba que os nazarenos não gostaram do que ouviram, pois eles queriam ver milagres. Milagres exigem apenas fé, e milagres não se pedem, não se pagam. Milagre é a graça da libertação, da visão, da alegria. A Páscoa é o constante milagre de aceitar a Vontade de Deus, diariamente e a cada dia.

FELIZ PÁSCOA.   

Nossa Páscoa, nossa vida

sábado, março 26th, 2016

O mundo cristão, não apenas o católico, estar a completar os quarentas dias de reflexão quaresmal, tempo de preparação para a celebração da vida que tem começo a cada segundo das horas de todos os dias. No ritual católico desta vigília pascal, serão abençoados os elementos básicos da vida: a terra, o fogo, a água, o ar, mantendo tradição religiosa que atravessa milênios e de povos diversos. Sem esses elementos a vida não ocorreria, e seu cuidado é fundamental para a continuidade da vida, não apenas humana. A benção dos elementos e o cuidado pela sua renovação lembra a necessidade de renovar os espíritos, as ideias e superar o que tem nos enganado, o que criamos para nos iludir e ficar tranquilos com as bobagens que fazemos.

E, se temos que cuidar da natureza que nos permite condições básicas para nossa existência enquanto animal, mais ainda devemos cuidar do que criamos, de nossas relações com os demais sócios com os quais convivemos. Nossa história é uma constante criação de laços, organização de comportamentos, quase sempre com dores, como nos ensinou São Paulo. A Páscoa é esse rito anual que nos lembra da responsabilidade de viver e fazer permanecer a vida em suas diversas manifestações.

Após os séculos que construíram as nacionalidades que, a despeito de defender as identidades nacionais, nos aproximaram e nos permitiram verificar essa diversidade. Está sendo difícil e doloroso aprender a conviver com essa proximidade com o estranho. Estranho no falar, estranho no vestuário, estranho na organização familiar, estranho na relação com a divindade, estranho na organização política. Os estranhos, e nós somos estranhos para aqueles que vemos exóticos, para sentirem-se acalmados em seus medos procuram reduzir os outros a si e, como todos desejam isso, o resultado é, nesses primeiros contatos, o desejo de impor o seu jeito de viver e, em casos mais radicais, a eliminação do outro. Esse é o período que agora estamos vivendo em escala mundial, consequência dessa globalização que faz do planeta uma pequena aldeia, e dela julgamos saber tudo. Desse engano é que brotam os atentados que matam em lugares escolhidos para dar visibilidade e provocar temor. Aquele que só entende o outro como inimigo semeia o temor. É certo que se consegue isso, mas provoca outros efeitos, como um maior interesse em superar as condições que nos isolaram no tempo e que criaram a condição do medo. O medo do encontro.

A Páscoa prenuncia esse tempo, um tempo de paz, compreensão, quando as máquinas de guerra serão destruídas para a
feitura de máquinas na produção da riqueza que a todos alimenta; a Páscoa anuncia um tempo no qual o medo do carneiro será superado ele conviverá com o lobo, e o leão não se aproveitará da inocente tranquilidade do boi.

A Páscoa propõe que deixemos de encarar o que pensa diferente, em alguns aspectos, como um inimigo a quem deve-se matar; a Páscoa propõe que busquemos naquele que pensa diferente os pontos em que nossos pensamentos se encontram. Para que isso aconteça é necessário que abramos mão de desejar o poder, do desejo do poder, da volúpia do poder. E se a Páscoa é a celebração do que temos em comum, se realmente acreditamos nisso, não haverá mais lugar para a inveja. E sem essa terrível negação de si mesmo, seremos cada dia nós mesmos, cada dia mais felizes com a felicidade dos outros que conosco dividem o paraíso que nós fazemos a cada dia.

FELIZ PÁSCOA

O tempo é de páscoa

terça-feira, março 26th, 2013

 

Uma semana passada sob o pontificado de Francisco, e assistimos demonstrações de amizade, paternidade, simplicidade e humildade. O tempo da Quaresma foi de reflexão para os líderes da Igreja Católica Romana que, segundo a fé seguida, assistidos pelo Espírito Santo, escolheram o novo papa de maneira a surpresar a todos. Uma promessa de mudança na Cúria, uma reorganização nos discatérios e, como não poderia deixar de ser, uma expectativa que os católicos se tornem mais atuantes neste mundo. Afinal, a nova liderança da Igreja está a dizer isso: superar o formalismo religioso, agir devotadamente todos os dias, apresentar-se de tal maneira que digam: “olha como eles são diferentes!”. É notório que o Papa Francisco está apontando para o caminho da metanóia. Vejamos como os católicos virão a mudar seu comportamento diante de uma mundo ávido por relativismos que levam ao laxismo. E o laxismo é o que Francisco está propondo a ser superado.

Neste início da Semana Santa, a festa de inauguração de uma adutora no Sertão de Pernambuco foi o momento inicial do confronto de dois candidatos ao presidência do Brasil em eleição que será realizada em 2014. Mesmo antes do início do período que as leis permitem para a realização de comícios, tanto a presidente do Brasil quanto o governador de Pernambuco estão em campanha. As leis pouco valem quando se deseja conquistar votos. E para garantir os votos dos desalojados pelas chuvas que caíram em Petrópolis e em outras cidade da Serra Fluminense, a presidente saiu apressadamente do Sertão castigado pela seca, faz dois anos. No palanque, a presidente repetiu o chavão de que Pernambuco e o Brasil devem tudo aos governos de seu predecessor e o seu. O governador de Pernambuco, por seu turno, lembrou que antes desses governos ocorreu a estabilização econômica, o controle da inflação, o Brasil e o mundo. Em busca dos votos dos desamparados das políticas de prevenção às catástrofes, seca e chuva – que poderiam ter sido amenizadas se houvesse governos com ideias de planejamento e visão de futuro mais largo que a manutenção do poder.

O Caminho da humanidade é sem pautas retilíneas, viver é estar atento às curvas, aos pequenos desvios nas estradas criadas pelos anos de vida, individual e coletiva. O que é certo, ainda que para a maioria pode estar, efetivamente errado, pois a verdade não é uma questão numérica. É, talvez, uma questão de conhecimento e revelação. e isso toma tempo.

A todos os que visitam esse espaço, desejo uma Feliz Páscoa.

 

PS. caso deseja ofertar um presente a algum amigo, tem a segunda edição do Estrela de Ouro, a saga de uma tradição. para adquiri-lo click neste endereço http://associacaoreviva.org.br/site/archives/121

Desejos de Páscoa Feliz

quarta-feira, abril 4th, 2012

Os dias de festejos da ressurreição de Jesus Cristo estão a se aproximar e, com essa proximidade nos vemos a pensar sobre o nosso cotidiano e a encontrar caminhos que nos levem à vida. Embora estejamos em uma sociedade sempre em movimento, nem sempre esse movimentar ocorre na direção da louvação da vida. Escutamos muito sobre a morte, e não tanto a morte que vem com a finalização da tarefa de uma vida, mas a morte que é construída nas estradas sem espaço para pedestres, nas ruas onde uma bala enviada por alguém encontra um corpo fazendo, algumas vezes cessar o processo vital, ou dando a ele um novo curso. É certo que a teologia cristã fala de uma vida completa no encontro da homem/mulher com Deus após a morte, contudo, a mensagem do jovem artesão de Nazaré é que já a possuamos antes de chegarmos ao Vale da Morte. Essa Páscoa, essa Vida, essa Ressurreição diária é a que me seduz, me encanta, meu desejo para todos os que visitam essa página.

Desejo dias felizes, melhores para o Senado do Brasil, tão maltratado pelos senadores, esses que deveriam – devem – ser exemplo de probidade, respeito, garantia de virtude para o país, para as novas gerações. Entretanto, sendo a política uma profissão, desde a vereança em alguma cidade distante até chegar ao Senado Federal, aquele que, na idade da Boa Razão, ali chegar, vem com vários cursos em secretarias, diretorias, ministérios, prefeituras, governos, assembleias legislativas. E, não poucas vezes, nesses cursos são aprendidas lições de improbidade, de ocultamento, de atos de negação daqueles que escolheram os cidadãos/representantes. Vez por outra assistimos a irrupção de notícias nas quais os políticos aparecem como sujeitos de atos reprováveis. Mas, ao longo dos anos eles aprenderam a dissimular, a esconder , atrás de eufemismos como “mal feitos” , a prática odiosa da corrupção que rouba dos trabalhadores para a compra de viagens e vantagens em Cachoeiras. E tudo isso tem aumentado, tanto em conhecimento como em realização, desde que partido que se recusou a assinar a Constituição em 1988 vem se esforçando a rasgá-la sob a proteção de leis e comportamentos iluminados por novos “conselheiros”. Precisamos de coragem para fazer a passagem – páscoa -, superar a mediocridade, a dissimulação que vem se tornando a característica de se fazer política no Brasil.

O noticiário em torno das facilidades que o senador Demóstenes criou para seu amigo Cachoeira deve ser acompanhado atentamente, mas ele não deve nos fazer esquecer que já passam sete anos desde o escândalo do Mensalão, que teve como protagonistas principais a elite do Partido do Trabalhadores, e esse crime não foi julgado, tendo os mensaleiros, como advogado um ilustre ministro da justiça que na época ministrava. O Mores!!! Como explicar tamanha complacência com atos nefastos? Por que razão essas ações protelatórias, quase criminosas, parecem não mais afetar a consciência das pessoas? Até quando o discurso que mostra o crime realizado no passado ser a justificativa para os crimes agora perpetrados?

Neste tempo de Páscoa, cultivemos mais ainda a coragem da esperança de que o amor e não a dissimulação venha a ser o prêmio para a nossa nação.

Tereza, minha neta, nasceu

sábado, abril 23rd, 2011