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Todos Irmãos: esperança, cansaço e renovação

quarta-feira, outubro 28th, 2020

Viver em paz é diferente de não fazer nada. Há quem diga que se deve treinar para viver o nada, perceber tudo sem envolver-se no que é visto e experimentado. Experimentar o nada. Eis algo difícil nos dias que vivo, desde o amanhecer até o momento que o cérebro não me permite observar. O cérebro observa-me, o tempo passa e ele, observando-me, refazendo as experiências enquanto durmo. No sono vêm as imagens descritas por Loyola Brandão em Não verás país. Não vejo mais o país. Vejo a impossibilidade de um país sendo criada, não na ficção que Loyola previu três décadas atrás. Não Verás País algum. Vivo a perda do país que imaginava estar criando com os meus contemporâneos, e temo entender que não verei o país que imaginava com alguns de meus contemporâneos.

Em momento tão perdido, que parece ser de descanso, para não perder a sensibilidade vem uma carta do Vaticano, assinada por Francisco a nos dizer que somos Todos irmãos. É sempre escandalosa essa afirmação de sermos todos irmãos. Nem todos percebem que mudanças essas três palavras carregam. Quase ninguém deseja que sejamos todos irmãos. Até mesmo alguns familiares.  Ser irmão no abstrato é aceitável, e a leitura do que o papa escreveu é animadora para muitos, até para os que não leram e, creio, não lerão, essa bela correspondência que foi endereçada aos cristãos, aos que carregam alguma fé e, mesmo aos que vivem sem carregar qualquer fé. Mas é aceitável essa ideia de quem somos todos irmãos.

Não há novidade neste discurso que, mutatis mutantis,  é dito em quase todos os púlpitos erguidos em cada esquina do mundo, dentro ou fora das igrejas e dos parlamentos. Somos todos irmãos, dirão os políticos, os pastores, os padres, os chefes e as chefes (será chefa?) de família, os líderes estudantis, os candidatos a vereadores e prefeitos ao lerem ou ouvirem essas palavras do papa.

Uma semana depois, quando se tornou público um documentário no qual o papa Francisco diz que se deve admitir a união civil de casais do mesmo sexo, logo já se percebeu que nem todos somos irmãos; que se corre o risco de um cisma no mundo católico, pois se diz que o papa é um herege, que o Espírito Santo enganou-se e a Igreja está sendo dirigida por um seguidor do demônio. E alguns cristãos, católicos ou não católicos, passam a agredir os católicos, querendo saber se vão seguir o papa e outras coisas semelhantes.

A ficção de Inácio Loyola Brandão usa um verso de outro poeta, Olavo Bilac. Criança, não verás país algum como esse. Referia-se, o poeta do civismo, ao Brasil que, no início do século XX, incitava as gerações jovens a amar com orgulho o país em que nascera. O país mudava de regime sem conversar com os que formavam a nação, mas os que dirigiam a mudança desejavam po amor de quem amava a monarquia e o amor dos que não a conheceram. O poeta estava otimista quanto ao futuro.  

A passagem do século XIX para o XX era de otimismo para os bem nascidos e, até para os que nasceram sem berço, pois a República parecia criar condições para todos; mas esse “todo” não envolvia a todos, perceberam, bem mais tarde, os mal nascidos e os bem nascidos. Estes, os que se apossaram das terras do país, continuaram a insuflar os que jamais teriam acesso à terra, a cultivarem o amor à nação. Queriam o amor mas não dariam a terra.

Ao longo do século, os que formavam a nação, mas não tinham terra, foram compreendendo que jamais veriam “país como esse”; o preço das passagens aéreas não permitiam ir conhecer outras terras. Era uma promessa que os bem nascidos faziam questão de cumprir: não permitir que outros países fossem conhecidos pelos que não possuíam terras. Não poderiam fazer comparação, poderiam amar o que viam ou o que se permitia que fosse visto.

Outubro está ao término, mas não as bobagens que fizeram enquanto ele dura. Outubro é um mês duro, de muitos dias. Nele, como em todos os meses nasceram muitas pessoas, algumas no início do mês, outras quase em seu término. No início do mês, dois aniversários, o de Francisco de Assis, no dia quatro, sempre me lembra um amigo que nem sei se ainda lembra de mim. Não importa sua lembrança, importa que eu não o esqueço. Todos os anos lhe envio festas no dia 4.  No dia 6 é o aniversário de uma de minhas filhas. Quando ela nasceu lembrei que ela me veio no mês da Revolução que prometia unir os operários e criar um mundo novo. Quando minha filha nasceu a Revolução já se dera por vencida, embora a esperança de que veríamos dias melhores permanecesse. A Esperança é um animal bravio, que se camufla perfeitamente com as folhas. A Esperança, como o bicho-folha, é muito antiga, vem acompanhando os homens desde que se entenderam como tal e, desde então, esperam o paraíso enquanto constroem e destroem a Esperança. Este inseto da alma que se esconde em cada uma das gerações humanas, confundindo-se com elas. Cada uma que morre traz a esperança de que outra virá.

O final de outubro, carregado de aniversários de esperanças perdidas, também carrega, para mim, lembranças de esperanças de vida que não se realizaram. Mas foram belas e vitoriosas como as revoluções em seus processos iniciais quando, a morte da antiga civilização ou antigos amores oferece combustível para o novo que constrói, então. Depois a Revolução cansa e morre, como amores de paixão.

Mas então, vem a Esperança, de novo, com novas caras a repetir que somos Tutti Fratelli.

Severino Vicente da Silva (Biu Vicente)   

Feliz Ano da Misericórdia

domingo, janeiro 3rd, 2016

Terceiro dia do ano de 2016, Ano da Misericórdia, estabelecido pelo Papa Francisco para os católicos, tendo em mente que a Misericórdia é fruto do encontro do amor com a justiça. Quando isso ocorre não há espaço para a exclusão de nenhum membro da comunidade humana e também da comunidade ecológica de todos os seres que formam o universo. O Ano Santo da Misericórdia é um grande desafio espiritual para os católicos, mas está aberto também para todos os homens de Boa Vontade. Assim, uma das melhores maneiras de começar o ano é reler, ou ler, a carta Laudato Si – Louvado seja o Meu Senhor – que nos põe diante das responsabilidades humanas para com o planeta e todos os seus habitantes.

Uma das maneiras que temos de viver a misericórdia é modificarmos nossos hábitos de consumo que, podia ser mais bem dito, como modo de estragar e destruir o que está ao redor. Somos seduzidos, nos deixamos seduzir com o consumismo, achamos que ‘não posso viver’ sem isso ou sem aquilo e, por essa razão temos uma grande quantidade de objetos que quase não usamos. Destruímos a natureza que nos cerca, que nos alimenta. Guardando o que não nos é necessário auxiliamos o processo de exclusão social, pois o que nos sobra falta em algum lugar. Ostentando e vivendo de maneira supérflua hostilizamos os que vivem apenas com o necessário. Assumindo posturas dúbias e ou autoritárias com aqueles que, de alguma maneira estão conosco, nos servindo ou nos auxiliando em alguma tarefa, continuaremos a construir o mundo desigual que criticamos. O Ano da Misericórdia deve nos lembrar que somos apenas uma das criaturas que formam o universo e, se temos o dom da possibilidade da consciência, é para preservar o mundo, não para dominá-lo de forma brutal e inconsequente.

Esta semana a cultura brasileira completa o ciclo natalino com a visita dos Santos Reis em muitas localidades onde são recebidos com festas e brindes; em muitos povoados e pequenas vilas estão a celebrar a congada, danças em honra de São Bendito, o santo que cuida da comida e que nada deixa a faltar; em outras comunidades, celebra-se a São Gonçalo do Amarante, que se dedicou às mulheres excluídas, uma festa de fartura, pois assim é que é o céu para os despossuídos; noutras comunidades ainda se faz a Queima da Lapinha, tornando cinza as vaidades das pastoras, gerando a possibilidade do recomeço da longa jornada do ano iniciante. Que Sejamos felizes nessa nova etapa da jornada que temos no universo. Sejamos felizes por sermos colaboradores com a beleza.

Vaticano, Caribe, religiões

segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

 

E então chegamos à última quinzena de 2014, com a surpresa na política internacional provocada pela festa latino-americana na Praça de São Pedro, no Vaticano, celebrando o aniversário do Papa Francisco. Casais dançaram o tango ao mesmo tempo em que o mundo tomava conhecimento de que os Estados Unidos da América do Norte e a República de Cuba declararam que estavam reatando relações diplomáticas sustadas faz 53 anos. A informação desse ato diplomático e civilizatório no dia do aniversário do papa foi um sinal da importância da intermediação do papa nesse contendo que demonstra aos mais jovens a existência da Guerra Fria, e aos mais velhos que ela tem pouco sentido.

Aqueles que tinham 10 ou 12 anos de idade no início dos anos cinquenta e, que tiveram a oportunidade de terem em seus lugares de vivência um televisor, acompanharam momentos dramáticos do enfrentamento entre as duas potências atômicas, EUA e a URSS, o confronto entre dois modelos de sociedade que se apresentavam ao mundo de então. Poucos anos antes, jovens cubanos, com apoio de parte da população dos Estados Unidos, afastaram do poder o sargento Fulgêncio Batista que dominava  ilha e permitia que a máfia a utilizasse como espaço de seu divertimento.  Depois, os jovens liderados por Fidel Castro definiram-se como socialistas e aliaram-se à União Soviética, quebrando o paradigma de Yalta e Potsdan.  No mundo tensionado de então, os americanos que pretendiam colocar bases militares em regiões próximas às fronteiras soviéticas, viram navios da potência oriental aproximarem-se do Caribe com armas que deveriam ficar voltadas para a potência ocidental. Uma semana de tensão e, conversações entre os dois líderes Kruchev e Kennedy, estabeleceram a permanência pacífica da tensão. Os Estados Unidos tomaram a decisão de bloquear economicamente a ilha, pretendendo leva-la à ruina. Um dos maiores erros da história, uma vez que o bloqueio jamais ocorreu em sua totalidade, e muitos países, inclusive o Brasil vêm mantendo comércio com os cubanos desde os anos sessenta. Como a decisão norte-americana de fazer o bloqueio econômico foi um ato do Congresso, a retomada das relações diplomáticas não o afetará: só o Congresso americano poderá por fim a esta bobagem, pois ele atualmente existe apenas para o Congresso ver, como se dizia antigamente a respeito de algumas leis criadas no Brasil para satisfazer à Inglaterra no século XIX. Claro que crescerá o intercâmbio econômico com a ilha caribenha, especialmente os investidores cubanos da Flórida, que terão o Porto de Mariel, recentemente construído com ajuda secreta do Brasil. Mas importa entendermos que o Vaticano retoma a sua capacidade de intermediação de conflitos entre as nações e que temos, à frente, um processo cubano à chinesa, no qual o capitalismo econômico avança, mas as liberdades democráticas e as instituições de guarda dos direitos humanos ficarão a passos de cágado, caso entrem em compasso de mudança.

O Vaticano e as religiões ocupam cada vez mais espaço nos noticiários e na vida das pessoas e comunidades, contrariando filósofos e cientistas sociais que apontavam o fim da religião no século XX. Houve até teólogos que anunciaram a Igreja como Túmulo de Deus. Como previu o historiador católico e conservador Arnold Toynbee, são as etnias e as religiões que estão a servir de referência aos indivíduos e aos grupos. Todas as religiões estão em alta, não apenas nos cantões distantes, próximos às matas ou aos pés dos montes, mas nos planaltos acadêmicos, como demonstra fortalecimento dos estudos da Ciência das Religiões, com a aprovação de doutorados nessa especialidade do conhecimento, nas universidades Católica de Pernambuco e Federal da Paraíba.  Assim, neste período natalino teremos mais motivos para celebrar a data máxima da cristandade, não do cristianismo.  Deste meu lugar, parabenizo os professores e amigos Carlos André, Newton Cabral, Gilbraz pela caminhada e pela confiança nos seus projetos.

biu Vicente

Março

domingo, março 16th, 2014

 

Março, em meados foi assassinado Júlio César que desejava permanecer no comando da República Romana até que ocorresse a sua morte. Assassinado por amigos, entre eles seu filho adotivo, sua vontade foi realizada, pois, após ele a República Romana deixou de existir, sendo o seu assassinato a prova definitiva de que aquela etapa da vida romana havia sido vencida. O governo de César apontava o governo dos césares. Março é um mês como outros, mas o pensamento mágico o liga a alguns acontecimentos que são tomados como prenúncio. Assim foi o 15 de março para César, assim foi 13 de março para Goulart. As vaias de março podem apenas significar as vaias de março para Dilma e não o retorno daquele que se recusou a ir. E é na segunda quinzena de março que termina um ciclo e inicia outro no calendário das religiões antigas

Em um desses março, foi escolhido um latino americano para assumir a liderança dos católicos e, parece que, desde então vem ocorrendo mudanças insuspeitadas e alento novo à Igreja Católica Romana. Nos anos da contracultura, período explosivo inicial de repúdio à Civilização Ocidental pelos ocidentais, a renovação da Igreja, ao menos na América Latina, decorreu da necessidade de defender politicamente os direitos humanos, resultados da criatividade ocidental, diante da barbárie que vinha sendo instalada desde a Guerra de 14 e quase cristalizada nos campos de concentração nazistas ou nos gullags soviéticos, cambdjanos e outros motivados pela leitura entusiasmada das utopias iluministas que reduzem alguns à servidão em nome de liberdades que, dizem, um há de chegar. Naquele momento os católicos animaram-se com a escolha de um padre originário de família camponesa, simples e gordo como se fora um avô que trazia novos caminhos e arejamentos. A Igreja renovou-se e, na América Latina ela tomou rumos políticos insuspeitados, pois a realidade no subcontinente era uma negação dos melhores sonhos da modernidade.   Daí a defesa dos Direitos Humanos, reconhecidos e alentados em uma declaração universal de 1948.

Mas os Direitos Humanos podem ser utilizados para defender os direitos de uma parcela em detrimento dos de outra parcela da humanidade quando apenas defendemos direitos em abstratos e sem considerar os fatos, a realidade objetiva, essa da fome de milhares de pessoas que não podem esperara próxima geração para saciar-se enquanto defensores dos direitos usam as palavras para defender seus interesses tribais. O papa que foi escolhido em meados de março de 2013 começou dizendo aos de sua tribo, especialmente aqueles com poderes efetivos, que mais que as argumentações valem os fatos da vida. Não tem validade argumentos usados por aqueles que enriquecem enquanto dizem fazer a defesa dos direitos dos pobres. Palavras devem vir acompanhadas por ações maiores que os interesses tribais, sejam elas sanguíneas, religiosas ou partidárias. Que bom que o mês de março pode nos trazer tantas novidades!

Neste março, mês de aniversários de meu pai, de irmãos, filha, netos e sobrinhos distantes, leio que a sobrinha Tatiana Nascimento recebeu mais um prêmio por seu trabalho como jornalista, escrevendo sobre o difícil caminho dos trabalhadores que constroem o Porto de Suape, em Pernambuco. Parabéns, Tati. Eu e meu irmão Doc estamos felizes.

De Sarney e Anás

terça-feira, janeiro 14th, 2014

De Sarney a Anás

 

A agonia dos Direitos Humanos continua no Maranhão dominado pelo clã de José Ribamar Sarney desde a sexta década do século XX (1967). O apoio que ele dedicou ao movimento de militares e civis valeu-lhe muito poder baseado na esperança que o jovem líder maranhense eleva-se o seu estado a melhores patamares de qualidade de vida. A longa vida política de José Sarney mostra a sua competência em manter-se sempre ao lado dos que se tornam vencedores na trama conjuntural da história mantendo a estrutura básica. O talentoso político que apontava os erros históricos que levaram o Maranhão a ficar atrasado no tempo, e teve a seu serviço a imaginação criadora de Glauber Rocha, é parte das forças estruturantes do poder, hoje ele é o patriarca herdeiro de todos os seus antecessores. Tendo sobrevivido à substituição dos militares, de quem foi canino auxiliar, ao tempo que protegia poetas e conseguia sinecura para literatos, Sarney tem mantido o controle de parte do poder nesses tempos democráticos, especialmente os anos que estão tutelados por antigos sindicalistas e guerrilheiros derrotados pelos militares a quem serviu. Assim, nas prisões do Maranhão tem sido cultivado o costume bárbaro dos tempos do “corta cabeças” das guerras florianistas, do exército que derrotou o Arraial de Canudos e de grupos criminosos nos morros das antigas favelas, hoje denominadas Assentamentos populacionais sub-humanos.

Assim começamos o ano, mas não apenas assim, com visitas protocolares e silenciosas do ministro da Justiça ao Maranhão. Estamos a ser revigorados com o batismo católico concedido a pessoa nascida em família que não está casada no ritual da Igreja Católica Romana. O talento do Papa Francisco em realizar o cristianismo surpreende a todos. A Capela Sistina tornou-se mais católica. Sabemos que em paróquias comuns, o vigário local com a paciência evangélica vem, no silêncio mariano, praticando esse gesto. O sentido pastoral do bispo de Roma absolve os párocos e absorve a prática. Louvado por isso foi imediatamente criticado por ter lamentado que seres humanos sejam descartados como lixo, combatendo a prática do aborto. A busca da moral fácil e relativista não percebe, não deseja perceber que não se pode defender a vida pela metade: se se condena o assassinato de adultos não há como absolver o assassinato de seres humanos ainda mais indefesos. A coerência de Francisco termina por desnudar o relativismo que seduz a todos.

Nos tempos da Ditadura Civil Militar vivenciada pelo Brasil na segunda metade do século XX, parte dos católicos manteve-se unidos na defesa dos Direitos da Pessoa Humana, dos Direitos Humanos, animados pelo Sermão da Montanha e pela declaração da ONU; ardor evangélico e continuidade na construção iluminista. Esses foram “sinais de contradição”. Continuam sendo por não cederem à tentação da fácil vida palaciana, essa que confunde respeito à dignidade com esmola dada ou recebida. A sociedade brasileira foi beneficiada pelas atitudes corajosas dos católicos, desde os mais simples aos mais titulados nas academias. Não há o que agradecer, mas a honestidade dos propósitos exige a coerência com os princípios. Daí que as atitudes de Francisco, tão católico quanto iluminista, assustam progressistas seguidores Anás.

Anás foi o sacerdote mais influente no universo judaico sob a tutela do Império Romano. Durante décadas seus filhos e genros mantiveram fariseus e saduceus satisfeitos. Anás morreu de velhice. Dizem ter sido um dos homens mais feliz de seu tempo. Para salvar a nação ele possibilitou a criação do cristianismo.

14/01/2013

O tempo é de páscoa

terça-feira, março 26th, 2013

 

Uma semana passada sob o pontificado de Francisco, e assistimos demonstrações de amizade, paternidade, simplicidade e humildade. O tempo da Quaresma foi de reflexão para os líderes da Igreja Católica Romana que, segundo a fé seguida, assistidos pelo Espírito Santo, escolheram o novo papa de maneira a surpresar a todos. Uma promessa de mudança na Cúria, uma reorganização nos discatérios e, como não poderia deixar de ser, uma expectativa que os católicos se tornem mais atuantes neste mundo. Afinal, a nova liderança da Igreja está a dizer isso: superar o formalismo religioso, agir devotadamente todos os dias, apresentar-se de tal maneira que digam: “olha como eles são diferentes!”. É notório que o Papa Francisco está apontando para o caminho da metanóia. Vejamos como os católicos virão a mudar seu comportamento diante de uma mundo ávido por relativismos que levam ao laxismo. E o laxismo é o que Francisco está propondo a ser superado.

Neste início da Semana Santa, a festa de inauguração de uma adutora no Sertão de Pernambuco foi o momento inicial do confronto de dois candidatos ao presidência do Brasil em eleição que será realizada em 2014. Mesmo antes do início do período que as leis permitem para a realização de comícios, tanto a presidente do Brasil quanto o governador de Pernambuco estão em campanha. As leis pouco valem quando se deseja conquistar votos. E para garantir os votos dos desalojados pelas chuvas que caíram em Petrópolis e em outras cidade da Serra Fluminense, a presidente saiu apressadamente do Sertão castigado pela seca, faz dois anos. No palanque, a presidente repetiu o chavão de que Pernambuco e o Brasil devem tudo aos governos de seu predecessor e o seu. O governador de Pernambuco, por seu turno, lembrou que antes desses governos ocorreu a estabilização econômica, o controle da inflação, o Brasil e o mundo. Em busca dos votos dos desamparados das políticas de prevenção às catástrofes, seca e chuva – que poderiam ter sido amenizadas se houvesse governos com ideias de planejamento e visão de futuro mais largo que a manutenção do poder.

O Caminho da humanidade é sem pautas retilíneas, viver é estar atento às curvas, aos pequenos desvios nas estradas criadas pelos anos de vida, individual e coletiva. O que é certo, ainda que para a maioria pode estar, efetivamente errado, pois a verdade não é uma questão numérica. É, talvez, uma questão de conhecimento e revelação. e isso toma tempo.

A todos os que visitam esse espaço, desejo uma Feliz Páscoa.

 

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