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Tradições juninas e traições universitárias

sábado, junho 13th, 2015

O mês de junho é especial para os habitantes do Nordeste do Brasil, mês de celebrações da identidade regional, parte integrante da identidade nacional. As músicas, as danças celebram o festival da colheita de milho, no solstício de nosso inverno, na noite de São João; a louvação do amor ao longo da novena de Santo Antônio, o santo casamenteiro e, as festas terminam com louvor a São Pedro, aquele que pediu a Jesus um cuidado especial à sua sogra e, por essa razão, é conhecido como o protetor das viúvas, pois se presume a viuvez da sogra de Pedro, cujo nome é desconhecido. Tão forte esse conjunto de tradição trazido de Portugal enraizou-se no Brasil, que não é possível pensar o Nordeste e sua gente sem tais festejos, sem as músicas e ritmos que os nordestinados criaram para si. Os Xaxados, o Forró, o Chamego, o Xote, o Baião, tornados universais nos sons saídos dos movimentos dos dedos, mãos e braços de tantos sertanejos, agrestinos ou matutos no movimento do Fole de Oito Baixos ou da Sanfona. Dois instrumentos que marcaram o pai Januário e o filho Luiz Gonzaga do Nascimento. Nordestinos confundem-se com as poesias e a voz de Gonzaga, a quem foi atribuído o título de Rei do Baião. Rei que uma imensidade de súditos que se reúnem nas principais cidades e nos mais simples povoados e arruamentos desse imenso país.

Pois bem, parece ser função da universidade pesquisar, ensinar e estender-se para além de seus limites geográficos e abarcar o universo, ao menos o universo mais próximo. Por isso é que, quando foi criado o Departamento de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco logo foi criada a Rádio Universitária. Sua função aproximar a universidade do povo que a paga, ser um caminho e vetor da ação universitária na recepção dos anseios da sociedade e se veículo de comunicação daquilo que a sociedade acadêmica produz para a sociedade circundante. Esta a sua função. Mas, esses tempos confusos, com funcionários confusos que confundem os B de Bonifácio e Bolivar, faz com que, sem escutar a comunidade acadêmica, sem ouvir os professores, um ‘petit comité’ resolve que a Rádio Universitária FM, Emissora da Universidade Federal de Pernambuco não mais terá o programa FORRÓ PARA TODOS, produzido e apresentado por Samuel Valente por mais de duas décadas. Leiamos o seu relato:
“Cheguei na Rádio, e qual não foi a minha surpresa: o programa em questão, havia sido retirado do ar, por um “talentoso” Comitê, do núcleo de Rádio e TV, juntamente com a direção das citadas emissoras! Fui recebido por Mirian Leite, a produtora do programa, e demais funcionários! Hugo Martins havia saído, segundo fui informado, para um encontro com o Reitor da Universidade Federal de Pernambuco! Na minha opinião – e gostaria de ouvir os companheiros, compositores, cantores, músicos -, trata-se de uma abominável atitude, desses “entendidos”, contra a cultura musical junina, pernambucana, seus dedicados defensores, principalmente, contra os ouvintes da Rádio Universitária, 99,9, FM! Contra isso, devemos todos, nos pronunciar! Uma vergonha! Mirian Leite, a produtora, chorou! Hugo Martins, o apresentador, indignado, procurando conversar com o Reitor! Francamente! Além de saquearem o bolso do povo, querem arruinar o que de mais belo existe nos panoramas musicais! Afinal, estamos no Brasil!”

Creio que o Magnífico Reitor, que tem Brasileiro como prenome, assuma o reitorado para o qual foi eleito, e alerte aos que formam o comité que está a apoderar-se do Núcleo de Rádio e Televisão da Universidade Federal de Pernambuco que, no mínimo, é asnice o que fizeram: retirar do ar, na véspera do mês de junho um programa de música junina. Esse ‘petit comité’ não deve destruir, em nome de alguma revolução ( esse tempo caiu em pedaços no centro de Berlim), a obra revolucionária de Paulo Freire, o idealizador da extensão da universidade. Paulo Freire sempre desejou começar a partir do povo, esse ‘petit comité’ é partiu sem o povo nordestino e pernambucano.

Não encontrei, Magnífico, nos dicionários, o significado de ‘Anísio’, mas sabemos o que é Brasileiro. Dê um Tom Brasileiro nesse reitorado que o senhor quis repetir.

A liberação do visto americano para os brasileiros: o que diz a mídia e o que fala a realidade

domingo, abril 15th, 2012

Nossa amiga Auxiliadora Lustosa nos pede que publiquemos o texto abaixo. Assim o faço, pois temos, neste espaço, condições de formular opiniões nem sempre aceitas nos meios tradicionais. Leiam e façam os questionamentos necessários para a compreensão mais ampla dos fatos.
Obrigado.

A liberação do visto americano para os brasileiros: o que diz a mídia e o que fala a realidade.

Nestes últimos dias, tomamos conhecimento, pelos meios de comunicação, da visita da nossa Presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, onde se noticiou amplas possibilidades de mudança de patamar nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos.
Foi muito comentada, também, em todo o país, a mudança de postura dos Estados Unidos em relação à concessão de vistos para brasileiros e, segundo noticiaram os jornais, foram processados 115.269 autorizações neste último mês.
Mas, pesquisando o assunto com mais cuidado, percebemos que os percentuais são bastante diferentes nas nossas regiões. O maior crescimento na emissão foi registrado no consulado do Rio de Janeiro, que processou 103% a mais que no ano passado, seguido pela embaixada em Brasília que concedeu 69% mais vistos em março deste ano, logo após, São Paulo que teve um aumento de 52% e, por último, o Recife que teve apenas 14%, embora receba pedidos de todo o Nordeste.
Esses dados já nos levam a considerar a possibilidade de preconceito contra os nordestinos.
Na verdade, enquanto se fala no fim do visto para brasileiros entrarem nos Estados Unidos, nesta semana, uma professora pernambucana, Sueli Roriz Menezes Pires, passou pelo maior constrangimento ao tentar, pela segunda vez, ter seu visto aprovado.
A referida professora tem uma filha que estuda nos Estados Unidos da América e lá se casou, no civil, com um jovem americano. No dia 3 de junho, será a celebração religiosa do casamento, e a família do noivo está organizando uma grande festa para que as famílias se conheçam e celebrem esse momento tão importante de suas vidas. Mas, a professora Sueli, que atua na rede pública do Estado de Pernambuco e trabalha na Escola Técnica Estadual Cícero Dias, em Recife, foi humilhada e não teve nem o direito de saber o porquê de tanta intransigência para que ela possa apenas participar da cerimônia de casamento de sua filha. Após apresentar toda documentação exigida, mostrar o vínculo empregatício no Brasil, escritura de casa própria em Pernambuco, declaração da escola onde trabalha, informando que a professora deveria retornar ao trabalho no dia 17 de junho, uma carta dos pais do noivo que se responsabilizavam pelo regresso da professora ao Brasil no dia 15 de junho, enfim, após apresentar inúmeros documentos, ela teve o visto negado.
Por outro lado, outros familiares que também irão à cerimônia religiosa desse casamento conseguiram com facilidade o visto, talvez por apresentarem uma renda maior, uma vez que trabalham no poder judiciário.
Mais uma vez, voltamos à questão do preconceito; ser nordestina, ser apenas uma professora e ter uma filha casada nos Estados Unidos são fatores que impossibilitam uma brasileira ir a esse país. Parece que o contra cheque de uma professora não anima nenhum cônsul americano, na sua insaciável sede por turistas consumistas.
E o mais grave, ainda, foi a maneira como a professora foi atendida. Sempre demonstrando desconfiança e insinuando que a professora pretendia ficar nos Estados Unidos, embora fossem dadas todas as informações necessárias de que jamais pretendia abandonar o seu país, uma vez que tem aqui outro filho, uma grande família, um vínculo efetivo de emprego e todos os laços de amizade, eles insistiram nessa tese e, ao perguntar o porquê de tanta desconfiança, ela foi convidada a se retirar do consulado.
É muito triste sabermos desses fatos, pois o noticiário mostra uma coisa, mas a realidade é bem diferente.
As autoridades do Brasil e toda a nossa sociedade precisa tomar conhecimento desses fatos, para que possamos mudar a nossa postura em relação a esses países prepotentes e mostrar quem somos.
Esperamos que, um dia, brasileiros e brasileiras possam entrar e sair de qualquer país, sem passar por tanta humilhação e tantos constrangimentos.