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Reflexões do natal 2020

domingo, dezembro 20th, 2020

Com a aproximação do final do ano é quase um truísmo a necessidade, ou o hábito, de volver o olhar para os últimos 360 dias vividos, ponderando o que foi realizado, qual o custo e peso dessas realização nas nossas vidas pessoais. Creio que faremos isso, mas este ano, os bens e os males vividos sé poderão ser contabilizados se vierem acompanhados de uma reflexão sobre os bens e os males sofridos neste 2020,  o ano da pandemia, da doença que afetou a toda a população da terra, lembrando a todos que somos mortais. Sempre soubemos que somos mortais, mas faz algum tempo que a morte tornou-se apenas mais um episódio, como muitos que ouvimos falar. A cerca de trezentos anos a civilização  Ocidental começou a dominar os caminhos, os atalhos, que podem tornar o encontro com a  “noiva de todos” algo mais distante no tempo. A produção de alimentos, mudanças nos hábitos diários de higiene, a expansão do conhecimento sobre os seres vivos, todas essas práticas e muitas mais, auxiliaram a muitos a conviver com a morte muito raramente. Primeiros ocorreu a diminuição de mortes de recém-nascidos e de parturientes em hospitais, seguiu-se, embora mais lentamente, a diminuição de mortes infantis nos primeiros anos de vida, graças a melhor alimentação e cuidados. Mas inicialmente isso foi sentido em pequena parte da população, os que sempre tiveram um pouco mais de bens materiais que outros. Esse grupo ouvia falar da morte, dos outros. A pandemia do ano de 2020, o Novo Coronavírus conhecido em 2019, empurrou a morte, inicialmente para dentro das casas dos mais abastados, dos que viajavam os quatro cantos do mundo. Esses foram surpreendidos pela morte, e relutaram muito em admitir que foram os vetores que levaram a morte para os mais pobres. Depois todos ficaram mais vulneráveis à morte que, em condições naturais, não faz diferenciações sociais.

 

Ao final deste ano serão contabilizadas milhares de mortes, no Brasil talvez chegue-se a 200.000 pessoas mortas. Sim, são muitas mortes para uma civilização que havia colocado a morte em situação secundária, e as existentes, ocorriam em países fora do perímetro da civilização ou, internamente, nas regiões mais periféricas. A morte por Covid 19 não é periférica, como não é periférica a insensibilidade de alguns dirigentes de países, como o Brasil. Mas esses não chegaram ao cargo máximo da República por um ato de magia, mas por um ato de vontade dos cidadãos que votaram. Claro que os que decidiram não votar, não tomar uma decisão, votaram e decidiram aceitar o que a maioria dos votantes optaram. Seja dizer: neste final de ano deve-se admitir que o presidente que não se incomoda com a morte dos cidadãos brasileiros é o representante dos cidadãos, embora uma minoria destes não aprovara a indicação do candidato. Nota-se, também, que os 51% da população que aprovara o nome do atual presidente, está, neste momento, restrito a cerca de 35%. Esses continuam apostando que é correto deixar morrer mais algumas pessoas, concidadãos seus, evitando ou atrasando o processo que os levem à vacinação.

 

E aqui é o momento de lembrar coisas boas que ocorreram neste ano tão difícil. Os cientistas pesquisadores na área médica e farmacológica conseguiram, utilizando os meios que as múltiplas áreas do conhecimento colocam à disposição, avançar o processo de produção de vacinas, com o objetivo de diminuir os malefícios causadas pelo Novo Coronavírus. Este é um longo caminho iniciado em 1786 quando o médico Edward Jenner estabeleceu a primeira vacina, que foi contra a varíola. Com as vacinas foram evitadas muitas mortes, pois que elas tornam a pessoa que a recebe imune à doença. A criação de uma vacina toma tempo, e assistimos neste ano o uso intensivo de tecnologias com o objetivo de criar uma maneira de diminuir os danos sociais e pessoais que uma peste provoca aos indivíduos e à sociedade. Esta cooperação, e emulação de laboratórios para a criação de vacinas, é uma das boas coisas a lembrar este ano.

 

Um ponto especial foi a preocupação com os estudos dos que estão em formação. Afastados das atividades normais de ensino/aprendizagem, alunos e professores viram-se desafiados a encontrar meios e métodos novos de transmissão e produção de conhecimentos. Professores que recusavam o uso das modernas tecnologias, alguns que diziam que não iriam saber como dar aulas usando tais meios tecnológicos, descobriram novas habilidades e possibilidades: atualizaram-se, superaram medos, criaram suas novos caminhos. Mas então escancarou-se o despreparo das escolas públicas e privadas, as redes de ensino brasileiras, estão defasadas tecnologicamente, algumas haviam feito uma atualização rasteira e sem profundidade. Agora podemos entender melhor que o Brasil, os brasileiros, não investem em educação, em ensino, em pesquisa. Aliás, neste campo assistimos o presidente da República perseguir juma instituição de pesquisa, recusando aceitar os resultados positivos que ela tem apresentado na busca de uma vacina. Digo assistimos, porque não houve uma reação dos políticos contra as ações anticientíficas do presidente. A Covid 19 nos mostrou que os políticos são inoperantes para defender a república, preferindo seus interesses partidários e pessoais.

 

Outra lição positiva ao lado de um extremamente negativa. Vimos como alguns políticos desviaram verbas destinadas a diminuir os efeitos da pandemia. Foram secretários de saúde os maiores criminosos, mas sob a proteção de algum governador e a atuação do capitalista, daqueles que engolem a vida dos outros para enriquecer as suas contas bancárias e, com suas esposas e filhos, brindarem à morte que lhe garante a vida fácil e desonesta. Positivo foi o modo exemplar de médicos, enfermeiros, serventes, auxiliares de serviços gerais, motoristas de ambulância que, arriscando suas vidas, muitos morreram, para diminuir o sofrimento.

 

Os que roubaram e enganaram o povo, esses terão o natal de noel, dos presentes, dos objetos. Que sejam felizes ao seu modo.

Com essas reflexões neste domingo, quero lembrar e desejar a todos um FELIZ NATAL DE JESUS, a simplicidade da vida que, apesar dos Herodes e Pilatos, a todos conforta. Que a Paz do NATAL DE JESUS esteja na casa e em cada um.