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Anúncio de Natal não é anúncio natalino

segunda-feira, dezembro 6th, 2021

Anúncio do Natal não é anúncio natalino

Severino Vicente da Silva

 A jornada de dezembro é sempre uma oportunidade que se tem para que demonstre o esvaziamento das festas singulares do mês, que, para muitos é carregado de tristeza por que lhes falta alguma pessoa amiga na Ceia de Natal. Historiadores céticos, nos lembram que junto com o Papai Noel vem sempre acompanhado por um monstro, Krampus, encarregado de cuidar das crianças pouco educadas e não bondosas. Assim, é o medo, e não o desejo de fazer o bem ou ser bom, o profundo motor do natal, sendo o Papai Noel apenas o obnubilador, o que esconde o mal, a tristeza e o medo.

Sabemos que esse mito do Papai Noel não faz parte do Natal festa que é bem mais remota que a existência do São Nicolau, bispo cristão católico que tinha preocupação com as crianças. Quando Francisco de Assis fez o seu primeiro presépio, ele o fez para adultos, uma vez que, em seu tempo, esses conceitos de criança, de tempo infantil, não existiam. Criança eram os soldados de frente em uma batalha aqueles que seriam os primeiros a morrer no “campo de honra”, como descrevem aqueles que, à distância” decidem os que vão morrer. Infância é outro termo que não existia, como aplicamos hoje, à época de Francisco. Tais conceitos são próprios dos tempos modernos, quando as condições alimentares melhoraram e a morte visitava menos as famílias, permitindo a sobrevivência maior dos filhos. É a partir do século XIV, do Renascimento que as crianças e a infância começam a ser consideradas. Ainda na Primeira Revolução Industrial é grande o número de crianças postas a trabalhar mais que dez horas por dia, não lhe permitindo ter a infância, como a vemos nos dias de hoje. Aliás, nas periferias de nossas cidades, essa sociedade que está sempre em processo de atualização e a realizando de de maneira desastrada, ainda temos desastrada, ainda temos milhares de crianças sem infância. Em verdade infância quer dizer “sem fala, sem fonte”. Então, o bispo Nicolau estava muito preocupado com as crianças que estavam sendo carregadas por Krampus, que as levava para o trabalho nas minas de carvão, nas fábricas de tecido, etc. Melhor não, caro historiador progressista e cético, não destruir tão facilmente as ações do bispo da cidade turca de Mira.

O Papai Noel como o conhecemos em seu traje vermelho e branco, é resultado de um poema sobre a visita de São Nicolau e um cartum com a figura posto por um cartunista, em 1823. No final daquele século veio também a popularização da Árvore de Natal, uma tradição religiosa pré-cristã, que foi ressignificada pelo trabalho missionário de São Bonifácio, ainda no século VIII. Essas tradições, aceitas pelos cristãos – católicos, protestantes e ortodoxos, foram assimiladas à sociedade industrial de consumo.

O Lixão são lugares que recebem as sobras do consumo, lixo que vem das casas e dos restaurantes, como o de Pinheiros, no Maranhão. João Paulo Guimarães estava ali fotografando, que é o seu trabalho quando observou uma criança que, junto com sua mãe, buscava o que comer, estava retirando do lixo uma árvore de natal, feita de plástico, e dizer: vou levar para casa, porque eu nunca tive uma árvore de natal, ela está torcida, mas a gente conserta. A cena comoveu o profissional que passou a ajudar Gabriel, a criança que passou a ser um ser humano, mais que uma matéria para algum jornal. João Paulo foi tomado pelo espírito de São Nicolau em pleno espaço criado pela sociedade do desperdício, o que parece ser o saco de maldade Krampus, mas é o resultado de ações de adultos que confundem o bispo Nicolau com a figura gorda, de falso riso com as cores de refrigerante.

A árvore de natal, feita de plástico, encontrada por Gabriel trouxe, em seu riso, todas as tradições de fertilidade que marcam a permanente busca da humanidade que ainda não conseguiu vencer Krampus, esse ser egoísta que não gosta da felicidade do outro, mas que se alimenta da produção de miséria. Mas o sorriso que brotou dos lábios e do peito de Gabriel, parece realizar o sonho Francisco, na sua pretensão de mostrar aos adultos que Jesus foi uma criança, que as crianças devem ser cuidadas e não mortas, como denuncia o relato das ações de Herodes, o Grande, o Krampus daquele momento.

Crianças precisam de serem reconhecidos infância, não devem ser tratadas como força de trabalho, nem devem ser treinadas para serem consumistas. Não encantou Gabriel os plásticos que foram brinquedos dos ricos e da classe média que julga sê-lo, encantou o menino que ajudava sua mãe em busca de o que vender para comprar comida, foi a Árvore, o símbolo da vida; a árvore que lhe fez sorrir e que derreteu o coração de João Paulo Guimarães, que, parece estar vivendo e, como o riso de Gabriel, um Novo Tempo, o tempo do Natal.     

Reis e Menino Jesus

terça-feira, dezembro 25th, 2012

A cada dezembro temos a festa de Natal, a festa de aniversário do Menino Jesus, nascido a mais de dois mil anos e que faz parte da fé religiosa de muitos, mas faz parte da cultura de todos nós. Ainda que alguém em nossa sociedade queira esquecer para quem é a festa de Natal, ele vai estar presente em alguma dessas festas. Claro que a festa do Menino Jesus atualmente tem muitos convidados que se esforçam para tomar o lugar mais importante da festa. O Menino Jesus não se importa com isso, ele continua dormindo, como a nos ensinar que a vida é um constante nascimento. Nascemos a cada dia do ano, como o sol, como o Menino Jesus.

Nos dias atuais o mais famoso convidado para a festa é o Papai Noel. Esse personagem era um bispo cristão que, nos dias das festas natalícias do Menino Jesus saia para dar presentes aos pobres e animava a todos a fazerem o mesmo com os seus familiares, amigos e vizinhos. Fossem eles pobres ou ricos. Para o bispo Nicolau todos nós merecemos um presente porque nós somos o retrato do Menino Jesus. Então, todos os que dão algum presente são a personificação do Papai Noel. Não precisa ser um presente caro, como o ouro, a mirra ou o incenso, que, segundo a tradição mais antiga, os Reis Magos, os Reis do Oriente, como diz a canção do Cavalo Marinho, foram levar para o Menino Jesus. Vejam como é bonita essa festa de Natal! Quando a gente dá um presente para alguém, é como se a gente fosse o Papai Noel ou um dos Reis do Oriente, e quando a gente recebe o presente é porque alguém nos vê  como o Menino Jesus.

Ao longo dos séculos a festa de Natal, o aniversário do Menino Jesus foi realizada de muitas maneiras. São Francisco de Assis inventou de fazer um presépio, parecido com esses que alguns colocam em suas casas, nós vemos nas igrejas e mesmo em algumas praças de nossas cidades. Parte de nossas tradições são portuguesas e é de lá de Portugal que nos veio a dança do Pastoril, que antigamente era muito dançado e cantado nos pátios das igrejas. As pastoras pedem licença para cantar a alegria do Menino Jesus ter nascido. E essa foi uma alegria tão grande  que muita gente aparece, como as ciganas do Egito e também os animais, como as borboletas e os astros como as estrelas. Juntando muitas tradições, nossos antepassados inventaram o Cavalo Marinho, uma festa que também tem os Reis do Oriente e a Estrela mais bonita, que faz o Mateus e Bastião ficarem calados porque foi São Gonçalo do Amarante que nos ensinou a dançar sem cair nas barrocas do terreiro, que são os obstáculos da nossa vida.

Tudo isso faz parte de nossas tradições, de nossa cultura, da beleza de nossa alegria que aparece com maior intensidade nesse período do ano que termina mas que anuncia a chegada de outro.

Desejo a VOCÊ  que vem acompanhando este site, um NASCIMENTO CHEIO DE ESPERANÇA.

A estiagem não é apenas física

quinta-feira, dezembro 6th, 2012

 

Começamos o mês de dezembro. A ausência de chuvas continua severa, apesar de alguns pequenos pingos  caídos no final de novembro. Espera-se mais um pouco de água neste mês, pode ser prenúncio de bom inverno após quase três anos de estiagem. Mesmo na Zona da Mata Norte, percebemos como os pés de macaxeira ressentem-se e seu verdor é amarelado. Também amarelo, se formos caminhar na direção do pessimismo, é o jeito de pensar de alguns jovens professores que julgam serem as mudanças ocorridas nos últimos aos neste país terem sido resultados da ação voluntariosa de um homem ou partido. Apesar de saberem quase de tudo dos oráculos da historiografia francesa, de terem lido os sociólogos e linguísticas do momento, não se apoderaram, da ideia de que a história é um processo, uma ação coletiva, ainda que inconsciente por parte de algumas camadas. Para alguns desses jovens professores tudo parece ter sido iniciado em 2003. Assemelham-se à maioria dos jovens de minha juventude etária que julgavam nada poder ser diferente e que tudo era arriscado. Mas, assim caminhamos nós, a humanidade.

Nos últimos anos da ditadura civil-militar iniciada em 1964 surgiu o DIEESE, uma organização que começou a estudar seriamente a vida dos operários. Era o norte dos sindicalistas de então e, por oposição, uma dor de cabeça para os governantes. A cada temporada o DIEESSE nos informava qual deveria ser o salário mínimo se houvesse a decisão de cumprir a lei. O que dizia aquele organismo criado pelos sindicatos em plena efervescente da reorganização dos movimentos sociais, servia de modelos para as discussões entre sindicatos patronais e sindicatos das muitas categorias de trabalhadores. Esta semana este mesmo instituto nos diz que o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser pouco mais de dois mil reais. Está definido pelo governo dos antigos sindicalistas em pouco mais de seiscentos reais. Claro que tais números demonstram que essas coisas não podem se resolvidos em atos voluntariosos, mas são resultantes de acomodações de muitas vontades. Mas o que é interessante é que o DIEESE e seus números não parecem ser mais importantes neste debate. E, talvez porque não haja debates, uma vez que os movimentos sociais estão, em sua maioria fazendo parte da estrutura de poder, o que lhes dificulta o exercício da crítica, da oposição. Assim é que tudo parece emanar da vontade dos que governam e decidiram que aqueles que, atualmente, recebem salários iguais à metade do salário mínimo indicado pelo DIEESE fazem parte da chamada “nova classe média” .

Esses etariamente jovens professores não conseguem ver o dilema dessa questão. Estão demasiadamente envolvidos na tarefa de defender o que lhe dizem os partidos. Como dizia Geraldo Vandré “… lhe ensinam antigas lições de morrer pela pátria e viver sem razões”. Não é que não tinham razões, mas que tinham razões diferentes das de Vandré e das minhas. Mas Vandré queria dizer que não tinham “razão” pois não sabiam porque viviam com as antigas lições.

Os preparemos para o Natal ou para as festas do final do ano.

Eita natal confuso!!!

sábado, dezembro 17th, 2011

Coisas estranhas andam a acontecer ao nosso redor, e temos dificuldade de entender tantas informações, transformá-las em conhecimento e nos ajudar a compreender nosso lugar no mundo. Recebo email informando que uma das experiências mais bem sucedidas no combate à miséria, ao sofrimento das pessoas que vivem no Semi-parido nordestino, capitaneado por uma entidade que recebeu láurea do então presidente Lula, foi informada de que seus convênios com o governo federal foram cancelados pela atual administração. A ASA tem promovido a utilização de cisternas nas casas para que as populações possam superar os períodos de estiagem. Pouco investimento, bons resultados. Mas a ASA é uma entidade da sociedade que não está conseguindo conviver com o “centralismo democrático”, como está dito em um email que convida a todos a uma mea culpa por estar tão ligado aos governos. Outro email diz que “Temos que ter a coragem de ser o que sempre fomos: movimentos sociais autônomos (sic) frente a governos.” Esses recados chegam quando nos informam que a atual presidente tem uma aprovação estupenda, maior que a do seu mentor.

Como entender tudo isso? Um dos jornais de Pernambuco, na página 9, de tão laudatário que tem sido, chega a confundir a palavra “luta” pela palavra “lula” na principal manchete do caderno dito de “política”. Claro que o revisor jamais iria a pagar a primeira palavra da manchete, retirando o nome do ex-presidente em uma matéria que não tem nada a ver com ele. É o jeito que a boca toma com o uso constante do cachimbo.

Mas é bom saber que nós estamos melhores e mais animados. Precisamos melhorar muito, especialmente nos quesitos educação, educação política, além da segurança, saúde, saneamento. Claro que precisamos construir Comissões da verdade para sabermos o máximo do que ocorreu e ocorre nos bastidores da política, das relações que permitem aumentos salariais absurdos para deputados e funcionários do legislativo, enquanto se míngua as verbas para os setores fundamentais para a melhoria do povo.

Nesta semana costumava celebrar o nascimento de Jesus, continuamos a fazê-lo, embora mais estejamos mais preocupados em fazer compras. Somos cada vez mais burgueses, mais capitalistas embora continuemos com fraseados socialistas que servem para enganar nossa consciência. Assim, desejo a todos, além de boas compras, um feliz natal. Ou como se dizia antigamente: Paz na terra aos homens de Boa Vontade.