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Em torno do cinquentenário do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

domingo, novembro 22nd, 2015

RAÍZES EM movimento

Uma vez escutei, em um encontro da Campanha da promovido pela Igreja Católica, em um desses períodos da Quaresma, que o Brasil era um país de migrantes. Em 1980, sob o tema PARA ONDE VAIS? a Igreja convidava a todos a refletir sobre as migrações que ocorriam no país. A população do Brasil parece não parar em um lugar. O movimento é constante. As secas levaram muitos nordestinos a procurarem o Sudeste e o Sul, mas também muitos foram o Norte e mesmo para o Centro Oeste. Mas os nordestinos não são os únicos a mudar-se. Parte da população do Rio Grande do Sul foi para Santa Catarina, Paraná, e muitos catarinenses foram para o Acre, seguindo os passos da Transamazônica e dos projetos inventados no tempo da ditadura civil militar que vivenciamos entre 1964 e 1985.

Faz sessenta anos que João Cabral de Melo Neto publicou o poema Morte e Vida Severina, contando a migração de famílias do Agreste Setentrional e da Zona da Mata Norte de Pernambuco em direção do Recife. E o Recife recebeu muitos matutos que foram ocupar os morros da parte norte do Recife. Ali encontraram gente saída da Mata Sul e até de outros estados, gente do Ceará, do Rio Grande do Norte e Paraíba. Tudo parece uma grande mudança. Mas há, também, as pequenas mudanças. E elas são tão pequenas que a gente nem presta atenção. É que tem gente que sai de Buenos Aires para morar em Aliança; gente que morava em Aliança e hoje vive em Vicência. As pessoas, as famílias, mudam bastante de uma cidade para outras. Aqui mesmo tem gente que nasceu no Recife, passou um tempo morando em Nazaré da Mata, na juventude foi viver em Aliança e hoje tem moradia em Condado. Essa gente não para de andar. O caminhão de mudança para ser o endereço delas. E tem mais mudanças em espaços menores: é gente que viveu saindo de um engenho para outro dentro do mesmo município. Ou que já morou em mais de um bairro na mesma cidade. Eita povo inquieto! Esse povo parece não ter raízes.

Ocorre que eles têm raízes, mas não têm terras. Mas, não importa para onde ele vai, ele não perde as raízes. Como Pedro II que levou um saco de terra brasileira quando foi expulso do Brasil e foi morar na França até a sua morte, esse povo carrega consigo as suas raízes e, surpreendentemente, elas são as mesmas e se reconhecem em todos os lugares. As palavras que usam para designar os objetos e sentimentos são semelhantes e, se são diferentes, logo se entendem e as diferenças superficiais podem ser afastadas e eles reconhecem. E se reconhecem até mesmo quando encontram o passado ruim. Mas as raízes que carregam se alimentam do mesmo solo, da mesma história que pode, e deve ser lida de muitas maneiras, mas sempre com as raízes se tocando no fundo da terra e da cultura comuns.

Uma vez ouvi um sertanejo dizer que o sertanejo sai do sertão, mas o sertão não sai dele. O mesmo se diga de quem deixou a Agreste e do matuto. Para onde ele vai ele carrega suas festas, suas danças, suas crendices, suas brincadeiras. E isso acontece com todos os seres humanos que vivem hoje, os que viveram no passado e os que viverão. A raiz do homem é a sua cultura, sua identidade, a sua parte na grande cultura da humanidade.

Olhemos ao nosso redor e nossos olhos nos dizem do vento balançando os pendões das canas. Essa cena se repete a mais de quatro séculos, pois este é o tempo que a cana de açúcar vem sendo plantada no solo de Pernambucano; primeiro no litoral depois na Mata Sul e Norte. Desde então ela vem produzindo o açúcar, a cachaça e o vinagre. Tudo isso resulta do trabalho nos canaviais, nos engenhos e nas usinas, onde encontramos pretos, mestiços morenos, mestiços agalegados, mestiços mamelucos, brancos. Nas ruas das cidades e dos povoados encontramos todos eles. Também nos cultos religiosos. Nesses lugares encontramos os que consomem açúcar em grande quantidade, e sabemos isso pelo peso, pelos dentes cariados; encontramos os que exageram no consumo da cachaça, pois a vida vem se tornando um vinagre, mesmo depois que foi abolido o trabalho escravo, mas não foi libertada a terra para os novos e antigos libertos. Aprisionados nas engrenagens que permitiram um arremedo de liberdade, desde o final do Império que esses cortadores de cana passaram a criar um universo simbólico para contar a sua história, e fazem isso enquanto dançam. Talvez nem percebam que seus gestos contam além de suas histórias pessoais, contam a história das suas famílias, de seus antepassados, a história do Brasil.

Faz sessenta anos que João Cabral de Melo Neto escreveu o poema Morte e Vida Severina e tem como tema a movimentação de parte do povo de Pernambuco ao longo do Rio Capibaribe, que é visto como o mais pernambucano dos rios, pois ele existe em muitas cidades. Mas há outros rios, como o Pirapama, o Botafogo, o Tracunhaém, o Ipojuca, o Riacho do Navio, o Pajeú. E há o Rio Siriji, que também forneceu água para muitos engenhos que foram construídos perto de suas margens. E nesses engenhos muitas pessoas viveram; homens e mulheres, escravizados uns, libertos outros. Os engenhos foram cedendo espaços para as usinas modernas, mas enquanto se mantiveram na condição de produtores de açúcar, rapadura e cachaça e, também fornecedores de cana para as usinas, foi o tempo que esses homens e mulheres foram inventando um modo alegre de contar a saga de seus antepassados. Foi dessa forma que foram nascendo o Cavalo Marinho: misturando o Pastoril natalino, as Danças de São Gonçalo, as tradições indígenas sobre os espíritos das matas, o comportamento de padres, senhores de engenho, policiais, doutores, e outros seres viventes na região; as Caravanas que uniam os pesos no tempo dos entrudos e carnavais e o que ainda restava dos maracatus de nação que, parece, alguns senhores de engenho trouxeram para o carnaval de 1923; e foram aparecendo alguns caboclos, ainda no final do século XIX, saídos dos sítios para ganhar as ruas dos vilarejos e mesmos as cidades da região. Esses caboclos solitários originaram os Maracatus de Baque Solto. Foram se juntando, passaram a andar em grupo, acompanhados por uma pequena orquestra formada por três instrumentos (poica, bombo e caixa). Mais tarde vieram o mineiro e os instrumentos de som. Como se uniram para sair e inventaram uma bandeira que os guiasse. E começaram a lembrar de uma dança circular em torno da bandeira e, passaram a andar em duas filas indianas, como as procissões católicas, nas festas das padroeiras e dos padroeiros das comunidades.

Deve ter sido assim o grupo que o Mestre Batista mencionou em entrevista ao Jornal do Commércio do Recife, o grupo que era liderado por seu avô. Foi assim que começou a saga do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, fundado em 1966 no terreiro do Sítio Chã de Camará. Nascido aqui perto, em Santa Luzia, o futuro Mestre Batista fez muitas mudanças em sua vida, mas antes disso, enquanto crescia deve ter visto seu avô organizar o maracatu, fazer as roupas dos caboclos, os primeiros chapéus, as primeiras golas e as arrumações. Assistiu seu tio organizar as brincadeiras de cavalo marinho, e aprendeu as loas, as danças, os personagens e suas histórias. Depois tudo isso veio o tempo em que viveu em Chã de Camará e, enquanto administrava o sítio, nos finais de semana as noites do sítio eram momentos de alegria e os moradores dançavam e assistiam, eram dançarinos e plateia. Foi assim que Batista foi se tornando o mestre, sendo conhecido como mestre, formando novos mestres e aperfeiçoando os modos de dançar que aprendera e estava transmitindo.

Em 1966 ele começou a sua Estrela, a Estrela de Ouro. E então começou uma nova fase dos Maracatus de Baque Solto. O maracatu do Mestre Batista ficou tão famoso como o seu Cavalo Marinho Já era famoso muito bem frequentado pela vizinhança que vinha para ouvir a voz de Biu Roque, a rabeca de Luiz Paixão e outros rabequeiros, que se tornaram famoso, como Manuel Salustiano. Os bailes de finais de semana eram momentos de lazer e de aprendizagem, ou de expor os sons que eram treinados ao longo da semana. Quando começou a desfilar no carnaval do Recife, o Maracatu Estrela de Ouro foi, durante anos seguidos, sob a batuta de Mestre Duda, campeão na Avenida. A beleza de sua apresentação animou a vários migrantes da Mata Norte a organizarem maracatus. Além disso, juntamente com outros mestres de Nazaré da Mata e Manuel Salustiano que se estabelecera em Olinda, fundou a Associação de Maracatus de Baque Solto de Nazaré da Mata, estabelecendo o compromisso de fazer desaparecer as brigas entre os maracatus. As sementes criadas na Chã de Camará cresceram e puseram suas raízes em outros espaços, expuseram suas cores, movimentos e canções, quando foi necessário adaptaram as apresentações, adequando-se aos novos ambientes, e, mantendo a dignidade de suas origens, foram reconhecidas como parte de um espaço cultural bem mais amplo. Os migrantes da Mata Norte conquistaram o Recife, tornaram-se símbolos de Pernambuco.

As inevitáveis migrações moldaram o Brasil. Os que migram nem sempre desejam efetivamente deixar suas pequenas pátrias, mas são o elemento básico para a formação da grande pátria, da grande nação cultural que é formada com o resultado das muitas culturas que estão em constante migração e permanente recriação.
Cinquenta anos de Maracatu Estrela de Ouro é, em verdade podem ser entendidos como 118 anos da tradição da Família Batista; ou seja, o percurso da República do povo brasileiro.

Mestre Antônio Teles, a rabeca de Condado

domingo, junho 21st, 2015

As criações culturais nascidas da criatividade de pessoas das camadas mais distantes dos centros de poder, quase sempre, são familiares. Quer dizer são pessoas da mesma família que produzem aquele tipo de cultura, aquela brincadeira, ou a dança, ou o jeito de cantar, ou jeito de tocar um ou vários instrumentos. Claro que sempre aparece o traço pessoal, o jeito demonstrar a sua individualidade. No universo dos matutos, dessa população da Zona da Mata Norte de Pernambuco, são várias as famílias que se tornaram famosas pela sequencia geracional da arte, como é o caso dos Salustiano – João, Manuel e seus filhos dedicados a fazer o toque da rabeca, o movimento dos pés no Cavalo Marinho, o andar dos caboclos. Mas hoje quero falar um pouco do pouco que sei dos Irmãos Teles – Antônio e Mariano, trabalhadores nos canaviais e artistas de seu povo.

Mariano Teles é o famoso Capitão do Cavalo Marinho da Chã de Camará, ou seja do Cavalo Marinho organizado e mantido pelo Mestre Batista, referendado pelos atuais mestres como o responsável por manter, no seu sítio, essa tradição que teria herdado do seu avô. No terreiro da Chã de Camará, próximo às Três Vendas, na embocadura do caminho que leva à Lagoa Seca, rebatizada por Mário Melo como Upatininga, e até à sua morte, o Mestre Batista era a fonte de informações para os mais jovens. Ali ele transmitia seus conhecimentos dançando o Cavalo Marinho, botando figuras e, com os meninos olhando, exibia o seu saber. E os jovens bebiam o que os mais velhos faziam, cantavam e dançavam. Entre os jovens estavam os irmãos Antônio e Mariano Teles.

Antônio abraçou a rebeca e especializou-se em tirar sons para acompanhar as danças do Cavalo Marinho e também tocar a sua rabeca nos bailes que aconteciam nos sítios, “no tempo em que havia sítios, galos e quintais”. Sentado no Banco do Cavalo Marinho, Antônio Teles fez fama e sua reputação como memória dessa brincadeira é grande. Mas seu jeito mais calado do que outros o manteve no instrumento e, no banco, aproveitou para decorar e aprofundar seu conhecimento na dança, nos textos do teatro que o povo dos sítios e, depois, das pontas de rua, gostava de ver e passar a noite. Foi esse conhecimento que Antônio Teles passou para a sua filha, Nice, que herdou o amor e cuidado com a tradição cultural. Antônio Teles admitiu que Nice sentasse no banco e tocasse e cantasse. Foi ela a primeira mulher a sentar no banco que era exclusividade masculina. Assim a família seguiria, como está a seguir, o caminho da preservação identitária da região. Esse carinho é faz crescer a importância da Família Teles no universo cultural da Mata Norte e do Estado de Pernambuco.

Antônio Teles foi também um organizador da religiosidade de seu povo. Um aspecto pouco conhecido, mas de grande importância.

Ao tomar conhecimento da morte de Antônio Teles veio-me à mente nosso primeiro contato, um tímido contato na sombra das jaqueiras da Chã de Camará. Nossas primeiras palavras e depois assistir e sorver o som de sua rabeca, para que as crianças dançassem alguns passos de Cavalo Marinho, as crianças da Escola Sebastiana Maria da Silva, do Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança. Em seguida tive o prazer de vê-lo ensinar a Ederlan Fábio os movimentos para arrancar o som da Rabeca. Outro momento com o Mestre Antônio Teles foi em uma viagem a Salvador, para uma apresentação. Fiz uma entrevista de meia hora, mas a fita cassete não quis vir comigo, ficou no quarto do hotel. Ficamos de nos encontrar mais uma vez, entretanto jamais pude refazer aquela conversa.
A nossa cultura recebeu o cuidado do Mestre Antônio Teles que nos deixa a herança com sua filha e netos, uma herança que muito frutifica. Nessas horas costumasse dizer que “a cultura ficou mais pobre”, mas como dizer que a saída de cena do Mestre Antônio Teles nos empobreceu se ele nos deixa a sua riqueza biológica e cultural em plena atividade? Sim, vamos nos sentir tristes, mas sabemos que Antônio Teles está conosco, com sua família que extrapola os limites do Condado, pois ele é um dos responsáveis por ser, a Dança Dramática do Cavalo Marinho uma marca da identidade pernambucana.
Que São Gonçalo do Amarante receba esse homem cujos pés não reclamaram das barrocas do terreiros, e o leve a Olorum, a Jesus e festejem com os Santos Reis do Oriente a alegria da repartição do boi. Amém! Axé!

A Lei do Cão ou a demência da 15.516

segunda-feira, junho 1st, 2015

Será um caso de esquizofrenia, demência ou falta de vergonha e mancômetro. Faz menos de uma semana que o governador do Estado transplantou parte de seu governo para o Engenho Cumbe, no município de Nazaré da Mata. Foi ali, com seu secretário de cultura para entregar um título que, os que se julgam donos do saber, dizem reconhecer que finalmente reconheciam o Maracatu debaque Solto e a dança/teatro Cavalo Marinho, passavam a ser Patrimônio da Cultura Imaterial de Pernambuco. Esses brinquedos, essas artes foram criadas pelos homens cortadores de cana, esses que cortam a cana para os engenhos fornecerem essa matéria prima para as usinas da região.

Pois bem, dez dias depois que o governador do Estado fez uma discurseira sobre a importância das tradições populares na formação do ethos pernambucano; dez dias após o secretário de Cultura pronunciar palavras de respeito ao que os artistas populares , quer dizer: não ricos, criam e que é dever do Estado proteger essas manifestações do gênio pernambucano; uma dezena de dias após a presidente da Empetur bradar em alto e bom som que é função do Estado estimular tais manifestações culturais, o Sr. Governador do Estado sanciona uma lei, proposta por um deputado analfabeto funcional no quesito cultura pernambucana, que proíbe crianças até 14 anos de participarem de espetáculos públicos. Com esse parágrafo da lei, os ilustres deputados decretaram o fim das Tribos de Índios e das Tribos de Caboclinhos. Nem Herodes Antipas faria melhor com a cultura. Com isso também mataram as iniciativas de reviver o Pastoril, normalmente dançado e cantado por meninas nessa faixa etária. E então a Assembleia Legislativa de Pernambuco deu demonstração de sua ignorância sobre o que ocorre no criativo mundo cultural pernambucano. Ou então estão jogando contra o Estado.

Analfabetos funcionais nesse quesito, além do governador que assinou sem ler, parece, a baboseira que recebeu o nome de Lei 15,516, proibindo espetáculos públicos após as 22 horas, exceto aqueles que o governo estadual financia é toda a Assembleia e, de lambuja carregou o Conselho Estadual de Cultura que, presume-se, deva ter sido convocada para dar a sua opinião sobre o que lhe compete, pois para isso recebe jetons vitalícios. Como o governo estadual não financia sambadas, o governador proibiu as sam

Será um caso de esquizofrenia, demência ou falta de vergonha e mancômetro. Faz menos de uma semana que o governador do Estado transplantou parte de seu governo para o Engenho Cumbe, no município de Nazaré da Mata. Foi ali, com seu secretário de cultura para entregar um título que, os que se julgam donos do saber, dizem reconhecer que finalmente reconheciam o Maracatu debaque Solto e a dança/teatro Cavalo Marinho, passavam a ser Patrimônio da Cultura Imaterial de Pernambuco. Esses brinquedos, essas artes foram criadas pelos homens cortadores de cana, esses que cortam a cana para os engenhos fornecerem essa matéria prima para as usinas da região.

Pois bem, dez dias depois que o governador do Estado fez uma discurseira sobre a importância das tradições populares na formação do ethos pernambucano; dez dias após o secretário de Cultura pronunciar palavras de respeito ao que os artistas populares , quer dizer: não ricos, criam e que é dever do Estado proteger essas manifestações do gênio pernambucano; uma dezena de dias após a presidente da Empetur bradar em alto e bom som que é função do Estado estimular tais manifestações culturais, o Sr. Governador do Estado sanciona uma lei, proposta por um deputado analfabeto funcional no quesito cultura pernambucana, que proíbe crianças até 14 anos de participarem de espetáculos públicos. Com esse parágrafo da lei, os ilustres deputados decretaram o fim das Tribos de Índios e das Tribos de Caboclinhos. Nem Herodes Antipas faria melhor com a cultura. Com isso também mataram as iniciativas de reviver o Pastoril, normalmente dançado e cantado por meninas nessa faixa etária. E então a Assembleia Legislativa de Pernambuco deu demonstração de sua ignorância sobre o que ocorre no criativo mundo cultural pernambucano. Ou então estão jogando contra o Estado.

Analfabetos funcionais nesse quesito, além do governador que assinou sem ler, parece, a baboseira que recebeu o nome de Lei 15,516, proibindo espetáculos públicos após as 22 horas, exceto aqueles que o governo estadual financia é toda a Assembleia e, de lambuja carregou o Conselho Estadual de Cultura que, presume-se, deva ter sido convocada para dar a sua opinião sobre o que lhe compete, pois para isso recebe jetons vitalícios. Como o governo estadual não financia sambadas, o governador proibiu as sambadas, momentos de agregação, socialização e preparação sistemática para o grande desfile que encanta os turistas mas, que, parece, incomoda a quem expeliu esse projeto lei e a quem aceitou a desonra de assinar.

Essa lei, esse ataque esquizofrênico dos ‘senhores da cultura’ é ainda mais maléfica, se é que isso é possível. Ela proíbe que se venda livros, que se venda obras de cerâmica, de pintura, do artesanato, se o artista principal não for o autor da obra. Mas é em momentos como esses que o povo pode vender o que ele faz. O que ele faz não se vende nos shopigns frequentados pelos deputados. É nessas horas, nesses eventos populares que o artista popular tem seu mercado. Essa lei 15.516 é a lei da destruição da cultura pernambucana, é a Lei do Cão. Penso que Antônio Conselheiro assim a chamaria, como chamou aos impostos injustos que a recente República cobrava do povo pobre.
Rejeição total ao energúmeno que pariu tal lei; Rejeição total a essa Lei do Cão. Que todos os repentistas, que todos os Mestres de Maracatu improvisem contra essa barbarie, essa estupidez; que todos os Mestres de Cavalo chamem o governador, esse cabra de Empata Festa; que todos os Mestres de Capoeira vituperem contra essa insanidade; que os Mestres de Caboclinhos neguem a Jurema e o Mel a esses nossos destruidores.

QUE OS ANTROPÓLOGOS, HISTORIADORES, SOCIÓLOGOS, PROFESSORES DE DANÇA, DE POESIA, DE TEATRO, DE LITERATURA, PROFESSORES DE TODAS AS CIÊNCIAS, SAIAM DO CONFORTO DE SUAS UNIVERSIDADES, AUMENTEM SUAS VIAGENS DE ESTUDO PARA AS NOSSAS REGIÕES, SAIAM DE SEU CONFORTO E OCUPEM A NOSSA CULTURA, NÃO COMO OBJETO DE ESTUDO, MAS COMO SINAL DE NOSSA VIDA.

Severino Vicente da Silva Biu Vicente

Esse povo quer biblioteca, não depósito de livros

quinta-feira, fevereiro 12th, 2015

Lembro ter conhecido Tracunhaém pelo livro de História do Brasil, escrito por Armando Souto Maior, publicado pela Editora Nacional e, que por muitos anos foi o livro texto nas escolas de todo o Brasil. Naquele livro soube da Liga de Tracunhaém, uma ação de senhores de engenhos contrários à emancipação do Recife. Não deu em nada, pois a traição levou os conspiradores para a prisão na Metrópole, o que também alterou pouco a sua situação social. Depois fiquei mais próximo de Tracunhaém quando organizei uma aula para futuras professoras, uma excursão ou, como se diz hoje, uma visita técnica. Fomos conhecer os ateliês, a arte cerâmica ali produzida. Como eram alunas de colégio afamado e que atendia – ainda atende – a classe de maior poder aquisitivo, a visita que seria de instrução quase virou uma viagem de compras. Serviu também para que as estudantes do pedagógico sentissem o aroma do vinhoto jogado nos rios e que auxiliou a tirar a vitalidade dos rios Tracunhaém e Siriji. No início do século XX Tracunhaém e as demais cidades da Mata Norte tornaram-se espaços para visitas quase permanentes, local de estudo e redescoberta, pessoal, da vitalidade cultural daquele povo que sobreviveu ao ‘cambão’, redescobri o local e a paisagem cultural de meus antepassados. Dessas viagens e estudos nasceram alguns livros, escrito, programas de rádio e novos conhecimentos que me foram dados pelos mestres da cultura popular, sendo Deca Emiliano, um dos fundadores do Bloco Carnavalesco Caravana Andaluza, um dos meus orientadores para compreender o universo cultural de minha parentela. Em uma dessas viagens fiz-me acompanhar de minha mãe.

Deca Emiliano e a Andaluza pediram-me para escrever um resumo do percurso vivido pelo Bloco Andaluza. Fiz algumas entrevistas, algumas fotos e aprendi muito e agucei a minha imaginação vendo os protagonistas de uma história que não comparece nos livros didáticos, embora seja ela a mais profunda história do Brasil. Na companhia de negros, mestiços fui conhecer os locais da vida de seus pais, avós, bisavós, encontro um Baobá, uma capela dedicada a São Bernardo em uma propriedade que teria sido de Brandônio ou Brandão.

Um dos objetivos do Andaluza é fazer uma biblioteca. Gosto muito quando gente que não tem livro em casa pensa em ter uma biblioteca na sua rua. Mas descubro, em uma casa, apertada por prédios que quase não a deixam respirar, na praça principal da cidade uma biblioteca. Aliás, as casas das cidades da Zona da Mata não podem respirar, estão uma colada a outra, sem janelas. O uso da terra para o plantio da cana deixa pouco espaço para os viventes Fotografo de fora, e entro para verificar que há uma sala com três mesas e oito cadeiras para leituras e estantes, apertadas contra as paredes, em um corredor que termina em outra sala com mais estantes e mais um quarto com mais estantes. Todas com livros, classificados de acordo com o interesse imediato, sem qualquer consideração às técnicas da organização das informações. Mas como tem obras interessantes! Obras completas de Machado de Assis, Jorge Amado,  Joaquim Nabuco, Eça de Queiroz, duas enciclopédias Delta e uma Britânica, literatura latino americana, Celso Furtado, e tantos outros. Cito de memória, não fiz anotações, mas lá está a História Geral da África.  A Biblioteca Rui Barbosa é responsabilidade da Secretaria de Educação do Município. Mas carece dar alguma informação e, talvez, educação aos dirigentes da educação desses municípios. é necessário que os espaços das escolas, das bibliotecas sejam agradáveis e convidativos e que os responsáveis pelas bibliotecas sejam mais informados e convencidos da sua importância social. Se os espaços que preservam e transmitem a cultura não são tratados com respeito e importância, as crianças, os jovens e adultos não os frequentarão.

Quase assim são as bibliotecas de Aliança, Nazaré da Mata, Goiana, Vicência; e creio que sejam, também, assim nas demais cidades da região. Os livros foram doados, em sua maioria, por pessoas, creio que, que precisavam liberar alguns espaços e, como os principais usuários dessas bibliotecas são alunos das escolas do município, eles lucram bastante pelas enciclopédias e obras clássicas da literatura e da história (há livros de Joaquim Nabuco e Capistrano de Abreu), mas ressentem de uma atualização de títulos. Carecem, também de mais espaços para leitura, para a guarda dos livros e para as novas atividades que se esperam das bibliotecas.

A situação das bibliotecas da Zona da Mata é uma demonstração dos males de uma sociedade com tão profundas raízes na escravidão, que continua escravizando por não facilitar que eles, os protagonistas da história, tenham acesso ao conhecimento.

Quase assim são as bibliotecas de Aliança, Nazaré da Mata, Goiana, Vicência; e creio que sejam, também, assim nas demais cidades da região. Os livros foram doados, em sua maioria, por pessoas, creio que, que precisavam liberar alguns espaços e, como os principais usuários dessas bibliotecas são alunos das escolas do município, eles lucram bastante pelas enciclopédias e obras clássicas da literatura e da história (há livros de Joaquim Nabuco e Capistrano de Abreu), mas ressentem de uma atualização de títulos. Carecem, também de mais espaços para leitura, para a guarda dos livros e para as novas atividades que se esperam das bibliotecas.

A situação das bibliotecas da Zona da Mata é uma demonstração dos males de uma sociedade com tão profundas raízes na escravidão, que continua escravizando por não facilitar que eles, os protagonistas da história, tenham acesso ao conhecimento.

 

Biu Vicente

Senhora Conceição, cultura da Mata Norte é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

domingo, dezembro 7th, 2014

 

Dezembro avança com poucas chuvas e muitas festas, como as que os católicos realizam em honra da mãe de Jesus. A tradição que admite a concepção sem pecado é muito antiga, bem mais antiga do que essa Igreja em seu louvor, construída, em 1887, quase no centro histórico de Goiana. Interessante é que, construída em plena chegada da indústria em Goiana, o templo foi construído seguindo o modelo barroco.

Embora presente na tradição desde o século  II, apenas no século XIX, 1854, é que veio a ser definido como dogma, o nascimento imaculado da Mãe de Jesus. Era o tempo de contrapor o mistério da fé ao secularismo prático dos tempos incertos da Revolução Industrial, da Unificação italiana.  A fé está sempre em diálogo com o mundo, pois diálogo não significa redução do outro ao mesmo, mas, o reconhecimento das diferenças sem desejar destrói-las.  Devoção romanizadora, a Conceição substituiu, substitui ou fez diminuir a devoção à Senhora do Rosário – a dos Homens Pretos e a dos Homens Brancos. Muitos foram os “filhos do Ventre Livre” amadrinhados por Nossa Senhora da Conceição. A mãe de meu pai era Florinda da Conceição e ele era seu afilhado de batismo.

Muitas são as Marias da Conceição, ou Conceptas, de acordo com a classe social. Em samba canção famoso, de autoria de Jair Amorim e Dunga, Cauby Peixoto lamenta  que Conceição desceu do morro pensando em subir na vida e, depois de muitas andanças no asfalto da cidade, sonha em voltar a ser Conceição.

No Recife, a Nossa Senhora da Conceição do Morro, também conhecida como Nossa Senhora do Morro da Conceição, passou a ser reconhecida como Padroeira da Cidade, a despeito  de Santo Antonio, Sargento protetor da cidade desde os tempo da colonização portuguesa e, também a despeito de Nossa Senhora do Carmo, também protetora da cidade, a pedido do comércio modernizado na segunda metade do século XIX e início do século XX. A Virgem da Conceição virou a Santa dos pobres dos morros do Recife, morros que foram habitados pelos “bestializados” no processo da República comandada, em Pernambuco pelos senhores das terras, dos engenhos, das usinas. E ao longo do século XX, A Conceição foi sendo, também, Iemanjá. Tangidos pelas estiagens e pelas modernizações conservadores, os trabalhadores da cana desceram da Zona da Mata Norte e foram fazer companhia aos retirados dos mangues e dos mocambos, pela política de higienização e pela exploração. Ali, ao longo do século XX, encontram-se as criações dos trabalhadores rurais e urbanos. Os senhores que viviam nos sobrados e nas casas senhoriais, governavam Pernambuco e definiam o que era ou não cultura. Com certo cuidado, eles conviviam com o Maracatu Nação, herdeiro das procissões da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e, com auxílio de antropóloga americana, não foi muito difícil acatar o Maracatu de Baque Virado como expressão cultural. A mesma antropóloga, contudo, não conseguiu vislumbrar o que está no movimento do maracatu rural, a ponto de lamentar a sua presença no carnaval do Recife. Ainda nos anos de 1990, editores do Jornal do Commercio denunciavam o “cheiro de urina” deixado pelos caboclos de lança e “o brilho falso das lantejoulas”. Mas os “bestializados” da Zona da Mata Norte organizaram-se na Associação dos Maracatus de Baque Solto, sob a liderança de Mestre Batista, do Mestre Salustiano e do Mestre Biu Hermenegildo, e continuaram a conquista das ruas e das cidades. No final dos anos 90  o Diário de Pernambuco já diz “uma das mais belas representações de nossa cultura é feita de homens simples e resistentes  e mulheres fortes e com coragem invejável, espalhados pelos 87 maracatus de baque solto de Pernambuco”. A primeira década do século XXI foi marcada por publicações sobre o as tradições culturais da Mata Norte:  “Maracatu Rural, o espetáculo como espaço social” (Ana Valéria Vicente); “João Manoel e Maciel Salustiano, três gerações de artistas populares recriando os brinquedos de Pernambuco (Mariana Cunha Mesquita do Nascimento) “Festa de Caboclo”, “Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, a saga de uma tradição” (Severino Vicente da Silva) foram postos a público em 2005, e também “a mulher no maracatu rural” (Tamar Alessandra Thalez Vasconcelos), em 2012. Outros estudos acadêmicos foram e continuam sendo realizados sobre a criatividade da população cortadora de cana da Mata Norte.

Ao final da Olimpíadas de Londres, o Caboclo de lança foi apresentado ao mundo como símbolo do Brasil e neste 3 de dezembro foi estabelecido que o Maracatu de Baque Virado, o Maracatu de Baque Solto e o Cavalo Marinho, todos filhos da criatividade dos povos da Mata, passa a ser, oficialmente, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Só temos que agradecer a nossa Madrinha, Senhora da Conceição, também louvada como Iemanjá.

ps. Todos os livros citados foram publicados pela Editora Associação Reviva. Olinda, PE

Festival Canavial e Dom Hélder Câmara

sábado, novembro 15th, 2014

 

O Direito de Celebrar

 

Manhã do dia 15 de novembro 2014. Sem grande participação popular, a República do Brasil começou a 115 anos. Um grupo de soldados, bacharéis e jornalistas afastaram a monarquia e desejaram construir uma nova maneira de gerir os interesses públicos. Mas desde logo se observou que parte do povo brasileiro ficou assistindo como besta e, depois, continuou sendo bestializado. Trabalhador construtor de riquezas, homens e mulheres continuaram a viver seus afazeres, particulares e públicos, com as dificuldades de sempre. Desde ontem estou em Nazaré da Mata participando do 8° Festival Canavial, que teve seu início humilde nas Festas de Terreiros, realizadas no Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança, uma festa mensal que punha o desafio para alguns rapazes e moças do entorno da Chã de Camará: treinarem a produção de um evento. Era a recuperação de uma tradição: o povo fazer a sua própria festa, em um momento em que as administrações federais, estaduais e municipais teimavam em desconhecer as criações artísticas dos trabalhadores rurais e urbanos da República. Os organizadores da Festa de Terreiros entendiam que a arte, a educação artística, é um caminho para a cidadania. Coquistas, Repentistas, bailarinos de Cavalo Marinho, Cirandeiros, Maracatuzeiros, Forrozeiros, Guerreiros, Sanfoneiros, eram os convidados para cantar e dançar com os trabalhadores dos canaviais da Mata Norte de Pernambuco. Aqueles que foram bestializados apresentavam-se para que eles mesmos conhecem-se as belezas que construíram nos cem anos, que literato chamava de solidão, mas eram, simultaneamente de criação, afirmação de sua maneira de ver, entender e recriar o  mundo. Nesses oito anos, o Festival Canavial vem se ampliando e já ultrapassou os limites da Mata Norte, com presença nas litorâneas Olinda e Ipojuca, e na agrestina Limoeiro. Interessante é que onde chega o Festival Canavial não encontra espaço vazio, mas chega para alimentar o fogo da vida que pulsa naquelas cidades, uma vida periférica que acolhe o festival que auxilia a troca de experiências dos criadores da cultura brasileira com as suas especificidades locais.

Nesta manhã que celebramos o advento da República, vejo como o rio da cultura popular vem se alastrando no exercício da cidadania. Nossa República tem sido bastante acossada por hábitos oligárquicos de mandonismo, que nos fizeram viver vários momentos de governos ditatoriais. O mais recente findou em 1985 e, desde então vivemos o mais longo período de vida democrática em nossa sociedade. Alvísseras e gritos de alegrias por esse período que desejamos uma maior duração. E, é necessário que compreendamos como ele foi construído, esse período tem longa gestação, que é a gestação de nossa cidadania, a criação e conquistas de nossos direitos. Ninguém pode arvorar-se a dizer que ‘fiz isso e fiz aquilo’, ‘eu dei tais e tais direitos’. Os que assim agem denunciam o seu ranço de dominador, escravizador de homens e mulheres. O que temos hoje em nossa República tem sido resultado do trabalhos, dos sofrimentos, do anseios, das esperanças dos bestializados que, vez por outra encontra alguém a simbolizar essa luta. Zumbi dos Palmares, oculto dos brasileiros durante três séculos, hoje simboliza as lutas e as conquistas que fazem de nós um povo livre e que luta contra os diferentes tipos de amebas políticos que os rondam. Ontem, recebi uma notícia que tem relação enorme com o que estou vivendo aqui neste 8º Festival Canavial. Amigos me informaram que, parece, Dom Hélder Câmara foi definido em lei como Patrono dos Direitos Humanos no Brasil. Rapidamente a memória levou-me para o já longínquo ano de 1967, quando escutei Dom Hèlder conversar sobre Mahatama Gandhi e Martin Luther King. Vivíamos sob o duro tacão da ditadura imposta por civis e militares ao povo brasileiro. Era a ditadura que eu conheci, Dom Hélder falava de outras que ele conhecera, especialmente a que terminara em 1945. Foi durante aquela ditadura comandada por Getúlio Vargas que ele começou a experimentar a transição da tentação totalitária para a vida democrática. Creio que a sua experiência com os jovens da Ação Católica deu-lhe a compreensão dos limites que eram impostos ao povo brasileiro, com o intuito de mantê-lo sempre bestializado. Como bispo auxiliar do Rio de Janeiro iniciou o processo de garantia do direito à moradia decente para os favelados. Foi o Drama da Habitação Popular que o apaixonou e que deu início ao ódio que lhe dedicaram os exploradores e fabricantes de marionetes. Dalí para sonhar com a ações encaminhadoras da cidadania foi um passo acertado. Vieram a SUDENE  e a SUDAN, depois desencaminhadas de seus objetivos iniciais para garantir o prazer do lucro aos que sempre lucraram com a bestialização do povo. Assisti Dom Hélder iniciar a Pressão Moral Libertadora, uma rota de não violência para fortalecer os que agiam para superar a destruição do homem. “Nordeste, o Homem proibido” foi, salvo engano, o primeiro documento a afrontar os ditadores  ao clamar contra a destruição dos homens e mulheres pela exploração desenfreada que não  lhes permitia iniciar a jornada para estabelecer no Brasil o que foi definido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela ONU em 1948. Foi a defesa dos Direitos Humanos que tanto incomodou coronéis, generais, de farda indústria ou terras. O Estabelecimento da primeira Comissão de Justiça e Paz, na Arquidiocese de Olinda e Recife é um marco na história do Brasil, na história da superação da bestialização a que vem sendo submetida parte da sociedade brasileira.

Entendo o Festival Canavial, como muitos outros semelhantes a ele que são organizados neste país, afora e adentro, neste início do século XXI, como o início do alcance da liberdade de criar a arte e de poder expressá-la para si e para os seus. Todos esses festivais que nos expressam, que expõem a nossa cultura são resultados da luta pelos Direitos Humanos.

Nesta manhã republicana, nesta semana da celebramos a necessidade de assumirmos que somos negros, índios, mestiços, caboclos, evangélicos, católicos, brancos, xangozeiros, candomblecistas, macumbeiros, catimbozeiros, matutos, caipiras, e tantas outras identidades que nos faz belos brasileiros, belos seres humanos.

 

Severino Vicente da Silva – Biu Vicente