Posts Tagged ‘História da Igreja’

Entre o Tibre e o Capibaribe – 2ª ediçao

quarta-feira, março 4th, 2015

Caros amigos,
Nesta semana a Editora Universitária da UFPE, juntamente com a Editora da Associação Reviva colocam à disposição a segunda edição do livro ENTRE O TIBRE E O CAPIBARIBE: OS LIMITES DO PROGRESSISMO CATÓLICO NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE, que é um estudo sobre a Arquidiocese de Olinda e Recife a respeito do grau de adesão das ideias e práticas do chamado catolicismo progressistas e de suas impossibilidades. Esta segunda edição sofreu algumas modificações, com a introdução de pequenas novas informações, análises e dados.
O livro está sendo vendido a R$30.00 nas livrarias. Você pode adquirir seu exemplar na Editora Universitária ou em suas lojas, bem como solicitar através da Livraria Cultura. Se for o caso, pode entrar em contato no site da Editora Reviva – http://associacaoreviva.org.br/site/

Memórias do ITER e de um prédio

terça-feira, agosto 26th, 2014

 Algumas memórias de um tempo quente

Severino Vicente da Silva

 

O que ocorre com agosto? A cada ano o mês parece trazer novidades para o que parece ser sua sina: tempo de acontecimentos e experiências pouco agradáveis à lembrança. Desde a fatídica Noite de São Bartolomeu, no século XVII, massacre físico de um grupo que intendia dominar a França e foi interceptado pela força astuciosa de Catarina de Médicis na defesa do trono francês para seus filhos, até o início de agosto de 1945, na explosão das bombas atômicas que puseram fim a uma época que insiste em permanecer: a época das modernas e permanentes verdades, sejam elas religiosas ou científicas. O mês que Augusto criou para sua exaltação como a realização da felicidade da Paz Romana vem se tornando a época dos desastres promovidos pelos aprendizes de feiticeiros, que desejam ser senhores da história. Mas esse peso que carrega agosto pode ser mais uma maneira religiosa de ler os acontecimentos, mas de tão repetida pelas gerações, talvez desde tempos imemoriais.

No mesmo dia, 25 de agosto, que recebi informação sobre missa que “celebra os 15 anos da páscoa definitiva de Dom Hélder Câmara” ocorreu o incêndio em prédio que pertence à Arquidiocese de Olinda e Recife, onde estava funcionando  o Pró-Criança, atividade da mesma arquidiocese, criada pelo arcebispo emérito Dom José Cardoso, sucessor de Dom Hélder.  O mês de agosto não pode ser descrito de maneira negativa na vida de Dom Hélder pois nele ocorreu a sua ordenação sacerdotal e, como disse a correspondência de Normandia, foi a sua Páscoa. Mas o prédio que sofreu incêndio neste 25 de agosto, como o Pavão Misterioso “tem muitas histórias prá contar”. As casas, os edifícios são carregados de história e de significados. Foram imaginados pelos homens, construídos intencionalmente para algumas atividades. E eles cumprem essa tarefa de maneira a cada tempo de sua existência. Vamos conversar um pouco sobre o que eu sei da história do prédio situado na Rua dos Coelhos, que durante algum tempo ficou conhecido como o prédio do ITER.

No início do século XX os comerciantes do Recife, especialmente os das Ruas Barão de São Borja e da Imperatriz sentiam-se pressionados pelo número de pedintes que “atrapalhavam” a sua atividade. A modernização trazia consigo o crescimento desordenado da cidade e um dos caminhos para socorrer os que não são incluídos positivamente, mas apenas enquanto forem saudáveis trabalhadores, é a caridade, entendida como adjutório. Nesse contexto surgem padres que procuram atender as demandas sociais e espirituais da sociedade, como o Padre Machado, o Padre Félix e o Padre José Venâncio de Melo. O padre Machado dedicou-se no serviço educacional dos jovens, especialmente os que viviam na área portuária. O padre Félix na organização de escolas de ensino secundário e médio. Já o padre Venâncio estava mais voltado à assistência dos que viviam em torno do Hospital Pedro II e da rodoviária que então estava na propriedade dos Coelhos. Era presidente Companhia de Caridade. Conseguiu terreno e construiu prédio inaugurado, em 1918, que servia de hospício aos que iam ao hospital ou estavam de passagem na capital. Também organizou uma cozinha que preparava almoço para os pobres, usando as esmolas conseguidas no comércio. Assim, quando um desses pobres chegavam no comércio em busca de dinheiro para alimentação, os comerciantes os mandavam para a casa do Padre Venâncio, esta que o fogo derrubou parte de suas estruturas no dia 25 de agosto deste 2014. Nos anos cinquenta a cidade cresceu e renovou-se em torno da Avenida Guararapes e da Avenida Conde da Boa Vista, a rodoviária é levada para a proximidade da Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José e o Hospital Pedro II inicia o processo de declínio que levará aos encerramento de suas atividades. O bairro dos Coelhos é esquecido dos grandes acontecimentos sociais.

Entretanto o prédio passou a ter outras ocupações. Era um tempo de renovação da pastoral de igreja, de nova Ação Católica e o hospício, casa de refrigério para os viajantes passou a receber jovens da Juventude Operária Católica – JOC e dos outros ramos da Ação Católica. A casa do padre Venâncio já esquecera seu fundador, pois cada geração, parece querer ser a primeira. Duas décadas a casa acolheu jovens de todo o Brasil e, talvez devamos pesquisar para lembrar quais os Assistentes eclesiásticos da JAC, JEC. JUC que mantiveram encontros de oração e trabalho naquela casa. Mas então veio 1964 e o choque entre os jovens católicos e a hierarquia. Aos poucos o prédio foi esvaziando, mantendo-se vivo porque antigos jocistas e jucistas estabeleceram no térreo um Centro de Trabalho e Educação. O século XX assistiu e foi tempo de grandes transformações que tomam seu quase exato tamanho com o passar do tempo que engole as experiências como que para melhor entender o que esteve acontecendo. Faltamos uma reflexão do padre Sena, talvez um descrição daquele tempo, ou de Almery. Esses silêncios é que fazem os mais novos pensarem que estão a iniciar a história.

E foi em 1968, quando ocorreu um desquite entre a Juventude Católica e a Igreja Católica, que foi fundado o Instituto de Teologia do Recife – ITER, o quase ainda não estudado ano de 1968, nas dioceses e paróquias católicas. Inicialmente funcionando no primeiro andar da Universidade Católica de Pernambuco, no ano seguinte já na Faculdade de Filosofia do Recife – FAFIRE; em 1971 mudou para o Juvenato Dom Vital, na Rua do Giriquiti, mesmo prédio onde funcionavam a Chancelaria da Arquidiocese e o Secretariado da CNBB – NE, finalmente, em 1978 o ITER foi para o prédio construído pelo padre Venâncio. É quando comecei a ministrar aulas de História Geral da Igreja. Os jovens estudantes de filosofia e teologia passaram a ser parte da dinâmica do velho bairro. Um quase rejuvenescimento, com esses jovens chegando a cada manhã. A biblioteca ocupou o térreo, uma rica biblioteca que teve Eduardo Hoornaert como guardião quando o Seminário Regional do Nordeste esteve em Olinda e Camaragibe. Muitas tardes fiquei naquele espaço lendo e estudando para entender o percurso da Igreja Militante. O ITER foi local de muitas experiências e reflexões. Instituto de formação para de presbíteros e agentes pastorais leigos, Aos sábados o prédio continuava recebendo estudantes em um curso de teologia mais voltado para agentes pastorais que atuavam nas paróquias e não podiam assistir as aulas durante a semana. E havia mulheres consagradas ensinando teologia e teólogos cristãos não católicos ministrando e recebendo aulas. E vieram estudantes e professores do Rio Grande do Sul, dos estados do Nordeste e do Norte do Brasil, do Sudeste. E vieram da Alemanha, da Holanda, da França, dos Estados Unidos. E havia muitos debates. E muitas contradições. Recebemos pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos. Foi de uma riqueza enorme para os que participaram do ITER. E, claro, os ventos que sopraram no imediato pós Vaticano II foram sendo dispersos no pontificado de João Paulo II, como a fazer cumprir a profecia de Paulo VI ao comparar as vagas da história com as ondas do mar.

Várias visitas apostólicas indicavam que o tempo da experiência estava sendo esgotado e, como disse um sábio jesuíta, voltava a “velha disciplina”. Na sala da Diretoria do ITER compreendi o que significa essa expressão em uma reunião com o Conselho Superior do Centro Nordestino de Pastoral – CENEPAL, para a escolha da diretoria do ITER após a aposentadoria de Dom Hélder Câmara, no comportamento de submissão ao novo Arcebispo e, foi graças ao apego à letra da lei que o padre Cláudio Sartori e eu fomos mantidos na direção do ITER.

Em 1989 veio a resposta a perguntas saídas das reuniões episcopais; eram perguntas que não seriam feitas, e não foram, em outros tempos. A resposta foi o encerramento das atividades do Instituto de Teologia do Recife que prestou grande serviço à Igreja formando 21 anos quase duzentos presbíteros para servir nas dioceses do Norte e Nordeste, além de fornecer pessoas qualificadas para as diversas pastorais e instituições da sociedade. Foram momentos difíceis, especialmente para os diretores naquele momento. Dói demasiado, para quem vive do magistério, fechar uma escola. Dói muito ter que controlar a dor de jovens insatisfeitos e desejosos de mudanças verem ruir seus sonhos, bater na parede do tempo, envelhecer em minutos sem compreender o que está ocorrendo. Ainda hoje carrego a dor de juntar professores e alunos para convencê-los que nada adiantaria lutar, fazer protestos, caminhadas. Roma havia falado, e a obediência era pedida. Como doeu aquela manhã, aquele vento frio que queimava as nossas entranhas. Foi um sofrimento que durou anos e ainda dói.

Depois foi arrumar o final do semestre enquanto as dioceses e congregações encontravam um meio de diminuir as perdas. No final do ano a celebração de despedida no auditório que havia sido reconstruído poucos meses antes. Vários bispos lamentando a resposta às suas perguntas à Santa Sé. Depois que todos falaram os alunos pediram que eu dissesse algo. Talvez fosse melhor não dizer o que todos ali sabiam. Eu vivi o ITER desde 1969, de aluno a Vice-diretor. Não esqueço as palavras que disse, mas não as repetirei aqui, como dizia Dom Hélder, fica como um segredo entre nós, nós os que estavam naquela última missa do ITER.

A biblioteca foi partida: uma parte para Seminário de João Pessoa e outra para o Seminário de Olinda. Não fui convidado a participar de nenhuma dessa nova etapa na formação de sacerdotes, por isso chego a ter remorso de não ter ficado com nada como espólio, só a saudade e a fé que independe do ordinário que esteja à frente da diocese, paróquia ou capela. Padre Diomar Lopes uma vez disse que ‘invejava’ a fé de sua mãe, pois ela o ensinara que Deus é maior que a Igreja. Assim também aprendi com minha mãe, com padre José Comblin, com padre René Guerre, Com Irmã Ivone Gebara, com Irmã Valéria Rezende, com o padre Eduardo Hoornaert, com padre Lourenço Mullemberg, com o irmão Michel Bergman, com o padre Yves Morpeaux, e muitos outros que dedicaram-se aos estudantes do ITER.

As chamas que neste mês de agosto de 2014 destruíram os objetos do Pró-Criança, programa criado por Dom José Cardoso que encontrou novos modos de dar continuidade ao uso do prédio criado pelo Padre Venâncio. Estive naquele prédio para atender vários organismo não governamentais que queriam saber como foi a história antes deles se organizarem. Hoje vi parte do prédio interditado pois uma parte dele deverá ser derrubada, exatamente o lado onde estava a biblioteca do ITER, no térreo e as salas de aulas nos andares superiores.

O ITER está presente no Acre, onde alguns de nós estão envolvidos na administração pública, na política e também na Igreja; o ITER está presente em Santarém, PA; o ITER está presente no episcopado nacional; está presente no CIMI; em várias dioceses na Bahia, em Sergipe, em Alagoas, na Paraíba, na Câmara dos Deputados, o ITER está presente em comunidades luteranas no Rio Grande do Sul e em muitas universidades e faculdades em cidades de porte médio e grande.  Como disse Dom Hélder uma vez quando de sua visita em 1983: iter é caminho.

Festas marianas e as festas das mulheres

segunda-feira, maio 12th, 2014

Festas marianas e as festas das mulheres

Severino Vicente da Silva

Maio de 2014 já superou o dia dedicado às mães, nesse mundo de amores de datas marcadas no calendário das associações de comércio varejista. Tem-se uma medida dos amores relacionada com os relatórios de vendas. Vejamos como será o dia dos namorados, logo ali, no mês que segue a maio. Ao menos aqui nesta parte do mundo em que Santo Antonio cuida de substituir São Valentin. Mas os nomes dos santos tendem a desaparecer, quase são apenas vestígios; assim maio já não é mais mencionado como “mês das noivas”, tempo em que eram celebrados os casamentos, tempo próprio na primavera do Hemisfério Norte. Hoje os casamentos são mais comuns nos meses do recebimento dos salários extras, dos dividendos. As festas são caras. Mas os mais pobres continuam a colecionar dádivas de suas patroas para a formação do enxoval. Casamento continua sendo, para os mais pobres, a possibilidade de vencer as dificuldades das suas vidas, obrigados a seguirem os conceitos morais e sociais sem, contudo, terem condições de promover a festa que socializa o compromisso. Mas esse compromisso, como escreveu o poeta, tem a eternidade do tempo possível para quem possui pouco controle sobre a sua existência.

O mês de maio começa com o dia de louvação ao trabalhador. Não parece ser mais o mês de Maria, que ao final do mês costumava ser coroada rainha. Não mais se vive no tempo das monarquias. Maria, embora continue Rainha, é mais a Companheira das caminhadas, é a Maria que carrega as marcas de ser mulher: às vezes enaltecida por sua obediência e, também por sua capacidade de colaborar com os planos divinos e humanos. A extensão e o significado dessa colaboração também têm sido entendidos de novas maneiras. Ao final do mês de Maio, quando ocorre a coroação da Rainha dos Anjos, é também a festa da mulher que visita a prima Isabel, também grávida. A Rainha vai servir à prima, trabalhar com e para prima, com o objetivo de diminuir as preocupações que acompanham o processo de renovação da vida. Essas visões que faziam de Maio o mês das mulheres, celebrações de uma época de hegemonia religiosa cristã (foi no século XIV que os franciscanos começaram a celebrar a Festa da Visitação), agora a mulher é homenageada, na sociedade que quer negar relações com a religião, no mês de Março. Inversão das festas, criação de novos significados para os símbolos permanentes, ou sua destruição pelo esquecimento. Poucos se lembram de que a “pomba da paz” é a redução dos dons do Espírito Santo.

O mês de maio é uma oportunidade para refletir sobre as novas interpretações que são feitas das tradições; vivemos em uma sociedade que parece pretender tornar vestígio tradições religiosas que moldaram o nosso mundo cultural. Uma questão que se põe é se ainda seremos depois de destruir o que nos forma.

Março

domingo, março 16th, 2014

 

Março, em meados foi assassinado Júlio César que desejava permanecer no comando da República Romana até que ocorresse a sua morte. Assassinado por amigos, entre eles seu filho adotivo, sua vontade foi realizada, pois, após ele a República Romana deixou de existir, sendo o seu assassinato a prova definitiva de que aquela etapa da vida romana havia sido vencida. O governo de César apontava o governo dos césares. Março é um mês como outros, mas o pensamento mágico o liga a alguns acontecimentos que são tomados como prenúncio. Assim foi o 15 de março para César, assim foi 13 de março para Goulart. As vaias de março podem apenas significar as vaias de março para Dilma e não o retorno daquele que se recusou a ir. E é na segunda quinzena de março que termina um ciclo e inicia outro no calendário das religiões antigas

Em um desses março, foi escolhido um latino americano para assumir a liderança dos católicos e, parece que, desde então vem ocorrendo mudanças insuspeitadas e alento novo à Igreja Católica Romana. Nos anos da contracultura, período explosivo inicial de repúdio à Civilização Ocidental pelos ocidentais, a renovação da Igreja, ao menos na América Latina, decorreu da necessidade de defender politicamente os direitos humanos, resultados da criatividade ocidental, diante da barbárie que vinha sendo instalada desde a Guerra de 14 e quase cristalizada nos campos de concentração nazistas ou nos gullags soviéticos, cambdjanos e outros motivados pela leitura entusiasmada das utopias iluministas que reduzem alguns à servidão em nome de liberdades que, dizem, um há de chegar. Naquele momento os católicos animaram-se com a escolha de um padre originário de família camponesa, simples e gordo como se fora um avô que trazia novos caminhos e arejamentos. A Igreja renovou-se e, na América Latina ela tomou rumos políticos insuspeitados, pois a realidade no subcontinente era uma negação dos melhores sonhos da modernidade.   Daí a defesa dos Direitos Humanos, reconhecidos e alentados em uma declaração universal de 1948.

Mas os Direitos Humanos podem ser utilizados para defender os direitos de uma parcela em detrimento dos de outra parcela da humanidade quando apenas defendemos direitos em abstratos e sem considerar os fatos, a realidade objetiva, essa da fome de milhares de pessoas que não podem esperara próxima geração para saciar-se enquanto defensores dos direitos usam as palavras para defender seus interesses tribais. O papa que foi escolhido em meados de março de 2013 começou dizendo aos de sua tribo, especialmente aqueles com poderes efetivos, que mais que as argumentações valem os fatos da vida. Não tem validade argumentos usados por aqueles que enriquecem enquanto dizem fazer a defesa dos direitos dos pobres. Palavras devem vir acompanhadas por ações maiores que os interesses tribais, sejam elas sanguíneas, religiosas ou partidárias. Que bom que o mês de março pode nos trazer tantas novidades!

Neste março, mês de aniversários de meu pai, de irmãos, filha, netos e sobrinhos distantes, leio que a sobrinha Tatiana Nascimento recebeu mais um prêmio por seu trabalho como jornalista, escrevendo sobre o difícil caminho dos trabalhadores que constroem o Porto de Suape, em Pernambuco. Parabéns, Tati. Eu e meu irmão Doc estamos felizes.

Dois dias de novembro

sábado, novembro 23rd, 2013

 

Vinte e dois de novembro é data marcada definitivamente em minha vida, como os dias 23 de cada mês.  Esta última data lembra um bolerão cantado por Orlando Dias, nome artístico de José Adauto Michiles, cantor pernambucano que podemos dizer antecipador do “brega romântico”, tão presente em nosso cotidiano. Mas no dia 23 de cada mês foi para mim um tempo de devoção ostensiva ao Santíssimo Sacramento na Matriz da Boa Vista. Essas visitas, que foram físicas e constantes por vários anos, continuam mentalmente hoje, nos primeiros momentos do dia.

O dia 22 de novembro ficou marcado por conta do assassinato de John Kennedy, no ano de 1963, em um tempo vivido por mim no Seminário Nossa Senhora da Conceição, da Várzea.  Naquele lugar acompanhei o drama do confronto das potências, a crise dos mísseis russos a caminho de Cuba. A tensão e as informações, sempre simpáticas que recebi a respeito do presidente dos Estados Unidos, o tornaram um dos meus heróis no início de minha adolescência. “não perguntem o que o seu país pode fazer por vocês, mas perguntem o que vocês podem fazer por seu país”, é uma sentença que marcou minha relação com o mundo desde então.

A morte de Kennedy foi tão marcante quanto a morte do papa João XXIII, em junho do mesmo ano. Esses dois líderes viveram momentos especiais do século, especial quase confronto armado entre as potências. O João da Igreja não tinha armas além da força da tradição e o desejo de renovação, o que envolvia dúvidas; o João da América confrontava-se com Nikita soviético. Estes dois estavam cheio de certeza, as suas certezas, mas a Era das Certezas, embora não parecesse estava a se aproximar ao final. A Igreja de João, que confundira a certeza do Reino com a certeza dos reis, iria descobrir, temorosa, que o certo pode ser a dúvida.

O que foi assistido em 1962, navios navegando em direção a Cuba, uma ilha de certeza até os dias de hoje, observados por aviões. Seria o início do confronto direto dos possuidores das verdades certas, perguntava-se um mundo temoroso.   Acordo foi realizado por famoso telefone que ligava os dois líderes guerreiros. Dois anos depois o João XXIII sucumbiu à doença, o João Kennedy foi Assassinado, o Nikita foi afastado em 1964. O mundo continua a ser construído e as certezas foram perdendo estatura desde então.

Cinquenta anos depois, sabemos que o espírito guerreiro dos homens ainda não foi domado, nem individualmente nem coletivamente. Continuamos, a maioria de nós, a esperar que se faça algo por nós, ainda não aprofundamos suficientemente o espírito da cooperação sem o medo a nos dominar, e ele sempre nos domina enquanto quisermos impor nossas certezas aos que não estão do nosso lado. Ainda vivemos criando lados de certezas capazes de nos levar à morte, continuamos a expulsar o mundo das possibilidades amorosas.

 

As novidades de Francisco I

sábado, julho 27th, 2013

 

Uma semana está se completar com a presença do Papa Francisco I no Brasil. Após ouvir quase todos discursos e homilias ditos por ele já podemos saber que ele não trouxe nova doutrinas, confirmou as novidades permanentes. Diferentemente do que disseram alguns, os jovens não estão procurando “novos valores”, nem o Papa Francisco os trouxe. Fortaleceu os valores sempre ensinados pela Igreja Católica A novidade foi dizer claramente, sem subterfúgios, sem meias palavras. Afirmou os dogmas, fortaleceu a Tradição, confirmou a Doutrina Social, convocu à vida sacramental, apontou para a vivência pastoral e missionária, A tranqüilidade da vida na Fé dispensa a pompa sem rejeitar os instrumentos modernos de comunicação. E nem teve acanhamento de indicar uma tradição da religiosidade popular: ofertar ovos à Santa Clara para que o tempo clareasse. O Vaticano II, as verdades definidas pela Igreja podem ser vividas sem destruição da cultura popular , como os europeus renascentistas fizeram no século XVI, na Europa e nas Américas, e também nos século XIX e XX na África e Ásia. A experiência dos cristãos católicos Latino Americana, uma experiência de 500 anos de negação e redução, pode agora aumentar a capilaridade na Igreja, “com jeitinho” de quem sofreu perdas e renovou a universalidade católica na ausência do clero, mas sempre o respeitando cmo líder, embora às vezes, como disse o Papa Francisco I os membros do clero fossem mais apegados à sua carreira que aos fiéis a eles confiados.

Mas o cristianismo católico foi renovado nas dores das Reduções e  Senzalas, assim como tm sido renovado com uma nova reflexão teológica no final do século XX. /agora, quando começa o Terceiro Milênio, anunciado por João Paulo II, a América Latina mais uma vez, com todos os católicos e demais cristãos, auxiliar em novos mdos de viver a permanente Boa Nova e a Tradição