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AS GUERRAS , AS RELIGIÕES E AS PERDAS

terça-feira, abril 19th, 2022

As guerras, as religiões e as perdas.

Prof. Severino Vicente da Silva

Desde fevereiro os meios de comunicação estão a nos fornecer informações e comentários sobre o conflito que, no final daquele mês, tornou explícito o conflito entre a Federação Russa e o Ucrânia. Buscam explicações próximas e distantes para o conflito. Então muitos souberam que Kiev é anterior à Moscou, mas desde então os tártaros e outros povos dominaram a região, e entre um massacre e outro das populações, foi sendo formado o Império Russo e, depois, a União das Repúblicas Soviéticas que, dissolvida antes do século XXI começar, deu origem à Federação Russa. Ao mesmo tempo, várias repúblicas que formavam a URSS, recuperaram, ou conseguiram a independência. Entretanto, a nostalgia da unidade na diversidade socialista que parecia existir no tempo ‘centralismo democrático’, filho que se rebelara contra o Pai Czar, permaneceu. E tem a contenda cultural permanente entre o Ocidente e o Oriente, militarizada na Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN e o finado Pacto de Varsóvia, enterrado com os tijolos do Muro de Berlim. Continuando Viva, a OTAN é um pesadelo permanente para Vladmir Putin, agente da KGB e atual centro do poder na Federação Russa. Putin teme que seus vizinhos, antigos membros da URSS no tempo em que ele era um agente secreto que assistiu a queda do Muro. Aproveitando a inapetência democrática dos que governavam a Rússia nos anos subsequente à dissolução da segunda potência mundial, Eis que Putin aparece como o restaurador da Rússia e, sem surpresa é aceito como líder permanente, aquiescendo às múltiplas modificações no corpo da Constituição da Federação Russa. Putin tem contrato até 2036. Bem tendo iniciado a invasão da Ucrânia, apelidada de Operação Especial, desapareceram dos noticiários: a permanente imigração de povos africanos e árabes para a Europa; o conflito entre palestinos e israelenses; a guerra no Yemen; o governo do Taliban no Afeganistão; e outros ‘pequenos’ conflitos como a ação dos Jihadistas em Moçambique, a crise humanitária da Venezuela, os assassinatos de mulheres no mundo inteiro, etc. 

Não tem sido fácil a vida dos líderes religiosos que se levantam contra guerras nos dias atuais. Atualmente os líderes do catolicismo romano têm assumido posturas claras contra a guerra, e isso está causando tanto reboliço quanto a simpatia de Pio XII pela Alemanha hitlerista. Um bispo da Igreja Ortodoxa Católica admoestou o papa Francisco dizendo que não se pode colocar na via sacra russos e ucranianos para rezar juntos. O Patriarca Kiril da Igreja Ortodoxa Russa tornou apoio claro seu apoio às ações de Putin e, como ele, põe a responsabilidade no Ocidente. O Conselho Mundial das Igrejas deverá decidir até o final do ano se a Igreja Ortodoxa Russa continuará a fazer parte desse Conselho. As relações históricas que as religiões mantiveram com os governantes tornou um vício essa aproximação, de tal forma que os líderes devem trabalhar muito para que os seguidores de sua fé entendam o que realmente significa paz. O nacionalismo religioso é um caminho largo e asfaltado para as guerras, hoje como foram no passado. Mas é preciso estarmos atentos, vigilantes para não seguirmos pela fácil estrada das guerras como solução, pois elas são criadoras de novos problemas. Um deles é o vício de sangue para aplacar o medo provocando terror.

Outro debate que desapareceu desde fevereiro é a questão da natureza. Cuidar do clima, dizem os senhores da guerra, só depois de destruirmos o inimigo. Eles são o inimigo, mas não precisam ser destruídos, vamos tentar educa-los, mesmo que eles continuem matando.

Só para lembrar os cristãos: seu conceito melhora muito quando cuidam dos pobres, das viúvas, dos órfãos, dos desamparados, dos perseguidos. Perdem sempre quando se envolvem com guerras, ainda que ganhem.