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A formação

  

Estamos no início de julho e, não muito diferente das chuvas que caíram no solo da antiga capitania de Duarte Coelho, estamos sendo molhados, inundados com as informações de acontecimentos que estarrecem, como as cenas ocorridas em Pernambuco e Alagoas, nesse inverno de chuvas atípicas que tornaram públicas o resultado das ações típicas dos governantes que tomam o mundo como o seu quintal.

 

o grande ditador - photoescrita.wordpress.com

o grande ditador - photoescrita.wordpress.com

Na postagem anterior escrevi que Dunga e Maradona apresentaram um comportamento arrogante ao longo do período em que foram técnicos da seleção de futebol de seus países, e que eles aprenderam a comportar-se dessa forma por conta da observação e assimilação da maneiras de agir daqueles que governavam os seus povos enquanto eles cresciam como crianças e adolescentes. E se tiveram comportamentos semelhantes durante a Copa Mundial de Futebol Associado, sendo ambos mandados de volta aos seus terreiros na mesma fase, como se explica o comportamento diverso das torcidas brasileira e argentina quando da recepção dos ex-futuros campeões na África do Sul? Dunga e seus guerreiros chegando tarde da noite e desembarcando sob proteção policial enquanto Maradona e sua família eram recepcionadas aos gritos de viva, e quase ilimitada alegria confiante. Podem, e devem, ser dadas explicações diversas para a diferença das reações. Atrevo-me a dizer o que penso. Cresceram em ditaduras diferentes. Embora as ditaduras sejam bem semelhantes, elas e seus gerentes, possuem sua própria identidade. Será que alguém é capaz de encontrar, nos jornais da época, algum sorriso de Castelo Branco, Costa e Silva ou Geisel? É certo que Getúlio é um ditador de riso fácil – talvez zombando do jeito carioca que o levou ao suicídio – mas a quantidade de seu riso não supera o de Perón ou a graciosidade de Evita ou Isabelita. Além do mais, Videla conseguiu foi a “mão de deus” que garantiu a alegria do bicampeonato e todos los hermanos estavam felices por ter confrontado vitoriosamente a Inglaterra de Margareth. A cara séria e o cabelo “Jaquedemi” de Dunga lembra a carranca de Geisel, a incapacidade de dividir em público a dor dos seus “guerreiros”, saindo em silêncio para o túnel da História, assemelha-se ao comportamento de Figueiredo, o que desejou ser esquecido e não teve a coragem de entregar a faixa presidencial, pois sempre gostou mais dos cavalos que do povo brasileiro.

João Batista Figueiredo

João Batista Figueiredo

Já o comportamento de Maradona foi semelhante ao de Evita que, não escondeu sua doença e, ainda que nada mudasse na vida do povo pobre, acariciava cada um, sofrendo o seu sofrimento no sofrimento de todos. Ninguém vê em Dunga um amigo, todavia, Los Hermanos quierem Maradona como su Hermano. Marodona es Evita para El pueblo, Dunga evita o povo.

Evita e Juan Peron

Evita e Juan Peron

E por falar em ditaduras, onde anda o presidente do Brasil?

Teodoro Obiang, governa a Guiné Equatorial desde 1979 recebeu visita de Lula

Teodoro Obiang, governa a Guiné Equatorial desde 1979 recebeu visita de Lula

E por falar em levar  povo a sério, onde anda Gilmar Mendes e os “ficha suja”?

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2 comments to A formação

  • Geovanni Cabral

    Onde andam estes personagens da nossa História? Será que estão brincando de “esconde esconde”, ou escondendo nossos impostos em medidas e leis que não temos conhecimento. Enquanto as festas em torno da copa seguiam, os parlamentares estudavam futuros aumentos, pois andam com seus salários defasados. Mas silêncio o povo não pode saber, é festa, é o HEXA. Onde nada nosso presidente e o Congresso que ficam “brincando” em que projetos vão tentar aprovar. Sempre foi assim, en qualquer manisfesação desse porte as pessoas esquecem suas lutas e vão “bebermorar”, aos gritos e lágrimas.Foi a copa do rebolexon, das enchentes do Nordeste esquecida por muitos principalmente por politicos que recepcionavam seus amigos e familiares nas suas granjas e coberturas. Talvez com o pensamento, depois do jogo e da copa vamos ajuda-los. Mas diante das histórias de vida de Dunga e Maradona, se misturam a de uma sociedade que se veem solidárias e prontas para ajudar pessoas lesadas em seus direitos e esquecidas à propria sorte. Depois de domingo 11 de julho, vem Brasil 2014, estádios e cidades modernas farão parte deste cenário, de um país ainda sem educação de qualidade, saúde na UTI e povo esquecido. Vivendo no slogan “O brasileiro não perde a esperança”!!

  • ernani campelo

    Temos uma longa tradição de autoritarismo, tanbo a Argentina, quanto o Brasil. No entanto sabemos o que não somos e o que nunca vamos ser, ao contrário dos HERMANOS, que se acham europeizados e superiores ao resto da AMERICA LATRINA.

    Ernani, um abraço

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