Início do séc XXIa – Dia de Reis

Correu a primeira semana e, podemos dizer que foi um fecho formidável do diminuto século XXIa. Os acontecimentos em Washington, DC, sob a liderança de Donald Trump, a escalada do Capitólio por uma pequena multidão de seguidores do atual presidente dos EUA, marcam o fim desse pequeníssimo século, que pôs gananciosamente as garras à mostra, explicitando o que pode ser  esperado daqueles que herdaram a glória de Búfalo Bill, a batalha de Little Bighorn (1876) e sua exaltação à morte. A invasão da Casa dos legisladores marcará o fim do governo Trump, embora possa vir a firmar a sua liderança mais ativa nos movimentos populistas, agregadores dos WASP mais pobres e abandonados, dispostos a arrancar o que ainda sobrou dos índios, latinos e afro-americanos.

No sul dos Estados Unidos, na terra de George Wallace, aquele que em 1962 recusou a política de integração racial, perseguia os seguidores de Martin Luther King Jr., e foi candidato a candidato à presidência com o  slogan “segregação antes, segregação agora, segregação sempre”, nos idos de 1972, no Estado de Geórgia, ocorreu a eleição de um pastor negro, Raphael Warnock, para o Senado. Assim, enquanto os supremacistas brancos e outros grupos marginais e marginalizados pela política excludente dos EUA exibiam a truculência trumpniana, os eleitores de um dos estados mais racistas daquele país, apontavam para a construção de uma sociedade possível, mais inclusiva, mais aberta para os valores que vêm sendo construídos a cinco séculos, ou mais. 0 seis de janeiro de 2021 pode vir a ser considerado um novo marco na sociedade ocidental, um marco dos limites das práticas antigas.

No Brasil, o dia seis de janeiro pode vir a ser um dia memorável para a sociedade brasileira, para a comunidade científica brasileira, pois foi anunciado que o trabalho desenvolvido pelos cientistas do Instituto Butantã foi coroado de êxito, a vacina, desenvolvida naquele instituto, para controlar a expansão do Novo Corona Vírus foi bem sucedida. Uma vitória contra o vírus da natureza e, também, uma vitória sobre o vírus da ignorância, capitaneada pelo presidente Bolsonaro, um seguidor fervoroso do fracassado presidente Trump, dos EUA. A vitória dos cientistas do Butantã servirá de alento para os professores, formadores de cientistas, em uma nação que, desde a sua fundação, tem posto a educação de si mesma como algo irrelevante, uma vez que os que dela se fizeram senhores, sempre colocaram a sua economia pessoal acima do em comum. Quando o presidente Bolsonaro repetia durante o ano de 2020 que estava pensando na economia, e foi respaldado pelos que controlam o poder econômico, estava pensando na economia de sua família e dos grupos que nunca desejaram incluir o povo brasileiro no Estado Brasileiro.

Em algumas regiões do Brasil, a Festa dos Reis é o momento de visitar e receber a visita dos reis em suas casas. É um momento de júbilo, e cada casa é um “oratório onde Deus fez a morada” e todos são o menino que recebe os reis, e reis que visitam o menino. A festa dos Reis é festa de anúncio de tempos novos, é a esperança de que novos mundos ocorram e todos sejam acolhidos. É uma profecia? Talvez, pois todo desejo é uma abertura para a sua realização que às vezes não ocorre por medo da sua realização. Sim, nós temos medo do futuro que desejamos, pois, interessante é que não sabemos como seremos nele. Entretanto continuamos a desejar, a querer que os reis nos visitem com seus presente e que, também nos tornemos reis visitantes, eternos visitantes nessa casa “onde Deus fez a morada”.

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