Sobre o esquecimento dos que se lembram da Revolução de 1817

Tenho em mãos o “Memorial do dia seguinte, a Revolução de 1817 em documento da época”, organizado por Evaldo Costa, Hildo Leal da Rosa e Débora Cavalcante de Moura, uma publicação conjunta do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, e a CEPE editora. A importância desse livro é que põe à disposição do estudante de história, ao cidadão pernambucano, brasileiro e os cosmopolitas, documentos manuscritos gerados em Pernambuco pelo governo de Pernambuco para dentro da província ou das províncias vizinhas, relatando ações, cumprindo decisões do governador Capitão general Luiz do Rego Barreto, o algoz dos patriotas pernambucanos. Esses documentos são antecedidos pelo excelente prefácio do historiador prof. Dr. Flávio José Gomes Cabral, docente da Universidade Católica de Pernambuco. Lamentável a ausência de palavras do historiador e ex-diretor do APEJE, Hildo Rosa, que nos trariam mais informações sobre a qualidade, a situação em que se encontravam tais documentos e o processo que promoveu a possibilidade da recuperação desses documentos. O texto de apresentação, escrito pelo jornalista Evaldo Costa, parece ser o atual diretor do APEJE, apenas diz que “o material que forma a presente coletânea esteve por décadas longe dos olhos de potenciais interessados, integrado ao acervo permanente do Arquivo Público, onde era visitado esporadicamente por alguns poucos especialistas, enquanto permanecia um grande alheamento sobre 1817.” Essas poucas linhas contrastam com os dois parágrafos dedicados a homenagear alguns diretores da administração estadual.

O volume que tenho em mãos, foi resultado do trabalho da “equipe do Arquivo, liderada por Hildo Leal da Rosa e Débora Cavalcante de Moura”, escreveu o jornalista, sem mencionar, como o faria um autêntico diretor de um arquivo público, os responsáveis pelo projeto “Ofícios do Governo de Pernambuco: Retratos da cultura política: ofícios do governo de Pernambuco (1679-1837)” idealizado pelas professoras da Rede Estadual de Educação de Pernambuco e, à época, Mestre Fabíola Correia da Costa e a doutoranda Luciana de Carvalho Barbalho Velez. Tal projeto recebeu financiamento da FACEPE, apoio da UFPE, UFRPE, UFPB, UPE, através de professores que participaram de seu comitê Gestor. O Arquivo Público Estadual Jordão Emereciano nos recebeu a todos, especialmente ao técnicos Prof. Mestre Douglas Batista e prof. João Batista da Silva Neto. Por gentileza de Fabíola Correia e Luciana Velez, quem apresentou o projeto à FACEPE e o coordenou, foi o prof. Dr. Severino Vicente da Silva, da UFPE.  Graças a esse projeto foram adquiridos materiais diversos para o APEJE que permitiram a leitura e cópia dos manuscritos e um cofre a vácuo para a guarda dos manuscritos.      

A publicação de documentação, especialmente quando ela é única, caso do que foi publicado neste livro, deve ser acompanhada com o maior número de informações possíveis para que toda a historiografia e todos os historiadores sejam beneficiados. A corrida por publicação que gera prestígio instantâneo é prejudicial ao trabalho do historiador. Convém sempre lembrar o cuidado que encontramos nas obra de Capistrano de Abreu e outros grande que, tendo manuseado documentação inédita, tornaram públicas as fontes, os autores e os caminhos que percorreram até a publicação dos mesmos. Assim esperamos de historiadores e de jornalistas que, por motivos outros, vieram ou venham ocupar a mesa de diretor de arquivos públicos. Aliás, neste, os governantes de nosso país dificultam a manutenção dos arquivos, talvez porque alguns que governam o país sejam proprietários de terra. Arquivos bem conservados guardam o segredo, arquivos mal conservados destroem possíveis verdades ou verdades indesejáveis. Melhor queimar, ou deixar perecer, pensam.  

About the Author

Nascido em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernamabuco, cresci no Recife, onde fiz todos os meus estudos em escolas públicas. Sou formado em Teologia no Instituto de Teologia do Recife - ITER; licenciado em História pela UFPE, onde defendi dissertação sob o tema "A Primeira Guerra Mundial na Tribuna religiosa: o nascimento da neo-cristandade" e a tese doutoral "Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e Recife". Publiquei Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX, pela Editora Universitária UFPE. Sou pai de Ângelo, Valéria e Tâmisa,filhos de tereza; e avô de Rafael, Lucas, Tereza e Carolina . Agora sou pai de Isaac, filho de Manuela. Tenho pesquisado a cultura e a sociedade da Zona da Mata Norte de Pernambuco e dessas pesquisas publiquei Festa de Caboclo; Estrela de Ouro de Aliança, a saga de Uma Tradição; e Pretinhas do Congo, uma nação africana na Jurema da Mata Norte.