Dores da história

Passaram os dias de outubro e as incertezas e temores aumentam. Cada vez mais difícil ler os jornais, mais escandaloso ficar em silêncio diante das inúmeras situações de risco que nos pomos, como indivíduos e como sociedade. Completa um ano da escolha que a nação fez: desalojar do poder um grupo que tolheu e fez desaparecer a esperança em dias novos, em tranquilidade para os filhos e netos e, enganada (talvez não) por promessas vazias e sem maiores planejamentos exceto de tirar do poder um grupo que parece ter perdido a criatividade e a esperança; um grupo que começou a ser confundido com os que sempre governaram o Brasil. As novas promessas seduziram a muitos, enquanto outros viam o mundo lhes cair por cima da cabeça e dentro de suas almas. Faz um ano dessas angústias que nos trouxeram até aqui.

Em dois anos assistimos o fim dos sonhos e, vimos como o descaso com o futuro e o engano de atacar com tanto ódio os possíveis aliados fez nascer a serpente que nunca parece morrer. A hidra do ódio alojada em cada ser magoado explodiu, ainda que sem muita foça, em metade da população, mas foi o suficiente para, em oito meses, abrir o caminho para a exploração profunda dos mais pobres, parecendo renascer o século XVIII inglês ou o XIX da expansão americana para o Oeste. Quero dizer, nesses oito meses vivemos em um país que destruiu as conquistas sociais e humanas do século XX.
E assim entramos no mês que comemora 130 anos do fim da monarquia dos Orleans e Bragança, com um presidente que age como um rei francês da primeira metade do século XVIII e, um presidente da Suprema Corte desejoso de ser Mazarino. Será que viveremos no século XXI, como comédia trágica, o puritanismo tacanho?

A República deveria ser o governo do público, mas esse público que deveria governar manifesta-se principalmente durante os carnavais usados como palanques de reivindicações de direitos e aulas da história do povo contada por quem a vive e sofre. Os carnavais são as bibliotecas não utilizadas pelas academias, exceto para produção de artigos para revista tipo A.

About the Author

Nascido em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernamabuco, cresci no Recife, onde fiz todos os meus estudos em escolas públicas. Sou formado em Teologia no Instituto de Teologia do Recife - ITER; licenciado em História pela UFPE, onde defendi dissertação sob o tema "A Primeira Guerra Mundial na Tribuna religiosa: o nascimento da neo-cristandade" e a tese doutoral "Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e Recife". Publiquei Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX, pela Editora Universitária UFPE. Sou pai de Ângelo, Valéria e Tâmisa,filhos de tereza; e avô de Rafael, Lucas, Tereza e Carolina . Agora sou pai de Isaac, filho de Manuela. Tenho pesquisado a cultura e a sociedade da Zona da Mata Norte de Pernambuco e dessas pesquisas publiquei Festa de Caboclo; Estrela de Ouro de Aliança, a saga de Uma Tradição; e Pretinhas do Congo, uma nação africana na Jurema da Mata Norte.