O bom é que isso passa.

Podemos até dizer que setembro se foi quando chegou a primavera, pois de lá para cá, este final de primeira semana de outubro, tem havido muita novidade antiga, pois que assim pode ser percebida a realidade brasileira nos dias atuais, quando o presente fica, em alguns aspectos com jeito de passado, de coisa já vista e indesejável. Mas sempre vem novidades em forma de esperança, e sabemos que toda esperança tem um pouco de saudade, um pouco de desejo de que as coisas boas voltem a ocorrer.

É lamentável ter um presidente que nos mente propositadamente, com o objetivo de confundir a todos e, assim, continuar em evidência na mídia que diz tanto detestar; é lamentável ter um presidente que usa palavras e expressões pouco delicadas e desaconselháveis diante senhoritas, como se dizia antigamente. A palavra e seus usos são o retrato da sociedade. É o caso de “porra”, palavra que, cerca de quarenta, cinquenta anos, só os homens usavam em público, e quando estavam com seus pareceiros, e agora é de uso comum em comícios na frente do palácio presidencial. Sim, entendemos que o avanço do politicamente correto, agregado à parcimoniosa prática da leitura nos tempos atuais, tornou tal palavra tão comum que até as moças de famílias tradicionais sempre a carregam na ponta da língua, e a despejam sem cerimônia em suas conversações. É uma palavra sinônima de tudo, de todas as coisas, de todas as práticas: está a tornar-se um vocábulo de gala. Outra palavra simbólica.

Na mesma direção, a porra do nosso presidente, nesta semana, fez retornar o saudável hábito de gritar a mãe dos outros. Quando alguém lhe perguntou pelo amigo Queiroz, ele prontamente respondeu: “tá com sua mãe”. Existe algo mais brasileiro, mais caserneiro, mais maloqueiro que o hábito de falar depreciativamente da mãe do outro? É assim que nosso presidente demonstra o carinho e a preocupação que ele tem pela família brasileira, pelos costumes que deram a forma ao Brasil, não o que queremos, mas o que tem sido construído nesses séculos de exclusões. Essas atitudes, ele toma, por entender que é assim que o brasileiro é. Muito importante que o presidente Bolsonaro esteja se esforçando para ser ele mesmo, sendo um exemplo para a atual e a futura geração. Afinal o seu objetivo é fazer essa porra do Brasil continuar a ser um país de filho da … mãe.

O bom é que isso vai passar. Como se sabe, isso é uma palavra que era utiizada para evitar dizer M…;

About the Author

Nascido em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernamabuco, cresci no Recife, onde fiz todos os meus estudos em escolas públicas. Sou formado em Teologia no Instituto de Teologia do Recife - ITER; licenciado em História pela UFPE, onde defendi dissertação sob o tema "A Primeira Guerra Mundial na Tribuna religiosa: o nascimento da neo-cristandade" e a tese doutoral "Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e Recife". Publiquei Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX, pela Editora Universitária UFPE. Sou pai de Ângelo, Valéria e Tâmisa,filhos de tereza; e avô de Rafael, Lucas, Tereza e Carolina . Agora sou pai de Isaac, filho de Manuela. Tenho pesquisado a cultura e a sociedade da Zona da Mata Norte de Pernambuco e dessas pesquisas publiquei Festa de Caboclo; Estrela de Ouro de Aliança, a saga de Uma Tradição; e Pretinhas do Congo, uma nação africana na Jurema da Mata Norte.