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Prof. Jarbas Maciel.

Enquanto dirigia-me à UFPE, pensava sobre a tarefa que iria realizar com alguns alunos, orientando-os para o seu Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC. Depois encontrei-me com Antônio Paulo Rezende e trocamos ideias sobre nosso trabalho vocacionado. Mas a conversa com o professor Antônio Paulo Rezende sobre as dificuldades que enfrentamos no momento atual foi sendo encaminhada para algumas figuras que marcaram nossas vidas aqui na UFPE. Então veio a surpresa: Jarbas Maciel havia morrido no final da semana que passou. Eu não sabia até o momento, apesar de ler diariamente o boletim da UFPE, que eventualmente nos informa da morte de colegas que conhecíamos ou que, ainda que desconhecidos, travaram o bom combate pela boa educação para este país. E veio-me à memória as aulas sobre Cultura Brasileira que dele recebi. Hoje busco, em minhas aulas mostrar a sensibilidade que ele cultivava sobre o povo brasileiro.

Em suas aulas, no curso de Mestrado em História, Jarbas Maciel falava de um “Brasil Profundo”, para o qual devíamos estar atentos. Numa dessas aulas sobre o sentimento e a vida que se constrói no país, veio uma pergunta: “Biu, você compreende a música de Brahams? Eu tenho tentado e escuto sempre, pois ele tem algo a dizer sobre a compreensão do homem, mesmo do homem brasileiro.”

Abobei-me. Penso sempre em Jarbas Maciel e, vez por outra ponho aquele compositor na radiola e busco terminar aquela aula. E aquele professor era matemático, auxiliou a criar o curso de matemática na UFPE,iniciou o núcleo de informática da nossa universidade, esteve, parece que na coordenação, do processo de informatização do BANORTE, primeiro banco informatizado do Brasil. Vocês não imaginam a surpresa que tiveram os funcionários do BAMERINDUS, que ainda usavam caneta e máquina de datilografia, quando, por interesses dos sudestinos, compraram um banco que estava anos à frente no uso da tecnologia.

O professor Jarbas Maciel era músico, clássico e armorial. Além de ser professor na Pós Graduação de História, lecionava no curso de Filosofia. A Revista Clio, do Departamento de História, tem o que parece ter sido uma das últimas, senão a última publicação acadêmica de Jarbas Maciel, e foi a respeito do movimento Armorial ( “Sertões: Espaços, Tempos e Movimentos”. 01. ed. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 2009. v. 01. 190p .) Poucas pessoas, creio, produziram tanto conhecimento, e em tão variadas direções, quanto o professor Jarbas Maciel.

Ainda neste mês de agosto, tendo encontrado o professor Caio Maciel, colega que atua no Departamento de Geografia, conversei sobre seu pai, disse que o havia citado em minha aula naquela semana e pedia que lhe desse um abraço, com a pretensão de estaria em sua memória. Mas ele é que estará sempre comigo, nas minhas aulas sobre o Brasil, Pernambuco, sobre a minha cultura, na esperança de que todos nós possamos entender a universalidade e a unidade múltipla da humanidade.

Quero, nesta página, honrar o professor Jarbas Maciel.

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