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A CULTURA DA MATA NORTE O LABORATÓRIO DE HISTÓRIA ORAL E IMAGEM – LAHOI

A CULTURA DA MATA NORTE O LABORATÓRIO DE HISTÓRIA ORAL E IMAGEM – LAHOI
Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

Boa tarde a todos que estão aqui, que escolheram estar com o Laboratório de História Oral e da Imagem, do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco. Nesta tarde estamos iniciando o que desejamos ser um projeto permanente deste Laboratório, a escuta de personalidades que estão contribuindo com a formação de nossa sociedade, preservando, inovando a cultura que elas herdaram e que nós herdamos de nossos antepassados.
Um Laboratório de Memória em um Departamento de História é fundamental, tanto para a escrita da história contemporânea, quanto daquela que já não vivenciamos, exceto pela lembrança, pelo que ficou guardado nos registros cerebrais. Comumente a história é escrita a partir de documentos que foram selecionados e guardados em algum arquivo de alguma instituição que para tal fim foi criada, mas o que foi escolhido é apenas parte do que algumas pessoas, algum grupo, decidiu que era importante guardar. Mas sabemos que foram muitas, são muitas as memórias que não foram guardadas por não terem sido escritas, e muitas das escritas terminaram por serem descartadas, ora pela ação do tempo, ora pela ação das intempéries, ora pela ação intencional de um grupo que não desejava a sua manutenção. Neste último caso, estão as memórias dos pobres, a memória dos que gastam sua vida na luta pela sobrevivência, mas que pela vida. Em todas as sociedades, a memória que fica registrada em arquivo e livros é a memória dos poder, e mesmo quando, por alguma sorte, guarda-se a memória dos que não estão no poder, tal memória vem a ser explicada de acordo com as normas estabelecidas pelo poder.
A mais antiga das universidades (Bolonha) surgiu de um consórcio de pessoas que desejavam estudar e, para tal contrataram professores que tinham a memória, o que fora construído no passado e era a base para o seu presente. Mais tarde, o poder passou a controlar o consórcio que era dos estudantes. Então as universidades passaram a ensinar o que era definido pelo poder. O saber e o poder são partes de um mesmo corpo de um ser siamês. O poder sem o saber, sem a memória coletiva, tende a se extinguir por si, leva tempo, provoca sofrimento, mas esse poder que repudia o saber será superado. O saber, o conhecimento, sempre será base de um poder.
A Universidade Federal de Pernambuco, através do Departamento de História, e ele criando e mantendo o Laboratório de História Oral e Imagem, fundado e organizado que foi pelo Professor Dr. Antônio Montenegro, neste momento coordenado pela Professora Drª Isabel Guillen, tem cumprido seu papel de coletor e guardador de algumas memórias e imagens de parte da sociedade que mais sofre que exerce o poder. E, entretanto, são elas sustentáculos da sociedade. Pesquisas realizadas por estudantes junto a grupos e movimentos sociais estão hoje disponíveis para o conhecimento, o estudo daqueles que se tenham interesse em entender alguns dos processos de criação da alma, da cultura, da vida da sociedade. E todos nós deveríamos ter este interesse, e cada um dos cursos da universidade deve ser para satisfazer os interesses que temos sobre os homens e as sociedades que criam. Esta é a razão para guardarmos e incentivarmos pesquisas e reflexões sobre como nos formamos e como somos.
É nesta perspectiva que estamos aqui com Manoelzinho Salustiano, orgulhoso de carregar o nome do pai, Mestre Salustiano, mestre da cultura popular que, em 1965 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal de Pernambuco . Mas hoje estamos aqui para ouvir o depoimento de Manoel Salustiano da Silva, que foi folgazão do Maracatu Piaba de Ouro, é artesão de gola de caboclo e Bandeira de Maracatu, produtor cultural e gestor de projetos e oficianas de formação.

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