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Fracasso da educação é o fracasso da sociedade

Nossas orelhas queimam de tanto ouvir reclamações sobre a educação que nossos jovens recebem nas escolas que frequentam. Os resultados alcançados nos exames gerais, nacionais ou aplicados por entidades de abrangência internacional, apontam que os jovens, após 10 ou 12 anos de escolaridades, não conseguem escrever um texto, seja, não organizam as ideias que lhes chegam, apenas as aglutinam; não conseguem resolver problemas simples de aritmética ou geometria, faltando-lhes lógica e, se se lhes pedem que exprimam seus pensamentos, ficam acuados e, tímidos, não nos deixam saber o que lhes passa na mente. Ouvimos dizer que se “gasta” pouco nos anos escolares iniciais e se “gasta” muito nas universidades.

E, então começo a implicar com a expressão “gasto”. Em nossa sociedade esta palavra está relacionada com desperdício. E, pôr verba na atividade de educar a nova geração não pode ser considerado desperdício. Claro que pode haver má gerência e então desperdiçar algo do que foi posto como investimento. E nessa direção podemos encontrar muitos administradores utilizando as verbas de maneira imprópria, diminuindo os resultados esperados. Na verdade, há pouco investimento na educação, pois se tem dessa atividade, em nossa sociedade, uma visão muito tacanha. Os administradores públicos, herdeiros de uma sociedade escravocrata, parecem entender que devem comportar-se como seus antepassados ao oferecer cursos de língua portuguesa aos seus novos escravos. Há escolas municipais, na área rural, que nem mesmo possuem privada, obrigando alunos e professores atenderem aos ditames da natureza na própria natureza. Não havendo este equipamento, imagine o quesito Biblioteca, sala de leitura, espaço para teatro, área de recreação equipada. Neste tempos informatizados e conectados com o mundo, poucas são as salas de aulas universitárias nas quais professores possam utilizar os modernos equipamentos transmissores de informações a serem transformados em conhecimentos, para a formação dos estudantes postos à sua responsabilidade. Se, a alguns, parece que são altos os investimentos em educação universitária, é que eles não percebem que a formação de um cientista, professor, engenheiro, médico, matemático, físico, aquele que virá a ser um administrador de empresa, assistente social, sociólogo músico é um processo longo e caro. A única formação barata é a formação dos idiotas. E, observando o comportamento de muitos que hoje estão liderando o país, após terem passado anos nos diversos graus de ensino, até mesmo nas ditas rigorosas escolas militares, parece que o gasto tem sido enorme.

Das universidades têm saído muitos bons técnicos e poucos humanistas; muitos bons sociólogos e poucos humanistas; muitos bons advogados e poucos humanistas; bons políticos e poucos humanistas. Como a educação é uma atividade de resultados tardios, só agora é que podemos verificar, considerando a atuação de parte da elite, a que está no Congresso Nacional, nos Tribunais Maiores e Supremos, nos gabinetes dos palácios, podemos compreender melhor o quanto nós fracassamos, pois, de certa maneira, nós fizemos crescer parte dessas pessoas e de seus eleitores. (vai ver nós ajudamos, até mesmo com nosso voto, a eleição dos piores). Sim, a educação tem fracassado ao formar líderes que são incapazes de articular uma frase com lógica ou decência ( e isso não se aplica apenas aos atuais), pessoas sem sendo de justiça, moralidade, dignidade, sem respeito aos auditórios, aos seus concidadãos, sem vigor cívico. Sei que alguns deles confundem vigor cívico com baboseiras diante a bandeira ou bravatas do tipo “ a beleza de nossas praias, mulheres”, etc. Mas, considerando a idade média desses que fazem essa pequena representação da sociedade, devemos nos perguntar em que tempo eles e seus professores viveram e se formaram. Tal pergunta nos levará ao período ditatorial. Ainda que após vinte e cindo anos do final da ditadura, estamos sob seus efeitos. Afinal, o atual presidente conseguiu sua dragona durante o governo Geisel. E os generais que o assessoram foram seus comandantes ou colegas. E os mais jovens, e os civis, em quais colégios aprenderam esse desdém pelo povo, precisamos saber para entender essa loucura da terra plana e de que o frio de certos dias e noites prova que não há aquecimento global.

Mas devemos considerar, também, que essas pessoas, como a maior parte das pessoas, ficam pouco horas do dia na escola média, secundária ou superior), grande parte de sua educação ocorre noutros espaços educacionais, como as igrejas, os bares, ambientes de trabalho, campos de futebol, diante da televisão ou no maravilhoso mundo das redes sociais. Isso diminui um pouco a ideia de que os professores são os responsáveis pelo fracasso da escola. Muitos dos que assumem secretarias de educação seguem estão mais afinados com o pensamento político do seu chefe (dono) do que com o que se debate no âmbito da Pedagogia, do Ensino, da Pesquisa. Quero dizer: não são cientistas, e quando o são, agem de forma a seguir o que a propaganda ensinou nos anos setenta: “o importante é levar vantagem em tudo”.

A “o importante é tirar vantagem em tudo”, que ficou conhecida como a Lei de Gérson, juntou-se à outra: “viemos aqui para beber ou para conversar” são duas grandes tiradas “filosóficas” que tem formado, desde a ditadura, a cabeça das novas gerações. Agora, imagine essas genialidades, misturadas com a ideia do “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” governada por quem acredita-se Capitão Nascimento, o Mito da Tropa de Elite.

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