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A Juventude só ocorre uma vez

A juventude só ocorre uma vez
Metade do ano já seguiu para o passado, após alguns décimos de segundos, quando presente parecia ser. Esse momento singular, constante no seu passamento nos dá a sensação de duração. Interessante é que o passado parece ser o presente quando refletimos sobre a situação política brasileira, cada dia mais parecendo algo que já foi visto, vivido e, pensávamos, indesejado mas, agora assistimos, nesses décimos de segundo, quantidade de gente com saudades do passado que pensávamos estar superado. Triste saber que o passado na últimas décadas do século XX, é o presente desejado por cerca de 30% dos brasileiros que parece terem optado por agarrar-se à covardia como maneira de viver. Sim porque todos os sistemas que optam por serem totalitários, erigem a covardia e a falsidade, não apenas como método, mas quase como objetivo a ser atingido. Aos poucos sentimos desaparecer práticas de boa convivência, do respeito mútuo, do reconhecimento do direito de todos e de cada um. É triste verificar que tem crescido o número daqueles que “só trabalham para ganhar dinheiro”. Esse o caminho que as reformas sociais estão tomando nesses oito meses de governo pós petismo.

Dia dos Pais, melhor, dia escolhido para prestar uma homenagem aos pais, pois os pais o são todos os dias. Neste dia dos pais, enquanto passava a calça, assisti um documentário sobre a conquista dos Direitos Civis nos Estados Unidos da América do Norte, uma luta dos afro-americanos que, cem anos após a Guerra de Secessão, ainda não tinha direito a votar, e viver com leis segregacionistas nos estados sulistas, onde o governador George Wallace discursava “segregação hoje, segregação amanhã, segregação sempre”, mas viu-se surpreendido com a capacidade de ver o futuro de duas gerações de afrodescendentes: os mais velhos que assumiam a liderança e os mais jovens, meninos e meninas ginasianas, gente entre 15 e 18 anos, que confrontaram o status quo racista, representado pela polícia e foram presas, em um dia mais de trezentas, forçando o presidente Lyndon Johnson a assinar a enviar ao Congresso a lei da universalização do voto nos Estados Unidos da América do Norte. We shall overcame, cantavam os manifestantes em direção ao futuro. Trinta anos depois do assassinato de Luther King Jr, precisamos recordar que a juventude ocorre apenas uma vez em nossas vidas, e é nela que o futuro é construído, por isso não podemos desperdiçá-la, vivê-la sem objetivo. Estamos experimentamos, neste final de década, a destruição de muitos direitos sociais em nome de uma racionalidade que garante, primeiramente vantagens aos que sempre as tiveram, Não tem sentido apenas dizer que o Estado está quebrado e, por isso é necessário que sejam retirados ou diminuídos os direitos dos mais pobres, enquanto se mantem a lógica da acumulação pura e simples que engorda as ‘vacas de Bazã’. Erros sérios de governantes que, no coração, esqueceram seus ideais e tornaram-se iguais aos seus antigos exploradores. Uma juventude não deve deixar-se enganar com medo do futuro. O futuro virá com ou sem o nosso medo, nosso temor, mas se o enfrentarmos, o que virá será resultado de nosso trabalho na construção do sonho, e não a imposição de um déspota.

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