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Professor James Beltrão, sempre presente.

Acordo, e uma das primeiras notícias do início da manhã é que o Professor James Beltrão faleceu. Pouco antes da leitura dessa notícia estava a pensar sobre as minhas ações do passado e o que eu iria faze neste dia, que aulas eu daria e como conversar sobre o tempo como participante de nossa criação cultural. Então a notícia da morte de James Beltrão, do professor James Beltrão, empurra-me para o início da década de setenta, tempo em que estávamos completando o nosso primeiro quinquênio de magistério e nos conhecemos, ele ensinando Geografia, eu aprendendo a ensinar história. É que James era muito bom em nos encantar em seus comentários sociais a partir da ciência que ensinava e que, com imensa razão ensinou-me a não dissocia-la da história. Não é possível a vida humana sem o espaço físico e, como se pode compreender o espaço físico sem a história dos Homens?
Nossa aproximação cresceu quando fizemos a primeira greve em pleno ano de 1979, no mês de abril. Juntamente com a dos motoristas dos coletivos do Recife, foi a primeira greve em plena ditadura. Depois vieram os canavieiros de Pernambuco e os metalúrgicos de Santo André. Mas o que sai nos livros – (didáticos para os primeiros anos de vida, ou universitários, escrito pelos e para os mais velhos, que influenciam os mais jovens) nem sempre corresponde à cronologia que, vez por outra cede espaço para o ideológico. A Greve do SIMPRO deveria encontrar um escritor, alguém que nos lembre de alguns momentos. Enquanto isso não acontece, atrevo-me a lembrar que fizemos das slas do Colégio Marista, na Conde da Boa Vista, o Comando da Greve. Foi então que assisti o professor James Beltrão mostrar a cidade, onde estavam os colégios, como chegar a eles, quais os professores que deveriam ir. Cuidando da logística da greve James Beltrão mostrou-se um grande organizador. Vi isso porque fui escalado para ouvir as notícias e escrever relatórios diários a serem apresentados na assemnléia do final do dia. Pena que esses papéis não foram guardados. Nem poderia ser, naqueles momentos em que começávamos a cavar a sepultura dos pelegos que não desejavam a greve e foram surpreendidos por uma nova geração de professores que estava chegando ao magistério e, também ao sindicalismo. Sério, alegre, mas sempre tendo em mente o grande objetivo, James Beltrão nos comandava e era por todos comandado. As conquistas daquele greve levaram anos para serem descaracterizadas, mas foram intensos e profundos os momentos de temor e de alegria que vivámos. Éramos Costa Natemática), Janildo Chaves Geografia), João Alberto (Geografia), Mário Medeiros (História), Fernandão (Educação Física), Edmilson (Física), Zélia (História), Biu Oliveira (História), Natanel (OSPB) Da Mata (História), Jorge Alves (português), Gabriel (Física), Vera Gomes (Matemática), e muitos outros, alguns já mortos, outros vivos, mantendo a lembrança e a memória dos amigos entusiasmados com a vida e sedentos de liberdade.
Outra lembrança que veio de rápido está relacionada com a morte de Chico Science. Razões de difícil entendimento levaram-me para fora de Pernambuco e, no Rio de Janeiro fui procurar emprego qe aqui estava senod negado em 1994. Fiquei dois anos ensinando em escola de Ensino Básico e em universidades: Universidade Veiga de Almeida, Universidade do Rio de Janeiro. Embora aprovado em concurso público na UNIRIO, vim fazer concurso na UFPE, onde estou, agora como Professor Associado. Seis meses após o meu retorno, descobri Chico Science por quem meus filhos choravam de tristeza por sua morte. Então fui buscar a razão do sentimento de orfandade, pesquisei, li e escrevi um texto que o amigo Mário Hélio publicou em seu espaço no Jornal do Commércio. Algum tempo depois, James Beltrão entrou em minha sala no CFCH, dizendo-me que leu o que escrevi sobre o artista símbolo de uma geração, uma nova geração, novas maneiras de expor os sonhos, ele gostava de Chico, tinha muito material guardado e falamos, quase duas horas, sobre o que nos acontecia, o que estava acontecendo. Rimos. Falamos. Deixamos nossos espíritos viverem, de novo, de maneira nova, os sonhos e realizações.
Gostei muito de conhecer o Professor James Beltrão. Gostei muito do tempo que construímos o tempo e sonhamos com uma cidade mais bonita. Gosto muito dessas lembranças.

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