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Anos 10 ou anos 70

Na segunda metade dos anos setenta ministrava aulas, juntamente com os professores Rubem Franca, Reginaldo Fontenelle, para onde fui levado pela indicação da professora Sônia Medeiros no Colégio e Curso Radier. Foi um tempo muito interessante, pois tinha que manter em segredo que, pouco meses antes havia sido hóspede do DOI-CODI, no que fui bem sucedido por algum tempo. Nesse período ocorreu um invasão de seres extraterrestres para infernizar as aulas de história. Foi tempo da glória de um rapaz alemão Erich Von Danniken, que preencheu a imaginação de gerações com explicações sobre a construção das pirâmides egípcias, maias e astecas; dos canais da Babilônia e de todas as maravilhas do mundo antigo, fruto do trabalho, das mãos e da capacidade humanas. Sua explicação era que “deuses astronautas” teriam vindo à terra e “ensinado” alguns homens e retornaram para seus mundos para além das galáxias. Havia um guru para essas extravagâncias, um senhor versado em leis que morava em São Lourenço da Mata e, em diversas ocasiões foram promovidos debates entre os professores e esses ‘sábios’. Também os professores das Ciências Biológicas tiveram que participar desses debates, que terminavam por contrapor as teorias da Evolução e o Criacionismo (ou creacionismo). Eram tempos árduos e interessantes, quase divertidos, confronto de mundos, de intenções religiosas em todos os casos, luta contra o pensamento científico. Esses debates provocavam estudos e debates inflamados, com alunos confrontando professores e seus colegas.

A disputa pelo saber, pelo poder. Pelo poder de dizer que só seres de ouyto mundo poderiam ter feito as ‘Maravilhas do mundo antigo”. Se conseguissem isso, também provariam que tudo virá dos deuses. Todos debatiam enquanto a caravana da história continuavam a passar. Ibrahim Sued, cronista social bem sucedido no Rio de Janeiro, todos os dias publicava o que ele dizia ser provérbio árabe: Os cães ladram e a caravana passa. Uri Geller entortava talheres e padre Quevedo vivia a discutir a a Parapsicologia e o ET de Varjinha, em Minas Gerais, era mais uma comprovação da vida extra terrestre. Ainda era o tempo que se anunciava a Era de Aquarius, embora Leila Diniz tivesse morrido;

Brasília foi construída em local previsto pelo místico Dom João Bosco. Vales do Amanhecer traziam novas esperanças, Zé Arigó – Dr. Fritz, cuidava da saúde do povo sem hospitais, médicos e enfermeiros. A caridade cristã de católicos e espíritas era criticada pelos grupos de esquerdas ateias pois entendiam que essa ajuda inviabilizaria a revolução que venceria a ditadura. Vieram novos tempos, esses que vivemos.

Pois bem, não é que estamos debatendo a sério, de novo, essas questões, agora com o auxílio de canais de televisão que, com efeitos especiais estão a demonstrar que tanto as profecias de Nostradamus como os Deuses Astronautas estão vivos. O Mais recente “Arigó” está rico e na prisão, denunciado por abusos sexuais, o que jamais ocorreu com o primeiro.

Nesses tempos novos há muitos cultivadores de deuses, não astronautas, mas que parecem negar a possibilidade criativa dos homens e mulheres de nossos tempos. Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta – morreu três messes antes da proclamação da escravidão do AI 5, mas notou que havia um Festival de Besteira que Assolava o País – o FEBEAPA. Ele continua existindo, sempre auxiliado de maneira difusa por um Plano Nacional de Burrificação, um PNB, agora mais ou menos detectado nos Ministérios da Educação e da Cidadania.

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