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O fim da escravidão não é o mesmo que a conquista da liberdade

Estamos sempre em tempo de comemoração, uma vez que sempre estamos a lembrar um passado, e todos os dias que vivemos nos remetem a acontecimentos, dos quais escolhemos alguns para lembrar e celebrar. Assim as celebrações, as efemérides são um passado, não o passado. Sempre lembramos um passado que nossa memória pessoal, ou coletiva escolhe como rota para o presente. Jornais nos lembram que 8 de maio é dia de comemoração, pois em 1945, general alemão depôs as armas e os aliados – ingleses, franceses e americanos – puderam afirmar que venceram uma guerra contra a Alemanha Nazista. As nações democráticas venceram a guerra, começaria o período de paz. é o Dia da Vitória. Os que viveram os rigores e horrores daquela guerra e a ela sobreviveram sabem o que devem comemorar e ao assim fazerem, ensinam aos que nasceram depois desse período a importância daquele momento na formação da sociedade na qual vivemos. E, perguntamos se as gerações atuais estão compreendendo o significado desta data.

É o mesmo com todas as efemérides que fazem parte do nosso calendário cívico, seja o do bairro (será que isso tem importância?), da cidade do país, do mundo. O mesmo para, no país, os diversos grupos que formam essa grande sociedade. Tomemos o próximo domingo, dia 13 de maio e assistimos a luta entre o mercantil dia das Mães (alguns colégios já falam ‘dia da família, como no Dia dos Pais está a tornar-se dia do amigo) e o Dia da Abolição da Escravidão, imposta a africanos e seus descendentes no Brasil.

Conversamos pouco a respeito dessas duas celebrações, mas nos dedicamos menos ainda à questão da Liberdade limitada que a Lei Áurea garantiu aos que ela libertara. Entretanto devemos comentar sempre sobre essas duas datas, e muitas outras assemelhadas na lembrança de passos positivos em direção a civilização. Ainda que o mundo que veio após 1945 não tenha sido de paz ou de plena vitória da liberdade, uma vez que essas são condições sempre da formação da humanidade, sabemos que, por algum tempo, em muitos lugares, certos sonhos perversos de dominação foram contidos, o que nos oferece mais oportunidades de aperfeiçoar as veredas em direção da paz e da liberdade humana. Também devemos agir dessa maneira e ter essa compreensão sobre o 13 de maio de 1888, pois ele foi incompleto e nos foi transmitido de modo a ocultar os medos que a Liberdade causava aos grupos que levaram a Princesas Isabel, e ainda causa a muitos. Sim, a Liberdade causa medo até mesmo aos que saíram da escravidão, pois que agora, como livres, estavam condenados a serem livres e, por isso, responsáveis por sua vida.

Como diz a música de Dorival Caymi, se pode ir só à Maracangalha, de chapéu de palha até mesmo sem a Nalha, celebrar o fim da escravidão, mas celebrar a liberdade é construí-la cotidianamente, pois a cada dia e época ela nos sorri diferentemente.

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