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FELIZ PÁSCOA

Feliz Páscoa! Disse, na quinta feira desta semana, nesta última semana do mês de março de 18, a Semana Santa, para os católicos. A frase foi em direção de um velho colega que passava no corredor. Dois minutos depois ele retorna e diz: feliz Páscoa. E comenta: estamos todos ficando ateus, parece. Antigamente esta era a primeira frase que dizíamos, mas agora ela começa a parecer estranha, não mais a usamos e ficamos surpresos quando ela nos é dirigida.

Na rede de comunicação virtual que frequento, são raras essas expressões de desejo de uma Páscoa feliz. Mais fácil encontrar comentários de teor crítico, relativizando a história do memorial ou da pessoa central do memorial. Até mesmo a referência o hábito do consumo de peixe nesse período é banalizado. Uma postagem de diversos corte de carne bovina ridiculariza o costume que obrigava, por religião, os nobres a comer a comida dos pobres na Idade Média, quando a carne e a caça era privilégio da nobreza.

Vi e ouvi uma postagem de um amigo, bom católico, leigo ativo e criativo, que nos desejava uma feliz páscoa, uma renovação do espírito, enquanto lembrava que a Páscoa é uma festividade de celebração do início da primavera, estação que alegra após o período invernal. A sua observação nos dá a oportunidade de notar que a páscoa é uma festividade originária dos povos do Hemisfério Norte que nós, do Hemisfério Sul a celebramos na chegada do Outono, quando o Verão nos deixa e as chuvas de março nos deixam vislumbrar o tempo de plantio e cultivo.

Outros cingem este festival primaveril à tradição judaica, pois que se lembra do Anjo de Deus que passou sobre o Egito, promovendo condições para que o faraó liberasse o povo que então se dirigiu ao deserto em busca de uma Terra Prometida, na qual, além de rios onde o leite e mel corriam, era também local de liberdade para um povo que, até então, vivia em escravidão.

Todos esses sentidos, e muitos outros, fazem desta festa um momento de revigorar as esperanças de que é possível construir outra vida, na qual a alegria seja o alimento diário, a riqueza seja comum a todos. E este é o desejo que guardo no meu íntimo e dele sai para cada pessoa que casualmente leia essa coluna.
Neste ano, o último dia da Quaresma cristã coincide com aniversário pouco celebrado, o dia no qual, faz cinquenta e quatro anos, o exército nacional brasileiro, liderado por generais carregados de medo e ressentimentos, saía dos quarteis, derrubaram um governo legítimo e reformista para iniciar um período de suspensão das liberdades de pensamento, de locomoção, de expressão. Contudo, aproveitamos a data da Ressureição, da Páscoa, para celebrar a vitória que conquistamos sobre aquela ditadura civil-militar, retomando o percurso da liberdade, que nos cabe conquistar e cultivar diariamente, recusando sempre a dominação do mal, do desentendimento em nossas vidas pessoal e social.

FELIZ PÁSCOA.

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