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Primeira quinzena do ano: problemas antigos; esperanças quase novas

Passaram-se os primeiros quinze dias de 2018, ano do cinquentenário do “ ano que não acabou” e, pelo jeito, este 18 ainda carregará até ao 19 as reformas que o país necessita. É que os deputados resolveram, após a publicação das gravações encomendadas pelo Procurador da República, com o intuito de prejudicar o já frágil governo do presidente Temer, que é bem bom para manter o seu bem bom modo de vida, evitar qualquer mudança, pois descobriram que não são apenas os militantes do poder legislativo que tem a possibilidade de barganhar com a presidência da República. Para alívio de todos os interessados em manter o status quo, ou seja, as suas posições privilegiadas, as reformas pararam e, assim os privilégios serão mantidos. Até mesmo os agricultores que já se aposentam aos 65 anos com um salário mínimo, foram fazer vigília em protesto contra o fim do “direito adquirido” de alguns a se aposentarem antes dessa idade, e terem aposentadorias acima de vinte e cinco salários mínimos. Falou-se que sindicato ligado a auditores fiscais pagaram os dias e noites passados em calçada de prédio público na capital da nação. Após os deputados não darem quórum para a votação da reforma da previdência, foram providenciados transportes para que os camponeses voltassem aos seus campos e às filas da Previdência Social. Os privillégios já estavam garantidos, o povo pode ser dispensado.

Cada vez mais frágil, o presidente Temer já percebe que cruzará a linha de chegada do 19, apesar e com o apoio do Judiciário, especialmente. O que antigamente era a maior Corte de Justiça do país, onde tinham assento os mais competentes juízes e seguros conhecedores da Constituição e dos demais códigos legais que controlam, dirigem e, presume-se, garantem a tranquilidade dos cidadãos. Esses juízes eram (ainda são) indicados pelo pela presidência da República e aprovada, após arguição, pelo Senado Federal. Ocorre que os presidentes eleitos no século XXI inovaram, e preferiram indicar para o colegiado que cuida da garantia da Constituição advogados, especialmente militantes de causas trabalhistas e ligados ao partido dos presidentes eleitos. Parece que foi uma orientação do então ministro da justiça, Thomaz Bastos, que era um criminalista (especialização do Direito voltada para o direito penal e/ou criminal. Como ministro ele indicou para Lula iindicar: Eros Grau, Aires Brito, Carmem Lúcia, Lewandoski, Francisco Barbosa, Dias Toffili.). Parece ter havido uma queda na qualidade do STF, com cada juiz defendendo a constituição dos seus sonhos, o que vem causando pesadelo à nação. Como o mote quase essencial do momento é a transparência, todos podemos assistir em tempo real, o cabo de guerra entre os juízes que, não procuram encontrar uma solução que acalme a nação, mas confrontam-se na exposição de seus egos, vocabulário, cabeleiras ou calvície. Atualmente os juízes do STF parecem advogados de porta de cadeia, sempre argumentando para que o criminoso seja libertado antes de ser preso. Exceto aqueles que afrontaram diretamente seus poderes, julgando-se superiores a eles. Talvez seja interessante lembrar que o ministro da justiça do primeiro presidente eleito no século XXI era cognominado de “Deus”.

Na segunda quinzena deste ano de 2018, assistiremos ao julgamento da sentença que condenou Luiz Inácio Lula da Silva, o que foi presidente. Será um momento tão importante quanto foi a posse do antigo e desatento torneiro mecânico. Em 2003 um brasileiro de origem pobre foi recebeu a faixa presidencial conquistada pelo voto dos que entendiam ser a oportunidade de o Brasil encontrar-se, quinze anos depois, esse operário enriquecido na direção sindical e na articulação política, está pressionando para que sua condenação por corrupção passiva seja revogada. Que falta faz Thomaz Bastos para essa gente!

1968 assinalou uma época de mudanças nos costumes. Como desejamos que 2018 abra o caminho para o fim da neo-nobreza (formada pelos políticos, juízes, setores da administração pública) com o fim do foro privilegiado e outras regalias que garantem a continuidade das desigualdades sociais! Como desejo que a fragilidade do atual executivo federal possibilite mudanças que impeçam a continuidade dessa nobreza que não conhece o povo! Desejo, especialmente, que aumente o número de escolas públicas de tempo integral e que professores gastem mais tempo em sala de aula e na companhia dos alunos e colegas que nos ônibus.

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