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O mundo não acabou: nem o de Plínio Victor, o de Murilo Mellins, nem o meu.

O domingo acordou alegre com um sol quente convidando a uma praia que, passou pela cabeça, mas passou tão rápido quanto essa brisa que vem da orla olindense, 3 quilômetros à minha frente. Começo a imaginar e planejar o meu dia, sem o camarão e a ostra que irão à praia sem mim. Outros glutões dominicais terão essa recompensa. Abro o computador e vou verificar se há algum recado, o que pensam alguns amigos e o que alguns disseram do que eu pensei e publiquei antes de hoje. Então tenho uma surpresa: Plínio Victor informa que, alguma instituição informa que o fim do mundo teria sido transferido para o dia 19 de novembro de 2017, que é hoje. É preocupante, pois isso vai estragar todo o planejamento, inclusive os planos de aula que estou pensando para o próximo semestre, e pior ainda, é que eu havia prometido ir à Praça do Carmo para que Isaac possa experimentar a bicicleta que comprei para ele. Como agora já passa das quatorze horas, parece que vão fazer um novo comunicado, nos informando o adiamento e as razões para mais esta frustração. Espero que Plínio, historiador e arqueólgo, garimpe também essa informação para que nos tranquilizemos e possammos continuar a educar nossos filhos e nos educarmos um pouco mais. Especialmente nos quesitos de ser honestos com as coisas públicas e mantermos as amizades, pois sem elas é o fim do mundo.

Enquanto o mundo não acaba, entre uma atividade e outra folheei um belo livro que Claudfranlklin enviou-me desde Lagarto, uma continuação de uma conversa que mantive, copo de uísque na mão, com Murilo Melins. Primeiro contato na Academia Sergipana de Letras. Nossa conversa foi sobre nossas memórias e a dos outros. Murilo escreveu o livro ARACAU PITORESCO E LENDÁRIO, publicado pela empresa Gráfica da Bahia, no ano de 2015. Resultado de coisas que ele viu, coisas que ouviu e coisas que leu nos jornais aracaujenses desde o inpicio do século XX até “os dias que valem a pena serem lembrados”. Uma delícia para os sergipanos e uma apresentação para quem, como eu, vai esporadicamente a Sergipe. Murilo Melins nos põe em contato com a boemia e com a seriedade, com a juventude pretérita, tão irreverente como a de hoje, com o decoro que o tempo permitia. Transcrevo a página 193.

“As mulheres, ou melhor, as esposas julgam também de seu direito de julgar: assim é que, nas mais diversas modalidades do seu vier, ellas consideram os maridos como as diversas coisas com que lidam:
A negociante julga o seu marido a uma factura paga;
A caixeira – uma caixa vazia;
A médica – um doente desenganado;
A Dentista – um dente obturado;
A bacharela – uma execução de sentença in fine;
A agricultura – um terreno que já produziu;
A operária – um salário pago;
A costureira – um vestido que não suporta mais remonte;
A professora – um Quincas;
A telegraphista – um telegrama retido;
A jornalista – um original archivado.

Bem, se vocês lerem essas brincadeiras dos anos 1930, saibam que o mundo não acabou e que aquela era um sociedade machista e sem a doutrina do politicamente correto nas redações.
E citando D. Côrtes, Murilo vem vem com esses versinhos:

Menina da saia curta – Olhe a Atalaia
Saltadeira de riacho – Olhe a atalia
Trepe naquele coqueiro
E bote dois cocos a baixo.

Obrigado Murilo Melins, pela sua memória, por sua pesquisa que mantém Aracaju viva, como Mario Sette fez com Recife de antigamente.

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