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O que devemos a Lutero e à Reforma por ele iniciada

O QUE DEVEMOS A MARTINHO LUTERO E À REFORMA POR ELE INICIADA
Prof. Dr. Severino Vicente da Silva

1. Introdução

O 17 parece ser um número cabalístico, é formado pelo 1, a unidade, a que somos chamados a construir e, o 7 que um número perfeito, segundo os que entendem desses mistérios, pois é a soma de duas trindades e ainda a unidade.
Quando olhamos as datas ou anos terminados em 17, sempre encontramos alguns acontecimentos que consideramos marcantes para nossa vida nesta civilização. Só para lembrar, foi em 1817 que em Pernambuco ocorreu um movimento contra os abusos das cortes de Lisboa/Porto e do Rio de Janeiro. Apontavam os líderes daquela revolução o caminho da liberdade e da independência do Brasil. Se o desejo era grande, as forças repressoras estavam atentas e capazes de aproveitar as fissuras existentes na população e na liderança. O sonho de liberdade foi sufocado, mas o da independência continuou ativo em outubro de 1821 (Convenção de Beberibe) para, finalmente, após muitos acordos entre os que se opuseram ao sonho liderado pelos pernambucanos, ser realizado em São Paulo e Rio de Janeiro, no ano de 1822. Outra lembrança envolvendo o 17 é de um século passado na Rússia, enquanto o mundo vivia em guerra, uma guerra que apontava o final de uma época civilizacional. Em outubro de 1917, ocorreu a revolução bolchevique que veio a tomar forma e influenciar a vida do século de tal maneira que um historiador resolveu marca-la entre o seu desabrochar e o seu morrer.
Mas hoje não estamos aqui para conversar sobre revoluções que, explicitamente lutaram para tomar o poder e exercê-lo de maneira a impor um projeto de sociedade política. O 17 que nos interessa neste encontro ocorreu faz quinhentos anos, assim nosso tema está ligado ao dia 31 de outubro de 1517, véspera da festa de Todos os Santos. E hoje estou aqui por iniciativa de alunos para um evento universitário que deveria ter sido eu, como professor da disciplina História Moderna, a provoca-lo. Sentimentos vários me desestimularam a tomar tal providência. Mas, nós sabemos que a vida não espera, ela apenas acontece e nos envolve e, se formos sábios, nos envolvemos nela para que tenha sentido o que fazemos. Agradeço o convite e espero responder ao desafio que juntos nos propusemos.

2. Base da experiência de Martinho Lutero

Reunímo-nos aqui, hoje, para conversar sobre um movimento que teve início na inquietação de uma alma em busca da felicidade que, em seu pensar, não ocorreria neste mundo da política, da economia, e sim no momento após a morte, no encontro com a divindade, após tê-la vivida de acordo com a sua Palavra. Não nos encontramos aqui para conversar sobre a certeza de um homem e de um movimento, mas para conversar um pouco sobre a fé de um homem e o que ela veio a provocar no seu mundo, assombrado pela fé e pelo medo.
É muito difícil conversar sobre este tema: a certeza de um homem religioso, como o eram todos os homens e mulheres do seu tempo, o século XVI, uma época que não começava a não se animar muito com certezas; estava a chegar a compreensão de que se vive em um universo de mudanças constantes (era o tempo em que fizeram descobertas de novas terras, novas gentes, novos bichos, muita coisa nova aparecia) e, que, intuíam, poderia ser diferente, e se tornava diferente a cada momento; e a cada decisão era definitiva, pois que não havia como voltar e recompor o que já havia sido realizado. Estava sendo construído um novo mundo, o das certezas provisórias. Pois bem, esse mundo que de tudo começava a duvidar é construído em parte com a certeza que o padre Martinho Lutero encontrara.

3. Martinho Lutero e o medo do Pai

Filho de um mineiro que avançava socialmente, Martinho foi enviado a estudar Leis; seu pai o queria advogado, profissão que iniciava uma trajetória de sucesso, e hoje é tão importante; uma importância que só cresce desde que os papas e reis começaram a buscar nas leis romanas as justificativas para seus poderes. Por outro lado, a parte da sociedade que começava a constituir-se como classe para si, a burguesia, também carecia desse especialista em leis, pois eles haveriam de defendê-los das pretensões dos príncipes, pretensões às vezes, ou quase sempre, absurdas, pois que vinham de tempos passados, de outras sociedades e de outros desejos. Contudo, o medo e a religiosidade indicaram outro caminho ao jovem estudante das leis. Uma tempestade, o temor de morrer sem estar pronto para o encontro com Deus, o fez prometer a Santana (pois que assim deram a chamar a mulher que teria sido a mãe de Maria, a mãe de Jesus) que, se saísse vivo daquele instante que lhe parecia ser fatal, dedicar-se-ia à religião, entraria em um convento. Santana o atendeu, o raio não lhe atingiu, e ele, sem consultar seu pai, apresentou-se no convento dos monges agostinianos e solicitou ser aceito. Era o ano de 1505. No ano de 1507, Lutero foi ordenado padre, começou a estudar teologia e veio a ser reconhecido como doutor em teologia no ano de 1512. Fez uma viagem a Roma, o centro do mundo religioso, e decepcionou-se com o que viu, embora tenha comprado uma indulgência. A visita ao espaço onde julgava que iria encontrar a tranquilidade para a sua alma, deve ter-lhe aumentado as dúvidas que ainda não conseguia externar.
Continuou a estudar e exercitar virtudes e controle. Estudando para as aulas de teologia bíblica encontrou a solução para suas dúvidas internas sobre a sua salvação.

4. O medo construído

Essa era, e é ainda, a busca de todos os cristãos que se sabem pecadores e que buscam, através de sacrifícios e penitência, a certeza de que seus esforços são aceitos por Deus, o pai de todos. Mas esse é um pai parece ser muito rigoroso, como o pai de sua experiência terreal.
Ao longo do período que chamamos de medieval, a motivação maior dos cristãos parece ter sido o medo. O sentimento do medo do castigo eterno foi, maior que o sentimento e a certeza do amor de Deus. As pestes que assolaram os feudos e os núcleos urbanos no século XIII foram explicadas pela ira divina por conta dos pecadores que não arredavam de seus pecados. A morte era entendida como um castigo, especialmente para os que morriam em pecado. Daí as devoções populares em busca de garantia de que sempre haveria um padre na hora da morte. Nesse contexto cresce a oração da Ave Maria que termina pedindo proteção “na hora de nossa morte”. Podemos verificar esse temor na Divina Comédia escrita por Dante Alighiere, com a descrição dos sofrimentos das almas no inferno, de onde há saída, ou no purgatório, enquanto antessala do Paraíso. Encontramos esse medo de um Deus juiz impiedoso também nos contrafortes que sustentam as catedrais góticas, na canção Dies Irae (Dia de ira) ou ainda nos afrescos que Michelangelo Buonaroti colocou na Capela Sistina retratando o Juízo Final. Como disse acima, foi em um rompante do medo que ocorreu a decisão de Martinho abandonar a vida comum para entrar na vida religiosa. Não foi com alegria que o jovem estudante Martinho Lutero se entregou para o serviço de Deus. E, mesmo como religioso, como sacerdote celebrante, ele não conseguia a segurança de que estava fazendo aquilo que garantisse a sua salvação, embora se dedicasse com afinco à vida religiosa. Então, seus estudos, suas pesquisas o levaram à compreensão que sua salvação dependia não do que viesse a fazer, mas da aceitação plena da Palavra que lhe era endereçada gratuitamente por Deus. Como ensinara Santo Agostinho é necessário crer para entender. É a fé, não razão que leva à salvação; é a aceitação gratuita do que de graça se recebe.

5. Vencendo o medo – a liberdade que conquista o leva à ação

E é a compreensão, a aceitação da palavra que o faz livre do medo. E, sem o medo a tolher-lhe os pensamentos, avança a sua a exegese e a teologia bíblica na direção da base agostiniana. Livre, então, é que podemos imaginar andando, no dia 31 de outubro de 1517, segundo a tradição, caminhando em direção da igreja do castelo de Wittenberg e, em sua porta, afixar 75 teses, dispondo-se a debater alguns costumes e práticas religiosas; quer debater publicamente algumas afirmações plenamente aceitas pelas comunidades, mas agora ele as quer por em debate, em dúvida. Sente-se livre para afrontar as autoridades que dizem falar em nome de Deus, que se interpõem entre Deus e o povo, um povo amedrontado, como ele havia sido até então, um povo que acreditava em tudo que aqueles arautos da divindade diziam. E estavam sob esse domínio não apenas o povo simples, mas os senhores feudais, os que tiravam proveito do medo e da religiosidade disseminada por essa ‘pastoral do medo’, como veio a definir Jean Delemeau
Outra tradição diz que o escrito do professor padre Martinho Lutero teria sido levado por alunos para uma oficina gráfica, reproduzido e distribuído, alcançando um número maior de ouvintes e leitores. O certo é que as teses para debate foram enviadas para o Arcebispo, talvez não tivesse sido afixado na porta da igreja do castelo exatamente no dia 31, pois esta é a data da carta dirigida para Alberto da Saxônia. Mas essa é a data que marca a assumpção da verdade que o libertava. De qualquer forma, não era apenas um exercício acadêmico que o professor padre Martinho Lutero desejava; ele não está disposto apenas a fazer comentários sobre um tema, caminhar um roteiro já conhecido e repetido escolasticamente. Na carta enviada ao Arcebispo ou na folha pregada na porta da igreja e retirada por alunos para que fosse reproduzida estava a certeza de um homem que havia encontrado Deus. Ele estava a fazer uma afirmação de fé, uma fé que se apresentava diferente, capaz de desafiar as autoridades, fossem elas religiosas ou seculares. Assumindo ser possuidor de uma verdade, ou da verdade, um indivíduo se apresenta para proclamar sua crença e põe em questão todo um sistema de poder.

6. O Ato de Martinho Lutero é compreendido e aceito e rejeitado

E, como o medo da perdição eterna era comum aos contemporâneos, Lutero foi por eles entendidos. As proposições postas por ele eram a representação de suas angústias no ‘vale de lágrimas’ de suas vidas. Foi compreendida e aceita pelos mais simples camponeses, pois que diante do vendedor de indulgência, viam a sua salvação e de alguns de seus parentes queridos, lhes serem negadas porque lhes faltava algum dinheiro para retirá-las do purgatório; foi compreendida pelos nobres proprietários de pequenos feudos, endividados no choque de uma época em transformação; foi compreendido pela alta nobreza que fez dele seu porta-voz diante o papa e o imperador; foi compreendido pelos que sofriam com a obrigação do Óbolo de São Pedro, transferidor de parte da riqueza para as construções romanas, diminuindo as perspectiva do comércio nas terras alemãs.
As palavras que o monge agostiniano dizia sobre a salvação da alma foi, também a solução para muitos problemas materiais; ela libertava camponeses da obrigação do pagamento das taxas às paróquias, aos conventos e mosteiros; suas palavras aliviavam os comerciantes da maldição que a cobrança de juros implicava; os cavaleiros, nobres sem terras, perceberam que poderiam ficar com algum pedaço das terras dos conventos que estavam sendo abandonados ou esvaziados pela fúria dos camponeses; e os nobres podiam perder muitas obrigações tradicionais.
Usando linguagem comum, o professor da Universidade de Wintterberg resolveu não falar apenas para seus pares – clérigos e professores perdidos nas regras e estatutos de suas instituições -, mas falava e escrevia para seus contemporâneos na linguagem que eles entendiam. As Teses, escritas inicialmente em latim, foram rapidamente postas em língua comum. Assim seus escritos, sua carta para o arcebispo Alberto da Mogúncia tornaram-se, na expressão de Cazuza, um “segredo de liquidificador”, e seus temas tornaram-se razão de muitas conversas, entre os membros das elites, mas também no povo comum, os artesões, os comerciantes, os camponeses. A liberdade do padre agostiniano contagiava os alemães. Seus sermões esclareciam que todos eram sacerdotes e todos eram livres e capazes de compreender ou viver o Mistério. Os sermões por ele proferidos eram reproduzidos e espalhavam-se por todos os recantos da Alemanha.
Lutero foi o primeiro grande sucesso da mídia moderna, o livro, o panfleto. Essas são as marcas do novo mundo que se forma, um mundo que a palavra é ouvida e lida. Os sermões, os discursos agora podiam alcançar mais que os ouvintes que a nave de uma igreja pode receber: o mundo tornava-se um grande auditório, uma sala de leitura. Sem afastar-se de sua cidade, Lutero alcançou o mundo, e em pouco tempo veio a ter seguidores em vários países e continentes. A liberdade de dizer o pensar, apesar de sua crítica ao Livre Arbítrio de Erasmo, o humanista reformador cerebral sem as vísceras luteranas. A liberdade erasmiana era reacional, a liberdade luterana era emocional. Erasmo quis e fez uma reforma, Lutero quis uma reforma, fez uma revolução.

7. Afirmação do indivíduo e das nações
O gesto de Martinho Lutero, quase perdido na periférica Wintterberg, veio afirmar, embora não fosse esse o seu objetivo, o poder que um indivíduo pode assumir no processo histórico desde que esteja concatenado com os anseios de seu tempo. Essa relação íntima entre o indivíduo e a sociedade que tornou histórico e revolucionário o seu gesto. Lutero quis propor algumas reformas, alguns ajustamentos de conduta, algumas modificações no que era ensinado de modo que a pregação não se afastasse tanto da realidade que viviam os cristãos até então. Entretanto, o que foi produzido foi uma verdadeira revolução nos conceitos de vida social. Ninguém é dono do seu gesto se o gesto é público. Afirmando como sacerdote todos os batizados, ainda que não houvesse recebido as ordens sacras, ele elevou todo o povo ao sacerdócio, ou melhor, ele retirou o odor divino que os padres, os monges, os frades, os religiosos carregavam; assim foi quebrada a estrutura que mantinha parte da sociedade afastada dos bens sagrados. Os gestos ‘sagrados’ são de todos. Na busca do divino Lutero aponta para a dessacralização do mundo. Buscando explicar que a aceitação da graça concedida por Deus a todos os homens escolhidos, Lutero aprofunda a Devotio Moderna, a oração do fiel diretamente com Deus, uma conversa amigável entre dois indivíduos, um deles desejando ser parte do Ser. Esse indivíduo não mais recua na defesa de sua fé, ainda que isso possa causar-lhe aborrecimentos. Mas esses aborrecimentos sentem os nobres alemães, conclamados por Lutero, não para defender-lhe, mas para defender a Igreja, para defender a fé.
Essa liberdade de Lutero diante dos poderes e poderosos da religião e da Igreja põe a perder uma tradição milenar (1522) da nobreza e põe em risco a autoridade da grande nobreza e do próprio imperador que junta soldados e domina a rebelião da nobreza alemã. Em seguida (1524) os camponeses levantam-se em busca de reconhecimento, e são acompanhados por presbíteros que seguiram Lutero, mas que foram além do que era possível ao monge agostiniano. Foram muitos os que morreram em busca da igualdade, sem o esperado apoio de Lutero. A grande Revolta dos Camponeses e sua repressão fizeram surgir o zelo luterano pela autoridade, veio a necessidade de polir o exercício da liberdade. Lutero abrira um caixa que servia a essa entidade perigosa chamada “todo mundo”, esse que ninguém sabe quem é ou onde mora. ‘Todo Mundo’ escapa do poder, pois ‘todo mundo’ é um indivíduo coletivo. As esperanças apontadas por Lutero abriram o que era desejado e reprimido, e uma das heranças luteranas é o fim da grande cristandade para a formação de pequenas cristandades, cristandades nacionais, pois as nações e seus soberanos foram reconhecidos no tratado que garantiu, a cada rei a sua religião em seus territórios (Dieta de Augsburg de 1555). Tem-se a religião do Estado, uma característica do absolutismo.
Aqui começa explicitar-se uma sociedade plural religiosamente, o reconhecimento da liberdade de escolha da religião pelos monarcas e ou pelas municipalidades, a Europa não é mais um continente de uma só tradição religiosa. Haverá disputas e guerras, mas foi o caminho encontrado para o reconhecimento do outro. Começa a construção da tolerância, tem início a rota da liberdade religiosa.
8. É função de a nobreza alemã proteger a religião, diz Lutero. Começamos a viver o tempo da religião do Estado, pois que o Estado garante a religião e esta sustenta o Estado. Mas foi o princípio da liberdade religiosa, essa que vem não da convicção firme como a de Lutero, mas a que faz experimentar a liberdade em relação a uma ordem exterior sob a proteção do príncipe. Os passos dados por Lutero e por alguns de seus seguidores criaram a avenida que levou à formação de sociedades democráticas, após a superação da fase absolutista na qual Estado e Religião formavam pequenas cristandades. Mas, essa relação com o Estado não foi um traçado único, pois que colaborou bastante, segundo alguns, para a aceitação do Nazismo, pois que o sentimento de pertença e pureza parece ter favorecido o amadurecimento do Ovo da Serpente. Mas um seguidor de luterano, Banhoffer, redescobre o caminho da liberdade, com o custo de sua própria vida.
9. Aspecto interessante ocorreu com a arte nos países que adotaram as novas religiões e mesmo naquelas que permaneceram católicas. Foram variados os caminhos buscados pelos artistas da forma, da palavra, do movimento. Houve o esmagamento de tradições populares, o disciplinamento social. Mas vamos deixar esses temas para outro encontro.

BIBLIOGRAFIA:
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BURKE, Peter. A Cultura Popular na Idade Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
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FALCON, Francisco & Antonio Edmilson RODRIGUES. A formação do mundo moderno. A construção do Ocidente dos séculos XIV ao XVIII. 2ª edição – rio de Janeiro: Elservier, 2006.
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RODRIGUES, Antonio Edmilson / FALCON, Francisco J. Calazans. Tempos Modernos: Ensaios de História Cultural. Rio de Janeiro: Cicilização Brasileira,2000.

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