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Papa Francisco e Professor Bruno Gomes

E então a semana que acabou nos trouxe interessantes informações sobre a nossa espécie, o homo sapiens. Na linha do tempo que o Facebook mantém para mim, com informações vinda das pessoas que ele define como amigas minha, ou grande público, apareceram alguns destaques, pois que me chamaram atenção.
Quando o cardeal de Buenos Aires assumiu a tarefa de ser o Papa Francisco, escrevi que esse jesuíta escolhera o santo de Assis como sinal de pobreza; mas também ele lembrava o Francisco Xavier, que saiu da Europa para cristianizar – ou ao menos levar a ideia do cristianismo para o Oriente – o sinal para definir-se como missionário; mas ainda havia outro Francisco, o Sales, o educador e organizador de uma parte daquele continente. Nesta semana, jornais repercutiram matéria de jornal britânico que encontrou um papa como o mais odiado dos atuais líderes em ação neste momento. Claro que ele também é muito amado. E este amor e ódio são consequência de suas ações como Pastor Missionário, Educador que não teme ensinar e apontar caminhos (ele sabe que as pessoas estão constantemente ensinando umas às outras) que ele considera certos e parte inerente de suas convicções e de sua Fé. Mas o interessante é que na matéria do jornal ouve-se o murmúrio de alguns a dizer que estão esperando a sua morte para que tudo volte a ser como antes. Essa gente é que jamais aprenderá que o tempo, essa invenção judaica assumida pelos cristãos, jamais será de novo, jamais ocorrerá novamente. Mas pudemos ver que há ódio na corte papal. E é um ódio militante contra a renovação de estruturas; ódio que milita contra a renovação da cúria, pois o papa está a colocar fora do núcleo do poder os que entendem-se com o direito de lesar a fé dos seguidores do cristianismo católico; E esses mesmos não gostam da orientação que o papa vive e ensina: não devemos acumular bens, deve-se viver na sobriedade da pobreza, sem apegos aos bens e cargos. Há sempre uma carga de ódio e rancor contra quem pretende agir e age para que a vida seja vivida com dignidade, sem ofensa aos demais membros da sociedade.
Outra situação que nos toca mais diretamente foi a tentativa de cercear o direito de a liberdade de assistir a um filme, nos espaços da Universidade Federal de Pernambuco. Um grupo de jovens estudantes da UFPE, dizendo que querem nos garantir o direito de sermos livres, resolve nos adotar como crianças indefesas, decidiram agir para nos proteger contra o fascismo. Nesse esforço fecharam o corredor de saída do prédio por onde passariam os que foram assistir ao filme. Claro que houve choque, troca de insultos e pancadas. Os dois grupos bateram e os dois grupos receberam pancadas. Na rede social também apareceram expressões como ‘vocês vão morrer’, ‘é necessário forma uma brigada contra esses fascistas’, ‘vão morrer todos’ e outras expressões com a mesma intenção: usar a violência e a morte como caminhos para garantir a liberdade. A violência que cala que diverge e a morte do divergente, o que trará paz para o sobrevivente: a paz dos cemitérios.
E se cito esses dois casos, é que, para mim, eles estão relacionados com as guerras – as declaradas e as que são vividas à surdina – que são nossas contemporâneas. O discurso de morte, o desejo de matar como solução dos problemas tem crescido, dizem alguns para quem a morte é um acontecimento distante em sua vida diária. A morte sempre ocorrerá com os outros, por isso eles a desejam tanto, como se essas mortes fossem a certeza de sua imortalidade.
Também chamou minha atenção a postagem do professor Bruno Severo Gomes que conta a sua luta pela vida na UFPE, desde o dia em que assinou contrato. Ele plantou semente naquele dia de sua entrada no quadro docente. E nos conta que desde 2009, no dia 29 de outubro, essa semente conseguiu sobreviver a ações diversas, do jardineiro, dos animais, do caminhão de lixo e mesmo das forças da natureza (um raio), mas ela está viva, como está o seu compromisso com a educação, com a vida. O papa Francisco e o professor Bruno Gomes, cada um a seu modo, cuidam para que a vida viva.

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